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Pesquisadores da Universidade do Alabama – EUA publicaram esta semana resultados de uma pesquisa que mostra que a privação de sono costuma vir acompanhada do hábito de comer ou beber fazendo outras coisas, como assistir TV comendo pipoca. A isso se chama alimentação secundária.
Dormir pouco faz com que a gente tenha comportamentos meio gulosos mesmo. Outra recente pesquisa publicada no periódico Obesity mostrou que se formos a um mercado após uma noite mal dormida, teremos uma tendência em comprar comida em maior quantidade e mais produtos calóricos do que se tivéssemos dormido bem. Já foi até demonstrado que os centros de recompensa cerebral são mais ativados quando olhamos para imagens de alimentos quando estamos em dívida com o sono.
A associação entre privação de sono e maior risco de obesidade já é bem reconhecida. Já foi demonstrado que a privação de sono estimula a produção do hormônio grelina que está ligada ao aumento de fome e preservação de gordura no corpo.

Anticorpos monoclonais anti-peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) é um alvo conhecido no tratamento da enxaqueca e dois estudos recentes demonstraram eficácia superior aos de medicações que são usadas atualmente para o tratamento profilático da enxaqueca.
O CGRP é um neurotransmissor vasodilatador largamente encontrado na corrente sanguínea de pacientes que sofrem de enxaqueca e os anticorpos desenvolvidos inibem a atuação dessas moléculas nas células do sistema trigeminal do cérebro, hoje reconhecidas como o calcanhar de aquiles da enxaqueca. Esses novos medicamentos têm sido comparados a mísseis guiados inteligentes para o controle das crises de enxaqueca. Estudos mais robustos já estão em andamento para confirmar os resultados iniciais de eficácia e segurança.
Temos evidências de que o CGRP de ter importante na transmissão da experiência dolorosa, também participa da regeneração de injúrias do sistema nervoso central e periférico. Além disso, temos evidências de que o CGRP tem receptores espalhados por todo o nosso corpo e colabora para a homeostase do sistema cardiovascular, respiratório, imunológico, endocrinológico e gastristestinal. Os anticorpos monoclonais desenvolvidos para o controle da enxaqueca podem ter outras aplicações no futuro para condições clínicas como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, síndrome do intestino irritável e infecções generalizadas.

