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Não faltam evidências através de estudos com animais sobre efeitos deletérios da maconha sobre o cérebro: redução do volume dos neurônios e diminuição nas conexões entre eles. Em humanos alguns estudos já haviam revelado alterações morfológicas do cérebro à ressonância magnética em usuários da droga, especialmente nas regiões temporais. Entretanto, o assunto ainda gera polêmica, pois muitos dos achados encontrados até o momento podem também ser conseqüência de outros fatores associados ao uso da maconha como a presença de distúrbios psiquiátricos e o uso concomitante de outras substâncias neurotóxicas. Outra linha de pesquisa também já demonstrou que o uso crônico da maconha aumenta a resistência do sangue nos vasos cerebrais em indivíduos jovens, coisa que era para acontecer só nos idosos.  

 

A última edição da revista Archives of General Psychiatry coloca mais um tijolinho na construção das evidências de que a maconha não é o melhor negócio do mundo para o cérebro.  Dessa vez foram estudados os cérebros de homens com história de uso diário de pelo menos cinco cigarros de maconha por um período igual ou superior a dez anos, e sem história de transtornos mentais ou abuso de outras drogas.

 

Comparado ao grupo controle da mesma idade, os usuários de maconha apresentavam à ressonância magnética menor volume de estruturas temporais associadas à memória e às emoções, especificamente o hipocampo e a amígdala. Além disso, o grupo de usuários apresentava mais sintomas psicóticos, e menor capacidade de aprendizado.

A discussão da liberação ou não da maconha em nosso país é um assunto muito complexo e envolve múltiplas dimensões além das biológicas. É importante que a sociedade acompanhe as evidências sobre os efeitos da maconha em nossa saúde.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ontem a matéria de capa da revista do Correio Braziliense discutiu sobre o universo dos Blogs com o enfoque “Estrelas na Internet”, com dicas de como fazer fama, como ganhar dinheiro, e a ótima história da espanhola María Amélia Lopez que aos 96 anos recebeu o prêmio de melhor Blog em língua espanhola por um grupo de comunicação. Tudo isso é muito “bacana”, mas ainda não é o que mais me interessa no universo dos Blogs…  

 

É linda a definição de vida por Vinícius de Moraes como “a arte do encontro”. O encontro das pessoas ao vivo e em cores vai ficando cada vez mais difícil, às vezes até mesmo dentro do próprio lar. O tempo é sem dúvida a nossa mais cara e cobiçada commodity. É indiscutível a importância de nosso tempo solitário de reflexão e transcendência, mas nosso lado animal social também pede mais happy hours com os amigos, mais bicicleta com os filhos, mais almoços de família, mais horas de namoro, mais diálogo com os vizinhos.

 

O mundo inteiro já se preocupa com o fenômeno da internet ocupando o lugar das relações humanas de carne e osso. Mas isso é que nem a história de que é a dose que determina se a droga funcionará como remédio ou veneno. A internet ao invés de “roubar” nosso tempo, pode até mesmo fazer com que sobre mais tempo para nossos encontros. Ao fazer compras de supermercado pela internet, sobra mais tempo para brincar com o filho. Além disso, a internet e seus Blogs e fóruns não devem substituir o encontro pessoal, mas podem promover encontros de idéias com um raio de alcance e velocidade jamais sonhados.

 

Conversando com amigos sobre a missão do “Blog ConsCiência  no dia-a-dia”, discutimos sobre o seu perfil de utilidade pública, já que temos suado a camisa para decodificar para o público leigo, informações e resultados de pesquisas que podem fazer a diferença no nosso cotidiano. Mas o Blog é um instrumento que pode e deve ir muito além, pois é extraordinária a possibilidade de troca de opiniões e experiências entre os integrantes da rede que vai se formando ao seu redor. Muitos projetos de vida, pessoais ou profissionais, poderiam ser infinitamente mais ricos se tivéssemos mais tempo de sairmos de nossas solitárias “certezas” e permitíssemos mais encontros com outras realidades, outros pontos de vista.

