You are currently browsing the category archive for the ‘!! ConsCiência no Dia-a-Dia !!’ category.

Em qual dos três rapazinhos abaixo você confiaria seu precioso dinheiro?  Uma pesquisa publicada pela PLoS ONE esta semana  apontou que o rapaz com cara de bonzinho era o mais escolhido, mesmo quando os voluntários recebiam informações de que esse rapaz tem má reputação.
 
 
 
 
 

 

 

O cérebro da maioria das pessoas precisa de sete a oito horas de sono por dia para acordar com disposição e enfrentar o dia. Nossa vida moderna não tem dado muita bola para essas necessidades básicas e as demandas sociais, voluntárias ou involuntárias, são frequentemente discrepantes daquelas do cérebro. Esse conflito entre o relógio biológico e o relógio social tem recebido o nome de Jet Lag Social e as evidências têm apontado que esse é um fenômeno que tem a ver com o controle do peso.

 

Esta semana, foi publicado um estudo realizado pela internet com 65 mil europeus apontando que quanto maior o Jet Lag Social, calculado como a diferença entre o tempo de sono em dias de folga e nos dias de trabalho, maior a chance de sobrepeso (Current Biology). Os resultados também sugeriram que não só a duração do sono, mas também o horário em que se vai para a cama, tem relação com o controle de peso.  Trocar o dia pela noite não parece ser bom negócio.

 

Uma forma de entender esse efeito “Fuso Horário Social” é supor uma rotina em que viajamos toda sexta-feira depois do expediente para em direção oeste para a Ilha de Páscoa e voltamos para casa na segunda-feira. Quando voltamos, teremos o desafio de trabalhar num horário que já estaríamos nos preparando para dormir na ilha.  

 

Temos ainda evidências de que a privação de sono entre indivíduos com sobrepeso e submetidos a uma dieta de restrição calórica, além de provocar mais fome, induz à perda de mais massa magra do que gordura, o inverso do recomendável nesse tipo de dieta. Essa maior perda de massa magra sugere que há um aumento de conversão de proteína em glicose para manter os diferentes órgãos do corpo.

 

A ciência tem nos mostrado de forma inequívoca que, para quem quer manter o peso em dia, e também para quem precisa perder alguns quilos, dormir bem é fundamental. Vale lembrar que quanto mais tempo ficamos acordados, maior a chance de consumirmos calorias. Além disso, uma noite de pouco sono pode diminuir a disposição para a realização de exercícios físicos no outro dia.

 

 

 

 

 

Mensagens de texto pelo celular podem ajudar aqueles que sofrem de doenças crônicas a seguirem melhor as recomendações médicas. Essa é a conclusão de uma revisão sobre o tema publicada recentemente pelo periódico da Associação Americana de Informática Médica.

No tratamento de doenças crônicas, um dos maiores desafios do médico é fazer com que o paciente use de forma correta o esquema medicamentoso proposto. Uma das principais causas de um baixo grau de aderência ao tratamento é o fato de que os pacientes simplesmente esquecem-se de tomar a medicação.

 

Alguns estudos têm procurado avaliar a eficácia de lembretes através de dispositivos eletrônicos para contornar falhas no uso de medicações, como é o caso de mensagens pelo celular. No presente estudo, pesquisadores holandeses avaliaram os resultados de 13 diferentes pesquisas que investigaram essa questão entre pacientes em tratamento para diferentes condições clínicas como AIDS, hipertensão arterial, asma, glaucoma e uso de anticoncepcional oral.

 

A maioria das pesquisas demonstrou o benefício dos lembretes eletrônicos no curto prazo, mas esses resultados devem ser vistos com cautela, já que no longo prazo esse benefício pode se perder.  Dos três estudos que avaliaram a aderência por mais de seis meses, apenas um deles evidenciou resultados positivos.

 

O avanço da tecnologia promoverá o desenvolvimento de novas ferramentas de comunicação e os benefícios podem ser ainda maiores. Aplicativos de smartphones com essa finalidade parecem ser bem promissores.

 

 

A enxaqueca, também conhecida como migrânea, é uma disfunção cerebral com reconhecido componente genético. Indivíduos que têm familiares com enxaqueca têm mais chance de apresentá-la, mas nem sempre. As crises de enxaqueca podem se iniciar já na infância, mas é mais freqüente entre os 25 e 55 anos, a fase de vida economicamente mais produtiva do indivíduo.

 

A enxaqueca afeta cerca de 20% das mulheres e é três vezes mais comum que nos homens. A dor de cabeça costuma ser forte, unilateral, de caráter latejante, com piora às atividades rotineiras, freqüentemente associada a náuseas, intolerância à luz, som e odores. As crises habitualmente duram entre 4 e 72 horas.

