You are currently browsing the category archive for the ‘!! ConsCiência no Dia-a-Dia !!’ category.

A epilepsia é uma condição neurológica grave que acomete três milhões de brasileiros e a cada hora, somam-se a este número mais 11 novos casos. Infelizmente, ainda nos dias de hoje, é comum ouvirmos idéias erradas, crenças, especialmente devido ao desconhecimento e ao estigma existente. Por isso, a pessoa com epilepsia tem dificuldade para se inserir na sociedade, formar uma família e até conseguir um emprego. Para mudar esta perspectiva, várias iniciativas têm sido feitas nacionalmente. A ASPE, Assistência à Saúde de Pacientes com Epilepsia, uma ONG- executora da Campanha Global Epilepsia fora das sombras no Brasil – com a missão de promover saúde biopsicossocial para as pessoas com epilepsia e suas famílias, tem realizado desde a sua fundação, atividades que promovem a conscientização social sobre esta condição.
Neste ano de 2010, em parceria com a UNICAMP, FCM, LabJor, CInAPCe, LBE e ZAIOM, promoverá no dia 9 de setembro, às 9:00h, um evento de atualização sobre epilepsia. Participarão desta oficina profissionais altamente qualificados, abordando temas centrais na epilepsia: lacuna de tratamento, medicações, cirurgia, epilepsia na infância, grupos de interação social e estigma. As pessoas podem interagir com os palestrantes, on-line, em forma de pergunta e resposta. Para assistir a transmissão on-line, basta acessar o portal: é www.fcm.unicamp.br/videoconferencia. Para as
pessoas que tiverem interessem em participar da oficina pessoalmente, pedimos que enviem um e-mail para paula@aspebrasil.org para efetuar a inscrição, que é gratuita e limitada.
Programa: 09:00h – Palestra online: Epilepsia sob nova perspectiva
1) Lacuna de tratamento na América Latina. Prof. Dr. Li Li Min, Professor Associado do Departamento de Neurologia da FCM/UNICAMP, Presidente Fundador da ASPE.
2) Medicamentos Genéricos no tratamento da epilepsia. Dr. Veriano Alexandre Jr, Médico da USP-Ribeirão Preto, Presidente da Liga Brasileira de Epilepsia.
3) Tratamento cirúrgico. Prof. Dr. Fernando Cendes, Professor Titular do Departamento de Neurologia da FCM/UNICAMP.
4) Visão do Administrador e departamento de RH sobre epilepsia. Prof. Valdenir Pontes, Administrador de Empresas e Professor da PUC-Campinas.
5) Convulsão Febril e epilepsia na infância. Profa. Dra. Marilisa M. Guerreiro, Professora Titular de Neurologia Infantil do Departamento de Neurologia da Unicamp e Chefe da Disciplina de Neurologia Infantil.
6) Grupos de Interação Social. Dra. Li Hui Ling, Vice-Presidente da ASPE.
7) Estigma na epilepsia. Dra. Paula Fernandes, Presidente da ASPE.
É muito comum as pessoas que apresentam enxaqueca relatarem que costumam ter crises de dor de cabeça quando expostas a determinadas situações, mas pouco foi estudado até o momento no que diz respeito ao tipo de paciente que é mais suscetível a essas situações. Uma pesquisa acaba de ser publicada na última edição da revista Headache, periódico da Academia Americana de Cefaléia, e veio preencher parcialmente essa lacuna no conhecimento sobre a enxaqueca, condição que acompanha cerca de 20% das mulheres e 8% dos homens.
Duzentos pacientes consecutivos (172 mulheres) de um serviço americano especializado em dor de cabeça, e que apresentavam o diagnóstico de enxaqueca, responderam a um questionário que avaliava fatores desencadeantes de suas crises de dor de cabeça, também chamado de gatilhos de crises, além de outras características da enxaqueca.
Os resultados mostraram que 91% dos pacientes reconheciam ao menos um fator que desencadeava suas crises e 82.5% deles reconheciam múltiplos fatores. Os mais citados foram o estresse emocional (59%), privação ou excesso de sono (53.5%), alguns tipos de odores (46.5%) e jejum prolongado (39%). O clima, especialmente o calor, foi mencionado como um fator desencadeante por 19% dos voluntários e 18% identificavam algum alimento, sendo o chocolate, queijos e salsicha os mais lembrados. Outros gatilhos menos comuns foram a exposição à luz e ruídos fortes e o consumo de cafeína.
Entre as mulheres que apresentavam ciclo menstrual, 62% delas relataram que a menstruação era um gatilho de crises. Aquelas que apresentavam enxaqueca associada à menstruação, 67% responderam que suas crises no período menstrual eram mais fortes e duradouras, e também mais difíceis de passar após o uso de analgésicos. Um quarto das mulheres que apresentava enxaqueca apenas no período menstrual tinha ocasionalmente crises com duração superior a três dias, condição conhecida por estado de mal enxaquecoso. A freqüência de crises, assim como o tempo que a pessoa já apresentava o diagnóstico, não foram fatores que influenciaram a sensibilidade aos diferentes estímulos.
Os resultados da presente pesquisa são concordantes com estudos anteriores realizados em diferentes regiões geográficas, em diferentes climas, sugerindo que os gatilhos de crises não são muito diferentes nas diferentes regiões estudadas. A pesquisa reforça ainda a importância de se identificar os gatilhos de crises e tentar evitá-los quando possível, já que isso pode vir a colaborar de forma significativa no controle das crises. Vale ressaltar que não existe uma lista rígida de situações que devem ser evitadas, pois cada pessoa responde de forma diferente a cada uma delas.
A recomendação de pelo menos 150 minutos por semana de atividade física intensa ou moderada é unânime quando o assunto é promoção de saúde. Esses 150 minutos distribuídos em cinco dias por semana dariam meia hora diária de atividade física, o que poderia ser considerado como o MÍNIMO para usufruirmos dos seus inúmeros benefícios à saúde. Além disso, já contamos com boas evidências de que, além dessa meia hora diária, deveríamos evitar ficar muito tempo parado em casa ou no trabalho.
