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O teste do hormônio do estresse pode identificar indivíduos idosos com estado cognitivo mais limitado. Esses mesmos idosos poderiam ser investigados com mais preciosismo no que diz respeito às suas capacidades cerebrais. Essa é a conclusão de um estudo publicado ontem pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.
Pesquisadores americanos avaliaram mais de quatro mil idosos e mostraram que aqueles que tinham concentrações mais altas de cortisol na saliva apresentavam um menor volume cerebral e também um pior desempenho nos testes cognitivos. Pesquisas anteriores já tinham demonstrado que o hormônio cortisol tem um efeito tóxico no hipocampo, importante área do cérebro responsável pela nossa memória. Vale lembrar que o hormônio do estresse é elevado entre indivíduos com depressão e isso explica, em parte, a associação entre essa condição e a Doença de Alzheimer.

Parece que ações repetitivas como arrancar os cabelos ou roer as unhas têm muito mais a ver com uma resposta ao tédio, irritação e frustração do que com ansiedade. Há uma série de evidencias mostrando que as pessoas que têm esse tipo de compulsão são frequentemente perfeccionistas.
Uma em cada 20 pessoas apresenta esse tipo de comportamento com um variável espectro de intensidade, alguns sofrendo dor e embaraço social. Os movimentos repetitivos têm uma certa relação com os tics e, de uma forma mais distante, com o transtorno obsessivo compulsivo.
Um novo estudo recentemente publicado demonstra que uma forte raiz desses movimentos é o perfeccionismo. As pessoas que sofrem desse problema, além de mais perfeccionistas, têm maior tendência a exagerar no trabalho, a planejar demais as coisas e a se frustrarem facilmente quando não têm atividades de alta intensidade.
Os pesquisadores ainda mostraram que estímulos relaxantes, como imagens das ondas do mar, são capazes de inibir os movimentos, ao contrário de situações de tédio como ficar numa sala vazia e sem estímulos ou em situações que evocam frustração ou estresse.
O estudo foi publicado pelo Journal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry e dá mais ferramentas aos terapeutas que cuidam das pessoas que sofrem com esses movimentos compulsivos. Os movimentos podem ser vistos como uma urgência perfeccionista de estar fazendo algo sempre. Depois do alívio pode vir dor e vergonha. A psicoterapia cognitivo-comportamental é vista como uma das melhores opções para o seu tratamento.
Pais superestimam a felicidade dos filhos quando eles têm 10 a 11 anos. Por outro lado, eles subestimam a felicidade quando eles chegam à idade de 15-16 anos. Esses são os achados de um estudo publicado recentemente no periódico especializado Journal of Experimental Child Psychology.
Os resultados sugerem que a percepção dos pais do quanto os filhos se sentem felizes têm um viés egocêntrico, ou seja, essa avaliação é baseada nos seus próprios sentimentos em relação à família. Para chegar a essa conclusão os pesquisadores aplicaram escalas que medem o bem-estar mental das crianças e também dos pais.
Além de saúde, o que os pais mais desejam aos filhos é que eles sejam bons, felizes e com boas relações de amizade. A relação entre bondade, amizade e felicidade tem sido descrita como de reciprocidade. Pessoas mais felizes têm maior tendência a apresentar comportamentos prossociais e também de ter um bom círculo de amizades. Crianças com boa aceitação pelos amigos, por outro lado, também são mais cooperativas e equilibradas emocionalmente. Além disso, pessoas mais felizes têm mais ferramentas para fazer o bem aos outros, atitude que também promove o bem-estar.
Sonja Lyubomirsky, uma das maiores autoridades em pesquisas sobre felicidade, participou de um estudo experimental muito interessante que aponta que crianças que exercitam a gentileza passam a se sentir mais felizes e também a serem mais populares com seus coleguinhas.
Quatrocentas crianças canadenses com idades entre 9 e 11 anos foram estudadas em dois diferentes grupos. Metade delas foi orientada a fazer três ações de gentileza por semana, por exemplo, dividir o lanche com um amigo ou dar um abraço na mãe ao sentir que ela está estressada. A outra metade tinha a tarefa de visitar três lugares diferentes por semana, por exemplo, o parquinho e a casa dos avós.
