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Um estudo publicado esta última semana pelo prestigiado periódico Science mostrou que as concentrações do hormônio ocitocina de humanos, e também dos cães, aumentam à medida que eles interagem entre si.

Pesquisadores japoneses da Universidade de Azabu demonstraram que após uma interação de trinta minutos entre uma pessoa e seu cão os níveis de ocitocina na urina eram maiores nas “duplas” que interagiam mais entrte si com o olhar. A interação do cão com uma pessoa desconhecida não provocou o mesmo efeito.  Em outro experimento eles aplicaram ocitocina intranasal nos cães e observaram que as fêmeas passaram a ter uma maior interação visual com seus donos, e isso por sua vez aumentou a concentração do hormônio dos donos.  Essa diferença de gêneros não aconteceu no primeiro experimento e novos estudos deverão ser feitos para esmiuçar melhor essa questão.

A ocitocina é um hormônio produzido no cérebro (hipotálamo) e está associado a processos fisiológicos envolvidos na maternidade –contrações uterinas no momento do parto e a liberação de leite na amamentação. Ela atua no cérebro materno fortalecendo os laços de carinho com o filho, os cuidados básicos e de proteção. A ocitocina está associada também à produção de dopamina, o neurotransmissor responsável pelo controle do sistema de recompensa cerebral. Quando o hormônio é administrado a homens com relações estáveis e, a estes são apresentadas fotos de suas mulheres, o sistema de recompensa cerebral é estimulado de forma mais intensa, fazendo o cérebro ficar mais atraído pela parceira.

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É bem reconhecido o benefício do humor do ponto de vista individual e por facilitar as interações sociais. O humor ajuda as pessoas a tolerar melhor a dor e a tragédia e promove coesão em grupos reduzindo a chance de conflitos sociais

Uma linha de pesquisa tem mostrado também que o humor pode facilitar o desempenho no trabalho incrementando a criatividade e o coleguismo. Um estudo publicado recentemente pelo periódico Journal of Applied Psychology fez uma avaliação longitudinal de eficiência e produtividade de colaboradores de duas indústrias na Alemanha. Os pesquisadores avaliaram o vídeo de 54 reuniões e quantificaram o conteúdo de humor de cada uma delas.  Um exemplo de de manifestação de humor em reunião é uma consideração seguida de risadas pelo grupo.

Podemos pensar que o humor em reuniões de trabalho pode distrair o grupo e ser contraprodutivo, mas parece que acontece o contrário. Os pesquisadores avaliaram respostas a curtíssimo prazo após uma interação bem humorada e mostraram que o humor atraiu comportamentos de solução de problemas e definição de metas além de maior suporte entre os pares.

Os pesquisadores foram além. Entrevistaram os supervisores das equipes, que não estavam presentes nas reuniões, para avaliar o desempenho no curto prazo e após dois anos.  A eficiência era maior entre os grupos com maior conteúdo de humor em suas reuniões, tanto no curto como no longo prazo. Porém, essa relação entre humor e desempenho não existia quando  os colaboradores sentiam que seus empregos estavam em risco.

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Ninguém deve discordar que manter viva uma relação com um companheiro / companheira dá trabalho e não existe velocidade cruzeiro nesse processo. Compartilhamos aqui quatro táticas que podem fazer com que esse trabalho seja bem sucedido.

Seja agradável sempre que puder O psicólogo John Gottmann, professor emérito da Universidade de Washington, estudou a fundo os fatores que promovem a estabilidade de um casal. Ele filmou o cotidiano de milhares de casais para analisar suas interações e apresentou os resultados de forma quantitativa. Os casais mais felizes têm uma média de cinco interações positivas para cada uma negativa. Essas interações positivas não eram necessariamente atitudes espetaculares, mas um simples balançar de cabeça, discreto sorriso ou sinalização de que está ouvindo o outro.

 

Pense no que o outro precisa mesmo no meio de uma disputa Gottmann lembra que podemos aplicar a Teoria dos Jogos nas relações conjugais também.  A princípio, se um ganha dois pontos, o outro perde dois.  O equilíbrio em que ambas ganham, em que cada um sai com um ponto, aproxima-se mais do equilíbrio de Nash – John Nash Premio Nobel de Economia. Rubem Alves trouxe a idéia das relações como um jogo de frescobol. Se o outro erra, o prejuízo é dos dois. Por isso vale a pena jogar a bola com capricho para o outro.

