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Esta semana um senhor de meia idade me procurou com a queixa de duas crises recentes de dor de cabeça muito fortes durante uma viagem de avião. Quanto à intensidade das crises, sempre pergunto aos pacientes em que nível eles classificam a dor numa escala de 1 a 10. Nota 11 foi a que o paciente atribuiu a ambas as crises. As duas crises aconteceram quando o avião estava pousando, de um lado só da cabeça e com lacrimejamento e corrimento nasal do mesmo lado.

 

Esses casos têm sido pouco descritos na literatura médica, mas acredita-se que o fenômeno seja bem mais comum do que parece. A classificação internacional de cefaléias reconheceu na sua última edição a cefaléia da altitude, condição que define a dor de cabeça que algumas pessoas vivenciam quando atingem locais de grande altitude. Entretanto, os casos descritos até o momento sugerem que em breve deverá ser incluída uma nova entidade que é a dor de cabeça associada à MUDANÇA de altitude.  Já foi descrito um caso em Portugal em que o paciente apresentava os sintomas durante a descida do avião, mas também toda vez que descia de carro uma montanha de dois mil metros de altitude.

 

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Não há como prevenir o derrame cerebral.

Mito. Quando uma pessoa está tendo um derrame cerebral, um vaso sangüíneo do cérebro esta sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída. O derrame cerebral é mais comum entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e naqueles sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!

 

O derrame cerebral está se tornando menos comum.

Verdade, mas só nos países ricos. Nas últimas quatro décadas (1970-2008), a incidência de derrame cerebral diminuiu em 42% em países ricos e aumentou mais de 100% em países de baixa e média renda, sendo que o Brasil se encaixa nesse último caso. Na última década, a incidência de derrame cerebral em países de baixa e média renda ultrapassou pela primeira vez a dos países ricos (20% maior).

 

A cidade de Joinville-SC não acompanha essa tendência dos países de baixa e média renda. Num intervalo de dez anos (1995-2006) houve uma redução relativa de um terço na incidência e mortalidade por derrame cerebral e na sua taxa de fatalidade. A redução da incidência de derrame cerebral sugere que a população recebeu mais assistência primária e melhores ações preventivas: controle de pressão alta, diabetes, colesterol, redução do tabagismo, etc. A redução da incidência na mortalidade reflete, em parte, um melhor atendimento em nível hospitalar. Os indicadores demonstrados são comparáveis aos de países ricos.

 

Derrame cerebral é coisa só de gente velha.

Mito.

O problema é mais comum entre os idosos, mas acontece também entre os jovens, muitas vezes por malfomações congênitas dos vasos sanguíneos do cérebro, problemas da coagulação, doenças do coração e por consumo de sustâncias como cigarro, cocaína e crack.

 

Todo tipo de pílula anticoncepcional ou reposição hormonal aumenta risco de derrame cerebral entre as mulheres?

Mito.  No caso da pílula anticoncepcional, as pílulas sem hormônio estradiol podem ser vistas como seguras mesmo para as mulheres que já têm uma predisposição para eventos vasculares, como é o caso da enxaqueca com aura, enxaqueca em que a dor é precedida ou acompanhada de sintomas neurológicos como flashes na visão ou alteração da sensibilidade de um lado do corpo. Já a reposição hormonal para alívio dos sintomas da menopausa, o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama. Há evidências também de que não há aumento do risco de derrame cerebral quando a dose do hormônio estradiol é baixa e quando usado sob a forma de adesivos na pele.

 

Medicações para controlar o colesterol diminuem o risco de derrame cerebral mesmo para quem tem o colesterol normal?

Em parte é verdade. O atual corpo de evidências aponta que indivíduos que apresentam fatores de risco vascular como o diabetes e a hipertensão arterial podem se beneficiar do uso das estatinas como prevenção de derrame cerebral, especialmente aqueles com mais de 65 anos de idade. E esse benefício existe mesmo que o indivíduo não tenha problemas com seus níveis de colesterol.

 

A erva Ginkgo biloba ajuda a prevenir o derrame cerebral.

Mito.

São mais de duas décadas de estudos clínicos com resultados que não justificam o uso do Ginkgo biloba paraprevenção de derrame cerebral ou da Doença de Alzheimer.Há estudos em que o uso da erva já foi até associado a um maior risco de derrame cerebral.

 

Ter uma visão otimista da vida protege-nos do derrame cerebral.

Verdade. Uma expectativa negativa do futuro pode influenciar a saúde através de mudanças nos hábitos de vida, mas também por fatores biológicos, como alterações na atividade do sistema nervoso autônomo.

 

Comer peixe ajuda a prevenir o derrame cerebral.

Verdade. Consumo de peixe reduz sim o risco de derrame cerebral. O importante é que esse efeito protetor deixa de existir quando o peixe é frito.

 

O consumo de café faz mal à saúde e pode até aumentar o risco de derrame cerebral?

Mito. O consumo de café está associado a menores índices de mortalidade, especialmente pela redução de infarto do coração e derrame cerebral. Quatro a cinco xícaras por dia traz mais benefícios que consumos menores. 

 

Comer frutas e verduras todos os dias reduz o risco de derrame cerebral.

