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A defesa por uma vida de abstinência sexual teve sua vez na antiguidade. Na tradição cristã, podemos citar Paulo: “É bom para um homem que ele não toque em uma mulher”. No período helenístico, defendia-se o celibato como uma oportunidade para se dedicar à filosofia e alcançar a virtude e o bem estar. É comum em várias culturas a idéia de que o prazer da atividade sexual está associado à perda do vigor e do bem estar. No norte da Índia, qualquer perda de sêmen é considerada como debilitante, podendo levar a problemas de pele, ansiedade e perda da concentração, dores articulares, palpitações, dor no peito e até mau hálito. A conta para reabilitação é a reposição de 40 kg de comida para cada colher de sêmen “perdida”.
A ciência antiga também defendeu a idéia de que a restrição de sexo seria capaz de manter o vigor. No final do século XIX, Eugen Steinach ficou muito famoso com sua técnica cirúrgica que impedia a ejaculação por meio do fechamento dos canais que levam o esperma até a uretra. A idéia era impedir a perda de sêmen mesmo com a atividade sexual regular, e assim evitar a perda dos hormônios masculinos como a promessa de rejuvenescimento por meio desse tipo de “celibato filosófico”. Uma boa clientela na época reconhecia o procedimento como uma promissora fonte da juventude, mas com a evolução da ciência e da medicina baseada em evidências, pôde-se ver que tal conduta cirúrgica não oferecia mais do que um poderoso e invasivo efeito placebo.
Nas últimas décadas, estudos científicos rigorosos não só desmontaram de uma vez por todas o mito de que a atividade sexual pode ser deletéria à saúde, desde que devidamente protegida contra doenças sexualmente transmissíveis, mas também têm revelado que o sexo traz inúmeros benefícios à saúde. Alguns desses estudos acompanharam indivíduos de meia idade e idosos por até 20 anos, e têm sido quase unânimes em mostrar que quanto maior a atividade sexual, menor a mortalidade, inclusive por doença isquêmica do coração. É bem reconhecido que uma relação sexual, devido ao esforço físico, pode até precipitar hemorragias cerebrais e morte súbita de causa cardíaca em indivíduos predispostos. Entretanto, à luz do conhecimento atual, pode-se dizer que o efeito protetor da atividade sexual é muito maior que os raros eventos precipitados pelo esforço físico. É claro que um indivíduo que tem dor no peito simplesmente por subir dois lances de escada deve discutir com seu cardiologista seu risco em fazer sexo ou qualquer outra atividade física.
Outros efeitos do sexo sobre nossa saúde têm sido investigados, alguns já com boas evidências científicas, outros nem tanto.
– Aumento da concentração de anticorpos do tipo IgA na saliva. Esse mesmo efeito tem sido demonstrado em atletas e está associado a menor risco de infecções do trato respiratório superior. As pesquisas sobre essa questão ainda são muito tímidas e não nos permite sair dizendo por aí que sexo previne gripes e resfriados.
– Um estudo realizado na Escócia através de entrevistas com mais de 3500 indivíduos na Europa e nos EUA revelou que aqueles que faziam sexo pelo menos quatro vezes por semana eram aqueles que aparentavam ser mais jovens de acordo com análise de um painel de juízes. O estudo não foi publicado em um periódico científico, mas no livro best-seller Superyoung, propondo que o sexo rejuvenesce. Defende-se a tese de que a atividade sexual, por aumentar os níveis de alguns hormônios como o estradiol, pode deixar a pele e os cabelos mais viçosos. Além disso, uma outra pesquisa recente demonstra que mulheres com níveis altos de estradiol percebem-se fisicamente mais atraentes, e tanto na mulher como em várias outras espécies, esse componente hormonal faz com que a mulher seja mais receptiva ao parceiro para a cópula e tenha também maior sucesso na fertilização do óvulo.
– Sexo é atividade física e pode ajudar a controlar o peso, mas isso depende da freqüência da atividade sexual. Calcula-se que o gasto energético da atividade sexual seja muito próximo ao ato de caminhar, e não há sentido em pensar que o sexo deva substituir a atividade física “não sexual”. É bom lembrar que aquilo que alguns podem chamar de atletas sexuais, pode ser na verdade um transtorno psiquiátrico, um tipo de compulsão, chamado de Apetite Sexual Excessivo, ou Ninfomania no caso das mulheres e Satiríase ou Don Juanismo no caso dos homens. Claro que não existe um número mágico que defina que acima desse tal número encontra-se a anormalidade. Pode ser realmente chamado de transtorno quando o comportamento passa a trazer repercussões negativas na vida social, familiar e ocupacional do indivíduo. A recente pesquisa “A vida sexual do brasileiro” revela que a freqüência média de relações sexuais do brasileiro é de 3 vezes por semana, enquanto outras pesquisas mostram que em alguns países essa freqüência é maior e em outros menor.
– A excitação sexual e o orgasmo estimulam a liberação cerebral de uma série de hormônios e neurotransmissores associados à sensação de satisfação e que também têm efeitos analgésicos. Essas modificações não são associadas simplesmente ao orgasmo, já que são muito maiores com a relação sexual propriamente dita do que com a masturbação. Estudos já demonstraram menos queixas de dor entre pessoas com atividade sexual regular.
– Atividade sexual regular está associada a menos insônia. Esse efeito não parece estar restrito à sensação de sono após uma relação sexual, e nesse caso, a química cerebral no pós-orgasmo parece ser a grande responsável. Pesquisadores da UNICAMP demonstraram recentemente que mulheres que apresentam insônia têm um menor índice de satisfação sexual. O estudo sugere que a insônia e a baixa satisfação sexual não andam sozinhas, mas têm relação também com a depressão e uso de antidepressivos.
– Uma vida sexual ativa está associada a menos ansiedade, menos agressividade e menos depressão. Um estudo no início desta década chegou a demonstrar que mulheres que não usavam preservativos na relação tinham menos índices de depressão do que aquelas que usavam. Uma das hipóteses é a de que a absorção pela vagina de estrogênios e prostaglandinas contidas no sêmen poderia reduzir o risco de depressão. Esse é um estudo isolado, não confirmado por estudos subseqüentes, e com falhas metodológicas significativas, como a diferença na freqüência da atividade sexual entre os grupos. E mesmo que os resultados sejam confirmados no futuro, nada mudará quanto ao recado mais importante relacionado ao assunto: sexo só com camisinha.
– Mulheres que fazem sexo pelo uma vez por semana têm ciclos menstruais mais regulares do que aquelas que fazem sexo de forma esporádica ou as abstêmias. A atividade sexual também fortalece a musculatura da pelve podendo ajudar a reduzir o risco de incontinência urinária com o envelhecimento.
