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A revista Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, publicou esta semana os resultados de uma pesquisa que mostra que alguns programas de TV podem deixar o cérebro das crianças menos eficientes.
O estudo envolveu 60 crianças de quatro anos de idade que foram divididas em três grupos. O primeiro grupo assistiu a um vídeo de nove minutos do popular Bob Esponja, cartoon com ritmo acelerado em que a mudança completa da cena acontecia em média a cada onze segundos (exemplo: cena na piscina passando para cena no quarto). O segundo grupo assistiu ao cartoon Caillou, com a mesma duração, mas que tem um ritmo mais lento, com mudanças de cena em média a cada 34 segundos. Um terceiro grupo passou os mesmos nove minutos numa atividade de desenho livre com giz de cera e canetinhas.
Imediatamente após o término das atividades, as crianças foram submetidas a uma testagem de habilidades cognitivas que envolviam funções executivas como a atenção, controle da impulsividade e capacidade de resolução de problemas. Os resultados apontaram que as crianças que assistiram ao vídeo acelerado tiveram um PIOR desempenho nos testes do que os demais grupos. Aquelas que assistiram ao vídeo mais pausado tiveram uma performance semelhante àquelas que ficaram desenhando.
Uma hipótese para explicar essa maior dificuldade executiva após uma experiência de rápida sucessão de eventos é que o cérebro disponibiliza muitos recursos para sua decodificação e fica relativamente desfalcado por um período. O estudo deixa várias perguntas no ar. Esses efeitos persistem por quanto tempo? Será que são mesmo transitórios? Estudos anteriores já haviam demonstrado a associação de exposição à mídia e dificuldades de funções executivas, sugerindo que as disfunções podem não ser tão transitórias assim. Será que crianças mais velhas são influenciadas da mesma maneira por esses cartoons acelerados? O estúdio de animação Nickelodeon que transmite o Bob Esponja defende que o cartoon é destinado a crianças de6 a11 anos.
Alguns podem até interrogar se isso tem alguma relevância prática para a cultura atual de multitarefas sincrônicas e rápidas. O fato é que multitarefas não combinam muito com reflexão, capacidade que sempre fará toda a diferença.
** Desde o ano de 1999, a Academia Americana de Pediatria recomenda que as crianças menores de dois anos não devem assistir TV de forma alguma. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Washington chegou até a demonstrar que bebês que assistem a vídeos educativos como o Baby Einstein têm piores scores em testes cognitivos. Outros estudos têm demonstrado que a TV pode ter impacto negativo nos bebês a depender do conteúdo assistido. Conteúdos violentos antes dos 3 anos de idade dobram a chance das crianças apresentarem problemas de atenção na infância.
Já no caso das crianças maiores de dois anos, o consenso é que elas não devem ser expostas a mais do que duas horas por dia às mídias eletrônicas, e isso inclui não só a TV, mas também videogames, DVDs e o uso do computador para atividades não escolares. Sabe-se que as crianças que passam desse limite têm mais chance de apresentar comportamento violento, início precoce da vida sexual, transtornos alimentares, obesidade, assim como maior risco de consumir álcool e cigarro.
Vale lembrar que os pais podem ajudar as crianças a entenderem as mensagens transmitidas no vídeo e a interpretá-las criticamente, o que inclui também o material publicitário. Cabe também aos pais a identificação de conteúdos que sejam inadequados para a idade da criança.
** Nesta mesma semana, o Departamento de Saúde Britânico divulgou uma pesquisa em que foi feito um ranking dos 20 cartoons mais populares de acordo com o nível de atividade física dos personagens. Essa pesquisa faz parte de um programa de incentivo à atividade física na infância do governo inglês.
Garfield ficou em penúltimo lugar e Charlie & Lola em último. Bob Esponja ficou em nono lugar. O campeão de atividades foi o Scooby Doo. Só não dá pra dizer que Scooby é o cartoon-saúde, porque apesar de correr e fugir o tempo todo, o cachorro come montanhas de comida daquelas que não têm nada de saudável. Aliás, vamos deixar o Scooby em paz…
Quando alguém nos fala: tenho duas notícias pra contar, uma boa e outra ruim. Qual você quer ouvir primeiro? A grande maioria responde que quer ouvir a ruim antes. Reconhece-se que o ser humano tem uma tendência a dar mais atenção a informações negativas do que às positivas. Ter consciência de informações negativas, e presumivelmente ameaçadoras, pode ser visto como um traço de adaptação da espécie.
E o que dizer do incerto? Numa situação em que alguém nos diz: Tenho uma coisa pra te contar. Você quer ouvir? Poucos devem duvidar que a maioria nessa situação diria: conta logo!
A incerteza é vista pela psicologia como a antecipação de uma ameaça pouco definida. Se a exposição a um estímulo negativo representa uma ameaça, a exposição ao desconhecido pode ser ainda mais ameaçadora, já que não se sabe o tamanho do inimigo (ou do amigo). Alguns estudos nos mostram que o suspense da incerteza gera mais alterações fisiológicas associadas à ansiedade do que o confronto a estímulos negativos bem definidos. Uma pesquisa recente publicada na revista Psychological Science aponta ainda que, entre indivíduos com traço de personalidade neurótico, a resposta de ansiedade ao incerto é ainda mais marcante. Os autores, psicólogos da Universidade de Toronto, concluem de forma provocativa: “As pessoas, especialmente as com altos níveis de neuroticismo, preferem um capeta conhecido a um capeta que ainda não conhecem”.
E quanto mais rápida a informação vier, melhor a experiência para o cérebro. A revista Nature Neuroscience publicou em sua última edição um estudo revelando que os macacos também querem saber das coisas o mais rápido possível, e que do ponto de vista neuroquímico, esse acesso adiantado à informação é semelhante ao de outros tipos de recompensa cerebral. Neste caso, o experimento envolvia a recompensa de uma quantidade de água maior ou menor. Outras pesquisas têm mostrado que, quando o assunto em questão envolve uma experiência negativa, a preferência por acesso rápido à informação é ainda maior.
Alguns enxergam a religiosidade simplesmente como uma forma de controle social, algo maior vigiando o comportamento humano. Outra forma de entendê-la é pensar que a evolução da espécie humana favoreceu a experiência religiosa como um mecanismo que ajuda a manter comunidades unidas e também a promover um melhor auto-controle mental. A princípio, quando uma meta é encarada como sagrada, o indivíduo teria maior tendência em se esforçar para alcançá-la. Mais do que isso, o sagrado abastece a mente humana no desafio de pensar sobre a vida e a morte, e em tempos mais remotos, era fundamental para o entendimento dos sonhos e fenômenos da natureza.
Marx, Freud, Weber, entre tantos outros, defenderam a idéia de que a modernidade reduziria a influência das crenças religiosas na sociedade. No Brasil, nos últimos 20 anos, houve um discreto aumento na porcentagem de brasileiros que dizem não ter uma religião: em 1991 essa cifra era de 4.75% e em 2009 passou para 6.7%. Entretanto, é notório que a humanidade continua com altos índices de religiosidade.
