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Nesta semana, o British Medical Journal publicou uma pesquisa revelando que pessoas obesas têm uma vida sexual de qualidade inferior, sugerindo que esses dois problemas andam juntos num círculo vicioso.
A pesquisa foi conduzida na França e envolveu mais de 12 mil homens e mulheres com idades entre 18 e 69 anos. Os resultados mostraram que as mulheres obesas tinham uma chance 30% menor de ter um parceiro sexual nos 12 meses anteriores à pesquisa e tinham menos convicção de que o sexo representa uma questão importante para suas vidas. Além disso, as mulheres obesas conheciam mais frequentemente seus parceiros pela internet e era mais comum que esses parceiros fossem obesos também. O resultado mais preocupante do estudo foi o fato das mulheres obesas, com idades entre 18 e 29 anos, usarem métodos anticoncepcionais com menor freqüência e ainda apresentarem um risco quatro vezes maior de gravidez indesejada.
Já no caso dos homens, os obesos tinham uma chance 2.6 vezes maior de apresentarem disfunção erétil e apresentavam um maior risco de infecções sexualmente transmissíveis e comportamento sexual de risco. Os homens se enxergavam como obesos de forma menos comum do que as mulheres, e de uma forma geral, os efeitos da obesidade sobre a saúde sexual foram mais significativos nas mulheres, o que pode ser explicado pelo fato delas enfrentarem um estigma maior associado à obesidade.
O estudo francês serve de estímulo para que se investigue o impacto da obesidade na vida sexual de outras culturas. Deve também servir de alerta aos médicos de que a saúde sexual dos obesos merece uma atenção redobrada. É difícil imaginar um médico que não concorde que a sexualidade seja uma dimensão da experiência humana de grande importância para a promoção da saúde. Entretanto, pouco se conversa sobre esse tema no dia-a-dia das consultas médicas, pois nem os médicos, nem os pacientes, sentem-se muito à vontade. Da mesma forma, muitos médicos deixam de orientar seus pacientes a controlar o peso, por temerem que os pacientes possam se sentir melindrados, especialmente as mulheres.
Já é consenso que as crianças não devem ser expostas a mais do que duas horas por dia às mídias eletrônicas, e isso inclui não só a TV, mas também videogames, DVDs e o uso do computador para atividades não escolares. Atingir essa meta nem sempre é uma tarefa fácil para os pais, mas um estudo recém-publicado pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria aponta que quando os pais determinam regras consistentes para o uso dessas mídias, fica mais fácil conseguir que as crianças não excedam o limite.
Os pesquisadores estudaram o comportamento de mais de sete mil crianças americanas com idades entre 9 e 15 anos, especialmente quanto ao tempo dedicado em frente às telas eletrônicas, regras impostas pelos pais, e o nível de atividade física. Os pais também foram interrogados quanto à freqüência que determinavam limites às crianças.
Os resultados revelaram que mais de 27% das crianças excediam o tempo de duas horas de mídia por dia, sendo que os meninos, crianças negras e de menor renda familiar, aquelas que tinham TV por assinatura em casa, estas tinham uma tendência maior em ultrapassar o limite. Entretanto, o estudo demonstrou que as crianças que assumiam que os pais determinavam limites para o uso da TV e outras mídias eletrônicas, estas apresentavam menos chance de exceder as duas horas diárias. Além disso, as crianças que eram mais envolvidas em atividades físicas passavam menos tempo em frente às telas eletrônicas.
Essa pesquisa sugere que iniciativas que encorajem os pais a definir limites e que estimulem a prática de atividade física podem ser efetivas para a redução da exposição às mídias eletrônicas entre crianças de 9 a 15 anos de idade. O limite de duas horas tem sua razão de existir, já que crianças muito expostas ao vídeo têm um pior desempenho escolar, maior chance de comportamento agressivo e iniciação sexual precoce, assim como uma maior tendência a sobrepeso, obesidade, transtornos alimentares e hipertensão arterial. Vale lembrar que quando os pais dão o exemplo, é mais fácil atingir qualquer objetivo com as crianças.
Estima-se que mais da metade das pessoas expostas ao fumo passivo apresentam algum tipo de repercussão biológica da exposição ao cigarro. Já é bem reconhecido que ele aumenta o risco de uma série de doenças como o câncer, doenças pulmonares, infarto do coração, demência e derrame cerebral. Os danos causados pela exposição à fumaça dos outros chega a afetar até mesmo a saúde mental, é o que aponta uma pesquisa publicada na última edição do periódico Archives of General Psychiatry.
Mais de 5000 escoceses saudáveis e não-fumantes, com uma média de idade de 50 anos, foram estudados por seis anos. Cerca de 2500 fumantes, com uma média de idade de 45 anos, também foram acompanhados nesse período. O nível de exposição à fumaça do cigarro foi demonstrado pela concentração de cotinina no sangue, subproduto da nicotina que é bem validado como marcador da exposição à fumaça do cigarro. Os não fumantes que apresentaram as maiores concentrações de cotinina (0.7 a 15 microgramas por litro) tiveram uma chance significativamente maior de serem classificados como portadores de estresse emocional, condição definida por uma escala bem validada que avaliava sintomas de ansiedade, depressão, percepção do grau de felicidade e qualidade do sono (Questionário Geral de Saúde).
Além disso, durante os seis anos de acompanhamento, 41 voluntários do estudo foram admitidos em hospitais psiquiátricos por diversas razões, tais como depressão, confusão mental, entre outras. Tantos os fumantes como os não fumantes com altas concentrações de cotinina apresentaram maior chance de buscarem um serviço psiquiátrico do que os não fumantes com baixos níveis de cotinina.
Os resultados são concordantes com estudos experimentais em que ratinhos expostos à nicotina no período da adolescência têm mais chance de desenvolver um comportamento apático e tornam-se mais vulneráveis a situações de estresse em fases mais avançadas da vida. Pesquisas em humanos também têm demonstrado uma associação entre tabagismo e a depressão.