Verdade. O hábito de comer cinco porções de frutas e verduras por dia traz benefícios inequívocos à saúde dos vasos sanguíneos, com redução expressiva dos riscos de infarto do coração e derrame cerebral. Essa é a atual recomendação da Associação Americana do Coração.

 

Uma dose de álcool por dia reduz o risco de derrame cerebral.

Verdade. Nos últimos anos, uma série de estudos tem demonstrado que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Isso significa que quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que aqueles que não bebem. Entretanto, o consumo exagerado traz mais risco. Devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. As pesquisas ainda apontam que esse efeito protetor do consumo diário e moderado deixa de existir quando a pessoa exagera na dose mesmo que seja por apenas um dia no mês.

 

Mesmo com essas evidências, não é recomendável que indivíduos que não bebem comecem a beber. Entretanto, entre aqueles que já têm o hábito de beber, estes devem beber moderadamente e de preferência vinho tinto.

 

 

Praticar exercícios físicos e manter o peso em dia são atitudes que nos protegem das doenças do coração, mas não do derrame cerebral.

Mito.

Atividade física regular associada ao hábito de não fumar e uma dieta inteligente é capaz de reduzir pela metade o risco de derrame cerebral. Não é pouca coisa não.

 

 

 

 

É só uma cabeça equilibrada em cima do corpo / Procurando antenar boas vibrações / Procurando antenar boa diversão.

Chico Science

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Cefaléia nada mais é que o termo técnico para a tão popular dor de cabeça. Esse sintoma tão comum pode ter inúmeras causas, desde as mais comuns, como a cefaléia do tipo tensional e a enxaqueca, assim como causas bem incomuns, como doenças neurológicas que a maioria das pessoas nunca nem ouviu falar.

 

A Sociedade Internacional de Cefaléia classifica a cefaléia em mais de 150 tipos e estima-se que cerca de 60% dos homens e 75% das mulheres apresentem pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês. O tipo de cefaléia chamada atualmente de cefaléia do tipo tensional já teve diferentes nomes como cefaléia por contração muscular, cefaléia do estresse e cefaléia psicogênica. Essa multiplicidade de nomes reflete em parte os diferentes critérios diagnósticos utilizados ao longo dos anos e as diferentes formas de entender a causa desse tipo de dor de cabeça.

 

É difícil dizer o quanto a cefaléia do tipo tensional faz parte da vida de crianças e adolescentes, já que são heterogêneos os resultados de estudos epidemiológicos,  mas chegam a mostrar uma prevalência que vai de 10 até 80%. No Brasil, um recente estudo epidemiológico envolvendo adultos das cinco regiões geográficas constatou uma prevalência de cefaléia do tipo tensional de 13%, um pouco maior entre os homens (15.4%), quando comparado às mulheres (9.5%) (Queiroz et al., Headache 2010). Chamou a atenção o fato de que os jovens na faixa etária entre 18 e 29 anos eram os que apresentavam o diagnóstico com maior prevalência.

 

As crianças costumam apresentar crises de cefaléia do tipo tensional já por volta dos sete anos, com crises que costumam durar cerca de duas horas e usam medicações para dor em média uma vez por mês.  Uma pesquisa recentemente publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia (Robberstad et al., Neurology 2010) confirmou aquilo que o bom senso já indicava: adolescentes com hábitos de vida pouco saudáveis têm mais dores de cabeça, incluindo a cefaléia do tipo tensional.  Os resultados mostraram que sedentarismo, sobrepeso e tabagismo estavam associados de forma independente à freqüência de dor de cabeça experimentada pelos adolescentes. Além disso, esses fatores tinham efeito aditivo: os que apresentavam dois ou três fatores tinham mais dor de cabeça do que aqueles que possuíam apenas um deles.

 

Já é bem reconhecido que o estresse emocional é um dos fatores que mais desencadeiam crises de dor de cabeça e, de forma geral, qualquer atitude que promove um melhor estado de equilíbrio do corpo e da mente ajuda a evitar crises. Um sono regular deve fazer parte desta receita, e os pais podem ajudar muito quando impõem limites no tempo de exposição dos filhos às mídias eletrônicas. Para as crianças, brincar é fundamental. A rotina de mini-executivos que muitas delas enfrentam com seus múltiplos cursos não combina mito com um dia a dia sem dor de cabeça. O mesmo pode-se dizer da pressão psicológica que um adolescente vivencia para ter um resultado de sucesso no vestibular, pressão que muitas vezes já começa anos antes do início das provas.

 

 

É muito comum as pessoas que apresentam enxaqueca relatarem que costumam ter crises de dor de cabeça quando expostas a determinadas situações, mas pouco foi estudado até o momento no que diz respeito ao tipo de paciente que é mais suscetível a essas situações. Uma pesquisa acaba de ser publicada na última edição da revista Headache, periódico da Academia Americana de Cefaléia, e veio preencher parcialmente essa lacuna no conhecimento sobre a enxaqueca, condição que acompanha cerca de 20% das mulheres e 8% dos homens.   

 

Duzentos pacientes consecutivos (172 mulheres) de um serviço americano especializado em dor de cabeça, e que apresentavam o diagnóstico de enxaqueca, responderam a um questionário que avaliava fatores desencadeantes de suas crises de dor de cabeça, também chamado de gatilhos de crises, além de outras características da enxaqueca.