 

Talvez historiadores do futuro olhem para trás e enxerguem o fenômeno dos Blogs assim como os historiadores de hoje enxergam a antiga Escola de Sagres. Crescemos aprendendo que a Escola de Sagres foi um dos fatores críticos de sucesso para as conquistas portuguesas. Entretanto, boa parte dos historiadores afirma que tal escola existiu apenas no sentido filosófico: jamais houve um espaço físico, um centro de estudos, e muito menos um observatório. A Escola era na verdade uma grande reunião de sábios, cartógrafos, astrônomos e astrólogos concentrados na região do Algarve, com um mesmo objetivo: descobrir a verdade sobre a terra que estava além das Ilhas Canárias.

 

Os Blogs têm o poder de reunião, de cooperação. Vale a pena refletir sobre o assunto e quem sabe encontrar a Escola que fale alto ao seu coração, à sua mente.

 

* Dica quente: visite o Portal do Voluntário e seus Blogs no www.portaldovoluntario.org.br e conheça uma legítima Escola de Sagres contemporânea. 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje é o dia mundial de luta contra o tabaco. Um elegante estudo publicado há uma semana no respeitado periódico New England Journal of Medicine mostra que a atitude individual de parar de fumar cria uma onda de influência sobre as outras pessoas de seu convívio em parar de fumar também.

 

Cerca de 60 mil pessoas foram acompanhadas pelo famoso estudo de Framingham durante 32 anos e avaliados periodicamente quanto ao hábito de fumar. Quando um dos membros de um casal pára de fumar, o outro tem uma chance 67% maior de parar também. O indivíduo tem 25% mais chances de parar quando um irmão/ irmã também pára, 36% mais chance quando um amigo pára, 34% mais chance quando um colega de trabalho pára.

 

É isso aí. Fumar não é problema só de quem fuma. Não é só o problema do fumo passivo, mas continuar fumando reduz a chance das pessoas próximas conseguirem parar de fumar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Supremo Tribunal Federal aprovou hoje a constitucionalidade de pesquisas com células tronco embrionárias em nosso país. A liberação é restrita a embriões congelados gerados em clínicas de fertilização, desde que os embriões sejam inviáveis ou já estejam congelados há mais de três anos, sempre com o consentimento dos genitores.  A decisão abre as portas para que pesquisadores brasileiros também possam colaborar para a evolução de  uma promissora estratégia de tratamento que não deve ser vista como ficção científica.

 

Temos acompanhado pontos de vista contrários à liberação das pesquisas sendo que o argumento principal é o de que o embrião é uma vida em potencial. Aonde começa e termina a vida é uma discussão pra lá de complexa, mas gostaria de provocar uma reflexão no dia de hoje sobre vida e morte.

 

Hoje em dia a morte clínica é definida como a interrupção das funções cerebrais, e vale a pena pensar num exemplo prático para melhor compreendermos a questão. Um indivíduo sofre um acidente de carro com grave traumatismo na cabeça e um grande inchaço do cérebro desenvolve-se fazendo com que ele entre em coma e perca a capacidade de respirar sozinho. Esse indivíduo fica na UTI por vários dias em ventilação mecânica, e muitas vezes, mesmo com todas as intervenções possíveis, o paciente perde subitamente reflexos neurológicos como o da pupila que nos mostram que a princípio o cérebro não é mais viável. Nessa hora, o médico pode dizer que o paciente está em morte cerebral clínica. Ele então solicita um exame que comprove que o cérebro não é mais viável, ou seja, que o cérebro morreu. Essa confirmação pode ser feita através do eletrencefalograma que confirmará a morte cerebral por “silêncio elétrico” cerebral, ou através de método que comprove que o sangue não mais circula no cérebro. Todos esses passos são realizados através de protocolos rígidos que são usados em todo o mundo, que incluem exames em dias diferentes e por mais de um médico.

 

OK. Após a realização desses protocolos, chega-se a conclusão que esse nosso paciente apresenta morte cerebral. Mesmo com esse diagnóstico, o paciente ainda pode ficar com o coração batendo por dias, às vezes até semanas. Entretanto, sabemos que esse paciente tem chance zero de viver e o médico está legalmente respaldado a seguir dois caminhos: 1) se o paciente for doador de órgãos, encaminhamos o paciente ao centro cirúrgico ainda sob ventilação mecânica e com o coração batendo para a retirada dos órgãos; 2) se o paciente não é doador de órgãos, desliga-se o ventilador mecânico e então o coração pára de bater em minutos.