Mas será mesmo a fumaça do cigarro leva a um aumento de problemas mentais ou seria o contrário? Poderíamos explicar essa associação pela maior chance de pessoas com problemas mentais de freqüentar ambientes com exposição ao cigarro. Essa foi a primeira vez que uma pesquisa demonstra uma associação entre o fumo passivo e prejuízos à saúde mental em um estudo prospectivo, o que reduz sobremaneira a chance dessa segunda hipótese ser a melhor explicação.
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A exposição a agrotóxicos organofosforados tem sido associada a uma série de efeitos adversos no desenvolvimento cerebral das crianças, como é o caso de problemas na capacidade cognitiva e no comportamento. As crianças realmente são mais vulneráveis aos efeitos desses pesticidas, primeiro por apresentarem um cérebro ainda em formação e também porque, por apresentarem menor peso, é maior a concentração relativa dessas substâncias no corpo quando comparado aos adultos. Além disso, as crianças têm um menor contingente de enzimas desintoxicantes.
Entre as crianças, a dieta é uma das principais fontes de contato com os agrotóxicos e as evidências dos seus riscos neurotóxicos têm origem em estudos que avaliaram populações com altos níveis de exposição aos pesticidas. Uma nova pesquisa publicada na última edição do jornal oficial da Academia Americana de Pediatria demonstrou que mesmo níveis habituais de agrotóxicos presentes no cotidiano da maioria das pessoas podem exercer mudanças no cérebro das crianças, aumentando a chance delas apresentarem o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Mais de 1100 crianças americanas com idades entre 8 e 15 anos foram estudadas. Os pais responderam a um questionário para diagnóstico de TDAH que revelou que cerca de 10% das crianças preenchiam os critérios diagnósticos necessários. As crianças foram submetidas a uma análise da concentração de traços de agrotóxicos na urina e os resultados apontaram que quanto maior essa concentração maior a chance das crianças serem classificadas como portadoras de TDAH. Aquelas que tinham a concentração desses elementos acima da média dos participantes tinham duas vezes mais chances de apresentar o diagnóstico quando comparadas às que não tinham sinais dos pesticidas na urina.
É importante ressaltar que as crianças incluídas no estudo representavam uma amostra aleatória e representativa da população americana, diferente dos estudos que o precederam, que avaliaram o efeito da superexposição aos agrotóxicos como, por exemplo, inalação de pesticidas por mulheres grávidas. A maior contribuição dessa pesquisa foi ter demonstrado que não só doses altas de organofosforados têm associação com a chance de uma criança apresentar TDAH, mas mesmo a exposição “inocente” a essas substâncias no cotidiano pode contribuir para o desenvolvimento do problema.
E quando se pensa na dieta das crianças, não são apenas os agrotóxicos que podem ter impacto no cérebro das crianças. Alguns estudos têm chamado a atenção de que alimentos com aditivos artificiais podem piorar os sintomas entre crianças com o diagnóstico de TDAH e também podem aumentar a chance de sintomas de hiperatividade, impulsividade e desatenção entre aquelas não portadoras de TDAH.
É isso aí. Essas são informações que devem provocar uma reflexão sobre o tipo de alimentação que estamos oferecendo às nossas crianças.
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Um estudo publicado na última edição do British Medical Journal revela que indivíduos que não têm uma higiene oral satisfatória apresentam até 70% mais risco de problemas do coração, especialmente infarto e angina, quando comparados àqueles que escovam os dentes duas vezes por dia. Mais de 11 mil escoceses foram estudados quanto aos seus hábitos de vida, tais como higiene oral, tabagismo e atividade física.
Os resultados mostraram que 62% dos voluntários do estudo visitavam o dentista a cada seis meses e 71% escovavam os dentes pelo menos duas vezes ao dia. Aqueles que não escovavam os dentes, ou raramente o faziam, apresentavam níveis mais altos de marcadores de inflamação do sangue, como a proteína C-reativa e fibrinogênio, acompanhado também de um risco aumentado de eventos cardíacos.
Já é bem reconhecido que os níveis de inflamação do corpo, incluindo inflamação da boca e gengiva, estão associados ao risco de aterosclerose e eventos cardiovasculares, como o infarto do coração e derrame cerebral, além de alterações cerebrais discretas que influenciam as funções intelectuais. A atual pesquisa confirma resultados anteriores de que uma pobre higiene oral, além de ser uma das principais causas de perda dentária, também influencia outros órgãos do nosso corpo, como é o caso do coração.
O padrão normal do sono entre idosos ainda é uma questão polêmica e a principal razão é o fato de que algumas pesquisas incluem em suas análises idosos com problemas de saúde, enquanto outros estudos só analisam indivíduos saudáveis. Isso faz toda a diferença, pois a presença de uma doença crônica pode ser o suficiente para fazer com que o idoso tenha uma tendência a dormir mais.
Uma das poucas pesquisas realizadas até o momento para analisar o padrão de sono entre idosos sem qualquer tipo de doença foi feita em Brasília, pesquisa esta liderada pelo geriatra Einstein Camargos do Centro de Medicina do Idoso da Universidade de Brasília. O estudo demonstrou que entre idosos moradores de Brasília, sem qualquer problema de saúde ou uso de medicamentos, quase 90% deles tinham um sono de boa qualidade, qualidade medida por um instrumento de análise subjetiva do sono. Os resultados são diametralmente opostos aos encontrados nos estudos que incluem pessoas doentes.
A pesquisa de Brasília revelou que os idosos dormem uma média de 6.8 horas por noite, cerca de uma hora a menos de sono da população de adultos no Brasil. Quase 90% iam para a cama após as 22:00h, contrariando a crença de que os idosos dormem com as galinhas, e a maioria não tinha dificuldade em pegar no sono, dormiam em menos de meia hora. Cerca de metade dos idosos estudados levantava-se uma ou mais vezes durante a noite e ainda tirava cochilos durante o dia.
Os resultados são concordantes com estudos internacionais que nos demonstram cada vez mais que os idosos realmente precisam de um pouco menos de sono noturno para se sentirem dispostos durante o dia. A situação de um idoso que está dormindo demais deve sempre levantar a suspeita de que um problema de saúde pode ser a razão para esse comportamento. Além das doenças, devemos sempre estar atentos ao fato de que idosos pouco estimulados com atividade física, lazer e convívio social, estes costumam ter mais problemas de sono. Quando se pensa em insônia crônica, deve-se lembrar que esse é um problema que está associado a um maior risco de diabetes, obesidade e doenças vasculares, como o infarto do coração e o derrame cerebral.
