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Um estudo que acaba de ser publicado no periódico British Medical Journal revela que mulheres obesas já a partir dos 18 anos de idade e na meia-idade têm 80% menos chance de ter uma vida longa e com saúde. Foram estudadas mais de 17 mil mulheres americanas que atingiram os 70 anos de idade sendo que apenas 10% delas foram classificadas como tendo alcançado uma velhice com saúde.

 

Vida saudável após 70 anos de idade foi definida como bom desempenho cerebral, boa saúde física e mental e ausência de doenças crônicas sérias como câncer, diabetes, doenças do coração, pulmonares e neurológicas. A análise mostrou que cada quilo a mais no peso que as mulheres tinham aos 18 anos é capaz de reduzir em 5% a chance de elas atingirem o padrão de vida saudável após os 70 anos. As mulheres que já apresentavam sobrepeso aos 18 anos e ainda ganharam 10 kg ou mais na meia-idade foram aquelas que menos chances tinham de alcançar em idades mais avançadas o estado de vida saudável.

 

A obesidade está associada a uma menor longevidade e a um maior risco de uma série de doenças, incluindo as mais temidas, como o câncer e as doenças cardiovasculares. Essas doenças estão relacionadas à morte prematura, e o que esse estudo nos mostra de forma inédita é que mesmo as mulheres que chegam aos 70 anos sentem os prejuízos da obesidade à saúde. Os resultados ainda reforçam a importância de se manter o peso já precocemente na vida, pois a obesidade já no início da vida adulta irá influenciar o estado de saúde em idades avançadas.

 

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Um estudo que acaba de ser publicado pelo periódico Archives of General Psychiatry revela que as pessoas que seguem a dieta mediterânea têm menos risco de desenvolver depressão. Vale lembrar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

 

A pesquisa avaliou os hábitos dietéticos de mais de 10 mil espanhóis e calculou a aderência à dieta mediterrânea baseada numa pontuação que incluía 9 itens da dieta. Após um acompanhamento de 4.4 anos em média, 480 novos casos de depressão foram identificados (156 homens e 324 mulheres). Os indivíduos que tinham uma boa aderência à dieta mediterrânea apresentaram um risco de depressão 30% menor quando comparado àqueles que apresentavam baixa aderência.   

 

Existem evidências de que são menores os índices de depressão em países mediterrâneos do que em países do norte da Europa e a dieta é uma forte candidata para explicar essa diferença. Estudos prévios sugerem que a gordura insaturada proveniente do azeite, alimento abundantemente usado na dieta mediterrânea, pode ser um dos componentes da dieta com grande poder de prevenir a depressão. Entretanto, o atual corpo de conhecimento não nos permite dizer que existe um determinado alimento da dieta mediterrânea que seja superior a outro na prevenção da depressão. A combinação sinergística dos diversos componentes parece ser a maior responsável pelo poder da dieta mediterrânea em prevenir a depressão e tantas outras doenças graves como a doença de Alzheimer e as doenças cardiovasculares, além de ser uma das melhores dietas para o controle o do peso corporal.

 

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Já é bem reconhecido que uma maior inteligência está associada a maior longevidade e estudos recentes chegaram atá a demonstrar que ganhadores do Oscar e Nobel vivem mais que seus colegas não ganhadores. Já temos evidências de que o nível de inteligência influencia a longevidade humana com o mesmo poder que o hábito de não fumar, e de forma ainda mais significativa que fatores como índice de massa corporal, hipertensão arterial e diabetes.

 

Podemos identificar pesquisas associando o grau de inteligência com a longevidade desde a década de 90, e hoje essa é uma área do conhecimento chamada de epidemiologia cognitiva. Há pelo menos quatro formas de explicar o porquê das pessoas mais inteligentes viverem mais. A primeira delas é que pessoas mais inteligentes tenham recebido mais educação e tido acesso a posições sociais e profissionais que permitiriam viver em ambientes menos arriscados. Outra questão importante é a relação entre inteligência e hábitos de vida mais saudáveis: atividade física, dieta equilibrada, menos álcool, menos cigarro, etc. Uma terceira explicação é a possibilidade de que indivíduos menos inteligentes tenham sido vítimas de mais eventos prejudiciais à saúde, e aqui podemos pensar em eventos até mesmo pré- e perinatais. E por último, há evidências de que testes de inteligência podem ser na verdade indicadores de um sistema cerebral que vai além das habilidades cognitivas, como por exemplo, velocidade de reação motora a um determinado estímulo.  Nesse caso não seria a inteligência em si que confere maior longevidade ao indivíduo, mas a inteligência reflete um estado cerebral mais desenvolvido como um todo.

 

Essas relações entre inteligência e longevidade fazem-nos refletir que a fonte da juventude está muito mais próxima da escola e condições básicas de saúde do que de pílulas milagrosas. 

 

 

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É bem reconhecido que algumas medidas do corpo humano estão associadas ao aumento de doenças cardiovasculares, como é o caso de altos índices de massa corporal, da circunferência da cintura e da relação da circunferência cintura / quadril. Mas não são só altos índices que estão associados a maiores riscos à saúde. Baixos índices de massa corporal e do nível de massa muscular livre de gordura estão associados a mortalidade mais precoce. A novidade agora é que baixos graus de circunferência das coxas também têm relação com a saúde, de acordo com pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal.