A religiosidade tem seu lugar no cérebro? A neurociência tem demonstrado que a experiência religiosa estimula circuitos cerebrais do neurotransmissor dopamina, os mesmos circuitos que são considerados disfuncionais em transtornos neuropsiquiátricos em que a hiperreligiosidade faz parte do quadro clínico, como é o caso da epilepsia do lobo temporal, esquizofrenia, mania e transtorno obsessivo-compulsivo. Sistemas cerebrais da serotonina também parecem estar implicados, já que drogas que têm influência sobre eles são facilitadoras da experiência religiosa. Entre essas drogas podemos citar o LSD, mescalina, ecstasy, e o chá de Ayahuasca utilizado pelo Santo Daime e União do Vegetal.
Quando pensamos na influência da fé na evolução de problemas de saúde, vale a pena refletir sobre o poder do efeito placebo. A origem do termo é o verbo placere do latim que significa AGRADAREI. A simples expectativa positiva de que um tratamento pode nos fazer bem já é capaz de provocar mudanças fisiológicas em nosso corpo, e esse é o chamado efeito placebo. Pessoas que apresentam boa resposta ao placebo apresentam circuitos cerebrais de dopamina com maiores concentrações desse neurotransmissor. Também há evidências de que as concentrações dos opióides endógenos e de serotonina são influenciadas pela expectativa positiva. Isso tudo pode ter repercussões sobre o sistema imunológico e favorecer a evolução de uma condição de saúde. Se uma pílula de farinha já é capaz de provocar esses efeitos, podemos tentar imaginar o que a prece ou um ritual religioso pode promover. Esse é um modelo que a ciência tem para explicar os efeitos da fé sobre a mente e o corpo. Isso não quer dizer que outros mecanismos ainda intangíveis não possam ser descritos no futuro.
A religiosidade faz bem mesmo à saúde? Já temos um razoável corpo de evidências que indivíduos com uma maior vivência religiosa / espiritual têm uma maior capacidade de lidar com o estresse emocional, uma melhor saúde mental de forma geral e, em situações de doença, cooperam mais com o tratamento. Além disso, o envolvimento com uma comunidade religiosa está associado a uma maior rede social, e há tempos sabemos que pessoas socialmente integradas têm menos chance de adoecer, e quando doentes, a rede social é uma das principais fontes de apoio. Esse pode ser um dos principais fatores que explicam resultados de maior longevidade entre as pessoas com maior religiosidade. Assume-se também que essas pessoas têm a tendência a apresentar hábitos de vida mais saudáveis.
Entretanto, as crenças religiosas nem sempre estão a favor da saúde do paciente, já que podem em alguns casos dificultar a aderência ao tratamento com idéias do tipo: esse é o desejo de Deus; Deus me abandonou; esse é o meu destino; esse é o meu castigo; etc. Em situações como essas, é bem razoável que a equipe de saúde esteja minimamente preparada para abordar dimensões religiosas / espirituais do paciente e assim aumentar a aderência e sucesso do tratamento.
A abordagem da religiosidade de um paciente não precisa ser um bicho de sete cabeças. Algumas doenças podem ter um efeito devastador na vida de um paciente e suas famílias, especialmente no caso do câncer e de doenças degenerativas e progressivas como a Doença de Alzheimer. Perguntas comuns nessas situações como Por que comigo? Por que com meu filho? Por que isso tudo? dão-nos uma pista de que, além dos cuidados físicos, cognitivos e emocionais, uma janela preciosa na relação entre a equipe de saúde e o paciente e seus familiares pode estar se abrindo: a dimensão espiritual.
Estudos revelam que mais de 90% dos médicos acreditam que a religiosidade dos pacientes deve ser considerada. Entretanto, apenas 30% dos médicos acreditam que isso deve ser efetivamente abordado, e só 10% adotam essa prática, mesmo entre pacientes terminais. Por outro lado, sabemos também que são bastante ruins os indicadores que medem a satisfação de pacientes quanto ao cuidado dispensado pela equipe de saúde aos seus aspectos emocionais e espirituais.
As pessoas com maior religiosidade são mais felizes? Já é bem reconhecido que a percepção do quanto nos sentimos felizes é influenciada pelo quanto exercitamos algumas dimensões de nossa experiência humana como a gratidão, gentileza, altruísmo e otimismo. Difícil discordar que a prática religiosa seja uma inestimável ferramenta para exercitar essas virtudes. Além disso, a dedicação a algo maior do que si próprio, a sensação de significado na vida e de fazer parte do todo, são condições que estão associadas à auto-percepção de felicidade e, mais uma vez, a religiosidade é uma das principais formas para se vivenciar essas experiências.
Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico inglês Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry apontou que as coisas parecem que não mudaram muito na cabeça dos neurologistas nesses últimos 100 anos quando eles estão diante de crises de histeria.
Todos os membros da Associação de Neurologistas Britânicos receberam por correio uma enquete com 33 questões que abordava a forma como a histeria era encarada na prática clínica. Cerca de 60% deles responderam, e isso não foi pouco, considerando a extensão do questionário.
Os resultados mostraram que os neurologistas concordavam teoricamente com a base psicológica do processo da histeria, mas na hora de definir o diagnóstico, a tendência era de usar diagnósticos com contextualização cerebral. Usa-se muito na prática clínica o diagnóstico “transtorno neurovegetativo somatoforme” que na classificação internacional de doenças tem o seu código F45.3.
Além disso, a maior parte dos voluntários respondeu que as crises conversivas se misturam com crises de fingimento e mais da metade não acreditava que a psiquiatria tenha uma explicação plausível para o fenômeno. Alguns responderam que as crises são fingimento puro, e este tipo de observação foi mais comum entre os mais velhos.
Conceitos enraizados… Boa parte dos neurologistas do século 21 continua a entender os pacientes com histeria com a mentalidade do século 19. Não acredito que no Brasil as respostas fossem muito diferentes.
A história da medicina nos mostra que os neurologistas no século 19 assistiam a pacientes que tinham crises estranhas em que de uma hora para outra passavam a não mais interagir com o ambiente e, depois de algumas horas ou dias, tudo voltava ao normal. Quando eles morriam, e o cérebro era examinado, nenhuma patologia em especial era encontrada que pudesse explicar os sintomas. Por isso, esse tipo de crise era interpretado por muitos médicos como se fosse só um fingimento.
Freud mudou a história do pensamento humano quando introduziu o conceito do inconsciente. Desde então, crises como essas passaram a ser consideradas um transtorno psiquiátrico e que são chamadas de histeria ou crises conversivas. Esses pacientes não estão fingindo. Eles não sabem o que estão fazendo.
