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Enxaqueca não é coisa só de adultos. As crianças já podem apresentar este tipo de dor de cabeça, os meninos começando em média aos 7 anos e as meninas um pouco mais tarde, aos 11 anos. Quando as crises de enxaqueca passam a ser muito freqüentes, é indicado um tratamento que vai além dos analgésicos para aliviar a dor. O tratamento pode ser feito com o uso de medicações de uso diário, também chamado de tratamento profilático, que trabalhará a química cerebral para reduzir a freqüência e intensidade das crises. Entretanto, algumas pesquisas têm demonstrado que a mudança de certos hábitos de vida pode colaborar para o controle das crises de enxaqueca, especialmente nas crianças.
Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Headache, jornal oficial da Sociedade Americana de Cefaléia, confirma que as crianças podem ter melhora significativa de suas crises ao evitar exposição direta do sol na cabeça, quando têm regularidade nos horários de dormir, acordar e se alimentar, e quando assumem uma dieta que evita alguns alimentos que costumam desencadear crises, entre eles: carnes processadas, queijos amarelos, chocolate, alimentos com glutamato (ex: miojo, molho Shoyu). O estudo ainda revelou que as crianças com menos de seis anos foram as que mais tiveram benefícios desses cuidados.
Esses resultados reforçam a prática que muitos médicos têm de tentar otimizar hábitos como sono e dieta das crianças antes da introdução de um tratamento medicamentoso. Essa é uma prática ainda controversa, mas uma recomendação inequívoca é a de que a criança deve evitar a exposição a estímulos que já foi reconhecido como fator desencadeante de crise no seu caso específico. Não existem listas de proibições que devem ser aplicadas de forma generalizada, mas não custa evitar aquilo que não faz bem à saúde das crianças num sentido mais amplo, como é o caso de um sono irregular.
Um estudo publicado na última semana pelo periódico Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, revela que os pais escolhem alimentos menos calóricos para as crianças em uma rede de fast food quando o conteúdo de calorias dos lanches é disponibilizado pela lanchonete.
Pais de crianças americanas com idades entre três e seis anos que freqüentavam lanchonetes de forma episódica foram apresentados a um cardápio padrão do McDonalds com fotos e preços. Um outro grupo de pais foi apresentado a um cardápio que continha também informação do conteúdo calórico de cada item. Os pesquisadores solicitavam aos pais que escolhessem uma refeição para eles e também para as crianças. Aqueles que tiveram acesso ao cardápio com conteúdo de calorias escolheram uma refeição para as crianças com 102 calorias a menos em média do que aqueles que utilizaram o cardápio padrão. As 102 calorias a menos correspondiam a uma redução de 20% do conteúdo calórico da refeição das crianças e isso não é pouco: 100 calorias a mais na dieta do dia-a-dia é capaz de provocar um ganho de peso de 4 a 5Kg num período de um ano.
O presente estudo sugere que os pais têm uma tendência a escolher alimentos mais saudáveis para seus filhos, mas eles precisam de ajuda. Recentemente chegou-se a demonstrar que até mesmo experientes profissionais da área de nutrição têm dificuldade em estimar o conteúdo calórico de diferentes refeições. Além disso, os pais tendem a julgar que seus filhos estão com peso dentro da normalidade. Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Acta Paediatrica revela que, na Holanda, 75% de mães de crianças com sobrepeso e 50% das mães de crianças obesas acreditam que o peso dos filhos está dentro dos padrões normais.
Nos EUA, vários estados já exigem que restaurantes exibam as informações de conteúdo calórico nos painéis expositores de produtos e preços assim como nos cardápios. A resistência da indústria alimentícia a esse tipo de proposta não é nada pequena e, no Brasil, essa discussão está apenas no início.
Dicas de como comer fora com as crianças de forma saudável:
– Comer fora deve ser a exceção e não a regra. Coma mais em casa;
– Dê exemplo. Leia o cardápio e aproveite para discutir com as crianças quais as opções mais saudáveis;
– Escolha as menores porções;
– Evite alimentos com alto teor calórico como as frituras e doces. Dê prioridade a alimentos saudáveis como legumes, saladas, frutas e iogurte. O que pode ser grelhado é melhor do que frito. Escolha suco de fruta, água ou leite desnatado no lugar de refrigerantes e sucos artificiais.
A última edição do periódico Archives of Internal Medicine traz quatro novos estudos confirmando que a atividade física é um forte aliado na prevenção de doenças da mente e do corpo dos idosos. É difícil alguém discordar de que a prática regular de exercícios físicos é um dos mais poderosos agentes para a promoção de um envelhecimento saudável. Tão importante quanto uma vida sem cigarro. Apesar de parecer um conceito inquestionável, foi só a partir da década de 80 que a ciência provou que a atividade física é a prescrição mais eficiente que um médico pode oferecer para que um indivíduo alcance uma velhice de sucesso.
Muitos associam a atividade física regular a um menor risco de infarto do coração, mas os benefícios vão muito além. Inúmeras condições clínicas comuns nos idosos são menos frequentes entre aqueles que se exercitam: quedas, fratura de fêmur, osteoartrite, diabetes, derrame cerebral, Doença da Alzheimer e demência de uma forma geral, doenças respiratórias, inúmeros tipos de câncer, osteoporose, obesidade, entre outros. Além disso, a atividade física também está associada a uma maior longevidade e menor chance de dependência física. Quanto mais cedo na vida esta atividade começar, melhor. E mesmo os que começam tardiamente também serão premiados.
A recomendação de pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou intensa por semana é unânime quando o assunto em questão é promoção de saúde. Esses 150 minutos divididos em cinco dias por semana dariam meia hora diária de atividade física, o que poderia ser considerado como o mínimo para usufruirmos dos seus inúmeros benefícios à saúde. Entretanto, alguns estudos têm revelado que além dessa meia hora diária, evitar ficar muito tempo parado durante o dia pode ser um bom investimento à saúde.