 

O estudo acompanhou cerca de três mil homens e mulheres dinamarqueses com 35 a 65 anos de idade e revelou que aqueles com circunferência das coxas menor que 60 cm tinham maior risco de morte e de doenças cardiovasculares do que aqueles com circunferências maiores que 60cm. Entretanto, circunferências maiores que 60 cm não trouxeram benefícios adicionais. Os resultados demonstraram ainda que o risco associado aos baixos níveis de circunferência das coxas foi maior que o de uma alta circunferência abdominal. A baixa circunferência da coxa é um sinal de baixo conteúdo de musculatura nessa região e também reflete baixo grau de musculatura de forma sistêmica. Estudos têm mostrado que a baixa musculatura corporal, especialmente em membros inferiores, está associada a maior risco de diabetes. Além disso, baixos teores de gordura subcutânea também têm sido vinculados a alterações no metabolismo da glicose e de gordura.

 

A presente pesquisa nos indica que é bem razoável o estímulo à atividade física com especial atenção à musculatura de membros inferiores. É importante frisar que 50% dos dinamarqueses estudados tinham circunferência de coxas menores que os 60 cm, sugerindo que o estímulo à atividade física é fundamental em qualquer canto do mundo. É bom lembrar que em muitas  populações do mundo o problema das coxas finas  é falta de comida mesmo.

 

 

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COFFEE

 

Não é à toa que a cafeína é o estimulante cerebral mais frequentemente consumido no mundo, pois ela é capaz de provocar bem estar, aumentar o nível de alerta, energia e sociabilidade. A relação entre a cafeína e a dor de cabeça pode ser vista como uma faca com muito mais de dois gumes. De um lado estão as pessoas que têm dores de cabeça precipitadas pela cafeína. A substância também é capaz de aliviar uma crise de enxaqueca, tanto é que muitas das medicações para essa doença têm cafeína em sua composição. Além disso, para quem usa cafeína diariamente, sua abstinência súbita pode causar crises de dor de cabeça.
 
Um estudo publicado recentemente pelo periódico Journal of Headache and Pain confirma que o excesso de cafeína pode tanto melhorar como piorar as crises de dor de cabeça. O estudo foi conduzido na Noruega e envolveu mais de 50 mil pessoas  que tinham o consumo médio de cafeína de 420mg/dia, o que significa umas quatro xícaras de café expresso. Cerca de 40% das pessoas estudadas relatou ter apresentado dor de cabeça no último ano e aquelas que consumiam mais cafeína tiveram maior chance de apresentar crises de dor. Por outro lado, cerca de 1% das pessoas apresentou crises por mais de 14 dias durante o mês, e esse risco de alta freqüência de dor de cabeça foi menor entre aqueles que consumiam mais cafeína.
 
Os resultados sugerem que, para as pessoas que têm crises pouco freqüentes, o excesso de cafeína pode atrapalhar, e já para quem tem alta freqüência de crises, a cafeína pode até ajudar. Esses resultados não são definitivos e o que se pode recomendar por enquanto para quem sofre de dor de cabeça é que não se deve abusar da cafeína, especialmente nos casos de enxaqueca. Outra recomendação é que não se deve proibir seu uso de forma indiscriminada, exceto nos casos em que a pessoa percebe que basta tomar uma dose que a dor de cabeça aparece. No caso das pessoas que usam muita cafeína, essas não devem parar seu uso subitamente, pois isso pode causar dor de cabeça.
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O tecido adiposo marrom é abundante em animais que hibernam como os ursos, mas também existe entre os humanos e de forma bem mais expressiva nos recém-nascidos. Esse é um tecido que tem a capacidade de produção de calor para o organismo bem superior a qualquer outro tipo de tecido do corpo, e nos animais, é bem reconhecido que essa gordura varia nas diferentes épocas do ano por conta de mudanças de temperatura e luminosidade. A quantidade desse tecido nos adultos humanos não é grande, mas pesquisas recentes têm apontado que é menor a atividade dessa gordura entre os obesos, mas ainda não se conhece bem quais fatores influenciam essa atividade.

 

Um estudo recém-publicado pela revista da Associação Americana de Diabetes demonstra que a luminosidade é um fator crítico para o controle da atividade da gordura marrom entre adultos. Mais de 3500 ingleses tiveram o nível de atividade de gordura marrom medido por exames de imagem (PET SCAN) e os resultados revelaram que a atividade dessa gordura no inverno inglês foi três vezes maior do que durante o verão, e era muito mais associada à luminosidade do que à temperatura. Além disso, a pesquisa revelou que as mulheres têm uma maior atividade dessa gordura quando comparadas aos homens.

 

O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Nottingham que defendem a idéia que a ativação da gordura marrom pode representar mais uma ferramenta no controle de um dos maiores problemas de saúde do mundo: a obesidade.

 

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colesterol

Pesquisa publicada na última edição do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que o colesterol influencia as correntes elétricas que geram os batimentos cardíacos e pode contribuir para que o coração saia do seu ritmo ideal. Antes dessa pesquisa, já se reconhecia que tanto o colesterol como as medicações que são usadas pra reduzir seus níveis são capazes de influenciar o ritmo cardíaco, mas não se sabia como.