 

Menstruação. Cerca de 50-60% das mulheres com enxaqueca apresentam crises durante a menstruação e isso está associado ao súbito declínio dos níveis do hormônio estrogênio nessa fase do ciclo menstrual. Além disso, até 20% das mulheres com enxaqueca tem crises somente no período perimenstrual. O primeiro dia antes da menstruação é o dia em que a mulher tem mais chance de ter uma crise. Um pouco mais de 15% das mulheres com enxaqueca tem sua primeira crise na época da sua primeira menstruação.

 

Pílula anticoncepcional. O uso de contraceptivos orais pode dificultar o controle das crises, e pílulas com menor concentração de estrogênio podem favorecer o controle, inclusive no caso da enxaqueca menstrual.

 

A mulher deve evitar o uso de pílula anticoncepcional com conteúdo de estrogênio, especialmente se tiver mais de 35 anos de idade, se for portadora de fatores de risco vascular (tabagismo, hipertensão arterial) ou se tiver história pessoal ou familiar de eventos vasculares (trombose). A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece a enxaqueca com aura como categoria 4 na indicação do uso de pílula anticoncepcional com conteúdo de estrogênio, o que quer dizer que é uma condição de saúde em que os riscos do uso da pílula são inaceitáveis. Riscos, nesse caso, são os relacionados ao derrame cerebral.

 

O conceito de AURA é o de um aviso, um sinal de que uma crise de enxaqueca está por começar, mas também pode ocorrer já na fase da dor de cabeça. Entre 15 e 30% das pessoas que sofrem de enxaqueca podem experimentar o fenômeno, habitualmente como sintomas visuais (pontos luminosos, flashes em ziguezague, falhas no campo visual), geralmente durando menos de uma hora. A AURA pode se apresentar como formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar e raramente como perda de força de um lado do corpo. Algumas pessoas experimentam aura sem apresentar dor de cabeça.

 

Gravidez. Durante a gravidez, as crises costumam melhorar em 60-80% das mulheres. Deve-se evitar tratamentos profiláticos medicamentosos devido a potenciais conseqüências ao feto. Algumas medicações sintomáticas são contra-indicadas na gravidez.

 

Uma série de estudos demonstra que mulheres com enxaqueca apresentam maior risco de apresentar hipertensão arterial na gravidez (pré-eclâmpsia) e bebês com baixo peso. Além disso, também é maior o risco de eventos vasculares nesse período entre as enxaquecosas, e aí podemos incluir derrame cerebral, infarto do coração e tromboembolismo pulmonar.

 

Lactação. Após o parto, as crises voltam a piorar em até 50% das mulheres no primeiro mês. Há evidências de que a amamentação confere proteção às crises nessa fase.

 

Menopausa.  Até 80% das mulheres apresentam melhora das crises de enxaqueca após a menopausa espontânea. Entretanto, por volta de 20% das mulheres começam a ter crises após os 50 anos, e raramente após os 60 anos. No caso da menopausa cirúrgica, há uma tendência de piora das crises de enxaqueca em dois terços das mulheres.

 

Já é consenso que a indicação de terapia de reposição hormonal [TRH] para a melhora de sinais e sintomas da menopausa deve ser restrita a mulheres com sintomas moderados a severos e utilizada pelo menor tempo e com mínimas doses possíveis. Essas recomendações são decorrentes do fato de que a TRH prolongada eleva o risco de câncer de mama, trombose nas veias e derrame cerebral. No caso da enxaqueca, mesmo a com aura, a TRH com doses baixas de estradiol pode ser considerada.

 

 

 

Atividade física diária previne a doença de Alzheimer mesmo entre aqueles com mais de 80 anos. Essa á conclusão de um estudo publicado esta semana pela versão online do periódico da Academia Americana de Neurologia.

 

Durante quatro anos, mais de 700 idosos, com uma média de idade de 82 anos, foram acompanhados com testes anuais de memória e outras funções cognitivas. Eles foram também monitorados em suas atividades físicas através de um questionário e por um dispositivo chamado actígrafo, tipo um relógio de pulso, que registra a movimentação de uma pessoa ao longo do dia.

 

Nesse período, 10% dos voluntários receberam o diagnóstico de doença de Alzheimer. Aqueles que tinham registro de maior atividade foram os que tiveram menos chance de desenvolver a doença. Os 10% com menos atividade tiveram um risco três vezes maior quando comparados aos de maior atividade.  Esse efeito protetor foi demonstrado não só com os exercícios físicos formais, mas também com atividades do cotidiano como limpeza da casa, cozinhar e lavar louças. O benefício da atividade física mostrou-se independente das atividades cognitivas e sociais que ajudam na prevenção da doença. 