Pesquisadores suecos publicaram um artigo esta semana no periódico British Journal of Sports Medicine fazendo uma provocação de que o termo comportamento sedentário, que indica falta de exercícios físicos, deveria ser substituído por comportamento de “inatividade muscular”. As pesquisas têm mostrado que o hábito de permanecer longos períodos do dia sem movimentação aumenta o risco de obesidade, diabetes, doenças do coração, câncer, e também está associada a uma menor longevidade. Tudo isso independente da presença de exercícios moderados a vigorosos.
Um recente estudo australiano demonstrou que o risco de síndrome metabólica, que é um precursor de diabetes e doenças cardiovasculares, é 28% menor entre mulheres que fazem 30 minutos diários de atividade física regular. Por outro lado, o estudo também rvelou que cada hora adicional que uma mulher passa em frente à TV aumenta em 26% seu risco de apresentar síndrome metabólica, independente dos exercícios moderados que realiza. É previsível que essas horas de “inatividade muscular” sejam ainda mais prejudiciais para quem faz poucos exercícios físicos.
Pelo corpo de evidências que temos até o momento, as recomendações médicas poderiam incluir não só os exercícios físicos regulares, mas também o hábito de se movimentar de forma intermitente durante o dia. Paradas de alguns minutos no trabalho que permitam um pouco de movimento, evitar o automóvel quando possível, usar as escadas no lugar do elevador, todas são atitudes que podem ter mais influência em nossa saúde do que costumamos imaginar.
As medicações usadas para controlar a hipertensão arterial têm se mostrado a cada dia mais interessantes ao cérebro. E os efeitos benéficos vão além da capacidade de proteger o cérebro de altos níveis de pressão arterial. Em 2009, dois estudos avançaram muito na discussão da relação entre a hipertensão arterial e o risco de demência. Um deles demonstrou que o uso de anti-hipertensivos reduz o risco de demência, e o risco é menor até mesmo quando comparado ao das pessoas que nem apresentam pressão alta. O segundo estudo mostrou que o tratamento da hipertensão arterial reduziu o risco de demência, especialmente entre pessoas com menos de 75 anos de idade, onde a redução do risco foi de 8% quando comparado àquelas que nunca fizeram tratamento para pressão alta. Nenhuma classe de anti-hipertensivo foi superior às demais.
Uma pesquisa publicada na última edição do British Medical Journal confirma esse efeito protetor dos anti-hipertensivos sobre o cérebro, e desta vez tivemos uma pista de que alguns medicamentos podem ser mais eficazes que outros. Pesquisadores da Universidade de Boston nos Estados Unidos acompanharam por quatro anos mais de 800 mil indivíduos com mais 65 anos de idade (98% homens) e em tratamento para doença cardiovascular. Aqueles que faziam uso de medicações da classe bloqueadores dos receptores da angiotensina (ex: candesartan, losartan, valsartan) tiveram menos risco de desenvolver doença de Alzheimer e outros tipos de demência do que aqueles que usaram outros tipos de anti-hipertensivos. Além disso, entre aqueles que já apresentavam diagnóstico de demência, o uso de anti-hipertensivos também promoveu uma menor chance de internação em clínicas geriátricas.
Já é bem reconhecido que os bloqueadores dos receptores de angiotensina têm efeitos positivos sobre os pequenos vasos sanguíneos como um todo, incluindo os do cérebro. Um dos principais marcadores da Doença de Alzheimer é o depósito de proteínas no cérebro e é fundamental o pleno funcionamento da microcirculação cerebral para que essas proteínas não se acumulem de forma exagerada. Essa é uma das formas de entender a razão pela qual a atividade física, uma dieta rica em frutas e vegetais, com alto teor de ômega-3, consumo moderado de álcool, todos esses sejam considerados fatores protetores da Doença de Alzheimer. Se é bom para os vasos, é bom para o cérebro.
CLIQUE AQUI e ouça um bate-paop sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN
É bastante comum vermos pessoas colocando a culpa de suas queixas de memória no cérebro que não é mais jovem. Na verdade, o envelhecimento cerebral normal provoca apenas discretas mudanças no desempenho cognitivo após os 50-60 anos de idade, muitas vezes só detectáveis através de testes rigorosos. Na maioria das vezes, porém, as queixas de memória têm mais relação com quadros de ansiedade, depressão, transtornos do sono e o estresse do dia-a-dia do que com doenças cerebrais propriamente ditas.
Infelizmente, algumas pessoas à medida que envelhecem começam a ter queixas de memória de forma mais intensa, podendo evoluir para a demência. A definição de demência é o acometimento de diversas dimensões do pensamento que chega a comprometer a capacidade de um indivíduo em realizar suas atividades habituais. Entre o envelhecimento cerebral normal e a demência, podemos encontrar pessoas que estão no meio do caminho, e essa é uma condição chamada de transtorno cognitivo leve.
Idosos com transtorno cognitivo leve costumam apresentar dificuldades significativas de memória com outras funções cognitivas preservadas, sem que isso atrapalhe de forma expressiva suas atividades diárias. Outros apresentam uma variante em que a memória é preservada enquanto outras funções estão acometidas. Nem todas as pessoas que apresentam transtorno cognitivo leve apresentarão demência no futuro, mas a maioria apresentará sim. A cada ano, cerca de 10-15% de idosos com diagnóstico de transtorno cognitivo leve receberá o diagnóstico de demência, comparado a 1-2% para idosos sem o problema.