O sedentarismo vai muito além da ausência de exercícios físicos regulares. O termo sedentário tem origem em SEDERE do Latim que significa SENTAR e já existem argumentos coerentes que dariam suporte à mudança do termo “comportamento sedentário” por “comportamento de inatividade muscular”. As pesquisas têm mostrado que o hábito de permanecer longos períodos do dia sem movimentação aumenta o risco de obesidade, diabetes, síndrome metabólica, doenças do coração, câncer, e também está associado a uma menor longevidade. Tudo isso é independente da presença de exercícios moderados a vigorosos. É previsível que essas horas de inatividade muscular sejam ainda mais prejudiciais para quem faz poucos exercícios físicos.
Um novo estudo publicado na última edição do Jornal Americano de Epidemiologia confirma que ficar muito tempo parado realmente não é um bom negócio. Quase 125 mil americanos saudáveis, com uma média de idade de 62 anos, foram acompanhados por 14 anos. No início do estudo, um questionário foi aplicado para quantificar o tempo que cada voluntário costumava ficar sentado por dia fora do horário de trabalho, como por exemplo, o tempo dedicado à TV e à leitura. Foi investigado também o tempo de dedicação a exercícios físicos recreativos (ex: caminhada, corrida) e atividades físicas do dia-a-dia, como fazer compras, jardinagem e outros trabalhos domésticos.
Quem praticava mais esportes não apresentava maior ou menor tendência de permanecer sentado durante o dia. Quando comparado ao grupo de pessoas que ficava sentado por menos de três horas diárias, aquelas que ultrapassavam seis horas apresentavam um aumento de 40% nos índices de mortalidade no caso das mulheres e de 20% no caso dos homens. Essa associação foi mais forte no caso de mortalidade por doenças cardiovasculares do que por câncer, e o risco foi duas vezes maior quando o indivíduo tinha pouca atividade física recreativa. Esses resultados são concordantes com três estudos prévios realizados com Australianos, Canadenses e Japoneses.
É bem reconhecido que o homem contemporâneo passa a maior de seu tempo acordado em estado de inatividade muscular. Mas qual o é o problema em se ficar sentado por longos períodos? Sabe-se que a inatividade muscular interfere numa série de processos metabólicos que podem alterar importantes marcadores de saúde como a pressão arterial, a glicemia, leptina e lipídios, que por sua vez estão associados a problemas como a obesidade e doenças cardiovasculares.
Pelo corpo de evidências que temos até o momento, as recomendações médicas poderiam incluir não só os exercícios físicos regulares, mas também o hábito de se movimentar de forma intermitente durante o dia. Paradas de alguns minutos no trabalho a cada hora para se movimentar, evitar o automóvel quando possível, usar as escadas no lugar do elevador, todas essas são atitudes que podem ter mais influência sobre nossa saúde do que podemos imaginar. Campanhas que estimulem as pessoas a viverem menos sentadas podem ter um grande impacto na saúde pública do nosso país que já tem metade dos seus adultos com excesso de peso.
Um estudo recém-publicado pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, demonstrou que atividades que estimulam o cérebro, como é o caso da leitura e palavras cruzadas, podem reduzir a velocidade de perdas cognitivas associadas ao envelhecimento, mas no futuro, se o indivíduo apresentar um quadro de demência, faz com que a evolução da doença seja mais rápida.
Os pesquisadores acompanharam por um período de doze anos cerca de 1100 americanos com mais de 65 anos de idade e sem o diagnóstico de demência. Os voluntários foram testados do ponto de vista cognitivo e interrogados quanto ao nível de participação em atividades mentais estimulantes como leitura, jogos e passeios dedicados a atividades culturais. Aqueles que apresentaram mais atividades estimulantes eram os que tiveram menores perdas cognitivas ao longo dos anos. Esse efeito já havia sido demonstrado anteriormente e o que a atual pesquisa trouxe de novo foi a evidência de que os indivíduos com o diagnóstico da Doença de Alzheimer tiveram uma evolução mais rápida da doença quando tinham um histórico de muita atividade estimulante antes do diagnóstico.
Os resultados sugerem que um idoso que estimula bastante o cérebro, mesmo que já apresente lesões cerebrais silenciosas associadas a doenças que levam à demência, conseguirá manter seu desempenho cerebral normal por mais tempo que aquele com pouca estimulação. Neste caso, o estado de equilíbrio cerebral tem o seu limite. Quando um cérebro bem estimulado começar a apresentar sintomas de uma síndrome demencial, o contingente de alterações cerebrais já é maior do que nos cérebros pouco estimulados, e por isso, a evolução da doença tenderá a ser mais rápida. Isso nos faz pensar na estimulação cerebral como uma estratégia que não evita o aparecimento de uma síndrome demencial como a Doença de Alzheimer, mas uma forma de se viver mais tempo com o cérebro funcionando bem, sem sintomas da doença.
Uma lei que exige que crianças com idades entre 4 e 6 anos se acomodem no carro em um assento de elevação no banco traseiro é capaz de reduzir o número de lesões em caso de acidentes. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na última edição da revista Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria.
O estado de Nova Iorque implantou essa lei no ano de 2005 e recomenda o uso dos assentos para crianças maiores de 4 anos ou com peso acima de 18 Kg, quando a criança já não cabe nas cadeirinhas, mas ainda são muito pequenas (<1.44m) para se posicionarem de forma apropriada no cinto de segurança. Depois que a lei entrou em vigor, houve um aumento de 72% no uso dos assentos de elevação e uma redução de 18% dos casos de crianças de 4 a 6 anos com ferimentos por acidentes de carro. Nesse mesmo período, não houve redução dos casos de ferimento em crianças menores de 3 anos, faixa etária que não é influenciada pela lei.
