Adultos jovens com atitudes hostis ou que não cooperam em situações de estresse tem mais dificuldades cognitivas décadas depois. Essa é conclusão de um estudo publicado nesta quarta-feira pela revista Neurology da Academia Americana de Neurologia.

Não costumamos pensar em uma associação entre traços de personalidade e desempenho cognitivo, mas o atual estudo aponta que uma personalidade   hostil é comparável a uma década de envelhecimento no pensamento. A pesquisa envolveu mais de três mil americanos com uma média de 25 anos no início do estudo e foram seguidos por 25 anos. Para medir o perfil de hostilidade dos voluntários os pesquisadores aplicaram um questionário que investigava comportamento agressivo, desconfiança e sentimentos negativos no exercício social. Além disso, o questionário avaliava o “desperdício” de energia em situações de estresse que demandam contínua adaptação a desafios físicos e psicológicos. É mais ou menos o quanto a pessoa é teimosa e continua batendo a cabeça onde não há necessidade.

Aqueles com mais traços de hostilidade e os que tinham mais cabeça dura foram os que apresentavam pior desempenho cognitivo 25 anos depois. Os resultados foram independentes do estado de humor, eventos significativos na vida e discriminação. Outros estudos precisarão ser feitos para confirmar esses resultados. Se confirmados, será preciso entender a melhor estratégia para promover interações sociais positivas. Acho que a psicoterapia deve ser o melhor candidato.

 

 

A história está cheia de exemplos de burradas. Os troianos levaram o cavalo de Tróia para dentro das muralhas da cidade achando que seria um símbolo de vitória de algumas batalhas. Esqueceram de checar o recheio grego.  A torre de Pisa já era torta mesmo antes do término de sua construção. O governo francês investiu 15 bilhões de dólares em novos trens para descobrirem que eles eram muito grandes para cerca de 1300 estações ferroviárias. Etc, etc.

Um estudo publicado recentemente no periódico Intelligence divide as idiotices em três diferentes tipos. Os autores fizeram uma compilação de histórias envolvendo erros estúpidos. É o ladrão que rouba uma TV e é preso quando volta ao local do crime para pegar o controle remoto. É o homem que engatou um carrinho de supermercado a um trem e morreu após ser arrastado por mais de cinco quilômetros. Isso para não pagar a passagem. Outro exemplo é o de um terrorista que enviou uma carta bomba com uma quantidade insuficiente de selos. A carta voltou e ele abriu a própria carta. Bum. Não são meros acidentes.

O primeiro tipo de idiotice é explicado por excesso de confiança. Se achando.

Um bom exemplo é o de homem que assaltou um banco à luz do dia sem disfarce nem máscaras e achou que seu rosto ficaria invisível para as câmeras de segurança porque esfregou limão no rosto. Uma pesquisa mostra que depois de testes de lógica e gramática, voluntários que tiveram as piores notas eram frequentemente os que julgaram ter apresentado um bom desempenho nos testes.

O segundo tipo é decorrente de impulsividade, atos em que o comportamento está fora do seu controle habitual. É o caso das pessoas que publicam conteúdos nas redes sociais e logo se arrependem.

O terceiro tipo de erro é explicado pela falta de atenção. O cara dirige 200km de Brasília até Goiânia quando, na verdade, estava querendo ir a Paracatu.

Todos nós somos sujeitos a superestimar nossas capacidades, tomar decisões por impulso e falhar por falta de atenção. Algumas pessoas às vezes exageram na dose.

 

 

 

 

Ninguém deve discordar que manter viva uma relação com um companheiro / companheira dá trabalho e não existe velocidade de cruzeiro nesse processo. Compartilhamos aqui quatro táticas que podem fazer com que esse trabalho seja bem-sucedido.

Seja agradável sempre que puder O psicólogo John Gottmann, professor emérito da Universidade de Washington, estudou a fundo os fatores que promovem a estabilidade de um casal. Ele filmou o cotidiano de milhares de casais para analisar suas interações e apresentou os resultados de forma quantitativa. Os casais mais felizes têm uma média de cinco interações positivas para cada uma negativa. Essas interações positivas não eram necessariamente atitudes espetaculares, mas um simples balançar de cabeça, discreto sorriso ou sinalização de que está ouvindo o outro. Pesquisas recentes lideradas por Sara Algoe da UCLA – EUA têm demonstrado que quanto mais risada um casal dá juntos mais cada um deles sente-se apoiado pelo outro. Sara também mostrou que o hábito de demonstrar gratidão ao parceiro deixa ambos mais felizes e seguros na relação.