Temos boas notícias também. O periódico Archives of Neurology acaba de publicar duas pesquisas que nos mostram que muito do poder de prevenir o desenvolvimento de transtorno cognitivo leve e de melhorá-lo quando ele já existe está em nossas mãos. Em um dos estudos, pesquisadores da Mayo Clinic – EUA estudaram 1324 idosos com idades entre 76 e 86 anos e demonstraram que aqueles que realizaram atividade física moderada já na meia idade ou na velhice tiveram menos risco de desenvolver transtorno cognitivo leve. Caminhadas, natação, outras atividades aeróbicas, musculação, ioga, foram consideradas atividades moderadas.
No segundo estudo, pesquisadores da Universidade de Washington ofereceram um programa de atividade física para 33 idosos com o diagnóstico de transtorno cognitivo leve com média de idade de 70 anos. Uma parte dos idosos recebeu um treinamento aeróbico intenso, de 45-60 minutos por dia, enquanto outra parte realizava apenas alongamento supervisionado, sem elevação da freqüência cardíaca. Após seis meses de treinamento, aqueles que foram submetidos à atividade física intensa apresentaram melhora das funções cognitivas quando comparados ao grupo que ficou restrito ao alongamento. E os efeitos positivos foram ainda mais significativos entre as mulheres, o que pode ser explicado por diferentes efeitos no metabolismo das mulheres, como foi demonstrado na produção e utilização de insulina, glicose e hormônio cortisol.
Já conhecemos uma série de efeitos positivos da atividade física sobre o funcionamento do cérebro, mas vale lembrar também da questão comportamental, já que bons hábitos costumam atrair outros. Indivíduos envolvidos em programas regulares de atividade física têm mais chance de se alimentar melhor, de ficar longe dos excessos e hábitos prejudiciais à saúde e de seguir as orientações médicas.
Em 1996, uma força tarefa americana publicou uma recomendação para que todas as mulheres com chances de engravidar façam uso de suplemento de ácido fólico para reduzir o risco de malformações do sistema nervoso do feto. Esse uso não deve ser restrito ao período da gravidez, pois os benefícios são bem demonstrados quando as mulheres usam ácido fólico mesmo antes de ficarem grávidas. Em 2009, a mesma força tarefa publicou um novo documento que confirma as recomendações de 1996, demonstrando que a literatura científica continua dando respaldo aos benefícios do suplemento de ácido fólico entre mulheres férteis.
O folato é um tipo de vitamina B, e sua forma sintética, o ácido fólico, está fortemente presente nos suplementos vitamínicos e alimentos fortificados. No Brasil, desde 2002, existe uma lei que torna obrigatório a suplementação da farinha de trigo com ácido fólico por parte dos fabricantes de farinha. Entretanto, a atual recomendação chama a atenção que não existem evidências de que os alimentos fortificados com ácido fólico sejam suficientes para prevenir malformações do sistema nervoso. As mulheres férteis devem usar de 0.4 a 0.8mg diários de ácido fólico, e os comprimidos comercializados no Brasil contêm 2mg ou 5mg. Existem também apresentações em gotas, em que 1ml (20 gotas) contém 0.2 ou 0.4mg.
As últimas recomendações de 2009 também indicam que não existem evidências de efeitos adversos associados à suplementação da vitamina. No fim de 2009, tivemos a publicação no respeitado periódico JAMA de um estudo que deu uma chacoalhada nesse último conceito. O estudo foi realizado na Noruega e demonstrou que a suplementação de ácido fólico 0.8mg/dia e vitamina B12 0.4mg/dia por três anos e meio esteve associado a um aumento de 21% no risco de câncer, especialmente de pulmão, da próstata e do sangue.
A relação entre câncer e ácido fólico ainda é uma questão em aberto. Algumas pesquisas já haviam demonstrado um menor risco de câncer do intestino associado ao consumo de folato, especialmente o proveniente da dieta. Estudos experimentais apontam que a deficiência de folato é capaz de desencadear os estágios iniciais do câncer, enquanto altas doses de ácido fólico promovem o crescimento de células cancerígenas. Uma das hipóteses para explicar o aumento de risco de câncer associado a suplementação de ácido fólico é o estímulo ao crescimento de câncer ainda em fase latente.
Por enquanto, as mulheres com chance de ficarem grávidas devem continuar a usar suplementos de ácido fólico, independente de consumir alimentos fortificados. Essa história do ácido fólico é uma grande oportunidade de reflexão para os médicos e pacientes de que suplemento de vitaminas não é nenhuma canja de galinha. Muitas vezes esses suplementos não têm qualquer efeito na prevenção de doenças crônicas e ainda podem trazer prejuízo à saúde. O Conselho Federal de Medicina tem uma posição bastante clara sobre esse assunto.
Vale a pena conhecer: https://consciencianodiaadia.com/2008/06/09/detergentes-ortomoleculares-2/
Já é bem reconhecido que o vinho tinto sem exageros pode promover um efeito protetor à saúde do coração e do cérebro. Um componente que explica esse efeito positivo é o próprio álcool, mas os polifenóis também fazem a sua parte. Os polifenóis são substâncias encontradas em abundância nos alimentos de origem vegetal e que ajudam a promover um melhor funcionamento dos vasos sanguíneos. Onde tem vasos sanguíneos funcionando bem, os órgãos têm mais chance de estarem bem também.
O vinho branco, que tem uma menor concentração de polifenóis, exerce efeitos mais discretos sobre os vasos que o vinho tinto, apesar de seus efeitos positivos já terem sido demonstrados. O Champagne francês, por sua vez, tem uma concentração de polifenóis maior que a do vinho branco por conta das uvas Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay, e no Brasil, alguns espumantes também têm como base essas uvas. Entretanto, poucos estudos foram realizados para investigar os efeitos do Champagne sobre nosso organismo, especialmente com o foco em nossa saúde vascular.