Os resultados mostram que esse tipo de lei funciona, pelo menos entre os americanos, e devem ajudar os pais a se convencerem que esses assentos realmente protegem as crianças.
E o que fazer com as crianças menores de 4 anos?
A habitual recomendação de segurança para as crianças dentro do carro é a de que até um ano de idade de idade, ou 9-13 kg, elas devem andar em cadeirinhas voltadas para o vidro traseiro, e a partir de um ano de idade as cadeirinhas já podem ser voltadas para o vidro dianteiro. Entretanto, há várias evidências de que as crianças ficam mais protegidas dentro do carro em cadeirinhas voltadas para o vidro traseiro até pelo menos os quatro anos de idade.
A cabeça dos bebês e crianças pré-escolares é relativamente maior que a do adulto quando se leva em conta a proporção para o peso corporal. Esse fator, associado à imaturidade das estruturas da coluna cervical, faz com que essas crianças sejam mais vulneráveis a lesões da medula espinhal caso sofram um acidente, especialmente se estiverem voltadas para o vidro dianteiro. As evidências de maior segurança das cadeirinhas em que a criança olha para o vidro traseiro, mesmo após um ano de idade, vão desde estudos experimentais até estatísticas de acidentes com crianças nos EUA e na Europa.
E isso tudo é novidade? Na Suécia, 75% das crianças com menos de três anos de idade andam de carro olhando para o vidro traseiro. A Academia Americana de Pediatria recomenda desde o ano de 2002 que as crianças só devem abandonar cadeiras voltadas pra o vidro traseiro quando ultrapassarem o limite de peso recomendado ou quando a altura da cabeça ultrapassar a altura do banco dianteiro.
A conscientização dos pais é uma das peças-chave para mudanças de atitude e nesse processo. É comum os pais terem a percepção de que voltar a cadeira para a frente do carro é um sinal de progresso no desenvolvimento dos filhos. É importante também que os fabricantes das cadeiras infantis façam sua parte disponibilizando no mercado cadeiras apropriadas e instruções de instalação precisas. Não faz muito tempo que o Inmetro avaliou seis diferentes cadeiras disponíveis no mercado brasileiro e todas as seis tinham alguma inconformidade, seja por não serem aprovadas no teste mais crítico de todos que é o ensaio de impacto (capacidade da cadeira reter a criança em caso de freada violenta), seja por não atenderem às normas mínimas de instrução de instalação e utilização
Quanto à legislação, o Código de Trânsito Brasileiro só exigia que as crianças andassem no banco de trás (Artigo 64), e não fazia menção ao uso de cadeiras infantis. Em 2008, foi publicada a resolução 277 do Contran que insere a obrigatoriedade da cadeira infantil, mas quem desrespeitar a regra só será multado a partir de 1º de setembro de 2010. Entretanto, a resolução orienta o uso da cadeirinha voltada para a frente. Já é bem reconhecido, que em caso de acidente, as cadeiras reduzem o risco de lesão moderada ou grave em 78% quando voltadas para a frente do carro e 93% quando voltadas para trás.
CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto no CBN Saúde veiculado no dia 20 de agosto 2010
A revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, acaba de publicar uma pesquisa apontando que adolescentes com maus hábitos de vida têm dores de cabeça com maior freqüência e que essa associação é mais forte nos casos de dor do tipo enxaqueca.
Cerca de seis mil noruegueses com idades entre 13 e 18 anos foram estudados através de avaliação clínica e de um questionário que abordava a prática de atividade física e a presença ou não de tabagismo. Os resultados mostraram que sedentarismo, sobrepeso e tabagismo estavam associados de forma independente à freqüência de dor de cabeça experimentada pelos adolescentes. Além disso, esses fatores tinham efeito aditivo: os que apresentavam dois ou três fatores tinham mais dor de cabeça do que aqueles que possuíam apenas um deles.
Enxaqueca é uma disfunção cerebral com forte componente genético e que sofre grande influência de fatores ambientais, já que vários estímulos são capazes de disparar as crises de dor de cabeça. A resposta a cada estímulo é muito individual e por isso é desejável que cada indivíduo identifique os fatores que provocam suas crises e tente evitá-los. Para alguns, o contato com a fumaça do cigarro representa um forte componente desencadeador. Quanto ao exercício físico, alguns portadores de enxaqueca até têm crises por ele provocadas, mas também é bem reconhecido que é um grande aliado para o controle de crises de enxaqueca. Sabe-se também que o sobrepeso está associado a crises de enxaqueca mais freqüentes e o presente estudo foi o primeiro a demonstrar que esse efeito ocorre também entre os adolescentes.
De uma forma geral, qualquer atitude que promova um melhor estado de equilíbrio do corpo e da mente pode ajudar a evitar crises de enxaqueca de quem sofre do problema. E esse problema não tem nada de pequeno. Cerca de 20% das mulheres e quase 10% dos homens têm enxaqueca e a Organização Mundial da Saúde a classifica como a 19ª doença que mais leva à incapacidade funcional das pessoas em países desenvolvidos. No caso da mulher, ela fica em 12º lugar.
Esta semana, o periódico da Associação Médica Americana, Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine, publicou em sua versão online os resultados de uma pesquisa que revelou que o uso patológico da internet aumenta a chance de um adolescente vir a desenvolver depressão.
Mais de mil adolescentes chineses sem evidências de transtornos psiquiátricos foram acompanhados ao longo de 9 meses com aplicação de escalas de ansiedade, depressão e de avaliação do padrão de uso da internet. Essa última escala é baseada em conceitos e comportamento encontrados no transtorno de jogo patológico e envolvia perguntas como: “ Qual a freqüência que você se sente nervoso ou deprimido quando fica fora da rede e os sintomas logo melhoram quando volta a ficar conectado?”.