A revista Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, publicou ontem os resultados de uma grande pesquisa que aponta que as medicações utilizadas para o tratamento de transtorno déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) não aumentam o rico de eventos cardiovasculares entre crianças e adolescentes. A pesquisa envolveu 241 mil usuários das medicações e um grupo de quase um milhão de crianças e adolescentes que não faziam uso de medicações e a conclusão foi a de que elas não aumentam os riscos de arritmias ou infarto do coração, apesar de aumentarem a freqüência cardíaca e os níveis da pressão arterial.
O resultado da pesquisa é uma ótima notícia para os pais de crianças e adolescentes com o diagnóstico de TDAH que com freqüência nos perguntam de forma apreensiva sobre os riscos no longo prazo de medicações como o metilfenidato. Por outro lado, essa é uma notícia que deve disseminar ainda mais o uso desse tipo de medicação a crianças em que o diagnóstico é no mínimo duvidoso.
** Leia também Será que o uso de medicações para déficit de atenção está exagerado?
Uma pesquisa que será divulgada na íntegra no fim do mês na Alemanha por ocasião do próximo Congresso Mundial de TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) revela que quase 75% das crianças e adolescentes brasileiros que tomam remédios para déficit de atenção não cumprem os critérios diagnósticos para essa condição clínica. Resultados parciais do estudo foram divulgados nesta semana pelo jornal Folha de São Paulo.
A pesquisa envolveu quase seis mil crianças e adolescentes de 16 Estados do Brasil e Distrito Federal com idades entre4 a18 anos. Os pais e professores das crianças responderam a um questionário baseado nos critérios diagnósticos para o TDAH do DSM IV (manual americano de diagnóstico de transtornos mentais). Apenas 23,7% das 459 crianças que haviam sido diagnosticadas com déficit de atenção realmente tinham o transtorno, segundo os critérios do manual. Das 128 que tomavam remédios para tratá-lo, apenas 27,3% cumpriam os critérios diagnósticos para TDAH.
A dificuldade diagnóstica do TDAH não é um problema restrito ao Brasil. Já no ano de 1993, uma pesquisa já apontava que mais de 70% das crianças encaminhadas para uma clínica especializada em TDAH nos EUA não apresentavam esse diagnóstico.
O TDAH é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo e ate 60% delas continuarão a apresentar os sintomas durante a adolescência e idade adulta. A abordagem clínica costuma ser complexa, já que a maioria das pessoas acometidas apresenta outras comorbidades do sistema psíquico, como é o caso de ansiedade, depressão e uso de drogas.
Acredito que o TDAH esteja lado a lado com a depressão como exemplos típicos de um fenômeno de nossa sociedade contemporânea chamado de medicalização da experiência humana. Qualquer experiência de tristeza ou de perda de foco nos estudos ou no trabalho são frequentemente interpretadas de forma errônea por aqueles que têm os sintomas, e mesmo pelos médicos, como se fosse um diagnóstico de depressão ou TDAH. Não estou dizendo que esses diagnósticos não existam. Pelo contrário. São dois dos diagnósticos mais prevalentes na área de saúde mental, que precisam de tratamento, e quando se pensa em saúde pública, certamente tem muito mais indivíduos não diagnosticados do que “super-diagnosticados”.
Não é exagero falar que o TDAH seja hoje o diagnóstico da moda. Já virou até gíria. As pessoas chamam a atenção uma das outras quando há uma falha de atenção com expressões do tipo: hoje você está muito TDA! Hillary Clinton no ano 2000 manifestou oficialmente sua preocupação com excessos no diagnóstico de TDAH. A rede CNN fez uma enquete online no ano 2002 e 76% daqueles que responderam acreditavam que existia um exagero no diagnóstico de TDAH. Recentemente, tive uma conversa com a coordenadora de uma das principais escolas de Brasília que me revelou que quase metade das crianças da escola já recebeu o diagnóstico. Mesmo que seja 20% e não 50%, já seria muito alto. Durante uma aula de educação física, uma professora dessa escola chamou a atenção de um aluno para seguir sua orientação e a resposta foi desconcertante: “Professora, não peça isso para mim. Sou TDAH”.
Discute-se muito que por trás de um suposto excesso de diagnósticos de TDAH exista uma cultura de medicalização impulsionada pela indústria farmacêutica. No caso das crianças, essa cultura tem outros fortes atores que são os pais e professores. Chega-se a provocar que um rótulo diagnóstico pode ser conveniente para pais e professores que tem filhos e alunos com problemas de comportamento. Já ouvi até mesmo um professor hipotetizar que algumas escolas podem orientar seus professores a solicitar pareceres médicos estrategicamente exagerados, por interesses institucionais competitivos. Mais adolescentes usando medicações levando a maiores índices de aprovação no vestibular do colégio tal? Que assunto complicado! A sociologia tem muito a colaborar.
Muitas idéias e suposições. Entretanto, essa pesquisa traz uma grande contribuição ao sugerir que as crianças e adolescentes brasileiras estão recebendo mais diagnósticos de TDAH do que deveriam. É bom lembrar que a análise não foi feita dentro de colégios, mas foi uma amostra aleatória da comunidade. Aguardo ansioso a publicação dos resultados.

A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.
O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.
Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.
Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.
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Depressão pós-parto, também chamada de baby blues, é uma condição clínica já bem explorada e que afeta entre 10 a 20% das mulheres nos primeiros meses após o parto, afetando a saúde tanto das mães como dos filhos. Os pais também sofrem de uma condição semelhante, mas o assunto tem sido muito menos discutido. Um estudo publicado hoje pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria aponta que a depressão dos pais também pode ter repercussões no desenvolvimento dos filhos.
Pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA estudaram 1746 pais de crianças de um ano de idade e encontraram que 7% deles apresentavam depressão. Ao responderem à pergunta “No último mês, você bateu no seu filho?”, a resposta foi SIM em 13% dos pais sem depressão e em 41% dos deprimidos, uma diferença de quatro vezes. Desemprego e abuso de substâncias psicoativas também eram mais comuns entre os pais com depressão e estes apresentavam também uma interação com os filhos duas vezes menor, quando isso era medido pela freqüência que liam histórias para as crianças.
Os resultados também mostraram que 77% dos pais deprimidos haviam levado seus filhos ao pediatra nos últimos 12 meses, o que aponta uma grande oportunidade para que o pediatra provoque algum nível de discussão sobre a saúde mental do pai, orientando-os a procurar ajuda médica especializada.
Já é bem reconhecido que o envolvimento dos pais nas questões discutidas num consultório pediátrico faz diferença no desenvolvimento das crianças e que a depressão paterna está associada a piores indicadores psicossociais da criança. Os pediatras, que já se preocupam com a saúde das mães, também devem estar atentos com os pais, pois a saúde deles também merece toda a atenção. Vale lembrar que é cada vez maior o número de pais que ficam com as crianças enquanto as mães trabalham.
