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É bem reconhecido que as estatinas são as medicações mais eficazes para reduzir os níveis de colesterol. Entretanto, até 10% das pessoas que usam essa classe de medicamentos pode apresentar fraqueza e dor muscular ao ponto de não suportar a continuidade de seu uso.
Arroz do fermento vermelho é o produto da levedura Monascus purpureus que cresce no arroz e é servido na culinária de alguns países asiáticos. Seu uso na China já havia sido registrado desde o ano 800 DC e era utilizado com fins terapêuticos, especialmente para problemas digestivos como diarréia e indigestão, problemas circulatórios, e para melhorar a saúde do estômago e do baço. Desde a década de 1970 já contamos com evidências de sua ação na redução dos níveis de colesterol e poderia ser uma saída para as pessoas que precisam baixar o colesterol, mas que não toleraram os efeitos colaterais das estatinas. Os princípios ativos responsáveis por sua ação terapêutica são formas naturais de estatinas (monacolinas), e teoricamente poderiam causar as mesmas dores musculares que seus equivalentes sintéticos.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Annals of Internal Medicine não só confirmou que o fitoterápico é capaz de reduzir os níveis de colesterol, mas que ele também é bem aceito por indivíduos que precisaram parar o uso de estatinas devido a dores musculares. Foram estudados sessenta e dois pacientes que interromperam o uso de estatinas por causa de dores musculares. Todos foram submetidos a um programa de educação alimentar e atividade física. Metade deles usou três cápsulas diárias de 600 mg de fermento de arroz vermelho por 24 semanas e a outra metade recebeu cápsulas de placebo. Aqueles que usaram o fitoterápico não apresentaram mais efeitos colaterais que o placebo e tiveram uma redução tanto nos níveis de colesterol total com também do LDL, o colesterol ruim.
Os resultados da pesquisa, apesar de não serem definitivos, são muito promissores. Os elevados níveis de colesterol são responsáveis por boa parte dos casos de infarto do coração e derrame cerebral e o arroz do fermento vermelho parece ser uma boa alternativa para quem que não tolera os efeitos colaterais das estatinas.
Em vários países, a metoclopramida (Plasil) é considerada a droga de escolha para combater os vômitos entre mulheres grávidas. Nos EUA, há uma certa restrição ao seu uso. No Brasil, a bula do medicamento traz a informação de que estudos em pacientes grávidas não indicaram má formação fetal ou toxicidade neonatal durante o primeiro trimestre da gravidez e que uma quantidade limitada de informações em mulheres grávidas indicou não haver toxicidade neonatal nos outros trimestres. A bula ainda conclui que, se necessário, o uso da droga pode ser considerado durante a gravidez.
Realmente ainda existem evidências limitadas quanto à segurança da metoclopramida durante a gravidez, mas um estudo recém-publicado pelo periódico The New England Journal of Medicine vem reforçar o conceito de que a droga não traz riscos ao bebê. Os pesquisadores analisaram o registro de mais de 80 mil bebês de um distrito na região sul de Israel, sendo que 4.2% deles haviam sido expostos à metoclopramida no primeiro trimestre de gravidez. Quando se comparou bebês expostos à droga com bebês não expostos, não houve diferença no risco de malformações congênitas, tampouco no risco de baixo peso ao nascimento, prematuridade ou morte perinatal.
Os resultados trazem ainda mais segurança às grávidas que precisam usar metoclopramida para aliviar sintomas de náuseas e vômitos tão comuns no primeiro trimestre da gravidez.
As atuais estratégias com eficácia comprovada para ajudar um indivíduo a largar o vício do cigarro incluem medicações e aconselhamento individual ou em grupo, e até mesmo por telefone. Além disso, estudos que avaliaram a eficácia de programas de apoio pela internet têm revelado resultados conflituosos. Uma metanálise recém-publicada pelo periódico Archives of Internal Medicine envolvendo 22 diferentes estudos confirma que esses programas pela internet são realmente eficazes.
Os estudos avaliados envolveram quase 16 mil participantes de programas anti-tabagistas pela internet e outros 13,5 mil indivíduos que não participaram de tais programas representando o grupo controle. O resultado da análise foi que os participantes do programa tiveram uma chance 1.5 vezes maior de parar de fumar quando comparado ao grupo controle. Após uma ano de seguimento, 10% do grupo que foi submetido ao programa continuou sem fumar e só 5.7% no caso dos controles.
O uso da internet não pára de crescer ao redor do mundo e o corpo atual de pesquisas indica que não há como deixar de levar em consideração programas anti-tabagistas baseados na rede de computadores como importantes ferramentas no combate ao tabagismo. Por ser um dos principais problemas de saúde do planeta, o tabagismo precisa de ações de largo alcance para o seu combate, e por isso, a internet não pode ficar de fora.