Preste atenção no outro As pessoas querem a atenção do outro e buscam ativamente essa atenção. Casais satisfeitos com a relação costumam prestar atenção um no outro em 86% do tempo em média. Já aqueles que acabam no divórcio têm essa atenção em 33% das interações. Ao invés de prestar atenção no relato dia estressante do outro, a atenção pode estar voltada à TV.

Enxergue o outro como um copo meio cheio e não como meio vazio Gottmann também demonstrou que as pessoas que prestam muita a atenção nas falhas do outro são cegas para as virtudes. As pessoas felizes no casamento são aquelas que conseguem ignorar os pontos negativos e valorizar os positivos. Toalha molhada em cima da cama não deve ser suficiente para desmoronar uma relação.

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Uma pesquisa publicada na última semana no jornal eLife por pesquisadores Israelenses aponta que o aperto de mãos pode ser uma forma ancestral e socialmente aceitável das pessoas experimentarem o cheiro dos outros. O estudo mostrou que as pessoas cheiram inconscientemente a mão usada para um aperto de mãos duas vezes mais. O estudo conclui que as pessoas n/ao estariam apenas expostas passivamente aos odores, mas que também buscam de forma ativa.  Os animais cheiram seus semelhantes de forma muito menos “disfarçada”.

Os pesquisadores avaliaram 280 voluntários separados em dois grupos: uns foram filmados após um aperto de mão e outros que não receberam este cumprimento.  O aperto de mãos entre pessoas do mesmo gênero foi associado a um comportamento inconsciente de cheirar a própria mão duas vezes mais freqüente.  Já entre pessoas de gêneros opostos, essa mudança foi menor.

Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico Heart apontou que pessoas com pouca habilidade para enfrentar o estresse têm mais chance de desenvolver doença das artérias coronárias. O interessante é que a atividade física regular não consegue exercer seu efeito protetor nessa condição.

Já se conhecia o maior risco de doença cardíaca entre pessoas sedentárias e com pouca resiliência. Desta vez, pesquisadores ingleses e suecos mostraram que a atividade física não consegue contrabalancear o risco cardíaco de uma mente “ estressada”.

A resiliência ao estresse foi avaliada como exame compulsório para o serviço militar em quase 240 mil suecos adolescentes que depis tiveram um seguimento de até 50 anos.  Os adolescentes com baixa resiliência eram os que tinham menor preparo físico e ao longo  dos anos foram os que mais tiveram mais doença coronariana. Mesmo entre aqueles com alto desempenho físico , quando não sabiam enfrentar o estresse, estes também vieram a ter maiores índices de doença cardíaca.

Moral da história: programas de promoção da saúde do coração não devem deixar de lado o equilíbrio psíquico das pessoas.

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Um estudo recém-publicado no periódico Psychological Science aponta que o hábito de abraçar os outros pode ajudar a prevenir doenças. Paradoxal?

Pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon nos EUA aplicaram questionários a cerca de 400 voluntários para avaliação do quanto eles sentiam que tinham apoio de outras pessoas para dividir medos e conflitos. Por duas semanas eles também eram interrogados se tinham sido abraçado por alguém durante o dia. Além disso, parte dos voluntários era exposta ao vírus causador da gripe e depois ficavam isolados em quarentena para observação dos sintomas por cerca de uma semana.

Aqueles que tinham a percepção de maior apoio social eram também os que mais deram e receberam abraços durante as duas semanas estudadas. O mais interessante foi que as pessoas que experimentaram mais abraços foram as que apresentaram menos sintomas de gripe, independente do fator “apoio social”.  Esse mesmo grupo de pesquisadores já tinha demonstrado que as pessoas com maiores laços sociais gripavam menos, provavelmente por um sistema imunológico mais equilibrado.

A meia-idade é um período de relativa estabilidade, especialmente nos relacionamentos pessoais, mas algumas pessoas passam por uma grande insegurança emocional nessa fase da vida. A crise da meia idade existe e afeta no máximo um quarto dos quarentões e cinqüentões. Ao tomarem consciência de que existem menos anos de vida pela frente, algumas pessoas passam a ter planos menos ousados. Outras passam a ter o comportamento inverso: começam a realizar tudo aquilo que gostariam de ter feito e não fizeram.

