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O consumo de bebidas industrializadas com adição de açúcar por adolescentes está associado a uma maior chance de hábitos de vida NÃO SAUDÁVEIS. Entretanto, quando se fala em hábitos SAUDÁVEIS, a influência depende do tipo da bebida açucarada: os sucos adocicados chamam mais os bons hábitos de vida. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pela revista Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria.
Estima-se que 10-15% das calorias consumidas por adolescentes têm origem em bebidas com açúcar e pesquisas apontam que esse consumo pelas crianças concorre com o consumo de leite e frutas. Já sabemos também que há uma associação entre os níveis de consumo dessas bebidas e obesidade e até mesmo hipertensão arterial.
A atual pesquisa avaliou o padrão dietético e de atividade física de mais de 15 mil adolescentes americanos com uma média de idade de 15 anos. O peso era normal em 67% deles, 20% eram obesos e os demais apresentavam sobrepeso. A média de consumo das bebidas era de 1.6 porções por dia e 28% consumiam 3 ou mais porções diárias, maior entre os meninos e naqueles mais expostos às mídias eletrônicas. Bebidas lácteas com açúcar não foram incluídas nessas cifras. Além disso, o estudo evidenciou que os adolescentes com menor nível sócio-econômico tomavam mais refrigerante.
Os resultados também mostraram que o consumo de bebidas açucaradas está associado a uma série de hábitos não saudáveis, como excesso de tempo dedicado às mídias eletrônicas e a ingestão de frituras e doces. Por outro lado, hábitos saudáveis, como atividade física e o consumo de frutas, verduras e leite eram menores entre aqueles que consumiam mais refrigerantes, e MAIORES NOS QUE CONSUMIAM MAIS REFRESCOS, ISOTÔNICOS E SUCOS COM ADIÇÃO DE AÇÚCAR. Uma das melhores explicações para esses achados é que o marketing desses refrescos e sucos possa ter sido eficaz em associá-los a um estilo de vida saudável, separando-os do conceito de refrigerante / alimento artificial.
Os resultados da atual pesquisa têm grande relevância para o planejamento de políticas públicas para a contenção da pandemia de obesidade. De acordo com o último censo do Programa de Orçamentos Familiares, no Brasil, 21.5% dos adolescentes e 33.5% das crianças estão acima do peso.
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Cerca de 50% dos casos de doença das coronárias e 60% dos acidentes vasculares cerebrais são secundários a altos níveis da pressão arterial, e a quantidade de sal na dieta responde por boa parte desses números. A atual recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o consumo diário de sal não exceda 5g por dia, mais ou menos uma colher das de chá. Entretanto, o consumo supera esse limite na maior parte do globo, com uma média de 10g por dia na maioria dos países ocidentais, chegando a mais de 12g diários no Brasil e em países asiáticos e da Europa oriental.
Para reduzir o consumo de sódio, o primeiro passo é retirar o saleiro da mesa e lembrar que algumas ervas podem temperar a comida tão bem como o sal. Além disso, é fundamental evitar os alimentos salgados por natureza, como as conservas, o “fast food”, enlatados, carnes processadas e embutidos. Mas não é só o sal da dieta que influencia os níveis da pressão arterial. O potássio também tem o seu papel.
Uma série estudos tem demonstrado que o alto consumo de potássio é capaz de reduzir a pressão arterial e de que uma dieta com pouco sódio e muito potássio é melhor do que aquela com a simples restrição de sódio. Para inserir mais potássio na dieta deve-se consumir frutas, legumes e verduras com fartura. Atualmente, recomenda-se o consumo diário de 4.7g de potássio e estima-se que cada aumento de 0.6g no seu consumo diário pode reduzir a pressão arterial em 1 mm Hg.
Nesta semana, a revista Archives of Internal Medicine, periódico da Associação Americana de Medicina, publicou uma pesquisa que analisou o consumo de potássio em 21 diferentes países da América do Norte, Europa Ásia e Oceania. O consumo diário variou desde 1.7 g/dia na China até 3.7 g/dia na Holanda, Finlândia e Polônia, e foi relativamente menor entre as mulheres. Os pesquisadores calcularam que o incremento do consumo de potássio até os níveis recomendados (4.7 g/dia) seria capaz de reduzir a pressão arterial sistólica em 1.7 a 3.2 mm Hg provocando a redução da pressão arterial sistólica a níveis ótimos (≤ 120 mm Hg) em 2-5% da população. Essas cifras são da mesma magnitude das encontradas com a restrição de sódio e não são nada modestas quando se pensa em saúde pública, já que teoricamente pode reduzir a mortalidade por derrame cerebral em 8-15% e a de doença isquêmica do coração em 6-11%.
Uma pesquisa publicada hoje pelo British Medical Journal revela que o uso de suplementos de cálcio pode aumentar o risco de infarto do coração. Os pesquisadores analisaram 11 grandes estudos sobre os efeitos da suplementação de cálcio sem a vitamina D, o que no conjunto envolvia 12 mil pacientes. Esse tipo de suplemento é frequentemente indicado para pessoas com diagnóstico de rarefação óssea (osteoporose), especialmente os idosos. Os achados foram consistentes nas diversas pesquisas avaliadas e os resultados mostraram um aumento de 30% no risco relativo de ataque do coração entre os indivíduos que faziam uso de suplementos de cálcio após um tempo médio de consumo de 3.6 anos. Por outro lado, o uso dos suplementos não aumentou o risco de derrame cerebral nem os índices de mortalidade geral.
Devemos entender esse aumento de 30% no risco de infarto como modesto. Entretanto, devido à ampla utilização dos suplementos de cálcio pelos idosos, do ponto de vista de saúde pública, os resultados deixam de ser modestos. Além disso, o corpo de evidências científicas mostra que o poder da suplementação de cálcio em reduzir o risco de fraturas, associada ou não à vitamina D, é muito pequeno. E prevenir fraturas é o principal objetivo desse tipo de tratamento. Para cada mil pessoas tratadas por 5 anos com suplementos de cálcio, previne-se 26 fraturas, mas promove um aumento de 14 casos de infarto do coração, 10 de derrame cerebral e 13 mortes nesse mesmo período.
Os resultados sugerem que os critérios de indicação de suplementos de cálcio para indivíduos portadores de osteoporose devem ser reavaliados. Vale ressaltar que aqueles que fazem uso dos suplementos não devem abandoná-los sem orientação médica. Exercício físico, manter o peso em dia e fugir do cigarro são ótimas armas contra a osteoporose. Quanto ao cálcio da dieta, não há motivos para preocupação: não há evidências de que dietas ricas em cálcio aumentem o risco de doenças do coração.