Dois estudos recém-publicados numa mesma edição da revista Neurology, periódico da Academia Americana de Neurologia, discutem a relação entre a hipertensão arterial ao longo da vida e o risco de apresentar demência em idades avançadas. O primeiro estudo demonstrou que indivíduos hipertensos na meia idade, e que faziam tratamento com medicações anti-hipertensivas, esses apresentaram menos risco de demência do que aqueles que não usaram medicações, e também menor risco do que aqueles que nem apresentavam pressão alta. Esse grupo de hipertensos tratados ainda apresentou menor contingente de alterações cerebrais características da Doença de Alzheimer ao terem seus cérebros examinados. O segundo estudo mostrou que o tratamento da hipertensão arterial reduziu o risco de demência, especialmente entre pessoas com menos de 75 anos de idade, onde a redução do risco foi de 8% quando comparado àquelas que nunca fizeram tratamento para pressão alta.
Em nenhum dos dois estudos foi possível identificar a superioridade de uma determinada classe de anti-hipertensivo sobre outra. À luz do conhecimento atual, as evidências são de que o tipo de droga utilizada não faz tanta diferença, mas já há evidências de que o efeito protetor dos anti-hipertensivos no cérebro vai além do poder de controlar a pressão arterial, podendo atuar, por exemplo, nos mecanismos de progressão da Doença de Alzheimer. Além disso, o achado de que o benefício do tratamento não é tão robusto após uma certa idade (75 anos) chama a atenção para o reconhecido fato de que os idosos apresentam um diferente estado de regulação dos vasos sanguíneos, e que os anti-hipertensivos devem ser usados com mais cuidado do que nos jovens. Níveis baixos de pressão arterial, que podem não representar qualquer risco para um jovem, no idoso pode chegar a provocar lesão cerebral do tipo isquemia por baixo fluxo da circulação.
E qual será o mecanismo pelo quak o tratamento da hipertensão arterial é capaz de reduzir o risco da Doença de Alzheimer? Sabemos que a hipertensão arterial é um dos principais vilões para o pleno funcionamento dos vasos sanguíneos e esse efeito pode ser visto tanto nos grandes vasos sanguíneos quanto na microcirculação. Um dos principais marcadores da Doença de Alzheimer é o depósito de proteínas no cérebro e é fundamental o pleno funcionamento da microcirculação cerebral para que essas proteínas não se acumulem de forma exagerada. Essa é uma das formas de entender a razão pela qual a atividade física, uma dieta rica em frutas, vegetais e Ômega-3 e o consumo moderado de álcool, todos esses sejam considerados fatores protetores da Doença de Alzheimer. Se é bom para os vasos, é bom para o cérebro.
No começo da década de 50, evidências da associação entre o tabagismo e câncer de pulmão já começavam a aparecer, causando redução significativa nas vendas de cigarro nos EUA. Em 1953, as lideranças das principais indústrias de cigarro se encontraram secretamente na cidade de Nova Iorque e decidiram disparar um informe publicitário em 48 diferentes jornais para contornar as más notícias: “ O interesse na saúde das pessoas é uma responsabilidade básica, assim como qualquer outra dimensão de nosso negócio”. Prometiam ainda: “Temos cooperado e sempre estaremos cooperando para a salvaguarda da saúde pública”. Nas décadas de 60 e 70 continuaram com um mantra que não tinha muito apego à verdade: “Ainda não há provas de que o cigarro cause câncer”.
A obesidade é uma pandemia que está lado a lado com o tabagismo como um dos maiores problemas de saúde pública em todo o mundo. O cerco à indústria alimentícia tem ficado mais apertado e hoje podemos observar restrições à propaganda e aumento dos impostos de alimentos considerados não saudáveis, assim como escolas que têm proibido a venda de refrigerantes, biscoitos e salgadinhos industrializados. Em resposta, atitudes defensivas por parte da indústria de alimentos têm sido observadas. Recentemente a Austrália exigiu que a Coca-Cola publicasse nos jornais uma correção do conteúdo de campanha publicitária que dizia que muito do que se fala da bebida é mito. A peça publicitária incluía uma atriz famosa dizendo que o consumo de coca-cola é seguro para crianças, que não contém cafeína e que é mentira que causa cáries ou que engorda. A Coca-Cola acatou a exigência, mas jogou o problema para os consumidores: ”Coca-cola contém calorias sim, tem conteúdo ácido sim, mas é de responsabilidade do consumidor regular o seu consumo”. Ainda nesse ano, moradores da Califórnia nos EUA moveram uma ação contra a mesma Coca-Cola após anúncios de sua água “vitaminada” (vitaminwater) prometendo que ela seria capaz de melhorar a força física por contribuir com a integridade estrutural do sistema músculo-esquelético.
Se a indústria de alimentos quiser manter a confiança dos consumidores, muitas ações poderiam estar sendo implantadas, a começar pela eliminação de campanhas publicitárias enganosas. Deveria também evitar publicidade dirigida às crianças de alimentos sem vantagens nutricionais e informar nos rótulos dos alimentos o conteúdo nutricional de forma mais clara possível. Milhões de mortes poderiam ter sido evitadas se a indústria tabagista tivesse sido honesta já na década de 50 e espera-se que a tragédia sirva de aprendizado para que a sociedade civil e os órgãos regulatórios do governo sejam mais ágeis em cobrar transparência e integridade da indústria alimentícia.