  

A sociedade brasileira vê com muitos bons olhos a atitude altruísta das famílias que permitem a doação de órgãos de seus entes queridos diagnosticados com morte cerebral e que salvarão a vida de outras pessoas que morreriam se não recebessem um rim, fígado, coração, ou que não enxergariam se não recebessem novas córneas. Essa é uma questão que não tem polêmica.

 

Quando um casal é submetido à fertilização in vitro, vários embriões são fertilizados, mas nem todos são usados. Congela-se então os embriões não utilizados e o casal tem garantido o direito de solicitar que eles sejam inutilizados quando bem entenderem.

 

Assume-se que um corpo sem cérebro não tem chance de viver, mesmo com o coração batendo. Embriões que serão jogados no lixo têm alguma chance de viver? Deve-se proibir então a fertilização in vitro e destruir o sonho de  tantos casais inférteis de gerar um filho

 

 

Comemoro a decisão do STF. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     

 

 

 

 

A enxaqueca é duas a três vezes mais comum nas mulheres do que nos homens, e para se ter uma idéia da importância do problema, a Organização Mundial da Saúde a posiciona entre as 20 doenças que mais provocam incapacidade e entre as mulheres ela é a 12ª do ranking. É bem reconhecido que as crises de enxaqueca podem ser desencadeadas pelo estresse, sendo o ambiente de trabalho uma das suas principais fontes. Um recente estudo publicado na revista britânica Cephalalgia avaliou a relação entre o estresse no trabalho de cerca de 20 mil mulheres do setor público da Finlândia e a chance de apresentarem crises de enxaqueca ao longo dos anos. O interessante é que não houve relação entre alto nível de demanda no trabalho e crises de enxaqueca. Entretanto, um menor nível de realização no trabalho, medido como a relação entre o nível de demanda e o nível de retorno (benefícios, prestígio, satisfação pessoal), foi significativamente associado a uma maior chance de apresentar enxaqueca. Se essa é uma questão relevante num país como a Finlândia em que a as mulheres dividem o trabalho de casa de forma quase igualitária com seus maridos, têm praticamente um ano de licença maternidade e um sistema de creches municipais que serve de exemplo a todo o mundo, podemos imaginar que o problema seja mais significativo ainda em nosso país. Aos empregadores de plantão: é bom lembrar que a enxaqueca é uma das principais causas de absenteísmo no trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A maioria das espécies na natureza é fértil a vida toda, não experimentando o que conhecemos como menopausa. A menopausa pode ser vista como uma vantagem evolutiva e dentre as várias razões para sua existência, chamamos a atenção neste artigo para o que a ciência conhece como “ Hipótese Avó”: na espécie humana a fêmea a partir de uma certa idade seria mais útil à perpetuação da espécie ao cuidar dos netos do que gerando novos filhos.

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A TPM é uma condição tão freqüente entre as mulheres que uma boa parte delas acha que é assim mesmo que tem que ser e jamais chegam a buscar ajuda médica. Hoje em dia a ciência entende bem melhor o fenômeno da TPM, até mesmo do ponto de vista da evolução das espécies, e já conta com inúmeras armas para melhorar a qualidade de vida das mulheres que sofrem por conta desse problema. É importante que esse conhecimento chegue tanto às mulheres como aos homens, pois uma maior consciência sobre a TPM pode contribuir para que o convívio dos casais seja mais afinado. Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

A maioria dos brasileiros quando ouve o nome ciência cria uma ligação direta com algo vindo do estrangeiro. Claro que o Brasil não é o campeão mundial de produção científica, mas também não estamos tão mal assim. Nas áreas de saúde temos grupos de pesquisa de excelência, alguns até à frente de países desenvolvidos. É difícil imaginar que alguém consiga discordar que a autonomia científica e tecnológica de um país seja uma das principais estratégias para o desenvolvimento de sua economia. Ciência na saúde é tão ou mais importante do que em qualquer outra área do conhecimento. E por isso, precisamos trabalhar os diversos setores da sociedade para que ciência deixe de ser uma coisa esquisita dos gringos.