Após quatro semanas, as crianças sentiram-se mais felizes e passaram a ser mais populares, mas esses efeitos foram maiores entre aquelas que cumpriram as tarefas de gentileza. Escalas de felicidade e bem estar foram aplicadas e a popularidade foi medida pelo número de coleguinhas que escolhiam a criança como potencial parceiro para um trabalhinho escolar.
A conclusão é fácil, não é? As escolas poderim incluir na lista de deveres de casa tarefas prossociais. O efeito é positivo mesmo para aqueles que não fizerem a tarefa, menos bullying, etc.

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O cérebro das crianças pode aprender a ter reações exageradas aos própios erros quando os pais são muito rigorosos. Isso é meio caminho andado para desenvolver um quadro de ansiedade que pode durar muito anos.
Uma pesquisa realizada no fim de 2014 nos EUA, envolvendo mais de quatro mil adultos das mais diferente idades, mostrou que as pessoas que têm mais memórias de infância de pais autoritários são os que também relatam mais sintomas de ansiedade.
Outro estudo conduzido por pesquisadores da universidade americana Stony Brook revelou que o cérebro das crianças que têm pais autoritários responde de forma diferente aos erros. Já é reconhecido um sinal elétrico no cérebro evocado pelo lobo pré-frontal que faz com que possamos corrigir erros durante uma ação. Eles estudaram esse sinal em cerca de 300 crianças aos três anos de idade e depois novamente aos seis anos enquanto montavam um quebra-cabeça na companhia dos pais. O sinal aos seis anos de idade era maior nas crianças que aos três anos tinham pais que se julgavam mais severos / punitivos e também naquelas com pais que apresentaram comportamento autoritário / crítico durante a dinâmica com a criança.
“ hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás”

O som de uma cachoeira no ambiente de trabalho pode melhorar o humor das pessoas e até mesmo a produtividade. Essa é a conclusão de um estudo do Instituto Politécnico Renseleer de Nova Iorque – EUA que foi apresentado na última semana em Pittsburgh no Encontro da Sociedade Acústica da América.
O barulhinho de uma corredeira de água pode facilitar a concentração das pessoas no trabalho, pois ele faz com que não se perceba o conteúdo daquilo que outras pessoas a metros distância estão dizendo. Isso também dá mais privacidade nas conversas dentro de um ambiente que comporta muitas mesas de trabalho.
Já existem alguns modelos de sons de fundo com a mesma intenção, também chamados de “ruídos brancos”. São sons digitais irregulares e estáveis. Esse grupo de pesquisadores começou a testar se os ruídos naturais também têm sua função, e parece que o barulho da água correndo pode ser melhor que esses sons digitais ou até mesmo o silêncio. O segredo desse ruído natural é a constância com certa irregularidade. Isso poderia até ser aplicado para reduzir o estresse de pacientes hospitalizados.
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Muitas companhias de alimentos probióticos vendem a ideia de que cultivar no intestino as bactérias certas pode ser meio caminho andado para nosso bem estar mental. Os cientistas eram muito céticos quanto a essa possível influência, mas hoje chegam a chamar o intestino de “segundo cérebro”.
A comunicação entre o cérebro e o sistema digestivo é conhecida há muito tempo, especialmente no que tange a influência de “cima para baixo”. Expressões como frio na barriga dizem muito sobre isso. O cérebro regula o sistema digestivo através do sistema nervoso autônomo, composto pelos sistemas simpático e parassimpático. São eles que controlam nossos batimentos cardíacos, a respiração e a digestão. A rede de neurônios do sistema digestivo é tão robusta que até funcionaria sem o cérebro, mas é bem mais inteligente com as comunicações de cima para baixo e de baixo para cima.