 

Os resultados mostraram que 91% dos pacientes reconheciam ao menos um fator que desencadeava suas crises e 82.5% deles reconheciam múltiplos fatores. Os mais citados foram o estresse emocional (59%), privação ou excesso de sono (53.5%), alguns tipos de odores (46.5%) e jejum prolongado (39%).  O clima, especialmente o calor, foi mencionado como um fator desencadeante por 19% dos voluntários e 18% identificavam algum alimento, sendo o chocolate, queijos e salsicha os mais lembrados. Outros gatilhos menos comuns foram a exposição à luz e ruídos fortes e o consumo de cafeína.

 

Entre as mulheres que apresentavam ciclo menstrual, 62% delas relataram que a menstruação era um gatilho de crises. Aquelas que apresentavam enxaqueca associada à menstruação, 67% responderam que suas crises no período menstrual eram mais fortes e duradouras, e também mais difíceis de passar após o uso de analgésicos. Um quarto das mulheres que apresentava enxaqueca apenas no período menstrual tinha ocasionalmente crises com duração superior a três dias, condição conhecida por estado de mal enxaquecoso. A freqüência de crises, assim como o tempo que a pessoa já apresentava o diagnóstico, não foram fatores que influenciaram a sensibilidade aos diferentes estímulos.

 

Os resultados da presente pesquisa são concordantes com estudos anteriores realizados em diferentes regiões geográficas, em diferentes climas, sugerindo que os gatilhos de crises não são muito diferentes nas diferentes regiões estudadas. A pesquisa reforça ainda a importância de se identificar os gatilhos de crises e tentar evitá-los quando possível, já que isso pode vir a colaborar de forma significativa no controle das crises. Vale ressaltar que não existe uma lista rígida de situações que devem ser evitadas, pois cada pessoa responde de forma diferente a cada uma delas.  

 

CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília veiculado no dia 10 de setembro 2010

 

 

 

A revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, acaba de publicar uma pesquisa apontando que adolescentes com maus hábitos de vida têm dores de cabeça com maior freqüência e que essa associação é mais forte nos casos de dor do tipo enxaqueca.

 

Cerca de seis mil noruegueses com idades entre 13 e 18 anos foram estudados através de avaliação clínica e de um questionário que abordava a prática de atividade física e a presença ou não de tabagismo. Os resultados mostraram que sedentarismo, sobrepeso e tabagismo estavam associados de forma independente à freqüência de dor de cabeça experimentada pelos adolescentes. Além disso, esses fatores tinham efeito aditivo: os que apresentavam dois ou três fatores tinham mais dor de cabeça do que aqueles que possuíam apenas um deles.

 

Enxaqueca é uma disfunção cerebral com forte componente genético e que sofre grande influência de fatores ambientais, já que vários estímulos são capazes de disparar as crises de dor de cabeça. A resposta a cada estímulo é muito individual e por isso é desejável que cada indivíduo identifique os fatores que provocam suas crises e tente evitá-los. Para alguns, o contato com a fumaça do cigarro representa um forte componente desencadeador. Quanto ao exercício físico, alguns portadores de enxaqueca até têm crises por ele provocadas, mas também é bem reconhecido que é um grande aliado para o controle de crises de enxaqueca. Sabe-se também que o sobrepeso está associado a crises de enxaqueca mais freqüentes e o presente estudo foi o primeiro a demonstrar que esse efeito ocorre também entre os adolescentes. 

 

De uma forma geral, qualquer atitude que promova um melhor estado de equilíbrio do corpo e da mente pode ajudar a evitar crises de enxaqueca de quem sofre do problema. E esse problema não tem nada de pequeno. Cerca de 20% das mulheres e quase 10% dos homens têm enxaqueca e a Organização Mundial da Saúde a classifica como a 19ª doença que mais leva à incapacidade funcional das pessoas em países desenvolvidos. No caso da mulher, ela fica em 12º lugar.

 

 

Cefaléia nada mais é que o termo técnico para a tão popular dor de cabeça. Esse sintoma tão comum na população pode ter inúmeras causas, desde as mais comuns, como a cefaléia do tipo tensional e a enxaqueca, assim como causas incomuns, como doenças neurológicas que a maioria das pessoas nunca nem ouviu falar.

 

A Sociedade Internacional de Cefaléia classifica a cefaléia em mais de 150 tipos e estima-se que cerca de 60% dos homens e 75% das mulheres apresentem pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês. A cefaléia realmente é um grande problema de saúde pública, e para se ter uma idéia, a Organização Mundial da Saúde classifica a enxaqueca como a 19ª doença que mais leva à incapacidade funcional das pessoas em países desenvolvidos, e no caso da mulher, ela fica em 12º lugar. No Brasil a situação não é muito diferente. Além disso, ela afeta até mesmo a economia de um país. Alguns estudos têm demonstrado que pessoas com enxaqueca perdem de 1 a 4 dias de trabalho por ano devido ao problema. Nos EUA, estima-se que o absenteísmo secundário à enxaqueca leva a um prejuízo de 8 bilhões de dólares ao ano.