 

A pesquisa confirma, com metodologia bastante refinada, que a atividade física, é uma aliada na luta contra a doença de Alzheimer, mesmo em idades avançadas. Sabemos que o exercício estimula a liberação de uma série de combustíveis para os neurônios e vasos e melhora o aproveitamento da glicose pelo cérebro. 

 

** No dia a dia do consultório, as pessoas perguntam muito qual é o tipo de atividade física mais recomendada para o cérebro. Nesta semana, outro estudo publicado pelo Archives of Internal Medicine revelou que atividade física do tipo musculação duas vezes por semana durante seis meses promoveu a melhora cognitiva de mulheres idosas com queixas subjetivas de memória. Além disso, durante uma tarefa tipo jogo de memória, esse programa de atividade trouxe maior ativação de uma série de áreas cerebrais.

 

 

 

 

 

 

Ouço às vezes no consultório jovens dizendo coisas como: “Já fiz check up com o cardio, com o gastro, agora só falta o neuro”.  Mas afinal, que tipo de check up as pessoas realmente devem fazer?

 

Para quem não tem sintomas, ou qualquer doença conhecida, exames como PSA (antígeno prostático), tomografia das artérias coronárias, raio-x ou tomografia de pulmão têm sido colocados em xeque. Mamografia a partir dos 40 ou 50 anos? Testes genéticos que podem demonstrar uma maior chance de desenvolver doença de Alzheimer no futuro? Todo mundo poderia fazer exame para descartar aneurisma cerebral? Qual é o custo benefício?

 

Resultados falso-positivos levam à ansiedade, novos exames que não raramente são invasivos e, por vezes, até cirurgias desnecessárias. A isso se dá o nome de iatrogenia que é a contra-mão do que o pai da medicina Hipócrates deixou como princípio ético – primum non nocere (em primeiro lugar, não fazer mal). Check ups para pessoas assintomáticas só devem ser realizados quando existem evidências de que os benefícios são maiores que os danos. Isso não quer dizer que as pessoas devem deixar de ir ao médico ou ao dentista pelo menos uma vez ao ano, especialmente após os 40 anos.

 

 

Nos tempo de hoje, os médicos já não precisam cuidar só dos doentes, mas também das pessoas saudáveis. Estamos sempre vulneráveis a sermos rotulados como portadores de alguma disfunção ou transtorno.  

 

Veja abaixo algumas diretrizes de check up de diferentes sistemas do nosso corpo:

MAMA (mulheres) Auto-exame mensal.Após os 40 anos: exame clínico da mama e mamografia anualmente. Mulheres com alto risco (>20% de chance de desenvolver a doença ao longo da vida), podem discutir o custo-benefício da ressonância magnética e ultrasonografia.
COLON E RETO Após os 50 anos: sangue oculto nas fezes anualmente e retossigmoidoscopia a cada 5 anos ou colonoscopia a cada 10 anos. Se houver história de câncer de cólon na família, o sreening deve iniciar após os 40 anos (colonoscopia e testes genéticos).
COLO UTERINO (mulheres) Papanicolau anualmente (discutir custo-benefício do teste DNA HPV)
ATEROSCLEROSE Score de Frahmingham anualmente. Score intermediário (> 10%) : indicado teste de esforço.

Após 55 anos se apresentar qualquer fator de risco (hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, dislipidemia, história familiar, síndrome metabólica):  Ecodoppler de carótidas com espessura íntima média ou Score de Cálcio Coronariano pela tomografia computadorizada a cada 5 anos. Avaliação oftalmológica (retina) e US para descartar aneurisma de aorta abdominal  após 60 anos.

Cavidade oral:Visita ao dentista semestralmente.Olhos:Avaliação periódica com oftalmologista – anual a partir dos 45 anos de idade.Ossos:Densitometria óssea a partir dos 65  e a partir dos 60 anos se houver fatores de risco para osteoporose (ex: uso de corticóide, tabagismo).Pele:Avaliação dermatológica ao aparecer manchas, pintas, feridas inéditas.Estômago – Esôfago:Endoscopia digestiva alta  em caso de dificuldade para engolir ou dispepsia sustentada ou associada a outros sintomas / sinais (ex: perda de peso, anorexia, anemia).Tiróide: US de tiróide é recomendado para pacientes de alto risco (história familiar de câncer de tiróide ou de irradiação) e quando há nódulo palpável, bócio ou linfonodos suspeitos. (AACE 2006).Pulmão: Mesmo com história de tabagismo, a ACCP (2007) não recomenda screening.

Abdome, linfonodos: PET/CT de corpo inteiro não é recomendado como screening (SNM 2007). US de abdome pode ser realizado para avaliação periódica do fígado, vesícula, pâncreas, e rins.  