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O que faz um adolescente ter contato inicial com a maconha e tornar-se usuário crônico enquanto outros têm apenas uma experiência isolada? A resposta a esta pergunta envolve inúmeras questões biológicas, assim como sociológicas, e uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Archives of Pediatric and Adolescent Medicine apontou que o tipo de personalidade de um adolescente tem influência sobre o padrão de consumo de maconha da adolescência até a idade adulta.
Cerca de 800 americanos foram acompanhados entre os 14 e 37 anos de idade por meio de seis diferentes entrevistas ao longo desse período. Cinco diferentes perfis do uso de maconha foram identificados: 1) não usuários e experimentadores; 2) usuários ocasionais; 3) usuários em redução do consumo e ex-usuários; 4) usuários em incremento do consumo; 5) usuários crônicos.
Os resultados mostraram que os usuários crônicos apresentavam mais frequentemente uma personalidade do tipo “busca por novidade”, menor controle de emoções, comportamento mais impulsivo/agressivo e menos aspirações e expectativas educacionais. Essas características da personalidade de adolescentes foram capazes de predizer o padrão de consumo de maconha até 14 anos depois, podendo representar ferramentas valiosas para identificação precoce de adolescentes com maior risco de consumo crônico da droga.
No caso específico da personalidade tipo “busca por novidade”, esta já foi associada em estudos anteriores ao uso crônico e pesado de maconha. Já foi demonstrado também que indivíduos com esse tipo de personalidade apresentam uma menor concentração de um tipo de receptor da dopamina. A dopamina é o principal componente do nosso sistema cerebral de recompensa que é ativado toda vez que fazemos algo que dá prazer e sinaliza ao cérebro que vale a pena repetir a experiência, já que ela é prazerosa. Nesses indivíduos, toda vez que o sistema é ativado, mais dopamina seria liberada e a experiência com a novidade amplificada. Novos desafios “dariam mais barato” a essas pessoas, pois elas estão transbordando de dopamina.
Uma pesquisa recém-publicada pelo Journal of Epidemiology and Community Health aponta que mulheres grávidas que usam regularmente o telefone celular têm maior chance de ter filhos com problemas de comportamento, e esse risco passa a ser ainda maior quando as crianças começam a usar o aparelho de forma precoce.
Os mesmos pesquisadores que conduziram o presente estudo já haviam demonstrado esse efeito dos telefones celulares no ano de 2008 numa amostra de 13 mil crianças dinamarquesas. Desta vez, eles analisaram 28 mil crianças e suas mães, diferentes daquelas do estudo anterior, com ajustes na metodologia da pesquisa, incluindo outras variáveis que refletem o nível de atenção que as mães dispensam aos filhos nas fases precoces do desenvolvimento. As mães foram entrevistadas durante a gravidez e novamente quando os filhos completavam 7 anos de idade.
Os resultados mostraram que 35% das crianças usavam um aparelho de celular aos 7 anos, menos de 1% destes por mais de uma hora por semana, e 17.9% foram expostas ao aparelho antes e depois do nascimento. As crianças mais expostas ao aparelho foram as de famílias com menor status ocupacional, cujas mães eram mais jovens e que fumaram durante a gravidez e que tiveram mais estresse pré-natal. Cerca de 7% das crianças foram classificadas como portadoras de transtornos do comportamento e a exposição combinada pré-natal / infância aumentou em 50% essa chance comparado a um aumento de 40% no caso de exposição pré-natal restrita e 20% quando limitada à infância. Pouco tempo dedicado à amamentação foi associado a uma maior chance de alterações do comportamento, mas mesmo excluindo-se esse fator, o efeito do celular ainda permaneceu estatisticamente significativo.
E como é que as ondas eletromagnéticas do celular poderiam afetar o desenvolvimento da mente? Uma das hipóteses é a de que o uso do celular pode levar a um aumento do hormônio melatonina nas mães, hormônio que por sua vez tem influência nos hormônios sexuais femininos e que podem interferir na formação do bebê.
Os resultados são concordantes com o estudo anterior, mas não permite concluir que exista uma relação de causa e efeito entre o uso do celular por grávidas e crianças e problemas de comportamento na infância. As pesquisas disponíveis até o momento ainda são muito limitadas para qualquer tipo de orientação do tipo “mulheres grávidas não devem falar ao celular”. Entretanto, enquanto não tivermos novas pesquisas sobre o tema, é bem razoável que as grávidas pelo menos evitem exagerar no uso da aparelhinho.
Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Archives of General Psychiatry sugere que os atuais critérios para o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) entre adultos devem ser modificados para a próxima edição (DSM V), com a incorporação de mais sintomas que reflitam dificuldades nas funções executivas.
Após entrevista de cerca de 350 adultos, os resultados apontaram que 45.7% dos adultos que apresentaram o diagnóstico de TDAH na infância persistiram com o transtorno na idade adulta, sendo que o déficit de atenção foi bem mais persistente do que a hiperatividade: 95% e 34.6% respectivamente. Apesar da maior persistência do déficit de atenção, esse é um sintoma frequentemente associado a outros transtornos psiquiátricos e teoricamente não deveria ser considerado um forte critério que discrimina o diagnóstico de TDAH desses outros problemas.
O resultado mais importante da presente pesquisa foi a demonstração de que sintomas que refletem problemas de funções executivas, como é o caso de planejamento e capacidade de resolução de problemas, são os mais específicos e que melhor auxiliam no diagnóstico do TDAH em adultos. Três dos atuais critérios (DSM IV) dizem respeito à dificuldade de funcionamento executivo (dificuldade em organizar as tarefas, comete erros por descuido, perde muito as coisas). Entretanto, a presente pesquisa mostrou que outros sintomas de disfunção executiva, ainda não incluídos nos atuais critérios, têm grande potencial de incrementar a nova classificação. Entre eles podemos destacar: dificuldade de planejamento e de definir prioridades.
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem sido bastante explorado entre as crianças e só recentemente passou também a ser melhor entendido nos adultos. Estima-se que cerca de 60% das crianças com diagnóstico de TDAH continuam a apresentar os sintomas (desatenção, inquietude, impulsividade) durante a adolescência e idade adulta. Entretanto, o diagnóstico de TDAH nos adultos ainda é um tema controverso, especialmente no que diz respeito aos seus critérios diagnósticos.
Pesquisas demonstram que 3.5% dos adultos inseridos no mercado de trabalho podem ser classificados como portadores de TDAH. Esses indivíduos apresentam mais absenteísmo e menos desempenho no trabalho quando comparados a indivíduos sem TDAH. Apesar de apenas uma minoria receber tratamento específico, uma grande proporção é tratada por outros transtornos mentais, considerados como comorbidades: problemas que são mais comuns entre os que têm diagnóstico de TDAH, como é o caso de ansiedade, depressão e abuso e dependência de substâncias psicoativas.
Já é consenso que as crianças não devem ser expostas a mais do que duas horas por dia às mídias eletrônicas, e isso inclui não só a TV, mas também videogames, DVDs e o uso do computador para atividades não escolares. Sabe-se que as crianças que passam desse limite têm mais chance de apresentar comportamento violento, início precoce da vida sexual, transtornos alimentares, obesidade, assim como maior risco de consumir álcool e cigarro.