Parar de fumar é o maior investimento em saúde que um fumante pode fazer, atitude que pode lhe render cerca de dez anos a mais de vida. O fato é que grande parte deles quer largar o vício, mas poucos conseguem. Apoio psicológico e medicamentoso são as principais ferramentas que podem aumentar a chance de um indivíduo parar de fumar.
Alguns estudos chegaram a demonstrar que a combinação dessas ferramentas pode ser mais eficaz do que cada uma delas separadamente. Um estudo conduzido nos EUA e recém-publicado pela revista Annals of Internal Medicine confirma que realmente quando o negócio é parar de fumar, vale a pena apostar todas as fichas. Mais de 700 fumantes foram incluídos na pesquisa e aqueles que, além de medicamentos de distribuição gratuita, receberam também material educacional e suporte psicológico por telefone foram os que tiveram mais sucesso em parar de fumar. Após 2 anos de acompanhamento, a taxa de sucesso em largar o cigarro foi de 23% para aqueles que usaram apenas medicações comparado a 28% entre aqueles que receberam apoio psicológico intensivo.
Essas taxas de sucesso são bem superiores às taxas anuais de 5-7% habitualmente descritas. Uma possível explicação para esses resultados superiores é a distribuição gratuita dos medicamentos. Esses resultados devem servir de forte inspiração para programas governamentais anti-tabagistas.
O cigarro é uma das principais causas de morte prematura no mundo e o fato é que grande parte dos tabagistas gostaria de parar de fumar, tenta parar de fumar, mas a cada ano apenas 2-3% dos fumantes tem êxito em se livrar do tabagismo. Uma das razões para esse baixo sucesso na interrupção do tabagismo é que boa parte dos fumantes ainda não se sente preparada para largar o cigarro de um dia para o outro. Alguns estudos têm revelado que o tratamento com reposição de nicotina pode aumentar a chance de sucesso em parar de fumar ao facilitar a redução do consumo para só depois o indivíduo parar de uma vez.
Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal confirma que a terapia de reposição de nicotina é realmente eficaz nessa estratégia de reduzir o consumo para depois parar. A análise das principais pesquisas realizadas sobre o tema, envolvendo quase 3 mil indivíduos, evidenciou que, após 6-18 meses de terapia, o sucesso em parar de fumar é duas vezes maior quando comparado ao placebo. Além disso, a terapia não desencadeou efeitos adversos sérios. Só foram incluídos nessa análise os estudos em que os voluntários declaravam não ter intenção de parar de fumar a curto prazo.
É fortemente recomendado que, ao decidir parar de fumar, o fumante escolha uma data para largar o vício e que também se beneficie de apoio psicoterápico e das terapias medicamentosas atualmente disponíveis, incluindo a terapia de reposição de nicotina. Entretanto, mesmo os fumantes que não têm a intenção de marcar essa data, mas que gostariam de parar com o cigarro, estes também podem se beneficiar do uso da terapia de reposição de nicotina.
Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal revela que o hábito de consumir chá em altas temperaturas aumenta o risco de câncer de esôfago, doença mais comum entre os homens e cujos principais fatores de risco são o etilismo e o tabagismo.
A província do Golestão no Irâ tem uma das maiores incidências de câncer de esôfago do mundo, apesar do baixo consumo de álcool e cigarro. Além disso, o risco das mulheres é comparável ao dos homens. Isso levantou a hipótese de que o alto consumo de chá por esta população e o risco de injúria térmica associado seja um forte candidato para explicar essas peculiaridades. E foi exatamente isso o que a atual pesquisa confirmou.
Os pesquisadores investigaram o padrão de consumo de chá em pacientes com diagnóstico de câncer de esôfago e num grupo de indivíduos sem a doença nessa província do Irâ. Comparado ao consumo de chá morno (≤ 65oC), o risco de câncer de esôfago foi duas vezes maior entre aqueles que consumiam chá quente (65-69 oC) e oito vezes mais comum entre aqueles que consumiam chá muito quente (>70 oC). Da mesma forma, o consumo de chá 2 minutos depois de servido esteve associado a um risco 5 vezes maior de câncer de esôfago do que se este fosse consumido 4 minutos depois de servido. A média de consumo de chá entre os participantes do estudo foi de mais de 1 litro por dia, mas não houve relação entre a quantidade de chá consumido e o risco de câncer.
Esses resultados não devem gerar alarme para aqueles que apreciam as bebidas quentes como o chá e o café. Entretanto, deve-se ter em mente que o consumo dessas bebidas em temperaturas moderadas, além de realçar o sabor, pode reduzir o risco de câncer de esôfago.