CLIQUE aqui e ouça um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira
veiculado na Rádio CBN no dia 30 julho de 2010
Um estudo publicado na última edição do periódico Archives of Internal Medicine aponta que a vitamina D é um nutriente que faz diferença para o funcionamento do cérebro ao longo do envelhecimento.
Cerca de 850 italianos com mais de 65 anos de idade foram acompanhados por um período de seis anos e foram submetidos a medidas da concentração de vitamina D no sangue, além de testes cognitivos, especialmente de atenção e funções executivas. Aqueles que tinham acentuada deficiência de vitamina D tinham uma chance 60% maior de apresentarem declínio da capacidade cognitiva quando comparados aos idosos com níveis normais da vitamina. Sabe-se que a vitamina D está associada à expressão de diferentes proteínas e células essenciais para a função cerebral e seu efeito de proteção cerebral pode ser explicado também pelo seu papel no metabolismo do cálcio e pela sua capacidade de inibir depósitos de substâncias que estão associadas à Doença de Alzheimer. Esse melhor desempenho cerebral com níveis maiores de vitamina D também foi recentemente demonstrado em homens de meia idade.
Até há muito pouco tempo atrás, quando se falava em deficiência de vitamina D pensava-se somente nas suas conseqüências aos ossos. Hoje já sabemos que ela além de influenciar o funcionamento cerebral, também está associada a outros problemas de saúde como o diabetes, as doenças cardiovasculares, e até mesmo alguns tipos de câncer. Vale lembrar que alimentos como gema de ovo, fígado e peixes oleosos são ricos em vitamina D. Entretanto, 90% dessa vitamina é produzida pela pele durante a exposição ao sol. Estima-se que minutos de sol por dia são suficientes para manter a vitamina D em níveis suficientes.
A indústria alimentícia frequentemente faz uso de personagens populares do cinema ou televisão nas embalagens de produtos destinados às crianças. São raríssimos os estudos que tenham investigado se esses personagens influenciam a preferência das crianças por um determinado alimento e uma pesquisa recém-publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria aponta que as crianças realmente dão preferência a alimentos com embalagens de personagens infantis.
Pesquisadores da Universidade de Yale nos Estados Unidos estudaram 40 crianças com idades entre 4 e 6 anos. As crianças provaram 3 tipos de alimentos (biscoito, jujuba e cenoura), que eram-lhes apresentados em pares idênticos, sendo um deles com embalagem de um personagem popular de cartoon (Shrek, Scooby Doo, Dora a Eploradora) e o outro sem qualquer personagem. Após experimentarem cada um dos alimentos, com e sem embalagem dos cartoons, as crianças eram interrogadas: “Você acha que esses dois alimentos têm o mesmo gosto? “ No caso de acharem diferentes, perguntava-se às crianças: “Qual dos dois é o mais gostoso? Qual dos dois você escolheria?” Para 50-55% das crianças, o produto da embalagem com cartoon era mais gostoso, 25-37.5% não declararam preferência e 7-25% indicaram que o produto sem o apelo do cartoon era melhor. No caso da cenoura, não houve diferença estatisticamente significativa entre os que gostavam mais dos alimentos com embalagens com cartoon. 72.5% a 87.5% das crianças responderam que escolheriam o produto com cartoon, um número maior que aqueles que julgavam o produto com cartoon mais gostoso.
Os pesquisadores concluem que os cartoons não parecem ser uma boa estratégia para incentivar o consumo de frutas e verduras entre as crianças, já que no presente estudo, as crianças não julgaram as cenouras com embalagens infantis mais gostosas. Concluem também que é necessária a implantação de algum tipo de regulamentação para o uso de personagens infantis em alimentos pouco nutritivos e com alto teor calórico. Esse tipo de ação pode ajudar a controlar os crescentes índices de sobrepeso e obesidade entre as crianças.
A exposição a agrotóxicos organofosforados tem sido associada a uma série de efeitos adversos no desenvolvimento cerebral das crianças, como é o caso de problemas na capacidade cognitiva e no comportamento. As crianças realmente são mais vulneráveis aos efeitos desses pesticidas, primeiro por apresentarem um cérebro ainda em formação e também porque, por apresentarem menor peso, é maior a concentração relativa dessas substâncias no corpo quando comparado aos adultos. Além disso, as crianças têm um menor contingente de enzimas desintoxicantes.
Entre as crianças, a dieta é uma das principais fontes de contato com os agrotóxicos e as evidências dos seus riscos neurotóxicos têm origem em estudos que avaliaram populações com altos níveis de exposição aos pesticidas. Uma nova pesquisa publicada na última edição do jornal oficial da Academia Americana de Pediatria demonstrou que mesmo níveis habituais de agrotóxicos presentes no cotidiano da maioria das pessoas podem exercer mudanças no cérebro das crianças, aumentando a chance delas apresentarem o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Mais de 1100 crianças americanas com idades entre 8 e 15 anos foram estudadas. Os pais responderam a um questionário para diagnóstico de TDAH que revelou que cerca de 10% das crianças preenchiam os critérios diagnósticos necessários. As crianças foram submetidas a uma análise da concentração de traços de agrotóxicos na urina e os resultados apontaram que quanto maior essa concentração maior a chance das crianças serem classificadas como portadoras de TDAH. Aquelas que tinham a concentração desses elementos acima da média dos participantes tinham duas vezes mais chances de apresentar o diagnóstico quando comparadas às que não tinham sinais dos pesticidas na urina.
É importante ressaltar que as crianças incluídas no estudo representavam uma amostra aleatória e representativa da população americana, diferente dos estudos que o precederam, que avaliaram o efeito da superexposição aos agrotóxicos como, por exemplo, inalação de pesticidas por mulheres grávidas. A maior contribuição dessa pesquisa foi ter demonstrado que não só doses altas de organofosforados têm associação com a chance de uma criança apresentar TDAH, mas mesmo a exposição “inocente” a essas substâncias no cotidiano pode contribuir para o desenvolvimento do problema.
E quando se pensa na dieta das crianças, não são apenas os agrotóxicos que podem ter impacto no cérebro das crianças. Alguns estudos têm chamado a atenção de que alimentos com aditivos artificiais podem piorar os sintomas entre crianças com o diagnóstico de TDAH e também podem aumentar a chance de sintomas de hiperatividade, impulsividade e desatenção entre aquelas não portadoras de TDAH.
É isso aí. Essas são informações que devem provocar uma reflexão sobre o tipo de alimentação que estamos oferecendo às nossas crianças.
CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira
Uma pesquisa chamada de “Investigação Prospectiva Européia em Nutrição e Câncer”, publicada neste mês de abril no Jornal do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, concluiu que o poder de frutas e outros vegetais em prevenir o câncer não é tão grande como se pensava. A pesquisa foi divulgada pelos principais jornais do mundo com um recado desanimador para quem segue à risca a recomendação atual médica de se consumir cinco porções de frutas / vegetais por dia para reduzir o risco de uma série de doenças, inclusive o câncer. O jornal The Guardian publicou: “O consumo de vegetais tem pouco impacto no risco de câncer”; o jornal The New York Times publicou “O consumo de vegetais não previne o câncer”.