Pesquisadores da Universidade de Oxford na Inglaterra avaliaram o efeito que 55 diferentes piadas tiveram sobre alunos da London School of Economics e mostraram que alguns tipos de piada agradam mais que outros. O estudo foi publicado esta semana pelo periódico Human Nature.
As piadas foram extraídas de uma lista das 101 melhores piadas de todos os tempos e os resultados mostraram que os estudantes deram maiores notas às piadas que tinham um nível de complexidade médio. Nem tão simples e nem tão complicadas. Quando tinham um roteiro com muitos personagens, ou muitas idas e vindas na história, características estas que podem fazer com que o ouvinte perca o fio da meada, a pontuação era mais baixa. Piadas com dois personagens foram consideradas melhores do que com mais ou menos personagens.
O estudo concluiu que uma boa piada deve ser a mais direta possível e que deve nos fazer rir com pouco esforço, mas nem tão pouco esforço.
O ato de rir provoca mudanças fisiológicas no corpo e um estado emocional que podem ser positivos ao estado de saúde.
Estudos que avaliaram o impacto do humor sobre a saúde dedicaram-se principalmente aos temas dor, estado imunológico e saúde cardiovascular. Alguns experimentos apontaram que indivíduos são mais capazes de suportar estímulos dolorosos quando estão assistindo a vídeos com conteúdo de humor. Outros estudos avaliaram componentes do sistema imunológico antes e depois de uma sessão de vídeo com conteúdo de humor e os resultados revelaram respostas imunológicas positivas. Quanto ao sistema cardiovascular, pesquisadores demonstraram que pacientes com doença coronariana têm menores scores numa escala de senso de humor frente a situações do cotidiano. Na verdade, temos boas evidências de que a falta de senso de humor, ou uma vida acompanhada de impaciência, raiva e atitudes hostis, estão associados a um maior risco de desenvolver pressão alta, piorar o controle dos níveis de glicose e ainda aumentar o risco de doença isquêmica do coração e morte.
O humor pode modular os efeitos adversos do estresse.
Qualquer emoção intensa é capaz de ativar o sistema nervoso simpático, que por sua vez libera uma série de “combustíveis” no sangue, entre eles a adrenalina, para que estejamos prontos a enfrentar ou a fugir da situação que nos provocou emoção. Uma pesquisa que comparou os efeitos fisiológicos durante um filme triste e um filme de humor revelou que ambos eram capazes de estimular o sistema nervoso simpático, mas provocaram respostas diferentes no quesito pressão arterial. O filme triste aumentava a pressão arterial dos voluntários enquanto o filme de humor não. Um outro estudo comparou os níveis de hormônios de estresse antes e depois de assistir a um vídeo de humor e mostrou uma redução dos níveis de cortisol, hormônio do crescimento e de um metabólito da dopamina.
Há evidências de que o humor pode ser um bom remédio contra a ansiedade. Um interessante experimento propôs aos voluntários que eles receberiam um pequeno choque a qualquer momento. Uma parte dos indivíduos estudados apenas esperou pelo choque, outra parte esperou ouvindo um áudio sem conteúdo humorístico e um terceiro grupo esperou pelo choque ouvindo um áudio com conteúdo de humor. O áudio de humor foi capaz de reduzir a ansiedade antecipatória ao choque e o efeito foi mais robusto entre os indivíduos com maior senso de humor.
O humor tem o potencial de incrementar a rede de relacionamentos de um indivíduo, promovendo maior apoio social.
Estudos revelam que o senso de humor de uma pessoa está associado a outras virtudes que facilitam as relações sociais, como é o caso da empatia, capacidade de se relacionar com intimidade e confiança interpessoal. Além disso, temos cada vez mais evidências de que existe certo contágio emocional entre as pessoas. Pessoas que mantém contato com um indivíduo deprimido têm maior tendência em ficar deprimidas. Sabemos também que nosso estado de felicidade é um fenômeno de rede social, ou seja, depende do grau de felicidade das pessoas com as quais estamos conectados.
Emoções positivas, o sorriso, o estado de felicidade, todos podem ser vistos do ponto de vista evolutivo como um mecanismo que facilita as relações sociais ao promover sentimentos prazerosos nas pessoas, recompensar os esforços dos outros e encorajar a continuidade da relação social. E o sucesso da espécie humana depende de sua capacidade de fazer relações sociais.
Onde é que o riso se encontra no nosso cérebro?
As regiões mais frontais do nosso cérebro são consideradas as mais recentes no processo de evolução da espécie, e é aí que se concentram funções especializadas como a linguagem e o riso. O riso por sinal é exclusivo da espécie humana – a hiena não ri – e já foi demonstrado que a área cerebral que desencadeia o riso em última instância está nessa parte frontal. Já foi até comprovado que sua estimulação elétrica durante procedimentos cirúrgicos é capaz de desencadear o riso. Temos evidências também que o hipotálamo e as regiões temporais também têm participação na geração do riso. É claro que no mundo real precisamos do cérebro como um todo para entender a piada.