A maioria dos adolescentes (93.6%) foi classificada como usuários normais e 6.4% deles apresentavam perfil de vício moderado ou severo. O uso mais comum da internet foi para diversão (45%), seguido por busca de informação (28.1%) e comunicação com amigos (26.4%). Os adolescentes com comportamento patológico tinham uma tendência maior a usar a internet para diversão do que para busca de informação. Após os 9 meses de acompanhamento, 8.4% dos adolescentes apresentaram scores altos na escala de depressão e esse risco era mais de duas vezes maior entre aqueles considerados viciados na internet.
O uso patológico da internet tem sido reconhecido como um comportamento que está associado a sinais e sintomas comuns a outros tipos de vícios. Os estudos têm demonstrado crescentes índices desse problema que afeta mais frequentemente os meninos, especialmente aqueles com personalidade introvertida. Esses números chegam a uma prevalência de mais de 10% dos adolescentes, dependendo da população estudada. Várias condições clínicas têm sido associadas ao uso excessivo da internet como é o caso de comportamento agressivo e depressão. O atual estudo deu uma grande contribuição ao corpo de evidências que já existia sobre a relação entre vício na internet e depressão por ter sido seguido os adolescentes ao longo dos meses, o que favorece qualquer tipo de conclusão do tipo causa e efeito.
Conceitualmente, a dependência à Internet é vista como um transtorno compulsivo-impulsivo que envolve o uso exagerado da rede de computadores e já se reconhece pelo menos três variantes principais de vício: jogos, conteúdo sexual e correio eletrônico. Essas diferentes variantes têm quatro características em comum: 1) uso excessivo, com os usuários chegando a negligenciar outras atividades; 2) abstinência, com os usuários apresentando comportamento de ansiedade, irritabilidade, depressão quando não têm acesso ao computador ; 3) tolerância, sendo este o fenômeno de precisar de um número cada vez maior de horas na Internet e/ou necessidade de equipamentos cada vez mais sofisticados; 4) repercussões negativas, com os usuários chegando a apresentar comportamento de evitação social e isolamento. Em alguns países como a Coréia do Sul e a China o problema já tomou proporções alarmantes demandando políticas públicas na tentativa de controlar o uso abusivo da Internet, especialmente entre os jovens.
Vamos ficar de olho nos hábitos eletrônicos de nossas crianças e adolescentes!
** CLIQUE AQUI e confira o bate-papo no CBN Saúde sobre o assunto veiculado em 6 de agosto 2010
Uma pesquisa publicada hoje pelo British Medical Journal revela que o uso de suplementos de cálcio pode aumentar o risco de infarto do coração. Os pesquisadores analisaram 11 grandes estudos sobre os efeitos da suplementação de cálcio sem a vitamina D, o que no conjunto envolvia 12 mil pacientes. Esse tipo de suplemento é frequentemente indicado para pessoas com diagnóstico de rarefação óssea (osteoporose), especialmente os idosos. Os achados foram consistentes nas diversas pesquisas avaliadas e os resultados mostraram um aumento de 30% no risco relativo de ataque do coração entre os indivíduos que faziam uso de suplementos de cálcio após um tempo médio de consumo de 3.6 anos. Por outro lado, o uso dos suplementos não aumentou o risco de derrame cerebral nem os índices de mortalidade geral.
Devemos entender esse aumento de 30% no risco de infarto como modesto. Entretanto, devido à ampla utilização dos suplementos de cálcio pelos idosos, do ponto de vista de saúde pública, os resultados deixam de ser modestos. Além disso, o corpo de evidências científicas mostra que o poder da suplementação de cálcio em reduzir o risco de fraturas, associada ou não à vitamina D, é muito pequeno. E prevenir fraturas é o principal objetivo desse tipo de tratamento. Para cada mil pessoas tratadas por 5 anos com suplementos de cálcio, previne-se 26 fraturas, mas promove um aumento de 14 casos de infarto do coração, 10 de derrame cerebral e 13 mortes nesse mesmo período.
Os resultados sugerem que os critérios de indicação de suplementos de cálcio para indivíduos portadores de osteoporose devem ser reavaliados. Vale ressaltar que aqueles que fazem uso dos suplementos não devem abandoná-los sem orientação médica. Exercício físico, manter o peso em dia e fugir do cigarro são ótimas armas contra a osteoporose. Quanto ao cálcio da dieta, não há motivos para preocupação: não há evidências de que dietas ricas em cálcio aumentem o risco de doenças do coração.
CLIQUE aqui e ouça um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira
veiculado na Rádio CBN no dia 30 julho de 2010
Já é consenso que as crianças não devem ser expostas a mais do que duas horas por dia às mídias eletrônicas, e isso inclui não só a TV, mas também videogames, DVDs e o uso do computador para atividades não escolares. Sabe-se que as crianças que passam desse limite têm mais chance de apresentar comportamento violento, início precoce da vida sexual, transtornos alimentares, obesidade, assim como maior risco de consumir álcool e cigarro.
A literatura científica reconhece que o nível de exposição das crianças às mídias eletrônicas também está associado a problemas de atenção, como é o caso do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que pode levar a um maior risco de comportamento agressivo e prejuízo do desempenho escolar. Essa associação já havia sido bem demonstrada no caso da TV e uma pesquisa recém-publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria – Pediatrics – demonstrou que o excesso do uso de videogame também pode contribuir para dificuldades de atenção entre as crianças.