A pesquisa revelou que o consumo de duas porções e meia de frutas / vegetais por dia é capaz de reduzir o risco de câncer em 3% e o consumo de cinco porções diminui esse risco em 9%. A pesquisa envolveu cerca de meio milhão de pessoas de 23 centros de pesquisa e 10 países europeus. Os resultados foram discordantes de pesquisas anteriores que chegaram a evidenciar que o consumo de cinco porções diárias reduz o risco de câncer em 50%. Usando-se um copo como referência, uma porção significa: ½ copo de frutas picadas, ou ¾ copo de suco natural, ou 1 copo de folhas verdes, ou ½ copo de vegetais crus ou cozidos. Com esses novos resultados, ainda faz sentido a recomendação da Organização Mundial da Saúde de “cinco porções por dia”? A resposta é SIM e os argumentos são fortes.
1- O hábito das “cinco porções por dia” traz benefícios inequívocos à saúde dos vasos sanguíneos, com redução expressiva dos riscos de infarto do coração e derrame cerebral. Essa é a atual recomendação da Associação Americana do Coração. Uma recente metanálise revelou que o risco de derrame cerebral é reduzido em 26% entre as pessoas que consomem pelo menos cinco porções diárias e em 9% entre aqueles que consomem três a cinco porções;
2- Apesar de essa nova pesquisa ter revelado uma redução de risco de câncer de uma forma geral mais modesta do que se chegou a pensar anteriormente, resultados prévios da mesma pesquisa já haviam demonstrado que as frutas / vegetais têm mais efeito protetor sobre alguns tipos de câncer, especialmente aqueles que têm mais associação com o tabagismo e alcoolismo, como o câncer de boca, esôfago, intestino e pulmão;
3- O consumo das cinco porções por dia é uma poderosa arma para manter o peso em dia. Vale lembrar que a obesidade só perde para o tabagismo como fator associado ao câncer que pode ser prevenido;
4- Frutas / vegetais são ricas fontes de fibras, regulam a função intestinal, e é bem reconhecido que podem reduzir o risco de câncer de intestino.
Os resultados dessa última pesquisa não mudam a atual recomendação das “cinco porções por dia”. Os benefícios para a saúde de uma forma geral vão muito além da redução do risco de câncer.
1- Fumar nem pensar. Por quê ?
O cigarro “engrossa” o sangue, aumentando sua tendência a formar coágulos, além de ser um agente que danifica as artérias, contribuindo para a progressão da aterosclerose. O cigarro ainda reduz a tolerância ao exercício físico, piora os níveis de colesterol e da pressão arterial.
2- Atividade física de intensidade moderada por pelo menos 30 minutos, 5 vezes por semana. Por quê ?
O exercício físico “afina” o sangue, reduzindo sua tendência a formar coágulos. Além disso, ajuda a controlar o peso, é benéfico para a pressão arterial e para os níveis de colesterol e ainda ajuda a reduzir o estresse. Todos esses efeitos previnem a aterosclerose.
3- Reduza o estresse. Por quê ?
O estresse está associado a um aumento de substâncias circulando no sangue, como a adrenalina, que quando elevadas de forma crônica, podem aumentar a tendência de coagulação do sangue, piorar os níveis de colesterol e reduzir o calibre dos vasos, e esse último efeito pode aumentar a pressão arterial.
4- Frutas, vegetais e grãos integrais todos os dias. Por quê ?
Recomenda-se o consumo de pelo menos cinco porções por dia de frutas e vegetais. Usando-se um copo como referência, uma porção significa: ½ copo de frutas picadas, ou ¾ copo de suco natural, ou 1 copo de folhas verdes, ou ½ copo de vegetais crus ou cozidos. O benefício é devido ao poder anti-oxidante das frutas e vegetais que servem como um anti-inflamatório natural, prevenindo a aterosclerose. Também é recomendável que pelo menos metade dos grãos ingeridos sejam integrais, por serem ricos em fibras. Esse maior conteúdo de fibras promove um melhor controle do peso, pois provocam saciedade mais rápida e ainda melhoram os índices de colesterol.
5- Não exagere na gordura animal e no sal. Por quê ?
Quase toda gordura animal pode ser classificada como gordura saturada ou rica em colesterol, e são esses os maiores fatores alimentares para o aumento dos níveis de colesterol no sangue e seu conseqüente acúmulo nas artérias. Lembrar que quando falamos em gordura animal estamos falando também dos laticínios e ovos, e por isso, devemos dar preferência aos produtos menos gordurosos como o leite desnatado e a ricota. O sal também deve ser usado de forma moderada, já que o excesso de sal na dieta de algumas pessoas pode causar ou piorar a hipertensão arterial, um dos maiores fatores de risco para o infarto do coração e acidente vascular cerebral.
6- Não exagere na gordura trans. Por quê ?
As gorduras trans, além de estarem presentes nas carnes e laticínios, podem ser formadas por processo industrial que transforma óleos vegetais líquidos em gordura sólida – é a tal gordura hidrogenada. Temos de estar atentos aos biscoitos, sorvetes, salgadinhos de pacote, margarinas, entre outros produtos industrializados. As gorduras trans aumentam o nível de colesterol no sangue e hoje é obrigatório o fabricante informar a quantidade desta gordura no alimento. O ideal é que tenha de 0,2 a 2g por porção e este é o máximo que devemos consumir por dia. Nada de preguiça em ler o rótulo antes de colocar o produto no carrinho do supermercado!
7- Não deixe de comer as gorduras saudáveis. Por quê ? Hoje sabemos que populações que comem bastante azeite como na ilha grega de Creta, têm menos problemas vasculares do que populações que comem pouca gordura, como é o caso do Japão. Além do azeite, os demais óleos vegetais, peixes, nozes e castanhas são ricos em gordura insaturada, que reduz os níveis de colesterol. O ômega-3 é um dos componentes dessas boas gorduras e é por isso que se recomenda comer peixe pelo menos duas vezes por semana, especialmente salmão, sardinha, truta ou atum.
8- Bebidas alcoólicas só com moderação: até uma dose por dia para mulheres e até duas para homens. Por quê ?
O consumo excessivo de álcool pode levar ao aumento de gordura no sangue (triglicérides), elevação da pressão arterial, e pode levar à obesidade por ser um alimento bastante calórico. Todos esses fatores aumentam o risco de eventos vasculares. Entretanto, o uso moderado de álcool pode promover melhora dos índices de colesterol e pode ainda reduzir a tendência de coagulação do sangue. Esses efeitos parecem estar bastante associados ao fator álcool, mas estudos apontam para um benefício ainda maior no caso do vinho tinto, por propriedades anti-oxidantes próprias da uva. Mesmo com essas evidências, não se deve recomendar que indivíduos que não bebem começem a beber. Entretanto, entre aqueles que já têm o hábito de beber, estes devem beber moderadamente e de preferência vinho tinto.
