You are currently browsing the category archive for the ‘Equilíbrio Psíquico’ category.
.
.
Alguns pequenos estudos mostram que adesivos de nicotina podem ser promissores para melhorar a memória e atenção de pacientes com a Doença de Alzheimer. Já temos evidências também que esses adesivos podem promover a melhora do desempenho cognitivo de idosos com problemas de memória, mas sem demência. Além da memória, a nicotina incrementa a atenção e a velocidade psicomotora. Entre jovens, já foi demonstrado que a nicotina pode incrementar de forma muito discreta a memória e a atenção.
A nicotina estimula receptores nicotínicos do neurotransmissor acetilcolina no cérebro. Esses mesmos receptores são cada vez mais deficientes à medida que a Doença de Alzheimer progride. E não é só isso. Ela modula outros sistemas de neurotransmissores. Se estivermos sonolentos, a nicotina acorda. Se estivermos ansiosos, a nicotina relaxa.
Nicotina do cigarro e até mesmo da pimenta protege o cérebro da Doença de Parkinson.
Temos boas evidências de que o tabaco tem o poder de prevenir a Doença de Parkinson. Esse efeito se dá pela nicotina e parece que outras plantas que contêm essa substância, como pimenta, tomate, berinjela e batata, têm efeito semelhante. Já está sendo testado o efeito de adesivos de nicotina em pacientes com a Doença de Parkinson Será que eles vão amenizar a progressão da doença?
E os efeitos colaterais?
O uso da nicotina em adesivos não tem demonstrado efeitos colaterais sérios, mas costuma provocar perda de peso. A suspensão do uso de adesivos não provoca abstinência e não existe tendência ao abuso.
.
.
Pais com idades mais avançadas têm filhos com maior chance de apresentar dificuldades na escola e até mesmo de sofrer de mais condições psiquiátricas. Essa é a conclusão de uma pesquisa liderada por pesquisadores da Universidade de Indiana nos EUA e Instituto Karolinska na Suécia. O estudo foi publicado na última semana pelo periódico especializado em psiquiatria do Jornal Americano de Medicina (JAMA).
A pesquisa avaliou todos os nascimentos na Suécia entre os anos de 1973 e 2001, num total de mais de quase três milhões de crianças. Quando comparada a uma criança nascida de um pai de 24 anos, aquela cujo pai tem 45 anos tem uma chance duas vezes maior de apresentar surtos psicóticos, 2.5 vezes maior de apresentar abuso de substâncias psicoativas e comportamento suicida, uma chance 3.5 maior de ser autista, 13 vezes maior de sofrer de transtorno de déficit de atenção / hiperatividade e 25 vezes maior de ter transtorno bipolar. Os problemas acadêmicos também foram mais frequentes entre os filhos de pais mais velhos e incluía repetência e baixos escores de QI. O efeito foi maior quando os pais eram mais velhos, mas não foi identificada uma idade de corte a partir da qual pode se esperar maior risco.
O efeito da idade mais avançada da mãe sobre a saúde dos filhos já é tema bastante estudado. No caso dos pais, os estudos anteriores mostravam algumas contradições. Reconhece-se que o tamanho da amostra e a metodologia usada nesse estudo fazem com que o levemos mais em consideração do que os anteriores.
Os homens continuam a produzir ovos novos durante toda a vida, diferente das mulheres que nascem com todos seus óvulos. À medida que o homem envelhece, aumenta sua exposição a toxinas que por sua vez causa mutações no DNA dos espermatozoides. Já temos evidências consistentes de que o esperma de homens mais velhos têm mais dessas mutações genéticas.

.
Uma pesquisa recém-publicada e conduzida por pesquisadores dos EUA e Canadá demonstrou que as emoções, positivas ou negativas, são sentidas de forma mais intensa quando estamos em ambientes mais claros.
Em ambientes bem iluminados, os voluntários do estudo deram preferência a alimentos mais apimentados, avaliaram o comportamento de um personagem fictício como mais agressivo, acharam as pessoas mais atraentes, sentiram-se melhores com palavras positivas e piores com palavras negativas, beberam maior quantidade de um suco “saudável” e menos de um suco “menos saudável”. Estudos anteriores já haviam apontado que somos mais intolerantes ao barulho em ambientes claros. Há também evidências dequem gosta de um determinado alimento consome em maior quantidade em locais iluminados. Já quem não gosta, consome menos menos quando submetidos a una luz mais forte.
Uma luz mais discreta pode nos ajudar a tomar decisões de forma mais racional. Para vender melhor produtos com alto teor emocional, como flores ou alianças de casamento, uma iluminação generosa pode ser um bom negócio. Uma possível explicação para esses resultados é que o efeito da luz pode ser percebido pelo nosso inconsciente como calor que incrementa nossas emoções. A atual pesquisa também mostrou que o ambiente mais claro era percebido como mais quente.
.
O psiquiatra austríaco e sobrevivente do Holocausto Viktor Frankl disse: “A vida não deixa de ser suportável por conta das circunstâncias, mas quando ela deixa de fazer sentido”.
Para a maioria das pessoas, ser feliz e ter uma vida com significado são dois objetivos importantes e também correlacionados. Percepção de felicidade e de sentido na vida às vezes não andam juntas e um estudo recém-publicado no Journal of Positive Psychology ajuda a entender melhor essa questão.