As estatísticas vão de 10 a 25%. A maioria daqueles que referem ter passado por uma crise nessa idade reconhece que eventos como a perda do emprego ou de um parente foi muito mais importante que a idade por si só. Nem todo mundo entra em depressão ou começa a abusar do álcool ou outras substâncias psicoativas.

Estudos populacionais nos mostram que ao logo da vida as pessoas sentem-se menos felizes nesta época da vida. Há um comportamento chamado de curva em formato de “U”. A base do “U” é o menor estado de felicidade na meia idade e as pontas do “U” representam a velhice e infância / adolescência. Por outro lado, quando se pergunta a idosos qual a idade que eles mais gostariam de viver novamente, eles respondem que é os quarenta e poucos anos.

Fatores biológicos podem ter sua importância, mas os eventos que acontecem no decorrer da vida podem ser mais importantes. O cérebro já é menor aos 40 anos quando comparado à adolescência, mas a experiência e sabedoria da maturidade contornam facilmente essas questões morfológicas. Além disso, as doenças começam a ser mais comuns e elas certamente vão influenciar o equilíbrio psíquico.

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1- As pessoas só utilizam 10% do cérebro

Fato: o cérebro trabalha em conjunto como uma orquestra sinfônica. Não existe neurônio ocioso.

2- Pessoas mais racionais teriam o cérebro esquerdo mais desenvolvido e as pessoas mais intuitivas e artísticas têm o cérebro direito melhor.

Fato: os dois lados do cérebro são utilizados em qualquer atividade cognitiva incluindo leitura e matemática. É mais comum as pessoas terem a função da linguagem no hemisfério esquerdo, mas não são todas. Já a entonação de nossa fala e a orientação espacial é mais frequentemente representada no hemisfério direito. Estudos de neuroimagem não confirmam a idéia de que o hemisfério direito é a nossa central de criatividade.

3- A criança deve aprender sua primeira língua antes de aprender uma segunda.

Fato: a segunda língua não compete com a primeira. Na verdade, as crianças que aprendem as duas ao mesmo tempo adquirem melhor conhecimento da estrutura da linguagem de uma forma geral.

4- Meninos têm mais habilidade para aprender algumas matérias enquanto as meninas têm mais facilidade em outras.

Fato: mesmo que existam pequenas diferenças, e estas podem ser fruto do ambiente, do contexto psicossocial, e não do “modelo” da máquina cerebral por si só, essas possíveis diferenças são insignificantes.

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Uma pesquisa publicada hoje no periódico oficial da Academia Americana de Neurologia aponta que o risco de AVC é maior entre as pessoas que dormem mais de oito horas por noite.

Pesquisadores da Universidade de Cambridge na Inglaterra acompanharam quase dez mil voluntários por um período de 9.5 anos em média. Eles tinham uma média de idade de 62 anos. Das 986 pessoas que dormiam mais de oito horas por noite, 52 (5.27%) tiveram um AVC. Já entre as 6684 pessoas que dormiam entre 6 e 8 horas, 211 apresentaram AVC nesse período (3.15%). Os que dormiam o número de horas médio da população e que passavam a dormir mais de oito horas, estes passavam a ter um risco de AVC quatro vezes maior.

Essa diferença fpi independente de fatores como hipertensão arterial, dislipidemia, índice de massa corporal e atividade física.  A atual pesquisa não nos permite concluir se o sono prolongado é causa ou conseqüência de doença vascular. Mais estudos deverão ser realizados para esclarecer essa relação entre sono e AVC.

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Para aqueles que ainda estão casados com o cigarro e para aqueles que estão só namorando, não custa lembrar que o cigarro também faz uma senhora bagunça no cérebro. Esta última semana a Universidade McGill no Canadá e de Edinburgh na Escócia encorparam ainda mais as evidências de que o hábito de fumar deixa o cérebro mais murcho.

Os pesquisadores mostraram que quanto mais tempo uma pessoa é exposta à fumaça do cigarro, mais fina será a espessura do seu córtex cerebral. O córtex é a camada mais superficial do cérebro e é uma área crítica onde se concentram boa parte de nossas funções cognitivas como memória, linguagem e funções executivas. Eles também demonstraram que ao parar de fumar a pessoa recupera parte do volume cerebral perdido.

Cerca de 500 voluntários foram avaliados na idade adulta com uma média de idade de 73 anos. Os não fumantes tinham maior volume cerebral medido pela ressonância magnética quando comparados aos fumantes. O volume cerebral daqueles que tinham parado de fumar tinham índices intermediários entre os fumantes e aqueles que nunca fumaram.