 

Pesquisadores franceses e canadenses demonstraram em células cardíacas de animais que altos níveis de colesterol são capazes de inibir o funcionamento de canais iônicos do íon potássio responsáveis pelo fluxo de correntes elétricas nas células do coração, também chamados de Kv1.5. O estudo também demonstrou que a redução dos níveis de colesterol é capaz de restaurar o funcionamento desse sistema.

 

A descoberta abre as portas para o desenvolvimento de novas drogas para o tratamento do grave problema que são as arritmias do coração, que além de provocarem paradas cardíacas, são responsáveis por boa parte dos casos de acidente vascular cerebral.   

 

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Uma pesquisa recém-publicada pelo Journal of Nutrition, periódico oficial da Associação Americana de Nutrição, avaliou meio milhão de europeus de dez diferentes países e demonstrou que homens e mulheres com boa aderência à dieta mediterrânea têm menor nível de gordura abdominal. Vale lembrar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, e baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

 

O fato da dieta mediterrânea ter alto conteúdo de azeite gerava dúvidas de que ela poderia ser capaz de aumentar o risco de obesidade. Porém, uma série de estudos tem revelado justamente o contrário. Um desses estudos já havia até mostrado um menor grau de gordura abdominal associado à dieta mediterrânea, o que foi fortemente confirmado pela atual pesquisa européia. O alto teor de fibras e baixa densidade energética dos alimentos da dieta mediterrânea são possíveis explicações para esse melhor equilíbrio do depósito de gordura no corpo. Outra explicação é que hábitos bons atraem outros hábitos bons, ou seja, quem segue uma dieta saudável têm maior chance, por exemplo, de fazer atividade física regularmente.

 

Diversas pesquisas têm demonstrado que a dieta mediterrânea está associada a uma maior longevidade assim como redução do risco da doença de Alzheimer e de doenças cardiovasculares. Agora começamos a colecionar evidências de que ela é uma dieta que também nos ajuda a manter o peso e a barriga em dia. 

 

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Este mês foi marcado por muitas evidências de que um estilo de vida saudável é capaz de preservar nossas funções cerebrais à medida que envelhecemos. O periódico científico JAMA publicou uma pesquisa que evidencia que a dieta mediterrânea, assim como a prática de atividade física regular, são capazes de reduzir o risco da Doença de Alzheimer, e os resultados conseguiram demonstrar que cada um desses fatores tem seu poder independente do outro. 

 

Nesse estudo, quase dois mil idosos de Nova Iorque foram acompanhados por uma média de 5.4 anos, período em que os pesquisadores os examinaram do ponto de vista de desempenho cerebral e aplicavam escalas para avaliação da aderência à dieta mediterrânea e à atividade física. Vale lembrar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, e baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

 

Após o período de seguimento, 15% dos idosos desenvolveram o diagnóstico da Doença de Alzheimer. O risco absoluto em desenvolver a doença foi de 21% no caso de idosos sedentários e com baixo consumo dos itens da dieta mediterrânea, comparado a um risco de 9% entre aqueles com alta aderência à dieta e atividade física intensa. Atividade física intensa nesse grupo de idosos foi assim definida: 1.3 horas semanais de atividade intensa ou 2.4 horas de atividade moderada ou 4 horas de atividade leve. A atividade física foi capaz de reduzir o risco relativo da doença em 29-41%, e quando em nível intenso o poder de redução de risco foi ainda maior: 37-50%. Quanto à aderência à dieta mediterrânea, a terça parte dos idosos com maior aderência à dieta apresentou um risco relativo 32-40% menor de desenvolver a doença. Quando se analisou a terça parte dos idosos com os maiores níveis tanto de atividade física como de aderência à dieta mediterrânea, o risco da doença foi 61-67% menor.

 

Um segundo estudo publicado nessa mesma edição do JAMA confirma o poder protetor da dieta mediterrânea sobre o cérebro, dessa vez entre moradores da cidade de Bordeaux na França. Cerca de 1500 idosos foram acompanhados por uma média de 5 anos e aqueles com maior aderência à dieta mediterrânea foram os que menos tiveram declínio das funções cerebrais. Porém, os resultados não conseguiram demonstrar uma redução no risco da Doença de Alzheimer no período estudado, pois a metodologia do estudo não tinha poder para demonstrar esse tipo de efeito.

 

E não pára por aí. Neste mesmo mês, o American Journal of Epidemiology  publicou um grande estudo realizado na Inglaterra em que os hábitos de vida de mais de cinco mil pessoas foram acompanhados por uma média de 17 anos em diferentes períodos entre a meia-idade e a velhice. Uma escala foi utilizada para definir o grau de comportamento deletério à saúde e incluía a pesquisa dos seguintes hábitos: tabagismo, abstinência de álcool, baixo nível de atividade física e baixo consumo de frutas e vegetais. Aqueles que concentravam mais hábitos deletérios apresentaram mais perdas das funções cerebrais ao envelhecerem, especialmente a memória e capacidade de alcançar objetivos, também conhecida como funções executivas. E um dos dados mais importantes desse estudo foi que os hábitos deletérios já na meia idade foram capazes de influenciar o desempenho cognitivo na velhice.