Um estudo recém-publicado pelo British Medical Journal demonstrou que a mulher que fuma e descobre que está grávida ainda tem chance de minimizar os danos ao feto se parar com o cigarro ainda no começo da gravidez. O estudo comparou a evolução de 2500 mulheres grávidas que foram divididas em três diferentes grupos: as que nunca fumaram, as que pararam de fumar antes da 15ª semana de gestação e as que continuaram fumando. Não houve diferença entre o grupo de mulheres que parou de fumar e aquelas que nunca fumaram quanto às taxas de nascimento prematuro e baixo peso. Porém, aquelas que continuaram a fumar apresentaram taxas três vezes maiores de nascimento prematuro e duas vezes maiores de baixo peso ao nascimento quando comparadas às mulheres que pararam de fumar.
Esses resultados representam um grande incentivo para que as mulheres parem de fumar já ainda no começo da gravidez. Porém, o ideal é impedir que os bebês sejam expostos à fumaça do cigarro desde o momento da concepção, já que a relação entre cigarro e o desenvolvimento dos bebês não se restringe ao tamanho e o peso que eles nascem. Temos evidências inequívocas de que a exposição do feto à fumaça do cigarro está associada a um maior risco de malformações congênitas e ainda é capaz de promover puberdade precoce. Os bebês fora da barriga das mães também sofrem com a fumaça: eles têm um maior risco de síndrome de morte súbita infantil, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, comportamento anti-social e déficit de aprendizagem. Isso sem falar nos problemas respiratórios e infecciosos.
A fumaça de cigarro absorvida por uma mulher grávida é capaz de se ligar a receptores de nicotina no cérebro do feto, e a mulher nem precisa fumar para que isso aconteça, pois o fumo passivo já é suficiente para isso. Por isso, manter os bebês e crianças longe da fumaça é uma tarefa não só para a mãe, como também aos papais e agregados de plantão.

Saúde é um dos campeões de audiência quando se fala em busca de informação na internet. Nos últimos anos, a internet possibilitou uma democratização da informação como nunca antes vista, permitindo que o indivíduo que sofre de algum problema de saúde tenha uma postura mais ativa frente ao seu médico / terapeuta, com mais repertório para trocar informações. Por outro lado, a relação com o “Dr. Google“ não deixa de ter suas armadilhas, já que a internet quase não tem políticas de regulação sobre seu conteúdo.
Pesquisadores da Universidade de Florença acabam de publicar um artigo no British Medical Journal acendendo a discussão para a criação de algum tipo de regulação na qualidade de informação em saúde. Os autores descrevem a experiência de se digitar o termo “aloe” no Google e nos primeiros resultados da busca poder ser encontrado que Aloe arborescens é indicado no tratamento e prevenção do câncer (efeitos sem comprovação científica), e claro que o site vende o extrato da planta. Essa é uma experiência que qualquer um pode ter ao digitar Ginkgo biloba e receber várias ofertas de que a plantinha é capaz de melhorar o desempenho cerebral, efeitos também sem qualquer comprovação.
É sabido que boa parte dos lucros do Google tem origem na publicidade associada aos termos de busca usados. Isso chega a situações críticas como foi o caso de uma notícia de assassinato nos EUA em que as partes do corpo da vítima foram escondidas em uma mala. Ao acessar essa notícia, podiam-se ver anúncios de malas no topo da página. O Google tem investido no incremento de filtros que impeçam esse tipo situação, mas esses dispositivos ainda precisam de muito aprimoramento. Outra sugestão seria a proibição de links patrocinados quando os termos de busca forem relacionados à saúde. No caso da experiência “aloe”, os pesquisadores italianos encontraram o link patrocinado do Padre Romano Zago que cura câncer com Aloe arborescens.
O Google certamente tem grande interesse em aprimorar os mecanismos de filtragem para amenizar os riscos de levar informação errada à população. Enquanto isso não acontece, é importante que os diferentes setores da sociedade continuem a cobrar uma solução para o problema. Antigamente, ao procurar o significado de uma palavra em um dicionário de qualidade, não havia qualquer tipo de surpresa. Hoje, na pescaria do Google, fisgam-se peixes graúdos, assim como botinas velhas.
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Prevenir é melhor que remediar. Infelizmente não é isso que está acontecendo entre indivíduos com doenças cardíacas: eles estão fumando mais e com mais obesidade e diabetes. Esse é o resultado de uma pesquisa recém-publicada pelo jornal The Lancet que avaliou fatores de risco vascular ao longo de 12 anos entre europeus que já tiveram problemas cardíacos.
Apesar do aumento substancial do uso de drogas anti-hipertensivas, não houve redução na prevalência de hipertensão arterial. A análise aponta que 3 em cada 5 indivíduos ainda apresentam hipertensão arterial, 20% fumam (o fumo entre as mulheres cresceu) e 50% têm alterações nos níveis de gordura no sangue. A freqüência de obesidade e diabetes cresceu de 25% e 17.4% para 38% e 28%.