Cerca de 1300 crianças americanas com idades entre seis e doze anos (média:9.6 anos) foram estudadas por um período de 13 meses. Tanto as crianças como seus pais eram interrrogados periodicamente quanto ao tempo que se dedicavam à TV e ao videogame. Os professores dessas crianças também eram interrogados quanto ao grau de dificuldade de atenção das crianças na sala de aula através de três perguntas (1- A criança tem dificuldade de se manter concentrada na tarefa?; 2- A criança tem dificuldade em prestar atenção? ; 3- A criança atrapalha o trabalho das outras?). Foi acompanhado também um grupo de 210 adolescentes e adultos jovens e estes eram interrogados quanto ao tempo de exposição à TV e ao videogame, além de suas queixas de atenção. Os resultados apontaram que altos níveis de exposição à TV assim como ao videogame aumenta a chance das crianças apresentarem problemas de atenção. Essa relação estava presente com a mesma magnitude tanto nas crianças quanto nos adolescentes e adultos jovens, e não houve diferença entre os sexos em ambos os grupos.
Uma das hipóteses para explicar esses resultados é o fato do conteúdo da TV e dos videogames serem tão excitantes que as crianças teriam mais dificuldade em se sentirem atraídas por outras atividades que não “excitam” tanto o cérebro, como os trabalhos de escola. Outra forma de entender esse efeito da mídia é a rapidez de mudança no foco de atenção nos videogames e programas de TV, que pode fazer que com o tempo o cérebro se desacostume a situações que exijam atenção mais sustentada. Teoricamente, existem boas razões para se acreditar que os games e programas de TV com conteúdos mais educativos e menos agitados e violentos devem provocar menos problemas de atenção.
CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira
veiculado na Rádio CBN no dia 23 de julho 2010

Estão abertas, de 26/07/2010 a 23/08/2010, as inscrições para o Mestrado em Divulgação Científica e Cultural, oferecidos pelo LABJOR – Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, da Unicamp.
Mais informações no edital, disponível no site do LABJOR.
Um estudo publicado na última edição do periódico Archives of Internal Medicine aponta que a vitamina D é um nutriente que faz diferença para o funcionamento do cérebro ao longo do envelhecimento.
Cerca de 850 italianos com mais de 65 anos de idade foram acompanhados por um período de seis anos e foram submetidos a medidas da concentração de vitamina D no sangue, além de testes cognitivos, especialmente de atenção e funções executivas. Aqueles que tinham acentuada deficiência de vitamina D tinham uma chance 60% maior de apresentarem declínio da capacidade cognitiva quando comparados aos idosos com níveis normais da vitamina. Sabe-se que a vitamina D está associada à expressão de diferentes proteínas e células essenciais para a função cerebral e seu efeito de proteção cerebral pode ser explicado também pelo seu papel no metabolismo do cálcio e pela sua capacidade de inibir depósitos de substâncias que estão associadas à Doença de Alzheimer. Esse melhor desempenho cerebral com níveis maiores de vitamina D também foi recentemente demonstrado em homens de meia idade.
Até há muito pouco tempo atrás, quando se falava em deficiência de vitamina D pensava-se somente nas suas conseqüências aos ossos. Hoje já sabemos que ela além de influenciar o funcionamento cerebral, também está associada a outros problemas de saúde como o diabetes, as doenças cardiovasculares, e até mesmo alguns tipos de câncer. Vale lembrar que alimentos como gema de ovo, fígado e peixes oleosos são ricos em vitamina D. Entretanto, 90% dessa vitamina é produzida pela pele durante a exposição ao sol. Estima-se que minutos de sol por dia são suficientes para manter a vitamina D em níveis suficientes.
Já é consenso que a indicação de terapia de reposição hormonal [TRH] para a melhora de sinais e sintomas da menopausa deve ser restrita a mulheres com sintomas moderados a severos e utilizada pelo menor tempo e com a mínima dose possíveis. Essas recomendações são decorrentes do fato de que a TRH prolongada eleva o risco de câncer de mama, trombose nas veias e derrame cerebral. Entretanto, essas informações têm origem em estudos que analisaram a TRH por via oral e ainda não se sabe se por via transdérmica (adesivos na pele) o tratamento também oferece riscos às mulheres. Teoricamente, as repercussões biológicas do hormônio por via transdérmica sobre o sistema vascular são diferentes das formulações orais, especialmente por não terem passagem pelo fígado após sua absorção.
Uma pesquisa publicada neste mês pelo British Medical Journal revela que a TRH quando utilizada por via transdérmica e com baixas doses do hormônio estrogênio não aumenta o risco de derrame cerebral. Foram analisados os registros de ocorrência de derrame cerebral de 870 mil mulheres inglesas com idades entre 50 a 79 anos de idade num período de 20 anos. Quase 16 mil mulheres apresentaram diagnóstico de derrame cerebral nesse período e elas foram comparadas a um grupo controle de 60 mil mulheres sem história de derrame. Diversas características dessas mulheres foram analisadas, incluindo a exposição à TRH. O tipo de hormônio utilizado foi dividido nas seguintes categorias: estrogênio, progesterona, estrogênio associado a progesterona, tibolona. O hormônio do tipo estrogênio foi classificado ainda quanto à sua forma de administração – oral ou transdérmica – e quanto à dose – baixa ou alta.
Os resultados mostraram que o uso de TRH por via transdérmica com baixas doses de estrogênio, com ou sem progesterona, não aumentou o risco de derrame cerebral, mas com altas doses o risco foi maior. Já a TRH por via oral foi associada a uma maior chance de derrame cerebral, com altas ou baixas doses de estrogênio, com ou sem progesterona. A TRH por via oral apenas com estrogênio ofereceu maior risco de derrame do que quando associada à progesterona. Além disso, quanto maior o tempo de uso, maior também foi o risco.
As pesquisas têm apontado que a TRH por via transdérmica é considerada tão eficaz quanto as formulações por via oral para a melhora dos sintomas associados à menopausa. O presente estudo sugere que do ponto de vista cerebrovascular a TRH transdérmica com baixas doses de estrogênio é uma alternativa segura para melhorar os sintomas associados à menopausa. Já há evidências também de que por via transdérmica a chance de trombose das veias também é menor. Esses resultados não são definitivos e ainda são necessários novos estudos que confirmem a segurança desse tipo de tratamento.