Pense no que o outro precisa mesmo no meio de uma disputa Gottmann lembra que podemos aplicar a Teoria dos Jogos nas relações conjugais também.  A princípio, se um ganha dois pontos, o outro perde dois.  O equilíbrio em que ambos ganham, em que cada um sai com um ponto, aproxima-se mais do equilíbrio de Nash – John Nash Premio Nobel de Economia. Rubem Alves trouxe a ideia das relações como um jogo de frescobol. Se o outro erra, o prejuízo é dos dois. Por isso vale a pena jogar a bola com capricho para o outro.

Preste atenção no outro As pessoas querem a atenção do outro e buscam ativamente essa atenção. Casais satisfeitos com a relação costumam prestar atenção um no outro em 86% do tempo em média. Já aqueles que acabam no divórcio têm essa atenção em 33% das interações. Ao invés de prestar atenção no relato do dia estressante do outro, a atenção pode estar voltada à TV.

Enxergue o outro como um copo meio cheio e não como meio vazio Gottmann também demonstrou que as pessoas que prestam muita atenção nas falhas do outro são cegas para as virtudes. As pessoas felizes no casamento são aquelas que conseguem ignorar os pontos negativos e valorizar os positivos. Toalha molhada em cima da cama não deve ser suficiente para desmoronar uma relação.

 

Os homens modernos dão mais valor ao cérebro das mulheres do que à beleza quando têm que escolher uma parceira. Essa é a conclusão de uma pesquisa recém-publicada pelo periódico European Review of Social Psychology

O senso comum é o de que os homens dão importância, muitas exagerada, para a beleza da mulher, mas pesquisadores americanos e austríacos mostraram nessa pesquisa que isso está mudando, pelo menos em países mais desenvolvidos. Nos países com maior igualdade de oportunidades entre os gêneros, é menor a força do antigo modelo homem provedor e mulher jovem e bonita, algo que psicólogos evolucionistas não acreditam muito. Pensam que o homem e a mulher carregam modelos mentais dos ancestrais que não mudaram muito com as transformações sociais.

O estudo mostra que em países com maior desigualdade de gêneros como Coréia e Turquia, a preferência das mulheres por homens bons provedores é duas vezes maior do que em países como a Finlândia e Estados Unidos. Na Finlândia, por exemplo, os homens são mais interessados do que as mulheres por uma companhia com alto nível educacional e inteligente.

Há muito pouco tempo o nível educacional e salário de uma mulher faziam pouquíssima diferença na hora de um homem escolher uma parceira. Hoje em dia esses atributos fazem mais diferença. Não custa também dar um bom trato no visual.

Grandes autores, muitas receitas. O  psicólogo Americano Ken Sheldon publicou recentemente o livro Optimal Human  que reúne uma série de estratégias que a ciência da psicologia tem demonstrado nesses últimos 30 anos, estratégias que costumam ser mais freqüentes entre as pessoas que se consideram felizes. Vamos elencar a seguir 6 pontos importantes destacados no livro.

 

Garantir as necessidades básicas. Isso irá refletir em autonomia para expressar sua identidade, talentos e interesses.

 

Perseguir aquilo que você julga importante e não o que a família ou a sociedade em geral vê como interessante. Uma criança pode ser um grande talento no violino, mas não tem prazer em fazer aquilo.

 

Dê mais importância às metas chamadas de intrínsecas (crescimento pessoal e sociabilidade) do que as extrínsecas (status, dinheiro, beleza).

 

Você não é um ser imutável. Se existe alguma coisa na sua personalidade que você percebe que não é tão legal, podemos mudar.

 

Tome para você a responsabilidade das suas escolhas e objetivos. 

 

Não ache que dar uma marcha ré com dignidade é sinal de fracasso. O cenário muda e você pode precisar mudar. 

