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Nos últimos cinco anos, a comunidade internacional tem se preparado para uma nova pandemia do vírus influenza. No ano de 2006, o periódico científico The Lancet publicou um estudo que predizia o nível de impacto da próxima pandemia de influenza, baseado em dados da gripe espanhola do início do século 20 que provocou a morte de 20 a 100 milhões de pessoas.
Os números calculados foram os seguintes: uma próxima pandemia causaria cerca 62 milhões de mortes, sendo que 96% delas ocorreria em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento [Murray et al, 2006]. Os países ricos sofreriam menos, e a Organização Mundial da Saúde atualmente reconhece a França e a Inglaterra como os países mais preparados. A medicina moderna com suas UTIs, vacinas, medicações antivirais e antibióticos podem reduzir sobremaneira o impacto de uma pandemia, mas o que dizer dos países pobres que ainda não conseguem controlar doenças infecciosas já bem conhecidas como a malária?
No caso da gripe suína, a melhor atitude até o momento, pelo menos nos países onde já existem casos confirmados da doença, ou no caso de viajantes que retornam de países afetados, é o isolamento domiciliar de pessoas com sinais típicos de gripe, além de outras medidas de isolamento social. A chance de se reduzir o risco de uma pandemia está também nas mãos de cada cidadão.
Estudos já haviam demonstrado que o hábito de jogar videogames de ação é capaz de aumentar o desempenho em testes de atenção. Agora, uma pesquisa recém-publicada pela revista Nature Neuroscience demonstra que os videogames de ação também podem incrementar a capacidade visual, especialmente na sensibilidade de percepção de contrastes.
A percepção de contrastes é a base para a correta identificação de objetos e para a atração da atenção, sendo fundamental, por exemplo, quando dirigimos à noite. O efeito positivo do videogame de ação sobre essa capacida de viisual se dá provavelmente através da estimulação de circuitos neurais e não por “melhorias” do olho em si. Além disso, o ganho na percepção de contrastes pode durar por meses, ou mesmo anos após a época em que o indivíduo foi estimulado, o que abre a possibilidade do videogame ser uma forma de contrabalancear a perda dessa função que comumente ocorre com o envelhecimento.
Os resultados dessa pesquisa dão mais suporte à nova tendência em se treinar atletas de elite com videogames de ação, e isso já tem sido aplicado aos tenistas profissionais. Quanto às crianças é importante colocar limites, pois o comportamento de uso patológico do videogame está associado a menor desempenho escolar entre outros problemas. Uso patológico do videogame não é só o fato da criança jogar muitas horas por dia, mas é quando chega a interferir no seu funcionamento psicológico, comprometendo suas relações sociais, na família ou sua atuação na escola. Uma ampla pesquisa publicada recentemente pelo periódico Psychological Science revelou que 8,5% dos americanos com idades entre 8 e 18 anos podem ser considerados como jogadores de videogame em nível patológico, com uma média de 24 horas semanais de jogo.
A história é quase sempre a mesma: não é a tecnologia em si que nos traz problemas, mas sim aquilo que decidimos fazer com ela.
Um dos maiores gargalos para o sucesso de um programa de transplante de órgãos é o consentimento da doação de órgãos pela família. Há uma série de famílias que declara ser a favor da doação de órgãos, mas na hora de tomar a decisão muda de idéia. É de extrema importância a identificação de fatores que possam ser explorados para aumentar o número de famílias que irão decidir pela doação e uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal examinou os 20 principais estudos que investigaram essa questão.
Identificou-se que os fatores mais importantes para o sucesso da doação de órgãos foram: 1) fornecer aos familiares adequada informação sobre o processo de doação e seus benefícios; 2) alta qualidade nos cuidados ao potencial doador; 3) garantir que os familiares tenham um claro entendimento sobre o conceito de morte cerebral; 4) antecipar o processo de solicitação de doação ao momento da notificação da morte cerebral do potencial doador; 5) realizar o processo de solicitação de doação em ambiente privativo; 6) envolver profissionais treinados no processo de solicitação de doação. Existem evidências também de que é preciso dar tempo para a família refletir. É recomendável que, mesmo após uma primeira posição negativa da família, seja feita uma nova abordagem, já que muitas famílias mudam de opinião.