Pesquisadores franceses acabam de publicar um estudo no British Journal of Nutrition revelando que o consumo de 375ml de Champagne em um período de 10 minutos foi capaz de promover dilatação dos vasos sanguíneos por até 8 horas. Esses efeitos não foram demonstrados após a ingestão de uma bebida com o mesmo teor de álcool, carboidrato e mesma acidez, sugerindo que a ação do Champagne sobre os vasos é mediada pelo seu conteúdo de polifenóis. Novos estudos deverão ser conduzidos para avaliar o impacto do uso regular e moderado da bebida sobre o risco de doenças vasculares como o infarto do coração e derrame cerebral.
Já existe realmente um bom corpo de pesquisas mostrando o efeito protetor dos vinhos em doses moderadas. Do ponto de vista de saúde pública, não se deve fazer campanhas convidando a população a começar a beber. A recomendação da Associação Americana do Coração é que quem não bebe não deveria começar a beber, já que hábitos como uma dieta inteligente e atividade física regular podem ser mais interessantes à saúde que os potenciais efeitos positivos do álcool. Por outro lado, a atual recomendação é que quem já tem o costume de beber não precisa parar, desde que consiga beber dentro dos limites considerados seguros (duas doses diárias para homens e uma dose para mulheres). Entretanto, essa última recomendação começa a ser colocada em xeque após um recente estudo que acompanhou um milhão de mulheres e mostrou que mesmo aquelas que tomavam uma dose por dia tinham maior risco de apresentar alguns tipos de câncer, como o de mama, reto e fígado.
Três diferentes pesquisas foram publicadas na última edição da revista científica Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, demonstrando que a deficiência de vitamina D pode ser uma importante causa de déficit cognitivo e demência em idosos.
A deficiência de vitamina D sempre foi muito associada a problemas ósseos nas crianças e também nos adultos, mas nos últimos anos, começou-se a entender que sua deficiência também poderia estar associada a alterações do funcionamento cerebral. A vitamina D também atua no cérebro e sabe-se que ela está associada à expressão de diferentes proteínas e células essenciais para sua função, e estudos experimentais sugerem que sua deficiência pode estar associada a disfunções cerebrais inflamatórias e vasculares que podem culminar em processos degenerativos.
Dos três estudos recém-publicados, um deles avaliou mulheres francesas com mais de 75 anos e demonstrou que 17% delas apresentavam deficiência de vitamina D, com concentrações no sangue menores que 10ng/ml. Além disso, as idosas com deficiência da vitamina tinham um desempenho cognitivo inferior, quando comparadas às idosas sem deficiência. O segundo estudo foi conduzido nos Estados Unidos e envolveu homens e mulheres com 73 anos em média, e revelou que 14% e 44% deles tinham deficiência e insuficiência (20-30ng/ml) da vitamina respectivamente. Aqueles que tinham menores concentrações de vitamina D apresentaram maior risco de demência e derrame cerebral.
Uma pergunta ainda em aberto é se o déficit cognitivo é o ovo ou a galinha dessa associação. Indivíduos com limitação cognitiva podem ter um padrão de alimentação e exposição ao sol que levam à deficiência de vitamina D, e o terceiro estudo, o único de acompanhamento longitudinal e envolvendo apenas homens americanos, é concordante com esta hipótese, já que não foi encontrada associação entre baixos níveis de vitamina D e incidência de demência no período de quase cinco anos de acompanhamento. Entretanto, esse estudo considerou níveis menores que 20ng/ml como baixos níveis da vitamina, enquanto deficiência é definida quando a concentração é menor que 10 ng/ml. Talvez, uma nova análise dos resultados comparando indivíduos com níveis de vitamina D menores que 10ng/ml com aqueles com concentrações maiores que 20ng/ml possa revelar diferenças significativas quanto ao risco de demência.
Os próximos passos a serem dados serão estudos que consigam definir se suplementos de vitamina D são capazes de prevenir, ou mesmo reverter déficits cognitivos. Enquanto isso, os médicos devem estar conscientes da alta freqüência de déficit da vitamina na população idosa. A recomendação atual é a de que indivíduos com 51-70 anos e aqueles com mais de 70 anos devem consumir 400 e 600 unidades internacionais respectivamente, ou o suficiente para manter a concentração de vitamina D no sangue superior a 30ng/ml. Esses números dizem respeito daquilo que entendemos que faz bem para os ossos. A melhor dose para um bom funcionamento cerebral ainda está por ser definida.
Fontes de vitamina D? Seu nível em nosso organismo é fundamentalmente dependente de sua síntese na pele após exposição ao sol, mas depende também da dieta, especialmente da gordura dos peixes, gema de ovo, fígado e alimentos enriquecidos com a vitamina. Podemos dizer que encontramos mais uma razão para consumir peixes regularmente. Os peixes ricos em vitamina D são praticamente os mesmos ricos em Ômega 3 (ex: salmão, atum, sardinha), sendo este último componente nutricional de reconhecida eficácia na melhora do desempenho cerebral e também na capacidade de evitar doenças como o derrame cerebral e a Doença de Alzheimer. Mais uma razão também para não deixar de tomar um solzinho.
O Ginkgo biloba é comercializado nos quatro cantos do mundo com a promessa de melhorar o pensamento e prevenir e retardar perdas cognitivas associados ao envelhecimento e às doenças doenças degenerativas, como é o caso da Doença de Alzheimer. Alguns estudos têm demonstrado que a erva tem algum efeito positivo na capacidade de relaxamento dos vasos e viscosidade do sangue, efeitos antioxidantes, e em tubo de ensaio, conseguiu até reduzir a agregação de proteínas associadas à Doença de Alzheimer. Entretanto, as pesquisas clínicas não têm conseguido demonstrar efeitos positivos do Ginkgo biloba sobre o cérebro, e o maior estudo sobre o tema acaba de ser publicado pelo conceituado periódico científico JAMA confirmando resultados anteriores: o uso do Ginkgo biloba não ajuda a melhorar o cérebro dos idosos.