 

Podemos começar pela própria geração de ciência no nosso meio e nesse ponto temos sérios desafios. A baixa participação de alunos em programas de iniciação científica durante a graduação faz com que uma minoria aprenda a fazer ciência. No caso dos médicos, a residência médica seria outra grande oportunidade para se adquirir as ferramentas científicas necessárias para desenvolver pesquisa na sua prática clínica, mas infelizmente a formação científica não é priorizada nessa fase da formação.  Em países desenvolvidos, vemos muitos médicos que não optaram pelo caminho formal da pós-graduação stricto sensu serem lideranças científicas nas suas áreas de atuação. Isso porque aprenderam bem a fazer ciência durante a graduação e a residência médica.

 

Outro fator complicador em nosso país é que temos poucos programas de pós-graduação e estes estão em sua grande maioria nos grandes centros. Temos ainda recursos relativamente limitados voltados à pesquisa no país e sabemos que boas pesquisas custam dinheiro. A carreira acadêmica vem sendo desvalorizada especialmente do ponto de vista de remuneração, fazendo com que poucos profissionais da saúde recém-formados busquem esse caminho. A maior parte das universidades privadas do país (e existem exceções!) pouco colabora para a mudança desse cenário, sendo que uma minoria investe em pesquisa de forma sólida, não conseguindo cumprir a missão da universidade que inclui além do ensino, atividade de pesquisa e extensão.

 

Recentemente tenho ouvido uma série de casos de estudantes de medicina recém-formados que têm optado por não fazer residência médica, pelo menos por um tempo, em detrimento de um ou outro concurso público. Isso me faz lembrar bastante de uma experiência que tive em Cuba há cerca de 10 anos. Muitos pais revelavam certo desconforto ao verem seus filhos não quererem mais estudar ou seguir uma carreira, pois ao optarem por ser médicos ou físicos, ganhariam uma média de 20 dólares por mês pelo resto de suas vidas. Por outro lado, se passassem a se empenhar na briga por uma vaga de carregador de malas em hotel turístico, passariam a ter a chance de ganhar infinitamente mais com gorjetas. Não estou lutando contra a idéia da garantia do emprego estável, mas as autoridades envolvidas em educação em saúde precisam estar atentas em garantir que os jovens continuem sonhando em se formar profissionais de ponta, pesquisadores, criadores de novas tecnologias. Sabemos que o curso de graduação não permite vôos dessa natureza.

 

Acredito que a maioria dos brasileiros sente-se orgulhosa do grande impacto que nosso biodiesel pode vir a ter para a economia do nosso país, e é importante que os brasileiros saibam o quanto foi investido em pesquisa para que tenhamos chegado a esse produto. É nesse sentido que a divulgação científica ao público leigo representa uma importante ferramenta para que a sociedade passe realmente a entender o quanto a ciência é vital para o desenvolvimento de nossa sociedade. Essa conscientização pode fazer com que a ciência seja estimulada pela própria população por meio de seus representantes, e que ações que fomentem o crescimento científico e tecnológico do nosso país sejam levados em consideração na hora de darmos nosso voto a um político ou a outro.  Claro que isso não acontecerá da noite para o dia, mas precisamos pisar forte no acelerador incrementando o jornalismo científico aos adultos e levando ciência às crianças já no ensino fundamental de forma aplicada ao dia-a-dia delas. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quem tem filho sabe que passa a não ser mais dono exclusivo do próprio nariz. Tanto o pai quanto a mãe passam por um processo adaptativo, especialmente do ponto de vista psíquico, que pode estar associado a alterações neuroquímicas e estruturais do cérebro deflagradas pela experiência de cuidar dos filhos. Hoje em dia já conhecemos muito dessas mudanças cerebrais entre as mães. Não é só o coração da mãe que é avantajado: o cérebro também é.

 Clique aqui e confira o artigo na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A poluição do ar tem sido crescentemente implicada no aumento do risco de doenças vasculares através da exacerbação da aterosclerose e conseqüente aumento do risco de infarto do coração e derrame cerebral. Os estudos que demonstraram essa associação documentaram o grau de poluição com partículas poluentes relativamente grandes (diâmetro < 10 mM). Reconhece-se atualmente que são as partículas menores (diâmetro < 0.18 mM) que representam maior risco às nossas artérias, e de longe, são as mais abundantes em um ambiente urbano, pois têm emissão fundamentalmente ligada à queima de combustível.