A literatura científica reconhece que o nível de exposição das crianças às mídias eletrônicas também está associado a problemas de atenção, como é o caso do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que pode levar a um maior risco de comportamento agressivo e prejuízo do desempenho escolar. Essa associação já havia sido bem demonstrada no caso da TV e uma pesquisa recém-publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria – Pediatrics – demonstrou que o excesso do uso de videogame também pode contribuir para dificuldades de atenção entre as crianças.
Cerca de 1300 crianças americanas com idades entre seis e doze anos (média:9.6 anos) foram estudadas por um período de 13 meses. Tanto as crianças como seus pais eram interrrogados periodicamente quanto ao tempo que se dedicavam à TV e ao videogame. Os professores dessas crianças também eram interrogados quanto ao grau de dificuldade de atenção das crianças na sala de aula através de três perguntas (1- A criança tem dificuldade de se manter concentrada na tarefa?; 2- A criança tem dificuldade em prestar atenção? ; 3- A criança atrapalha o trabalho das outras?). Foi acompanhado também um grupo de 210 adolescentes e adultos jovens e estes eram interrogados quanto ao tempo de exposição à TV e ao videogame, além de suas queixas de atenção. Os resultados apontaram que altos níveis de exposição à TV assim como ao videogame aumenta a chance das crianças apresentarem problemas de atenção. Essa relação estava presente com a mesma magnitude tanto nas crianças quanto nos adolescentes e adultos jovens, e não houve diferença entre os sexos em ambos os grupos.
Uma das hipóteses para explicar esses resultados é o fato do conteúdo da TV e dos videogames serem tão excitantes que as crianças teriam mais dificuldade em se sentirem atraídas por outras atividades que não “excitam” tanto o cérebro, como os trabalhos de escola. Outra forma de entender esse efeito da mídia é a rapidez de mudança no foco de atenção nos videogames e programas de TV, que pode fazer que com o tempo o cérebro se desacostume a situações que exijam atenção mais sustentada. Teoricamente, existem boas razões para se acreditar que os games e programas de TV com conteúdos mais educativos e menos agitados e violentos devem provocar menos problemas de atenção.
CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira
veiculado na Rádio CBN no dia 23 de julho 2010
Nesta semana, o British Medical Journal publicou uma pesquisa revelando que pessoas obesas têm uma vida sexual de qualidade inferior, sugerindo que esses dois problemas andam juntos num círculo vicioso.
A pesquisa foi conduzida na França e envolveu mais de 12 mil homens e mulheres com idades entre 18 e 69 anos. Os resultados mostraram que as mulheres obesas tinham uma chance 30% menor de ter um parceiro sexual nos 12 meses anteriores à pesquisa e tinham menos convicção de que o sexo representa uma questão importante para suas vidas. Além disso, as mulheres obesas conheciam mais frequentemente seus parceiros pela internet e era mais comum que esses parceiros fossem obesos também. O resultado mais preocupante do estudo foi o fato das mulheres obesas, com idades entre 18 e 29 anos, usarem métodos anticoncepcionais com menor freqüência e ainda apresentarem um risco quatro vezes maior de gravidez indesejada.
Já no caso dos homens, os obesos tinham uma chance 2.6 vezes maior de apresentarem disfunção erétil e apresentavam um maior risco de infecções sexualmente transmissíveis e comportamento sexual de risco. Os homens se enxergavam como obesos de forma menos comum do que as mulheres, e de uma forma geral, os efeitos da obesidade sobre a saúde sexual foram mais significativos nas mulheres, o que pode ser explicado pelo fato delas enfrentarem um estigma maior associado à obesidade.
O estudo francês serve de estímulo para que se investigue o impacto da obesidade na vida sexual de outras culturas. Deve também servir de alerta aos médicos de que a saúde sexual dos obesos merece uma atenção redobrada. É difícil imaginar um médico que não concorde que a sexualidade seja uma dimensão da experiência humana de grande importância para a promoção da saúde. Entretanto, pouco se conversa sobre esse tema no dia-a-dia das consultas médicas, pois nem os médicos, nem os pacientes, sentem-se muito à vontade. Da mesma forma, muitos médicos deixam de orientar seus pacientes a controlar o peso, por temerem que os pacientes possam se sentir melindrados, especialmente as mulheres.
Estima-se que mais da metade das pessoas expostas ao fumo passivo apresentam algum tipo de repercussão biológica da exposição ao cigarro. Já é bem reconhecido que ele aumenta o risco de uma série de doenças como o câncer, doenças pulmonares, infarto do coração, demência e derrame cerebral. Os danos causados pela exposição à fumaça dos outros chega a afetar até mesmo a saúde mental, é o que aponta uma pesquisa publicada na última edição do periódico Archives of General Psychiatry.
Mais de 5000 escoceses saudáveis e não-fumantes, com uma média de idade de 50 anos, foram estudados por seis anos. Cerca de 2500 fumantes, com uma média de idade de 45 anos, também foram acompanhados nesse período. O nível de exposição à fumaça do cigarro foi demonstrado pela concentração de cotinina no sangue, subproduto da nicotina que é bem validado como marcador da exposição à fumaça do cigarro. Os não fumantes que apresentaram as maiores concentrações de cotinina (0.7 a 15 microgramas por litro) tiveram uma chance significativamente maior de serem classificados como portadores de estresse emocional, condição definida por uma escala bem validada que avaliava sintomas de ansiedade, depressão, percepção do grau de felicidade e qualidade do sono (Questionário Geral de Saúde).
Além disso, durante os seis anos de acompanhamento, 41 voluntários do estudo foram admitidos em hospitais psiquiátricos por diversas razões, tais como depressão, confusão mental, entre outras. Tantos os fumantes como os não fumantes com altas concentrações de cotinina apresentaram maior chance de buscarem um serviço psiquiátrico do que os não fumantes com baixos níveis de cotinina.
Os resultados são concordantes com estudos experimentais em que ratinhos expostos à nicotina no período da adolescência têm mais chance de desenvolver um comportamento apático e tornam-se mais vulneráveis a situações de estresse em fases mais avançadas da vida. Pesquisas em humanos também têm demonstrado uma associação entre tabagismo e a depressão.
Mas será mesmo a fumaça do cigarro leva a um aumento de problemas mentais ou seria o contrário? Poderíamos explicar essa associação pela maior chance de pessoas com problemas mentais de freqüentar ambientes com exposição ao cigarro. Essa foi a primeira vez que uma pesquisa demonstra uma associação entre o fumo passivo e prejuízos à saúde mental em um estudo prospectivo, o que reduz sobremaneira a chance dessa segunda hipótese ser a melhor explicação.