O estudo “Avaliação Ginkgo da Memória” foi conduzido nos EUA e acompanhou mais de três mil idosos com idades entre 72 e 96 anos. No início do estudo, os idosos apresentavam cognição normal ou transtorno cognitivo leve, situação que fica no meio do caminho entre a normalidade e a demência. Vale ressaltar que indivíduos com transtorno cognitivo leve têm uma maior chance de desenvolver um quadro de demência, mas nem todos receberão um dia o diagnóstico de demência.
Após um seguimento médio de 6 anos, o uso de 240mg por dia da erva não teve qualquer efeito sobre as funções cognitivas dos idosos, incluindo memória, linguagem, atenção, velocidade psicomotora, construção visuo-espacial e funções executivas. Os resultados são concordantes com pesquisas anteriores com menor tempo de seguimento e menor número de voluntários, e ainda reforça a recente posição do sistema de revisões Cochrane que concluiu que o Ginkgo biloba não evita alterações cognitivas associadas à idade e nem reduz o risco de desenvolver demência.
A única participação da indústria farmacêutica neste estudo foi a doação das medicações pela alemã Schwabe Pharmaceuticals. A empresa não teve nenhuma participação no desenho, condução ou interpretação do estudo.
Expectativas positivas ou negativas em relação ao futuro, que também podem ser chamadas de otimismo e pessimismo, podem ter forte relação com nossa saúde, e um estudo recém-publicado pela revista Stroke, periódico oficial da Associação Americana do Coração, revela que pessoas com baixos graus de pessimismo têm menor risco de desenvolver derrame cerebral.
Quase 25 mil finlandeses sem história de doença cardiovascular, e com idades entre 20 e 54 anos, foram avaliados por uma escala de avaliação de otimismo / pessimismo já bem validada. Os voluntários com os menores níveis de pessimismo tiveram um risco 48% menor de apresentar um derrame cerebral ao longo de um acompanhamento de sete anos quando foram comparados aos mais pessimistas.
Os resultados são consistentes com pesquisas anteriores que já haviam demonstrado que o pessimismo está associado a um maior risco de infarto do coração ou morte. As pesquisas também sugerem que o pessimismo e o otimismo não devem ser considerados como diferentes faces da mesma moeda, mas possivelmente faces de diferentes moedas. Pacientes com diagnóstico de câncer e altos graus de pessimismo sobrevivem menos tempo que aqueles com baixos graus, independente de sintomas depressivos. Em contraste, aqueles muito otimistas não vivem mais tempo que os pouco otimistas.
Uma expectativa negativa do futuro pode influenciar a saúde através de mudanças nos hábitos de vida, mas também por fatores biológicos, como alterações na atividade do sistema nervoso autônomo. Ainda resta saber também se intervenções que modulem a mente para ter menos pensamentos pessimistas podem ter impacto positivo na promoção da saúde.
Um estudo recentemente publicado pelo periódico British Medical Journal revela que uma aparência mais jovem do que a idade cronológica está associada a uma maior longevidade. O estudo foi realizado na Dinamarca e envolveu quase dois mil gêmeos com mais 70 anos. Os voluntários do estudo foram submetidos a avaliações físicas e cognitivas e a um teste molecular que avalia o grau de envelhecimento, chamado de extensão do telômero de leucócitos. Esse é um marcador que indica a capacidade de replicação de uma célula. O encurtamento do telômero está associado a uma séria de doenças relacionadas com o envelhecimento, maus hábitos de vida e menor longevidade.
No início do estudo, os rostos dos gêmeos foram fotografados e as fotos foram submetidas a um júri que estimava a idade de cada participante. Com um acompanhamento de sete anos, aqueles que foram considerados mais novos pelo júri foram os que viveram mais, os que apresentaram melhor desempenho físico e cognitivo, e ainda apresentaram maior extensão do telômero de leucócitos. Além disso, quanto maior a diferença de idade entre dois gêmeos julgada pelo júri, maior a chance do mais “velho” morrer primeiro.
Estudos anteriores já haviam revelado que a aparência de uma pessoa pode ser influenciada negativamente pela exposição ao sol, magreza e pelo tabagismo, assim como pode receber influência positiva por um elevado status social, baixos escores para sintomas depressivos e o fato de viver com um(a) companheiro(a). Esses estudos tinham enfermeiras geriátricas como júri para eleger a idade dos participantes. A atual pesquisa incorporou, além das enfermeiras, outros dois júris: um júri de mulheres idosas e outro de jovens do sexo masculino. Esperava-se que esse último apresentasse o pior desempenho, mas não foi o caso. Os três júris conseguiram se aproximar muito bem da idade cronológica dos voluntários.
O comentário de que um indivíduo encontra-se envelhecido para sua idade tem uma conotação de uma saúde comprometida. Esse estudo corrobora essa relação entre aparência e saúde e sugere que os mesmos fatores genéticos que determinam a aparência da pele de uma pessoa idosa, determinam também seu desempenho físico, cognitivo e sua longevidade.
** A foto acima revela gêmeas de um dos grupos do estudo com idades entre 69 e 71 anos. A mulher da esquerda recebeu do júri uma idade de 64 anos na média enquanto a da direita recebeu do júri uma idade de 74 anos.

A Doença de Parkinson ocorre em uma a cada cem pessoas com mais de 65 anos, e em 90% dos casos, não existe uma história familiar da doença. Reconhece-se que tanto um componente genético, como fatores ambientais estão associados à doença. Mas que fatores ambientais seriam esses?