Além das fiações que ligam o cérebro ao sistema digestivo, também é bem reconhecida a influencia dos hormônios e mais recentemente a flora intestinal. As bactérias do intestino podem ter influência em condições clínicas como a depressão, ansiedade e o autismo, e uma das formas de entender essa relação é o fato de que algumas bactérias são produtoras de neurotransmissores como a sertralina e o GABA. E parece que o contato com bactérias durante o nascimento já faz alguma diferença. Ratinhos que nascem por parto cesárea têm mais comportamentos de ansiedade e depressão do que os nascidos por parto vaginal.
Um estudo publicado em 2013 mostrou que um modelo de ratinho de comportamento ansioso e antissocial apresentava menores níveis de uma bactéria frequentemente encontrada na flora intestinal, Bacterioidis fragilis. Os pesquisadores reverteram esse comportamento dos ratinhos ao alimentarem os mesmos com a bactéria. Eles também demonstraram que os ratinhos estressados tinham uma maior concentração no sangue de um metabólito bacteriano (4EPS) e que a injeção desse metabólito em ratinhos normais provocava o comportamento alterado.
As possibilidades de associação da flora intestinal com algumas doenças neuropsiquiátricas estão só engatinhando. Não podemos dizer muita coisa ainda, mas a neurociência está de olho.
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Solidão faz mal à nossa saúde e não sabemos muito bem ao certo quais os mecanismos envolvidos nesse “comportamento de risco”. Um estudo recém-publicado pelo periódico Hormones and Behavior testou a hipótese que uma das possíveis explicações para esse efeito adverso à saúde seria o aumento da ingestão calórica e suas bem conhecidas repercussões.
Pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio nos Estados Unidos recrutaram 42 voluntárias (53 anos em média) que foram submetidas a um jejum de doze horas antes do inicio do estudo. Começaram a manhã com uma dieta de 930 calorias composta de ovos, salsicha de peru e biscoitos. No restante do dia elas tinham amostras de sangue para quantificação do hormônio grelina que está muito associado à fome e ao ato de comer. Elas também respondiam o quanto se sentiam famintas.
Os resultados mostraram que aquelas que se sentiam mais solitárias eram as que referiam mais fome e também as que tinham maiores níveis de grelina. Um estudo anterior publicado pelo mesmo grupo de pesquisadores havia revelado que mulheres que sofriam um estresse psicológico agudo tinham um aumento da grelina e redução do hormônio moderador de apetite – leptina.
Apenas hipóteses para explicar essa relação entre fome / grelina e solidão. A mais aventada é a de que do ponto de vista evolutivo a solidão provoca fome, já que comer é uma atividade de grupo e oportunidade de promover socialização.

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Um estudo recém-publicado no periódico Psychological Science aponta que o hábito de abraçar os outros pode ajudar a prevenir doenças. Paradoxal?
Pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon nos EUA aplicaram questionários a cerca de 400 voluntários para avaliação do quanto eles sentiam que tinham apoio de outras pessoas para dividir medos e conflitos. Por duas semanas eles também eram interrogados se tinham sido abraçado por alguém durante o dia. Além disso, parte dos voluntários era exposta ao vírus causador da gripe e depois ficavam isolados em quarentena para observação dos sintomas por cerca de uma semana.
Aqueles que tinham a percepção de maior apoio social eram também os que mais deram e receberam abraços durante as duas semanas estudadas. O mais interessante foi que as pessoas que experimentaram mais abraços foram as que apresentaram menos sintomas de gripe, independente do fator “apoio social”. Esse mesmo grupo de pesquisadores já tinha demonstrado que as pessoas com maiores laços sociais gripavam menos, provavelmente por um sistema imunológico mais equilibrado.

A meia-idade é um período de relativa estabilidade, especialmente nos relacionamentos pessoais, mas algumas pessoas passam por uma grande insegurança emocional nessa fase da vida. A crise da meia idade existe e afeta no máximo um quarto dos quarentões e cinqüentões. Ao tomarem consciência de que existem menos anos de vida pela frente, algumas pessoas passam a ter planos menos ousados. Outras passam a ter o comportamento inverso: começam a realizar tudo aquilo que gostariam de ter feito e não fizeram.