A pesquisa entrevistou quase 400 pessoas sobre o quanto se sentiam felizes, o quanto estavam satisfeitos com o curso de suas vidas e também sobre seus hábitos de vida. A percepção de felicidade estava associada a uma vida sem problemas, prazerosa, com boa saúde. Esses fatores não tinham relação com o senso de sentido na vida. Convívio com amigos e ter dinheiro para as necessidades e desejos tinham boa relação com a percepção de felicidade, mas faziam pouca diferença no sentido na vida. Por outro lado, o tempo ao lado do companheiro ou companheira fazia diferença.
Outro estudo, realizado em diferentes países, mostrou que nos países ricos as pessoas tendem a ser mais felizes, mas não vêem mais sentido na vida. Na verdade, as pessoas de países mais pobres enxergam mais sentido na vida. Isso pode estar associado a uma maior religiosidade e maiores conexões sócias entre os moradores de países mais pobres. Ao invés de dizer que dinheiro não compra felicidade, talvez seja melhor dizer que dinheiro não compra sentido na vida.
Muitas das coisas que fazemos no dia a dia não aumentam nossa percepção do quanto nos sentimos felizes, mas podem nos fazer sentir nossas vidas com mais sentido. Atividades que exigem esforço e sacrifício costumam alimentar nossa percepção de sentido na vida.
E então? Vai querer ser só feliz?

.
Menos enfisema pulmonar, menos câncer, menos doenças cardiovasculares. Parar de fumar traz todos esses benefícios, mas a saúde mental também melhora. O British Medical Journal publicou hoje uma metaanálise sobre o tema e conclui que ficar longe do cigarro tem o efeito comparável ao de um tratamento com medicações antidepressivas para transtornos de humor e ansiedade.
Muitos fumantes têm receio de parar de fumar, pois podem perder os supostos benefícios que o cigarro oferece ao equilíbrio psíquico. Médicos também têm receio de propor a interrupção do tabagismo e pacientes com transtornos mentais.
Pesquisadores das universidades de Birmingham, Oxford e King’s College London analisaram os resultados de 26 pesquisas que compararam a saúde mental antes e depois de parar de fumar. Participantes tinham uma média de idade de 44 anos e fumavam em torno de 20 cigarros por dia.
Os pesquisadores demonstraram que parar de fumar reduziu sintomas depressivos, ansiedade, estresse, e melhorou índices de satisfação com a vida e sentimentos positivos. Esses efeitos foram observados tanto na população geral como em pacientes com doenças psiquiátricas. Os resultados podem ajudar a quebrar a crença dos médicos e familiares que não se deve mexer no cigarro de quem sofre de algum transtorno mental, Podem servir também como mais um incentivo para quem está pensando em parar de fumar.

.
Adolescentes sedentários, muito expostos à mídia e que dormem pouco têm maior risco de doenças psiquiátricas. Essa é a conclusão de um grande estudo liderado pelo Instituto Karolinska na Suécia. Essa combinação de atitudes foi considerada pelos pesquisadores como um comportamento de risco velado.
Mais de 12 mil adolescentes de 11 diferentes países europeus responderam a um questionário que avaliava sintomas psiquiátricos e comportamentos de risco. Os resultados diferentes grupos de risco. O grupo de alto risco (13% dos adolescentes) apresentava reconhecidas atitudes de risco como consumo de álcool e drogas. O grupo de baixo risco (58% dos adolescentes) quase não tinha comportamento de risco. Quase 30% dos adolescentes formaram um terceiro grupo que foi chamado de “risco invisível”. Eles combinavam comportamentos que geralmente não são considerados como fatores de risco para doença mental. Entretanto esse grupo de “risco invisível” apresentava a mesma tendência que o de alto risco em apresentar ansiedade, depressão e pensamentos suicidas. Esse risco invisível era caracterizado por sedentarismo, pouco sono e excesso de mídia.
Os resultados ainda mostraram que os comportamentos de risco eram mais comuns entre os homens enquanto sintomas psiquiátricos eram mais frequentes entre as mulheres. Os mais velhos eram os que tinham mais sintomas e também os que tinham mais comportamentos de risco.
A adolescência é uma fase da vida de profundas mudanças no comportamento e no corpo. É uma época também de grande incidência de problemas psiquiátricos, tais como transtornos de ansiedade e de humor, transtornos de personalidade e alimentares, psicoses e abuso de substâncias psicoativas. Temos crescentes evidências de que alterações no amadurecimento cerebral nessa fase da vida podem ajudar a explicar o porquê da alta incidência de doenças psiquiátricas na adolescência. Uma hipótese bastante atrativa é a de que um perfil genético que determine que essas transformações da adolescência aconteçam em outro ritmo ou grau de intensidade possam aumentar os riscos de doenças psiquiátricas.
Um recente e robusto estudo populacional nos Estados Unidos revelou que a idade em que o indivíduo tem mais chance de apresentar um transtorno psiquiátrico pela primeira vez é aos 14 anos. Além das mudanças cerebrais estruturais e funcionais já demonstradas, e por isso a adolescência é considerada um período de significativas mudanças neurobiológicas, não há como deixar de considerar também os fatores hormonais e psicossociais. Muitos avanços têm sido alcançados, mas temos muito chão pela frente para conseguirmos entender a parcela de contribuição de cada um dos fatores que determinam o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos na adolescência de forma tão frequente.