Sistema genito-urinário: Exame de urina anualmente. US de pelve via abdominal pode ser realizado  para avalaiação periódica de ovários, útero e bexiga. A realização de US transvaginal e CA 125 anual para screening de câncer de ovário é controverso, mesmo em mulheres com história familiar da doença.

PROTEJA SEU CÉREBRO E MANTENHA-O BEM AFIADO

– Durma bem

– Pratique exercícios físicos moderados pelo menos 30 minutos 5 vezes por semana. Evite a exposição solar entre as 10:00h e 16:00h.

– Controle os fatores de risco vascular (ex: tabagismo, pressão alta, diabetes, colesterol, etc)

– Mantenha seu peso ideal

– Equilibre o trabalho com o lazer

– Adote a Dieta Mediterânea na sua vida:  coma pelo menos 5 porções diárias de frutas / vegetais, dê preferência aos grãos integrais, evitando os refinados, e dê preferência às gorduras insaturadas (azeite). Limite o consumo de carnes vermelhas ou processadas (ex: defumados), e o uso de álcool a uma dose por dia. (dê preferência ao vinho tinto). Inclua o peixe na sua dieta pelo menos 2 vezes na semana, especialmente o atum, sardinha e salmão.

ESSAS SÃO ATITUDES QUE, ALÉM DE FAZEREM  BEM AO SEU CÉREBRO,PREVINEM A ATEROSCLEROSE E O CÂNCER

 

 

 

 

 

A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

 

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.

Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.

 

 

Esta semana, um estudo inédito conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia demonstrou que as pessoas que consomem chocolate de forma frequente têm um menor índice de massa corporal. Parece bem paradoxal, hein? Fica mais magro quem come mais chocolate?

 

Participaram da pesquisa mais de mil voluntários com idades entre 20 e 85 anos (média de 57 anos) que responderam a questionários para avaliação do estado de humor, padrão de atividade física e dieta, incluindo o consumo de chocolate.

 

Os resultados mostraram um consumo médio de chocolate nessa população de duas vezes por semana e atividade física vigorosa numa média de três vezes por semana. A ingestão calórica foi maior entre aqueles que comiam mais chocolate, mas mesmo assim eles se mostraram mais magros. Essa associação não pôde ser explicada por diferenças no padrão de atividade física. Além disso, quanto maior o consumo de chocolate, maiores as pontuações na escala de depressão, fato que já havia sido demonstrado numa publicação anterior.

 

Já tínhamos boas evidências de que o consumo de chocolate, especialmente aqueles com alta concentração de cacau, traz alguns benefícios à saúde, como um melhor controle da pressão arterial e dos níveis de colesterol, assim como a promoção de uma melhor sensibilidade à insulina, o que potencialmente reduz o risco de diabetes. Um estudo chegou a mostrar uma maior longevidade associada ao consumo de chocolate.

 

O cacau é muito rico em flavonóides, substâncias fartamente encontradas nos vegetais e que promovem o bom funcionamento dos vasos sanguíneos e do nosso metabolismo. Essas substâncias são as mesmas que fazem a boa fama dos chás verde e preto e da casca das frutas vermelhas. Pesquisas recentes em modelos animais têm apontado efeitos positivos desses flavonóides, especificamente a epicatequina, sobre o volume e desempenho muscular, além de redução do peso mesmo sem qualquer mudança no padrão da atividade física ou da ingesta calórica.     

 

 

 

Principal recado da pesquisa.

Não só a quantidade, mas também a QUALIDADE das calorias podem fazer a diferença no controle do peso.

 

 

Referência: Arch Intern Med. 2012;172(6):519-521

 

 

 

O hábito de colecionar coisas, mesmo que não tenham qualquer utilidade à primeira vista, é um hábito comum entre crianças e adultos, tanto em sociedades modernas como primitivas. Tal hábito também é descrito em outras espécies. O hábito de estocar comida é descrito em pelo menos 12 famílias de pássaros, 21 famílias de mamíferos e vários tipos de insetos. E o hábito de colecionar não é restrito à comida. Alguns tipos de pássaros costumam juntar objetos metálicos e coloridos e hamsters preferem juntar contas de vidro a juntar comida.

 

A estocagem de alimento faz todo sentido do ponto de vista de adaptação das espécies como forma de preparação para tempos de vacas magras. Entre os humanos, o comportamento de colecionador pode representar esse mesmo instinto arcaico, e é difícil pensar em alguém que nunca tenha colecionado nada durante a vida. As coleções podem ser justificadas pelo valor estético e emocional dos objetos, e até mesmo pelo valor material mesmo, como é o caso de obras de arte.