O número de pessoas aguardando na fila do transplante aumenta cada dia mais, mas não se vê o mesmo crescimento no número de doadores. Uma grande porcentagem das pessoas que precisam de transplante literalmente morre na fila e esse grave problema de saúde pública deve ser tratado da forma mais profissional possível. O processo de solicitação de doação junto às famílias requer tempo e treinamento, e o plantonista da UTI na maioria das vezes não é o profissional mais indicado para assumir esse papel. O presente estudo sugere que a melhoria do processo de comunicação com a família seja o fator que consiga mais rapidamente incrementar o número de doações num programa de transplante. Em nosso meio, ainda contamos com dificuldades como a falta de aparelhagem e profissionais preparados para o diagnóstico de morte cerebral, situação que tem sido oportunamente exposta pelo Dr. Drauzio Varella em recente campanha na TV.
Indivíduos que têm doença isquêmica do coração devem evitar o estresse a todo custo, já que podem ter seus níveis da pressão arterial aumentados, entre outras alterações fisiológicas, o que pode gerar complicações graves, como é o caso da morte súbita. Uma série de estudos já foi realizada testando o poder da música sobre a saúde de quem sofre de doenças do coração e uma análise recém-publicada pelo respeitado sistema Cochrane de revisões concluiu que a música pode ser um grande aliado das coronárias.
Os pesquisadores revisaram os resultados de 23 estudos incluindo ao todo 1461 pacientes. Apenas dois desses estudos foram conduzidos por musicoterapeutas, enquanto nos demais estudos, os pacientes recebiam CDs pré-gravados e distribuídos pelos profissionais de saúde. Os resultados da análise revelaram que a música é capaz de reduzir a ansiedade, pressão arterial, freqüência cardíaca e respiratória e até mesmo a percepção de dor. Ainda é necessário definir se o efeito da música oferecida por um musicoterapeuta é maior do que o de CDs pré-gravados.
E por quais caminhos a música é capaz de trazer esses benefícios aos que sofrem do coração? As melhores evidências que temos até o momento apontam que a música prazerosa é capaz de ativar centros cerebrais que irão modular o sistema nervoso autônomo, promovendo com isso uma redução da atividade de nossas descargas de adrenalina e hormônios do estresse. Entre os pacientes cardíacos que são submetidos a procedimentos invasivos, como é o caso do cateterismo, a música é capaz de modular os circuitos da dor e reduzir a ansiedade associada ao procedimento. Mais uma vez, o efeito final é uma menor ativação das respostas de estresse. Entretanto, quando a música não é prazerosa, o efeito pode ser exatamente oposto.
Quando vemos um atleta ingerindo soluções especiais ou alimentos durante uma prova de longa duração, o que vem à nossa cabeça é que ele está se hidratando e repondo calorias e sais minerais. Em provas muito longas em que há redução das fontes de glicose dos músculos (glicogênio), é reconhecido que os atletas que repõem carboidratos durante a atividade têm melhor desempenho. Entretanto, em provas mais curtas, como grande parte dos esportes coletivos, ainda é discutível se a reposição de carboidratos é capaz de trazer algum tipo de benefício, e há estudos que confirmaram esse benefício, enquanto outros não. Faz sentido duvidar desse efeito, já que numa prova de uma hora de duração, sabe-se que a contribuição das fontes de glicose dos músculos é mais importante do que o nível sanguíneo da glicose. Além disso, a quantidade de carboidrato que o organismo consegue absorver nesse período não é muito relevante, não passando de uns 20g.
Talvez o possível efeito positivo da administração de carboidratos não seja diretamente nos músculos, mas sim no cérebro. Essa possibilidade tomou mais corpo após alguns recentes estudos que demonstraram que a injeção de glicose na veia não foi capaz de melhorar o desempenho do atleta, enquanto o mero contato na boca de solução de carboidratos sem sabor doce (Maltodextrina) foi capaz de melhorar o desempenho. Isso levantou a hipótese de que os carboidratos se ligam a receptores na boca (ainda desconhecidos), independentemente de ter sabor adocicado, que ativariam o sistema nervoso central e que por sua vez melhoraria o desempenho do atleta.
Um novo estudo recém-publicado no The Journal of Physiology foi mais além. Pesquisadores da Universidade de Birmingham administraram três tipos de bebidas a ciclistas bem treinados: solução à base de glicose 6,4%, outra à base de Maltodextrina e outra só de água. Foi adicionado adoçante artificial às três soluções para que ficassem com sabor parecido, e solicitado aos atletas que apenas colocassem a solução na boca por 10 segundos e depois a cuspissem fora. Usaram a solução por oito vezes durante repetidos treinos de ciclismo de uma hora e apresentaram melhor desempenho quando usaram as soluções que continham carboidratos, e pior desempenho com a solução de água.