– Um assunto ainda muito polêmico é a relação entre o risco de câncer de próstata e a freqüência de atividade sexual. A produção de sêmen envolve uma alta concentração de substâncias pela próstata e pelas vesículas seminais, que pode incluir substâncias carcinogênicas, e a retenção de sêmen por longos períodos poderia aumentar a exposição da próstata a essas substâncias. Por outro lado, a alta freqüência de relações sexuais / masturbação está associada a um aumento da atividade de hormônios sexuais masculinos, que por sua vez é considerado um perfil de maior risco para a doença. Além disso, freqüente atividade sexual, especialmente com múltiplos parceiros, aumenta o risco de câncer de próstata, devido ao aumento no risco de doenças sexualmente transmissíveis. Como se pode ver, a relação entre a freqüência de ejaculação e câncer de próstata é uma faca de dois gumes, tendo de um lado a freqüência excessiva de ejaculação podendo estimular o desenvolvimento da doença em indivíduos geneticamente predispostos, e do outro lado a ausência de ejaculação por períodos prolongados podendo aumentar o contato de substâncias carcinogênicas com a próstata. Essa é uma das formas de explicar o porquê dos resultados dos estudos realizados até o momento serem tão contraditórios. Por enquanto, pode-se dizer que nem a abstinência sexual nem o exagero são recomendados, e como já vimos anteriormente, não é só pelo bem da próstata.
A ciência moderna tem-nos mostrado cada vez mais que vida saudável não significa vida sem graça e sem prazer. Pessoas que freqüentam atividades como shows de música, teatro e cinema percebem-se mais saudáveis e vivem mais. Não é o caso de se fazer campanhas em prol de um estilo de vida “sexo, drogas e rock’n roll”, mas já existem razões de sobra para incorporarmos o prazer como importante medida de promoção à saúde.
Uma pesquisa chamada de “Investigação Prospectiva Européia em Nutrição e Câncer”, publicada neste mês de abril no Jornal do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, concluiu que o poder de frutas e outros vegetais em prevenir o câncer não é tão grande como se pensava. A pesquisa foi divulgada pelos principais jornais do mundo com um recado desanimador para quem segue à risca a recomendação atual médica de se consumir cinco porções de frutas / vegetais por dia para reduzir o risco de uma série de doenças, inclusive o câncer. O jornal The Guardian publicou: “O consumo de vegetais tem pouco impacto no risco de câncer”; o jornal The New York Times publicou “O consumo de vegetais não previne o câncer”.
A pesquisa revelou que o consumo de duas porções e meia de frutas / vegetais por dia é capaz de reduzir o risco de câncer em 3% e o consumo de cinco porções diminui esse risco em 9%. A pesquisa envolveu cerca de meio milhão de pessoas de 23 centros de pesquisa e 10 países europeus. Os resultados foram discordantes de pesquisas anteriores que chegaram a evidenciar que o consumo de cinco porções diárias reduz o risco de câncer em 50%. Usando-se um copo como referência, uma porção significa: ½ copo de frutas picadas, ou ¾ copo de suco natural, ou 1 copo de folhas verdes, ou ½ copo de vegetais crus ou cozidos. Com esses novos resultados, ainda faz sentido a recomendação da Organização Mundial da Saúde de “cinco porções por dia”? A resposta é SIM e os argumentos são fortes.
1- O hábito das “cinco porções por dia” traz benefícios inequívocos à saúde dos vasos sanguíneos, com redução expressiva dos riscos de infarto do coração e derrame cerebral. Essa é a atual recomendação da Associação Americana do Coração. Uma recente metanálise revelou que o risco de derrame cerebral é reduzido em 26% entre as pessoas que consomem pelo menos cinco porções diárias e em 9% entre aqueles que consomem três a cinco porções;
2- Apesar de essa nova pesquisa ter revelado uma redução de risco de câncer de uma forma geral mais modesta do que se chegou a pensar anteriormente, resultados prévios da mesma pesquisa já haviam demonstrado que as frutas / vegetais têm mais efeito protetor sobre alguns tipos de câncer, especialmente aqueles que têm mais associação com o tabagismo e alcoolismo, como o câncer de boca, esôfago, intestino e pulmão;
3- O consumo das cinco porções por dia é uma poderosa arma para manter o peso em dia. Vale lembrar que a obesidade só perde para o tabagismo como fator associado ao câncer que pode ser prevenido;
4- Frutas / vegetais são ricas fontes de fibras, regulam a função intestinal, e é bem reconhecido que podem reduzir o risco de câncer de intestino.
Os resultados dessa última pesquisa não mudam a atual recomendação das “cinco porções por dia”. Os benefícios para a saúde de uma forma geral vão muito além da redução do risco de câncer.
Uma pesquisa publicada na última edição do periódico oficial da Academia Americana de Neurologia demonstra que altos níveis da proteína C-reativa, um marcador de inflamação no sangue, está associado a alterações cerebrais que influenciam as funções intelectuais.
Os pesquisadores avaliaram cera de 450 pessoas sem antecedente de demência ou derrame cerebral e com uma média de idade de 63 anos. Aqueles que apresentavam maiores níveis da proteína C-reativa exibiam mais alterações nas regiões frontais do cérebro evidenciadas pela ressonância magnética. Essas mesmas pessoas também tinham um menor desempenho em provas de funções executivas, incluindo atenção, planejamento e velocidade de resolução de problemas, capacidades estas fortemente dependentes da integridade das regiões frontais do cérebro.
Já é bem reconhecido que índices altos da proteína C-reativa estão associados a um maior nível de aterosclerose, assim como a um maior risco de infarto no coração e derrame cerebral. Além disso, pesquisas revelam que a redução dos níveis de proteína C-reativa de um grau moderado para um grau leve está associada a uma redução relativa do risco desses eventos vasculares. As ações mais importantes para a prevenção de doenças vasculares são as mesmas capazes de reduzir os níveis da proteína C-reativa: atividade física regular, manter o peso em dia e ficar longe do cigarro. Pesquisas recentes têm demonstrado também que medicações como a aspirina e estatinas, estas últimas indicadas para controlar o colesterol, podem controlar as concentrações de protéina C-reativa.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico JAMA, Jornal da Associação Americana de Medicina, demonstra que a prática de 60 minutos diários ou mais de atividade física moderada é mais recomendável para evitar sobrepeso e obesidade entre as mulheres do que exercícios em menores quantidades e intensidades.
O estudo acompanhou de forma prospectiva, e por 13 anos, cerca de 40 mil americanas com média de idade de 54 anos e que mantiveram suas dietas habituais. No início do estudo, 50% das mulheres faziam menos de 150 minutos por semana de atividade física moderada, 22% faziam mais de 420 minutos, e o restante tinha um nível de atividade intermediário entre esses dois primeiros grupos. Apenas 13% das mulheres começaram o estudo com peso normal e conseguiram chegar ao final sem sobrepeso ou obesidade. Essas mulheres tiveram uma média de atividade física semanal de 420 minutos, 60 minutos por dia.