Parece que faz sentido o antigo conselho que você deve se vestir não para o emprego que você tem, mas para o que você gostaria de ter.

Contamos hoje com diversos pequenos estudos que têm-nos mostrado a influência que a roupa pode ter na nossa mente e nosso corpo. Pode influenciar o desempenho cognitivo incluindo até as habilidades de negociação. Mexe até com os hormônios e a frequência cardíaca.

Em ambiente de laboratório, voluntários com uma roupa bacana têm melhor desempenho em testes cognitivos. Um estudo publicado em 2015 pela Social Psychological and Personality Science mostrou que os bem vestidos apresentavam um melhor pensamento abstrato, ponto cardinal para a criatividade e formulação de estratégias. Pode-se hipotetizar que esse efeito positivo da beca é decorrente de sentimento de empoderamento que ela pode promover.

Outro estudo testou o quanto a roupa era capaz de influenciar o desempenho em um jogo que avaliava a capacidade de negociação. Aqueles que se vestiam bem para os jogos iam melhor. Os que foram sorteados a ficar com uma roupa “simplesinha” mostraram até mesmo níveis  mais baixos do hormônio testosterona.

E não é que vestir um jaleco pode fazer com que uma pessoa tenha mais atenção numa tarefa? Em 2012 uma pesquisa publicada no Journal of Experimental Social Psychology apontou que pessoas que usaram jaleco numa tarefa que demandava atenção apurada cometiam duas vezes menos erros.

E em competições esportivas? Desconfia-se que a cor vermelha possa ser um fator de intimidação nos oponentes. Chegam até a propor aos cartolas que criem regulamentos para banir o vermelho dos uniformes, evitando vantagens pela cor do uniforme. Em 2013, o Journal of Sport and Exercise Psychology publicou um estudo mostrando que lutadores vestidos de vermelho ou azul não tinham resultados diferentes ao fim da luta. Entretanto, os que vestiam vermelho eram capazes de levantar mais peso antes da luta e tinham freqüência cardíaca mais alta durante a luta.

Não há dúvida que as pessoas nos enxergam diferente quando estamos bem ou mal vestidos. Esses estudos sugerem que nós também nos enxergamos diferentes de acordo com a roupa que vestimos.

Canabidiol é um derivado da maconha que não apresenta efeitos psíquicos. Já contávamos com evidências fracas de sua utilidade no tratamento da epilepsia, mas, neste último mês, tivemos um estudo bem robusto publicado pelo periódico Lancet Neurology mostrando que sua eficácia existe, porém limitada.

O estudo mostrou boa tolerabilidade e capacidade de reduzir a freqüência de crises epilépticas em 214 pacientes com epilepsia de difícil controle com idades entre um e 30 anos.  As crises se tornaram em média 30% menos frequentes após o início do uso da droga. Apenas dois pacientes tornaram-se livres de crises no período, mas 20 pacientes apresentaram efeitos colaterais severos como piora das crises epilépticas. O estudo foi conduzido por um ano em onze centros americanos de tratamento de epilepsia.

Um estudo duplo-cego já está em andamento, metodologia considerada “gold standard” para demonstração da eficácia de um medicamento. Nesse caso, nem o paciente, nem o médico, sabem se está sendo administrada a medicação ou placebo. Precisamos aguardar esses novos resultados para começar a encorajar os pacientes a usar o canabidiol em quadros de epilepsia de difícil controle.

Desde 2015, a ANVISA deixou de considerar o canabidiol uma substância proibida no Brasil e hoje a classifica como medicamento especial como os outros antiepilépticos. O canabidiol não é produzido no Brasil e o link para as normas de importação pode ser encontrado aqui.

Uma pesquisa publicada na última semana por pesquisadores da Universidade de Queensland – Australia aponta pela primeira vez que o grau de luminosidade que as crianças são submetidas tem influencia sim nos seus índices de massa corporal.

Os pesquisadores avaliaram 48 crianças com idades entre três e cinco anos, e após 12 meses de acompanhamento mostraram que aquelas que foram mais expostas à luz, natural ou artificial, foram também as que ganharam mais peso no período. Esses resultados foram independentes da dieta e do nível de atividade física.