As estatísticas vão de 10 a 25%. A maioria daqueles que referem ter passado por uma crise nessa idade reconhece que eventos como a perda do emprego ou de um parente foi muito mais importante que a idade por si só. Nem todo mundo entra em depressão ou começa a abusar do álcool ou outras substâncias psicoativas.
Estudos populacionais nos mostram que ao logo da vida as pessoas sentem-se menos felizes nesta época da vida. Há um comportamento chamado de curva em formato de “U”. A base do “U” é o menor estado de felicidade na meia idade e as pontas do “U” representam a velhice e infância / adolescência. Por outro lado, quando se pergunta a idosos qual a idade que eles mais gostariam de viver novamente, eles respondem que é os quarenta e poucos anos.
Fatores biológicos podem ter sua importância, mas os eventos que acontecem no decorrer da vida podem ser mais importantes. O cérebro já é menor aos 40 anos quando comparado à adolescência, mas a experiência e sabedoria da maturidade contornam facilmente essas questões morfológicas. Além disso, as doenças começam a ser mais comuns e elas certamente vão influenciar o equilíbrio psíquico.
A maior pesquisa sobre esse assunto foi publicada recentemente no periódico Archives of Sexual Behavior e incluiu a opinião de 64000 americanos com a maior parte deles nos seus trinta e pouco anos.
65% das mulheres ficam mais abaladas com a traição emocional do parceiro do que com a traição sexual – 46% no caso dos homens. 54% dos homens ficam mais abalados com a infidelidade sexual do que com a emocional – 35% no caso das mulheres. Com os bissexuais e gays não existem diferenças entre traição emocional e sexual.
Sob a perspectiva da evolução da espécie os homens ficariam mais balançados com a traição sexual porque vivem a incerteza da paternidade. As mulheres não vivem nunca a incerteza da maternidade. Já as mulheres ficam mais vulneráveis com a traição emocional, pois o parceiro pode desviar recursos que iriam para os filhos.
Do ponto de vista cultural, o homem sente o desmoronamento de sua masculinidade quando a mulher o trai sexualmente. Já a mulher, considerada o elemento que pensa mais a relação, sente-se mais frustrada quando o homem se envolve emocionalmente com outra mulher.
A diferença entre os gêneros ocorreu independente da idade, nível sócio-econômico, antecedentes de traição e duração da relação. Entretanto, os jovens se mostraram mais chateados com uma possível traição sexual.
O fato é que os dois tipos de infidelidade fazem mal a todo mundo, independente da orientação sexual. A infidelidade é a causa comum de dissolução de relacionamentos estáveis em diversas culturas. Uma meta-analise de 50 estudos mostra que 34% dos homens e 24% das mulheres já tiveram em algum momento uma relação extraconjugal.

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Prometeu um monte de coisas para 2015? Pesquisas mostram que as pessoas que ficam muito frustradas por resultados parciais negativos têm mais dificuldades em alcançar suas metas. A revista Scientific American trouxe em sua última edição sete dicas para que você consiga emplacar suas promessas de ano novo. Veja só:
– Todo revés no percurso de seu objetivo deve ser visto como ensinamentos de como chegar lá;
– Encare esse percurso como uma aventura. Ela certamente terá altos e baixos;
– Reexamine periodicamente suas ações e pergunte-se o que você deveria ter feito de outro jeito;
– Convença-se que a persistência é uma escolha e não um traço de personalidade, não um presente de Deus;
– Não deixe de buscar feedbacks;
– Se ficar frustrado com um tropeço, isso é um sinal de que você se importa com o projeto e deixa claro que você deve continuar. Zero de frustração com um resultado negativo significa que aquilo nem é tão importante para sua vida;
– Reduza os níveis de estresse de uma forma geral. As emoções não ficam muito afinadas com altos níveis de estresse. Para suportar as pequenas frustrações as emoções têm que estar equilibradas.
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A solidão aumenta o risco de demência, doenças cardiovasculares, sono de má qualidade, deficiência imunológica, depressão e ainda faz a pessoa morrer mais cedo. Será que esses efeitos da vida solitária podem ser explicados pela ausência de “cães de guarda”, pessoas que estimulam bons hábitos e reprimem maus hábitos? Pode até ser, mas parece que existem outras explicações.