O British Medical Journal publicou recentemente uma pesquisa revelando que mulheres grávidas que moram próximas a uma estação de telefonia celular não apresentam maior chance de terem filhos com câncer. Foram estudadas 1400 crianças inglesas com diagnóstico de câncer e os resultados mostraram que elas não moravam mais perto dessas torres quando comparadas a um grupo controle de mais de cinco mil crianças sem o diagnóstico de câncer. Vale lembrar que o nível de exposição às ondas de radiofrequencia geradas por essas torres é bem menor que a do próprio telefone celular, e por isso, o risco do uso dos aparelhos é teoricamente maior.
Ainda no ano de 2010, foi publicado o estudo multicêntrico INTERPHONE que envolveu mais de cinco mil pacientes com tumores cerebrais de treze diferentes países. Essa pesquisa demonstrou que não há associação entre o uso do celular e a chance de apresentar tumores cerebrais. Entretanto, os resultados apontaram uma leve tendência de tumores do tipo glioma nos 10% dos indivíduos que mais usavam o celular.
Em 2008, foi publicada uma metanálise, que é um tipo de balanço geral de todos os estudos realizados até então, evidenciando que o uso do celular ao longo prazo aumenta o risco de tumores cerebrais (Hardell et al., Int J Oncol 2008). No mesmo ano de 2008, uma série de neurocirurgiões de grande renome mundial passou a se manifestar afirmando que a tarefa de provar definitivamente que o celular causa tumor cerebral é só uma questão de tempo, já que uma lesão dessa natureza precisa de pelo menos dez anos para se desenvolver. Além disso, o jornal oficial da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia em conjunto com outras sociedades de neurocirurgia de nível internacional, conclamou em 2008 a cooperação da sociedade científica com os órgãos governamentais para tirar essa história a limpo, devido à potencial gravidade da situação.
Tanto se reconhece os potenciais riscos à saúde do telefone celular que vários países europeus recomendam restrições ao seu uso. O último documento da Organização Mundial da Saúde sobre o tema (maio 2010) afirma que ainda não há evidências satisfatórias de aumento de doenças decorrentes do uso do celular, mas enfatiza que os estudos ainda estão sendo conduzidos para avaliar seus riscos ao longo prazo. Em 2009 já havia cerca de 4.6 bilhões de usuários ao redor do mundo. Em Brasília há mais de um celular por habitante. Quem viver verá o resultado dessa polêmica.
Obs: Se o telefone celular causa tumor cerebral ou não, isso ainda é uma pergunta em aberto. Porém, já se reconhece que dirigir usando o celular é tão arriscado quanto dirigir embriagado. Pesquisa recente mostra que 28% dos acidentes de carro nos EUA são decorrentes do uso do celular.
CLIQUE AQUI e confira bate-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira
A indústria alimentícia frequentemente faz uso de personagens populares do cinema ou televisão nas embalagens de produtos destinados às crianças. São raríssimos os estudos que tenham investigado se esses personagens influenciam a preferência das crianças por um determinado alimento e uma pesquisa recém-publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria aponta que as crianças realmente dão preferência a alimentos com embalagens de personagens infantis.
Pesquisadores da Universidade de Yale nos Estados Unidos estudaram 40 crianças com idades entre 4 e 6 anos. As crianças provaram 3 tipos de alimentos (biscoito, jujuba e cenoura), que eram-lhes apresentados em pares idênticos, sendo um deles com embalagem de um personagem popular de cartoon (Shrek, Scooby Doo, Dora a Eploradora) e o outro sem qualquer personagem. Após experimentarem cada um dos alimentos, com e sem embalagem dos cartoons, as crianças eram interrogadas: “Você acha que esses dois alimentos têm o mesmo gosto? “ No caso de acharem diferentes, perguntava-se às crianças: “Qual dos dois é o mais gostoso? Qual dos dois você escolheria?” Para 50-55% das crianças, o produto da embalagem com cartoon era mais gostoso, 25-37.5% não declararam preferência e 7-25% indicaram que o produto sem o apelo do cartoon era melhor. No caso da cenoura, não houve diferença estatisticamente significativa entre os que gostavam mais dos alimentos com embalagens com cartoon. 72.5% a 87.5% das crianças responderam que escolheriam o produto com cartoon, um número maior que aqueles que julgavam o produto com cartoon mais gostoso.
Os pesquisadores concluem que os cartoons não parecem ser uma boa estratégia para incentivar o consumo de frutas e verduras entre as crianças, já que no presente estudo, as crianças não julgaram as cenouras com embalagens infantis mais gostosas. Concluem também que é necessária a implantação de algum tipo de regulamentação para o uso de personagens infantis em alimentos pouco nutritivos e com alto teor calórico. Esse tipo de ação pode ajudar a controlar os crescentes índices de sobrepeso e obesidade entre as crianças.
Nesta semana, o British Medical Journal publicou uma pesquisa revelando que pessoas obesas têm uma vida sexual de qualidade inferior, sugerindo que esses dois problemas andam juntos num círculo vicioso.
A pesquisa foi conduzida na França e envolveu mais de 12 mil homens e mulheres com idades entre 18 e 69 anos. Os resultados mostraram que as mulheres obesas tinham uma chance 30% menor de ter um parceiro sexual nos 12 meses anteriores à pesquisa e tinham menos convicção de que o sexo representa uma questão importante para suas vidas. Além disso, as mulheres obesas conheciam mais frequentemente seus parceiros pela internet e era mais comum que esses parceiros fossem obesos também. O resultado mais preocupante do estudo foi o fato das mulheres obesas, com idades entre 18 e 29 anos, usarem métodos anticoncepcionais com menor freqüência e ainda apresentarem um risco quatro vezes maior de gravidez indesejada.