Substâncias tóxicas ao cérebro podem provocar a doença, como é o caso do MPTP, substância que é parente próxima da heroína, e de alguns agrotóxicos, como o paraquat. Em 2009, foram evidenciados novos candidatos do meio ambiente que podem colaborar para o desenvolvimento da Doença de Parkinson.
* Foram descritos dois novos agrotóxicos (ácido 2,4-Dichlorophenoxyacetic, permethrin) que aumentavam em três vezes o risco da Doença de Parkinson.
* Foi demonstrado que um metabólito da bactéria Streptomyces venezuelae reduz a função do Sistema Proteolítico Ubiquitina – Proteassoma (UPS) em modelo animal. A redução da função desse sistema tem sido implicada na patogênese da Doença de Parkinson esporádica.
* Inoculação intranasal do vírus da gripe aviária (H5N1) em ratos provocou alterações cerebrais semelhantes às encontradas na Doença de Parkinson:
inflamação, agregados de a-sinucleína e degeneração de neurônios produtores de dopamina.
* Maiores níveis de colesterol aumentam risco da Doença de Parkinson independente do índice de massa corporal. O cérebro é o órgão mais rico em colesterol e uma alteração de sua homeostase pode provocar alterações em suas conexões e membranas celulares.
Esses estudos nos estimulam a pensar a Doença de Parkinson como pensamos várias outras doenças como a hipertensão arterial, o diabetes, a Doença de Alzheimer. Todas são doenças que têm seu componente genético, mas fatores ambientais podem ser o empurrãozinho que faltava para um determinado indivíduo desenvolver a doença.
O Papai Noel não é nenhuma unanimidade quando se fala em modelo de saúde para as crianças. Para começar, ele está sempre muito além do peso, e alguns acham que ele poderia trocar o trenó com as renas por uma bicicleta. Em alguns países, é uma tradição oferecer ao Papai Noel biscoitos, tortas, uma dose de brandy ou vinho do porto quando ele passa por uma residência, e esse hábito pode influenciar as crianças a pensarem que álcool e direção, mesmo que de trenós, podem andar de mãos dadas. Esse assunto foi explorado pelo médico australiano Nathan Grills em recente artigo publicado no British Medical Journal. Grills defende a tese que se os discutíveis hábitos do Papai Noel influenciarem negativamente 0.1% das crianças, já seriam milhões de vidas prejudicadas.
Nos EUA, o Papai Noel é o único personagem fictício mais conhecido que o Ronald MacDonald, e sua fama é quase universal. Se o Ronald é um personagem tão eficaz para vender Mac Coisas, Papai Noel não fica para trás. Sua popularidade bem que poderia ser usada para a promoção de hábitos de vida saudáveis, mas o que podemos observar é que ele anda ajudando a vender coca-cola desde a década de 30. Em outros tempos, ele já foi um forte “garoto” propaganda de cigarros. Já que o Papai Noel é um ícone associado ao universo infantil, seria bem-vinda alguma forma de regulação que evitasse sua vinculação com anúncios de bebidas alcoólicas e alimentos pouco saudáveis, regulação que já foi aplicada no caso do cigarro em vários países.
Aproveitar a mega fama do velhinho para a divulgação de bons hábitos de vida é uma ótima oportunidade para a promoção de saúde da população na época das festas de fim de ano, especialmente das crianças. Isso não quer dizer que o Papai Noel tenha que abandonar as renas e passar a ter um corpo sarado. No mundo da ficção ou no mundo real, radicalismos são empobrecedores. Mesmo com todo o amor do mundo pelas crianças, Monteiro Lobato provavelmente nunca trocaria a Dona Benta e tia Anastácia com seus bolinhos por uma vovó magrinha que descasca cenouras para as crianças no lanchinho da tarde. Talvez também não trocasse o saci com cachimbo por um saci mascando chicletes sem açúcar.
* Nas últimas quatro décadas (1970-2008), a incidência de derrame cerebral diminuiu em 42% em países ricos e aumentou mais de 100% em países de baixa e média renda, sendo que o Brasil se encaixa nesse último caso. Na última década, a incidência de derrame cerebral em países de baixa e média renda ultrapassou pela primeira vez a dos países ricos (20% maior).
* Num intervalo de dez anos (1995-2006) houve uma redução relativa de um terço na incidência e mortalidade por derrame cerebral e na sua taxa de fatalidade na cidade de Joinville-SC. A redução da incidência de derrame cerebral sugere que a população recebeu mais assistência primária e melhores ações preventivas: controle de pressão alta, diabetes, colesterol, redução do tabagismo, etc. A redução da incidência na mortalidade reflete, em parte, um melhor atendimento em nível hospitalar. Os indicadores demonstrados são comparáveis aos de países ricos.
* A combinação de quatro atitudes saudáveis é capaz de reduzir pela metade o risco de derrame cerebral: a) não fumar; b) atividade física regular; c) consumo diário de frutas e verduras; d) consumo moderado de álcool.
* Consumo de peixe, além de reduzir o risco de derrame cerebral, também reduz o acúmulo de isquemias cerebrais silenciosas. Importante: esse efeito protetor ao cérebro não existe quando o peixe é frito.
* O consumo de café está associado a uma redução da mortalidade, especialmente pela redução de infarto do coração e derrame cerebral. Quatro a cinco xícaras por dia trouxe mais benefícios que consumos menores.
* As medicações do tipo estatinas reduzem o risco de um primeiro evento cardiovascular entre indivíduos com fatores de risco como a hipertensão arterial e o diabetes, especialmente os >s de 65 anos. A medicação promoveu redução do risco em 30% no caso do infarto do coração e 19% do derrame cerebral.
* Confirmação de resultados de pesquisas anteriores de que a terapia de reposição hormonal durante a menopausa, mesmo que iniciada precocemente, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama.