Crianças e adolescentes costumam passar mais de seis horas por dia nos diferentes tipos de mídia, mais do que o tempo em que ficam na escola. A presença de TVs, videogames e computadores dentro dos quartos favorece sobremaneira essa megaexposição à mídia, já que por mais que os pais acreditem que deva haver limites, dentro do quarto tudo é mais difícil controlar. Todos devem ter consciência do quanto o consumo de material inapropriado na mídia pode afetar o desenvolvimento da garotada e a ciência já demonstrou esse efeito em diversos aspectos:
Violência. As atitudes são aprendidas em idade muito precoce, e depois de aprendidas, é difícil modificá-las. Estima-se que a violência veiculada pela mídia colabore com 10% da violência no mundo real. Os games de conteúdo violento também estão na lista dos “colaboradores”.
Sexualidade. Inúmeros estudos têm demonstrado a associação entre exposição a conteúdo sexual na mídia ao início precoce da vida sexual. Por outro lado, uma série de pesquisas revela que a distribuição de camisinhas a adolescentes não tem esse efeito de estimular o início da vida sexual.
Drogas. Filmes com cenas de cigarro são considerados como um dos fatores mais associados ao início do hábito de fumar entre os jovens. O mesmo pode-se dizer sobre propagandas de álcool e cigarro.
Obesidade. O tempo gasto com games, TV e internet, concorre com o tempo que o jovem poderia estar praticando uma atividade física. É fato também que se come mais quando se está na frente da TV. Além disso, há um bombardeio de publicidade de alimentos “calóricos” que contribui para que a mídia seja implicada no avanço da pandemia de obesidade.
Transtornos alimentares. A mídia é considerada como a maior referência para a formação da imagem que um adolescente tem do seu próprio corpo. Estudos têm revelado que a mídia realmente tem influencia no desenvolvimento de transtornos como bulimia e anorexia.

.
Adultos jovens com um animal de estimação em casa costumam ter relações sociais mais fortes e ser mais integrados à comunidade. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta última semana pelo periódico Applied Developmental Science.
Pesquisadores americanos estudaram mais de 500 voluntários com idades entre 18 e 26 anos. Quanto mais eles participavam do cuidado com o bicho de estimação, mais atitudes altruísticas eles tinham na comunidade e entre amigos e familiares. Quanto maior a conexão com os bichos, maior a empatia com as outras pessoas e autoconfiança.
Antídoto conta o estresse
Pesquisas mostram também que os animais de estimação, especialmente os cães, conferem um efeito protetor ao coração. Pesquisadores de Nova Iorque demonstraram que pacientes que tem cães sobrevivem mais após passado um ano de um infarto do coração. Nos últimos anos, diferentes grupos de pesquisadores evidenciaram que os indivíduos que tem cães apresentam um menor nível de alterações cardíacas provocadas pelo estresse.
E os efeitos positivos dos animais de estimação não param por aí. Há evidências de que a presença do animal está associada a uma menor procura por consultas médicas pelos indivíduos idosos e menor incidência de depressão.
Não estou advogando pela substituição dos amigos pelos animais. Entretanto, é razoável hoje em dia recomendar a uma pessoa com poucos contatos sociais e que goste de animais, que não deixe de experimentar viver com um animal de estimação, pois ele pode fazer bem para o coração em vários sentidos.
.
Muitos estudos mostram a importância inequívoca da mãe no desenvolvimento dos bebês. Já o impacto da presença dos pais tem sido pouco investigado. Uma nova pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade McGill no Canadá demonstra que a ausência do pai em fases precoces da vida leva a menores habilidades comportamentais e sociais na idade adulta. O estudo foi realizado em camundongos, mas os resultados são relevantes também para nós humanos.
Camundongos Califórnia foram estudados. Eles têm um comportamento monogâmico e cuidam da cria juntos. Quando criados sem os pais, os camundongos apresentavam na idade adulta mais agressividade e interações mais conturbadas com outros camundongos. As fêmeas foram as que apresentam maiores alterações do comportamento e também apresentaram uma maior sensibilidade à ação da anfetamina. Estudos em humanos não são tão diferentes. As crianças sem a presença do pai têm maior chance de apresentar comportamento desviante e, no caso das meninas, já foi demonstrado que elas têm maior risco de abuso de substâncias psicoativas.
A atual pesquisa também mostrou que os ratinhos privados de pais apresentavam menor desenvolvimento do córtex pré-frontal, região do cérebro que modula o comportamento nas interações sociais. Essa foi a primeira vez que se demostrou que a estrutura do cérebro é diferente na ausência do pai.
O estudo foi publicado recentemente pelo periódico Cerebral Córtex.
![]()
.![CBN-RICARDO[1]](https://consciencianodiaadia.com/wp-content/uploads/2013/08/cbn-ricardo1.jpg?w=240&h=137)
.
Uma hora é bom. Duas é melhor ainda. Duas horas por dia de atividade física é o ideal quando se pensa no bem estar de um adolescente. Mais do que isso estraga. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta última semana no periódico Archives of Disease in Childhood.