Temos evidências que a solidão é capaz de mudar percepção, os pensamentos, a química e a estrutura do cérebro. Os solitários são mais sensíveis a experiências ruins como quando são apresentados a imagens de pessoas com expressão facial de dor. Exames de ressonância magnética funcional demonstram que o isolamento social faz com que as áreas do sistema de recompensa cerebral sejam menos ativadas quando provocadas com estímulos sociais o que explica a menor empolgação por um hipotético encontro.
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Pesquisas com ratinhos mostram que o isolamento reduz hormônios cerebrais que modulam a agressividade e diminui também o processo de mielinização que é fundamental para a plasticidade cerebral. Influencia ainda a expressão de genes ligados a comportamentos ansiosos. Ratinhos que crescem solitários tem uma inibição no crescimento de novos neurônios em áreas associadas à comunicação e memória. Em um modelo de derrame cerebral provocado intencionalmente, os ratinhos solitários morrem mais do que os que cresceram com os companheirinhos.
Os médicos costumam lembrar seus pacientes de qualidade de sono, dieta e atividade física. Por que não incluir nesse roteiro uma “prescrição social”?

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A resposta do cérebro a situações ameaçadoras é menor quando ele tem contato com imagens de pessoas amadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana no periódico Social Cognitive and Affective Neuroscience.
Pesquisadores da Universidade de Exeter na Inglaterra avaliaram a resposta da região do cérebro que monitora as ameaças que enfrentamos, melhor dizendo as amígdalas, através da ressonância magnética funcional. Quando os voluntários eram apresentados a palavras e expressões faciais com contexto ameaçador, a ativação das amígdalas era bem menor quando eles eram apreciavam previamente de forme rápida imagens de pessoas amadas. Isso aconteceu mesmo sem prestar atenção no contexto das imagens das pessoas queridas.
Estudos prévios já haviam mostrado que esse contato com imagens de pessoas amadas é capaz de reduzir a resposta cerebral à dor. É bem conhecido também que é mais fácil a recuperação de pessoas com trauma psicológico quando elas têm o suporte emocional de pessoas queridas.
Novos estudos serão realizados usando essa estratégia no tratamento de indivíduos com estresse pós-traumático e outros transtornos mentais que levam a uma hipervigilância a situações estressantes e que, por sua vez, provocam respostas emocionais negativas exageradas.
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Um estudo publicado esta semana pelo prestigiado periódico Lancet aponta que o bem estar psicológico no dia a dia garante mais anos de vida.
Nove mil ingleses com uma média de idade de 65 anos responderam a um questionário que avaliava a capacidade de autocontrole, a percepção se a rotina da vida tem importância e faz sentido. Aqueles que tinham melhores pontuações nesse questionário tinham uma chance 30% menor de morrer durante os oito anos do estudo comparados aos que tinham baixa pontuação Isso foi independente de outros fatores como depressão, status socioeconômico, consumo de álcool e saúde em geral. Nesses oito anos, 9% dos que tinham alta pontuação morreram comparados a 29% daqueles com baixa pontuação. E como se explica essa relação entre o bem estar psíquico e a saúde do corpo? Os hormônios, o sistema imunológico funcionam melhor quando a mente está equilibrada e satisfeita e pressão arterial anda mais nos trilhos.
Os pesquisadores também discutem as diferenças desse bem estar ao longo da vida em diversas culturas. Em países desenvolvidos, a satisfação com a vida diminui na meia idade e volta subir na velhice. Entende-se que nesses países, as pessoas trabalham mais nas fases mais produtivas da vida para garantir um futuro mais seguro, ameaçando o grau de satisfação com o tempo presente. Esse mesmo padrão pode ser encontrado em países da América Latina e Caribe, só que o declínio de satisfação na meia idade é menos acentuado. Já nos países do Leste Europeu, os idosos têm menos satisfação que os adultos de meia idade. Discute-se que a queda do comunismo pode ter privado os idosos não só de benefícios materiais e acesso a assistência médica como também da ideologia comunista. Na África Subsariana, adultos jovens, de meia idade e idosos, todos têm baixos níveis de satisfação com a vida.