E olha que essa menor espessura do córtex cerebral pode estar associada a um menor desempenho cognitivo. Outro estudo acompanhou mais de dez mil indivíduos na cidade de Londres por mais de uma década e mostrou que tabagistas, já na meia idade, apresentam menor desempenho em testes de memória e de raciocínio quando comparados à população não fumante. Os ex-fumantes já no início do estudo, quando tinham entre 35 e 55 anos de idade, apresentaram 30% menos risco de perdas cognitivas com o tempo.

Alcohol a head

Uma pesquisa publicada esta última semana pelo prestigiado British Medical Journal aponta que os efeitos benéficos do álcool estão limitados àqueles que já passaram dos 50 anos de idade.

Não existe dúvida que o consumo exagerado de álcool faz mal à saúde e está associado a mais de 200 doenças. Existe, entretanto, um robusto corpo de evidências de que seu uso moderado é melhor do que abstenção. Quem consome baixas doses de forma regular vive mais por apresentarem menos doenças que aqueles que nunca bebem. Será que é isso mesmo?

Pesquisadores ingleses e australianos investigaram o consumo de álcool entre mais de 30 mil ingleses e apontaram que a mortalidade é menor entre homens de 50-64 anos que bebem 15 a 20 unidades por semana e no caso das mulheres, menos de 10 unidades por semana.

Esse estudo é mais um motivo para os médicos pararem de ficar recomendando aos pacientes que consumam uma ou duas doses diárias como uma ação de promoção à saúde. Álcool não deve ser visto como suplemento alimentar para prevenir doenças.  Os médicos deveriam recomendar às pessoas que não bebem que continuem sem beber, e às pessoas que já têm o hábito de beber, que não ultrapassem os limites. Isso está mudando. Além da presente pesquisa, outros estudos têm demonstrado que o consumo regular de álcool, mesmo em doses leves a moderadas, está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer, como o de mama, reto e fígado. Por essa razão, em 2009 o Instituto Nacional do Câncer da França deu início a uma campanha chamada Álcool Zero, defendendo a ideia de que mesmo uma dose diária não é segura.

 Ahh… Já estou quase chegando aos 50!

Situações competitivas podem gerar sentimentos positivos de identificação com outros membros do grupo capazes de gerar alianças, mas podem também estimular sentimentos como a inveja e até mesmo satisfação com o infortúnio dos outros.

Atualmente reconhece-se que há dois tipos de inveja: uma benigna e outra maliciosa. No caso da inveja benigna, o que é invejado é uma coisa (ex: sucesso, bens materiais). Essa inveja também é conhecida como inveja branca. No caso da inveja maliciosa, a inveja é de uma pessoa e não da coisa em si. Essa é a inveja marrom.

Pesquisadores holandeses publicaram uma série de experimentos nesta última semana demonstrando que quando a inveja é mais focada na pessoa do que na coisa, ela vem freqüentemente acompanhada do sentimento que a língua alemã chama de “schadenfreude” – prazer pelo infortúnio dos outros.

Já foi demonstrado que algumas regiões cerebrais são fortemente envolvidas no processamento desses sentimentos. Pesquisadores israelenses da Universidade de Haifa mostraram que indivíduos que apresentam lesões cerebrais nas regiões frontal e parietal têm reduzida capacidade de sentir inveja ou prazer com o infortúnio alheio em testes psicológicos que simulam esses sentimentos.

Outro estudo conduzido por pesquisadores japoneses demosntrarou que as mesmas áreas cerebrais ativadas no processo de dor física são ativadas também em testes psicológicos que envolvem a “dor” de assistir o sucesso do outro – a inveja. Demonstraram ainda que testes psicológicos que envolvem a percepção do infortúnio alheio ativa o mesmo circuito de recompensa cerebral que é ativado quando experimentamos situações prazerosas como comer uma barra de chocolate. Isso deve explicar o o sucesso dos programas tipo “video-cassetadas” e também o porquê  dos meios de comuicação de massa venderem tão bem notícias de tropeços e escândalos de celebridades.

** O filósofo alemão Arthur Schopenhauer dizia que sentir inveja é humano, gozar do infortúnio dos outros é diabólico.

 

 

Divertir

Do latim DIVERTERE, “virar em diferentes direções”, de DIS-, “para o lado”, mais VERTERE, “virar”. A ideia é “voltar-se para um lado diferente das preocupações”.