Estima-se que 40% dos brasileiros adultos apresentam excesso de peso, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003 conduzida pelo IBGE. Emagrecer já é uma tarefa difícil, e a manutenção do peso após alguns quilos perdidos é mais difícil ainda. O melhor negócio é não deixar o peso se acumular com o passar do tempo, e essa é uma equação teoricamente simples: não podemos ingerir mais calorias do que gastamos. Na prática, é importante que as pessoas tenham em mente o quanto de atividade física é necessária para controlar o peso, mas essa é uma informação que ainda não está tão bem definida pela ciência.
Quando se fala em prevenção de doenças vasculares como o derrame cerebral e infarto do coração, assim como prevenção de doenças crônicas e degenerativas, a recomendação de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada é a mais amplamente difundida. É isso que a Associação Americana do Coração e o Colégio Americano de Medicina do Esporte preconizam, mas não definem se essa quantidade de atividade física é suficiente para evitar ganho de peso. Já o Instituto de Medicina dos Estados Unidos recomenda, desde o ano de 2002, a realização de 420 minutos de atividade física moderada por semana para evitar que adultos entrem na faixa de sobrepeso ou obesidade. As evidências científicas que embasam essa recomendação têm sido questionadas, mas o atual estudo reforça com metodologia impecável essas diretrizes do Instituto de Medicina. É importante ressaltar que os resultados da pesquisa ainda revelam que, para as mulheres com sobrepeso ou que estão obesas, os 60 minutos diários de atividade física não são suficientes para alcançar um peso normal. Estas precisam realmente fazer uma dieta de restrição calórica.
CLIQUE AQUI para ouvir um bate-papo na´Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira
1- Fumar nem pensar. Por quê ?
O cigarro “engrossa” o sangue, aumentando sua tendência a formar coágulos, além de ser um agente que danifica as artérias, contribuindo para a progressão da aterosclerose. O cigarro ainda reduz a tolerância ao exercício físico, piora os níveis de colesterol e da pressão arterial.
2- Atividade física de intensidade moderada por pelo menos 30 minutos, 5 vezes por semana. Por quê ?
O exercício físico “afina” o sangue, reduzindo sua tendência a formar coágulos. Além disso, ajuda a controlar o peso, é benéfico para a pressão arterial e para os níveis de colesterol e ainda ajuda a reduzir o estresse. Todos esses efeitos previnem a aterosclerose.
3- Reduza o estresse. Por quê ?
O estresse está associado a um aumento de substâncias circulando no sangue, como a adrenalina, que quando elevadas de forma crônica, podem aumentar a tendência de coagulação do sangue, piorar os níveis de colesterol e reduzir o calibre dos vasos, e esse último efeito pode aumentar a pressão arterial.
4- Frutas, vegetais e grãos integrais todos os dias. Por quê ?
Recomenda-se o consumo de pelo menos cinco porções por dia de frutas e vegetais. Usando-se um copo como referência, uma porção significa: ½ copo de frutas picadas, ou ¾ copo de suco natural, ou 1 copo de folhas verdes, ou ½ copo de vegetais crus ou cozidos. O benefício é devido ao poder anti-oxidante das frutas e vegetais que servem como um anti-inflamatório natural, prevenindo a aterosclerose. Também é recomendável que pelo menos metade dos grãos ingeridos sejam integrais, por serem ricos em fibras. Esse maior conteúdo de fibras promove um melhor controle do peso, pois provocam saciedade mais rápida e ainda melhoram os índices de colesterol.
5- Não exagere na gordura animal e no sal. Por quê ?
Quase toda gordura animal pode ser classificada como gordura saturada ou rica em colesterol, e são esses os maiores fatores alimentares para o aumento dos níveis de colesterol no sangue e seu conseqüente acúmulo nas artérias. Lembrar que quando falamos em gordura animal estamos falando também dos laticínios e ovos, e por isso, devemos dar preferência aos produtos menos gordurosos como o leite desnatado e a ricota. O sal também deve ser usado de forma moderada, já que o excesso de sal na dieta de algumas pessoas pode causar ou piorar a hipertensão arterial, um dos maiores fatores de risco para o infarto do coração e acidente vascular cerebral.
6- Não exagere na gordura trans. Por quê ?
As gorduras trans, além de estarem presentes nas carnes e laticínios, podem ser formadas por processo industrial que transforma óleos vegetais líquidos em gordura sólida – é a tal gordura hidrogenada. Temos de estar atentos aos biscoitos, sorvetes, salgadinhos de pacote, margarinas, entre outros produtos industrializados. As gorduras trans aumentam o nível de colesterol no sangue e hoje é obrigatório o fabricante informar a quantidade desta gordura no alimento. O ideal é que tenha de 0,2 a 2g por porção e este é o máximo que devemos consumir por dia. Nada de preguiça em ler o rótulo antes de colocar o produto no carrinho do supermercado!
7- Não deixe de comer as gorduras saudáveis. Por quê ? Hoje sabemos que populações que comem bastante azeite como na ilha grega de Creta, têm menos problemas vasculares do que populações que comem pouca gordura, como é o caso do Japão. Além do azeite, os demais óleos vegetais, peixes, nozes e castanhas são ricos em gordura insaturada, que reduz os níveis de colesterol. O ômega-3 é um dos componentes dessas boas gorduras e é por isso que se recomenda comer peixe pelo menos duas vezes por semana, especialmente salmão, sardinha, truta ou atum.
8- Bebidas alcoólicas só com moderação: até uma dose por dia para mulheres e até duas para homens. Por quê ?
O consumo excessivo de álcool pode levar ao aumento de gordura no sangue (triglicérides), elevação da pressão arterial, e pode levar à obesidade por ser um alimento bastante calórico. Todos esses fatores aumentam o risco de eventos vasculares. Entretanto, o uso moderado de álcool pode promover melhora dos índices de colesterol e pode ainda reduzir a tendência de coagulação do sangue. Esses efeitos parecem estar bastante associados ao fator álcool, mas estudos apontam para um benefício ainda maior no caso do vinho tinto, por propriedades anti-oxidantes próprias da uva. Mesmo com essas evidências, não se deve recomendar que indivíduos que não bebem começem a beber. Entretanto, entre aqueles que já têm o hábito de beber, estes devem beber moderadamente e de preferência vinho tinto.
9- Não coma mais calorias do que você gasta. Por quê?
A obesidade é um sério fator de risco para o desenvolvimento de hipertensão arterial, diabetes, aumento dos níveis de colesterol, infarto do coração e acidente vascular cerebral. Na Idade da Pedra, nossos ancestrais ao conseguirem caçar um animal, grande fonte de gordura, comiam o máximo que podiam, pois não sabiam quando conseguiriam outra caça. Não podemos nos dar ao luxo de reproduzir este instinto primitivo, pois a oferta de alimento hoje é muito grande, e são os alimentos que podem nos caçar se não formos racionais.