 

O fato é que em algumas situações o comportamento de colecionador não traz nenhuma dessas justificativas anteriores e pode representar um sintoma patológico. Nessa situação o indivíduo coleciona exageradamente, de forma indiscriminada, e tem muita dificuldade de se desfazer das “quinquilharias”. Nesses casos, é mais comum a coleção de objetos que podem ser facilmente obtidos, e após a aquisição eles são deixados de lado. O interesse pelos objetos volta a acontecer quando outra pessoa ameaça dar um fim na coleção. O ato de colecionar é um fim em si mesmo, comportamento semelhante ao dos roedores, que acumulam por acumular, independentemente se suas reservas estão em alta ou em baixa. 

 

Várias doenças neuro-psiquiátricas podem estar associadas a um comportamento de colecionador patológico, como é o caso do transtorno obsessivo-compulsivo, autismo, esquizofrenia, síndrome de Tourette e diferentes tipos de demência. Estudos recentes têm demonstrado que lesões ou alterações no funcionamento de regiões frontais do cérebro, especialmente do lado direito, estão associadas ao comportamento de colecionador patológico. É como se essa região do cérebro funcionasse como freio para o instinto arcaico de acumular por acumular, que tem origem em outras regiões do cérebro como o sistema límbico, um dos maestros de nosso comportamento. Talvez as crianças ainda não tenham esse freio bem desenvolvido, pois se dependesse delas, elas teriam todos os modelos de brinquedos disponíveis no mercado. Consumismo pode não ser o melhor nome para isso.    

  

Num extremo podemos imaginar o colecionador comum e “saudável” que tem toda a obra de seu escritor predileto, e já leu boa parte dos livros que comprou. No outro extremo está o indivíduo que começa a guardar em casa quilos e quilos de objetos sem utilidade que deveriam estar num ferro velho. Entre os dois extremos, estariam aquelas pessoas que lêem ou consultam apenas uma mísera parte dos livros que compra, mulheres que têm um quarto em casa só para guardar a coleção de centenas de sapatos, pessoas que já têm uma respeitável “coleção” de dinheiro suficiente para sustentar três gerações, mas continuam a trabalhar 18 horas por dia pelo prazer de ver sua coleção aumentando… 

 

 

 

Esta semana, um estudo envolvendo mais de 120 mil voluntários seguidos por até 28 anos foi publicado pelo Archives of Internal Medicine (Associação Americana de Medicina) e demonstrou de forma contundente que o consumo de carne vermelha está associado a uma menor longevidade e maior risco de doenças cardiovasculares e câncer. Já tínhamos boas evidências de que carne vermelha não faz bem à saúde, mas esse estudo, além de ser o mais robusto até então, demonstrou de forma inédita que a substituição da carne vermelha por outras fontes de proteína fez as pessoas viverem mais.

 

Calcula-se que 11-16 % das mortes poderiam ser evitadas se as pessoas comessem menos carne vermelha, e a redução do risco de mortalidade por doenças cardiovasculares poderia chegar a 21%. As carnes vermelhas contêm grande quantidade de gordura saturada que por sua vez está associada ao aumento dos níveis de colesterol, da pressão arterial e do risco de câncer. As carnes vermelhas ainda possuem reconhecidos compostos carcinogênicos, que podem ser ainda mais concentrados nas carnes processadas.  Na presente pesquisa, os riscos do consumo das carnes processadas (ex: salsicha, lingüiça) foi ainda maior. 

 

Não é o caso de radicalizar e recomendar que todo mundo adote a dieta vegetariana. Limitar o consumo de carnes vermelhas e processadas a menos de 10% das calorias diárias já é o suficiente. Nesse sentido, dietas com altos teores de carne vermelha como fonte de proteína (ex: dieta do “Dr. Atkins”) não garantem bons resultados à saúde quando se pensa no longo prazo.

 

 

Para terminar, vale a pena lembrar que a limitação do consumo de carne vermelha tem o potencial de conter o desflorestamento e a emissão de gás metano. Geralmente é assim. O que faz bem ao homem, também faz bem ao planeta. A ameaça das mudanças climáticas não está batendo à nossa porta. Já entrou e sentou-se à mesa com nossos filhos e netos. Se não tomarmos medidas efetivas para combater o problema, chegaremos a uma situação de injustiça intergeracional, ou seja, as novas gerações pagarão caro por aquilo que não tiveram qualquer responsabilidade.

 

 

 

Pesquisa publicada na última edição do periódico da Academia Brasileira de Neurologia aponta que os cuidadores de pacientes idosos com demência fazem mais uso de medicações psicotrópicas do que aqueles que cuidam de idosos com outros problemas.

 

O estudo foi conduzido no Distrito Federal, sob a liderança do geriatra Einstein Camargos da Universidade de Brasília, e avaliou por dois meses cuidadores de idosos que eram acompanhados em quatro diferentes unidades de atendimento geriátrico de Brasília: Hospital Universitário de Brasília, Hospital Regional da Asa Norte, Hospital Regional do Guará e Hospital Regional de Taguatinga.