É estimado que quase 20% das crianças do Brasil estejam acima do peso. Dieta, atividade física, sono, todos são fatores que influenciam o peso das crianças. A presente pesquisa coloca em discussão o quanto a vida “superiluminada” das crianças com seus computadores, telefones, tablets e TVs e não podem também ter influência no peso independente do sedentarismo.

É muito bem conhecido que nosso relógio biológico é fortemente influenciado pela exposição à luz e exerce impacto no sono, taxas hormonais e até no humor. Experimentos com roedores submetidos a exposição contínua  de luz branca demonstra que os animais ganham peso e desenvolvem intolerância a glicose, efeitos que são revertidos eles voltam a experimentar o ciclo claro-escuro.

A influência do excesso de luz que as crianças modernas são expostas pode até ser pequena no curto prazo, mas pode ser bem mais expressiva quando se pensa nos seus efeitos cumulativos ano após ano.

O estudo foi publicado no periódico PLOS ONE.

 

O prestigiado periódico PNAS publicou esta semana um extenso estudo longitudinal envolvendo milhares de americanos da adolescência até idades avançadas e mostrou que um bom círculo social traz benefícios à saúde em todas as fases da vida.

As pessoas mais solitárias apresentavam maior chance de pressão alta, obesidade abdominal e inflamação no sangue, todos considerados marcadores de risco de doenças como câncer e eventos vasculares. A pesquisa mostrou, por exemplo, que poucos amigos na adolescência traz o mesmo risco de inflamação sistêmica que a inatividade física.

A análise deixa claro para os médicos que eles devem estimular os pacientes a terem uma vida social plena desde idades precoces. A pesquisa dá bons insights de como a sociabilidade pode ser um agente promotor de nossa saúde

O estudo foi conduzido pela Universidade da Carolina do Norte.

 

Existem pessoas que acham o natal uma chatice. Será que elas têm alguma região do cérebro diferente?

O British Medical Journal encomendou uma pesquisa de fim de ano e “bem humorada” a pesquisadores da Universidade de Copenhagen em que voluntários foram submetidos a ressonância magnética funcional enquanto eram expostos a imagens natalinas.

Metade dos participantes era adepta das comemorações natalinas e outra metade via o natal com indiferença. Os simpatizantes às festas natalinas tiveram cinco diferentes regiões do cérebro mais intensamente ativadas pelas imagens. Os autores provocam que o presente estudo e outros no futuro podem vir a ajudar as pessoas que têm um certo blurgh do natal a curtiram um pouco mais nesta época. Esse blurgh é uma condição também conhecida por síndrome de bah humbug, inspirado no romance A Chritmas Carol de Charles Dickens.

/

Pesquisadores da Universidade do Alabama – EUA publicaram esta semana resultados de uma pesquisa que mostra que a privação de sono costuma vir acompanhada do hábito de comer ou beber fazendo outras coisas, como assistir TV comendo pipoca. A isso se chama alimentação secundária.

Dormir pouco faz com que a gente tenha comportamentos meio gulosos mesmo. Outra recente pesquisa publicada no periódico Obesity mostrou que se formos a um mercado após uma noite mal dormida, teremos uma tendência em comprar comida em maior quantidade e mais produtos calóricos do que se tivéssemos dormido bem.  Já foi até demonstrado que os centros de recompensa cerebral são mais ativados quando olhamos para imagens de alimentos quando estamos em dívida com o sono.

A associação entre privação de sono e maior risco de obesidade já é bem reconhecida. Já foi demonstrado que a privação de sono estimula a produção do hormônio grelina que está ligada ao aumento de fome e preservação de gordura no corpo.

 

Adultos jovens que assistem TV demais terão um pior desempenho cognitivo quando chegam na meia idade, 25 anos depois. Essa foi a conclusão de uma pesquisa publicada na ultima semana pelo periódico JAMA Psychiatry.
 
O estudo acompanhou mais de três mil americanos com idades entre 18 e 30 anos por um período de 25 anos. Assistir TV demais foi definido como um relato de um hábito de mais de três horas por dia em pelo menos 2/3 das visitas no acompanhamento. Aqueles que foram classificados como exagerados na TV (11%) tinham pior desempenho cognitivo 25 anos depois. Além disso, os que praticavam pouca atividade física (16%) durante esses 25 anos também tinham menor desempenho cognitivo ao final do estudo. A combinação de muita TV e pouca atividade física foi pior que cada um desses hábitos de forma isolada.    
 