 

Apesar do enorme impacto que a cefaléia tem sobre a vida da população, apenas uma minoria é diagnosticada corretamente e recebe tratamento apropriado. Um amplo trabalho de conscientização dessa importante condição clínica, voltado tanto aos pacientes como aos médicos, é fundamental para mudar esse cenário.

 

 

Quem tem enxaqueca nem sempre tem convicção de que a dor de cabeça é apenas uma das manifestações do problema. Essas pessoas têm mais chance de apresentar transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade, sintomas do labirinto, entre outras manifestações clínicas. Já há evidências também de que o sono das pessoas com enxaqueca é menos eficiente e uma pesquisa publicada na última edição do periódico especializado Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry demonstra que a síndrome das pernas inquietas é um dos componentes que pode atrapalhar o sono de quem sofre de enxaqueca.

 

Essa síndrome é caracterizada por uma sensação de incômodo nas pernas, ou até mesmo nos braços, que provoca uma vontade irresistível de mexê-las. O problema afeta entre 5 a 15% da população geral e os sintomas são piores quando a pessoa se deita para descansar. Isso pode levar a uma piora da qualidade do sono, e para quem tem enxaqueca, esse é um fator que tem o potencial de piorar as crises de dor.

 

O presente estudo demonstrou que a síndrome das pernas inquietas é mais freqüente entre indivíduos com diagnóstico de enxaqueca (11.4%) do que em outros tipos de dor de cabeça. Além disso, os indivíduos com enxaqueca e síndrome das pernas inquietas apresentavam sintomas de enxaqueca mais severos. A causa dessa associação entre as duas condições? Uma forte hipótese é que ambas dividem a mesma herança genética que promove uma disfunção do sistema do neurotransmissor dopamina.

 

 

Apesar da maioria das pessoas que sofre de enxaqueca costumar ter uma ou duas crises de dor de cabeça por mês, a cada ano, cerca de 15% delas passam a apresentar crises quase diárias. Quando as crises ultrapassam a marca de mais de 15 crises mensais por três meses consecutivos, a enxaqueca deixa de ser classificada como enxaqueca episódica e passa a ser chamada de enxaqueca crônica. Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry reforça o conceito já bem reconhecido pela literatura médica de que a enxaqueca crônica é um problema que vai muito além das dores de cabeça.

Foram estudados mais de 12 mil americanos com o diagnóstico de enxaqueca, cerca de 80% do sexo feminino. Os indivíduos com enxaqueca crônica apresentaram indicadores de saúde piores do que aqueles com a forma episódica: tinham mais depressão, ansiedade, dor crônica, bronquite e asma, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, e maior risco de doença coronariana e derrame cerebral. Além disso, os portadores de enxaqueca crônica apresentavam mais problemas no trabalho como o absenteísmo, uma maior chance de estarem desempregados e ainda uma menor renda familiar. Estudos anteriores já haviam evidenciado que os portadores de enxaqueca crônica têm menor produtividade no trabalho e menor qualidade de vida em família.

A Organização Mundial da Saúde classifica a enxaqueca como a 19ª doença que mais leva à incapacidade funcional. No caso da mulher, ela fica em 12º lugar. Apesar do enorme impacto que a doença tem sobre a vida da população, apenas uma minoria é diagnosticada corretamente e recebe tratamento apropriado. Um amplo trabalho de conscientização dessa importante condição clínica voltado tanto aos pacientes como aos médicos é fundamental para mudar esse cenário.

 

 

 

A enxaqueca faz parte da vida de uma em cada cinco mulheres e sua prevalência é três vezes menor entre os homens. Por ser tão comum e por ser geneticamente herdada, há uma tese de que ela deve corresponder a uma vantagem da espécie humana construída ao longo da evolução, como se fosse um alarme que faz doer a cabeça quando estamos expostos a situações que não combinam com a preservação da espécie (ex: privação de sono, jejum prolongado).

 

Por conta desse alarme, existe uma crença de que as pessoas com enxaqueca tenham um estilo de vida mais saudável, com menos excessos. Entretanto, um estudo publicado na última edição online da revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, demonstrou que as pessoas com enxaqueca têm uma maior chance de apresentar fatores de risco vascular como hipertensão arterial, diabetes e colesterol alto, condições que têm um componente genético, mas que também têm forte associação com hábitos de vida. 

  

O estudo acompanhou mais de onze mil americanos e ainda mostrou que os portadores de enxaqueca têm maior risco de infarto do coração, doença arterial periférica e derrame cerebral, independente de apresentarem fatores de risco vascular. No caso do derrame cerebral, esse risco só foi maior naqueles com enxaqueca com aura, que é quando a enxaqueca é precedida ou acompanhada de sintomas neurológicos como flashes na visão ou alteração da sensibilidade de um lado do corpo.

 

Esses resultados reforçam ainda mais a idéia de que os médicos devem encarar a enxaqueca como uma condição que vai muito além da dor de cabeça. Ações de prevenção de outras condições clínicas que aumentam o risco vascular devem ser fortemente encorajadas. No caso das mulheres com enxaqueca com aura, essas devem ser orientadas a evitar o uso de pílulas anticoncepcionais que contenham o hormônio estradiol. Cigarro nem em pensamento. Uma questão ainda em aberto é se o tratamento adequado das crises de enxaqueca é capaz de reduzir o risco de doenças vasculares. Que melhora muito a qualidade de vida ninguém tem dúvida.