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Homens comem muito para impressionar. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada pelo periódico Evolutionary Psychological Science e que testou o comportamento de homens e mulheres americanos num rodízio de pizza.
Os resultados mostraram que os homens, quando em companhia de mulheres, comiam 92% mais pizza que quando numa mesa só de homens. Já entre as mulheres, a o gênero dos acompanhantes não trouxe diferença na quantidade que elas comiam. Elas não comeram mais quando estavam com homens à mesa, mas sentiam que que haviam comido mais.
Vários outros estudos já haviam mostrado o quanto os homens são “pavões” na frente das mulheres. Elas fazem com que eles tenham atitudes mais heroicas. Por exemplo, eles tomam mais decisões arriscadas envolvendo dinheiro quando tem mulheres olhando. Imagine Sean Connery como 007 no Cassino Royale.
O presente estudo foi conduzido pela respeitada Universidade de Cornell nos EUA.
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A resposta é sim, só que mais nem sempre é melhor. Uma pesquisa publicada esta semana pelo jornal Social Psychological and Personality Science a frequência de relações sexuais aumenta o quanto o indivíduo se sente feliz. Mas acima de uma vez por semana, mais sexo não traz mais felicidade. O estudo avaliou por três décadas cerca de 30 mil americanos heterossexuais com relações estáveis.
Alguns estudos prévios, e uma infinidade de livros de autoajuda, defendem a ideia de quanto mais sexo tem, maior o estado de felicidade. Parece que não é bem assim. Dinheiro e sexo aumentam a felicidade até um certo ponto. A partir de uma certa “quantidade” eles não fazem muita diferença.
Sexo faz bem à saúde.
Nas últimas décadas, pesquisas científicas rigorosas têm revelado que o sexo traz inúmeros benefícios à saúde. Alguns desses estudos acompanharam indivíduos de meia idade e idosos por até 20 anos, e têm sido quase unânimes em mostrar que a atividade sexual está associada a uma menor mortalidade, inclusive por doença isquêmica do coração.
É bem reconhecido que uma relação sexual, devido ao esforço físico, pode até precipitar hemorragias cerebrais e morte súbita de causa cardíaca em indivíduos predispostos. Entretanto, à luz do conhecimento atual, pode-se dizer que o efeito protetor da atividade sexual é muito maior que os raros eventos precipitados pelo esforço físico. É claro que um indivíduo que tem dor no peito simplesmente por subir dois lances de escada deve discutir com seu cardiologista seu risco em fazer sexo ou qualquer outra atividade física.
Sexo também promove nossa saúde mental. Uma vida sexual ativa está associada a menos ansiedade, menos agressividade e menos depressão. Talvez, da mesma forma que os efeitos sobre a felicidade, mais pode não ser necessariamente melhor.
A ciência moderna tem-nos mostrado cada vez mais que vida saudável não significa vida sem graça e sem prazer. Pessoas que frequentam atividades como shows de música, teatro e cinema percebem-se mais saudáveis e vivem mais.
Não é o caso de se fazer campanhas em prol de um estilo de vida “sexo, drogas e rock’n roll”, mas já existem razões de sobra para incorporarmos o prazer como importante medida de promoção à saúde.

Agora não tem mais dúvida. A Associação Americana do Coração publicou na última semana os resultados de uma pesquisa que durou 30 anos e que mostrou que o consumo moderado de café reduz a mortalidade por doenças cardiovasculares. O estudo também mostrou que a mortalidade por doenças neurológicas foi menor.
Já existem evidências que o café ajuda a prevenir o derrame cerebral e as doenças de Parkinson e Alzheimer. O presente estudo envolveu mais de 200 mil americanos e apontou que o efeito protetor do café acontecia com o consumo de até cinco doses por dia, tanto com o cafeinado como com o descafeinado. Moral da história? O café pode e deve fazer parte de uma dieta saudável.
Uma outra pesquisa recente encomendada pela Associação Brasileira das Indústrias do Café (ABIC) em nove capitais, quatro cidades de médio porte e quatro cidades rurais revelou que 94% dos indivíduos maiores de 15 anos bebem café, e 95% desses o consomem diariamente. Entre aqueles que não tomam café, a principal razão apontada é a de que ele pode fazer mal à saúde. O estudo também revelou que 13% daqueles que bebem café pretendem reduzir seu consumo, e a razão principal é a preocupação de que o café possa fazer mal à saúde. Parece que podemos diminuir bastante esses medos e culpas.