Já sabemos muito sobre os efeitos nocivos do excesso de TV no desenvolvimento das crianças, mas poucos estudos analisaram o impacto sobre o cérebro de adultos jovens e, pelo jeito, o exagero nessa população adulta também não tem nada de inocente.

Women in White Turtle Neck Shirt and Red Lipstick

 

Anticorpos monoclonais anti-peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) é um alvo conhecido no tratamento da enxaqueca e dois estudos recentes demonstraram eficácia superior aos de medicações que são usadas atualmente para o tratamento profilático da enxaqueca.

O CGRP é um neurotransmissor vasodilatador largamente encontrado na corrente sanguínea de pacientes que sofrem de enxaqueca e os anticorpos desenvolvidos inibem a atuação dessas moléculas nas células do sistema trigeminal do cérebro, hoje reconhecidas como o calcanhar de aquiles da enxaqueca. Esses novos medicamentos têm sido comparados a mísseis guiados inteligentes para o controle das crises de enxaqueca. Estudos mais robustos já estão em andamento para confirmar os resultados iniciais de eficácia e segurança.

Temos  evidências de que o CGRP de ter importante na transmissão da experiência dolorosa, também  participa da regeneração de injúrias do sistema nervoso central e periférico. Além disso, temos evidências de que o CGRP tem receptores espalhados por todo o nosso corpo e colabora para a homeostase do sistema cardiovascular, respiratório, imunológico, endocrinológico e gastristestinal. Os anticorpos monoclonais desenvolvidos para o controle da enxaqueca podem ter outras aplicações no futuro para condições clínicas como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, síndrome do intestino irritável e infecções generalizadas.

Pesquisadores da Universidade de Oxford na Inglaterra avaliaram o efeito que 55 diferentes piadas tiveram sobre alunos da London School of Economics e mostraram que alguns tipos de piada agradam mais que outros. O estudo foi publicado esta semana pelo periódico Human Nature.

As piadas foram extraídas de uma lista das 101 melhores piadas de todos os tempos e os resultados mostraram que os estudantes deram maiores notas às piadas que tinham um nível de complexidade médio. Nem tão simples e nem tão complicadas. Quando tinham um roteiro com muitos personagens, ou muitas idas e vindas na história, características estas que podem fazer com que o ouvinte perca o fio da meada, a pontuação era mais baixa. Piadas com dois personagens foram consideradas melhores do que com mais ou menos personagens.

O estudo concluiu que uma boa piada deve ser a mais direta possível e que deve nos fazer rir com pouco esforço, mas nem tão pouco esforço.

 

O ato de rir provoca mudanças fisiológicas no corpo e um estado emocional que podem ser positivos ao estado de saúde.

Estudos que avaliaram o impacto do humor sobre a saúde dedicaram-se principalmente aos temas dor, estado imunológico e saúde cardiovascular. Alguns experimentos apontaram que indivíduos são mais capazes de suportar estímulos dolorosos quando estão assistindo a vídeos com conteúdo de humor. Outros estudos avaliaram componentes do sistema imunológico antes e depois de uma sessão de vídeo com conteúdo de humor e os resultados revelaram respostas imunológicas positivas. Quanto ao sistema cardiovascular, pesquisadores demonstraram que pacientes com doença coronariana têm menores scores numa escala de senso de humor frente a situações do cotidiano. Na verdade, temos boas evidências de que a falta de senso de humor, ou uma vida acompanhada de impaciência, raiva e atitudes hostis, estão associados a um maior risco de desenvolver pressão alta, piorar o controle dos níveis de glicose e ainda aumentar o risco de doença isquêmica do coração e morte.

O humor pode modular os efeitos adversos do estresse.