9- Não coma mais calorias do que você gasta. Por quê?
A obesidade é um sério fator de risco para o desenvolvimento de hipertensão arterial, diabetes, aumento dos níveis de colesterol, infarto do coração e acidente vascular cerebral. Na Idade da Pedra, nossos ancestrais ao conseguirem caçar um animal, grande fonte de gordura, comiam o máximo que podiam, pois não sabiam quando conseguiriam outra caça. Não podemos nos dar ao luxo de reproduzir este instinto primitivo, pois a oferta de alimento hoje é muito grande, e são os alimentos que podem nos caçar se não formos racionais.
10- Uma soneca de 30 minutos após o almoço faz bem ao coração. Por quê?
Alguns estudos vêm demonstrando uma redução na mortalidade por doenças do coração em populações que têm o hábito de tirar uma soneca após o almoço, e os efeitos são mais robustos entre homens que trabalham.
** Leia também PREVIDÊNCIA VASCULAR – PRIMEIRA PARTE
* Artigo publicado hoje no Blog Saúde para Todos do Correio Braziliense – por Ricardo Teixeira
A aterosclerose é um termo que já existe há cerca de um século. Entretanto, a aterosclerose é uma doença tão antiga que já foi demonstrada até mesmo entre as múmias egípcias. A palavra tem origem do grego – Athero = pasta e Skleros = endurecimento. É o endurecimento das artérias devido a depósitos de material que hoje bem conhecemos: gordura, elementos celulares, cálcio, etc. E arterioslerose? É a mesma coisa? Arteriosclerose é um termo mais genérico que se refere ao endurecimento das artérias independente da causa. A Aterosclerose é sua causa mais importante.
O início do processo de aterosclerose se dá por uma disfunção da camada mais interna do vaso (o endotélio), seguido por acúmulo de gordura, desencadeando um processo inflamatório crônico. Vale ressaltar que o vaso sanguíneo é um órgão tão complexo do ponto de vista funcional como qualquer outro órgão do organismo. Hábitos de vida e doenças que representem insultos à sua camada interna são os maiores responsáveis pelo desenvolvimento da aterosclerose. Estes são os principais vilões: TABAGISMO, NÍVEIS ALTOS DE GORDURA NO SANGUE, HIPERTENSÃO ARTERIAL, DIABETES, OBESIDADE, INATIVIDADE FÍSICA, ESTRESSE, BAIXO CONSUMO DE FRUTAS E VEGETAIS e ABUSO DE ÁLCOOL.
Existem fatores que aumentam o risco da doença e que não podemos controlar e modificar, como é o caso da idade, sexo e história familiar. Entretanto, esses fatores “não modificáveis” contribuem apenas com 10% do risco do indivíduo apresentar um evento vascular como um infarto agudo do miocárdio. Em última análise, 90% DO RISCO ESTÁ EM NOSSAS MÃOS! E nosso dever de casa é reduzir ao máximo a presença dos fatores descritos acima, uma tarefa diária que poderíamos chamar de nossa Previdência Vascular.
É importante saber que a aterosclerose começa desde muito cedo na vida. Obesidade em crianças e tabagismo em adultos jovens já provocam espessamento das paredes das artérias, e esse espessamento é a própria aterosclerose na sua forma mais precoce. A doença pode evoluir com a formação de placas que podem levar ao estreitamento lento e silencioso da passagem do sangue pelas artérias. Assim como qualquer plano de previdência, quanto mais cedo começarmos nossa Previdência Vascular, maior será o prêmio no futuro. Atividade física e dieta saudável devem começar na infância, e os pais têm que dar o exemplo.
Desde a década de 80, sabe-se que mais importante que o grau de estreitamento das artérias é a vulnerabilidade da placa de aterosclerose. Isso pode ser traduzido na chance dessa placa expor seu conteúdo diretamente ao sangue, e causar um processo agudo de coagulação do sangue chamado de aterotrombose. É esse evento que causará os eventos agudos e graves como o infarto coração e o acidente vascular cerebral. Sabemos que o indivíduo que apresenta placas de aterosclerose e que investe bem em sua Previdência Vascular, este tem suas placas com capas de proteção mais fortes, com menor risco de rompimento.
Os administradores de previdência privada passam o tempo todo tendo que modular o tipo de aplicação de acordo com os ventos do mercado. Nossa tarefa como administradores de nossa Previdência Vascular é mais previsível, pois as diretrizes de sucesso não mudam de um dia para o outro, mas nem por isso deixa de ser uma tarefa que requer determinação e disciplina, já que o investimento deve ser diário. Já conhecemos bem o que fazer e o que não fazer para preservar nosso capital vascular, e o que precisamos é incorporar atitudes ao nosso cotidiano, entendendo sempre o porquê de cada ação.
* Leia na próxima segunda-feira: AS DEZ ATITUDES MAIS IMPORTANTES PARA PREVENIR A ATEROSCLEROSE.
Mulheres com peso normal e que fazem uso leve ou moderado de bebidas alcoólicas têm um menor risco de sobrepeso e obesidade do que aquelas que não bebem, é o que aponta estudo publicado na última edição do periódico Archives of Internal Medicine.
A bebida alcoólica tem alto teor calórico e é esperado que seu consumo regular seja um fator de risco para obesidade. Entretanto, as pesquisas realizadas até o momento para demonstrar essa associação têm mostrado resultados conflitantes, e uma das razões para essa discordância é a inclusão de indivíduos com sobrepeso ou obesidade já no início das pesquisas. O presente estudo é o primeiro a avaliar por um longo período o efeito do álcool sobre o peso de indivíduos com peso normal.
Pesquisadores de Boston nos Estados Unidos acompanharam 20 mil mulheres com 39 anos ou mais e com índice de massa corporal dentro dos limites normais (18.5 a 25). No início do estudo, 38% das mulheres não faziam uso de álcool, e as que bebiam usavam em sua maioria até 30 gramas diários de álcool. Durante um acompanhamento de 13 anos em média, as mulheres ganharam peso progressivamente e 41% delas passaram a ser classificadas como tendo sobrepeso ou obesidade. Já as mulheres que não faziam uso de álcool foram as que ganharam mais peso (3.63 kg). Aquelas que consumiam de 15 a 30 gramas de álcool por dia foram as que menos engordaram, 30% menos do que aquelas que não bebiam. Os vinhos tinto e branco, cerveja e licor, todos tiveram esse efeito no controle de peso, sendo que o vinho tinto foi a bebida que teve efeitos mais expressivos. E o que seria 15 a 30 gramas de álcool? Uma taça de vinho de 150 ml tem cerca de 14.5 gramas de álcool e uma latinha de cerveja de 350 ml tem 16.5 gramas.