A velha história de que é possível aprender uma língua estrangeira enquanto dormimos parece ter um fundinho de verdade. Uma pesquisa publicada na última semana pelo disputado periódico Nature Communications mostrou que é possível fixar melhor o vocabulário de uma língua estrangeira durante o sono, desde que não existam fatores de distração.
Suíços que falam habitualmente o alemão tiveram aulas de holandês e no mesmo dia dormiam com um repeteco das palavras aprendidas no dia. Após fazerem o “dever de casa” dormindo, eles conseguiam ter um ganho de 10% na capacidade de se lembrar das palavras no outro dia. Entretanto, quando os pesquisadores misturavam traduções certas ou incorretas no áudio, os ganhos não aconteciam. Também não havia piora.
Na década de 1950, dois pesquisadores americanos, Simons e Emmon, conduziram um experimento que deu um banho de água fria nas expectativas da capacidade do cérebro aprender dormindo. Eles fizeram quase cem perguntas a um grupo de voluntários e em seguida deram as respostas numa gravação enquanto dormiam. O resultado foi que ninguém aprendeu nenhuma das respostas e, assim, concluíram que o aprendizado durante o sono seria praticamente impossível. Mas a ciência não parou por aí.
Nos últimos 20 anos, uma série de estudos tem contestado os resultados pioneiros de Simons e Emmon demonstrando que nosso cérebro, enquanto dorme, é capaz de aprender, reativar memórias e solidificar conteúdos recém-aprendidos.
Há tempos sabemos que nosso cérebro não pára de trabalhar durante o sono, especialmente no processamento afetivo e na organização e consolidação daquilo que aprendemos quando acordados. Além disso, é no sono que o cérebro descarta memórias pouco relevantes para nossa vida e isso se dá não por falta de espaço no hardware. O cérebro precisa manter sua mesa de trabalho livre de penduricalhos supérfluos.
Mesmo assim, com todo esse trabalho cerebral durante o sono, não há porque ter muita esperança em aprender conteúdos novos e complexos durante o sono. Digo isso porque ainda não estão implantando chips no cérebro para uploads.

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Quando for dar uma voltinha no shopping, faça uma boquinha antes. Assim, você gasta menos. Sem comida a gente fica com fome de outras coisas . Isso inclui até artigos de papelaria! Nosso juízo fica diferente.
Uma pesquisa recente publicada no disputadíssimo periódico PNAS demonstrou que voluntários famintos gostariam de ter mais para si até mesmo clipes de papel. Outro estudo mostrou também que homens, quando estão com fome, consideram fotos de mulheres obesas mais sensuais do que quando estão de barriga cheia. Quando se fala em alimentos, a fome dá mais fissura por alimentos com alto teor calórico. Essa é uma das razões pelas quais os nutricionistas nos orientam a não ficar mais de três horas sem fazer uma boquinha.
No caso dos clips, os famintos adquirem mais unidades durante o experimento sem achar que os clipes são mais legais. Com comida é diferente. A opinião sobre a qualidade interfere na quantidade “adquirida”. Gostar e querer podem ativar diferentes áreas do cérebro e uma coisa não necessariamente anda de mãos dadas com a outra. Viciados em jogo ou drogas querem, mas não gostam do que estão fazendo.
Os mesmos pesquisadores do estudo dos clips testaram voluntários no shopping center e demostraram que quem entrou com fome gastou mais.