 

Qualquer emoção intensa é capaz de ativar o sistema nervoso simpático, que por sua vez libera uma série de “combustíveis” no sangue, entre eles a adrenalina, para que estejamos prontos a enfrentar ou a fugir da situação que nos provocou emoção. Uma pesquisa que comparou os efeitos fisiológicos durante um filme triste e um filme de humor revelou que ambos eram capazes de estimular o sistema nervoso simpático, mas provocaram respostas diferentes no quesito pressão arterial. O filme triste aumentava a pressão arterial dos voluntários enquanto o filme de humor não. Um outro estudo comparou os níveis de hormônios de estresse antes e depois de assistir a um vídeo de humor e mostrou uma redução dos níveis de cortisol, hormônio do crescimento e de um metabólito da dopamina.

Há evidências de que o humor pode ser um bom remédio contra a ansiedade. Um interessante experimento propôs aos voluntários que eles receberiam um pequeno choque a qualquer momento.  Uma parte dos indivíduos estudados apenas esperou pelo choque, outra parte esperou ouvindo um áudio sem conteúdo humorístico e um terceiro grupo esperou pelo choque ouvindo um áudio com conteúdo de humor. O áudio de humor foi capaz de reduzir a ansiedade antecipatória ao choque e o efeito foi mais robusto entre os indivíduos com maior senso de humor.

O humor tem o potencial de incrementar a rede de relacionamentos de um indivíduo, promovendo maior apoio social.

Estudos revelam que o senso de humor de uma pessoa está associado a outras virtudes que facilitam as relações sociais, como é o caso da empatia, capacidade de se relacionar com intimidade e confiança interpessoal. Além disso, temos cada vez mais evidências de que existe certo contágio emocional entre as pessoas. Pessoas que mantém contato com um indivíduo deprimido têm maior tendência em ficar deprimidas. Sabemos também que nosso estado de felicidade é um fenômeno de rede social, ou seja, depende do grau de felicidade das pessoas com as quais estamos conectados.

Emoções positivas, o sorriso, o estado de felicidade, todos podem ser vistos do ponto de vista evolutivo como um mecanismo que facilita as relações sociais ao promover sentimentos prazerosos nas pessoas, recompensar os esforços dos outros e encorajar a continuidade da relação social. E o sucesso da espécie humana depende de sua capacidade de fazer relações sociais.

Onde é que o riso se encontra no nosso cérebro?

As regiões mais frontais do nosso cérebro são consideradas as mais recentes no processo de evolução da espécie, e é aí que se concentram funções especializadas como a linguagem e o riso. O riso por sinal é exclusivo da espécie humana – a hiena não ri – e já foi demonstrado que a área cerebral que desencadeia o riso em última instância está nessa parte frontal. Já foi até comprovado que sua estimulação elétrica durante procedimentos cirúrgicos é capaz de desencadear o riso. Temos evidências também que o hipotálamo e as regiões temporais também têm participação na geração do riso. É claro que no mundo real precisamos do cérebro como um todo para entender a piada.

 

.

Homens comem muito para impressionar. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada pelo periódico Evolutionary Psychological Science e que testou o comportamento de homens e mulheres americanos num rodízio de pizza.

Os resultados mostraram que os homens, quando em companhia de mulheres, comiam 92% mais pizza que quando numa mesa só de homens. Já entre as mulheres, a o gênero dos acompanhantes não trouxe diferença na quantidade que elas comiam. Elas não comeram mais quando estavam com homens à mesa, mas sentiam que que haviam comido mais.

Vários outros estudos já haviam mostrado o quanto os homens são “pavões” na frente das mulheres. Elas fazem com que eles tenham atitudes mais heroicas. Por exemplo, eles tomam mais decisões arriscadas envolvendo dinheiro quando tem mulheres olhando. Imagine Sean Connery como 007 no Cassino Royale.

O presente estudo foi conduzido pela respeitada Universidade de Cornell nos EUA.

A resposta é sim, só que mais nem sempre é melhor. Uma pesquisa publicada esta semana pelo jornal Social Psychological and Personality Science a frequência de relações sexuais aumenta o quanto o indivíduo se sente feliz. Mas acima de uma vez por semana, mais sexo não traz mais felicidade. O estudo avaliou por três décadas cerca de 30 mil americanos heterossexuais com relações estáveis.

Alguns estudos prévios, e uma infinidade de livros de autoajuda, defendem a ideia de quanto mais sexo tem, maior o estado de felicidade. Parece que não é bem assim. Dinheiro e sexo aumentam a felicidade até um certo ponto. A partir de uma certa “quantidade” eles não fazem muita diferença.