Já no caso dos homens, os obesos tinham uma chance 2.6 vezes maior de apresentarem disfunção erétil e apresentavam um maior risco de infecções sexualmente transmissíveis e comportamento sexual de risco. Os homens se enxergavam como obesos de forma menos comum do que as mulheres, e de uma forma geral, os efeitos da obesidade sobre a saúde sexual foram mais significativos nas mulheres, o que pode ser explicado pelo fato delas enfrentarem um estigma maior associado à obesidade.
O estudo francês serve de estímulo para que se investigue o impacto da obesidade na vida sexual de outras culturas. Deve também servir de alerta aos médicos de que a saúde sexual dos obesos merece uma atenção redobrada. É difícil imaginar um médico que não concorde que a sexualidade seja uma dimensão da experiência humana de grande importância para a promoção da saúde. Entretanto, pouco se conversa sobre esse tema no dia-a-dia das consultas médicas, pois nem os médicos, nem os pacientes, sentem-se muito à vontade. Da mesma forma, muitos médicos deixam de orientar seus pacientes a controlar o peso, por temerem que os pacientes possam se sentir melindrados, especialmente as mulheres.
Já é consenso que as crianças não devem ser expostas a mais do que duas horas por dia às mídias eletrônicas, e isso inclui não só a TV, mas também videogames, DVDs e o uso do computador para atividades não escolares. Atingir essa meta nem sempre é uma tarefa fácil para os pais, mas um estudo recém-publicado pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria aponta que quando os pais determinam regras consistentes para o uso dessas mídias, fica mais fácil conseguir que as crianças não excedam o limite.
Os pesquisadores estudaram o comportamento de mais de sete mil crianças americanas com idades entre 9 e 15 anos, especialmente quanto ao tempo dedicado em frente às telas eletrônicas, regras impostas pelos pais, e o nível de atividade física. Os pais também foram interrogados quanto à freqüência que determinavam limites às crianças.
Os resultados revelaram que mais de 27% das crianças excediam o tempo de duas horas de mídia por dia, sendo que os meninos, crianças negras e de menor renda familiar, aquelas que tinham TV por assinatura em casa, estas tinham uma tendência maior em ultrapassar o limite. Entretanto, o estudo demonstrou que as crianças que assumiam que os pais determinavam limites para o uso da TV e outras mídias eletrônicas, estas apresentavam menos chance de exceder as duas horas diárias. Além disso, as crianças que eram mais envolvidas em atividades físicas passavam menos tempo em frente às telas eletrônicas.
Essa pesquisa sugere que iniciativas que encorajem os pais a definir limites e que estimulem a prática de atividade física podem ser efetivas para a redução da exposição às mídias eletrônicas entre crianças de 9 a 15 anos de idade. O limite de duas horas tem sua razão de existir, já que crianças muito expostas ao vídeo têm um pior desempenho escolar, maior chance de comportamento agressivo e iniciação sexual precoce, assim como uma maior tendência a sobrepeso, obesidade, transtornos alimentares e hipertensão arterial. Vale lembrar que quando os pais dão o exemplo, é mais fácil atingir qualquer objetivo com as crianças.
Estima-se que mais da metade das pessoas expostas ao fumo passivo apresentam algum tipo de repercussão biológica da exposição ao cigarro. Já é bem reconhecido que ele aumenta o risco de uma série de doenças como o câncer, doenças pulmonares, infarto do coração, demência e derrame cerebral. Os danos causados pela exposição à fumaça dos outros chega a afetar até mesmo a saúde mental, é o que aponta uma pesquisa publicada na última edição do periódico Archives of General Psychiatry.
Mais de 5000 escoceses saudáveis e não-fumantes, com uma média de idade de 50 anos, foram estudados por seis anos. Cerca de 2500 fumantes, com uma média de idade de 45 anos, também foram acompanhados nesse período. O nível de exposição à fumaça do cigarro foi demonstrado pela concentração de cotinina no sangue, subproduto da nicotina que é bem validado como marcador da exposição à fumaça do cigarro. Os não fumantes que apresentaram as maiores concentrações de cotinina (0.7 a 15 microgramas por litro) tiveram uma chance significativamente maior de serem classificados como portadores de estresse emocional, condição definida por uma escala bem validada que avaliava sintomas de ansiedade, depressão, percepção do grau de felicidade e qualidade do sono (Questionário Geral de Saúde).
Além disso, durante os seis anos de acompanhamento, 41 voluntários do estudo foram admitidos em hospitais psiquiátricos por diversas razões, tais como depressão, confusão mental, entre outras. Tantos os fumantes como os não fumantes com altas concentrações de cotinina apresentaram maior chance de buscarem um serviço psiquiátrico do que os não fumantes com baixos níveis de cotinina.
Os resultados são concordantes com estudos experimentais em que ratinhos expostos à nicotina no período da adolescência têm mais chance de desenvolver um comportamento apático e tornam-se mais vulneráveis a situações de estresse em fases mais avançadas da vida. Pesquisas em humanos também têm demonstrado uma associação entre tabagismo e a depressão.
Mas será mesmo a fumaça do cigarro leva a um aumento de problemas mentais ou seria o contrário? Poderíamos explicar essa associação pela maior chance de pessoas com problemas mentais de freqüentar ambientes com exposição ao cigarro. Essa foi a primeira vez que uma pesquisa demonstra uma associação entre o fumo passivo e prejuízos à saúde mental em um estudo prospectivo, o que reduz sobremaneira a chance dessa segunda hipótese ser a melhor explicação.
CLIQUE AQUI e confira bate-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira
A exposição a agrotóxicos organofosforados tem sido associada a uma série de efeitos adversos no desenvolvimento cerebral das crianças, como é o caso de problemas na capacidade cognitiva e no comportamento. As crianças realmente são mais vulneráveis aos efeitos desses pesticidas, primeiro por apresentarem um cérebro ainda em formação e também porque, por apresentarem menor peso, é maior a concentração relativa dessas substâncias no corpo quando comparado aos adultos. Além disso, as crianças têm um menor contingente de enzimas desintoxicantes.