Não adianta deixar a saúde por conta dos remédios: eles não dão conta sozinhos do recado. Medicações e procedimentos salva-vidas na sala de emergência, sem programas de prevenção e reabilitação, são atitudes fúteis quando se pensa em saúde de forma sistêmica. É urgente o apoio de políticas públicas inteligentes de conscientização por uma alimentação saudável, atividade física regular e pelo fim do tabagismo.
Pesquisa recém-publicada no jornal Alcohol and Alcoholism demonstra pela primeira vez que filmes e propagandas de TV em que personagens tomam bebidas alcoólicas estimulam imediatamente o consumo de álcool de quem está assistindo.
Cientistas canadenses e holandeses conduziram um experimento com 80 estudantes universitários do sexo masculino que foram divididos em quatro grupos. Um dos grupos assistiu a um filme com intensa aparição de bebidas alcoólicas incluindo intervalos com propaganda de bebida alcoólica. Outro grupo assistiu ao mesmo filme sem propagandas de bebidas alcoólicas. Dois outros grupos assistiram a um filme com pouquíssimas imagens de bebidas alcoólicas e intervalos com ou sem propaganda de bebida alcoólica.
Os voluntários assistiram aos filmes em companhia de amigos e com acesso livre a uma geladeira com bebidas alcoólicas e não alcoólicas, na tentativa de reproduzir as condições em que as pessoas assistem TV em casa. Os voluntários que assistiram a filmes com conteúdo de bebida alcoólica serviram-se de 1.5 copos a mais de cerveja ou vinho do que aqueles que assistiram filmes sem esse conteúdo num período de uma hora. Os resultados sugerem que o efeito do conteúdo de álcool na TV não só é capaz de aumentar o consumo de álcool na próxima vez que o indivíduo for ao supermercado, mas pode também estimular o consumo de álcool imediatamente.
A publicidade de cigarros já é proibida em vários países. No caso do álcool, se esses resultados forem confirmados por novos estudos, deverão servir de apoio a implantação de políticas públicas de restrição da publicidade do álcool na TV.
Os meios de comunicação de massa representam uma das principais fontes de informação em saúde não só da população leiga, mas até mesmo dos próprios profissionais de saúde. Uma série de estudos revela que pesquisas divulgadas pela mídia são mais citadas por outros estudos científicos.
Nos últimos anos, a internet possibilitou uma democratização da informação como nunca antes vista, permitindo que o indivíduo que sofre de algum problema de saúde tenha uma postura mais ativa frente ao seu médico / terapeuta, com mais repertório para trocar informações. Pode-se argumentar que muito daquilo que o leigo lê na internet não é fonte segura de informação, e no caso de informação equivocada, o “ Dr. Google” pode fazer mais mal do que bem. Isso até pode existir, mas de uma forma geral, a internet ajuda muito mais do que atrapalha. E foi isso que um estudo recém-publicado pela prestigiada revista Cancer sugere.
Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia estudaram mais de 600 pacientes com diagnóstico de câncer colo-retal e a hipótese lançada era a de que aqueles que buscavam mais informações sobre a doença na internet e mídia impressa também estariam sendo submetidos a tratamentos mais modernos. No caso em questão, os autores definiram como terapêutica moderna o uso de duas medicações recentemente aprovadas para uso nos EUA e amplamente divulgadas pela mídia (bevacizumab e cetuximab). O resultado foi que os pacientes que procuraram informação na internet e mídia impressa tinham uma chance três vezes maior de ter conhecimento sobre as duas medicações, e também foi três vezes maior a chance de serem submetidos ao tratamento com essas drogas.
Estudos anteriores já haviam revelado que cerca de 40% dos pacientes com diagnóstico de câncer buscam informações sobre a doença na internet, mas não se sabia ao certo qual o nível de impacto isso poderia ter sobre o tratamento efetivamente oferecido aos pacientes.
Nos últimos 20 anos, várias medicações antidepressivas foram introduzidas no mercado, muitas delas com mecanismos de ação similares e composições químicas muito parecidas. Algumas dessas novas drogas são até chamadas de me-too, termo pejorativo para se referir a uma medicação quimicamente similar a outra que está para perder a patente. O fato é que ainda não está bem claro quais as reais diferenças entre os diferentes tipos de antidepressivos do ponto de vista de eficácia e efeitos colaterais.
Uma pesquisa recém-publicada pela revista científica The Lancet avaliou os resultados de 117 estudos de 12 diferentes tipos de antidepressivos de nova geração (incluindo 26 mil indivíduos), o que permitiu comparar a eficácia e tolerabilidade entre eles. Medicações incluídas na análise: bupropriona, citalopram, duloxetina, escitalopram, fluoxetina, fluvoxamina, milnacipran, mirtazapina, paroxetina, reboxetina, sertralina e venlafaxina.