Duas horas de atividade física por dia é o dobro do recomendado, mas parece que esse é o ritmo que promove mais bem estar entre os adolescentes. E bem estar é um fator que prediz o estado de saúde além de estar associado a menor comportamento de risco.
A atual pesquisa aplicou uma escala de avaliação de bem estar físico e mental em 1200 adolescentes suíços com uma média de idade 18 anos. Essa é uma escala da Organização Mundial da Saúde que tem uma pontuação de zero a 25, sendo que abaixo de 13 é considerado nível de bem estar baixo. A participação em atividades físicas na semana foi classificada como baixa (0 a 3.5 horas), mediana (3.6 – 10.5 horas), alta (10.6-17.5 horas) e muito alta (mais de 17.5 horas).
Tanto os voluntários com nível de atividade física baixo como os de nível muito alto tinham duas vezes mais chance de ter uma pontuação menor que 13 na escala de
bem estar. Aqueles do grupo de alta participação (10.6-17.5 horas) tinham maior pontuação de bem estar que os de participação mediana (3.6 – 10.5 horas). Aqueles com duas horas diárias de atividade física eram os que tinham maior pontuação de bem estar.
Exercícios regulares tem reconhecido efeito positivo no estado físico e psíquico, promove a autoestima e reduz o estresse e transtornos de ansiedade e depressão. O exagero, como mostra a presente pesquisa, não traz bem estar. Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o excesso de atividade física está associado a perda da capacidade concentração, irritabilidade, ansiedade e depressão. Além disso, aumenta a produção de substâncias pró-inflamatórias no corpo.
.
A psicóloga social Emanuele Castano, junto ao seu aluno de PhD David Kidd, publicaram nesta última semana na revista Science os resultados de suas pesquisas que demonstram o quanto que uma boa leitura é capaz de estimular as habilidades sociais.
Voluntários eram solicitados a ler trechos de diferentes gêneros: não ficção, ficção popular (romance, aventura), ficção literária (premiados), Em seguida faziam testes que avaliavam a capacidade de entender o que o outro está sentindo.
Além de mostrar que histórias de ficção aumentam a percepção das emoções de outras pessoas, a pesquisa ainda evidenciou que a qualidade da literatura também faz diferença. Os textos literários produziram maior efeito, apesar dos textos populares terem sido os mais apreciados pelos voluntários.
Os pesquisadores acreditam que obras de ficção estimulam a imaginação e o pensamento criativo, incentivando a sensibilidade necessária para a compreensão da complexidade emocional dos personagens. Assim como na vida real, os mundos retratados na ficção literária são repletos de indivíduos cuja intimidade raramente é revelada e, por isso, exigem uma investigação emocional. Na ficção popular, os personagens são mais estereotipados em suas descrições, mais previsíveis, e o que importa mesmo é o enredo.
É notório que os resultados dessa pesquisa devem ser levados em consideração na escolha da grade curricular dos estudantes. Já existem até ensaios para incrementar a empatia de médicos através da literatura assim como para melhorar o comportamento de detentos.
.
.
Uma pesquisa com primatas ainda na década de 1950 criou o que se conhece hoje por “mito do estresse do executivo”. Um grupo de macacos era submetido a choques elétricos a cada 20 segundos em turnos de seis horas. Outro grupo, chamado de “macacos executivos”, passava pelos mesmos choques, mas tinha a chance de evitá-los acionando uma alavanca. Os macacos executivos aprenderam o truque sem dificuldade, mas começaram a morrer com úlceras no estômago. Isso quer dizer que os executivos que tinham o privilégio de controlar a situação foram os que mais se estressaram?
Os resultados dessa pesquisa caíram em descrédito após uma análise da metodologia que mostrou que os “macacos executivos” foram assim classificados de forma inapropriada. Vários outros estudos que avaliaram a relação entre estresse, saúde e poder demonstraram o oposto dessa pesquisa. Entre os primatas, aqueles com posições inferiores na hierarquia social têm maiores níveis do hormônio do estresse cortisol e maior freqüência de doenças associadas ao estresse.
Entre os humanos, a evidência mais direta que o estresse é menor entre os líderes foi demonstrada recentemente por uma pesquisa conduzida pelas Universidades de Harvard, Stanford e Califórnia. Os pesquisadores dividiram um grupo de voluntários que trabalhavam tempo integral em dois grupos: líderes e não líderes. Foram classificados como líderes os que comandavam outras pessoas no trabalho e foram eles apresentavam menores níveis de estresse medidos por escalas de ansiedade e concentração do hormônio cortisol. Funcionários do governo britânico comportam-se da mesma forma. Um grande estudo em andamento desde a década de 1960 confirma que é menor o nível de estresse a cada degrau que se sobe na hierarquia.
Parece mesmo que as responsabilidades da chefia trazem menos estresse que a falta de desafios no trabalho e de poder de decisão. O poder de dizer não, escolher quando e como decidir alguma coisa, esses são confortos de ser chefe. Por outro lado, já é conhecido que as pessoas sem controle sobre as decisões que influenciam a própria vida podem ter um enfraquecimento do sistema imunológico, pressão arterial elevada e ainda desenvolver doenças associadas ao estresse.
,
Você trocaria seu atual trabalho por outro com maiores rendimentos, mas que lhe exigisse ficar menos tempo com a família? Se você pensou três vezes antes de responder, não se sinta culpado. Uma enquete nos EUA apontou que dois terços das pessoas certamente ou muito provavelmente topariam essa troca.