10- Uma soneca de 30 minutos após o almoço faz bem ao coração. Por quê?
Alguns estudos vêm demonstrando uma redução na mortalidade por doenças do coração em populações que têm o hábito de tirar uma soneca após o almoço, e os efeitos são mais robustos entre homens que trabalham.
** Leia também PREVIDÊNCIA VASCULAR – PRIMEIRA PARTE
*Artigo publicado originalmente no jornal Correio Braziliense no dia 16 de março de 2010
*Por Dr. Ricardo Teixeira
No consultório do cardiologista, uma senhora que precisa de medicações para controlar sua pressão arterial encerra sua consulta perguntando se ela pode manter o seu hábito de tomar uma taça de vinho por dia. O doutor lhe responde que não só pode como deve – “Minha cara, temos acompanhado nos últimos anos uma série de estudos que demonstram que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Isso significa que quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que aqueles que não bebem. Já o consumo exagerado de álcool provoca um maior risco de doenças cardiovasculares. Veja bem, devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. As pesquisas ainda apontam que esse efeito protetor do consumo diário e moderado deixa de existir quando a pessoa exagera na dose mesmo que seja por apenas um dia no mês”.
Essa mesma senhora ouvirá dos médicos que sua taça de vinho é capaz de reduzir seu risco de doença de Alzheimer e outros tipos de demência. Ouvirá também que já existem estudos que demonstram que o seu hábito também está associado a um envelhecimento com maior nível de independência física e maior longevidade. As bebidas alcoólicas de uma forma geral promovem esses efeitos positivos, mas o vinho tinto parece ser levemente superior, pois além do álcool, ele possui outras substâncias protetoras como os flavonóides, incluindo o resveratrol.
Apesar de todas essas evidências, não existe justificativa até o momento para se indicar o consumo de álcool por potencias efeitos medicinais. À luz do conhecimento atual, recomenda-se que os médicos não indiquem o uso de álcool como se fosse um suplemento alimentar para prevenir doenças. Devem recomendar às pessoas que não bebem que continuem sem beber, e às pessoas que já têm o hábito de beber, que não ultrapassem os limites. Mas isso também está mudando, já que estudos recentes têm demonstrado que o consumo regular de álcool, mesmo em doses leves a moderadas, está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer, como o de mama, reto e fígado. Por essa razão, em 2009 o Instituto Nacional do Câncer da França deu início a uma campanha chamada Álcool Zero, defendendo a idéia de que mesmo uma dose diária não é segura.
Não se deve pensar no álcool como um elemento promotor da saúde da população, não só pelo aumento do risco de câncer, mas também porque muitas pessoas atravessam a barreira entre o consumo moderado e o consumo exagerado. Esse consumo exagerado é responsável por uma em cada 25 mortes no mundo, e como se não bastasse as mais de duzentas doenças secundárias ao álcool, ainda temos os enormes problemas sociais que estão associados ao seu consumo. E isso já é um problema para lá de antigo. Por 40 dias e 40 noites, Noé, sua mulher, três filhos e os animais, embaracaram na arca enquanto o dilúvio destruía o resto do mundo. Ao chegar em terra firme, uma das primeiras coisas que Noé fez foi “tomar vinho e ficar embriagado” e os filhos precisaram protegê-lo para que ele não metesse os pés pelas mãos. O livro do Genesis marca a presença do álcool e seus riscos já nos primórdios da humanidade.
* Artigo publicado hoje no Blog Saúde para Todos do Correio Braziliense – por Ricardo Teixeira
A aterosclerose é um termo que já existe há cerca de um século. Entretanto, a aterosclerose é uma doença tão antiga que já foi demonstrada até mesmo entre as múmias egípcias. A palavra tem origem do grego – Athero = pasta e Skleros = endurecimento. É o endurecimento das artérias devido a depósitos de material que hoje bem conhecemos: gordura, elementos celulares, cálcio, etc. E arterioslerose? É a mesma coisa? Arteriosclerose é um termo mais genérico que se refere ao endurecimento das artérias independente da causa. A Aterosclerose é sua causa mais importante.
O início do processo de aterosclerose se dá por uma disfunção da camada mais interna do vaso (o endotélio), seguido por acúmulo de gordura, desencadeando um processo inflamatório crônico. Vale ressaltar que o vaso sanguíneo é um órgão tão complexo do ponto de vista funcional como qualquer outro órgão do organismo. Hábitos de vida e doenças que representem insultos à sua camada interna são os maiores responsáveis pelo desenvolvimento da aterosclerose. Estes são os principais vilões: TABAGISMO, NÍVEIS ALTOS DE GORDURA NO SANGUE, HIPERTENSÃO ARTERIAL, DIABETES, OBESIDADE, INATIVIDADE FÍSICA, ESTRESSE, BAIXO CONSUMO DE FRUTAS E VEGETAIS e ABUSO DE ÁLCOOL.
Existem fatores que aumentam o risco da doença e que não podemos controlar e modificar, como é o caso da idade, sexo e história familiar. Entretanto, esses fatores “não modificáveis” contribuem apenas com 10% do risco do indivíduo apresentar um evento vascular como um infarto agudo do miocárdio. Em última análise, 90% DO RISCO ESTÁ EM NOSSAS MÃOS! E nosso dever de casa é reduzir ao máximo a presença dos fatores descritos acima, uma tarefa diária que poderíamos chamar de nossa Previdência Vascular.
É importante saber que a aterosclerose começa desde muito cedo na vida. Obesidade em crianças e tabagismo em adultos jovens já provocam espessamento das paredes das artérias, e esse espessamento é a própria aterosclerose na sua forma mais precoce. A doença pode evoluir com a formação de placas que podem levar ao estreitamento lento e silencioso da passagem do sangue pelas artérias. Assim como qualquer plano de previdência, quanto mais cedo começarmos nossa Previdência Vascular, maior será o prêmio no futuro. Atividade física e dieta saudável devem começar na infância, e os pais têm que dar o exemplo.
Desde a década de 80, sabe-se que mais importante que o grau de estreitamento das artérias é a vulnerabilidade da placa de aterosclerose. Isso pode ser traduzido na chance dessa placa expor seu conteúdo diretamente ao sangue, e causar um processo agudo de coagulação do sangue chamado de aterotrombose. É esse evento que causará os eventos agudos e graves como o infarto coração e o acidente vascular cerebral. Sabemos que o indivíduo que apresenta placas de aterosclerose e que investe bem em sua Previdência Vascular, este tem suas placas com capas de proteção mais fortes, com menor risco de rompimento.