 

Questionários estruturados foram aplicados a 331 cuidadores de idosos, sendo que 63% destes eram cuidadores de pacientes com demência e os outros 37% formados por cuidadores de pacientes sem demência. O uso de psicotrópicos, incluindo benzodiazepínicos e antidepressivos, foi mais comum entre os que cuidavam de pacientes com demência quando comparado ao outro grupo (18.4% X 7%). Medicações para induzir o sono passaram a ser usadas após o início da função de cuidador mais frequentemente entre aqueles que cuidavam de pacientes com demência do que no outro grupo (11.4% X 4.3%). A maioria dos cuidadores era formada por filhos dos pacientes sem ocupação profissional, mulheres em 80% dos casos.

 

Pacientes com demência apresentam agitação durante a noite e habitualmente influenciam o sono da casa como um todo. A carga emocional de cuidar de um ente querido e até mesmo a restrição das atividades sociais também contribuem para esse maior uso de psicotrópicos. Estudos demonstram que os cuidadores de pacientes com demência têm hormônios do estresse mais elevados, respostas imunológicas a infecções menos eficientes, apresentam uma maior freqüência de transtornos psiquiátricos como a depressão e piores qualidade de vida e estado de saúde geral. 

 

A atual pesquisa provoca uma reflexão para que os médicos que assistem a pacientes com demência dêem atenção aos cuidadores e os orientem a ter apoio psicoterápico quando indicado.

 

 

 Stickman Tired Clip Art

 

 

A missão do projeto ConsCiência no Dia-a-Dia é a de ampliar a consciência pública das ciências em saúde e tem como objetivo principal a difusão das mais recentes publicações científicas em saúde que tenham impacto direto no dia-a-dia das pessoas, com linguagem acessível e forte enfoque na saúde preventiva.

 

Apesar de ser uma atividade MUITO PRAZEROSA para mim, infelizmente tive que tomar a decisão de não mais responder a posts que solicitam opiniões sobre problemas médicos pessoais, pelo simples fato de não mais conseguir manter o projeto e ainda responder a todas essas demandas. Questões pessoais de saúde devem ser discutidas pessoalmente com o médico, e espero que o ConsCiência no Dia-a-Dia possa incrementar seu repertório para tirar o melhor proveito desse encontro.

 

 

Uma pesquisa publicada esta semana pelo BMJ Open revela que o consumo freqüente de medicações para induzir o sono está associado a um maior risco de câncer e morte, mesmo entre as pessoas que as usam pouco mais do que uma vez por mês.

 

Foram acompanhados mais de 10 mil americanos com uma média de idade de 54 anos e que usavam esse tipo de medicação por um período 2.5 anos em média. As condições de saúde e expectativa de vida desses voluntários foram comparadas às de outro grupo com características semelhantes de saúde, idade e sexo, mas que não usava hipnóticos. 

 

É importante ressaltar que os resultados não implicam numa relação causa e efeito. Seria coerente pensar que as pessoas que usam os hipnóticos já têm um pior estado de saúde, mas a pesquisa não pôde demonstrar esse fato.

 

Apesar de não podermos afirmar que esses remédios sejam deletérios à saúde de forma inequívoca, o estudo provoca uma reflexão sobre a importância de se encorajar alternativas para os hipnóticos no tratamento da insônia. Estamos falando de psicoterapia, meditação, atividade física, etc.

 

Esses resultados merecem toda nossa atenção, já que o Brasil é um dos maiores consumidores desse tipo de medicação. O campeão clonazepam vende cerca de 20 milhões de caixinhas por ano.

 

 

Nocebo é uma palavra que não tem cara de coisa boa. E não é coisa boa mesmo. A origem da palavra é do latim e significa PREJUDICAREI. Ela define os eventos adversos associados a expectativas negativas e é o correspondente negativo do famoso efeito placebo. Se o otimismo e uma boa relação médico-paciente já são responsáveis por boa parte do sucesso de um tratamento, o pessimismo pode tornar as coisas mais difíceis. Tanto o nocebo como o placebo estão fortemente ligados ao contexto psicossocial do indivíduo, experiências prévias e sugestões verbais do próprio terapeuta.

 

Já temos boas evidências apontando que são maiores os efeitos adversos de um tratamento quando o médico dá mais ênfase a esses possíveis efeitos. O anestesista pode dizer a uma grávida que irá aplicar uma anestesia regional que evitará que ela sinta dor durante o parto. Pode também optar por dizer que ela sentirá uma picada forte nas costas e que esta é a pior parte da anestesia. Essa segunda forma de abordagem provocará mais dor do que a primeira. Efeitos colaterais de uma medicação na esfera sexual podem ser até três vezes mais freqüentes quando o médico alerta o paciente no início do tratamento sobre esses riscos.