Mais dinheiro para quê?
Na década de 1960, um estudo realizado em diferentes países capitalistas e socialistas, perguntou o que as pessoas ainda precisavam na vida para serem realmente felizes. As respostas foram surpreendentemente parecidas, independente das diferenças culturais e econômicas entre os países analisados. A resposta mais comum foi a de melhoria do padrão de vida material, seguido por uma vida familiar feliz e em terceiro lugar o estado de saúde pessoal e dos familiares.
Será que essas pessoas serão mais felizes ao subir um degrau na sua capacidade de consumo? Ganhadores da loteria voltam ao mesmo estado de felicidade que tinham antes do prêmio após um ano. Dinheiro e felicidade andam juntos até certo ponto, fenômeno conhecido como paradoxo de Easterlin, economista americano que estudou essa questão em inúmeros países. Depois de garantidas as necessidades básicas, mais dinheiro no bolso não atrai mais felicidade para a cabeça. Outros autores têm contestado essa tese mostrando que não existe um ponto de saturação a partir do qual mais dinheiro não traz mais felicidade. Entretanto, esses estudos não avaliam o mesmo indivíduo em diferentes fases de sua vida financeira.
Padrões de consumo em nível subconsciente e até mesmo comparações conscientes com a “grama do vizinho” fazem com que as pessoas vivam a ilusão de que o dinheiro trará mais felicidade. Imagine um cenário em que as pessoas ao seu redor comecem a ganhar mais dinheiro e você continue no ritmo de sempre. Mesmo que o seu ganho seja superior às suas necessidades, essa desvantagem pode incomodar.
Dinheiro pode intoxicar?
Estudos têm apontado que os mais afortunados podem ficar menos sensíveis aos pequenos prazeres, a coisas mais simples. O simples fato de se deparar com a imagem de um bolo de notas de dinheiro é capaz de reduzir o tempo que uma pessoa aprecia um pedaço de chocolate na boa antes de engolir. Os voluntários dessa pesquisa ainda relataram menos prazer com o chocolate do que aqueles que visualizaram imagens neutras.
Gastar direito pode ajudar
Tem uma propaganda de automóvel que diz assim: “Quem fala que dinheiro não traz felicidade ainda não aprendeu a gastá-lo direito”. Já é bem reconhecido que gastar o dinheiro com EXPERIÊNCIAS é melhor do que com coisas. Experiências que reforcem as relações de amizade, que promovam o crescimento pessoal, que contribuam para a comunidade onde se vive, pequenos prazerem como uma massagem, flores para a pessoa querida, tudo isso pode dar mais barato do que uma nova mega-TV ou um turbo-super-carro.
** vale sempre lembrar o outro lado da moeda: felicidade pode trazer dinheiro. Pessoas mais felizes têm mais chance de ter sucesso profissional e financeiro.
.
Não é raro as pessoas fazerem simpatias para atrair a sorte em situações de ansiedade e incerteza. É como se fosse um aquecimento mental, um jogo-treino que pode ajudar a reduzir a insegurança da situação. Esses ensaios têm roteiros às vezes muito estranhos, mas a ciência tem demonstrado que eles não devem ser vistos como meras tolices. Podem influenciar como as pessoas sentem, pensam e se comportam.
Um experimento recente mostrou que brincar de golfe com bolas supostamente mágicas, especiais, leva a mais acertos do que quando o voluntário joga com bolas “normais”. O desempenho em testes motores refinados também é melhor quando o voluntário é informado de que o examinador está “torcendo os dedos” por ele. Esses rituais supersticiosos promovem uma maior autoconfiança e ganhos na capacidade executiva e de atenção.
Essas simpatias são muito presentes na vida dos atletas. Alguns chegam a comer o mesmo alimento e acordam rigorosamente no mesmo horário no dia de cada competição. Rituais também são comuns quando se perde um ente querido. Um estudo demonstrou que as pessoas que vivenciaram o luto com rituais, como ouvir uma música que remete a lembrança do falecido, mostravam menos sofrimento com a perda. Também já foi demonstrado que rituais aliviam o sofrimento de perdas em situações mais mundanas como um prejuízo financeiro. Uma pesquisa brasileira apontou que as simpatias são mais eficazes quando têm vários passos a cumprir, quando têm procedimentos repetitivos e quando existe um limite de tempo para cumprir o trabalho. Mais difíceis, maior o empenho, mais resultados.
Não existem evidências de uma relação causa e efeito entre a simpatia e os resultados esperados, mas o fato é que alguns desses rituais podem fazer alguma diferença sim. O outro lado da moeda é o transtorno obsessivo compulsivo que costuma ter exageros de simpatias e superstições que acabam funcionando como um freio de mão na vida.
.
Esta semana o periódico JAMA publicou uma pesquisa que apontou que a música pode amenizar a ansiedade de pacientes que estão na UTI e que precisam de aparelhos para respirar. O estudo mostrou também que os pacientes que tiveram a experiência da música na UTI precisaram de menos medicações sedativas.