 

O efeito negativo sobre as funções cognitivas de cada um desses fatores estudados já havia sido anteriormente demonstrado, mas essa é foi a primeira vez que esses efeitos foram demonstrados em conjunto. Isso é importante, pois é bem reconhecido que hábitos de vida costumam andar em grupo: um hábito saudável atrai outros hábitos saudáveis assim como hábitos deletérios também atraem outros. E por falar em grupos, outra coisa que a ciência tem nos demonstrado é que andar ao lado de pessoas com estilo de vida saudável aumenta nossa chance de adotar hábitos saudáveis também.

 

CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo na Radio Globo sobre o tema com o Dr. Ricardo Teixeira

 

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A combinação de quatro fatores de um estilo de vida saudável – não fumar, manter o peso ideal, praticar atividade física regularmente, seguir uma dieta saudável – é capaz de reduzir em 80% o risco das doenças crônicas mais comuns e fatais, revela estudo que acaba de ser publicado pelo periódico científico Archives of Internal Medicine.

Mais de 23 mil alemães com idades entre 35 e 65 anos foram avaliados quanto à aderência desses quatro fatores saudáveis e acompanhados por cerca de oito anos. Um índice de massa corporal < 30 foi considerado o peso ideal; atividade física de pelo menos três horas e meia por semana foi considerada atividade regular; uma dieta rica em frutas e verduras e com limitação do consumo de carne foi considerada uma dieta saudável; hábito de não fumar significava nunca ter fumado. A maioria dos participantes apresentava um a três fatores saudáveis, menos de 4% não apresentava qualquer fator saudável e 9% apresentava todos os quatro fatores.     

Durante o estudo, 3.7% dos participantes tiveram o diagnóstico de diabetes, 3.8% o diagnóstico de câncer, 0.9% apresentaram um ataque do coração e 0.8% um AVC. Os indivíduos que apresentavam todos os quatro fatores saudáveis tinham um risco 78% menor em apresentar qualquer uma dessas doenças quando comparado àqueles sem nenhum dos fatores. A presença dos quatro fatores reduziu o risco de diabetes em 93%, o risco de ataque do coração em 81%, o risco de derrame cerebral em 50% e de câncer em 36%. Dos quatro fatores, manter-se no peso ideal foi o mais poderoso, seguido pela ausência do cigarro, atividade física regular e dieta saudável.

Os resultados reforçam as atuais recomendações para que as pessoas busquem integrar em suas vidas esses hábitos saudáveis, pois é gigantesco seu poder de prevenção de doenças. Além disso, esse estilo de vida saudável já deve ser fortemente estimulado na infância, pois adquirir bons hábitos é igual a aprender um idioma estrangeiro: gente grande tem mais dificuldade.

 

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Uma pesquisa recém-publicada pelo American Journal of Nutrition investigou o padrão de consumo de peixe numa população de cerca de 15 mil idosos na China, Índia, Cuba, República Dominicana, Venezuela, México e Peru, e os resultados confirmam estudos anteriores realizados em países desenvolvidos: o consumo de peixe está associado a um menor risco de demência. Essa é a primeira vez que esse efeito é demonstrado em países fora do eixo Europa e América do Norte, e também é a maior pesquisa realizada até o momento sobre esse assunto.

 

Mais de 24 milhões de indivíduos no mundo apresentam o diagnóstico de demência, sendo que suas causas mais comuns são a doença de Alzheimer e a doença cerebrovascular. Calcula-se que cerca de dois terços dos casos de demência encontram-se em países pobres e em desenvolvimento, porém esse é um problema que tem sido relativamente negligenciado nesses países. O atual estudo reforça a recomendação consensual de que se deve comer peixe pelo menos duas vezes por semana para prevenção de doenças cardiovasculares.

 

O grande responsável por esse efeito protetor do peixe é o ômega-3, um tipo de gordura com efeitos antioxidantes, antiinflamatórios, antiateroscleróticos e neuroprotetores.  Sabemos também que há peixes especialmente ricos em ômega-3, como é o caso do atum, sardinha e salmão. Vale ressaltar que sardinha e atum em lata também vale! Pesquisadores da Escola Paulista da Medicina avaliaram as sardinhas em conserva disponíveis no nosso mercado e demonstraram um conteúdo de ômega-3 bem satisfatório. Diferentemente dos peixes em conserva, o peixe quando é frito perde o status de protetor do cérebro e do coração. 

 

Quanto à carne vermelha, o presente estudo evidenciou que seu efeito foi o oposto do encontrado com o peixe: quanto maior o consumo, maior o risco de demência. Esses resultados são consistentes com outras pesquisas prévias. Além disso, recentemente foi demonstrado também que quem come menos carne vermelha vive mais. Calcula-se que 11-16 % das mortes poderia ser evitada se as pessoas comessem menos carne vermelha, e a redução do risco de mortalidade por doenças cardiovasculares poderia chegar a 21%. As carnes vermelhas contêm grande quantidade de gordura saturada que por sua vez está associada ao aumento dos níveis de colesterol, da pressão arterial e do risco de câncer. As carnes vermelhas ainda possuem reconhecidos compostos carcinogênicos, que podem ser ainda mais concentrados nas carnes processadas.  