 

Uma pesquisa publicada há cerca de um mês na revista Circulation Research comprova em ratinhos que a exposição a essas pequenas partículas poluentes tem o poder de promover placas de aterosclerose nas artérias de forma muito mais potente que as partículas maiores.

 

Futuros estudos epidemiológicos deverão levar em conta a dosagem dessas partículas menores para reavaliação do impacto da poluição sobre as doenças vasculares e não será surpresa se for ainda maior do que foi demonstrado até o momento. Precisamos estar cada vez mais cientes da evolução desse problema e cobrar das autoridades do governo ações que evitem um novo tipo de “apagão aéreo”. Mas não é só cobrar. Devemos também assumir nossa parcela de responsabilidade e começar a ter atitudes em prol de um ar mais limpo. Se o seu trabalho fica próximo ao do seu vizinho, que tal um dar carona para o outro ?

  

 

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O altruísmo é uma especial característica da espécie humana já que estende os benefícios de nossas boas ações a indivíduos que não fazem parte do núcleo familiar. Atualmente há uma forte linha de pesquisas que busca explicar as raízes de nossas ações altruísticas através da idéia de que elas podem gerar ganhos do ponto de vista de reputação, colocando o altruísmo como uma possível vantagem evolutiva, ou seja, indivíduos com comportamento altruísta teriam maior chance de sucesso em gerar descendentes. Essa discussão incomoda um pouco alguns dogmas religiosos que não aceitam a teoria da evolução e entendem que o homem foi criado já pronto e que a criação o fez bom e generoso. Entretanto, algumas diretrizes religiosas são até concordantes com o conceito de altruísmo gerando reputação, só que a recompensa viria após a morte.

 

O aumento da reputação poderia gerar vantagens ao altruísta de duas maneiras, e vários estudos experimentais têm confirmado essas posições. A primeira é a chamada reputação recíproca indireta, que é a tendência de membros até mesmo não beneficiados recompensarem o altruísta, de forma também altruística. A segunda maneira seria a sinalização por parte do altruísta de uma imagem favorável a relações sociais, alianças e parcerias (sexuais ou não). Nesse caso, ambas as partes se beneficiam no processo, pois os observadores lucram em ter sinalizações de qualidade na potencial relação. 

 

Esse efeito reputação é ainda mais reforçado por resultados de pesquisas que evidenciam que ações altruísticas são maiores quando há platéia. Além dos potencias ganhos sociais, há um outro nível de recompensa, já que nosso sistema cerebral de recompensa e prazer é ativado quando nos doamos para outras pessoas. Tudo isso não é simples ceticismo. O corpo atual de evidências nos faz pensar que nosso cérebro evoluiu para se sentir bem fazendo bem aos outros e que isso permitiu que aumentássemos nosso potencial de relações e procriação.

 

O comportamento humano frente a situações injustas reforça ainda mais o papel da reputação como base do altruísmo. Experimentos nos mostram que indivíduos que assistem a uma situação de injustiça, que não os afeta pessoalmente, ganham em reputação quando assumem um comportamento de punição à injustiça. Esse comportamento também ativa os centros cerebrais de recompensa. Talvez isso tenha alguma coisa a ver com a fábrica de CPIs no congresso com seus “justiceiros” recebendo uma audiência significativa. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alguns estudos já haviam demonstrado que trabalhar em turno invertido representa um fator estressante do ponto de vista social e aumenta o risco de tabagismo, obesidade e diabetes. Uma pesquisa conduzida na Alemanha e em processo de publicação na revista Atherosclerosis revelou que indivíduos com história pregressa de trabalho em turno invertido apresentam maior risco de infarto do coração e de aterosclerose, demonstrada através da medida de espessura da camada interna das artérias carótidas. Esse risco aumentado foi independente de outros fatores de risco vascular como o tabagismo ou diabetes, e foi maior entre os indivíduos com mais anos de trabalho noturno. A pesquisa chama a atenção para a necessidade de programas especiais de prevenção de doenças vasculares para os trabalhadores corujões.  