Vale lembrar que só mulheres foram estudadas nesta pesquisa e que os resultados podem ser diferentes entre os homens. Existem evidências de que o álcool influencia o peso de homens e mulheres de forma distinta, especialmente porque as mulheres que consomem bebidas alcoólicas costumam reduzir a ingesta de alguns alimentos calóricos (ex: menos carboidratos), enquanto os homens simplesmente adicionam a bebida à sua dieta habitual. Essa tendência foi observada no presente estudo, mas existem também diferenças do metabolismo do álcool entre homens e mulheres que fazem com que os homens tenham mais chance de engordar com o álcool.
Esses resultados devem ser vistos com muita cautela, já que não existe nenhuma justificativa até o momento para se indicar o consumo de álcool por potencias efeitos medicinais, mesmo que em doses moderadas. A atual recomendação é que os médicos não indiquem o uso de álcool como se fosse um suplemento alimentar para prevenir doenças, muito menos para ajudar a controlar o peso. Devem recomendar às pessoas que não bebem que continuem sem beber, e às pessoas que já têm o hábito de beber, que não ultrapassem os limites de duas doses diárias para os homens e uma no caso das mulheres. Mas isso também está mudando.
Já é bem reconhecido que o consumo leve a moderado de álcool reduz o risco de doenças como o infarto do coração, derrame cerebral e a doença de Alzheimer. Do outro lado da moeda está o risco de câncer. Estudos recentes têm demonstrado que não existe dose segura para o consumo regular de álcool. Mesmo o consumo leve a moderado está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer como o de mama, reto e fígado. Não se deve pensar no álcool como um elemento promotor da saúde da população, pois muitas pessoas atravessarão a barreira entre o consumo moderado e o consumo exagerado. Esse consumo exagerado é responsável por uma em cada 25 mortes no mundo, e como se não bastasse as mais de cem doenças secundárias ao álcool, ainda temos os enormes problemas sociais que estão associados ao seu consumo.
Enxaqueca não é coisa só de adultos. As crianças já podem apresentar este tipo de dor de cabeça, os meninos começando em média aos 7 anos e as meninas um pouco mais tarde, aos 11 anos. Quando as crises de enxaqueca passam a ser muito freqüentes, é indicado um tratamento que vai além dos analgésicos para aliviar a dor. O tratamento pode ser feito com o uso de medicações de uso diário, também chamado de tratamento profilático, que trabalhará a química cerebral para reduzir a freqüência e intensidade das crises. Entretanto, algumas pesquisas têm demonstrado que a mudança de certos hábitos de vida pode colaborar para o controle das crises de enxaqueca, especialmente nas crianças.
Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Headache, jornal oficial da Sociedade Americana de Cefaléia, confirma que as crianças podem ter melhora significativa de suas crises ao evitar exposição direta do sol na cabeça, quando têm regularidade nos horários de dormir, acordar e se alimentar, e quando assumem uma dieta que evita alguns alimentos que costumam desencadear crises, entre eles: carnes processadas, queijos amarelos, chocolate, alimentos com glutamato (ex: miojo, molho Shoyu). O estudo ainda revelou que as crianças com menos de seis anos foram as que mais tiveram benefícios desses cuidados.
Esses resultados reforçam a prática que muitos médicos têm de tentar otimizar hábitos como sono e dieta das crianças antes da introdução de um tratamento medicamentoso. Essa é uma prática ainda controversa, mas uma recomendação inequívoca é a de que a criança deve evitar a exposição a estímulos que já foi reconhecido como fator desencadeante de crise no seu caso específico. Não existem listas de proibições que devem ser aplicadas de forma generalizada, mas não custa evitar aquilo que não faz bem à saúde das crianças num sentido mais amplo, como é o caso de um sono irregular.
Um estudo publicado na última semana pelo periódico Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, revela que os pais escolhem alimentos menos calóricos para as crianças em uma rede de fast food quando o conteúdo de calorias dos lanches é disponibilizado pela lanchonete.
Pais de crianças americanas com idades entre três e seis anos que freqüentavam lanchonetes de forma episódica foram apresentados a um cardápio padrão do McDonalds com fotos e preços. Um outro grupo de pais foi apresentado a um cardápio que continha também informação do conteúdo calórico de cada item. Os pesquisadores solicitavam aos pais que escolhessem uma refeição para eles e também para as crianças. Aqueles que tiveram acesso ao cardápio com conteúdo de calorias escolheram uma refeição para as crianças com 102 calorias a menos em média do que aqueles que utilizaram o cardápio padrão. As 102 calorias a menos correspondiam a uma redução de 20% do conteúdo calórico da refeição das crianças e isso não é pouco: 100 calorias a mais na dieta do dia-a-dia é capaz de provocar um ganho de peso de 4 a 5Kg num período de um ano.
O presente estudo sugere que os pais têm uma tendência a escolher alimentos mais saudáveis para seus filhos, mas eles precisam de ajuda. Recentemente chegou-se a demonstrar que até mesmo experientes profissionais da área de nutrição têm dificuldade em estimar o conteúdo calórico de diferentes refeições. Além disso, os pais tendem a julgar que seus filhos estão com peso dentro da normalidade. Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Acta Paediatrica revela que, na Holanda, 75% de mães de crianças com sobrepeso e 50% das mães de crianças obesas acreditam que o peso dos filhos está dentro dos padrões normais.
Nos EUA, vários estados já exigem que restaurantes exibam as informações de conteúdo calórico nos painéis expositores de produtos e preços assim como nos cardápios. A resistência da indústria alimentícia a esse tipo de proposta não é nada pequena e, no Brasil, essa discussão está apenas no início.
Dicas de como comer fora com as crianças de forma saudável:
– Comer fora deve ser a exceção e não a regra. Coma mais em casa;
– Dê exemplo. Leia o cardápio e aproveite para discutir com as crianças quais as opções mais saudáveis;
– Escolha as menores porções;
– Evite alimentos com alto teor calórico como as frituras e doces. Dê prioridade a alimentos saudáveis como legumes, saladas, frutas e iogurte. O que pode ser grelhado é melhor do que frito. Escolha suco de fruta, água ou leite desnatado no lugar de refrigerantes e sucos artificiais.
Já é bem reconhecido que o vinho tinto sem exageros pode promover um efeito protetor à saúde do coração e do cérebro. Um componente que explica esse efeito positivo é o próprio álcool, mas os polifenóis também fazem a sua parte. Os polifenóis são substâncias encontradas em abundância nos alimentos de origem vegetal e que ajudam a promover um melhor funcionamento dos vasos sanguíneos. Onde tem vasos sanguíneos funcionando bem, os órgãos têm mais chance de estarem bem também.