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O sonambulismo entre adultos é bem mais comum do que se imagina. Por volta de 30% dos adultos referem ter apresentado pelo menos um episódio de sonambulismo na vida e 3 a 4% destes relatam pelo menos um episódio no último ano.
Um episódio de sonambulismo geralmente dura menos de 15 minutos, mas pode chegar a mais de uma hora. Qualquer evento que influencie o estado de equilíbrio do cérebro pode desencadear o fenômeno naqueles que têm predisposição. Podemos listar privação de sono, álcool, medicações, estresse, febre, gravidez, entre outros.
O sonâmbulo mantém os olhos abertos, não responde aos estímulos do meio e, muitas vezes, realiza tarefas complexas como se vestir, arrumar a cozinha e até sair de carro. No outro dia, o paciente não se recorda do que fez e, quando acordado no meio do episódio, mostra-se confuso.
Há algum tempo ainda se acreditava que o sonambulismo era um fenômeno de sonhar acordado, mas não é bem isso o que acontece. O sonambulismo inicia-se na fase do sono não associada aos sonhos. É uma forma de estar acordado pela metade. A parte do cérebro responsável pelos movimentos está acordada, mas aquela associada à consciência e processos cognitivos ainda dorme. Adaptar a casa para evitar acidentes é importante e o tratamento medicamentoso é indicado especialmente para as pessoas que têm maior risco de acidentes.
Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico Sleep mostrou que esses cuidados não devem ser vistos como exageros. O sonambulismo provoca acidentes em cerca de metade daqueles que sofrem dessa condição. O curioso é que até 80% dos acidentados não acordam durante esses episódios, como se estivessem em um estado de analgesia. Sentem as dores no corpo só no outro dia quando acordam. Alguns caem de alturas de três metros e não acordam!

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Estamos familiarizados com ideia de que existem poucas mulheres em posições de poder. Menos de 15% dos cargos executivos são representados por mulheres e elas compõem menos de 5% da lista dos 500 tops da revista Fortune.
As mulheres enfrentam mais obstáculos que os homens para alcançar posições de poder e, quando alcançam, os obstáculos são maiores do que no caso dos homens. Estamos falando de discriminação mesmo. Elas ainda hoje carregam o estigma de serem menos competentes e preparadas para assumir cargos de liderança. Além disso, muito preconceito ainda existe ao ver as mulheres “roubarem” tempo da família para se dedicar ao trabalho. A CEO do Yahoo recentemente foi bastante criticada, e por muitos quase “apedrejada”, quando decidiu por uma licença maternidade bem curta após gerar dois filhos gêmeos.
Estudos têm-nos mostrado que existem outras questões que fazem com que as mulheres subam menos na escada de poder no trabalho. Pesquisadores da Universidade de Harvard estudaram mais de 4000 indivíduos incluindo executivos em posições de liderança, alunos de MBA de excelência e até estudantes do college. Eles mostraram que, em todas essas fases da vida profissional, as mulheres têm objetivos de vida mais diversificados, como tempo para se dedicar às suas coisas pessoais (atividade física, lazer e amigos) e tempo para filhos e família. Elas enxergam as posições de poder no trabalho, da mesma forma que os homens, como formas de alcançar respeito, prestígio e riqueza. Entretanto, elas identificam mais pontos negativos que os homens como o estresse e sacrifício da vida pessoal.
Elas consideram que têm o mesmo potencial que os homens em alcançar as posições de poder, mas preferem ficar num degrau intermediário. Elas podem ter o poder, mas não querem. Quando mulheres e homens são interrogados para apontar numa escada três posições hierárquicas, a que eles consideram estar no momento, a que eles teriam capacidade de alcançar e a posição que gostariam de estar, homens e mulheres não são diferentes nas posições que estão no momento e nas que podem alcançar, mas as mulheres se posicionam abaixo dos homens onde gostariam de estar.
Muitas transformações, recentes transformações. As mulheres não querem só comida (poder). Querem comida, diversão e arte. Elas não querem só dinheiro. Querem dinheiro e felicidade. (Comida – TITÃS).

