A revista Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, publicou esta semana os resultados de uma pesquisa que mostra que alguns programas de TV podem deixar o cérebro das crianças menos eficientes.

 

O estudo envolveu 60 crianças de quatro anos de idade que foram divididas em três grupos. O primeiro grupo assistiu a um vídeo de nove minutos do popular Bob Esponja, cartoon com ritmo acelerado em que a mudança completa da cena acontecia em média a cada onze segundos (exemplo: cena na piscina passando para cena no quarto). O segundo grupo assistiu ao cartoon Caillou, com a mesma duração, mas que tem um ritmo mais lento, com mudanças de cena em média a cada 34 segundos. Um terceiro grupo passou os mesmos nove minutos numa atividade de desenho livre com giz de cera e canetinhas.

 

Imediatamente após o término das atividades, as crianças foram submetidas a uma testagem de habilidades cognitivas que envolviam funções executivas como a atenção, controle da impulsividade e capacidade de resolução de problemas. Os resultados apontaram que as crianças que assistiram ao vídeo acelerado tiveram um PIOR desempenho nos testes do que os demais grupos. Aquelas que assistiram ao vídeo mais pausado tiveram uma performance semelhante àquelas que ficaram desenhando.

 

Uma hipótese para explicar essa maior dificuldade executiva após uma experiência de rápida sucessão de eventos é que o cérebro disponibiliza muitos recursos para sua decodificação e fica relativamente desfalcado por um período.  O estudo deixa várias perguntas no ar. Esses efeitos persistem por quanto tempo? Será que são mesmo transitórios? Estudos anteriores já haviam demonstrado a associação de exposição à mídia e dificuldades de funções executivas, sugerindo que as disfunções podem não ser tão transitórias assim. Será que crianças mais velhas são influenciadas da mesma maneira por esses cartoons acelerados? O estúdio de animação Nickelodeon que transmite o Bob Esponja defende que o cartoon é destinado a crianças de6 a11 anos.

 

Alguns podem até interrogar se isso tem alguma relevância prática para a cultura atual de multitarefas sincrônicas e rápidas. O fato é que multitarefas não combinam muito com reflexão, capacidade que sempre fará toda a diferença. 

 

** Desde o ano de 1999, a Academia Americana de Pediatria recomenda que as crianças menores de dois anos não devem assistir TV de forma alguma. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Washington chegou até a demonstrar que bebês que assistem a vídeos educativos como o Baby Einstein têm piores scores em testes cognitivos. Outros estudos têm demonstrado que a TV pode ter impacto negativo nos bebês a depender do conteúdo assistido. Conteúdos violentos antes dos 3 anos de idade dobram a chance das crianças apresentarem problemas de atenção na infância.

 

Já no caso das crianças maiores de dois anos, o consenso é que elas não devem ser expostas a mais do que duas horas por dia às mídias eletrônicas, e isso inclui não só a TV, mas também videogames, DVDs e o uso do computador para atividades não escolares. Sabe-se que as crianças que passam desse limite têm mais chance de apresentar comportamento violento, início precoce da vida sexual, transtornos alimentares, obesidade, assim como maior risco de consumir álcool e cigarro.

 

Vale lembrar que os pais podem ajudar as crianças a entenderem as mensagens transmitidas no vídeo e a interpretá-las criticamente, o que inclui também o material publicitário. Cabe também aos pais a identificação de conteúdos que sejam inadequados para a idade da criança.

 

 

 

** Nesta mesma semana, o Departamento de Saúde Britânico divulgou uma pesquisa em que foi feito um ranking dos 20 cartoons mais populares de acordo com o nível de atividade física dos personagens. Essa pesquisa faz parte de um programa de incentivo à atividade física na infância do governo inglês.

 

Garfield ficou em penúltimo lugar e Charlie & Lola em último. Bob Esponja ficou em nono lugar. O campeão de atividades foi o Scooby Doo. Só não dá pra dizer que Scooby é o cartoon-saúde, porque apesar de correr e fugir o tempo todo, o cachorro come montanhas de comida daquelas que não têm nada de saudável. Aliás, vamos deixar o Scooby em paz…

 

 

 

 

 

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