O vinho branco, que tem uma menor concentração de polifenóis, exerce efeitos mais discretos sobre os vasos que o vinho tinto, apesar de seus efeitos positivos já terem sido demonstrados. O Champagne francês, por sua vez, tem uma concentração de polifenóis maior que a do vinho branco por conta das uvas Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay, e no Brasil, alguns espumantes também têm como base essas uvas. Entretanto, poucos estudos foram realizados para investigar os efeitos do Champagne sobre nosso organismo, especialmente com o foco em nossa saúde vascular.
Pesquisadores franceses acabam de publicar um estudo no British Journal of Nutrition revelando que o consumo de 375ml de Champagne em um período de 10 minutos foi capaz de promover dilatação dos vasos sanguíneos por até 8 horas. Esses efeitos não foram demonstrados após a ingestão de uma bebida com o mesmo teor de álcool, carboidrato e mesma acidez, sugerindo que a ação do Champagne sobre os vasos é mediada pelo seu conteúdo de polifenóis. Novos estudos deverão ser conduzidos para avaliar o impacto do uso regular e moderado da bebida sobre o risco de doenças vasculares como o infarto do coração e derrame cerebral.
Já existe realmente um bom corpo de pesquisas mostrando o efeito protetor dos vinhos em doses moderadas. Do ponto de vista de saúde pública, não se deve fazer campanhas convidando a população a começar a beber. A recomendação da Associação Americana do Coração é que quem não bebe não deveria começar a beber, já que hábitos como uma dieta inteligente e atividade física regular podem ser mais interessantes à saúde que os potenciais efeitos positivos do álcool. Por outro lado, a atual recomendação é que quem já tem o costume de beber não precisa parar, desde que consiga beber dentro dos limites considerados seguros (duas doses diárias para homens e uma dose para mulheres). Entretanto, essa última recomendação começa a ser colocada em xeque após um recente estudo que acompanhou um milhão de mulheres e mostrou que mesmo aquelas que tomavam uma dose por dia tinham maior risco de apresentar alguns tipos de câncer, como o de mama, reto e fígado.
Três diferentes pesquisas foram publicadas na última edição da revista científica Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, demonstrando que a deficiência de vitamina D pode ser uma importante causa de déficit cognitivo e demência em idosos.
A deficiência de vitamina D sempre foi muito associada a problemas ósseos nas crianças e também nos adultos, mas nos últimos anos, começou-se a entender que sua deficiência também poderia estar associada a alterações do funcionamento cerebral. A vitamina D também atua no cérebro e sabe-se que ela está associada à expressão de diferentes proteínas e células essenciais para sua função, e estudos experimentais sugerem que sua deficiência pode estar associada a disfunções cerebrais inflamatórias e vasculares que podem culminar em processos degenerativos.
Dos três estudos recém-publicados, um deles avaliou mulheres francesas com mais de 75 anos e demonstrou que 17% delas apresentavam deficiência de vitamina D, com concentrações no sangue menores que 10ng/ml. Além disso, as idosas com deficiência da vitamina tinham um desempenho cognitivo inferior, quando comparadas às idosas sem deficiência. O segundo estudo foi conduzido nos Estados Unidos e envolveu homens e mulheres com 73 anos em média, e revelou que 14% e 44% deles tinham deficiência e insuficiência (20-30ng/ml) da vitamina respectivamente. Aqueles que tinham menores concentrações de vitamina D apresentaram maior risco de demência e derrame cerebral.
Uma pergunta ainda em aberto é se o déficit cognitivo é o ovo ou a galinha dessa associação. Indivíduos com limitação cognitiva podem ter um padrão de alimentação e exposição ao sol que levam à deficiência de vitamina D, e o terceiro estudo, o único de acompanhamento longitudinal e envolvendo apenas homens americanos, é concordante com esta hipótese, já que não foi encontrada associação entre baixos níveis de vitamina D e incidência de demência no período de quase cinco anos de acompanhamento. Entretanto, esse estudo considerou níveis menores que 20ng/ml como baixos níveis da vitamina, enquanto deficiência é definida quando a concentração é menor que 10 ng/ml. Talvez, uma nova análise dos resultados comparando indivíduos com níveis de vitamina D menores que 10ng/ml com aqueles com concentrações maiores que 20ng/ml possa revelar diferenças significativas quanto ao risco de demência.
Os próximos passos a serem dados serão estudos que consigam definir se suplementos de vitamina D são capazes de prevenir, ou mesmo reverter déficits cognitivos. Enquanto isso, os médicos devem estar conscientes da alta freqüência de déficit da vitamina na população idosa. A recomendação atual é a de que indivíduos com 51-70 anos e aqueles com mais de 70 anos devem consumir 400 e 600 unidades internacionais respectivamente, ou o suficiente para manter a concentração de vitamina D no sangue superior a 30ng/ml. Esses números dizem respeito daquilo que entendemos que faz bem para os ossos. A melhor dose para um bom funcionamento cerebral ainda está por ser definida.
Fontes de vitamina D? Seu nível em nosso organismo é fundamentalmente dependente de sua síntese na pele após exposição ao sol, mas depende também da dieta, especialmente da gordura dos peixes, gema de ovo, fígado e alimentos enriquecidos com a vitamina. Podemos dizer que encontramos mais uma razão para consumir peixes regularmente. Os peixes ricos em vitamina D são praticamente os mesmos ricos em Ômega 3 (ex: salmão, atum, sardinha), sendo este último componente nutricional de reconhecida eficácia na melhora do desempenho cerebral e também na capacidade de evitar doenças como o derrame cerebral e a Doença de Alzheimer. Mais uma razão também para não deixar de tomar um solzinho.
O Papai Noel não é nenhuma unanimidade quando se fala em modelo de saúde para as crianças. Para começar, ele está sempre muito além do peso, e alguns acham que ele poderia trocar o trenó com as renas por uma bicicleta. Em alguns países, é uma tradição oferecer ao Papai Noel biscoitos, tortas, uma dose de brandy ou vinho do porto quando ele passa por uma residência, e esse hábito pode influenciar as crianças a pensarem que álcool e direção, mesmo que de trenós, podem andar de mãos dadas. Esse assunto foi explorado pelo médico australiano Nathan Grills em recente artigo publicado no British Medical Journal. Grills defende a tese que se os discutíveis hábitos do Papai Noel influenciarem negativamente 0.1% das crianças, já seriam milhões de vidas prejudicadas.