 

Não é o caso de radicalizar e recomendar que todo mundo pare de comer carne vermelha. Limitar o consumo de carnes vermelhas e processadas a menos de 10% das calorias diárias já é o suficiente. Nesse sentido, dietas com altos teores de carne vermelha como fonte de proteína (ex: dieta do “Dr. Atkins”) não garantem bons resultados à saúde quando se pensa a longo prazo. Por outro lado, um peixinho 2 a 3 vezes por semana é um ótimo negócio à saúde.

 

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PACMAN

 

Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine revelou que crianças que jogaram videogames pela internet que promoviam o consumo de alimentos saudáveis passavam a fazer escolhas mais saudáveis quando um lanche lhes era oferecido. Após o jogo, as crianças deram mais preferência a suco de laranja e frutas do que a refrigerante e batatas fritas. O game utilizado foi o famoso Pac-Man (Come-Come), bonequinho que come o que encontra pela frente. A cada alimento nutritivo que se comia, o jogador acumulava dez pontos. Em contaste, cada alimento pouco nutritivo que se comia, 10 pontos eram perdidos.

Não há como negar que boa parte da informação que chega até às crianças e adolescentes tem origem na mídia, especialmente a televisão, o cinema e a internet. Uma série de pesquisas tem demonstrado que o conteúdo da mídia é capaz de influenciar atitudes e comportamentos, incluindo o tabagismo, a violência, e também as escolhas nutricionais. É forte o apelo dos comerciais de produtos alimentícios durante a programação de TV infanto-juvenil, sendo que a grande maioria das propagandas gira em torno de alimentos que não poderiam ser considerados muito saudáveis a esse público. Essa é uma questão que gera grande preocupação devido à sua bem reconhecida associação com o crescente problema da obesidade infanto-juvenil.

Como não poderia deixar de ser, os pais têm um papel importantíssimo nessa relação dos filhos com a mídia, e três orientações básicas podem ajudar.

1- Limitar o acesso à mídia. Os pais deveriam limitar o uso de TV / Internet a no máximo duas horas por dia (recomendação da Academia Americana de Pediatria), e sempre quando possível, assistir aos programas de TV junto aos jovens. Deveriam também evitar a presença do computador e da TV no quarto dos filhos, deveriam desligar a TV na hora das refeições, e no caso de crianças menores de dois anos de idade, evitar a TV de uma forma geral.

2- Alfabetização midiática. Os pais podem ajudar as crianças a entenderem as mensagens transmitidas pela publicidade na mídia e a interpretá-las criticamente.

3- Contramarketing. A mesma mídia que incentiva hábitos e atitudes pouco saudáveis pode também ajudar a divulgar aquilo que faz realmente bem à saúde. Isso pode ser explorado através da TV, e até mesmo videogames educativos podem ajudar nesse processo, como foi demonstrado na pesquisa do Pac-Man descrita acima. Cabe aos pais identificarem oportunidades na mídia que sejam positivas do ponto de vista nutricional.

 

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vegetables 

No ano de 2006, um importante estudo científico (INTERMAP) demonstrou que o consumo de proteínas de origem vegetal está associado à redução da pressão arterial, ao mesmo tempo em que confirmou estudos anteriores de que o consumo total de proteínas não aumenta os níveis pressóricos.  Entretanto, esta pesquisa não foi capaz de definir qual o micronutriente das proteínas vegetais que mais colabora para esse efeito preventivo da hipertensão arterial. O periódico Circulation, jornal oficial da Associação Americana do Coração, acaba de publicar a extensão do estudo INTERMAP evidenciando que o ácido glutâmico, principal aminoácido encontrado nas proteínas vegetais, é um dos micronutrientes que ajudam a controlar a pressão arterial. Essa é uma das formas de se explicar a razão pela qual os vegetarianos têm menor tendência a desenvolver hipertensão arterial.

 

A hipertensão arterial é o principal fator de risco para duas das principais causas de morte em todo o mundo: o infarto do coração e o derrame cerebral. Mesmo com todo o progresso da medicina moderna, infelizmente, grande parte da população adulta é hipertensa.  É bem reconhecido que o indivíduo hipertenso carrega consigo um fator determinante genético, mas a boa notícia é que fatores dietéticos e de estilo de vida são fortes aliados para prevenir a doença.

 

Dez ingredientes para prevenir a hipertensão arterial. Quanto mais desses ingredientes forem usados, maior o sucesso da receita:

 

1- manter o peso em dia (índice de massa corporal < 25);

 

2- atividade física moderada / intensa diária por pelo menos 30 minutos ao dia;

 

3- dieta rica em frutas, legumes, verduras e castanhas;

 

4- quanto à proteína animal, não há evidências de que seu consumo esteja associado ao aumento da pressão arterial. Entretanto, limitar o consumo de carne é sempre um bom negócio, pois sabemos que seu excesso está associado ao aumento do risco de diversas doenças, como o câncer e as doenças cardiovasculares;

 

5- deve-se priorizar derivados do leite com baixo teor de gordura;

 

6- baixo teor de sal na dieta e limitar o consumo de álcool;

 

7- reduzir a carga de estresse no dia-a-dia

 

8- evitar o uso de medicações anti-inflamatórias mais do que uma vez por semana;

 

9- pelo menos entre as mulheres, a suplementação de ácido fólico ≥ 400 µg também é um forte ingrediente para a prevenção da hipertensão arterial. Vale lembrar que toda mulher que tem chance de engravidar deve fazer uso de ácido fólico em forma de suplemento para reduzir o risco de malformações do sistema nervoso central do feto. Nesse caso, a mulher fértil acerta dois coelhos numa cajadada só;

 

10- não precisa nem dizer que o cigarro deve ficar bem longe desta receita.