O tipo de personalidade pode influenciar o risco de uma pessoa vir a desenvolver demência. Pode-se explicar essa associação pelo efeito que a personalidade tem sobre o comportamento, reação ao estresse e hábitos de vida. Pesquisadores da Universidade de Gothenburg na Suécia acompanharam 800 mulheres por 38 anos em media e mostraram que aquelas com mais traços de neuroticismo, emocionalmente mais instáveis, têm mais risco de desenvolver a Doença de Alzheimer.
No período do estudo, 19% das mulheres passaram a apresentar um quadro de demência. Aquelas que eram mais retraídas e ainda tinham instabilidade emocional eram as que desenvolveram demência mais frequentemente – 25% destas evoluíram com demência. Melhor ser um neurótico extrovertido do que introvertido.
Já sabíamos que tanto o neuroticismo como o estresse estão associados a alterações funcionais e estruturais do hipocampo, região cerebral precocemente envolvida na Doença de Alzheimer. Uma explicação bastante razoável para isso é o efeito dos níveis aumentados de glicocoticóides no cérebro. Sabemos também que pessoas com maiores traços de neuroticismo têm maiores concentrações de marcadores patológicos cerebrais da Doença de Alzheimer. Além disso, as pessoas com baixo neuroticismo têm maiores níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro, uma super-vitamina do cérebro.

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Cientistas validaram um novo método para identificar o quanto uma pessoa é narcisista. Eles conduziram 11 experimentos e chegaram à conclusão que fazer uma única pergunta pode ser tão eficaz quanto uma escala de 40 questões que leva quase quinze minutos para ser aplicada, e isso pode fazer muita diferença quando se estuda milhares de pessoas. A pergunta é: O quanto você concorda com a frase: “Eu sou narcisista” (Nota: a palavra “narcisista” significa egoísta, vaidoso). Os voluntários tinham que marcar numa escala de 1 (pouco) a 7 (muito).
Narcisistas costumam se achar superiores aos outros e têm até orgulho do fato. Não enxergam esse traço da personalidade como uma qualidade negativa e por isso não escondem quando são interrogados a esse respeito. São vaidosos, exibicionistas e autoritários, e pesquisas mostram que acabam sendo bons líderes. Têm mais sentimentos positivos e são mais extrovertidos. Por outro lado não costumam criar muita empatia e isso pode atrapalhar as relações interpessoais, tendo maior dificuldade em manter relacionamentos românticos de longo prazo. Além disso, têm mais chance de ter comportamento sexual de risco.
Narcisistas acham que já são o máximo e por isso não precisam melhorar em nada. Uma sociedade narcisista tem suas limitações óbvias, pois seus membros não tiram os olhos dos próprios umbigos.
O estudo foi publicado no periódico PLoS ONE.
No dia a dia, superar as expectativas traz mais bem estar do que o conjunto das boas notícias recentes. Essa é conclusão de uma pesquisa conduzida por pesquisadores ingleses e publicada nesta última semana no prestigiado periódico PNAS – Proceedings of the National Academy of Sciences.
O estudo foi realizado inicialmente com 26 voluntários na ressonancia magnética functional e depois expandido a 18 mil voluntários num jogo no smartphone. Após escolher entre duas opções que levavam a perdas ou ganhos financeiros, no primeiro experimento, e perda de pontos no game do celular, eles tinham que responder o quanto se sentiam felizes naquele exato momento. Um modelo matemático demonstrou que, a cada rodada de decisões, a superação das expectativas deixava as pessoas mais felizes do que os benefícios propriamente ditos. .Isso aconteceu no grupo de 26 voluntários, tendo confirmação na ressonância magnética funcional pela ativação do centro de recompensa cerebral, mas também foi demonstrado nas milhares de pessoas que participaram do game do celular.
É comum as pessoas pensarem que são mais felizes quando têm expectativas menores. Parece que isso é mesmo verdade.