 

 

 

A cada ano, até 15% das pessoas com enxaqueca passam a apresentar crises quase diárias. Já conhecemos alguns fatores de risco modificáveis que aumentam o risco para a cronificação da enxaqueca: obesidade, distúrbios do sono, excesso de cafeína, tabagismo, eventos estressantes e dor crônica. Entretanto, nenhum fator tem tanto impacto como o uso excessivo de analgésicos. Os estudos epidemiológicos revelam que cerca de 3-4% da população mundial sofre de dor de cabeça diária, grande parte devido ao excesso de analgésicos. Seu consumo não deve exceder mais do que 2 vezes por semana. É um ciclo vicioso: quanto mais analgésicos, mais dor de cabeça. Entretanto, não é difícil imaginar que a divulgação desse problema contraria interesses comerciais de proporções gigantes.

 

Resolve-se o problema com a suspensão abrupta dos analgésicos e o início de um tratamento com medicação que recolocará a química cerebral no seu lugar certo e que deve durar pelo menos seis meses. Há evidências do benefício do uso de corticóides e/ou neurolépticos nos primeiros dias da “abstinência” dos analgésicos. Durante a retirada, deve-se evitar o uso de analgésicos associados a tranquilizantes, opióides, barbitúricos, cafeína, assim como mistura de analgésicos. Os anti-inflamatórios não hormonais são boas opções nesses casos.

 

Além do risco de cronificação da enxaqueca, o uso de analgésicos sem instrução médica pode levar a outros riscos, já que algumas medicações são contra-indicadas a depender do tipo de enxaqueca e dos antecedentes patológicos do indivíduo.

 

 

Enxaqueca não é coisa só de adultos. As crianças já podem apresentar este tipo de dor de cabeça, os meninos começando em média aos 7 anos e as meninas um pouco mais tarde, aos 11 anos. Quando as crises de enxaqueca passam a ser muito freqüentes, é indicado um tratamento que vai além dos analgésicos para aliviar a dor. O tratamento pode ser feito com o uso de medicações de uso diário, também chamado de tratamento profilático, que trabalhará a química cerebral para reduzir a freqüência e intensidade das crises. Entretanto, algumas pesquisas têm demonstrado que a mudança de certos hábitos de vida pode colaborar para o controle das crises de enxaqueca, especialmente nas crianças.

Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Headache, jornal oficial da Sociedade Americana de Cefaléia, confirma que as crianças podem ter melhora significativa de suas crises ao evitar exposição direta do sol na cabeça, quando têm regularidade nos horários de dormir, acordar e se alimentar, e quando assumem uma dieta que evita alguns alimentos que costumam desencadear crises, entre eles: carnes processadas, queijos amarelos, chocolate, alimentos com glutamato (ex: miojo, molho Shoyu). O estudo ainda revelou que as crianças com menos de seis anos foram as que mais tiveram benefícios desses cuidados.

Esses resultados reforçam a prática que muitos médicos têm de tentar otimizar hábitos como sono e dieta das crianças antes da introdução de um tratamento medicamentoso. Essa é uma prática ainda controversa, mas uma recomendação inequívoca é a de que a criança deve evitar a exposição a estímulos que já foi reconhecido como fator desencadeante de crise no seu caso específico. Não existem listas de proibições que devem ser aplicadas de forma generalizada, mas não custa evitar aquilo que não faz bem à saúde das crianças num sentido mais amplo, como é o caso de um sono irregular.

Headache

 

Para quem não sabia, enxaqueca também é coisa de criança. Cerca de 4-10% das crianças em idade escolar apresentam o problema e é muito importante reconhecer que os sintomas vão muito além da dor de cabeça, sendo muito comuns nas crianças sintomas como dor abdominal, náuseas e/ou vômitos, e vontade de dormir. Algumas crianças com enxaqueca também apresentam o fenômeno da aura, que são sintomas neurológicos transitórios que costumam ocorrer imediatamente antes da dor de cabeça, como perda da força ou alteração da sensibilidade de um lado do corpo, alterações visuais e dificuldade em falar.

 

Também são bem reconhecidos sintomas que ocorrem de 2 a 8 horas antes da dor de cabeça. Esses são chamados de sintomas premonitórios e incluem: fadiga, náuseas, fotofobia, fonofobia, irritabilidade, rigidez e dor no pescoço, bocejo, aumento do apetite, tristeza, ansiedade, déficit de concentração, hiperatividade, alteração do sono, alteração de percepção dos odores e alterações faciais. Um estudo recém-publicado pelo periódico científico Cephalalgia demonstra que duas em cada três crianças / adolescentes apresentam pelo menos um sintoma premonitório. Os três sintomas mais descritos foram alterações faciais como palidez e olheiras, fadiga e irritabilidade.

 

O estudo tem grande importância por ser pioneiro na análise de sintomas premonitórios entre crianças e adolescentes com enxaqueca e um dos resultados que mais chamou a atenção foi a alta prevalência de sintomas faciais, raramente descritos em adultos com enxaqueca. O reconhecimento dos sintomas premonitórios de enxaqueca é uma oportunidade em potencial de se iniciar o tratamento para as crises de dor antes mesmo que elas se instalem. Essa é uma estratégia de tratamento que foi muito pouco investigada, com raras pesquisas, e no caso das crianças, ainda totalmente inexplorada.