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Nossos vasos sanguíneos devem ser vistos como órgãos tão inteligentes e complexos como o fígado ou o coração. Quando nos levantamos, quando fazemos força, quando ficamos sem respirar por alguns instantes, todas essas situações exigem com que os vasos sanguíneos do cérebro adaptem seus calibres para manter sempre a mesma pressão do sangue que entra no cérebro. Se este controle falhar, alterações rápidas e transitórias do estado de consciência podem acontecer. As pequenas artérias do cérebro, também chamadas de arteríolas, são as maiores responsáveis por esse controle.
O periódico científico Neurology publicou em sua última edição os resultados de uma pesquisa que mostra que idosos que apresentam uma pior função das pequenas artérias do cérebro andam mais devagar e têm maior risco de queda. Mais de 400 idosos foram submetidos a um teste que mede a saúde dos pequenos vasos cerebrais através da dilatação das pequenas artérias secundária ao aumento dos níveis de gás carbônico no sangue. Os voluntários ainda foram testados quanto à velocidade da marcha e foram acompanhados por dois anos para registro de qualquer episódio de queda. Os resultados mostraram que os idosos que apresentavam os menores níveis de reatividade dos vasos cerebrais eram mais lentos ao caminhar e tinham um risco de queda 70% maior quando comparado aos idosos que tinham os melhores índices de reatividade vascular.
Essa pesquisa cria uma nova forma de pensar a prevenção de quedas, um dos problemas mais sérios da medicina geriátrica. Aos 60 anos de idade, 85% dos idosos apresentam uma capacidade de caminhar normal. Já aos 80 anos, apenas cerca de 20% mantém uma capacidade para caminhar sem dificuldades. Além disso, anualmente, 30% dos idosos com mais de 65 anos sofrem uma queda. Qualquer leve alteração do desempenho cerebral de um idoso pode ser o que faltava para precipitar essa queda. O recado principal desse estudo é o de que investir na saúde dos vasos sanguíneos, além de prevenir as duas doenças que mais matam no Brasil (infarto do coração e derrame cerebral), pode ainda prevenir quedas nos idosos. Como investir nas artérias do cérebro? Atividade física regular, consumo regular de frutas e verduras, tratar com rigor problemas como a hipertensão arterial, diabetes e colesterol alto. Tabagismo nem em pensamento.
Cefaléia nada mais é que o termo técnico para a tão popular dor de cabeça. Esse sintoma tão comum na população pode ter inúmeras causas, desde as mais comuns, como a cefaléia do tipo tensional e a enxaqueca, assim como causas incomuns, como doenças neurológicas que a maioria das pessoas nunca nem ouviu falar.
A Sociedade Internacional de Cefaléia classifica a cefaléia em mais de 150 tipos e estima-se que cerca de 60% dos homens e 75% das mulheres apresentem pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês. A cefaléia realmente é um grande problema de saúde pública, e para se ter uma idéia, a Organização Mundial da Saúde classifica a enxaqueca como a 19ª doença que mais leva à incapacidade funcional das pessoas em países desenvolvidos, e no caso da mulher, ela fica em 12º lugar. No Brasil a situação não é muito diferente. Além disso, ela afeta até mesmo a economia de um país. Alguns estudos têm demonstrado que pessoas com enxaqueca perdem de 1 a 4 dias de trabalho por ano devido ao problema. Nos EUA, estima-se que o absenteísmo secundário à enxaqueca leva a um prejuízo de 8 bilhões de dólares ao ano.
Apesar do enorme impacto que a cefaléia tem sobre a vida da população, apenas uma minoria é diagnosticada corretamente e recebe tratamento apropriado. Um amplo trabalho de conscientização dessa importante condição clínica, voltado tanto aos pacientes como aos médicos, é fundamental para mudar esse cenário.
Quem tem enxaqueca nem sempre tem convicção de que a dor de cabeça é apenas uma das manifestações do problema. Essas pessoas têm mais chance de apresentar transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade, sintomas do labirinto, entre outras manifestações clínicas. Já há evidências também de que o sono das pessoas com enxaqueca é menos eficiente e uma pesquisa publicada na última edição do periódico especializado Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry demonstra que a síndrome das pernas inquietas é um dos componentes que pode atrapalhar o sono de quem sofre de enxaqueca.
Essa síndrome é caracterizada por uma sensação de incômodo nas pernas, ou até mesmo nos braços, que provoca uma vontade irresistível de mexê-las. O problema afeta entre 5 a 15% da população geral e os sintomas são piores quando a pessoa se deita para descansar. Isso pode levar a uma piora da qualidade do sono, e para quem tem enxaqueca, esse é um fator que tem o potencial de piorar as crises de dor.
O presente estudo demonstrou que a síndrome das pernas inquietas é mais freqüente entre indivíduos com diagnóstico de enxaqueca (11.4%) do que em outros tipos de dor de cabeça. Além disso, os indivíduos com enxaqueca e síndrome das pernas inquietas apresentavam sintomas de enxaqueca mais severos. A causa dessa associação entre as duas condições? Uma forte hipótese é que ambas dividem a mesma herança genética que promove uma disfunção do sistema do neurotransmissor dopamina.
A última edição do periódico Occupational and Environmental Medicine traz uma pesquisa inédita demonstrando que mulheres que trabalham sob grande pressão psicológica têm mais risco de apresentarem doença isquêmica do coração. Estudos anteriores já haviam demonstrado esse efeito nocivo do trabalho estressante sobre o coração, mas apontavam que entre as mulheres esse efeito era menos significativo.
O atual estudo foi realizado com mais de doze mil enfermeiras dinamarquesas, com uma média de idade de 51 anos e que foram acompanhadas por quinze anos. No início do estudo, foi aplicado um questionário que media o nível de estresse no trabalho, assim como o grau de influência que essas mulheres tinham sobre as decisões no dia-a-dia do trabalho.