  

 
 

 

 

 

 

 

 

O curso de medicina da UFBA em Salvador é a  escola de medicina mais antiga do Brasil e nesta semana recebeu uma má avaliação pelo MEC. Isso por si só já é muito triste, mas o coordenador do curso de medicina  resolveu piorar ainda mais a situação.  Chega a ser até difícil comentar uma declaração como essa, mas vamos lá

O coordenador do curso disse que as baixas notas dos alunos na avaliação têm como causa o baixo QI dos baianos. Chegou a dizer que ” O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais de uma corda não conseguiria “, ” O berimbau é o tipo de instrumento para o indivíduo que tem poucos neurônios”. Claro que o coordenador já está sendo afastado pela reitoria por suas declarações.

O fato é que redução de performance cognitiva realmente existe em populações carentes e desnutridas. Não deve ser este o caso de alunos que passaram pelo severo funil de um vestibular de uma Universidade Federal da capital do estado

 

 

 

 

 

 

No dia do trabalho, vale a pena refletir um pouco sobre o que estamos fazendo com nossas vidas, com nosso tempo livre, o quanto investimos em nossa vida pessoal. Uma das obras primas do Tom Jobim, Two Kites, é bastante inspiradora:

 

And may I ask you what you to do with your days, with your nights, with your  time, with your life. Suppose I dare to ask what are you doing tonight. If you’re free I can lend you these wings for a flight.

(E eu poderia lhe perguntar o que você faz com os seus dias, com suas noites, com a sua vida. Imagine se eu arriscasse lhe perguntar o que você fará hoje à noite. Se você estiver livre, empresto-lhe essas asas para um vôo)

 

 Quando falamos em lazer devemos pensar em esporte, recreação, entretenimento, folclore, arte e cultura. Muito já se conhece sob os inúmeros efeitos positivos da atividade física sobre nossa saúde. O lazer de forma independente da atividade física também tem um importante papel na promoção da saúde e alguns estudos têm revelado resultados interessantes.  Confira aqui o artigo na íntegra e entenda o que o lazer pode fazer por nossa saúde.  

 

 

 

 

 

 

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Começa-se a discutir a inclusão da dependência à Internet na próxima edição da classificação das doenças psiquiátricas pela Associação Americana de Psiquiatria (DSM V).  Conceitualmente, a dependência à Internet é tida como um transtorno compulsivo-impulsivo que envolve o uso exagerado da rede de computadores e já se reconhece pelo menos três variantes principais de vício: jogos, conteúdo sexual e correio eletrônico. Essas diferentes variantes têm quatro características em comum: 1) uso excessivo, com os usuários chegando a negligenciar outras atividades; 2) abstinência, com os usuários apresentando comportamento de ansiedade, irritabilidade, depressão quando não têm acesso ao computador ; 3) tolerância, sendo este o fenômeno de precisar de um número cada vez maior de horas na Internet e/ou necessidade de equipamentos cada vez mais sofisticados; 4) repercussões negativas,  com os usuários chegando  a apresentar comportamento de evitação social e isolamento. Em alguns países como a Coréia do Sul e a China o problema já tomou proporções alarmantes demandando políticas públicas na tentativa de controlar o uso abusivo da Internet, especialmente entre os jovens.

Vamos ficar de olho nos nossos hábitos eletrônicos !

 

 

 

 

 

 

Um dos maiores desafios da vida moderna é o desenvolvimento de atitudes que permitam uma convivência pacífica com o estresse. O estresse é o mecanismo de adaptação do organismo para enfrentar situações que considere ameaçadoras à sua vida ou ao seu equilíbrio interno. Este esforço de adaptação do organismo não deve ser visto necessariamente como maléfico, mas passa a ser potencialmente prejudicial quando há uma exacerbação ou prolongamento da situação ameaçadora, e está comprovado que esta é uma situação de risco para doenças do coração. Fatores que minimizam o efeito do estresse são muito bem-vindos, e alguns estudos têm demonstrado que um bom nível de integração social do indivíduo tende a reduzir o nível de alterações cardíacas provocadas pelo estresse. O interessante é que o efeito de suporte social como protetor do coração está relacionado não só com os amigos e a família, mas também com os animais de estimação, especialmente os cães. Acesse aqui o artigo na íntegra.

 

 

 

 

 

 

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