 

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O periódico britânico The Lancet acaba de publicar uma série de pesquisas que demonstra que o consumo de álcool é responsável por 4% das mortes ao redor do mundo, apesar de mais da metade da população ser abstêmia (45% dos homens e 66% das mulheres). Um dos estudos foi conduzido na Rússia e demonstra que, nesse país, o álcool é responsável por uma em cada duas mortes prematuras em adultos.

 

Dentre as mais de 200 doenças associadas ao álcool, as pesquisas demonstram que os acidentes, o câncer, as doenças cardiovasculares e a cirrose hepática são as que mais matam. Há alguns anos a ciência têm-nos mostrado alguns efeitos protetores do álcool em doses moderadas, especialmente no risco de doenças cardiovasculares e Doença de Alzheimer. Entretanto, atualmente reconhece-se que não existe dose livre de risco, e isso foi demonstrado em recente estudo envolvendo um milhão de mulheres: até mesmo uma dose diária de álcool aumenta o risco de alguns tipos de câncer.   

 

A previsão é que o “problema álcool” venha a se agravar ao longo dos próximos anos, e o poder da indústria do álcool e suas ações de marketing agressivas têm uma significativa parcela de responsabilidade nesse cenário. Várias ações já foram comprovadas eficazes para redução do impacto do álcool sobre a saúde em países desenvolvidos: aumento do preço das bebidas alcoólicas, rigidez na penalidade para quem dirigir e beber, e limitação da publicidade e do número de locais de comercialização de bebidas. No Brasil, essas ações para a redução do consumo de álcool não são implantadas com facilidade pelo poder público, e um dos gargalos é o frequente financiamento de campanhas eleitorais de políticos brasileiros pela indústria de bebidas alcoólicas.

 

As evidências de que cigarro causa câncer já existiam desde a década de 1950, mas a indústria do tabaco conseguiu manter a publicidade do cigarro por muitas décadas a “plenos pulmões”. Também não faz muito tempo que o cigarro ainda era permitido nos ambientes de trabalho. Agora é a vez de lutar pela regulação do consumo de álcool em nosso meio, pois os números do custo do álcool à sociedade não são muito diferentes dos do cigarro. Vale conscientizar a população que o álcool não é problema só de quem bebe. Seu custo social é tão grande que nem se consegue medi-lo direito.

 

CLIQUE AQUI e leia matéria do Correio Braziliense sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira

 

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O British Medical Journal acaba de publicar uma pesquisa que demonstra que alguns grupos de alimentos da dieta mediterrânea são mais poderosos que outros para a promoção de saúde. Vale recordar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, e baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool. Pesquisas têm revelado que a dieta mediterrânea reduz o risco de doenças cardiovasculares e da Doença de Alzheimer e está associada a uma maior longevidade.

 

Mais de 23 mil indivíduos na Grécia foram acompanhados por uma média de 8 anos, e numa escala de nove pontos em que cada ponto era atribuído ao consumo regular de uma classe de alimento da dieta mediterrânea, o aumento em dois pontos nessa escala conferiu uma redução de mortalidade em 14%. Em outras palavras, a pesquisa conseguiu demonstrar de forma inédita que o efeito positivo das diferentes classes de alimentos teve um efeito cumulativo.

 

Os hábitos alimentares mais associados a uma maior longevidade foram: consumo moderado de álcool, baixo consumo de carnes, e alto consumo de verduras, frutas, legumes, castanhas e azeite. Na ausência desses componentes, os benefícios da dieta mediterrânea eram significativamente reduzidos. Por outro lado, o padrão de consumo de laticínios, cereais, peixes e frutos do mar não fez muita diferença na longevidade dos participantes. Isso não quer dizer que se deva passar a exagerar no consumo de laticínios ou retirar do cardápio os peixes e cereais integrais, pois essas seriam atitudes nada inteligentes.

 

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Um estudo recém-publicado pelo periódico especializado Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, revela que os adolescentes que passam mais tempo ligados às mídias eletrônicas estão dormindo menos à noite, estão tendo mais sonolência diurna, além de estarem consumindo mais cafeína.

Pesquisadores americanos estudaram 100 adolescentes com idades entre 12 e 18 anos quanto ao consumo de bebidas cafeinadas, hábitos de uso de mídia eletrônica durante a noite (ex: TV, internet) e padrão de sono. No grupo estudado, 66% tinha TV e 30% um computador dentro do quarto, 90% tinha telefone celular e 79% um aparelho de MP3.  Após as 9h da noite, 82% dos adolescentes assistia à TV, 34% escrevia mensagens de texto, 44% falava ao telefone, 55% estava conectado à internet, 24% jogava games no computador, 36% assistia a filmes e 42% ouvia música nos MP3 portáteis. Uma média de 1-2 horas era usada em cada uma dessas atividades.