 

Qual é então a melhor prática médica? O médico deve evitar a todo custo falar de efeitos colaterais com os pacientes? Nem tanto. Minimizar o componente negativo do discurso médico pode ser uma diretriz bem razoável e o tamanho desse componente deve variar de acordo com a demanda do paciente.  O paciente pode até se beneficiar de uma conversa sobre efeito nocebo com exemplos interessantes. O que parece não ser muito produtivo é listar ao paciente uma lista interminável de efeitos colaterais.

 

 

 

 

Adolescentes que assistem a mais filmes com cenas de consumo de álcool têm duas vezes mais chance de começar a beber do que aqueles que vêem pouco desses filmes. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada esta semana pelo prestigiado periódico British Medical Journal. O estudo também revelou que os filmes cheios de álcool também facilitam o comportamento de consumo do tipo “binge”, que é o de beber cinco ou mais doses de álcool de uma vez só. Vamos chamar isso de porre.

 

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores avaliaram o padrão de consumo de álcool entre mais de 6500 adolescentes americanos com idades entre 10 e 14 anos. Fatores que podem influenciar esse consumo também foram investigados, como o comportamento dos pais e a exposição a filmes e propagandas.

 

Os voluntários tinham de apontar quais os filmes já haviam assistido de uma lista de filmes de sucesso. Os pesquisadores mediram o tempo de cenas de consumo de álcool em cada filme e, em média, cada adolescente foi exposto a quatro horas e meia e muitos chegaram a oito horas de exposição. Onze por cento dos adolescentes relataram possuir algum tipo de objeto pessoal com propaganda de bebida alcoólica (ex: camiseta) e 23% deles tinham pais que bebiam em casa pelo menos uma vez por semana.

 

Após dois anos de seguimento, dobrou a proporção de adolescentes que consumia álcool, passando de  11% para 25%, e triplicou o número dos que tinham o hábito de tomar porre,  de 4% para 13%. A presença do álcool em casa, exposição a marketing e filmes com bebidas, assim como comportamento rebelde, todos esses fatores tiveram associação com o consumo de álcool dos voluntários. No caso dos filmes, essa relação era independente do artista estar bebendo ou não. Bastava a presença do produto no cenário.

 

Os autores sugerem que Hollywood deveria adotar para o álcool as mesmas restrições de exposição que faz hoje com o tabaco.

 

 

 

Viver em estado de bem estar é uma das maiores aspirações de qualquer sociedade. Os benefícios desse bem estar vão além do prazer no momento presente.  Um estudo publicado esta semana pelo periódico Archives of Internal Medicine demonstra que as pessoas que julgam que curtem bem a vida têm melhor saúde e maior longevidade.

 

Mais de onze mil ingleses com mais de 50 anos de idade foram acompanhados por uma média de sete anos. Os voluntários foram submetidos a um questionário bem validado que avalia o quanto uma pessoa aproveita a vida, o que inclui perguntas sobre auto-realização, autonomia e prazer em viver.  Os resultados apontaram que aqueles que apresentavam maiores índices nessa escala foram as que apresentavam menos doenças, fumavam menos, faziam mais atividade física e tinham maior longevidade. Além disso, eram mais freqüentemente casados e com trabalho remunerado.

 

Não dá para dizer em relação causa e efeito, mas parece que existe aí um círculo virtuoso.

 

 

 

 

Quem pega no volante até três horas após o consumo de maconha tem duas vezes mais chance de se envolver num acidente. Essa é a conclusão de um estudo publicado hoje pelo prestigiado periódico British Medical Journal.

 

Pesquisadores canadenses avaliaram nove diferentes estudos que envolveram quase 50 mil pessoas. Essa foi a primeira meta-análise sobre o tema e que conseguiu separar os efeitos da maconha e do álcool de forma independente. Os resultados são consistentes com estudos experimentais que demonstram que o consumo da maconha provoca alterações das capacidades psicomotoras e redução do desempenho em simulações de direção em laboratório.

 

Apenas conscientizar a população sobre os riscos de acidentes associados ao uso da maconha pode ser insuficiente. Alguns países europeus, Austrália e mais de dez estados americanos implantaram testes de maconha nas estradas que são feitos através de análise da saliva dos condutores. A maioria dessas experiências tem sido de tolerância zero, ou seja, qualquer traço de maconha na saliva já implica em penalização. Até existem propostas para definir níveis considerados toleráveis para a condução de veículos, mas elas ainda não emplacaram.      

 

Testes para maconha podem até ser eficazes, mas ao contrário da experiência com os bafômetros, ainda não há evidências de que esse tipo de ação reduza os índices de acidentes de trânsito. Análises criteriosas de resultados dos governos que já implantaram os testes de saliva devem guiar as decisões de outros países que consideram esse tipo de ação.