* Um centro especializado em derrame cerebral nos EUA assistiu mais de 200 pacientes com derrame cerebral na fase hiperaguda em hospitais remotos através de videoconferência ou consulta telefônica. Uma análise posterior à decisão do tratamento por um painel de experts revelou que as decisões foram corretas em 98% dos pacientes assistidos por videoconferência e em 82% daqueles assistidos por consulta telefônica.
* Pacientes com derrame cerebral na fase aguda submetidos à musicoterapia apresentaram uma melhor recuperação nos domínios da memória e atenção. Apresentaram também menos sintomas depressivos e de confusão mental. Os pacientes recebiam um CD player portátil e CDs com músicas de preferência, e ouviam música por uma hora diária nos primeiros dois meses após o derrame cerebral.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Archives of Internal Medicine aponta que um dispositivo eletrônico que limita pela metade a exposição diária à TV é capaz de aumentar o gasto de calorias entre adultos com sobrepeso ou obesos, mesmo sem modificar o nível de ingesta calórica. Esse dispositivo desligava a TV quando se atingia 50% do tempo médio de exposição semanal dos voluntários e foi capaz de incrementar o gasto calórico diário em 120 calorias quando comparado àqueles que não usaram esse sistema. Além disso, os participantes que usaram o dispositivo gastaram 244 calorias a mais do que consumiram no dia. Em contraste, o grupo de voluntários que não teve limitação do uso da TV consumiu 57 calorias a mais do que gastou no dia.
Estratégias que limitam o tempo diário em frente ao vídeo podem liberar tempo para atividades ativas como o exercício físico, e também podem favorecer com que as pessoas tenham o número de horas de sono que precisam. Já é bem reconhecido que tanto a falta de atividade física como a privação de sono estão associados ao risco de obesidade. O presente estudo reforça o conceito de que pequenas mudanças nos hábitos de vida podem ser suficientes para que se gaste mais calorias por dia. Essas calorias a mais podem fazer muita diferença na contenção do crescente ganho de peso da população.
Os adultos chegam a ficar uma média diária de cinco horas em frente à TV em países como os Estados Unidos, e pesquisas recentes, incluindo o Brasil, têm mostrado que a tela do computador já concorre fortemente com o tempo que o adulto gasta com a TV. Vale lembrar que esse novo concorrente também é um comportamento sedentário.
Uma personalidade neurótica, assim como um comportamento extrovertido, são dois fatores que têm sido associados ao risco de desenvolver depressão, e ambos são fortemente determinados por fatores genéticos. Indivíduos neuróticos costumam experimentar emoções negativas e instabilidade emocional, enquanto aqueles com um comportamento extrovertido são mais sociais e tem a tendência de vivenciar emoções positivas. Já se sabe também que essas duas dimensões da personalidade guardam estreita relação com a atividade do neurotransmissor serotonina.
Uma pesquisa acaba de ser publicada no periódico Archives of General Psychiatry mostrando que o uso de medicações antidepressivas pode promover mudanças na personalidade de indivíduos com depressão, independente do efeito de melhora dos sintomas depressivos. Os pesquisadores avaliaram os efeitos da paroxetina em 120 indivíduos, antidepressivo que aumenta a disponibilização de serotonina no cérebro. Outros 120 foram estudados como grupo controle, sendo submetidos a psicoterapia ou fazendo uso de placebo.
Todos os participantes do estudo apresentaram melhora dos sintomas depressivos, incluindo aqueles que só foram submetidos a psicoterapia ou placebo. Os que fizeram uso da paroxetina tornaram-se mais extrovertidos e menos neuróticos do que aqueles que não fizeram uso da droga. A psicoterapia também promoveu mudanças nos índices de neuroticismo, mas de forma menos robusta que a medicação. Além disso, quanto maior a mudança no nível de neuroticismo entre aqueles que tomaram a medicação, menor foi a chance de recaída da depressão. Essa vantagem não foi observada no grupo da psicoterapia.
Esses resultados não querem dizer que medicação é melhor que a psicoterapia para tratar depressão, já que esta última ajuda na melhora dos sintomas depressivos de forma extraordinária, com efeitos comparáveis aos dos antidepressivos. O que o estudo acrescenta é que os antidepressivos da classe da paroxetina podem levar a mudanças de personalidade, para melhor, independente da melhora dos sintomas depressivos. É possível que esses efeitos positivos ocorram também em outras condições associadas ao neuroticismo e baixos graus de extroversão, como é o caso dos transtornos de ansiedade e da alimentação.
Pesquisadores americanos da Escola de Medicina de Johns Hopkins acabam de publicar na revista Neurology um estudo que mostra que adultos jovens que usaram ecstasy no passado têm maior risco de apresentar a síndrome da apnéia obstrutiva do sono (SAOS), condição caracterizada por oclusões repetitivas das vias aéreas superiores durante o sono e que pode causar problemas como o infarto do coração e derrame cerebral.
Foram estudados 62 jovens que nunca usaram ecstasy e outros 71 que relataram ter consumido ecstasy pelo menos 25 vezes ao longo da vida. Quanto maior o consumo da droga, maior foi o risco de apnéia do sono e o ecstasy teve mais influência sobre a apnéia do que a obesidade. Vale lembrar que a obesidade é um dos principais fatores de risco para a apnéia do sono.
Já dispomos de uma série de estudos experimentais que evidenciam que o ecstasy é tóxico aos neurônios, especialmente às ramificações de neurônios que produzem serotonina, neurotransmissor fortemente vinculado à regulação de inúmeras funções como o sono, a memória e o humor. A redução da atividade da serotonina associada à exposição ao ecstasy é uma das formas de explicar o maior risco de apnéia do sono no presente estudo, já que a serotonina exerce grande influência no controle da respiração, especialmente na ativação do centro cerebral da respiração em resposta ao aumento do teor de gás carbônico no sangue. Além disso, uma menor atividade da serotonina pode levar a uma maior dificuldade em se passar do estado de sono para o estado de vigília, o que pode favorecer a ocorrência de apnéias mais prolongadas.