As mulheres que relataram ter um trabalho com estresse levemente alto apresentaram um risco de doença isquêmica do coração 25% maior quando comparadas àquelas com um nível de estresse fácil de administrar. Já as mulheres com um nível de estresse muito alto, estas tiveram um risco 50% maior, e mesmo levando em conta outros fatores de risco cardiovascular, como o tabagismo, a chance de doença do coração ainda persistiu 35% maior. As mulheres com maior risco foram aquelas com menos de 51 anos. O nível de controle sobre as decisões do trabalho não teve associação com a doença do coração.
O presente estudo dá mais um passo nas evidências de que o estresse no trabalho não combina com saúde, e é um dos raros estudos que demonstra esse efeito entre mulheres. Medidas de redução desse estresse devem ser pensadas como uma das medidas para a prevenção de doença isquêmica do coração, que é uma das principais causas de mortalidade em nosso meio, e que afeta igualmente homens e mulheres.
A defesa por uma vida de abstinência sexual teve sua vez na antiguidade. Na tradição cristã, podemos citar Paulo: “É bom para um homem que ele não toque em uma mulher”. No período helenístico, defendia-se o celibato como uma oportunidade para se dedicar à filosofia e alcançar a virtude e o bem estar. É comum em várias culturas a idéia de que o prazer da atividade sexual está associado à perda do vigor e do bem estar. No norte da Índia, qualquer perda de sêmen é considerada como debilitante, podendo levar a problemas de pele, ansiedade e perda da concentração, dores articulares, palpitações, dor no peito e até mau hálito. A conta para reabilitação é a reposição de 40 kg de comida para cada colher de sêmen “perdida”.
A ciência antiga também defendeu a idéia de que a restrição de sexo seria capaz de manter o vigor. No final do século XIX, Eugen Steinach ficou muito famoso com sua técnica cirúrgica que impedia a ejaculação por meio do fechamento dos canais que levam o esperma até a uretra. A idéia era impedir a perda de sêmen mesmo com a atividade sexual regular, e assim evitar a perda dos hormônios masculinos como a promessa de rejuvenescimento por meio desse tipo de “celibato filosófico”. Uma boa clientela na época reconhecia o procedimento como uma promissora fonte da juventude, mas com a evolução da ciência e da medicina baseada em evidências, pôde-se ver que tal conduta cirúrgica não oferecia mais do que um poderoso e invasivo efeito placebo.
Nas últimas décadas, estudos científicos rigorosos não só desmontaram de uma vez por todas o mito de que a atividade sexual pode ser deletéria à saúde, desde que devidamente protegida contra doenças sexualmente transmissíveis, mas também têm revelado que o sexo traz inúmeros benefícios à saúde. Alguns desses estudos acompanharam indivíduos de meia idade e idosos por até 20 anos, e têm sido quase unânimes em mostrar que quanto maior a atividade sexual, menor a mortalidade, inclusive por doença isquêmica do coração. É bem reconhecido que uma relação sexual, devido ao esforço físico, pode até precipitar hemorragias cerebrais e morte súbita de causa cardíaca em indivíduos predispostos. Entretanto, à luz do conhecimento atual, pode-se dizer que o efeito protetor da atividade sexual é muito maior que os raros eventos precipitados pelo esforço físico. É claro que um indivíduo que tem dor no peito simplesmente por subir dois lances de escada deve discutir com seu cardiologista seu risco em fazer sexo ou qualquer outra atividade física.
Outros efeitos do sexo sobre nossa saúde têm sido investigados, alguns já com boas evidências científicas, outros nem tanto.
– Aumento da concentração de anticorpos do tipo IgA na saliva. Esse mesmo efeito tem sido demonstrado em atletas e está associado a menor risco de infecções do trato respiratório superior. As pesquisas sobre essa questão ainda são muito tímidas e não nos permite sair dizendo por aí que sexo previne gripes e resfriados.
– Um estudo realizado na Escócia através de entrevistas com mais de 3500 indivíduos na Europa e nos EUA revelou que aqueles que faziam sexo pelo menos quatro vezes por semana eram aqueles que aparentavam ser mais jovens de acordo com análise de um painel de juízes. O estudo não foi publicado em um periódico científico, mas no livro best-seller Superyoung, propondo que o sexo rejuvenesce. Defende-se a tese de que a atividade sexual, por aumentar os níveis de alguns hormônios como o estradiol, pode deixar a pele e os cabelos mais viçosos. Além disso, uma outra pesquisa recente demonstra que mulheres com níveis altos de estradiol percebem-se fisicamente mais atraentes, e tanto na mulher como em várias outras espécies, esse componente hormonal faz com que a mulher seja mais receptiva ao parceiro para a cópula e tenha também maior sucesso na fertilização do óvulo.
– Sexo é atividade física e pode ajudar a controlar o peso, mas isso depende da freqüência da atividade sexual. Calcula-se que o gasto energético da atividade sexual seja muito próximo ao ato de caminhar, e não há sentido em pensar que o sexo deva substituir a atividade física “não sexual”. É bom lembrar que aquilo que alguns podem chamar de atletas sexuais, pode ser na verdade um transtorno psiquiátrico, um tipo de compulsão, chamado de Apetite Sexual Excessivo, ou Ninfomania no caso das mulheres e Satiríase ou Don Juanismo no caso dos homens. Claro que não existe um número mágico que defina que acima desse tal número encontra-se a anormalidade. Pode ser realmente chamado de transtorno quando o comportamento passa a trazer repercussões negativas na vida social, familiar e ocupacional do indivíduo. A recente pesquisa “A vida sexual do brasileiro” revela que a freqüência média de relações sexuais do brasileiro é de 3 vezes por semana, enquanto outras pesquisas mostram que em alguns países essa freqüência é maior e em outros menor.
– A excitação sexual e o orgasmo estimulam a liberação cerebral de uma série de hormônios e neurotransmissores associados à sensação de satisfação e que também têm efeitos analgésicos. Essas modificações não são associadas simplesmente ao orgasmo, já que são muito maiores com a relação sexual propriamente dita do que com a masturbação. Estudos já demonstraram menos queixas de dor entre pessoas com atividade sexual regular.