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A exposição a agrotóxicos organofosforados tem sido associada a uma série de efeitos adversos no desenvolvimento cerebral das crianças, como é o caso de problemas na capacidade cognitiva e no comportamento. As crianças realmente são mais vulneráveis aos efeitos desses pesticidas, primeiro por apresentarem um cérebro ainda em formação e também porque, por apresentarem menor peso, é maior a concentração relativa dessas substâncias no corpo quando comparado aos adultos. Além disso, as crianças têm um menor contingente de enzimas desintoxicantes.
Entre as crianças, a dieta é uma das principais fontes de contato com os agrotóxicos e as evidências dos seus riscos neurotóxicos têm origem em estudos que avaliaram populações com altos níveis de exposição aos pesticidas. Uma nova pesquisa publicada na última edição do jornal oficial da Academia Americana de Pediatria demonstrou que mesmo níveis habituais de agrotóxicos presentes no cotidiano da maioria das pessoas podem exercer mudanças no cérebro das crianças, aumentando a chance delas apresentarem o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Mais de 1100 crianças americanas com idades entre 8 e 15 anos foram estudadas. Os pais responderam a um questionário para diagnóstico de TDAH que revelou que cerca de 10% das crianças preenchiam os critérios diagnósticos necessários. As crianças foram submetidas a uma análise da concentração de traços de agrotóxicos na urina e os resultados apontaram que quanto maior essa concentração maior a chance das crianças serem classificadas como portadoras de TDAH. Aquelas que tinham a concentração desses elementos acima da média dos participantes tinham duas vezes mais chances de apresentar o diagnóstico quando comparadas às que não tinham sinais dos pesticidas na urina.
É importante ressaltar que as crianças incluídas no estudo representavam uma amostra aleatória e representativa da população americana, diferente dos estudos que o precederam, que avaliaram o efeito da superexposição aos agrotóxicos como, por exemplo, inalação de pesticidas por mulheres grávidas. A maior contribuição dessa pesquisa foi ter demonstrado que não só doses altas de organofosforados têm associação com a chance de uma criança apresentar TDAH, mas mesmo a exposição “inocente” a essas substâncias no cotidiano pode contribuir para o desenvolvimento do problema.
E quando se pensa na dieta das crianças, não são apenas os agrotóxicos que podem ter impacto no cérebro das crianças. Alguns estudos têm chamado a atenção de que alimentos com aditivos artificiais podem piorar os sintomas entre crianças com o diagnóstico de TDAH e também podem aumentar a chance de sintomas de hiperatividade, impulsividade e desatenção entre aquelas não portadoras de TDAH.
É isso aí. Essas são informações que devem provocar uma reflexão sobre o tipo de alimentação que estamos oferecendo às nossas crianças.
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A defesa por uma vida de abstinência sexual teve sua vez na antiguidade. Na tradição cristã, podemos citar Paulo: “É bom para um homem que ele não toque em uma mulher”. No período helenístico, defendia-se o celibato como uma oportunidade para se dedicar à filosofia e alcançar a virtude e o bem estar. É comum em várias culturas a idéia de que o prazer da atividade sexual está associado à perda do vigor e do bem estar. No norte da Índia, qualquer perda de sêmen é considerada como debilitante, podendo levar a problemas de pele, ansiedade e perda da concentração, dores articulares, palpitações, dor no peito e até mau hálito. A conta para reabilitação é a reposição de 40 kg de comida para cada colher de sêmen “perdida”.
A ciência antiga também defendeu a idéia de que a restrição de sexo seria capaz de manter o vigor. No final do século XIX, Eugen Steinach ficou muito famoso com sua técnica cirúrgica que impedia a ejaculação por meio do fechamento dos canais que levam o esperma até a uretra. A idéia era impedir a perda de sêmen mesmo com a atividade sexual regular, e assim evitar a perda dos hormônios masculinos como a promessa de rejuvenescimento por meio desse tipo de “celibato filosófico”. Uma boa clientela na época reconhecia o procedimento como uma promissora fonte da juventude, mas com a evolução da ciência e da medicina baseada em evidências, pôde-se ver que tal conduta cirúrgica não oferecia mais do que um poderoso e invasivo efeito placebo.
Nas últimas décadas, estudos científicos rigorosos não só desmontaram de uma vez por todas o mito de que a atividade sexual pode ser deletéria à saúde, desde que devidamente protegida contra doenças sexualmente transmissíveis, mas também têm revelado que o sexo traz inúmeros benefícios à saúde. Alguns desses estudos acompanharam indivíduos de meia idade e idosos por até 20 anos, e têm sido quase unânimes em mostrar que quanto maior a atividade sexual, menor a mortalidade, inclusive por doença isquêmica do coração. É bem reconhecido que uma relação sexual, devido ao esforço físico, pode até precipitar hemorragias cerebrais e morte súbita de causa cardíaca em indivíduos predispostos. Entretanto, à luz do conhecimento atual, pode-se dizer que o efeito protetor da atividade sexual é muito maior que os raros eventos precipitados pelo esforço físico. É claro que um indivíduo que tem dor no peito simplesmente por subir dois lances de escada deve discutir com seu cardiologista seu risco em fazer sexo ou qualquer outra atividade física.
Outros efeitos do sexo sobre nossa saúde têm sido investigados, alguns já com boas evidências científicas, outros nem tanto.
– Aumento da concentração de anticorpos do tipo IgA na saliva. Esse mesmo efeito tem sido demonstrado em atletas e está associado a menor risco de infecções do trato respiratório superior. As pesquisas sobre essa questão ainda são muito tímidas e não nos permite sair dizendo por aí que sexo previne gripes e resfriados.
– Um estudo realizado na Escócia através de entrevistas com mais de 3500 indivíduos na Europa e nos EUA revelou que aqueles que faziam sexo pelo menos quatro vezes por semana eram aqueles que aparentavam ser mais jovens de acordo com análise de um painel de juízes. O estudo não foi publicado em um periódico científico, mas no livro best-seller Superyoung, propondo que o sexo rejuvenesce. Defende-se a tese de que a atividade sexual, por aumentar os níveis de alguns hormônios como o estradiol, pode deixar a pele e os cabelos mais viçosos. Além disso, uma outra pesquisa recente demonstra que mulheres com níveis altos de estradiol percebem-se fisicamente mais atraentes, e tanto na mulher como em várias outras espécies, esse componente hormonal faz com que a mulher seja mais receptiva ao parceiro para a cópula e tenha também maior sucesso na fertilização do óvulo.
– Sexo é atividade física e pode ajudar a controlar o peso, mas isso depende da freqüência da atividade sexual. Calcula-se que o gasto energético da atividade sexual seja muito próximo ao ato de caminhar, e não há sentido em pensar que o sexo deva substituir a atividade física “não sexual”. É bom lembrar que aquilo que alguns podem chamar de atletas sexuais, pode ser na verdade um transtorno psiquiátrico, um tipo de compulsão, chamado de Apetite Sexual Excessivo, ou Ninfomania no caso das mulheres e Satiríase ou Don Juanismo no caso dos homens. Claro que não existe um número mágico que defina que acima desse tal número encontra-se a anormalidade. Pode ser realmente chamado de transtorno quando o comportamento passa a trazer repercussões negativas na vida social, familiar e ocupacional do indivíduo. A recente pesquisa “A vida sexual do brasileiro” revela que a freqüência média de relações sexuais do brasileiro é de 3 vezes por semana, enquanto outras pesquisas mostram que em alguns países essa freqüência é maior e em outros menor.