Sertralina, escitalopram, mirtazapina e venlafaxina foram os antidepressivos que se mostraram mais eficazes. Dentre esses quatro, a sertralina e o escitalopram foram os mais bem aceitos pelos pacientes. Quando se analisou em conjunto o custo da medicação, sua eficácia e aceitabilidade, a sertralina ganha a disputa como a medicação de escolha para se iniciar o tratamento de um quadro de depressão moderada a grave.
O estudo deve encorajar os médicos a tentarem o uso da sertralina antes do escitalopram, já que esse último é cerca de sete vezes mais caro que a sertralina.
Por 40 dias e 40 noites, Noé, sua mulher, três filhos e os animais embaracaram na arca enquanto o dilúvio destruía o resto do mundo. Ao chegar em terra firme, uma das primeiras coisas que Noé fez foi “tomar vinho e ficar embriagado” e os filhos precisaram protegê-lo para que ele não metesse os pés pelas mãos. O livro do Genesis marca a presença do álcool e seus riscos já nos primórdios da humanidade.
Os problemas de saúde associados ao álcool incluem a dependência química, a intoxicação aguda e o seu consumo crônico que pode provocar mais de sessenta diferenças doenças. Entretanto, uma série de estudos têm-nos mostrado que beber com moderação está associado a uma maior longevidade e é capaz de reduzir o risco de uma série de doenças como o infarto do coração, derrame cerebral, Doença de Alzheimer e outros tipos de demência. Os maiores candidatos para explicar esse efeito protetor do álcool são o seu efeito anti-oxidante em doses moderadas com melhora de índices de gordura no sangue e o efeito de redução da tendência de coagulação do sangue.
Então deveríamos estimular que a população beba moderadamente, ou seja, até duas doses diárias para homens e uma para mulheres? A recomendação atual da Associação Americana do Coração (American Heart Association) é a de que quem não bebe não deve começar a beber, mas para quem já tem o hábito, o médico não deve criar proibições, e sim limitar o consumo e dar preferência ao vinho, já que o vinho além do álcool contém a uva com seus nobres ingredientes à saúde (ex: resveratrol).
Um estudo recém-publicado pelo Journal of National Cancer Institute acompanhou mais de um milhão de mulheres por sete anos e demonstrou que mesmo o consumo leve a moderado de álcool está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer como o de mama, reto e fígado. O consumo de álcool ainda potencializou o risco de outros tipos de câncer entre tabagistas: cavidade oral, orofaringe, laringe e esôfago. Os pesquisadores calculam que 13% dos casos desses tipos de câncer são causados pelo álcool e o risco de câncer não foi diferente entre o vinho e outros tipos de bebidas. No presente estudo, a média de consumo de álcool foi de uma dose diária (só 3% dessa população bebia mais que 3 doses diárias) e esse é o ponto que dá uma chacoalhada e amplia a análise da relação entre álcool e saúde. A conclusão mais importante do estudo é a de que não existe dose segura para o consumo de álcool.
Apesar dos efeitos protetores do álcool em doses moderadas sobre o cérebro e sistema cardiovascular, o aumento do risco de câncer anularia esses benefícios quando se pensa na saúde de forma sistêmica. Esse é um estudo tão importante que deverá mudar o discurso de boa parte dos médicos que atualmente orientam seus pacientes a tomarem um a dois cálices de vinho por dia para proteger o coração.
São inúmeros estudos evidenciando benefícios do consumo moderado de álcool. Estamos falando de menor risco de infarto do coração, de derrame cerebral, de doença de Alzheimer…
Com o câncer a coisa é diferente, especialmente o câncer de boca, faringe e laringe. Um documento publicado hoje na França pelo Instituto do Câncer faz um apelo pelo Álcool Zero, independentemente se estiver ou não dirigindo.
Leia abaixo matéria de Andrei Netto do Estadão sobre o acontecimento que ainda vai dar muito o que falar.
INCa, da França, orienta profissionais de saúde a lutar até contra a taça diária de vinho.
Andrei Netto, Correspondente de O Estado de S. Paulo 17-02-09
PARIS – O mito de que uma taça diária de vinho não faz mal à saúde caiu por terra na França. O Instituto Nacional do Câncer (INCa) publicou, nesta terça-feira, 17, em Boulogne Billancourt, nos arredores de Paris, um documento no qual orienta os profissionais de saúde do país a combater o hábito de beber diariamente, que concerne 13,7% da população. O motivo: em qualquer medida, bebidas alcoólicas podem causar câncer.
O relatório se ampara nas conclusões de três institutos internacionais de pesquisas científicas: o National Alimentation Cancer Research, o Fundo Mundial de Pesquisa contra o Câncer e o Instituto Americano para a Pesquisa sobre o Câncer. O INCa tem como função coordenar na França os estudos científicos, além de orientar equipes médicas na luta contra a doença.
Segundo o documento, o consenso acadêmico sobre os riscos provocados pelo álcool já são suficientes para que campanhas de esclarecimento da população sejam realizadas, a começar pelos próprios agentes de saúde – médicos, enfermeiros, assistentes sociais. “O consumo de bebidas alcoólicas está associado ao aumento do risco de diversos cânceres: de boca, de faringe, de laringe, de esôfago, colo-retal, do sangue e do fígado”, afirma o texto.