– Atividade sexual regular está associada a menos insônia. Esse efeito não parece estar restrito à sensação de sono após uma relação sexual, e nesse caso, a química cerebral no pós-orgasmo parece ser a grande responsável. Pesquisadores da UNICAMP demonstraram recentemente que mulheres que apresentam insônia têm um menor índice de satisfação sexual. O estudo sugere que a insônia e a baixa satisfação sexual não andam sozinhas, mas têm relação também com a depressão e uso de antidepressivos.
– Uma vida sexual ativa está associada a menos ansiedade, menos agressividade e menos depressão. Um estudo no início desta década chegou a demonstrar que mulheres que não usavam preservativos na relação tinham menos índices de depressão do que aquelas que usavam. Uma das hipóteses é a de que a absorção pela vagina de estrogênios e prostaglandinas contidas no sêmen poderia reduzir o risco de depressão. Esse é um estudo isolado, não confirmado por estudos subseqüentes, e com falhas metodológicas significativas, como a diferença na freqüência da atividade sexual entre os grupos. E mesmo que os resultados sejam confirmados no futuro, nada mudará quanto ao recado mais importante relacionado ao assunto: sexo só com camisinha.
– Mulheres que fazem sexo pelo uma vez por semana têm ciclos menstruais mais regulares do que aquelas que fazem sexo de forma esporádica ou as abstêmias. A atividade sexual também fortalece a musculatura da pelve podendo ajudar a reduzir o risco de incontinência urinária com o envelhecimento.
– Um assunto ainda muito polêmico é a relação entre o risco de câncer de próstata e a freqüência de atividade sexual. A produção de sêmen envolve uma alta concentração de substâncias pela próstata e pelas vesículas seminais, que pode incluir substâncias carcinogênicas, e a retenção de sêmen por longos períodos poderia aumentar a exposição da próstata a essas substâncias. Por outro lado, a alta freqüência de relações sexuais / masturbação está associada a um aumento da atividade de hormônios sexuais masculinos, que por sua vez é considerado um perfil de maior risco para a doença. Além disso, freqüente atividade sexual, especialmente com múltiplos parceiros, aumenta o risco de câncer de próstata, devido ao aumento no risco de doenças sexualmente transmissíveis. Como se pode ver, a relação entre a freqüência de ejaculação e câncer de próstata é uma faca de dois gumes, tendo de um lado a freqüência excessiva de ejaculação podendo estimular o desenvolvimento da doença em indivíduos geneticamente predispostos, e do outro lado a ausência de ejaculação por períodos prolongados podendo aumentar o contato de substâncias carcinogênicas com a próstata. Essa é uma das formas de explicar o porquê dos resultados dos estudos realizados até o momento serem tão contraditórios. Por enquanto, pode-se dizer que nem a abstinência sexual nem o exagero são recomendados, e como já vimos anteriormente, não é só pelo bem da próstata.
A ciência moderna tem-nos mostrado cada vez mais que vida saudável não significa vida sem graça e sem prazer. Pessoas que freqüentam atividades como shows de música, teatro e cinema percebem-se mais saudáveis e vivem mais. Não é o caso de se fazer campanhas em prol de um estilo de vida “sexo, drogas e rock’n roll”, mas já existem razões de sobra para incorporarmos o prazer como importante medida de promoção à saúde.
Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Archives of Internal Medicine demonstra que indivíduos que consomem muito chocolate por dia apresentam mais sintomas depressivos. Esses sintomas poderiam levar a um maior consumo de chocolate, mas será que faz sentido pensar o inverso? Muito chocolate poderia ser a causa dos sintomas depressivos?
Existe uma forte cultura popular de que o chocolate tem o poder de melhorar nosso humor, e são vários mecanismos propostos para explicar essa relação. Entretanto, são poucas as pesquisas científicas que examinaram o efeito do chocolate sobre o humor das pessoas. A presente pesquisa avaliou quase mil homens e mulheres saudáveis que não faziam uso de medicações antidepressivas, e com média de idade de 57 anos. Uma escala de sintomas depressivos e um questionário sobre hábitos alimentares, incluindo o consumo de chocolate, foram aplicados. Os participantes que apresentavam um score de sintomas depressivos indicando o diagnóstico de depressão consumiam uma média de 8.4 porções de chocolate por mês, comparado a 5.4 porções entre aqueles que não tinham sintomas sugestivos de depressão. Aqueles que apresentavam altos scores, sugerindo o diagnóstico de depressão maior, estes consumiam em média 11.8 porções de chocolate por mês. Esses resultados não foram diferentes entre homens e mulheres. Os pesquisadores definiram uma porção como uma pequena barra de chocolate, cerca de 30 gramas.
Infelizmente, a metodologia do estudo não permite dizer se o consumo do chocolate é causa ou conseqüência da depressão. Alguns estudos têm demonstrado, em modelos animais, efeitos positivos do chocolate sobre o humor. Por outro lado, não é possível excluir a possibilidade de que o chocolate pode colaborar para um humor depressivo. Uma das possíveis explicações é a de que alguns produtos com chocolate contêm gordura trans que concorrem com as gorduras ômega-3, estas últimas que tão importantes são para o funcionamento do cérebro, e que têm reconhecido poder de prevenir a depressão.
Novos estudos deverão avançar no conhecimento dessa relação entre o chocolate e o humor. Entretanto, a maior parte do conhecimento que dispomos até o momento apóia a idéia de que o chocolate pode realmente estimular nosso humor. São vários os componentes do chocolate que podem explicar esse efeito, entre eles a cafeína, a teobromina, a anandamida e o seu alto teor calórico. Como tudo na vida, o excesso deve ser evitado, e no caso do chocolate, a maior preocupação deve ser o controle do peso. É bom lembrar que o chocolate amargo, além de poder elevar nosso humor, também é um grande aliado dos nossos vasos sanguíneos.
A exposição a altos níveis de ruído é a principal causa de perda auditiva que pode ser prevenida. Esse era um problema tradicionalmente associado a adultos com ocupações profissionais barulhentas que podem levar à perda irreversível de células ciliares da cóclea no ouvido. Entretanto, é crescente o número de crianças e adolescentes com problemas auditivos, e o hábito de ouvir música alta é um dos grandes responsáveis por isso. A grande febre dos MP3 portáteis aumentou drasticamente a exposição dos jovens a ruídos de alta intensidade, especialmente porque os aparelhos modernos são capazes de oferecer som de alta intensidade sem distorção. Muitos desses aparelhos são capazes de ultrapassar 120 decibéis, intensidade de som semelhante a uma turbina de avião.