Nos EUA, o Papai Noel é o único personagem fictício mais conhecido que o Ronald MacDonald, e sua fama é quase universal. Se o Ronald é um personagem tão eficaz para vender Mac Coisas, Papai Noel não fica para trás. Sua popularidade bem que poderia ser usada para a promoção de hábitos de vida saudáveis, mas o que podemos observar é que ele anda ajudando a vender coca-cola desde a década de 30. Em outros tempos, ele já foi um forte “garoto” propaganda de cigarros. Já que o Papai Noel é um ícone associado ao universo infantil, seria bem-vinda alguma forma de regulação que evitasse sua vinculação com anúncios de bebidas alcoólicas e alimentos pouco saudáveis, regulação que já foi aplicada no caso do cigarro em vários países.
Aproveitar a mega fama do velhinho para a divulgação de bons hábitos de vida é uma ótima oportunidade para a promoção de saúde da população na época das festas de fim de ano, especialmente das crianças. Isso não quer dizer que o Papai Noel tenha que abandonar as renas e passar a ter um corpo sarado. No mundo da ficção ou no mundo real, radicalismos são empobrecedores. Mesmo com todo o amor do mundo pelas crianças, Monteiro Lobato provavelmente nunca trocaria a Dona Benta e tia Anastácia com seus bolinhos por uma vovó magrinha que descasca cenouras para as crianças no lanchinho da tarde. Talvez também não trocasse o saci com cachimbo por um saci mascando chicletes sem açúcar.
Alimentos com altos teores de carboidratos e gorduras têm grande poder de estimular nossos centros cerebrais relacionados ao prazer e à sensação de nos sentirmos recompensados, promovendo a liberação de neurotransmissores como a dopamina, serotonina e a endorfina. Sabemos que a ativação desses centros de recompensa cerebral está fortemente associada à sensação de bem-estar e, recentemente, uma pesquisa chegou a demonstrar que o simples contato na boca de uma solução de carboidratos, sem sua ingesta, é capaz de ativar esse sistema de recompensa, fenômeno demonstrado através de ressonância magnética funcional. Vale lembrar que o cérebro também pode se sentir altamente recompensado com alimentos que não têm nada de calóricos, mas que evocam prazer pelo paladar, olfato, visual do prato, e até mesmo pelo ambiente e a companhia na refeição.
Além disso, alguns alimentos como o café e o chocolate contêm substâncias chamadas de aminas biogênicas (ex: cafeína, teobromina) que também têm alto poder de estimular o sistema de recompensa cerebral. O chocolate, por exemplo, contém também a anandamida, substância que se liga aos mesmos receptores em que a maconha exerce seus efeitos no cérebro. O chocolate ainda faz com que a anandamida produzida pelo nosso corpo tenha efeito mais duradouro. Recentemente foi demonstrado que o consumo de chocolate ainda é capaz de reduzir os níveis de hormônios do estresse, tanto o cortisol quanto a adrenalina, e isso ajuda a promover a sensação de bem estar.
Quanto ao poder de melhorar o funcionamento do cérebro, de todos os nutrientes pesquisados até o momento, o ômega 3 é o que mostra resultados mais consistentes. Sabemos que os ácidos graxos da família ômega 3, mais especificamente o ácido docosahexanóico (DHA), são de extrema importância para o cérebro, por serem os mais abundantes nas membranas das células cerebrais. Essa é uma ótima razão para se consumir peixes como o salmão, a sardinha e o atum, que além de serem as maiores fontes alimentares de ômega 3, também são ricos em vitamina D, componente nutricional de reconhecida eficácia na melhora do desempenho cerebral. E onde é que o peixe poderia colaborar com nosso bom humor? O fato é que seu consumo regular tem o poder de prevenir a depressão, doença que rouba o humor de qualquer um sem pedir licença.
Um estudo recém-publicado pelo periódico British Medical Journal revela que uma redução de 5g no consumo diário de sal é capaz de diminuir o risco de acidente vascular cerebral em 23% e o de doenças cardiovasculares em 17%. Esse menor consumo de sal evitaria anualmente mais de um milhão de mortes por acidente vascular cerebral e três milhões por doenças cardiovasculares ao redor do mundo.
Cerca de 50% dos casos de doença das coronárias e 60% dos acidentes vasculares cerebrais são secundários a altos níveis da pressão arterial, e a quantidade de sal na dieta responde por boa parte desses números. A atual recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o consumo diário de sal não exceda 5g por dia, mais ou menos uma colher das de chá. Entretanto, o consumo supera esse limite na maior parte do globo, com uma média de 10g por dia na maioria dos países ocidentais, chegando a mais de 12g diários no Brasil e em países asiáticos e da Europa oriental.
O principal problema do excesso de sal na alimentação é o aumento dos níveis da pressão arterial. Por outro lado, uma série de estudos tem demonstrado que o alto consumo de potássio é capaz de reduzir a pressão arterial. Esses estudos apontam que a redução do conteúdo de sódio ao longo prazo e sua substituição por potássio é capaz de reduzir o risco de doenças cardiovasculares e essa já é uma recomendação dietética consensual. Uma dieta com pouco sódio e muito potássio é melhor do que aquela com a simples restrição de sódio. Para inserir mais potássio na dieta deve-se consumir frutas e verduras com fartura. Para reduzir o consumo de sódio, o primeiro passo é retirar o saleiro da mesa e lembrar que algumas ervas podem temperar a comida tão bem como o sal. Além disso, é fundamental evitar os alimentos salgados por natureza, como as conservas, o “fast food”, enlatados, carnes processadas e embutidos.
Em tempo: recentemente minha querida tia Dete me disse que a sua médica “renomada” lhe orientou a não tomar mais água de coco, pois dificultaria o controle de sua pressão alta. Tia Dete, não deixe de tomar sua água de coco, pois ela tem pouco sódio e ainda tem potássio para dar, vender e jogar fora. O teor de potássio de uma água de coco é quase duas vezes maior do de uma banana, fruta que tem a fama de ser riquíssima em potássio.
O limite de consumo de sódio por dia é de 2300mg. Um coco com 400ml de água contém apenas 20 a 24mg de sódio, 10% do consumo recomendado. Já uma latinha de coca-cola tem duas vezes mais sódio que essa água de coco: a coca normal tem 37mg, a light tem 40mg e a zero tem 50mg. É bom lembrar que a coca-cola não contém nadinha de potássio em sua mágica fórmula.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Journal of Proteome Research demonstra que o chocolate amargo reduz os níveis dos hormônios do estresse (ex: corticóide, adrenalina) em indivíduos que se sentem muito estressados. Os voluntários do estudo consumiram 40g diários de chocolate com teor de cacau de 74% por duas semanas.