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Neste carnaval, com quatro dias e meio de folga, e para alguns até mais, a cabeça faz uma lista de possíveis candidatos para ocupar o tempo com LAZER. E por que não ter essa lista na mente durante o resto do ano?

O tempo dedicado ao lazer muitas vezes está associado à atividade física com seus incontáveis benefícios. Porém, conhecemos pouco sobre o impacto do lazer em nossa saúde independente da atividade física, como é o caso da leitura, cinema, música, etc. Entretanto, alguns estudos têm revelado efeitos positivos interessantes.

Pesquisadores suecos demonstraram na década de 90 uma maior longevidade entre pessoas que freqüentavam eventos culturais. O mesmo grupo realizou outro estudo que analisou a relação entre a participação em eventos culturais e o status geral de saúde. Indivíduos que apresentaram altos escores de participação em atividades culturais apresentavam 65% mais chances de se julgarem saudáveis quando comparados àqueles com baixos escores.

As possíveis explicações para os benefícios do lazer sobre nossa saúde incluem desde dimensões psicossociais até mesmo biológicas. As atividades de lazer podem aumentar nossa rede de relacionamentos, nossas conexões sociais. Esse é um fator que está associado a uma menor concentração de hormônios do estresse e já foi demonstrado que com isso há redução dos riscos de doença isquêmica do coração (os animais de estimação também exercem esse efeito). Além disso, o lazer pode aumentar os níveis do hormônio ocitocina e do neurotransmissor serotonina, ambos associados ao bem estar psíquico. Uma simples aula de canto é capaz de aumentar os níveis do hormônio ocitocina, hormônio que pode ser considerado como modulador do estresse.

O lazer também promove a estimulação de nossos centros cerebrais de recompensa associados ao prazer. Essas são as mesmas regiões do cérebro estimuladas quando nos deliciamos com um saboroso alimento, quando experimentamos a paixão, quando compramos algo novo e muito desejado, quando temos atitudes altruístas ou quando solucionamos um problema. A ativação desses centros leva à liberação de uma série de neurotransmissores como dopamina, serotonina, endorfina, e que estão associados à sensação de prazer. O lazer é uma das maiores oportunidades para fugirmos da rotina, da repetição. Assim nosso cérebro vivencia o novo e o inesperado, que são fatores críticos para a estimulação de nossos centros de recompensa, com boas repercussões sobre a saúde psíquica e o estado imunológico.

Um meio rico em estímulos promove ainda uma maior saúde de regiões cerebrais tais como o hipocampo, que está relacionado a uma maior atividade cognitiva e menor risco de depressão. Há uma forte linha de pesquisa mostrando-nos que os idosos que mantêm ativas suas atividades de lazer têm menos risco de desenvolver a Doença de Alzheimer.

Diferentes modalidades de lazer também têm sido demonstradas como ferramentas preciosas para o tratamento de pessoas doentes: música, literatura, teatro e pintura. A música, por exemplo, aumenta a velocidade de recuperação de pacientes na fase aguda de um derrame cerebral, reduz a agitação de adultos em unidades de terapia intensiva e melhora o comportamento de crianças internadas com transtornos psiquiátricos.

O lazer tem sido levado cada vez mais a sério, e não devemos achar que sua importância seja restrita a sociedades super-desenvolvidas como o Estado de bem-estar social sueco. No Brasil ainda temos que suar muito a camisa para alcançarmos padrões mínimos desejáveis de desenvolvimento social, e estamos melhorando. O lazer associado ou não ao esporte pode ajudar a alavancar ainda mais esse desenvolvimento. Do ponto de vista de política pública, o lazer é um investimento relativamente barato que pode trazer benefícios em várias dimensões do desenvolvimento humano. Saúde é só uma delas.

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O desempenho de um atleta depende do tanto que seu relógio biológico está alinhado com o horário da competição. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana no prestigiado periódico Current Biology. Os treinadores precisam pensar nisso.

A pesquisa mostrou que o desempenho de um atleta de competição varia em 26% de acordo com o horário do dia. Os atletas que têm a tendência em dormir tarde, mas nem por isso dormem tarde, terão melhores marcas mais tarde do que aqueles que realmente gostam de dormir cedo. Se 1% de diferença já faz diferença numa competição profissional, imagine só 26% de diferença nos 100 metros rasos.