 

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COFFEE

 

Não é à toa que a cafeína é o estimulante cerebral mais frequentemente consumido no mundo, pois ela é capaz de provocar bem estar, aumentar o nível de alerta, energia e sociabilidade. A relação entre a cafeína e a dor de cabeça pode ser vista como uma faca com muito mais de dois gumes. De um lado estão as pessoas que têm dores de cabeça precipitadas pela cafeína. A substância também é capaz de aliviar uma crise de enxaqueca, tanto é que muitas das medicações para essa doença têm cafeína em sua composição. Além disso, para quem usa cafeína diariamente, sua abstinência súbita pode causar crises de dor de cabeça.
 
Um estudo publicado recentemente pelo periódico Journal of Headache and Pain confirma que o excesso de cafeína pode tanto melhorar como piorar as crises de dor de cabeça. O estudo foi conduzido na Noruega e envolveu mais de 50 mil pessoas  que tinham o consumo médio de cafeína de 420mg/dia, o que significa umas quatro xícaras de café expresso. Cerca de 40% das pessoas estudadas relatou ter apresentado dor de cabeça no último ano e aquelas que consumiam mais cafeína tiveram maior chance de apresentar crises de dor. Por outro lado, cerca de 1% das pessoas apresentou crises por mais de 14 dias durante o mês, e esse risco de alta freqüência de dor de cabeça foi menor entre aqueles que consumiam mais cafeína.
 
Os resultados sugerem que, para as pessoas que têm crises pouco freqüentes, o excesso de cafeína pode atrapalhar, e já para quem tem alta freqüência de crises, a cafeína pode até ajudar. Esses resultados não são definitivos e o que se pode recomendar por enquanto para quem sofre de dor de cabeça é que não se deve abusar da cafeína, especialmente nos casos de enxaqueca. Outra recomendação é que não se deve proibir seu uso de forma indiscriminada, exceto nos casos em que a pessoa percebe que basta tomar uma dose que a dor de cabeça aparece. No caso das pessoas que usam muita cafeína, essas não devem parar seu uso subitamente, pois isso pode causar dor de cabeça.
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Um estudo publicado na última edição do periódico Neurology, jornal oficial da Academia Americana de Neurologia, confirma que a enxaqueca vai muito além das crises de dor de cabeça: a doença está associada a um maior risco de eventos vasculares como o infarto do coração e derrame cerebral.

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Vinte e oito mil mulheres americanas com mais de 45 anos de idade foram acompanhadas por doze anos, sendo que 13% delas eram portadoras de enxaqueca. As mulheres com enxaqueca sem aura não apresentaram maior risco de eventos vasculares. Vale lembrar que aura são sintomas que acompanham a dor de cabeça como alterações visuais e da sensibilidade, e que ocorrem em 25% das pessoas que têm enxaqueca. No presente estudo, as mulheres com enxaqueca com aura e crises frequentes (≥ 1 vez por semana) tiveram risco de derrame cerebral quatro vezes maior. Mesmo aquelas com crises pouco frequentes (< 1 vez por mês) também apresentaram maior risco vascular, com chance duas vezes maior de ter um infarto do coração quando comparadas às mulheres sem enxaqueca. 

Esses resultados não devem gerar pânico em quem têm enxaqueca com aura, já que o risco absoluto de eventos vasculares é baixo: das 180 mulheres com enxaqueca com aura, apenas duas delas apresentaram um infarto do coração e quatro delas um derrame cerebral ao longo de 12 anos.  Entretanto, é importante o recado de que indivíduos com enxaqueca com aura já saem à frente das outras pessoas com risco maior de eventos vasculares, e por isso devem evitar e controlar a todo custo outros fatores de risco como o tabagismo e, no caso das mulheres, o uso do hormônio estrogênio.

 

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Confira artigo de minha autoria  recém-publicado na Revista de Jornalismo Científico ComCiência em que discuto quais as possíveis explicações para o maior risco de derrame cerebral entre as pessoas que têm enxaqueca. É discutido também como minimizar esse risco, especialmente entre as mulheres.

 Clique aqui para ler o artigo na íntegra. 

 

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Calcula-se que mais de 100 milhões de mulheres no mundo façam uso de pílulas anticoncepcionais. Podemos encontrar no mercado dezenas de tipos de pílulas com as mais diferentes concentrações dos hormônios estrogênio e progesterona e a escolha depende muito mais do perfil de efeitos colaterais de cada tipo de pílula, já que do ponto de vista de eficácia elas são muito parecidas.

 

A trombose das veias das pernas é um desses efeitos adversos, e reconhece-se que ela é cinco vezes mais freqüente entre mulheres que usam pílula. Apesar de não ser um efeito adverso muito comum, esse tipo de trombose é uma condição clínica grave, pois pode levar à trombose das veias pulmonares e que por sua vez pode até levar à morte.