E por que o chocolate tem esse poder de reduzir o estresse? O chocolate, especialmente o amargo, tem propriedades que fazem nosso cérebro apaixonar-se facilmente por ele. É um alimento com alto teor de carboidrato e gordura, com grande poder de estimular nossos centros cerebrais relacionados ao prazer e à sensação de nos sentirmos recompensados. Contém ainda farta concentração de substâncias chamadas de aminas biogênicas (ex: teobromina, feniletilamina, cafeína e tiramina), que também têm alto poder de estimular nossos centros de recompensa, assim como a liberação de neurotransmissores, como dopamina, serotonina e endorfina. O chocolate possui outras substâncias que podem estar associadas ao prazer: triptofano que é precursor do neurotransmissor serotonina e a anandamida que se liga aos mesmos receptores em que a maconha exerce seus efeitos no cérebro. O chocolate ainda faz com que a anandamida produzida pelo nosso próprio cérebro tenha efeito mais duradouro.
Mas os efeitos vão muito além do prazer e da redução do estresse. Sabemos hoje que o consumo de chocolate amargo promove uma série de outros efeitos benéficos ao nosso corpo pelo seu alto teor de flavonóides, as mesmas substâncias que fazem a boa fama dos chás, frutas e verduras. Entre os inúmeros bons efeitos já descritos temos: 1) aumento dos níveis de óxido nítrico, considerado um dos principais combustíveis para a saúde dos nossos vasos sanguíneos; 2) redução da agregação das plaquetas, ação que é igual à da aspirina; 3) aumento dos níveis do HDL – nosso colesterol bom – entre outras ações antioxidantes; 4) redução de marcadores de inflamação – lembrando que aterosclerose é igual a inflamação; 5) redução da resistência à insulina, facilitando sua ação nas células; 6) aumento do fluxo sanguíneo periférico (nos membros) e nas artérias do coração; 7) redução da pressão arterial; 8) aumento do fluxo sanguíneo cerebral e/ou atividade neuronal durante uma tarefa cognitiva. E os efeitos chegam até à pele, com aumento de sua microcirculação sanguínea e maior nível de fotoproteção.
Vale lembrar que não é fácil adaptar 50-100g de chocolate diários em nosso cardápio devido ao seu alto valor calórico. A boa notícia é que muitos estudos revelaram efeitos positivos do chocolate amargo mesmo em baixas doses, como um a dois quadradinhos por dia.
Dieta mediterrânea é capaz de reduzir em 40% o risco da Doença de Alzheimer. Dieta mediterrânea significa uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool. A dieta mediterrânea é capaz de reduzir o risco do Transtorno Cognitivo Leve e também a chance de transformação na Doença de Alzheimer. Uma pessoa que desenvolve a Doença de Alzheimer não perde suas funções cerebrais de um dia pra o outro, e reconhece-se que o declínio pode começar até 12 anos antes do diagnóstico. Essa é uma doença progressiva, e entre o estado de normalidade e seu diagnóstico, as pessoas passam por um estágio intermediário chamado de Transtorno Cognitivo Leve. O fato é que nem todas as pessoas que apresentam Transtorno Cognitivo Leve evoluirão para a Doença de Alzheimer, e a dieta mediterrânea tem se mostrado um bom aliado na prevenção da doença.
Restrição calórica melhora a memória de idosos. Em animais esse efeito já havia sido demonstrado inúmeras vezes, mas nos humanos, essa foi a primeira vez. Manter o corpo sem barriga reduz o risco da Doença de Alzheimer. Foi demonstrado que a obesidade central na meia idade aumenta o risco da doença mesmo entre as pessoas que não são consideradas obesas pelo índice de massa corporal.
Idosos com maiores níveis de atividade de lazer têm menor chance de desenvolver a Doença de Alzheimer. O benefício é maior com atividades estimulantes como jogos de cartas, palavras cruzadas, praticar alguma atividade artística e freqüentar teatro / cinema.
Viver uma relação de casal na meia idade reduz o risco da Doença de Alzheimer na velhice. O risco é maior entre os solteiros e descasados quando comparados àqueles que têm um companheiro(a). Entre os viúvos, o risco é ainda maior. Aqueles sozinhos, tanto na meia idade quanto na velhice, apresentaram mais risco do que aqueles que só ficaram sozinhos na velhice.
O uso de anti-hipertensivos reduz o risco da Doença de Alzheimer. O risco é ainda menor do que nas pessoas que nem apresentam hipertensão arterial.
Fumo passivo aumenta o risco de demência. Além disso, aumenta o risco de morte prematura, câncer, doenças pulmonares e cardiovasculares. Não precisa nem falar sobre os efeitos do fumo com o cigarro na boca.
** Atividade física é um grande aliado na prevenção da Doença de Alzheimer. Isso não é nenhuma novidade, mas não custa nada lembrar.
O número de pessoas com diabetes tem aumentado dramaticamente e o estilo de vida saudável ainda é a maior arma para lutar contra essa epidemia emergente. Quando falamos em estilo de vida, nada importa tanto como uma dieta saudável e atividade física regular, e um estudo recém-publicado pelo periódico Archives of Internal Medicine revela que morar em locais que facilitam esses bons hábitos pode fazer muita diferença.
O estudo acompanhou 2300 participantes com idades entre 45 e 84 anos, e após cinco anos, 230 novos casos de diabetes tipo 2 foram diagnosticados. Os indivíduos que tinham na vizinhança boas opções para realização de atividade física, além de comércio com oferta de produtos alimentícios saudáveis, apresentaram um risco 38% menor de desenvolver diabetes. Esse menor risco foi independente do nível sócio-econômico, idade, sexo e história familiar de diabetes.
Não é a primeira vez que se demonstra que o local onde moramos pode influenciar nossa saúde. Sabemos que morar à beira de rodovias aumenta o risco de doenças cardiovasculares devido à poluição do ar e pesquisas, tanto nos EUA como no Canadá, revelam que quanto maior o número de restaurantes “fast food” na vizinhança, maior o risco de infarto agudo do coração e derrame cerebral. Já foi também evidenciado que a proximidade de “fast foods” com as escolas está associada ao risco de obesidade nas crianças. Mais alimentação “fast food” tem relação com maior consumo de calorias, gordura, sal, que é um padrão de dieta que aumenta o risco de grande parte das doenças mais sérias e mais temidas pela população, incluindo as doenças cardiovasculares e o câncer.
São muitas as intervenções que podem ser feitas para que cada comunidade tenha um ambiente que ofereça mais condições de se adotar uma vida saudável: 1) construção de calçadas e parques para a realização de atividades físicas; 2) criação de ciclovias e melhoria do transporte público para que as pessoas fiquem menos dependentes de carros; 3) incentivos para estabelecimentos que comercializem frutas, legumes, verduras e peixes; 4) incentivo para que as escolas restrinjam a venda de alimentos industrializados. Vale lembrar que cada comunidade tem muito mais poder nas mãos do que imagina para fazer com que ações dessa natureza sejam concretizadas.






