Em 2008, outro estudo publicado pela revista inglesa Brain mostrou de forma inédita que a música pode colaborar na reabilitação de pacientes com derrame cerebral na fase aguda. Cada paciente recebia um CD player portátil e CDs com músicas de sua preferência, qualquer que fosse o estilo musical, e tiveram uma melhor recuperação nos domínios da memória e atenção. Apresentaram também menos sintomas depressivos e de confusão mental.
Uma série de estudos também já foi realizada testando o poder da música sobre a saúde de quem sofre de doenças do coração e os resultados são muito encorajadores. Música é capaz de reduzir a ansiedade, pressão arterial, freqüência cardíaca e respiratória e até mesmo a percepção de dor.
E por quais caminhos a música é capaz de trazer esses benefícios? As melhores evidências que temos até o momento apontam que a música prazerosa é capaz de ativar centros cerebrais que irão modular o sistema nervoso autônomo, promovendo com isso uma redução da atividade de nossas descargas de adrenalina e hormônios do estresse. A música é capaz de modular os circuitos da dor e reduzir a ansiedade associada a um procedimento médico. Mais uma vez, o efeito final é uma menor ativação das respostas de estresse. Entretanto, quando a música não é prazerosa, o efeito pode ser exatamente oposto.
.
.
Rir é bom, mas rir de tudo é desespero
Frejat
É comum as pessoas se sentirem culpadas e até envergonhadas por manifestarem emoções negativas. Cultivar as emoções positivas é fundamental, mas viver 24h dando risada para todos os lados pode não ser tão interessante para nosso equilíbrio psíquico. Raiva e tristeza fazem parte da vida de qualquer um e pesquisas têm apontado que aceitar que essas emoções participem do nosso dia a dia, desde que bem dosadas, pode ser vital para nossa saúde mental.
Se estiver com raiva, é melhor falar.
Uma pesquisa publicada esta [ultima semana pelo periódico PLoS ONE demonstrou que o ato de descrever o sentimento de raiva é capaz de reduzir seus efeitos no sistema cardiovascular. Voluntários foram submetidos a um teste em que o examinador era treinado a provocar o sentimento de raiva através de feedbacks negativos, sugerindo que o desempenho estava sendo ruim. Uma parte deles era instruída a relatar durante o teste a experiência psicológica que estava passando e estes demandaram menos esforço do coração do que aqueles que simplesmente engoliram os sapos.
Indivíduos em processo de psicoterapia, e que fora da sessão têm um discurso com uma composição de emoções negativas e positivas, referem maior bem estar do que aquelas que só expressam o lado positivo. É como se bom e o ruim juntos ajudassem a desintoxicar o ruim.
Temos evidências também de que pacientes em tratamento para alcoolismo que tentam fugir a todo custo de pensamentos relacionados ao ato de beber são os que mais têm recaídas, além de apresentarem mais alterações fisiológicas características do estresse. O mesmo parece ocorrer no caso de compulsão alimentar. Mesmo que a pessoa consiga evitar um pensamento, o subconsciente não faz o mesmo. Tentar reprimir um pensamento negativo antes de dormir faz com que a pessoa tenha mais chance de sonhar com o assunto, fenômeno conhecido como sonho rebote.
Ao invés de ficar lutando contra pensamentos negativos, reconhecê-los sem a expectativa de transformá-los de forma imediata pode ser uma boa dica. Que tal pensar em nuvens que vão se mover? Técnicas de meditação podem ajudar. Vale ressaltar que a psicoterapia é um dos melhores treinamentos para conseguirmos conviver de forma saudável com o “dark side of the brain” e atingirmos a tão sonhada realização pessoal.
É difícil contestar a idéia de que a realização profissional seja um dos pilares para o bem estar psíquico e isso inclui um trabalho motivador, remuneração adequada assim como um bom ambiente de trabalho que inclui boa relação com os colegas e com as lideranças.
Algumas pesquisas chegaram a demonstrar que quando se pergunta a funcionários de uma empresa o que eles colocam em primeiro lugar, um bom ambiente de trabalho ou um salário um pouco maior, o ambiente de trabalho ganha do salário em importância. O fato é que esse clima no trabalho influencia sobremaneira a produtividade de uma empresa assim como a saúde de quem nela trabalha.
O estresse no trabalho pode até engordar
Falta de desafios no trabalho, falta de poder de decisão e dificuldade em equacionar o trabalho com a vida familiar. Esses são diferentes domínios do estresse no trabalho que têm sido associados a ganho ponderal.
Experimentos com primatas revelam que quando submetidos à subordinação social, os animais têm aumento dos níveis do hormônio cortisol, que por sua vez está associado à obesidade abdominal. Em contraste, outros experimentos mostram que primatas em posição de liderança comem menos que os que estão em posição de subordinação. Em humanos, já foi demonstrado que o estresse no trabalho está associado a um estilo de vida sedentário.
E provoca muito mais do que ganho de peso
Já é bem reconhecido que o estresse psicossocial está associado a um maior risco de diversas doenças como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e câncer. A enxaqueca, o diabetes, que estavam bem controlados, ficam descompensados. Indivíduos que julgam viver em melhores ambientes de trabalho apresentam menos comportamentos de risco à saúde: tabagismo, obesidade, sedentarismo e abuso de álcool. Vale lembrar que esses são os quatro fatores de risco mais associados a doenças e à mortalidade em países industrializados.