O hormônio ocitocina, considerado um importante ingrediente para que aconteça a “liga” entre duas pessoas, tem esse poder, em parte, por facilitar a liberação de moléculas de anandamida, neurotransmissor que se liga aos mesmos receptores no cérebro que a maconha. Essa é a conclusão de um estudo publicado na última semana pelo prestigiado periódico PNAS.
Já é bem reconhecido que a anandamida “dá barato” por aumentar a motivação e promover um estado de felicidade. Ela é considerada a principal molécula responsável pelo barato do maratonista.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia demostraram que o contato social entre ratinhos aumentava a produção de anandamida que por sua vez tornava a socialização uma experiência “legal”. Quando eram bloqueados os receptores canabinóides onde a anandamida se liga, os ratinhos tinham a tendência em ficar mais sozinhos.
Já se sabia que a ocitocina é uma grande promotora de interações sociais e os pesquisadores testaram se existe alguma conexão com a produção de anandamida. E encontraram. A estimulação de neurônios produtores de ocitocina fez com que os níveis de anandamida aumentassem. E mais importante: o bloqueio dos receptores de anandamida desmoronou os efeitos pró-sociais da ocitocina.
Aplicações médicas também foram especuladas no experimento. Eles conseguiram demonstrar que o bloqueio da degradação de anandamida foi capaz de aumentar a socialização dos ratinhos. Já existem pesquisas clínicas investigando se a ocitocina pode promover uma maior socialização entre autistas. Drogas que inibem a degradação de anandamida podem também ser muito promissoras.

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Sabemos que o hábito de consumir uma dieta rica em peixes é capaz de reduzir o risco de problemas no cérebro como o acidente vascular, depressão e Doença de Alzheimer. Na última semana, pesquisadores da Universidade de Columbia – EUA mostraram que esse hábito pode fazer também com que o cérebro resista à tendência de redução de volume em idades mais avançadas. O estudo foi publicado pelo periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia.
Após avaliarem o hábito alimentar e estudos de ressonância magnética de quase 700 idosos com uma média de idade de 80 anos, os pesquisadores demonstraram que aqueles que eram adeptos da dieta mediterrânea tinham um volume cerebral comparado ao de pessoas cinco anos mais novas. Vale lembrar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

É bastante tentador imaginar que o mundo contemporâneo, com toda sua eletricidade, aparelhos eletrônicos e cafeína além da conta, tem o hábito de dormir menos que nossos ancestrais. Isso sem falar nos atuais índices de depressão, ansiedade e obesidade que costumam atrapalhar o sono. Podemos encontrar relatos já no fim do século XIX de que as pessoas estavam dormindo menos que os antigos, mas parece que a história é um pouco diferente.
Uma pesquisa publicada na última semana no prestigiado periódico Current Biology mostrou que caçadores-coletores de três diferentes partes do mundo dormem até um pouco menos do que os homens de vida moderna.
O registro da rotina de sono de comunidades de caçadores-coletores na Namíbia, Tanzania e Bolívia que vivem sem luz elétrica apontou que eles dormem em média 6.5 horas, menos que a média das sociedades atuais que fica acima das sete horas.
A pesquisa ainda demonstrou que essas comunidades “unplugged” não tiram cochilos durante o dia, deitam-se para dormir cerca de três horas após o pôr do sol e acordam antes do sol nascer. Eles também dormem uma hora a menos no verão. Apesar de terem genéticas e viverem em ambientes bem diferentes, os hábitos de sono não foram diferentes entre as comunidades. O padrão de sono descrito na Europa antiga dividido em dois tempos separados por um intervalo em vigília não foi identificado nas comunidades estudadas, sugerindo que esse sono não interrompido deva ser o padrão natural dos nossos ancestrais mais antigos, e que o sono europeu repartido já foi uma adaptação às condições ambientais do continente.
Chamou muita a atenção a quase inexistência de insônia, o que nos faz interrogar se a simulação desses ambientes arcaicos não poderia ser eficaz no tratamento da insônia dos homens de vida moderna.