 

Duas grandes pesquisas acabam de ser publicadas na última edição do British Medical Journal e nos ajudam a entender melhor a relação entre o uso de pílulas e trombose. Um dos resultados mais relevantes dessas pesquisas foi que o tipo de pílula combinada (estrogênio + progesterona) fez toda a diferença: as com baixas doses de estrogênio estão associadas a um menor risco de trombose assim como aquelas com tipos de progesterona chamados de levonorgestrel ou norestisterona. Já as pílulas sem estrogênio e os dispositivos anticoncepcionais intra-uterinos não se mostraram associados ao aumento de risco de trombose. Foi demonstrado ainda que apesar de existir uma relação entre maior tempo de uso da pílula e maior risco de trombose, a época de maior risco foram os primeiros três meses de uso.

 

Essas recomendações devem ser feitas de forma ainda mais rigorosa a mulheres com história pessoal ou familiar de trombose, já que essas não devem usar pílulas que contenham estrogênio. O mesmo deve ser recomendado a mulheres com história de enxaqueca com aura, que são dores de cabeça associadas a alguns sintomas tais como visão de pontos luminosos e sensação de formigamento de um lado do corpo. No caso daquelas que usam pílulas para o tratamento de espinhas, há estudos bem robustos mostrando que as que contêm levonorgestrel são tão eficazes como as outras com maior risco de trombose, e também não diferem entre si quanto ao risco de ganho de peso.

 

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LIFTING

 

Um estudo recém-publicado pelo periódico oficial da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, Plastic and Reconstructive Surgery, sugere que procedimentos cirúrgicos plásticos podem ajudar no controle de crises de enxaqueca. Os mesmos pesquisadores já haviam demonstrado a eficácia desses procedimentos na redução de crises de enxaqueca, e dessa vez elaboraram um estudo com metodologia ainda mais refinada.

 

Foram estudados indivíduos com freqüentes crises de enxaqueca de intensidade moderada ou severa e iniciadas em pontos específicos, também chamados de pontos-gatilho. Pontos-gatilho são os locais na cabeça em que a dor começa e corresponde à região anatômica de potencial irritação do nervo trigêmeo, nervo intimamente associado às crises de enxaqueca.  Foram incluídos apenas pacientes que apresentavam melhora da dor após a injeção de toxina botulínica no ponto-gatilho. 

 

Setenta e cinco pacientes foram incluídos no estudo e acompanhados por um ano após procedimento cirúrgico. Dois terços deles (49) foram submetidos a um procedimento similar ao lifting facial estético com remoção de pequenos segmentos de músculos e do nervo trigêmeo. Esse foi chamado de procedimento verdadeiro. O outro terço (26) foi submetido a um procedimento bem semelhante, mas não orientado à liberação dos pontos-gatilho, sem remoção de estruturas nervosas. Esse foi chamado de procedimento placebo. Após um ano, 57% daqueles que foram submetidos ao procedimento verdadeiro apresentaram remissão completa das dores de cabeça, comparado a apenas 4% do grupo placebo.

Esses resultados não devem servir de estímulo para que as pessoas corram para os cirurgiões plásticos para tratar enxaqueca, já que a grande maioria que necessita de tratamento responde muito bem ao tratamento medicamentoso e à melhoria dos hábitos de vida. O presente estudo ainda é preliminar e deverá se desdobrar em novos estudos com número de casos mais robusto. Entretanto, não há como negar que esses resultados abrem uma nova perspectiva para o tratamento de pacientes com enxaqueca refratária ao tratamento medicamentoso. O presente estudo ainda reforça a hipótese de que a irritação periférica do nervo trigêmeo é um mecanismo que participa na geração de crises de enxaqueca. 

 

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Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Cancer Epidemiology Biomarkers and Prevention confirma recentes evidências de que mulheres com diagnóstico de enxaqueca têm menor risco de câncer de mama. Dessa vez os pesquisadores estudaram quase 10 mil mulheres com idades entre 34 e 64 anos e evidenciaram um risco 26% menor de câncer de mama entre as que tinham história de enxaqueca. Além disso, a redução de risco mostrou-se presente tanto nas mulheres na pré-menopausa como naquelas na pós-menopausa. 

Uma forma de explicar  esse efeito protetor da enxaqueca seriam hábitos de vida mais saudáveis entre as pessoas que sofrem com dores de cabeça: menor consumo de álcool e cigarro ou menor uso de terapia de reposição hormonal. Esses são conhecidos fatores desencadeantes de crises de enxaqueca e que também aumentam o risco de câncer de mama. Entretanto, o estudo demonstrou que o menor risco de câncer de mama entre essas mulheres com enxaqueca não podia ser explicado por esses hábitos.  Também não houve associação entre o risco de câncer e a idade em que as mulheres começaram a apresentar crises de enxaqueca. 

 

Outra hipótese é que o maior consumo de antiinflamatórios por mulheres com enxaqueca poderia ser implicado no menor risco de câncer de mama, já que o uso dessa classe de medicação está associado a um menor risco desse tipo de câncer. Porém, os pesquisadores do atual estudo já divulgaram que essa não deve ser uma explicação razoável, e resultados negativos dessa associação estão em processo para uma nova publicação.