Sexo faz bem à saúde.

Nas últimas décadas, pesquisas científicas rigorosas têm revelado que o sexo traz inúmeros benefícios à saúde.  Alguns desses estudos acompanharam indivíduos de meia idade e idosos por até 20 anos, e têm sido quase unânimes em mostrar que a atividade sexual está associada a uma menor mortalidade, inclusive por doença isquêmica do coração.

É bem reconhecido que uma relação sexual, devido ao esforço físico, pode até precipitar hemorragias cerebrais e morte súbita de causa cardíaca em indivíduos predispostos. Entretanto, à luz do conhecimento atual, pode-se dizer que o efeito protetor da atividade sexual é muito maior que os raros eventos precipitados pelo esforço físico. É claro que um indivíduo que tem dor no peito simplesmente por subir dois lances de escada deve discutir com seu cardiologista seu risco em fazer sexo ou qualquer outra atividade física.

Sexo também promove nossa saúde mental.  Uma vida sexual ativa está associada a menos ansiedade, menos agressividade e menos depressão. Talvez, da mesma forma que os efeitos sobre a felicidade, mais pode não ser necessariamente melhor.

A ciência moderna tem-nos mostrado cada vez mais que vida saudável não significa vida sem graça e sem prazer. Pessoas que frequentam atividades como shows de música, teatro e cinema percebem-se mais saudáveis e vivem mais.

Não é o caso de se fazer campanhas em prol de um estilo de vida “sexo, drogas e rock’n roll”, mas já existem razões de sobra para incorporarmos o prazer como importante medida de promoção à saúde.

 

A Society Of Coffee Drinkers

Agora não tem mais dúvida. A Associação Americana do Coração publicou na última semana os resultados de uma pesquisa que durou 30 anos e que mostrou que o consumo moderado de café reduz a mortalidade por doenças cardiovasculares. O estudo também mostrou que a mortalidade por doenças neurológicas foi menor.

Já existem evidências que o café ajuda a prevenir o derrame cerebral e as doenças de Parkinson e Alzheimer. O presente estudo envolveu mais de 200 mil americanos e apontou que o efeito protetor do café acontecia com o consumo de até cinco doses por dia, tanto com o cafeinado como com o descafeinado. Moral da história? O café pode e deve fazer parte de uma dieta saudável.

Uma outra pesquisa recente encomendada pela Associação Brasileira das Indústrias do Café (ABIC) em nove capitais, quatro cidades de médio porte e quatro cidades rurais revelou que 94% dos indivíduos maiores de 15 anos bebem café, e 95% desses o consomem diariamente. Entre aqueles que não tomam café, a principal razão apontada é a de que ele pode fazer mal à saúde. O estudo também revelou que 13% daqueles que bebem café pretendem reduzir seu consumo, e a razão principal é a preocupação de que o café possa fazer mal à saúde. Parece que podemos diminuir bastante esses medos e culpas.

Brain in a head

A velha história de que é possível aprender uma língua estrangeira enquanto dormimos parece ter um fundinho de verdade. Uma pesquisa publicada na última semana pelo disputado periódico Nature Communications mostrou que é possível fixar melhor o vocabulário de uma língua estrangeira durante o sono, desde que não existam fatores de distração.

Suíços que falam habitualmente o alemão tiveram aulas de holandês e no mesmo dia dormiam com um repeteco das palavras aprendidas no dia. Após fazerem o “dever de casa” dormindo, eles conseguiam ter um ganho de 10% na capacidade de se lembrar das palavras no outro dia. Entretanto, quando os pesquisadores misturavam traduções certas ou incorretas no áudio, os ganhos não aconteciam. Também não havia piora.

Na década de 1950,  dois pesquisadores americanos, Simons e Emmon, conduziram um experimento que deu um banho de água fria nas expectativas da capacidade do cérebro aprender dormindo.  Eles fizeram quase cem  perguntas a um grupo de voluntários e em seguida deram as respostas numa gravação enquanto dormiam. O resultado foi que ninguém aprendeu nenhuma das respostas e, assim, concluíram que o aprendizado durante o sono seria praticamente impossível.  Mas a ciência não parou por aí.