 

 

 

 

Uma alta concentração da proteína beta-amilóide no cérebro influencia o desempenho cognitivo até mesmo de adultos de meia-idade saudáveis. Esse é o principal resultado de uma pesquisa que acaba de ser publicada pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia. Já é bem reconhecido que a Doença de Alzheimer é caracterizada por um depósito expressivo dessas proteínas no cérebro.

 

A pesquisa avaliou 137 adultos com idades entre 30 e 89 anos, com alto nível educacional e sem problemas cognitivos. Todos os voluntários foram submetidos a exame de imagem PET scan do cérebro que permite estimar o contingente de depósitos da proteína beta-amilóide. Além disso, teste genético para o gene da apolipoproteína E também foi realizado. A presença do alelo 4 neste exame está associado a uma maior concentração cerebral da proteína beta-amilóide e maior risco da Doença de Alzheimer.

 

Os resultados mostraram que os indivíduos mais velhos apresentaram uma concentração maior de beta-amilóide e que 20% daqueles com mais de 60 anos apresentavam alta concentração da proteína no cérebro. Essas altas concentrações estavam associadas a um menor desempenho nos testes de memória de trabalho, raciocínio lógico e velocidade de processamento de informação. Esse grupo com alto grau de beta-amilóide apresentava mais freqüentemente o alelo de risco para doença de Alzheimer do que aqueles com pouco depósito de beta-amilóide (38% x 15%).

 

Novos estudos poderão concluir se esses depósitos de proteínas em cérebros na meia-idade representam um maior risco de desenvolver a Doença de Alzheimer.   Por enquanto, podemos começar ou continuar a fazer aquilo que já sabemos que ajuda a prevenir a doença: atividade física regular, manter o cérebro ocupado e o peso em dia, comer peixe, se possível duas vezes por semana,  e evitar substâncias tóxicas ao cérebro como o cigarro e o excesso de álcool. 

 

 

 

 

 

 

Médicos devem ter pacientes em suas redes sociais online?

 

A Associação Britânica de Medicina recomenda que os médicos NÃO devem ter pacientes atuais ou antigos nas suas listas de amigos online.

 

A Associação Americana de Medicina recomenda que os médicos devam separar o conteúdo online de ordem pessoal daquele profissional e devem reconhecer que alguns tipos de conteúdo podem arranhar a imagem do profissional frente aos pacientes e colegas, com efeitos negativos para a carreira. Além disso, podem afetar a confiança da população na profissão médica.

 

O Conselho Federal de Medicina, na sua resolução 1974/2011 publicada em junho de 2011, determina que os médicos não devem divulgar telefone ou endereço de consultório,  clínicas ou outros serviços pelas redes sociais.

 

 

Já aconteceram represálias a médicos e enfermeiras que postaram fotos de pacientes e procedimentos cirúrgicos, que tweetaram comentários que colocavam em jogo a reputação de colegas de profissão. Isso sem falar em posts e fotos de momentos íntimos considerados inadequados.

 

O que nunca pode acontecer

 

Os profissionais de saúde nunca podem quebrar o sigilo das informações dos pacientes, a confidencialidade. Isso vale tanto para o mundo “carne e osso”, como para as mídias, incluindo a internet.

 

Fóruns de discussões de casos entre profissionais eventualmente podem deixar escapar a confidencialidade, já que algumas histórias podem ser reconhecidas por aqueles que conhecem a pessoa em discussão. É claro que essa é uma chance muito pequena.

 

 

Humor nas histórias médicas. Pode?

 

Acho que pode, desde que não coloque o paciente como o centro da piada. O paciente deve ser preservado, mesmo em situações em que sua identidade não é declarada..

 

 

O médico então deve ser um hermitão de poucas interações sociais?

 

A entidade inglesa “Good Medical Practice” recomenda que a conduta dos médicos em qualquer situação deve ser aquela que justifica a confiança do paciente no profissional e que justifica a confiança pública na profissão médica. Não podemos também ter um comportamento excessivamente zeloso ao ponto de desprezar a riqueza de comunicação e interatividade que as mídias sociais oferecem.

 

 

 

** Minha experiência com o blog ConsCiência no Dia a Dia é muito semelhante à do consultório – o comportamento é o mesmo.  As diretrizes éticas são as mesmas. Na verdade, desde os 18 anos, no primeiro ano da faculdade, carrego o recado: “a partir de hoje você é um médico – é assim que a sociedade já te enxerga”. 

 

 

 

 

APOIO

PREMIO TOP BLOG

Também no Correio Braziliense - Coluna Neurônios em Dia - Revista do Correio

Blog Stats

  • 3.000.461 hits