Estima-se que um em cada dois homens e uma em cada três mulheres receberão o diagnóstico de câncer ao longo da vida, sendo que metade destes morrerão da doença ou de suas complicações. Não se sabe bem ao certo se a mídia tem divulgado a doença de forma realista. Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Archives of Internal Medicine demonstra que os jornais e revistas americanos dão preferência a notícias otimistas quando o assunto é câncer. Os resultados mostram que tratamentos agressivos, inovadores e de sucesso contra a doença são mais abordados do que cuidados a pacientes terminais, efeitos adversos das terapias e índices de mortalidade. 

 

436 matérias de oito grandes jornais e cinco revistas foram analisadas. Câncer de mama foi o tipo mais divulgado (35%), seguido pelo câncer de próstata (15%). 32% das matérias abordaram histórias de indivíduos que foram curados do câncer enquanto 7.6% referiam-se a histórias de pessoas que morreram da doença. Apenas 30% das matérias mencionaram efeitos adversos do tratamento e somente 13% faziam referência a tratamentos de câncer que não foram bem sucedidos. Menos de 1% das matérias discutiam tratamentos paliativos a pacientes terminais. Esses resultados são discordantes da disseminada visão crítica de que a mídia é sensacionalista e que costumam priorizar histórias com contexto negativo.    

 

Os resultados da pesquisa demonstram pouca divulgação do lado mais crítico da doença e isso pode ser interpretado como uma visão irrealista do problema, já que metade dos pacientes não vivenciará um tratamento de sucesso e a doença os levará à morte de forma direta ou indireta. Estudos prévios têm demonstrado que informação sobre cuidados paliativos na fase terminal da doença são importantes para a condução do tratamento, apoiando os pacientes e seus familiares na tomada de decisões. Nesse contexto, a mídia tem um forte papel educativo, já que boa parte da cultura em saúde da população é proveniente dos diferentes veículos de comunicação.

 

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