Os administradores de previdência privada passam o tempo todo tendo que modular o tipo de aplicação de acordo com os ventos do mercado. Nossa tarefa como administradores de nossa Previdência Vascular é mais previsível, pois as diretrizes de sucesso não mudam de um dia para o outro, mas nem por isso deixa de ser uma tarefa que requer determinação e disciplina, já que o investimento deve ser diário. Já conhecemos bem o que fazer e o que não fazer para preservar nosso capital vascular, e o que precisamos é incorporar atitudes ao nosso cotidiano, entendendo sempre o porquê de cada ação.
* Leia na próxima segunda-feira: AS DEZ ATITUDES MAIS IMPORTANTES PARA PREVENIR A ATEROSCLEROSE.
O sistema Cochrane de revisões científicas em saúde acaba de publicar uma análise de dez pesquisas que envolveram mais de 16 mil indivíduos e que avaliaram o impacto sobre a saúde de um esquema de trabalho com flexibilidade de horário. A análise concluiu que essa flexibilidade influencia positivamente inúmeros indicadores de saúde, como é o caso do sono, equilíbrio psíquico e dos níveis de pressão arterial.
Flexibilidade de horário não é trabalhar menos. É otimizar o horário de trabalho, conciliando-o com a vida pessoal. Em países escandinavos, a oportunidade de trabalhar em horários que melhor se adaptam à vida familiar já é habitual, especialmente entre as pessoas que têm filhos. Em 2009, a Inglaterra passou a garantir um horário de trabalho flexível para aqueles que têm filhos menores de 16 anos. No Brasil, esse benefício já começa a ser oferecido em algumas empresas públicas e privadas, mas é geralmente restrito para aqueles que têm um status profissional elevado. Espera-se que um dia o benefício se estenda até a base da pirâmide social.
CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo sobre o assunto na Rádio Eldorado- SP com o Dr. Ricardo Teixeira
Apesar da maioria das pessoas que sofre de enxaqueca costumar ter uma ou duas crises de dor de cabeça por mês, a cada ano, cerca de 15% delas passam a apresentar crises quase diárias. Quando as crises ultrapassam a marca de mais de 15 crises mensais por três meses consecutivos, a enxaqueca deixa de ser classificada como enxaqueca episódica e passa a ser chamada de enxaqueca crônica. Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry reforça o conceito já bem reconhecido pela literatura médica de que a enxaqueca crônica é um problema que vai muito além das dores de cabeça.
Foram estudados mais de 12 mil americanos com o diagnóstico de enxaqueca, cerca de 80% do sexo feminino. Os indivíduos com enxaqueca crônica apresentaram indicadores de saúde piores do que aqueles com a forma episódica: tinham mais depressão, ansiedade, dor crônica, bronquite e asma, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, e maior risco de doença coronariana e derrame cerebral. Além disso, os portadores de enxaqueca crônica apresentavam mais problemas no trabalho como o absenteísmo, uma maior chance de estarem desempregados e ainda uma menor renda familiar. Estudos anteriores já haviam evidenciado que os portadores de enxaqueca crônica têm menor produtividade no trabalho e menor qualidade de vida em família.
A Organização Mundial da Saúde classifica a enxaqueca como a 19ª doença que mais leva à incapacidade funcional. No caso da mulher, ela fica em 12º lugar. Apesar do enorme impacto que a doença tem sobre a vida da população, apenas uma minoria é diagnosticada corretamente e recebe tratamento apropriado. Um amplo trabalho de conscientização dessa importante condição clínica voltado tanto aos pacientes como aos médicos é fundamental para mudar esse cenário.
A enxaqueca faz parte da vida de uma em cada cinco mulheres e sua prevalência é três vezes menor entre os homens. Por ser tão comum e por ser geneticamente herdada, há uma tese de que ela deve corresponder a uma vantagem da espécie humana construída ao longo da evolução, como se fosse um alarme que faz doer a cabeça quando estamos expostos a situações que não combinam com a preservação da espécie (ex: privação de sono, jejum prolongado).
Por conta desse alarme, existe uma crença de que as pessoas com enxaqueca tenham um estilo de vida mais saudável, com menos excessos. Entretanto, um estudo publicado na última edição online da revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, demonstrou que as pessoas com enxaqueca têm uma maior chance de apresentar fatores de risco vascular como hipertensão arterial, diabetes e colesterol alto, condições que têm um componente genético, mas que também têm forte associação com hábitos de vida.
O estudo acompanhou mais de onze mil americanos e ainda mostrou que os portadores de enxaqueca têm maior risco de infarto do coração, doença arterial periférica e derrame cerebral, independente de apresentarem fatores de risco vascular. No caso do derrame cerebral, esse risco só foi maior naqueles com enxaqueca com aura, que é quando a enxaqueca é precedida ou acompanhada de sintomas neurológicos como flashes na visão ou alteração da sensibilidade de um lado do corpo.
Esses resultados reforçam ainda mais a idéia de que os médicos devem encarar a enxaqueca como uma condição que vai muito além da dor de cabeça. Ações de prevenção de outras condições clínicas que aumentam o risco vascular devem ser fortemente encorajadas. No caso das mulheres com enxaqueca com aura, essas devem ser orientadas a evitar o uso de pílulas anticoncepcionais que contenham o hormônio estradiol. Cigarro nem em pensamento. Uma questão ainda em aberto é se o tratamento adequado das crises de enxaqueca é capaz de reduzir o risco de doenças vasculares. Que melhora muito a qualidade de vida ninguém tem dúvida.
As medicações usadas para controlar a hipertensão arterial têm se mostrado a cada dia mais interessantes ao cérebro. E os efeitos benéficos vão além da capacidade de proteger o cérebro de altos níveis de pressão arterial. Em 2009, dois estudos avançaram muito na discussão da relação entre a hipertensão arterial e o risco de demência. Um deles demonstrou que o uso de anti-hipertensivos reduz o risco de demência, e o risco é menor até mesmo quando comparado ao das pessoas que nem apresentam pressão alta. O segundo estudo mostrou que o tratamento da hipertensão arterial reduziu o risco de demência, especialmente entre pessoas com menos de 75 anos de idade, onde a redução do risco foi de 8% quando comparado àquelas que nunca fizeram tratamento para pressão alta. Nenhuma classe de anti-hipertensivo foi superior às demais.
Uma pesquisa publicada na última edição do British Medical Journal confirma esse efeito protetor dos anti-hipertensivos sobre o cérebro, e desta vez tivemos uma pista de que alguns medicamentos podem ser mais eficazes que outros. Pesquisadores da Universidade de Boston nos Estados Unidos acompanharam por quatro anos mais de 800 mil indivíduos com mais 65 anos de idade (98% homens) e em tratamento para doença cardiovascular. Aqueles que faziam uso de medicações da classe bloqueadores dos receptores da angiotensina (ex: candesartan, losartan, valsartan) tiveram menos risco de desenvolver doença de Alzheimer e outros tipos de demência do que aqueles que usaram outros tipos de anti-hipertensivos. Além disso, entre aqueles que já apresentavam diagnóstico de demência, o uso de anti-hipertensivos também promoveu uma menor chance de internação em clínicas geriátricas.