Em diversos países, o ecstasy é a segunda droga ilegal mais utilizada, perdendo só para a maconha. De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2009, o Brasil está entre os 22 países com maiores apreensões de ecstasy, fenômeno que aumentou exponencialmente em 2007. É importante que a informação sobre os efeitos do ecstasy cheguem à população, especialmente os jovens, pois já há muitas evidências de que essa droga pode estragar o cérebro.
Alimentos com altos teores de carboidratos e gorduras têm grande poder de estimular nossos centros cerebrais relacionados ao prazer e à sensação de nos sentirmos recompensados, promovendo a liberação de neurotransmissores como a dopamina, serotonina e a endorfina. Sabemos que a ativação desses centros de recompensa cerebral está fortemente associada à sensação de bem-estar e, recentemente, uma pesquisa chegou a demonstrar que o simples contato na boca de uma solução de carboidratos, sem sua ingesta, é capaz de ativar esse sistema de recompensa, fenômeno demonstrado através de ressonância magnética funcional. Vale lembrar que o cérebro também pode se sentir altamente recompensado com alimentos que não têm nada de calóricos, mas que evocam prazer pelo paladar, olfato, visual do prato, e até mesmo pelo ambiente e a companhia na refeição.
Além disso, alguns alimentos como o café e o chocolate contêm substâncias chamadas de aminas biogênicas (ex: cafeína, teobromina) que também têm alto poder de estimular o sistema de recompensa cerebral. O chocolate, por exemplo, contém também a anandamida, substância que se liga aos mesmos receptores em que a maconha exerce seus efeitos no cérebro. O chocolate ainda faz com que a anandamida produzida pelo nosso corpo tenha efeito mais duradouro. Recentemente foi demonstrado que o consumo de chocolate ainda é capaz de reduzir os níveis de hormônios do estresse, tanto o cortisol quanto a adrenalina, e isso ajuda a promover a sensação de bem estar.
Quanto ao poder de melhorar o funcionamento do cérebro, de todos os nutrientes pesquisados até o momento, o ômega 3 é o que mostra resultados mais consistentes. Sabemos que os ácidos graxos da família ômega 3, mais especificamente o ácido docosahexanóico (DHA), são de extrema importância para o cérebro, por serem os mais abundantes nas membranas das células cerebrais. Essa é uma ótima razão para se consumir peixes como o salmão, a sardinha e o atum, que além de serem as maiores fontes alimentares de ômega 3, também são ricos em vitamina D, componente nutricional de reconhecida eficácia na melhora do desempenho cerebral. E onde é que o peixe poderia colaborar com nosso bom humor? O fato é que seu consumo regular tem o poder de prevenir a depressão, doença que rouba o humor de qualquer um sem pedir licença.
Um estudo recém-publicado pelo periódico British Medical Journal revela que uma redução de 5g no consumo diário de sal é capaz de diminuir o risco de acidente vascular cerebral em 23% e o de doenças cardiovasculares em 17%. Esse menor consumo de sal evitaria anualmente mais de um milhão de mortes por acidente vascular cerebral e três milhões por doenças cardiovasculares ao redor do mundo.
Cerca de 50% dos casos de doença das coronárias e 60% dos acidentes vasculares cerebrais são secundários a altos níveis da pressão arterial, e a quantidade de sal na dieta responde por boa parte desses números. A atual recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o consumo diário de sal não exceda 5g por dia, mais ou menos uma colher das de chá. Entretanto, o consumo supera esse limite na maior parte do globo, com uma média de 10g por dia na maioria dos países ocidentais, chegando a mais de 12g diários no Brasil e em países asiáticos e da Europa oriental.
O principal problema do excesso de sal na alimentação é o aumento dos níveis da pressão arterial. Por outro lado, uma série de estudos tem demonstrado que o alto consumo de potássio é capaz de reduzir a pressão arterial. Esses estudos apontam que a redução do conteúdo de sódio ao longo prazo e sua substituição por potássio é capaz de reduzir o risco de doenças cardiovasculares e essa já é uma recomendação dietética consensual. Uma dieta com pouco sódio e muito potássio é melhor do que aquela com a simples restrição de sódio. Para inserir mais potássio na dieta deve-se consumir frutas e verduras com fartura. Para reduzir o consumo de sódio, o primeiro passo é retirar o saleiro da mesa e lembrar que algumas ervas podem temperar a comida tão bem como o sal. Além disso, é fundamental evitar os alimentos salgados por natureza, como as conservas, o “fast food”, enlatados, carnes processadas e embutidos.
Em tempo: recentemente minha querida tia Dete me disse que a sua médica “renomada” lhe orientou a não tomar mais água de coco, pois dificultaria o controle de sua pressão alta. Tia Dete, não deixe de tomar sua água de coco, pois ela tem pouco sódio e ainda tem potássio para dar, vender e jogar fora. O teor de potássio de uma água de coco é quase duas vezes maior do de uma banana, fruta que tem a fama de ser riquíssima em potássio.
O limite de consumo de sódio por dia é de 2300mg. Um coco com 400ml de água contém apenas 20 a 24mg de sódio, 10% do consumo recomendado. Já uma latinha de coca-cola tem duas vezes mais sódio que essa água de coco: a coca normal tem 37mg, a light tem 40mg e a zero tem 50mg. É bom lembrar que a coca-cola não contém nadinha de potássio em sua mágica fórmula.





