– A excitação sexual e o orgasmo estimulam a liberação cerebral de uma série de hormônios e neurotransmissores associados à sensação de satisfação e que também têm efeitos analgésicos. Essas modificações não são associadas simplesmente ao orgasmo, já que são muito maiores com a relação sexual propriamente dita do que com a masturbação. Estudos já demonstraram menos queixas de dor entre pessoas com atividade sexual regular.
– Atividade sexual regular está associada a menos insônia. Esse efeito não parece estar restrito à sensação de sono após uma relação sexual, e nesse caso, a química cerebral no pós-orgasmo parece ser a grande responsável. Pesquisadores da UNICAMP demonstraram recentemente que mulheres que apresentam insônia têm um menor índice de satisfação sexual. O estudo sugere que a insônia e a baixa satisfação sexual não andam sozinhas, mas têm relação também com a depressão e uso de antidepressivos.
– Uma vida sexual ativa está associada a menos ansiedade, menos agressividade e menos depressão. Um estudo no início desta década chegou a demonstrar que mulheres que não usavam preservativos na relação tinham menos índices de depressão do que aquelas que usavam. Uma das hipóteses é a de que a absorção pela vagina de estrogênios e prostaglandinas contidas no sêmen poderia reduzir o risco de depressão. Esse é um estudo isolado, não confirmado por estudos subseqüentes, e com falhas metodológicas significativas, como a diferença na freqüência da atividade sexual entre os grupos. E mesmo que os resultados sejam confirmados no futuro, nada mudará quanto ao recado mais importante relacionado ao assunto: sexo só com camisinha.
– Mulheres que fazem sexo pelo uma vez por semana têm ciclos menstruais mais regulares do que aquelas que fazem sexo de forma esporádica ou as abstêmias. A atividade sexual também fortalece a musculatura da pelve podendo ajudar a reduzir o risco de incontinência urinária com o envelhecimento.
– Um assunto ainda muito polêmico é a relação entre o risco de câncer de próstata e a freqüência de atividade sexual. A produção de sêmen envolve uma alta concentração de substâncias pela próstata e pelas vesículas seminais, que pode incluir substâncias carcinogênicas, e a retenção de sêmen por longos períodos poderia aumentar a exposição da próstata a essas substâncias. Por outro lado, a alta freqüência de relações sexuais / masturbação está associada a um aumento da atividade de hormônios sexuais masculinos, que por sua vez é considerado um perfil de maior risco para a doença. Além disso, freqüente atividade sexual, especialmente com múltiplos parceiros, aumenta o risco de câncer de próstata, devido ao aumento no risco de doenças sexualmente transmissíveis. Como se pode ver, a relação entre a freqüência de ejaculação e câncer de próstata é uma faca de dois gumes, tendo de um lado a freqüência excessiva de ejaculação podendo estimular o desenvolvimento da doença em indivíduos geneticamente predispostos, e do outro lado a ausência de ejaculação por períodos prolongados podendo aumentar o contato de substâncias carcinogênicas com a próstata. Essa é uma das formas de explicar o porquê dos resultados dos estudos realizados até o momento serem tão contraditórios. Por enquanto, pode-se dizer que nem a abstinência sexual nem o exagero são recomendados, e como já vimos anteriormente, não é só pelo bem da próstata.
A ciência moderna tem-nos mostrado cada vez mais que vida saudável não significa vida sem graça e sem prazer. Pessoas que freqüentam atividades como shows de música, teatro e cinema percebem-se mais saudáveis e vivem mais. Não é o caso de se fazer campanhas em prol de um estilo de vida “sexo, drogas e rock’n roll”, mas já existem razões de sobra para incorporarmos o prazer como importante medida de promoção à saúde.
Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Archives of Internal Medicine demonstra que indivíduos que consomem muito chocolate por dia apresentam mais sintomas depressivos. Esses sintomas poderiam levar a um maior consumo de chocolate, mas será que faz sentido pensar o inverso? Muito chocolate poderia ser a causa dos sintomas depressivos?
Existe uma forte cultura popular de que o chocolate tem o poder de melhorar nosso humor, e são vários mecanismos propostos para explicar essa relação. Entretanto, são poucas as pesquisas científicas que examinaram o efeito do chocolate sobre o humor das pessoas. A presente pesquisa avaliou quase mil homens e mulheres saudáveis que não faziam uso de medicações antidepressivas, e com média de idade de 57 anos. Uma escala de sintomas depressivos e um questionário sobre hábitos alimentares, incluindo o consumo de chocolate, foram aplicados. Os participantes que apresentavam um score de sintomas depressivos indicando o diagnóstico de depressão consumiam uma média de 8.4 porções de chocolate por mês, comparado a 5.4 porções entre aqueles que não tinham sintomas sugestivos de depressão. Aqueles que apresentavam altos scores, sugerindo o diagnóstico de depressão maior, estes consumiam em média 11.8 porções de chocolate por mês. Esses resultados não foram diferentes entre homens e mulheres. Os pesquisadores definiram uma porção como uma pequena barra de chocolate, cerca de 30 gramas.
Infelizmente, a metodologia do estudo não permite dizer se o consumo do chocolate é causa ou conseqüência da depressão. Alguns estudos têm demonstrado, em modelos animais, efeitos positivos do chocolate sobre o humor. Por outro lado, não é possível excluir a possibilidade de que o chocolate pode colaborar para um humor depressivo. Uma das possíveis explicações é a de que alguns produtos com chocolate contêm gordura trans que concorrem com as gorduras ômega-3, estas últimas que tão importantes são para o funcionamento do cérebro, e que têm reconhecido poder de prevenir a depressão.
Novos estudos deverão avançar no conhecimento dessa relação entre o chocolate e o humor. Entretanto, a maior parte do conhecimento que dispomos até o momento apóia a idéia de que o chocolate pode realmente estimular nosso humor. São vários os componentes do chocolate que podem explicar esse efeito, entre eles a cafeína, a teobromina, a anandamida e o seu alto teor calórico. Como tudo na vida, o excesso deve ser evitado, e no caso do chocolate, a maior preocupação deve ser o controle do peso. É bom lembrar que o chocolate amargo, além de poder elevar nosso humor, também é um grande aliado dos nossos vasos sanguíneos.