Um novo estudo publicado esta semana pelo periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia demonstra uma tendência maior de derrame cerebral quando se trabalha com alta carga de estresse.
Nessa pesquisa, estresse no trabalho foi considerado não só por uma alta demanda psicológica por conflitos interpessoais e prazos, mas também por falta de controle sobre o próprio trabalho. As pessoas com maior carga de estresse chegaram a ter 58% mais eventos cerebrais e as mulheres foram as mais vulneráveis.
Vale lembrar que o estresse no trabalho, além de afetar nosso perfil imunológico, inflamatório e metabólico, costuma também vir acompanhado de hábitos que aumentam o risco vascular como sedentarismo, dieta pouco saudável, tabagismo e excesso de álcool.
Outro estudo publicado recentemente na revista The Lancet mostra que o número de horas de trabalho também faz diferença. Um aumento da carga horária de cerca de duas horas por dia já aumenta o risco de derrame cerebral e ataque cardíaco. Comparado a uma jornada de trabalho de até 40 horas semanais, 41 a 48 horas aumenta o risco de derrame cerebral em 10%, 49 a 54 horas por semana eleva o risco em até 27% e mais de 55 horas multiplica esse risco em três vezes.

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Crianças se esquecem rápido, mas voltam a se lembrar depois de alguns dias. Um tipo de jogo da memória foi realizado com crianças de 4 a 5 anos por pesquisadores da Universidade de Ohio – USA e mostrou que as crianças esquecem rapidamente um primeiro conteúdo depois que são apresentadas a um segundo pouco tempo depois. Entretanto, elas voltam a se lembrar desse conteúdo “perdido” quando testadas dois dias depois.
Esse “esquecimento extremo” das crianças já era conhecido e ocorre quando elas aprendem dois conteúdos em rápida sucessão. Porém, essa é a primeira vez que se demonstrou que, após esse esquecimento, as crianças recuperam em poucos dias o que foi perdido.
A moral da história é que após uma ou duas noites de sono muita coisa pode brotar na memória das crianças. Isso não quer dizer que elas tenham a mesma capacidade de um adulto em absorver informação.

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As doenças degenerativas do cérebro trazem grande impacto no funcionamento mental, mas enquanto não afetam as características morais, não mudam a forma como as pessoas reconhecem a identidade de quem sofre com essas doenças. Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado pelo periódico Psychological Science.
A importância desses resultados reside no fato de que pacientes com a Doença de Alzheimer são vistos pelos seus entes queridos como a “mesma pessoa” por grande parte da evolução da doença. Apenas nas fases mais avançadas da doença é que identificamos alterações nas características morais como altruísmo e generosidade. No momento em que as pessoas enxergam o doente como se fosse “outra pessoa”, os laços afetivos podem ser quebrados.
Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Universidade de Ohio nos EUA aplicaram questionários a familiares de pacientes de três tipos de doença degenerativa: Doença de Alzheimer, Demência Fronto-Temporal e Esclerose Lateral Amiotrófica. Eles avaliaram não só o perfil cognitivo dos pacientes, mas também a forma como os parentes reconheciam o doente com perguntas como “O paciente já lhe pareceu ser um estranho?”
Aqueles que apresentavam Demência Fronto-Temporal foram os que tinham mais mudanças no reconhecimento da identidade pelos parentes, já que é uma condição que altera muito o comportamento, capacidade de julgamento e autocensura.
Os que apresentavam Esclerose Lateral Amiotrófica foram os que tinham menos alterações dessa identidade, já que é uma doença que afeta apenas de forma discreta o funcionamento mental e características morais.
Os pacientes com Doença de Alzheimer apresentaram uma situação intermediária, já que nas fases iniciais da doença, a memória é a alteração que mais chama a atenção, com poucas mudanças comportamentais.
De uma forma geral, os familiares referiam mudanças significativas na percepção da identidade dos pacientes quando existiam alterações nas características morais. As capacidades cognitivas, como a memória, não foram determinantes.