O problema dos aparelhinhos realmente está nos altos volumes de som. O tempo de uso por si só não confere riscos ao aparelho auditivo. Pesquisas com animais mostram que a exposição crônica a ruídos de baixa intensidade até protegem o ouvido de lesões secundárias a ruídos de intensidade potencialmente danosa. Por outro lado, um estudo publicado recentemente pela revista Pediatrics mostrou que crianças e adolescentes que usavam o MP3 com maior freqüência tinham uma chance quatro vezes maior de usá-lo com volume alto. Além disso, fones de ouvido mais modernos que são inseridos no canal auditivo potencializam ainda mais a intensidade do som.
Para garantir maior segurança aos ouvidos, muitos desses aparelhos apresentam um sistema de limitação do volume de som. À medida que os MP3 portáteis chegam cada vez mais cedo às mãos e ouvidos das crianças, é recomendável que campanhas de conscientização já sejam implantadas enquanto elas ainda estão no ensino fundamental. Pais, professores, profissionais da saúde, todos têm importante papel. No caso dos adultos, além de poderem provocar danos ao ouvido, os aparelhos de MP3 podem também interferir na concentração de quem está dirigindo e aumentar o risco de acidentes.
MP3 é muito bom. Ouvir música nem se fala. Só precisa mesmo é de um pouquinho de bom senso.
Uma pesquisa chamada de “Investigação Prospectiva Européia em Nutrição e Câncer”, publicada neste mês de abril no Jornal do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, concluiu que o poder de frutas e outros vegetais em prevenir o câncer não é tão grande como se pensava. A pesquisa foi divulgada pelos principais jornais do mundo com um recado desanimador para quem segue à risca a recomendação atual médica de se consumir cinco porções de frutas / vegetais por dia para reduzir o risco de uma série de doenças, inclusive o câncer. O jornal The Guardian publicou: “O consumo de vegetais tem pouco impacto no risco de câncer”; o jornal The New York Times publicou “O consumo de vegetais não previne o câncer”.
A pesquisa revelou que o consumo de duas porções e meia de frutas / vegetais por dia é capaz de reduzir o risco de câncer em 3% e o consumo de cinco porções diminui esse risco em 9%. A pesquisa envolveu cerca de meio milhão de pessoas de 23 centros de pesquisa e 10 países europeus. Os resultados foram discordantes de pesquisas anteriores que chegaram a evidenciar que o consumo de cinco porções diárias reduz o risco de câncer em 50%. Usando-se um copo como referência, uma porção significa: ½ copo de frutas picadas, ou ¾ copo de suco natural, ou 1 copo de folhas verdes, ou ½ copo de vegetais crus ou cozidos. Com esses novos resultados, ainda faz sentido a recomendação da Organização Mundial da Saúde de “cinco porções por dia”? A resposta é SIM e os argumentos são fortes.
1- O hábito das “cinco porções por dia” traz benefícios inequívocos à saúde dos vasos sanguíneos, com redução expressiva dos riscos de infarto do coração e derrame cerebral. Essa é a atual recomendação da Associação Americana do Coração. Uma recente metanálise revelou que o risco de derrame cerebral é reduzido em 26% entre as pessoas que consomem pelo menos cinco porções diárias e em 9% entre aqueles que consomem três a cinco porções;
2- Apesar de essa nova pesquisa ter revelado uma redução de risco de câncer de uma forma geral mais modesta do que se chegou a pensar anteriormente, resultados prévios da mesma pesquisa já haviam demonstrado que as frutas / vegetais têm mais efeito protetor sobre alguns tipos de câncer, especialmente aqueles que têm mais associação com o tabagismo e alcoolismo, como o câncer de boca, esôfago, intestino e pulmão;
3- O consumo das cinco porções por dia é uma poderosa arma para manter o peso em dia. Vale lembrar que a obesidade só perde para o tabagismo como fator associado ao câncer que pode ser prevenido;
4- Frutas / vegetais são ricas fontes de fibras, regulam a função intestinal, e é bem reconhecido que podem reduzir o risco de câncer de intestino.
Os resultados dessa última pesquisa não mudam a atual recomendação das “cinco porções por dia”. Os benefícios para a saúde de uma forma geral vão muito além da redução do risco de câncer.

Estima-se que um em cada dois homens e uma em cada três mulheres receberão o diagnóstico de câncer ao longo da vida, sendo que metade destes morrerão da doença ou de suas complicações. Não se sabe bem ao certo se a mídia tem divulgado a doença de forma realista. Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Archives of Internal Medicine demonstra que os jornais e revistas americanos dão preferência a notícias otimistas quando o assunto é câncer. Os resultados mostram que tratamentos agressivos, inovadores e de sucesso contra a doença são mais abordados do que cuidados a pacientes terminais, efeitos adversos das terapias e índices de mortalidade.
436 matérias de oito grandes jornais e cinco revistas foram analisadas. Câncer de mama foi o tipo mais divulgado (35%), seguido pelo câncer de próstata (15%). 32% das matérias abordaram histórias de indivíduos que foram curados do câncer enquanto 7.6% referiam-se a histórias de pessoas que morreram da doença. Apenas 30% das matérias mencionaram efeitos adversos do tratamento e somente 13% faziam referência a tratamentos de câncer que não foram bem sucedidos. Menos de 1% das matérias discutiam tratamentos paliativos a pacientes terminais. Esses resultados são discordantes da disseminada visão crítica de que a mídia é sensacionalista e que costumam priorizar histórias com contexto negativo.
Os resultados da pesquisa demonstram pouca divulgação do lado mais crítico da doença e isso pode ser interpretado como uma visão irrealista do problema, já que metade dos pacientes não vivenciará um tratamento de sucesso e a doença os levará à morte de forma direta ou indireta. Estudos prévios têm demonstrado que informação sobre cuidados paliativos na fase terminal da doença são importantes para a condução do tratamento, apoiando os pacientes e seus familiares na tomada de decisões. Nesse contexto, a mídia tem um forte papel educativo, já que boa parte da cultura em saúde da população é proveniente dos diferentes veículos de comunicação.