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Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro conseguiram mostrar que podemos treinar a ativação de áreas cerebrais envolvidas no sentimento de empatia. O estudo foi recentemente publicado pelo periódico PLoS ONE.
O estudo inédito usou a ressonância magnética funcional para atingir um estado de empatia em 25 voluntários jovens. Eles tinham o feedback da máquina em tempo real, permitindo que eles aumentassem a ativação das áreas associadas ao sentimento de ternura e afeto à medida que iam pensando em situações autobiográficas que evocavam esses sentimentos. Outro grupo de voluntários não tinha o feedback e não tiveram qualquer aumento da atividade.
Esse neurofeedback é uma promissora ferramenta para o tratamento de transtornos mentais com depressão pós-parto e transtornos de conduta e personalidade. Pode ser uma preciosa fonte de comportamento prossocial.
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Para a maioria das pessoas, ser feliz e ter uma vida com significado são dois objetivos importantes e também correlacionados. Mas, às vezes, percepção de felicidade e de sentido na vida não andam juntas. A percepção de felicidade está associada a uma vida sem problemas, prazerosa e com boa saúde. Entretanto, esses fatores não tem relação com o senso de sentido na vida. Convívio com amigos e ter dinheiro para as necessidades e desejos guardam boa relação com a percepção de felicidade, mas também não fazem muita diferença na sensação de sentido na vida.
Muitas das coisas que fazemos no dia a dia não aumentam nossa percepção do quanto nos sentimos felizes, mas podem nos fazer sentir a vida com mais sentido. Atividades que exigem esforço e sacrifício costumam alimentar nossa percepção de sentido na vida.
Não é difícil imaginar que esse sentido na vida nos faz bem. E essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana no periódico Psychological Science. Quanto maior a percepção de sentido na vida, maior a longevidade.
Pesquisadores da Universidade de Rochester nos EUA exploraram essa questão através de um banco de dados de mais de 6000 pessoas que fizeram parte de uma pesquisa com um seguimento médio de 14 anos. Após esse período, cerca de 10% dos voluntários morreram e estes relatavam ter menor percepção de sentido na vida do que os sobreviventes.
O estudo também apontou que esse efeito positivo existe independente da idade. Adultos jovens, de meia idade e idosos mostraram os mesmos benefícios. Os resultados deixaram os pesquisadores surpresos, pois o senso comum diria que os idosos seriam mais influenciados pela sensação de sentido na vida, já que estão afastados da rotina “anestésica” do trabalho que muitas vezes funciona com um piloto automático. Teoricamente, quanto mais precoce for esse encontro de sentido na vida, maiores os benefícios.
Os pesquisadores estão expandindo a análise com a pergunta: será que as pessoas que relatam perceber maior sentido na vida são as mesmas que têm hábitos mais saudáveis e por isso vivem mais? Os resultados ainda não foram publicados.

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Pedalar por belas paisagens. Correr num parque com muito verde. Isso pode ser melhor para a saúde do que malhar entre quatro paredes. Isso é o que sugere um estudo publicado esta última semana por pesquisadores da Universidade de Coventry na Inglaterra.
Eles avaliaram uma série de crianças com idades entre nove e dez anos numa sala com paredes brancas fazendo uma prova de 15 minutos na bicicleta ergométrica. No outro dia, as crianças fizeram a mesma atividade, mas desta vez olhando para um filme de uma bicicleta atravessando uma floresta. A monitoração da pressão arterial mostrou valores significativamente menores após a pedalada no “meio da floresta” quando comparado à atividade na sala branca. Esse efeito hipotensor do verde já tinha sido descrito há cerca de dez anos entre adultos.
A atividade física na natureza tem sido chamada de “Exercício Verde” e sua prática tem sido estimulada para os adultos por seus efeitos potencialmente superiores ao exercício sem a natureza. Cinco minutos de contemplação já são capazes de trazer efeitos positivos sobre o ritmo do coração. Já foi demonstrado que a simples contemplação de imagens da natureza tem efeito protetor contra o estresse, além de melhorar o humor e a atenção. O pessoal da corrida de aventura, mountain bike, surf, etc, têm muito a nos dizer.
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