Pode chegar ao ponto do esgotamento
O trabalho exaustivo chega a fazer com que nosso cérebro funcione de forma menos eficiente. O excesso de trabalho está associado a reações do sistema endocrinológico e imunológico, alteração no padrão do sono, fadiga, depressão, hábitos de vida deletérios à saúde e aumento do risco de doenças cardiovasculares.
A síndrome de esgotamento profissional, descrita na língua inglesa como síndrome de “Burnout”, é caracterizada pela exaustão emocional e perda de entusiasmo pelo trabalho além da redução da empatia com as pessoas com uma tendência de tratá-las como objetos, fenômeno chamado de despersonalização. Estudos demonstram que um em cada três médicos sofre da síndrome de esgotamento em algum período da sua vida profissional, e a situação parece não ser muito diferente entre os PROFESSORES. Esses foram os profissionais mais estudados.
A síndrome de esgotamento profissional no médico está associada a uma piora da qualidade do atendimento oferecido aos pacientes e abandono da carreira, mas também a inúmeras repercussões pessoais como maior risco de acidentes, abuso de substâncias psicoativas, idéias de suicídio, doenças físicas relacionadas ao estresse e dificuldade nas relações familiares.
PARA REFLETIR SE O SEU AMBIENTE DE TRABALHO É SATISFATÓRIO
1. Os funcionários têm a atitude de trabalharem unidos? 2. Seus colegas sentem-se compreendidos e aceitos? 3. Vocês podem confiar no chefe? 4. O chefe trata os funcionários com gentileza e consideração? 5. O chefe apresenta preocupação com os direitos dos empregados? 6. Cada funcionário mantém os outros informados sobre o que fazem na empresa? 7. Os funcionários apresentam sugestões para alcançarem o melhor desempenho? 8. Todos os funcionários colaboram entre si para desenvolverem e aplicarem novas idéias?
** Se você respondeu sim a todas essas questões, que bom! Mas se respondeu não a muitas dessas perguntas, seu trabalho pode não estar jogando a favor de sua saúde.
Alguns estudos têm apontado efeitos positivos do “efeito natureza” sobre algumas funções cognitivas como, por exemplo, atenção, memória e linguagem. Discutimos recentemente que a experiência de quatro dias de imersão na natureza, longe de bytes e pixels, é capaz de aumentar nossa capacidade criativa.
Pesquisadores escoceses demonstraram há poucas semanas que, mesmo dentro da cidade, o contato com o verde pode trazer benefícios ao cérebro. Voluntários caminharam pela cidade de Edimburgo com um aparelho de eletrencefalograma portátil. Quando passaram por ruas comerciais agitadas, o cérebro se mostrou bastante excitado, o contrário do que aconteceu em um parque da cidade, quando as ondas cerebrais ficaram mais “meditativas”. Sabemos também que pessoas que moram próximas a árvores e parques têm níveis menores do hormônio do estresse cortisol quando comparadas às que vivem cercadas de concreto por todos os lados.
Já é bem reconhecido que as pessoas que vivem nas grandes cidades têm maior risco de apresentar transtornos mentais. Através de ressonância magnética funcional, foi demonstrado que o cérebro de quem mora no campo reage de forma diferente a estímulos de estresse do que o de moradores da cidade. Isso rendeu até a capa da prestigiada Nature.
O local onde moramos pode mesmo influenciar nossa saúde, não só a saúde mental. Sabemos que morar à beira de rodovias aumenta o risco de doenças cardiovasculares devido à poluição do ar e quanto maior o número de restaurantes “fast food” na vizinhança, maior o risco de infarto agudo do coração e derrame cerebral. O risco de diabetes é menor em comunidades que têm na vizinhança boas opções para realização de atividade física, além de comércio com oferta de produtos alimentícios saudáveis. Isso sem falar no trânsito.
Uma pesquisa publicada esta semana pelo Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, aponta que os sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) permanecem até a vida adulta em 30% dos casos e 60% desses apresentam outras morbidades do sistema psíquico, como é o caso de ansiedade, depressão, alcoolismo e abuso / dependência de outras drogas. O estudo envolveu mais de cinco mil crianças americanas que foram acompanhadas desde o nascimento por 27 anos em média.
O TDAH é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo. Entretanto, pesquisas recentes têm demonstrado que essas cifras andam bem maiores.
Esta semana o jornal New York Times compilou dados fornecidos pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), que fez uma pesquisa por telefone com 76.000 pais entre 2011 e 2012. A reportagem afirma que 15% dos meninos em idade escolar nos Estados Unidos receberam diagnóstico de TDAH, contra 7% entre as meninas. Entre os jovens com idades entre 14 e 17 anos, o resultado é ainda maior: 19% para os meninos e 10% para as meninas.
No Brasil, uma pesquisa divulgada em 2011 revelou que quase 75% das crianças e adolescentes brasileiros que tomam remédios para déficit de atenção não cumprem os critérios diagnósticos para essa condição clínica. A pesquisa envolveu quase seis mil crianças e adolescentes de 16 Estados do Brasil e Distrito Federal com idades entre 4 a 18 anos.
A tão esperada nova versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM) deve aumentar ainda mais o número de crianças que receberão o diagnóstico de TDAH, já que o comitê deslocou a idade máxima de início dos sintomas de sete para 12 anos. O argumento é que muitas crianças entre essas duas idades não estão sendo dignosticadas, já que dificuldades de atenção passam a ser mais perceptíveis após os sete anos quando as crianças já estão na escola.