A pesquisa ainda revelou que 80% dos adolescentes estudados dormia menos de 8 horas por noite, abaixo do número de horas recomendado para a idade que é de 8 a 10 horas. Além da privação voluntária do sono, outros fatores podem contribuir para o sono mais curto desses adolescentes.  O excesso de exposição noturna à luz da TV e/ou do monitor do computador pode levar a uma redução da produção de melatonina, que por sua vez pode dificultar o sono. Além disso, a relação entre a privação de sono e consumo de cafeína é um ciclo vicioso. Ao dormir menos, o adolescente usa mais cafeína para combater a sonolência diurna, substância que sabidamente pode provocar insônia.

 

Pesquisas robustas já haviam demonstrado que os adolescentes têm dormido cada vez menos ao longo das últimas décadas. Além da exposição à mídia eletrônica e cafeína, os adolescentes ainda são expostos a outros fatores de estresse que podem estar contribuindo para que eles durmam menos, como por exemplo, a pressão por um brilhante desempenho acadêmico. O presente estudo também mostrou que essa privação de sono aumenta o nível de cochilos na escola, mas os efeitos vão muito além disso. Sabe-se que crianças e adolescentes que dormem pouco têm maior risco de depressão, obesidade, alergias e exacerbação de crises de asma.      

 

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Pesquisadores da Universidade de Manchester no Reino Unido em colaboração com vários outros centros de pesquisa europeus demonstraram que os níveis de vitamina D no organismo estão associados ao desempenho cognitivo de homens com mais de 40 anos de idade. O estudo foi recentemente divulgado pelo periódico inglês Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry. Mais de 3 mil homens foram avaliados do ponto de vista cognitivo, e os testes de velocidade de processamento de informação foram melhores entre os indivíduos com maiores níveis de vitamina D no sangue, sendo que essa associação foi ainda mais robusta naqueles com mais de 60 anos de idade. Alguns raros estudos anteriores já haviam chamado a atenção para essa possível associação, mas com resultados ainda inconsistentes.

 

O nível de vitamina D em nosso organismo é fundamentalmente dependente de sua síntese na pele após exposição ao sol, mas depende também da dieta, especialmente da ingesta da gordura dos peixes, gema de ovo, fígado e alimentos enriquecidos com a vitamina. São poucos estudos que avaliaram os efeitos da vitamina D sobre o cérebro, mas em modelos experimentais, já foram demonstrados receptores para a vitamina em diversas áreas cerebrais, e que sua suplementação é capaz de provocar efeitos de proteção cerebral, até mesmo reduzindo os efeitos do envelhecimento cerebral em roedores.

 

Os resultados não devem ser vistos como uma indicação para a suplementação de cápsulas de vitamina D, pois essa é uma pergunta que ainda deverá ser respondida por estudos subsequentes. Por enquanto, podemos dizer que encontramos mais uma razão para consumir peixes regularmente. Os peixes ricos em vitamina D são praticamente os mesmos ricos em Ômega 3 (ex: salmão, atum), sendo este último componente nutricional de reconhecida eficácia na melhora do desempenho cerebral e também na capacidade de evitar doenças como o derrame cerebral e a Doença de Alzheimer. Mais uma razão também para não deixar de tomar um solzinho.  

 

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Quando vemos um atleta ingerindo soluções especiais ou alimentos durante uma prova de longa duração, o que vem à nossa cabeça é que ele está se hidratando e repondo calorias e sais minerais. Em provas muito longas em que há redução das fontes de glicose dos músculos (glicogênio), é reconhecido que os atletas que repõem carboidratos durante a atividade têm melhor desempenho. Entretanto, em provas mais curtas, como grande parte dos esportes coletivos, ainda é discutível se a reposição de carboidratos é capaz de trazer algum tipo de benefício, e há estudos que confirmaram esse benefício, enquanto outros não. Faz sentido duvidar desse efeito, já que numa prova de uma hora de duração, sabe-se que a contribuição das fontes de glicose dos músculos é mais importante do que o nível sanguíneo da glicose. Além disso, a quantidade de carboidrato que o organismo consegue absorver nesse período não é muito relevante, não passando de uns 20g.

 

Talvez o possível efeito positivo da administração de carboidratos não seja diretamente nos músculos, mas sim no cérebro. Essa possibilidade tomou mais corpo após alguns recentes estudos que demonstraram que a injeção de glicose na veia não foi capaz de melhorar o desempenho do atleta, enquanto o mero contato na boca de solução de carboidratos sem sabor doce (Maltodextrina) foi capaz de melhorar o desempenho.  Isso levantou a hipótese de que os carboidratos se ligam a receptores na boca (ainda desconhecidos), independentemente de ter sabor adocicado, que ativariam o sistema nervoso central e que por sua vez melhoraria o desempenho do atleta.    

 

Um novo estudo recém-publicado no The Journal of Physiology foi mais além. Pesquisadores da Universidade de Birmingham administraram três tipos de bebidas a ciclistas bem treinados: solução à base de glicose 6,4%, outra à base de Maltodextrina e outra só de água. Foi adicionado adoçante artificial às três soluções para que ficassem com sabor parecido, e solicitado aos atletas que apenas colocassem a solução na boca por 10 segundos e depois a cuspissem fora. Usaram a solução por oito vezes durante repetidos treinos de ciclismo de uma hora e apresentaram melhor desempenho quando usaram as soluções que continham carboidratos, e pior desempenho com a solução de água.