Artigo publicado hoje no Blog Saúde para Todos – Correio Braziliense
É no mínimo intrigante quando nos deparamos com resultados de pesquisas no Brasil e no exterior mostrando que até 90% das mulheres sofrem de algum grau de tensão pré-menstrual, problema que hoje é mais corretamente chamado de síndrome pré-menstrual (SPM), pelo fato dos sintomas não se limitarem à tensão nervosa, ansiedade e irritabilidade. Outros sintomas comuns incluem alterações no padrão de sono e do apetite, humor deprimido, dor de cabeça, inchaço no corpo e dor na mama.
Não é difícil reconhecer o impacto da SPM na vida das mulheres se fizermos uma conta curiosa. A menstruação costuma começar entre os 12 e 13 anos de idade e termina por volta dos 50 anos. Mesmo descontando dois anos sem menstruação em mulheres que têm dois filhos ao longo da vida, contando com o período de amamentação, a mulher experimentará cerca de 450 ciclos menstruais na sua fase fértil. Se considerarmos que os sintomas da SPM duram uma média de 6 a 7 dias por ciclo, fechamos nossa conta com quase 3.000 dias de sintomas durante a vida: oito anos! Resumindo: as mulheres com SPM passam mais de 10% suas vidas com sintomas pré-menstruais.
E sendo a SPM uma condição tão freqüente, admite-se que ela possa representar uma vantagem evolutiva que herdamos dos nossos ancestrais e que talvez já não nos sirva muito mais. Nossos ancestrais fêmeas aumentavam suas chances de gerar descendentes devido a um comportamento mais “amigável” na fase fértil e mais “arisco” na fase infértil, como é o caso do período pré-menstrual. Entre os primatas, que apresentam comportamento sexual promíscuo, essa estratégia permite que o macho escolha a fêmea com mais sinais de fertilidade para copular.
Comparadas a mulheres de sociedades coletoras / caçadoras, as mulheres de hoje têm a primeira menstruação quase 4 anos mais cedo, têm menos filhos sendo que o primeiro em idade mais avançada e com períodos de aleitamento mais curtos, têm a menopausa também mais tardiamente. Tudo isso leva a mulher moderna a apresentar três vezes mais ciclos menstruais do que a mulher em ambiente mais primitivo, e, a princípio, pode sofrer até três vezes mais com os sintomas da SPM ao longo da vida.
O mais comum é que os sintomas da SPM sejam leves ou moderados, mas em cerca de 5-8% dos casos os sintomas adquirem sua forma e apresentação mais severa, também chamado de transtorno disfórico pré-menstrual. Nesses casos a mulher apresenta sintomas com significativo impacto no seu trabalho / escola, atividades sociais ou relacionamentos afetivos.
O cérebro está cheio de receptores aos hormônios sexuais em regiões que regulam o comportamento e as emoções, como é o caso da amígdala e o hipotálamo. Entende-se atualmente que mulheres com SPM têm uma maior sensibilidade cerebral às flutuações hormonais que ocorrem durante o ciclo menstrual podendo influenciar a liberação de neurotransmissores envolvidos na regulação do humor, comportamento e funções cognitivas, especialmente a serotonina. Sabemos que os sistemas de serotonina são capazes de modular os efeitos comportamentais dos hormônios sexuais (ex: agressividade), fato bem apoiado pelo efeito positivo de medicações que elevam os níveis de serotonina em mulheres com SPM. Além disso, sistemas hormonais que controlam a concentração de água e eletrólitos no corpo também podem ser influenciados pela flutuação hormonal, o que poderia explicar os sintomas de inchaço. Entretanto, esse ainda é um tema bem controverso.
Há muito que se fazer para reduzir o impacto da SPM no dia-a-dia. Estratégias medicamentosas é que não faltam, passando por suplementação de cálcio, magnésio, vitamina B6, intervenções hormonais, e antidepressivos que aumentam as concentrações de serotonina (tanto de forma contínua ou só na segunda metade do ciclo). Além disso, medidas comportamentais são bem vindas, tais como atividade física e técnicas de relaxamento. Quanto à dieta, é freqüente a recomendação de restrição de calorias e fracionamento da dieta, mas não há evidências científicas suficientes para “prescrevermos” uma dieta específica. Além disso, estudos com dietas com alto teor de carboidratos complexos sugerem benefícios às mulheres com SPM, talvez por aumento nas concentrações cerebrais de serotonina. É a história do chocolate como melhor amigo da mulher na fase pré-menstrual…
O sistema Cochrane de revisões científicas em saúde acaba de publicar uma análise de dez pesquisas que envolveram mais de 16 mil indivíduos e que avaliaram o impacto sobre a saúde de um esquema de trabalho com flexibilidade de horário. A análise concluiu que essa flexibilidade influencia positivamente inúmeros indicadores de saúde, como é o caso do sono, equilíbrio psíquico e dos níveis de pressão arterial.
Flexibilidade de horário não é trabalhar menos. É otimizar o horário de trabalho, conciliando-o com a vida pessoal. Em países escandinavos, a oportunidade de trabalhar em horários que melhor se adaptam à vida familiar já é habitual, especialmente entre as pessoas que têm filhos. Em 2009, a Inglaterra passou a garantir um horário de trabalho flexível para aqueles que têm filhos menores de 16 anos. No Brasil, esse benefício já começa a ser oferecido em algumas empresas públicas e privadas, mas é geralmente restrito para aqueles que têm um status profissional elevado. Espera-se que um dia o benefício se estenda até a base da pirâmide social.
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Expectativas positivas ou negativas em relação ao futuro, que também podem ser chamadas de otimismo e pessimismo, podem ter forte relação com nossa saúde, e um estudo recém-publicado pela revista Stroke, periódico oficial da Associação Americana do Coração, revela que pessoas com baixos graus de pessimismo têm menor risco de desenvolver derrame cerebral.
Quase 25 mil finlandeses sem história de doença cardiovascular, e com idades entre 20 e 54 anos, foram avaliados por uma escala de avaliação de otimismo / pessimismo já bem validada. Os voluntários com os menores níveis de pessimismo tiveram um risco 48% menor de apresentar um derrame cerebral ao longo de um acompanhamento de sete anos quando foram comparados aos mais pessimistas.
Os resultados são consistentes com pesquisas anteriores que já haviam demonstrado que o pessimismo está associado a um maior risco de infarto do coração ou morte. As pesquisas também sugerem que o pessimismo e o otimismo não devem ser considerados como diferentes faces da mesma moeda, mas possivelmente faces de diferentes moedas. Pacientes com diagnóstico de câncer e altos graus de pessimismo sobrevivem menos tempo que aqueles com baixos graus, independente de sintomas depressivos. Em contraste, aqueles muito otimistas não vivem mais tempo que os pouco otimistas.
Uma expectativa negativa do futuro pode influenciar a saúde através de mudanças nos hábitos de vida, mas também por fatores biológicos, como alterações na atividade do sistema nervoso autônomo. Ainda resta saber também se intervenções que modulem a mente para ter menos pensamentos pessimistas podem ter impacto positivo na promoção da saúde.
