O documento alerta que o porcentual de aumento do risco de desenvolvimento da doença já está estimado tendo como base cada copo de álcool consumido por dia. O risco varia entre 9% a 168%. “Em particular, o aumento do risco de cânceres de boca, de faringe e de laringe é estimado em 168% por copo de álcool consumido por dia.” O relatório descarta até mesmo a ingestão diária de pequenas doses, uma tradição no país. “O aumento do risco é significativo a partir do consumo médio de um copo por dia. O efeito depende do volume consumido, não da bebida alcoólica.”
Dominique Maraninchi, presidente do INCa, e Didier Houssin, diretor-geral de Saúde, especialistas que assinam do texto, alertam que, entre outras reações nocivas no organismo, o etanol é metabolizado em acetaldeído (etanol), molécula que pode gerar mutações no DNA, potencializando a formação de tumores. Segundo os autores, a relação entre o consumo de álcool e os cânceres de boca, de faringe, de laringe, de esôfago e colo-retal, nos homens, e do seio, nas mulheres, é julgado como “convincente”. “Em matéria de prevenção ao câncer, o consumo de álcool é desaconselhado, independente do tipo de bebida (vinho, cerveja, coquetéis).”
Na França, a recomendação tem peso de choque cultural. Desde 1960, o volume de consumo de bebidas alcoólicas vem caindo, mas o nível atual – de 12,9 litros por habitante por ano – continua um dos mais elevados do mundo. Em 2006, a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que 20,3% dos homens e 7,3% das mulheres com idades entre 12 e 75 anos bebem todos os dias no país.
Além das orientações sobre o uso zero de álcool, o relatório do INCa prega a ingestão de frutas – no mínimo cinco por dia – e verduras – 400g por dia -, o controle do sobrepeso, a moderação do uso do sal e o consumo reduzido de carne vermelha. Cada 100g diárias de carne, afirmam os experts, eleva em 29% risco de câncer colo-retal.
Sabemos que o tabagismo reduz a expectativa de vida em cerca de dez anos e é a principal causa de morte prematura evitável em boa parte dos países. O fato é que grande parte dos tabagistas assume que gostaria de parar com o vício, mas anualmente apenas 2-3% consegue vencer o desafio.
Alguns estudos já haviam testado incentivo em dinheiro para que a pessoa pare de fumar e os resultados foram inconsistentes a longo prazo, talvez devido ao fato do incentivo e o número de voluntários não terem sido robustos o suficiente. Um novo estudo recém-publicado pelo periódico New England Journal of Medicine reavaliou o efeito dessa recompensa em dinheiro, desta vez com quase 900 participantes e uma recompensa de 750 dólares caso o indivíduo conseguisse ficar sem o cigarro por seis meses. Todos os participantes receberam informação sobre programas disponíveis para auxiliá-los a largar o cigarro e só metade deles receberam a proposta de recompensa em dinheiro.
Após 9-12 meses, aqueles que receberam a recompensa em dinheiro tiveram três vezes mais sucesso em ficar sem fumar (14.7%) do que aqueles que não receberam (5%) e após 15-18 meses o sucesso também foi três vezes maior. A recompensa em dinheiro aumentou também em três vezes a procura por um programa de apoio anti-tabagista.
Os resultados dessa pesquisa provocam importantes reflexões. A primeira delas é o quanto uma empresa ou um país pode economizar com políticas como essa. O presente estudo foi realizado com empregados da multinacional General Eletric. Calcula-se que uma empresa economiza 3700 dólares por ano quando um funcionário para de fumar, especialmente por redução do absenteísmo e incidência de doenças. Pelos resultados obtidos, a empresa precisaria investir em 7 indivíduos para conseguir um caso de sucesso, e desse ponto de vista, a estratégia é promissora. Outra questão é se as operadoras de saúde poderiam começar a oferecer descontos àqueles que parassem de fumar. Uma das fortes limitações desse tipo de estratégia é que pode haver incentivo para que não fumantes comecem a fumar para receberem o benefício.
Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal revela que o fumo passivo além de aumentar o risco de morte prematura, câncer, doenças pulmonares e cardiovasculares, também pode aumentar o risco de demência. Quase 5000 ingleses não fumantes e com mais de 50 anos foram acompanhados do ponto de vista de desempenho cognitivo e através de medidas de cotinina na saliva. A cotinina é um subproduto da nicotina e pode ser detectada na saliva até 25 horas após a exposição a ambientes com fumaça de cigarro. O que os pesquisadores encontraram foi que o grupo de pessoas que apresentou as maiores concentrações de cotinina na saliva também teve o pior desempenho cognitivo ao longo dos anos.