Entre as crianças, a dieta é uma das principais fontes de contato com os agrotóxicos e as evidências dos seus riscos neurotóxicos têm origem em estudos que avaliaram populações com altos níveis de exposição aos pesticidas. Uma nova pesquisa publicada na última edição do jornal oficial da Academia Americana de Pediatria demonstrou que mesmo níveis habituais de agrotóxicos presentes no cotidiano da maioria das pessoas podem exercer mudanças no cérebro das crianças, aumentando a chance delas apresentarem o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Mais de 1100 crianças americanas com idades entre 8 e 15 anos foram estudadas. Os pais responderam a um questionário para diagnóstico de TDAH que revelou que cerca de 10% das crianças preenchiam os critérios diagnósticos necessários. As crianças foram submetidas a uma análise da concentração de traços de agrotóxicos na urina e os resultados apontaram que quanto maior essa concentração maior a chance das crianças serem classificadas como portadoras de TDAH. Aquelas que tinham a concentração desses elementos acima da média dos participantes tinham duas vezes mais chances de apresentar o diagnóstico quando comparadas às que não tinham sinais dos pesticidas na urina.
É importante ressaltar que as crianças incluídas no estudo representavam uma amostra aleatória e representativa da população americana, diferente dos estudos que o precederam, que avaliaram o efeito da superexposição aos agrotóxicos como, por exemplo, inalação de pesticidas por mulheres grávidas. A maior contribuição dessa pesquisa foi ter demonstrado que não só doses altas de organofosforados têm associação com a chance de uma criança apresentar TDAH, mas mesmo a exposição “inocente” a essas substâncias no cotidiano pode contribuir para o desenvolvimento do problema.
E quando se pensa na dieta das crianças, não são apenas os agrotóxicos que podem ter impacto no cérebro das crianças. Alguns estudos têm chamado a atenção de que alimentos com aditivos artificiais podem piorar os sintomas entre crianças com o diagnóstico de TDAH e também podem aumentar a chance de sintomas de hiperatividade, impulsividade e desatenção entre aquelas não portadoras de TDAH.
É isso aí. Essas são informações que devem provocar uma reflexão sobre o tipo de alimentação que estamos oferecendo às nossas crianças.
CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira
Um estudo publicado na última edição do British Medical Journal revela que indivíduos que não têm uma higiene oral satisfatória apresentam até 70% mais risco de problemas do coração, especialmente infarto e angina, quando comparados àqueles que escovam os dentes duas vezes por dia. Mais de 11 mil escoceses foram estudados quanto aos seus hábitos de vida, tais como higiene oral, tabagismo e atividade física.
Os resultados mostraram que 62% dos voluntários do estudo visitavam o dentista a cada seis meses e 71% escovavam os dentes pelo menos duas vezes ao dia. Aqueles que não escovavam os dentes, ou raramente o faziam, apresentavam níveis mais altos de marcadores de inflamação do sangue, como a proteína C-reativa e fibrinogênio, acompanhado também de um risco aumentado de eventos cardíacos.
Já é bem reconhecido que os níveis de inflamação do corpo, incluindo inflamação da boca e gengiva, estão associados ao risco de aterosclerose e eventos cardiovasculares, como o infarto do coração e derrame cerebral, além de alterações cerebrais discretas que influenciam as funções intelectuais. A atual pesquisa confirma resultados anteriores de que uma pobre higiene oral, além de ser uma das principais causas de perda dentária, também influencia outros órgãos do nosso corpo, como é o caso do coração.
O padrão normal do sono entre idosos ainda é uma questão polêmica e a principal razão é o fato de que algumas pesquisas incluem em suas análises idosos com problemas de saúde, enquanto outros estudos só analisam indivíduos saudáveis. Isso faz toda a diferença, pois a presença de uma doença crônica pode ser o suficiente para fazer com que o idoso tenha uma tendência a dormir mais.
Uma das poucas pesquisas realizadas até o momento para analisar o padrão de sono entre idosos sem qualquer tipo de doença foi feita em Brasília, pesquisa esta liderada pelo geriatra Einstein Camargos do Centro de Medicina do Idoso da Universidade de Brasília. O estudo demonstrou que entre idosos moradores de Brasília, sem qualquer problema de saúde ou uso de medicamentos, quase 90% deles tinham um sono de boa qualidade, qualidade medida por um instrumento de análise subjetiva do sono. Os resultados são diametralmente opostos aos encontrados nos estudos que incluem pessoas doentes.
A pesquisa de Brasília revelou que os idosos dormem uma média de 6.8 horas por noite, cerca de uma hora a menos de sono da população de adultos no Brasil. Quase 90% iam para a cama após as 22:00h, contrariando a crença de que os idosos dormem com as galinhas, e a maioria não tinha dificuldade em pegar no sono, dormiam em menos de meia hora. Cerca de metade dos idosos estudados levantava-se uma ou mais vezes durante a noite e ainda tirava cochilos durante o dia.
Os resultados são concordantes com estudos internacionais que nos demonstram cada vez mais que os idosos realmente precisam de um pouco menos de sono noturno para se sentirem dispostos durante o dia. A situação de um idoso que está dormindo demais deve sempre levantar a suspeita de que um problema de saúde pode ser a razão para esse comportamento. Além das doenças, devemos sempre estar atentos ao fato de que idosos pouco estimulados com atividade física, lazer e convívio social, estes costumam ter mais problemas de sono. Quando se pensa em insônia crônica, deve-se lembrar que esse é um problema que está associado a um maior risco de diabetes, obesidade e doenças vasculares, como o infarto do coração e o derrame cerebral.
CLIQUE AQUI e confira matéria do jornal Correio Braziliense sobre o tema com o Dr. Ricardo Teixeira





