 

Os pesquisadores ainda avaliaram a resposta cerebral ao contato na boca de cada tipo de solução através de ressonância magnética funcional. E o resultado foi que ambas as soluções de carboidrato ativaram regiões cerebrais do sistema de recompensa cerebral, que também é ativado quando comemos de verdade algo prazeroso, ou quando experimentamos diversas outras formas de prazer. Os resultados sugerem que os carboidratros ajudam no desempenho dos atletas ao fazerem com que o cérebro dê um empurrãozinho como, por exemplo, ao perceber menos sinais de cansaço. O estudo ainda sugere que existem receptores na boca capazes de enviar sinais ao cérebro quando entram em contato com carboidratos. Ainda não se conhece que receptores são esses.

 

 

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No começo da década de 50, evidências da associação entre o tabagismo e câncer de pulmão já começavam a aparecer, causando redução significativa nas vendas de cigarro nos EUA. Em 1953, as lideranças das principais indústrias de cigarro se encontraram secretamente na cidade de Nova Iorque e decidiram disparar um informe publicitário em 48 diferentes jornais para contornar as más notícias: “ O interesse na saúde das pessoas  é uma responsabilidade básica, assim como qualquer outra dimensão de nosso negócio”. Prometiam ainda: “Temos cooperado e sempre estaremos cooperando para a salvaguarda da saúde pública”. Nas décadas de 60 e 70 continuaram com um mantra que não tinha muito apego à verdade: “Ainda não há provas de que o cigarro cause câncer”.

 

A obesidade é uma pandemia que está lado a lado com o tabagismo como um dos maiores problemas de saúde pública em todo o mundo. O cerco à indústria alimentícia tem ficado mais apertado e hoje podemos observar restrições à propaganda e aumento dos impostos de alimentos considerados não saudáveis, assim como escolas que têm proibido a venda de refrigerantes, biscoitos e salgadinhos industrializados. Em resposta, atitudes defensivas por parte da indústria de alimentos têm sido observadas. Recentemente a Austrália exigiu que a Coca-Cola publicasse nos jornais uma correção do conteúdo de campanha publicitária que dizia que muito do que se fala da bebida é mito. A peça publicitária incluía uma atriz famosa dizendo que o consumo de coca-cola é seguro para crianças, que não contém cafeína e que é mentira que causa cáries ou que engorda. A Coca-Cola acatou a exigência, mas jogou o problema para os consumidores: ”Coca-cola contém calorias sim, tem conteúdo ácido sim, mas é de responsabilidade do consumidor regular o seu consumo”. Ainda nesse ano, moradores da Califórnia nos EUA moveram uma ação contra a mesma Coca-Cola após anúncios de sua água “vitaminada” (vitaminwater) prometendo que ela seria capaz de melhorar a força física por contribuir com a integridade estrutural do sistema músculo-esquelético.

 

Se a indústria de alimentos quiser manter a confiança dos consumidores, muitas ações poderiam estar sendo implantadas, a começar pela eliminação de campanhas publicitárias enganosas. Deveria também evitar publicidade dirigida às crianças de alimentos sem vantagens nutricionais e informar nos rótulos dos alimentos o conteúdo nutricional de forma mais clara possível. Milhões de mortes poderiam ter sido evitadas se a indústria tabagista tivesse sido honesta já na década de 50 e espera-se que a tragédia sirva de aprendizado para que a sociedade civil e os órgãos regulatórios do governo sejam mais ágeis em cobrar transparência e integridade da indústria alimentícia.

 

 

 

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Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal revela que o hábito de consumir chá em altas temperaturas aumenta o risco de câncer de esôfago, doença mais comum entre os homens e cujos principais fatores de risco são o etilismo e o tabagismo.

 

A província do Golestão no Irâ tem uma das maiores incidências de câncer de esôfago do mundo, apesar do baixo consumo de álcool e cigarro. Além disso, o risco das mulheres é comparável ao dos homens. Isso levantou a hipótese de que o alto consumo de chá por esta população e o risco de injúria térmica associado seja um forte candidato para explicar essas peculiaridades. E foi exatamente isso o que a atual pesquisa confirmou.

 

Os pesquisadores investigaram o padrão de consumo de chá em pacientes com diagnóstico de câncer de esôfago e num grupo de indivíduos sem a doença nessa província do Irâ. Comparado ao consumo de chá morno (≤ 65oC), o risco de câncer de esôfago foi duas vezes maior entre aqueles que consumiam chá quente (65-69 oC) e oito vezes mais comum entre aqueles que consumiam chá muito quente (>70 oC). Da mesma forma, o consumo de chá 2 minutos depois de servido esteve associado a um risco 5 vezes maior de câncer de esôfago do que se este fosse consumido 4 minutos depois de servido. A média de consumo de chá entre os participantes do estudo foi de mais de 1 litro por dia, mas não houve relação entre a quantidade de chá consumido e o risco de câncer.

 

Esses resultados não devem gerar alarme para aqueles que apreciam as bebidas quentes como o chá e o café. Entretanto, deve-se ter em mente que o consumo dessas bebidas em temperaturas moderadas, além de realçar o sabor, pode reduzir o risco de câncer de esôfago.

 

 

 

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