Acredito que o TDAH esteja lado a lado com a depressão como exemplos típicos de um fenômeno de nossa sociedade contemporânea chamado de medicalização da experiência humana. Qualquer experiência de tristeza ou de perda de foco nos estudos ou no trabalho são frequentemente interpretadas de forma errônea por aqueles que têm os sintomas, e mesmo pelos médicos, como se fosse um diagnóstico de depressão ou TDAH. Não estou dizendo que esses diagnósticos não existam. Pelo contrário. São dois dos diagnósticos mais prevalentes na área de saúde mental, que precisam de tratamento, e quando se pensa em saúde pública, certamente existem mais indivíduos não diagnosticados do que “super-diagnosticados”.

Neste próximo maio deverá ser publicada a tão esperada versão nova do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM). O DSM é a bíblia dos profissionais da área psiquiatria que lista diferentes categorias de transtornos mentais e os critérios para diagnosticá-los, de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (APA). Porém, seu conteúdo á alvo de muitas polêmicas.
Um das principais críticas à nova classificação é o transtorno de sintoma somático, um novo diagnóstico que pode rotular milhões de pessoas como doentes da mente. Ele substituirá o antigo transtorno somatoforme da atual classificação que exige que sejam excluídas quaisquer explicações médicas para os sintomas. Além disso, é discutível a validade do diagnóstico que tem um índice de falsos positivos de 7%. De acordo com estudos preliminares, o transtorno pode ser diagnosticado em 15% de pacientes cardíacos ou oncológicos. Será que é isso tudo mesmo?
O fato é que a nova classificação abrirá espaço para muitos novos diagnósticos, mais pessoas serão classificadas como doentes da mente. Inflação de patologias, medicalização da experiência humana.
Será que chegaremos ao ponto de dizer que todo mundo é portador de pelo menos uma doença?
O termo medicalização define o fenômeno em que um comportamento ou uma condição física ou mental passa a ser tratado como se fosse um problema médico, recebendo um rótulo de doença e opções de tratamento.
O centro da discussão quando se fala em medicalização é a força da indústria farmacêutica nesse processo que impulsiona a sociedade civil, profissionais de saúde, órgãos do governo e a mídia a retroalimentarem a cultura de que todo organismo vivo da espécie sapiens, a princípio, deve ter alguma doença ou precisa de algum remédio. Todos esses atores têm seu papel na medicalização.

O que é felicidade? Pensadores de todas as épocas matutaram bastante sobre a melhor definição dessa tal felicidade. São incontáveis as definições, mas uma que pode nortear bem nossa conversa é a seguinte: as pessoas são mais felizes quando têm um dia a dia com predomínio de emoções positivas e também estão satisfeitas com o curso da própria vida.
Pesquisas realizadas com gêmeos têm demonstrado que existe sim um componente genético da felicidade. Cada um tem um nível básico de felicidade, maior em alguns, menor em outros. Essa influência genética pode ser comparada à tendência que algumas pessoas têm em estar sempre com o peso corporal em dia, independente dos altos e baixos da vida. Outros nem tanto.
Esse perfil genético pode corresponder a 50% do grau de felicidade de uma pessoa, outros 10% têm a ver com as circunstâncias da vida (ex: inserção profissional e estado de saúde), e ainda temos uma margem de 40% daquilo que podemos exercitar para termos percepção que estamos mais felizes.
Atividade física faz bem ao corpo e à mente e hoje as pessoas falam com muita naturalidade sobre força, resistência, exercícios para as pernas, braços, abdome, etc. Existe outro tipo de “malhação” que realmente incrementa nosso estado de felicidade de forma mais sustentada. Outros músculos, outras resistências, um FITNESS de FELICIDADE, com ou sem personal trainer. E isso funciona num círculo virtuoso – quanto maior a regularidade dos exercícios, maior a percepção de felicidade. E quanto maior o estado de felicidade, maior a disposição para os exercícios. Isso é fácil? É preciso MOTIVAÇÃO, ESFORÇO e COMPROMETIMENTO, da mesma forma que um treinamento para os músculos do corpo.
E qual é a melhor série de exercícios, qual o melhor treino? Boas doses de OTIMISMO, ALTRUÍSMO e a GRATIDÃO são reconhecidas como caminhos dos mais férteis para ficar “sarado” de felicidade. Além disso, para seguirmos a vida satisfeitos com seu curso, precisamos navegar. O filósofo Sêneca nos deixou o famoso pensamento: “Para aqueles que não sabem para que porto vão, nenhum vento é bom”.
Alguém poderia perguntar: mas qual é a vantagem de ser feliz?
O estado de felicidade traz repercussões positivas não só ao indivíduo, mas à sua família, comunidade e à sociedade de forma mais ampla. Pessoas mais felizes têm melhor desempenho profissional e melhores oportunidades, têm mais sucesso nas relações interpessoais, mais energia e saúde, o que inclui um melhor perfil imunológico, menor nível de estresse e maior longevidade. Pessoas mais felizes são mais criativas, autoconfiantes, altruístas e generosas, têm o hábito de praticar atividade física e são mais espiritualizadas e religiosas. Pouca coisa, hein?