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Todo mundo pode sentir uma pequena tontura quando se levanta subitamente, mas em algumas pessoas isso acontece muito freqüentemente e com intensidade muito maior. A isso chamamos de hipotensão postural.
Hipotensão postural é uma queda da pressão arterial quando a pessoa assume a posição ortostática (em pé) e é definida como a queda da pressão sistólica maior ou igual a 20mmHg ou da pressão diastólica em 10mmHg ou mais. Geralmente espera-se três minutos em pé para se chegar a alguma conclusão, mas têm sido demonstrado que existe uma forma mais leve do problema que demora mais do que três minutos para aparecer.
Os mesmos pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard que demonstraram essa hipotensão postural tardia acompanharam uma série de quase cem pacientes e publicaram os resultados nesta última semana no periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia. Eles mostraram que aqueles que apresentavam a forma tardia freqüentemente evoluíam para a forma mais severa, ou seja, com sintomas que têm inicio mais rápido e que incluem tontura e perda de consciência.
Com o passar dos anos foi identificado também que eles passaram a apresentar mais doenças degenerativas do cérebro como o Parkinson o demência por corpúsculos de Lewy, além de morreram mais precocemente. Aqueles que tinham também o diagnóstico de diabetes tiveram uma evolução pior.
O recado principal desse estudo é de que quando o médico se depara com uma queixa de tontura ao se levantar, vale a pena medir a pressão arterial deitado e depois em pé por um pouco mais de três minutos, pois muitas vezes a hipotensão é tardia. E essa hipotensão tardia também precisa de tratamento.

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Uma boa parte das pessoas que tem o hábito da siesta diz que na verdade é a reposição de um sono atrasado. Aqueles que trabalham em turno invertido podem tirar os cochilos como forma de se preparar para uma noite de trabalho. Outros vão responder que fazem a siesta por puro prazer. Mas a siesta traz também seus benefícios à saúde.
Além de benefícios ao coração, a siesta deixa o cérebro mais afinado. O hábito de tirar um cochilo de uns 20 minutos depois do almoço melhora o humor das pessoas e dá uma turbinada nas funções cognitivas como memória, atenção, raciocínio lógico e tempo de reação. Outro fato interessante é que os “siesteiros” têm um sono noturno mais reparador.
Dez minutos já é uma soneca boa, mas parece que as de 20 minutos são melhores ainda. Siestas mais prolongadas não são recomendadas, pois deixam as pessoas com “ressaca” ao acordar de um sono que atingiu estágios profundos. Além disso, siestas longas podem atrapalhar o sono durante a noite. Para melhor sincronia com o relógio biológico, o horário ideal gira em torno de duas às quatro da tarde.
Por fim, para aqueles que têm insônia, deixem a siesta para os outros.

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Um estudo publicado na última semana pelo periódico britânico JOURNAL OF EPIDEMIOLOGY & COMMUNITY HEALTH aponta que o hábito de comer peixe reduz os riscos de depressão. A pesquisa demonstrou esse efeito protetor tanto em homens como em mulheres.
Pesquisadores chineses avaliaram os estudos mais significativas sobre a relação entre o consumo de peixe e risco de depressão realizados entre os anos de 2001 e 2014 envolvendo 150 mil voluntários. O curioso é que o efeito protetor do peixe foi demonstrado somente nos estudos conduzidos na Europa. Possíveis explicações para essa peculiaridade são a qualidade dos peixes, forma de conservação e modo de preparo. Além disso, na Europa os peixes podem ter mais chance de virem acompanhados da dieta mediterrânea que por si só traz benefícios ao cérebro independente do conteúdo de peixe. Dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes, laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.
Vale lembrar que o consumo de peixe pode melhorar a memória de pessoas idosas e reduzir as chances de desenvolvimento da Doença de Alzheimer, mesmo quando iniciado tardiamente. Dois anos de consumo regular já fazem diferença.
O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Os peixes oleosos (atum, sardinha, salmão, cavala) são as principais fontes dessa gordura.
Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apoiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.