Pesquisadores da Universidade de Birmingham na Inglaterra avaliaram 120 atletas profissionais quanto à tendência em dormir cedo ou tarde e também o desempenho cardiovascular em seis diferentes momentos do dia. O desempenho foi significativamente variável nos diferentes horários e o fator que foi mais associado à melhor marca foi o tempo acordado entre o teste e a hora em que a pessoa teria acordado sem despertador. Enquanto o atleta que tem a tendência em acordar cedo tem sua melhor performance no começo da tarde, aquele que por natureza acorda mais tarde vai estar bom mesmo no período da noite. Esses resultados não devem ser muito diferentes no caso dos atletas amadores.

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Noventa por cento das espécies de aves mantém a condição de casal para criar os filhotes enquanto apenas 3% dos mamíferos fazem o mesmo. Para o individuo chocar um ovo, o parceiro ou a parceira tem que garantir a comida. O pingüim macho, por exemplo, reveza o cuidado do ovo com a fêmea.  Algumas espécies de mamíferos precisam do apoio do companheiro / companheira para garantir a comida, como é caso das raposas que não saem da toca, pois amamentam os filhotes quase sem intervalos.  Os primatas não são tão bons pais assim, mas os saguis fogem à regra.

Entretanto, o “casamento” dos animais não costuma durar pra sempre. Quando o filhotinho levanta vôo ou quando a raposinha sai da toca a parceria termina. Existem sim alguns animais que raramente se divorciam. Exemplos: lobos, cisnes, pinguins, gibões, ratos silvestres da pradaria, baratas, águias brancas, castores. No Brasil os casamentos duram em média 15 anos.

Elaborar resumos e explicar o conteúdo para outra pessoa são técnicas bem populares para dar um “up” no aprendizado. Uma pesquisa com adolescentes alemães recém-publicada mostra também que representar o conteúdo através de desenhos dá um empurrãozinho no quanto realmente se aprende.

Os adolescentes tinham que ler um texto de 850 palavras e sete parágrafos de um assunto nada familiar – a biologia do vírus influenza. Metade dos voluntários foi instruída a fazer um desenho que representasse cada um dos sete parágrafos, cada um no seu ritmo.

Aqueles que fizeram os desenhos responderam melhor a um teste de compreensão do texto múltipla escolha – 63% de acertos comparados a 44% do grupo que não desenhou. Esse efeito positivo dos desenhos poderia ser explicado por uma melhor organização do conhecimento e sua integração com conteúdos mais antigos. Não se sabe o quanto que esses efeitos são duradouros. Os testes foram aplicados logo após o término da leitura e dos desenhos.

Recentemente falamos do melhor desempenho que os alunos têm na sala de aula com papel e lápis na mão quando se compara a um laptop. As pessoas conseguem digitar no computador um maior conteúdo daquilo que o professor fala que quando escrevem numa folha de papel. Porém, os alunos aprendem mais quando anotam no papel.Mas por que no papel é melhor? Como no laptop os alunos são capazes de digitar uma aula praticamente na integra, o trabalho é pouco reflexivo, exigindo do cérebro pouca atividade analítica e de síntese. Escrever no papel é mais lento e permite uma maior “digestão” do conteúdo, forçando o cérebro a capturar melhor a essência da informação.

A maior pesquisa sobre esse assunto foi publicada recentemente no periódico Archives of Sexual Behavior e incluiu a opinião de 64000 americanos com a maior parte deles nos seus trinta e pouco anos.

65% das mulheres ficam mais abaladas com a traição emocional do parceiro do que com a traição sexual – 46% no caso dos homens. 54% dos homens ficam mais abalados com a infidelidade sexual do que com a emocional – 35% no caso das mulheres. Com os bissexuais e gays não existem diferenças entre traição emocional e sexual.

Sob a perspectiva da evolução da espécie os homens ficariam mais balançados com a traição sexual porque vivem a incerteza da paternidade. As mulheres não vivem nunca a incerteza da maternidade. Já as mulheres ficam mais vulneráveis com a traição emocional, pois o parceiro pode desviar recursos que iriam para os filhos.

Do ponto de vista cultural, o homem sente o desmoronamento de sua masculinidade quando a mulher o trai sexualmente. Já a mulher, considerada o elemento que pensa mais a relação, sente-se mais frustrada quando o homem se envolve emocionalmente com outra mulher.