Nos últimos 20 anos, uma série de estudos tem contestado os resultados pioneiros de Simons e Emmon demonstrando que nosso cérebro, enquanto dorme, é capaz de aprender, reativar memórias e solidificar conteúdos recém-aprendidos.

Há tempos sabemos que nosso cérebro não pára de trabalhar durante o sono, especialmente no processamento afetivo e na organização e consolidação daquilo que aprendemos quando acordados. Além disso, é no sono que o cérebro descarta memórias pouco relevantes para nossa vida e isso se dá não por falta de espaço no hardware. O cérebro precisa manter sua mesa de trabalho livre de penduricalhos supérfluos.

Mesmo assim, com todo esse trabalho cerebral durante o sono, não há porque ter muita esperança em aprender  conteúdos novos e complexos durante o sono. Digo isso  porque ainda não estão  implantando chips no cérebro para uploads.

/

Quando for dar uma voltinha no shopping, faça uma boquinha antes. Assim, você gasta menos. Sem comida a gente fica com fome de outras coisas . Isso inclui até artigos de papelaria! Nosso juízo fica diferente.

Uma pesquisa recente publicada no disputadíssimo periódico PNAS demonstrou que voluntários famintos gostariam de ter mais para si até mesmo clipes de papel. Outro estudo mostrou também que homens, quando estão com fome, consideram fotos de mulheres obesas mais sensuais do que quando estão de barriga cheia. Quando se fala em alimentos, a fome dá mais fissura por alimentos com alto teor calórico. Essa é uma das razões pelas quais os nutricionistas nos orientam a não ficar mais de três horas sem fazer uma boquinha.

No caso dos clips, os famintos adquirem mais unidades durante o experimento sem achar que os clipes são mais legais. Com comida é diferente. A opinião sobre a qualidade interfere na quantidade “adquirida”. Gostar e querer podem ativar diferentes áreas do cérebro e uma coisa não necessariamente anda de mãos dadas com a outra. Viciados em jogo ou drogas querem, mas não gostam do que estão fazendo.

Os mesmos pesquisadores do estudo dos clips testaram voluntários no shopping center e demostraram que quem entrou com fome gastou mais.

.

O sonambulismo entre adultos é bem mais comum do que se imagina. Por volta de 30% dos adultos referem ter apresentado pelo menos um episódio de sonambulismo na vida e 3 a 4% destes relatam pelo menos um episódio no último ano.

Um episódio de sonambulismo geralmente dura menos de 15 minutos, mas pode chegar a mais de uma hora. Qualquer evento que influencie o estado de equilíbrio do cérebro pode desencadear o fenômeno naqueles que têm predisposição. Podemos listar privação de sono, álcool, medicações, estresse, febre, gravidez, entre outros.

O sonâmbulo mantém os olhos abertos, não responde aos estímulos do meio e, muitas vezes, realiza tarefas complexas como se vestir, arrumar a cozinha e até sair de carro. No outro dia, o paciente não se recorda do que fez e, quando acordado no meio do episódio, mostra-se confuso.

Há algum tempo ainda se acreditava que o sonambulismo era um fenômeno de sonhar acordado, mas não é bem isso o que acontece. O sonambulismo inicia-se na fase do sono não associada aos sonhos. É uma forma de estar acordado pela metade. A parte do cérebro responsável pelos movimentos está acordada, mas aquela associada à consciência e processos cognitivos ainda dorme. Adaptar a casa para evitar acidentes é importante e o tratamento medicamentoso é indicado especialmente para as pessoas que têm maior risco de acidentes.

Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico Sleep mostrou que esses cuidados não devem ser vistos como exageros. O sonambulismo provoca acidentes em cerca de metade daqueles que sofrem dessa condição. O curioso é que até 80% dos acidentados não acordam durante esses episódios, como se estivessem em um estado de analgesia. Sentem as dores no corpo só no outro dia quando acordam. Alguns caem de alturas de três metros e não acordam!

APOIO

PREMIO TOP BLOG

Também no Correio Braziliense - Coluna Neurônios em Dia - Revista do Correio

Blog Stats

  • 3.001.146 hits