Uma das possíveis explicações para os resultados encontrados é de que o fumo passivo pode prejudicar o fluxo sanguíneo cerebral por conta de disfunção da camada mais interna dos vasos, o endotélio, fato este já comprovado em outros estudos. Isso poderia levar a mais derrames cerebrais. Outra explicação é de que o reconhecido mal que o fumo passivo faz ao coração pode fazer com que nele sejam produzidos pequenos coágulos de sangue que poderiam escapar do coração e entupir pequenas ou grandes artérias do cérebro, causando também derrames cerebrais.
A relação entre o tabagismo e redução do desempenho cognitivo já havia sido demonstrada entre os próprios fumantes. Infelizmente, as crianças não estão livres dos problemas cerebrais causados pelo fumo passivo. Já existem evidências de que as crianças de pais que fumam têm um menor desenvolvimento cognitivo. Hoje já se reconhece que o problema não está só na fumaça dos outros, o chamado fumo de segunda mão, mas também no contato com o simples cheiro de cigarro (fumo de terceira mão). É esperado que quanto mais a sociedade estiver consciente dos diversos prejuízos à saúde causado pelo fumo passivo, maior a chance de ações políticas que proíbam de vez o fumo em locais públicos.
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Fumar já é uma bobagem e continuar fumando pode ir deixando o cérebro bobo.
Uma nova pesquisa publicada no Journal of Psychiatric Research confirma que a maconha pode danificar o cérebro. Pesquisadores encontraram alterações estruturais no cérebro de usuários de maconha, especialmente em áreas que fazem conexões de importantes funções, tais como memória, atenção, capacidade de decisão, linguagem e funções executivas.
Usuários de maconha com uma média de idade de 19 anos e internados numa clínica de tratamento de dependência a drogas foram submetidos a técnicas especiais de Ressonância Magnética e os resultados foram comparados a um grupo controle sem história de consumo regular de maconha, álcool ou qualquer outra droga. O grupo de usuários de maconha consumia a droga desde os 13 anos até os 18-19 anos, e numa quantidade de cerca de seis “baseados” diários no ultimo ano anterior à suspensão da droga.
As alterações estruturais encontradas indicam danos no componente de mielina do cérebro, que pode ser comparada a uma capa que envolve as ramificações dos neurônios e que potencializa a velocidade dos impulsos nervosos. O estudo não é definitivo, mas é concordante com estudos anteriores que já haviam demonstrado que o consumo de maconha está associado a redução do volume de estruturas cerebrais associadas à memória e às emoções.
Esse mesmo grupo de pesquisadores já havia demonstrado que a adolescência ainda é um período de maturação das estruturas cerebrais e que por isso deve ser vista como uma fase da vida de maior vulnerabilidade a insultos cerebrais, como é o caso de substâncias neurotóxicas. Estudos também têm demonstrado que o uso de maconha na adolescência aumenta o risco de transtornos psiquiátricos na vida adulta.
Tem gente que só fuma na rua, mas chega em casa impregnado do cheiro de cigarro na pele, na roupa e no cabelo. Pode pegar o filho no colo que onde não se vê fumaça não tem risco. Certo? Não. Errado. Há fortes evidências de que esse contato com a fumaça extinta também é tóxico.
Pesquisas mostram que após a fumaça ser extinta, permanece no ambiente um significativo nível de toxinas nas superfícies do ambiente, na própria poeira, e até toxinas voláteis que ficam no ar mesmo. A fumaça do cigarro contém cerca de 250 gases tóxicos, entre eles: hidrogênio cianide (usado em armas químicas), monóxido de cabono (também no escapamento do carro), butano (fluido para isqueiro), amônia (também usado em produtos de limpeza), tolueno (também no thinner), arsênico (também nos pesticidas), chumbo (também nas tintas de parede), cromo (usado na fabricação do aço), cádmio (também nas baterias e carro), polônio-210 (radioativo). Onze dos 250 gases tóxicos do cigarro são classificados como compostos carcinogênicos do grupo 1, ou seja, os mais carcinogênicos.
Os programas anti-tabagismo costumam enfatizar os efeitos deletérios do fumo passivo ao que se chama de “fumo de segunda mão”, que é a fumaça visível sendo inalada pelo não fumante. Uma pesquisa divulgada esta semana pelo jornal Pediatrics revela um baixo nível de consciência por parte da população americana de que fumaça extinta também é deletéria à saúde, também chamada pelos pesquisadores como “fumo de terceira mão”. Nesse caso as crianças são as mais susceptíveis já que ficam mais tempo em casa, mexem e colocam mais a boca nas superfícies, e já foi demonstrado que a inalação de poeira por crianças é duas vezes maior que no adulto. Além disso, a pesquisa conseguiu demonstrar que o nível de consciência do risco do “fumo de terceira mão” é maior em lares em que o fumo é proibido. E a grande importância desses resultados é que campanhas que divulguem os riscos do “fumo de terceira mão” podem aumentar a chance de aumentar o número de lares em que cigarro é proibido.






