A diferença entre os gêneros ocorreu independente da idade, nível sócio-econômico, antecedentes de traição e duração da relação. Entretanto, os jovens se mostraram mais chateados com uma possível traição sexual.

O fato é que os dois tipos de infidelidade fazem mal a todo mundo, independente da orientação sexual. A infidelidade é a causa comum de dissolução de relacionamentos estáveis em diversas culturas. Uma meta-analise de 50 estudos mostra que 34% dos homens e 24% das mulheres já tiveram em algum momento uma relação extraconjugal.

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Prometeu um monte de coisas para 2015? Pesquisas mostram que as pessoas que ficam muito frustradas por resultados parciais negativos têm mais dificuldades em alcançar suas metas. A revista Scientific American trouxe em sua última edição sete dicas para que você consiga emplacar suas promessas de ano novo. Veja só:

– Todo revés no percurso de seu objetivo deve ser visto como ensinamentos de como chegar lá;

– Encare esse percurso como uma aventura. Ela certamente terá altos e baixos;

– Reexamine periodicamente suas ações e pergunte-se o que você deveria ter feito de outro jeito;

– Convença-se que a persistência é uma escolha e não um traço de personalidade, não um presente de Deus;

– Não deixe de buscar feedbacks;

– Se ficar frustrado com um tropeço, isso é um sinal de que você se importa com o projeto e deixa claro que você deve continuar. Zero de frustração com um resultado negativo significa que aquilo nem é tão importante para sua vida;

– Reduza os níveis de estresse de uma forma geral. As emoções não ficam muito afinadas com altos níveis de estresse. Para suportar as pequenas frustrações as emoções têm que estar equilibradas.

 

 

 

Como manter o condicionamento muscular sem mexer uma palha? Fácil É só deitar na rede ao som de Dorival Caymmi e imaginar que os seus músculos estão fazendo muita força. Nada mal, hein? Na verdade não precisa nem da rede e nem do Dorival.

No final do ano de 2014 pesquisadores da Universidade de Ohio nos EUA publicaram um experimento bastante instigante mostrando o poder da conexão mente-corpo. Eles engessaram o antebraço de 29 voluntários por um mês. Metade deles era instruída a fazer sessões de 11 minutos – 52 repetições de cinco segundos com outros cinco de relaxamento,  cinco vezes por semana em que eles tinham que imaginar que estavam fazendo a máxima força possível com os músculos de flexão do antebraço.  Eletrodos foram aplicados no antebraço para garantir que eles não contraiam os músculos.

Ao final de um mês os voluntários ficaram livres do gesso e aqueles que fizeram a malhação mental ficaram com a força do antebraço duas vezes mais forte que os que não fizeram nada.

Não é a primeira vez que se mostra essa relação entre o pensamento do esforço físico e o incremento da força muscular.  Porém, o efeito da atividade física real é muito mais efetivo para os músculos, pois estimulam ao mesmo tempo o corpo e a mente.

 

 

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Parece que a chave do sucesso dos kenianos nas corridas de longa distância pode estar no cérebro. Um estudo inédito foi publicado esta semana no periódico Journal of Appllied Physiology mostrou que a oxigenação do cérebro de corredores kenianos de elite é maior do que atletas de outros países testados em outros estudos.

Pesquisadores da Universidade do País Basco descreveram pela primeira vez que os kenianos da tribo Kalenjin têm oxigenação cerebral mais estável em períodos de máximo esforço físico.   Os Kalenjins reúnem cerca de 5 milhões de indivíduos e quase todos os maratonistas kenianos campeões são dessa tribo. Eles foram monitorados durante uma corrida de 5 km na esteira e instruídos a dar o melhor de si com recompensa financeira.

É conhecido que o cérebro reduz sua atividade quando há redução da oxigenação. No caso da região pré-frontal, essa baixa de oxigenação pode reduzir a eficácia do controle dos movimentos.  Mas por que os kenianos têm essa oxigenação mais estável? A genética com certeza tem seu papel.  A infância com muita atividade física e a altitude elevada do Kenia são outras possíveis explicações.  Outros estudos avaliaram a anatomia favorável para a corrida dos kenianos comparando-os com pássaros. Pernas finas, longas e eficientes e peso corporal relativamente baixo para a altura. O fato é que quase 80% dos vencedores de corridas de longa distância são africanos do Kenia.

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