A velha preocupação que os pais e mães têm quando vêem seus filhos conviverem com amigos que consomem bebidas alcoólicas acaba de ganhar uma nova justificativa científica. Um estudo publicado na última edição do periódico Annals of Internal Medicine demonstra que a quantidade de bebidas alcoólicas que uma pessoa consome é proporcional ao tanto que seus amigos e parentes próximos bebem. O padrão de consumo de álcool de vizinhos e colegas de trabalho não teve a mesma influência. O estudo também demonstrou que aqueles que não bebem têm menos amigos e parentes que não bebem.
O estudo foi realizado com 12 mil pessoas da famosa população americana de Framingham que tanto já ensinou ao mundo que fatores como o tabagismo e colesterol alto podem aumentar o risco de doenças vasculares como o infarto do coração. Os voluntários do estudo foram acompanhados por mais de 20 anos e de tempos em tempos eram interrogados sobre a quantidade de álcool que consumiam. Uma das maiores implicações desse estudo é a de que políticas públicas que encorajam o uso de álcool de forma responsável devem focar em grupos sociais, e não em indivíduos.
Há alguns dias, estava com amigos num restaurante que tinha as paredes decoradas com anúncios publicitários de revistas das décadas de 1960 e 1970. Chamaram-nos muita a atenção os anúncios de cigarro que vendiam sucesso e até saúde, como era o caso da vinculação da marca Hollywood com esportes. O comentário geral foi: “incrível como isto era permitido até há tão pouco tempo atrás”. Na verdade, as evidências de que cigarro causa câncer já existiam desde a década de 1950, mas a indústria do tabaco conseguiu manter a publicidade do cigarro por muitas décadas a “plenos pulmões”. A proibição da propaganda foi uma das grandes ferramentas para reduzir os índices de tabagismo no Brasil.
Agora é a vez de lutar pela regulação do consumo de álcool em nosso meio, pois os números do custo do álcool à sociedade não são muito diferentes dos do cigarro. Vale conscientizar a população que o álcool não é problema só de quem bebe. Seu custo social é tão grande que nem se consegue medi-lo direito. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva baixou no ano de 2007 um decreto que restringiu a exibição da propaganda de bebidas alcoólicas na televisão, permitindo sua veiculação só a partir das 21 horas. Essa medida é só um começo de uma difícil política de restrição da propaganda do álcool. Pode ser que daqui a uma década, ou décadas, nos lembremos das propagandas de cerveja com loiras e sambistas com comentários do tipo: puxa, incrível como isto era liberado!
Uma pesquisa publicada na última edição do periódico oficial da Academia Americana de Neurologia demonstra que altos níveis da proteína C-reativa, um marcador de inflamação no sangue, está associado a alterações cerebrais que influenciam as funções intelectuais.
Os pesquisadores avaliaram cera de 450 pessoas sem antecedente de demência ou derrame cerebral e com uma média de idade de 63 anos. Aqueles que apresentavam maiores níveis da proteína C-reativa exibiam mais alterações nas regiões frontais do cérebro evidenciadas pela ressonância magnética. Essas mesmas pessoas também tinham um menor desempenho em provas de funções executivas, incluindo atenção, planejamento e velocidade de resolução de problemas, capacidades estas fortemente dependentes da integridade das regiões frontais do cérebro.
Já é bem reconhecido que índices altos da proteína C-reativa estão associados a um maior nível de aterosclerose, assim como a um maior risco de infarto no coração e derrame cerebral. Além disso, pesquisas revelam que a redução dos níveis de proteína C-reativa de um grau moderado para um grau leve está associada a uma redução relativa do risco desses eventos vasculares. As ações mais importantes para a prevenção de doenças vasculares são as mesmas capazes de reduzir os níveis da proteína C-reativa: atividade física regular, manter o peso em dia e ficar longe do cigarro. Pesquisas recentes têm demonstrado também que medicações como a aspirina e estatinas, estas últimas indicadas para controlar o colesterol, podem controlar as concentrações de protéina C-reativa.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico JAMA, Jornal da Associação Americana de Medicina, demonstra que a prática de 60 minutos diários ou mais de atividade física moderada é mais recomendável para evitar sobrepeso e obesidade entre as mulheres do que exercícios em menores quantidades e intensidades.
O estudo acompanhou de forma prospectiva, e por 13 anos, cerca de 40 mil americanas com média de idade de 54 anos e que mantiveram suas dietas habituais. No início do estudo, 50% das mulheres faziam menos de 150 minutos por semana de atividade física moderada, 22% faziam mais de 420 minutos, e o restante tinha um nível de atividade intermediário entre esses dois primeiros grupos. Apenas 13% das mulheres começaram o estudo com peso normal e conseguiram chegar ao final sem sobrepeso ou obesidade. Essas mulheres tiveram uma média de atividade física semanal de 420 minutos, 60 minutos por dia.
Estima-se que 40% dos brasileiros adultos apresentam excesso de peso, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003 conduzida pelo IBGE. Emagrecer já é uma tarefa difícil, e a manutenção do peso após alguns quilos perdidos é mais difícil ainda. O melhor negócio é não deixar o peso se acumular com o passar do tempo, e essa é uma equação teoricamente simples: não podemos ingerir mais calorias do que gastamos. Na prática, é importante que as pessoas tenham em mente o quanto de atividade física é necessária para controlar o peso, mas essa é uma informação que ainda não está tão bem definida pela ciência.
Quando se fala em prevenção de doenças vasculares como o derrame cerebral e infarto do coração, assim como prevenção de doenças crônicas e degenerativas, a recomendação de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada é a mais amplamente difundida. É isso que a Associação Americana do Coração e o Colégio Americano de Medicina do Esporte preconizam, mas não definem se essa quantidade de atividade física é suficiente para evitar ganho de peso. Já o Instituto de Medicina dos Estados Unidos recomenda, desde o ano de 2002, a realização de 420 minutos de atividade física moderada por semana para evitar que adultos entrem na faixa de sobrepeso ou obesidade. As evidências científicas que embasam essa recomendação têm sido questionadas, mas o atual estudo reforça com metodologia impecável essas diretrizes do Instituto de Medicina. É importante ressaltar que os resultados da pesquisa ainda revelam que, para as mulheres com sobrepeso ou que estão obesas, os 60 minutos diários de atividade física não são suficientes para alcançar um peso normal. Estas precisam realmente fazer uma dieta de restrição calórica.