 

Não é de se espantar uma relação entre a enxaqueca e o câncer de mama já que ambas são doenças intimamente associadas aos hormônios sexuais. A enxaqueca é duas a três vezes mais comum entre as mulheres e o período em que a mulher tem mais chance de ter crises é justamente na fase do ciclo menstrual em que os níveis de estrogênio caem abruptamente: nos dias que antecedem a menstruação. Além disso, mulheres que usam pílula anticoncepcional têm mais crises na semana livre de hormônios. Por outro lado, durante a gravidez, época em que os níveis de estrogênio estão elevados, as mulheres costumam ter menos crises de enxaqueca.  

 

Os resultados dessa pesquisa precisam ser confirmados em outras populações. Fica também em aberto o porquê de um menor risco de câncer de mama entre as enxaquecosas. A pesquisa também reforça o conceito de que a enxaqueca pode ter representado alguma vantagem evolutiva ao logo dos tempos, e por isso é uma condição geneticamente herdada e tão freqüente. Em consonância com essa idéia estão os resultados de um estudo populacional publicado em 2007 que demonstrou que indivíduos com enxaqueca envelhecem com o cérebro mais afiado do que aqueles sem enxaqueca. Pelo que podemos ver, até a enxaqueca também pode ter seu lado positivo.

 

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A enxaqueca está entre as doenças neurológicas mais comuns e que mais negativamente influenciam a qualidade de vida. É bem reconhecido que o tamanho do problema é muito maior que as dores de cabeça, já que a enxaqueca está associada a uma série de outras condições clínicas, também chamadas de comorbidades (ex: ansiedade, depressão, doença cerebrovascular).

 

A busca por um sono regular é uma recomendação a todo indivíduo com diagnóstico de enxaqueca, sendo que tanto a privação de sono como o excesso de horas de sono, ambos podem desencadear crises de enxaqueca.  A relação entre sono e enxaqueca não pára por aí. Cerca de dois terços das crises de enxaqueca já começam ao despertar pela manhã. Entretanto, uma pergunta que ainda em aberto é se a enxaqueca está associada a uma pior qualidade de sono, e um novo estudo recém-publicado no periódico especializado inglês Cephalalgia ajuda a responder essa questão.

 

Pesquisadores austríacos avaliaram cerca de 500 pessoas com o diagnóstico de enxaqueca e sem a doença (grupo controle) aplicando escalas que avaliam qualidade de sono, nível de fadiga e sonolência diurna, e grau de ansiedade e depressão. Os resultados demonstraram uma pior qualidade de sono no grupo com diagnóstico de enxaqueca, pior ainda entre aqueles com maior freqüência de crises e independente do grau de ansiedade ou depressão. Com isso, aumenta a lista dos problemas que são mais comuns entre indivíduos com enxaqueca do que na população geral.   

 

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A enxaqueca é um transtorno neurológico geneticamente definido que chega a acometer até um quarto das mulheres em idade fértil e uma proporção três vezes menor de homens. Hoje sabemos que a enxaqueca vai muito além das famosas e terríveis dores de cabeça. Está associada a maior risco de uma série de outros problemas de saúde, entre eles ansiedade e depressão. Alguns estudos já identificaram um maior risco de suicídio entre jovens com enxaqueca, mas ainda não está bem definido se o risco é maior devido à maior freqüência de depressão nessa população. Uma pesquisa recém-publicada pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, revela que adolescentes com enxaqueca apresentam mais ideação suicida do que seus colegas sem enxaqueca, e parte desse risco foi independente da presença de depressão.  

 

Mais de quatro mil estudantes de Taiwan com idades entre 13 e 15 anos preencheram um questionário em sala de aula e 8.5% deles referiram ter pensado em suicídio no mês anterior.  Idéia de suicídio foi menos comum entre aqueles que viviam com ambos os pais biológicos, e mais comum entre as meninas, entre os que referiram outros sintomas de depressão e naqueles que se queixavam de dor de cabeça. Entre aqueles que tinham 7 a 14 crises de dor de cabeça por mês, 18% apresentavam ideação suicida e foi ainda maior (28,6%) quando a freqüência de dor era superior a 15 por mês.

 

Ao se avaliar o impacto das dores de cabeça nas atividades de vida diária através de uma escala, aqueles com baixa pontuação na escala tinham o mesmo nível de ideação suicida que o grupo como um todo. Entretanto, aqueles que apresentaram forte impacto das dores de cabeça nas atividades cotidianas (alta pontuação na escala), esses chegavam a apresentar uma freqüência de 44,4% de pensamentos suicidas. Além disso, o risco de ideação suicida foi maior entre aqueles com enxaqueca do que em outros tipos de dor de cabeça. No caso da enxaqueca com aura, que é quando além da dor de cabeça o indivíduo tem sintomas visuais (ex: estrelinhas) entre outros sintomas neurológicos, o risco de apresentar pensamentos suicidas chegou a ser 4.6 vezes maior do que entre os adolescentes sem história de dor de cabeça.

 

Futuros estudos deverão definir se o tratamento da enxaqueca é capaz de reduzir a freqüência de pensamentos suicidas entre adolescentes. Não se sabe também o quanto que idéias suicidas nessa população podem culminar em tentativas de suicídio. Os resultados dessa pesquisa precisam ser confirmados em populações de outras etnias, mas já nos alertam o quanto é importante a avaliação da dimensão psicológica de adolescentes com enxaqueca.

 

 

 

 

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