Já é bem reconhecido que os bloqueadores dos receptores de angiotensina têm efeitos positivos sobre os pequenos vasos sanguíneos como um todo, incluindo os do cérebro. Um dos principais marcadores da Doença de Alzheimer é o depósito de proteínas no cérebro e é fundamental o pleno funcionamento da microcirculação cerebral para que essas proteínas não se acumulem de forma exagerada. Essa é uma das formas de entender a razão pela qual a atividade física, uma dieta rica em frutas e vegetais, com alto teor de ômega-3, consumo moderado de álcool, todos esses sejam considerados fatores protetores da Doença de Alzheimer. Se é bom para os vasos, é bom para o cérebro.
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Já é bem reconhecido que o vinho tinto sem exageros pode promover um efeito protetor à saúde do coração e do cérebro. Um componente que explica esse efeito positivo é o próprio álcool, mas os polifenóis também fazem a sua parte. Os polifenóis são substâncias encontradas em abundância nos alimentos de origem vegetal e que ajudam a promover um melhor funcionamento dos vasos sanguíneos. Onde tem vasos sanguíneos funcionando bem, os órgãos têm mais chance de estarem bem também.
O vinho branco, que tem uma menor concentração de polifenóis, exerce efeitos mais discretos sobre os vasos que o vinho tinto, apesar de seus efeitos positivos já terem sido demonstrados. O Champagne francês, por sua vez, tem uma concentração de polifenóis maior que a do vinho branco por conta das uvas Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay, e no Brasil, alguns espumantes também têm como base essas uvas. Entretanto, poucos estudos foram realizados para investigar os efeitos do Champagne sobre nosso organismo, especialmente com o foco em nossa saúde vascular.
Pesquisadores franceses acabam de publicar um estudo no British Journal of Nutrition revelando que o consumo de 375ml de Champagne em um período de 10 minutos foi capaz de promover dilatação dos vasos sanguíneos por até 8 horas. Esses efeitos não foram demonstrados após a ingestão de uma bebida com o mesmo teor de álcool, carboidrato e mesma acidez, sugerindo que a ação do Champagne sobre os vasos é mediada pelo seu conteúdo de polifenóis. Novos estudos deverão ser conduzidos para avaliar o impacto do uso regular e moderado da bebida sobre o risco de doenças vasculares como o infarto do coração e derrame cerebral.
Já existe realmente um bom corpo de pesquisas mostrando o efeito protetor dos vinhos em doses moderadas. Do ponto de vista de saúde pública, não se deve fazer campanhas convidando a população a começar a beber. A recomendação da Associação Americana do Coração é que quem não bebe não deveria começar a beber, já que hábitos como uma dieta inteligente e atividade física regular podem ser mais interessantes à saúde que os potenciais efeitos positivos do álcool. Por outro lado, a atual recomendação é que quem já tem o costume de beber não precisa parar, desde que consiga beber dentro dos limites considerados seguros (duas doses diárias para homens e uma dose para mulheres). Entretanto, essa última recomendação começa a ser colocada em xeque após um recente estudo que acompanhou um milhão de mulheres e mostrou que mesmo aquelas que tomavam uma dose por dia tinham maior risco de apresentar alguns tipos de câncer, como o de mama, reto e fígado.
Expectativas positivas ou negativas em relação ao futuro, que também podem ser chamadas de otimismo e pessimismo, podem ter forte relação com nossa saúde, e um estudo recém-publicado pela revista Stroke, periódico oficial da Associação Americana do Coração, revela que pessoas com baixos graus de pessimismo têm menor risco de desenvolver derrame cerebral.
Quase 25 mil finlandeses sem história de doença cardiovascular, e com idades entre 20 e 54 anos, foram avaliados por uma escala de avaliação de otimismo / pessimismo já bem validada. Os voluntários com os menores níveis de pessimismo tiveram um risco 48% menor de apresentar um derrame cerebral ao longo de um acompanhamento de sete anos quando foram comparados aos mais pessimistas.
Os resultados são consistentes com pesquisas anteriores que já haviam demonstrado que o pessimismo está associado a um maior risco de infarto do coração ou morte. As pesquisas também sugerem que o pessimismo e o otimismo não devem ser considerados como diferentes faces da mesma moeda, mas possivelmente faces de diferentes moedas. Pacientes com diagnóstico de câncer e altos graus de pessimismo sobrevivem menos tempo que aqueles com baixos graus, independente de sintomas depressivos. Em contraste, aqueles muito otimistas não vivem mais tempo que os pouco otimistas.
Uma expectativa negativa do futuro pode influenciar a saúde através de mudanças nos hábitos de vida, mas também por fatores biológicos, como alterações na atividade do sistema nervoso autônomo. Ainda resta saber também se intervenções que modulem a mente para ter menos pensamentos pessimistas podem ter impacto positivo na promoção da saúde.
* Nas últimas quatro décadas (1970-2008), a incidência de derrame cerebral diminuiu em 42% em países ricos e aumentou mais de 100% em países de baixa e média renda, sendo que o Brasil se encaixa nesse último caso. Na última década, a incidência de derrame cerebral em países de baixa e média renda ultrapassou pela primeira vez a dos países ricos (20% maior).
* Num intervalo de dez anos (1995-2006) houve uma redução relativa de um terço na incidência e mortalidade por derrame cerebral e na sua taxa de fatalidade na cidade de Joinville-SC. A redução da incidência de derrame cerebral sugere que a população recebeu mais assistência primária e melhores ações preventivas: controle de pressão alta, diabetes, colesterol, redução do tabagismo, etc. A redução da incidência na mortalidade reflete, em parte, um melhor atendimento em nível hospitalar. Os indicadores demonstrados são comparáveis aos de países ricos.
* A combinação de quatro atitudes saudáveis é capaz de reduzir pela metade o risco de derrame cerebral: a) não fumar; b) atividade física regular; c) consumo diário de frutas e verduras; d) consumo moderado de álcool.
* Consumo de peixe, além de reduzir o risco de derrame cerebral, também reduz o acúmulo de isquemias cerebrais silenciosas. Importante: esse efeito protetor ao cérebro não existe quando o peixe é frito.
* O consumo de café está associado a uma redução da mortalidade, especialmente pela redução de infarto do coração e derrame cerebral. Quatro a cinco xícaras por dia trouxe mais benefícios que consumos menores.
* As medicações do tipo estatinas reduzem o risco de um primeiro evento cardiovascular entre indivíduos com fatores de risco como a hipertensão arterial e o diabetes, especialmente os >s de 65 anos. A medicação promoveu redução do risco em 30% no caso do infarto do coração e 19% do derrame cerebral.