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1- Fumar nem pensar. Por quê ?
O cigarro “engrossa” o sangue, aumentando sua tendência a formar coágulos, além de ser um agente que danifica as artérias, contribuindo para a progressão da aterosclerose. O cigarro ainda reduz a tolerância ao exercício físico, piora os níveis de colesterol e da pressão arterial.
2- Atividade física de intensidade moderada por pelo menos 30 minutos, 5 vezes por semana. Por quê ?
O exercício físico “afina” o sangue, reduzindo sua tendência a formar coágulos. Além disso, ajuda a controlar o peso, é benéfico para a pressão arterial e para os níveis de colesterol e ainda ajuda a reduzir o estresse. Todos esses efeitos previnem a aterosclerose.
3- Reduza o estresse. Por quê ?
O estresse está associado a um aumento de substâncias circulando no sangue, como a adrenalina, que quando elevadas de forma crônica, podem aumentar a tendência de coagulação do sangue, piorar os níveis de colesterol e reduzir o calibre dos vasos, e esse último efeito pode aumentar a pressão arterial.
4- Frutas, vegetais e grãos integrais todos os dias. Por quê ?
Recomenda-se o consumo de pelo menos cinco porções por dia de frutas e vegetais. Usando-se um copo como referência, uma porção significa: ½ copo de frutas picadas, ou ¾ copo de suco natural, ou 1 copo de folhas verdes, ou ½ copo de vegetais crus ou cozidos. O benefício é devido ao poder anti-oxidante das frutas e vegetais que servem como um anti-inflamatório natural, prevenindo a aterosclerose. Também é recomendável que pelo menos metade dos grãos ingeridos sejam integrais, por serem ricos em fibras. Esse maior conteúdo de fibras promove um melhor controle do peso, pois provocam saciedade mais rápida e ainda melhoram os índices de colesterol.
5- Não exagere na gordura animal e no sal. Por quê ?
Quase toda gordura animal pode ser classificada como gordura saturada ou rica em colesterol, e são esses os maiores fatores alimentares para o aumento dos níveis de colesterol no sangue e seu conseqüente acúmulo nas artérias. Lembrar que quando falamos em gordura animal estamos falando também dos laticínios e ovos, e por isso, devemos dar preferência aos produtos menos gordurosos como o leite desnatado e a ricota. O sal também deve ser usado de forma moderada, já que o excesso de sal na dieta de algumas pessoas pode causar ou piorar a hipertensão arterial, um dos maiores fatores de risco para o infarto do coração e acidente vascular cerebral.
6- Não exagere na gordura trans. Por quê ?
As gorduras trans, além de estarem presentes nas carnes e laticínios, podem ser formadas por processo industrial que transforma óleos vegetais líquidos em gordura sólida – é a tal gordura hidrogenada. Temos de estar atentos aos biscoitos, sorvetes, salgadinhos de pacote, margarinas, entre outros produtos industrializados. As gorduras trans aumentam o nível de colesterol no sangue e hoje é obrigatório o fabricante informar a quantidade desta gordura no alimento. O ideal é que tenha de 0,2 a 2g por porção e este é o máximo que devemos consumir por dia. Nada de preguiça em ler o rótulo antes de colocar o produto no carrinho do supermercado!
7- Não deixe de comer as gorduras saudáveis. Por quê ? Hoje sabemos que populações que comem bastante azeite como na ilha grega de Creta, têm menos problemas vasculares do que populações que comem pouca gordura, como é o caso do Japão. Além do azeite, os demais óleos vegetais, peixes, nozes e castanhas são ricos em gordura insaturada, que reduz os níveis de colesterol. O ômega-3 é um dos componentes dessas boas gorduras e é por isso que se recomenda comer peixe pelo menos duas vezes por semana, especialmente salmão, sardinha, truta ou atum.
8- Bebidas alcoólicas só com moderação: até uma dose por dia para mulheres e até duas para homens. Por quê ?
O consumo excessivo de álcool pode levar ao aumento de gordura no sangue (triglicérides), elevação da pressão arterial, e pode levar à obesidade por ser um alimento bastante calórico. Todos esses fatores aumentam o risco de eventos vasculares. Entretanto, o uso moderado de álcool pode promover melhora dos índices de colesterol e pode ainda reduzir a tendência de coagulação do sangue. Esses efeitos parecem estar bastante associados ao fator álcool, mas estudos apontam para um benefício ainda maior no caso do vinho tinto, por propriedades anti-oxidantes próprias da uva. Mesmo com essas evidências, não se deve recomendar que indivíduos que não bebem começem a beber. Entretanto, entre aqueles que já têm o hábito de beber, estes devem beber moderadamente e de preferência vinho tinto.
9- Não coma mais calorias do que você gasta. Por quê?
A obesidade é um sério fator de risco para o desenvolvimento de hipertensão arterial, diabetes, aumento dos níveis de colesterol, infarto do coração e acidente vascular cerebral. Na Idade da Pedra, nossos ancestrais ao conseguirem caçar um animal, grande fonte de gordura, comiam o máximo que podiam, pois não sabiam quando conseguiriam outra caça. Não podemos nos dar ao luxo de reproduzir este instinto primitivo, pois a oferta de alimento hoje é muito grande, e são os alimentos que podem nos caçar se não formos racionais.
10- Uma soneca de 30 minutos após o almoço faz bem ao coração. Por quê?
Alguns estudos vêm demonstrando uma redução na mortalidade por doenças do coração em populações que têm o hábito de tirar uma soneca após o almoço, e os efeitos são mais robustos entre homens que trabalham.
** Leia também PREVIDÊNCIA VASCULAR – PRIMEIRA PARTE





