* Confirmação de resultados de pesquisas anteriores de que a terapia de reposição hormonal durante a menopausa, mesmo que iniciada precocemente, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama.
* Um centro especializado em derrame cerebral nos EUA assistiu mais de 200 pacientes com derrame cerebral na fase hiperaguda em hospitais remotos através de videoconferência ou consulta telefônica. Uma análise posterior à decisão do tratamento por um painel de experts revelou que as decisões foram corretas em 98% dos pacientes assistidos por videoconferência e em 82% daqueles assistidos por consulta telefônica.
* Pacientes com derrame cerebral na fase aguda submetidos à musicoterapia apresentaram uma melhor recuperação nos domínios da memória e atenção. Apresentaram também menos sintomas depressivos e de confusão mental. Os pacientes recebiam um CD player portátil e CDs com músicas de preferência, e ouviam música por uma hora diária nos primeiros dois meses após o derrame cerebral.
Um estudo recém-publicado pelo periódico British Medical Journal revela que uma redução de 5g no consumo diário de sal é capaz de diminuir o risco de acidente vascular cerebral em 23% e o de doenças cardiovasculares em 17%. Esse menor consumo de sal evitaria anualmente mais de um milhão de mortes por acidente vascular cerebral e três milhões por doenças cardiovasculares ao redor do mundo.
Cerca de 50% dos casos de doença das coronárias e 60% dos acidentes vasculares cerebrais são secundários a altos níveis da pressão arterial, e a quantidade de sal na dieta responde por boa parte desses números. A atual recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o consumo diário de sal não exceda 5g por dia, mais ou menos uma colher das de chá. Entretanto, o consumo supera esse limite na maior parte do globo, com uma média de 10g por dia na maioria dos países ocidentais, chegando a mais de 12g diários no Brasil e em países asiáticos e da Europa oriental.
O principal problema do excesso de sal na alimentação é o aumento dos níveis da pressão arterial. Por outro lado, uma série de estudos tem demonstrado que o alto consumo de potássio é capaz de reduzir a pressão arterial. Esses estudos apontam que a redução do conteúdo de sódio ao longo prazo e sua substituição por potássio é capaz de reduzir o risco de doenças cardiovasculares e essa já é uma recomendação dietética consensual. Uma dieta com pouco sódio e muito potássio é melhor do que aquela com a simples restrição de sódio. Para inserir mais potássio na dieta deve-se consumir frutas e verduras com fartura. Para reduzir o consumo de sódio, o primeiro passo é retirar o saleiro da mesa e lembrar que algumas ervas podem temperar a comida tão bem como o sal. Além disso, é fundamental evitar os alimentos salgados por natureza, como as conservas, o “fast food”, enlatados, carnes processadas e embutidos.
Em tempo: recentemente minha querida tia Dete me disse que a sua médica “renomada” lhe orientou a não tomar mais água de coco, pois dificultaria o controle de sua pressão alta. Tia Dete, não deixe de tomar sua água de coco, pois ela tem pouco sódio e ainda tem potássio para dar, vender e jogar fora. O teor de potássio de uma água de coco é quase duas vezes maior do de uma banana, fruta que tem a fama de ser riquíssima em potássio.
O limite de consumo de sódio por dia é de 2300mg. Um coco com 400ml de água contém apenas 20 a 24mg de sódio, 10% do consumo recomendado. Já uma latinha de coca-cola tem duas vezes mais sódio que essa água de coco: a coca normal tem 37mg, a light tem 40mg e a zero tem 50mg. É bom lembrar que a coca-cola não contém nadinha de potássio em sua mágica fórmula.
O número de pessoas com diabetes tem aumentado dramaticamente e o estilo de vida saudável ainda é a maior arma para lutar contra essa epidemia emergente. Quando falamos em estilo de vida, nada importa tanto como uma dieta saudável e atividade física regular, e um estudo recém-publicado pelo periódico Archives of Internal Medicine revela que morar em locais que facilitam esses bons hábitos pode fazer muita diferença.
O estudo acompanhou 2300 participantes com idades entre 45 e 84 anos, e após cinco anos, 230 novos casos de diabetes tipo 2 foram diagnosticados. Os indivíduos que tinham na vizinhança boas opções para realização de atividade física, além de comércio com oferta de produtos alimentícios saudáveis, apresentaram um risco 38% menor de desenvolver diabetes. Esse menor risco foi independente do nível sócio-econômico, idade, sexo e história familiar de diabetes.
Não é a primeira vez que se demonstra que o local onde moramos pode influenciar nossa saúde. Sabemos que morar à beira de rodovias aumenta o risco de doenças cardiovasculares devido à poluição do ar e pesquisas, tanto nos EUA como no Canadá, revelam que quanto maior o número de restaurantes “fast food” na vizinhança, maior o risco de infarto agudo do coração e derrame cerebral. Já foi também evidenciado que a proximidade de “fast foods” com as escolas está associada ao risco de obesidade nas crianças. Mais alimentação “fast food” tem relação com maior consumo de calorias, gordura, sal, que é um padrão de dieta que aumenta o risco de grande parte das doenças mais sérias e mais temidas pela população, incluindo as doenças cardiovasculares e o câncer.
São muitas as intervenções que podem ser feitas para que cada comunidade tenha um ambiente que ofereça mais condições de se adotar uma vida saudável: 1) construção de calçadas e parques para a realização de atividades físicas; 2) criação de ciclovias e melhoria do transporte público para que as pessoas fiquem menos dependentes de carros; 3) incentivos para estabelecimentos que comercializem frutas, legumes, verduras e peixes; 4) incentivo para que as escolas restrinjam a venda de alimentos industrializados. Vale lembrar que cada comunidade tem muito mais poder nas mãos do que imagina para fazer com que ações dessa natureza sejam concretizadas.
O Acidente Vascular Cerebral, também conhecido por derrame cerebral, é o problema de saúde que mais causa mortes no Brasil e também no Distrito Federal. Quando uma pessoa está tendo um AVC, um vaso sangüíneo do cérebro esta sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída.
No ano de 2006, a Organização Mundial da Saúde e a Federação Mundial de Neurologia proclamaram o dia 29 de outubro como dia mundial do AVC, com a missão de provocar engajamento dos profissionais de saúde e do público em geral na luta pela melhora das condições de tratamento e prevenção da doença. O QUE PODEMOS FAZER PARA MUDAR A ATUAL SITUAÇÃO? Essa é a mensagem principal do dia mundial do AVC neste ano de 2009, pois se não dermos um novo direcionamento para a atual situação, a previsão é que o AVC passe a ser um problema ainda mais devastador.
Nessa luta contra o AVC, seu papel é muito maior do que você imagina!
O AVC é mais comum entre as entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e naqueles sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!
O acidente vascular cerebral é uma catástrofe que
tem tratamento e também pode ser prevenida
Como identificar um AVC?
Toda vez que ocorrer algum destes sintomas, de forma REPENTINA:
- Fraqueza de um lado do corpo
- Dormência de um lado do corpo
- Dificuldade visual
- Dificuldade para falar
- Dor de cabeça muito forte nunca antes sentida
- Incapacidade de se manter em pé
O que fazer diante de um sintoma suspeito?
Procurar imediatamente um serviço médico especializado, pois o tratamento na maioria das vezes só tem efeito se realizado nas primeiras horas após o início dos sintomas.
O tratamento precoce aumenta a chance de preservar aparte do cérebro que está para ser destruída, diminuindo assim as seqüelas tão temidas como paralisia e perda da fala, assim como o risco de morte.
O que fazer para evitar o AVC e outras doenças vasculares?
- Prática de exercícios regulares;
- Alimentação balanceada evitando o consumo excessivo de alimentos de origem animal (ex. carnes, ovos, leites e derivados);
- Não fumar;
- Evitar o excesso de álcool e o estresse;
- Se tiver mais de 40 anos: realizar pelo menos uma vez por ano controle de pressão arterial, dosagem de glicose e colesterol no sangue;
- Se tiver diagnóstico de hipertensão arterial, diabetes ou colesterol alto, ou qualquer doença do coração: acompanhamento médico freqüente para controle rígido destas condições.
Um estudo que acaba de ser publicado no periódico British Medical Journal revela que mulheres obesas já a partir dos 18 anos de idade e na meia-idade têm 80% menos chance de ter uma vida longa e com saúde. Foram estudadas mais de 17 mil mulheres americanas que atingiram os 70 anos de idade sendo que apenas 10% delas foram classificadas como tendo alcançado uma velhice com saúde.
Vida saudável após 70 anos de idade foi definida como bom desempenho cerebral, boa saúde física e mental e ausência de doenças crônicas sérias como câncer, diabetes, doenças do coração, pulmonares e neurológicas. A análise mostrou que cada quilo a mais no peso que as mulheres tinham aos 18 anos é capaz de reduzir em 5% a chance de elas atingirem o padrão de vida saudável após os 70 anos. As mulheres que já apresentavam sobrepeso aos 18 anos e ainda ganharam 10 kg ou mais na meia-idade foram aquelas que menos chances tinham de alcançar em idades mais avançadas o estado de vida saudável.
A obesidade está associada a uma menor longevidade e a um maior risco de uma série de doenças, incluindo as mais temidas, como o câncer e as doenças cardiovasculares. Essas doenças estão relacionadas à morte prematura, e o que esse estudo nos mostra de forma inédita é que mesmo as mulheres que chegam aos 70 anos sentem os prejuízos da obesidade à saúde. Os resultados ainda reforçam a importância de se manter o peso já precocemente na vida, pois a obesidade já no início da vida adulta irá influenciar o estado de saúde em idades avançadas.
Fatores de risco vascular como hipertensão arterial, colesterol alto e tabagismo são capazes de fazer com que homens de meia idade percam 10 a 15 anos de vida, revela estudo recém-publicado pelo periódico British Medical Journal. As condições gerais de saúde e hábitos de vida de quase 20 mil homens ingleses com idades entre 40 e 69 anos foram avaliados no fim da década de 1960. Nessa época, 42% dos participantes do estudo fumava, 39% apresentava hipertensão arterial e 51% colesterol alto.
Após 28 anos, dois terços dos sete mil indivíduos que ainda estavam vivos tinham parado de fumar e houve também uma redução de dois terços na proporção entre aqueles apresentavam pressão arterial e colesterol altos em relação àqueles que apresentavam esses índices baixos. A presença concomitante desses três fatores de risco vascular aumentava em três vezes o risco de morte por causas vasculares (ex: infarto do coração e derrame cerebral) e em duas vezes o risco de morte por causas não vasculares. Aos 50 anos de idade, um indivíduo com os três fatores de risco ainda viveu em média 23 anos, enquanto aqueles que não os apresentavam viveram 33 anos, 10 anos a mais. Os pesquisadores criaram também uma pontuação que levava em conta outros fatores de risco como obesidade e diabetes, e quanto mais fatores presentes maior essa pontuação. Eles demonstraram que os 5% com maior pontuação viviam 20 anos após os 50 anos de idade, enquanto os 5% com menor pontuação ainda viviam 35 anos após os 50, 15 anos a mais.
Hábitos de vida como atividade física regular, dieta saudável e ficar longe do cigarro são os principais caminhos para a longevidade. Uma pesquisa recente já havia demonstrado entre ingleses que o tabagismo por si só é capaz de encurtar a vida em 10 anos. Parar de fumar aos 60, 50, 40 e 30 anos de idade é capaz de acrescentar 3,6,9 e 10 anos respectivamente. O prêmio não é nada pequeno.

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É bem reconhecido que algumas medidas do corpo humano estão associadas ao aumento de doenças cardiovasculares, como é o caso de altos índices de massa corporal, da circunferência da cintura e da relação da circunferência cintura / quadril. Mas não são só altos índices que estão associados a maiores riscos à saúde. Baixos índices de massa corporal e do nível de massa muscular livre de gordura estão associados a mortalidade mais precoce. A novidade agora é que baixos graus de circunferência das coxas também têm relação com a saúde, de acordo com pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal.
O estudo acompanhou cerca de três mil homens e mulheres dinamarqueses com 35 a 65 anos de idade e revelou que aqueles com circunferência das coxas menor que 60 cm tinham maior risco de morte e de doenças cardiovasculares do que aqueles com circunferências maiores que 60cm. Entretanto, circunferências maiores que 60 cm não trouxeram benefícios adicionais. Os resultados demonstraram ainda que o risco associado aos baixos níveis de circunferência das coxas foi maior que o de uma alta circunferência abdominal. A baixa circunferência da coxa é um sinal de baixo conteúdo de musculatura nessa região e também reflete baixo grau de musculatura de forma sistêmica. Estudos têm mostrado que a baixa musculatura corporal, especialmente em membros inferiores, está associada a maior risco de diabetes. Além disso, baixos teores de gordura subcutânea também têm sido vinculados a alterações no metabolismo da glicose e de gordura.
A presente pesquisa nos indica que é bem razoável o estímulo à atividade física com especial atenção à musculatura de membros inferiores. É importante frisar que 50% dos dinamarqueses estudados tinham circunferência de coxas menores que os 60 cm, sugerindo que o estímulo à atividade física é fundamental em qualquer canto do mundo. É bom lembrar que em muitas populações do mundo o problema das coxas finas é falta de comida mesmo.





