Os pesquisadores ainda avaliaram a resposta cerebral ao contato na boca de cada tipo de solução através de ressonância magnética funcional. E o resultado foi que ambas as soluções de carboidrato ativaram regiões cerebrais do sistema de recompensa cerebral, que também é ativado quando comemos de verdade algo prazeroso, ou quando experimentamos diversas outras formas de prazer. Os resultados sugerem que os carboidratros ajudam no desempenho dos atletas ao fazerem com que o cérebro dê um empurrãozinho como, por exemplo, ao perceber menos sinais de cansaço. O estudo ainda sugere que existem receptores na boca capazes de enviar sinais ao cérebro quando entram em contato com carboidratos. Ainda não se conhece que receptores são esses.
Nosso cérebro pode processar informações em frações de segundo quando se trata de coisas simples como o ato de perceber sinais de dor física numa pessoa à nossa frente. Entretanto, a capacidade de análise moral de situações com contextos psicológicos e sociais está associada a processos cerebrais que necessitam de mais tempo para reflexão, uma atenção emocional mais persistente, é o que revela um estudo em publicação no Proceedings of the National Academy of Sciences, liderado pelo renomado neurocientista Antonio Damasio da Universidade da Califórnia do Sul.
Os pesquisadores submeteram voluntários a assistir histórias reais contadas por pessoas reais que geram sentimentos de admiração pela virtude humana ou de compaixão à dor física ou social. Exames de neuroimagem demonstraram que o cérebro respondia instantaneamente à percepção de dor física do outro, mas demorava cerca de 6 a 8 segundos para responder às histórias que evocavam admiração ou compaixão pela dor emocional. Essas respostas além de demorarem mais para serem ativadas, também tinham uma duração maior. Outro resultado importante foi que as áreas cerebrais ativadas ao se perceber a dor do outro foram as mesmas que nos fazem ter consciência do nosso próprio corpo – uma expressão biológica daquilo que conhecemos como” não faça aos outros aquilo que não gostaria que fizessem com você”.
Os resultados do grupo de Damasio levantam sérias questões relacionadas ao nível de impacto que a alta velocidade do mundo contemporâneo terá na construção de nossa sociedade. Qual será o impacto dos videogames violentos, em que a rapidez não permite a geração de sentimentos pelo infortúnio das personagens? O quanto de emoção nosso cérebro vivencia numa sociedade que tem cada vez mais se comunicado através de mensagens de texto curtas? A admiração é uma das principais ferramentas que nos ajuda a separar o bom do ruim, e junto à compaixão, representam dois importantes pilares de nosso sistema moral. Nosso cérebro não reclama em correr para entender mensagens Twitter ou reconhecer que o outro está com uma perna quebrada, mas demora para entender que o outro está com o coração partido.
No começo da década de 50, evidências da associação entre o tabagismo e câncer de pulmão já começavam a aparecer, causando redução significativa nas vendas de cigarro nos EUA. Em 1953, as lideranças das principais indústrias de cigarro se encontraram secretamente na cidade de Nova Iorque e decidiram disparar um informe publicitário em 48 diferentes jornais para contornar as más notícias: “ O interesse na saúde das pessoas é uma responsabilidade básica, assim como qualquer outra dimensão de nosso negócio”. Prometiam ainda: “Temos cooperado e sempre estaremos cooperando para a salvaguarda da saúde pública”. Nas décadas de 60 e 70 continuaram com um mantra que não tinha muito apego à verdade: “Ainda não há provas de que o cigarro cause câncer”.
A obesidade é uma pandemia que está lado a lado com o tabagismo como um dos maiores problemas de saúde pública em todo o mundo. O cerco à indústria alimentícia tem ficado mais apertado e hoje podemos observar restrições à propaganda e aumento dos impostos de alimentos considerados não saudáveis, assim como escolas que têm proibido a venda de refrigerantes, biscoitos e salgadinhos industrializados. Em resposta, atitudes defensivas por parte da indústria de alimentos têm sido observadas. Recentemente a Austrália exigiu que a Coca-Cola publicasse nos jornais uma correção do conteúdo de campanha publicitária que dizia que muito do que se fala da bebida é mito. A peça publicitária incluía uma atriz famosa dizendo que o consumo de coca-cola é seguro para crianças, que não contém cafeína e que é mentira que causa cáries ou que engorda. A Coca-Cola acatou a exigência, mas jogou o problema para os consumidores: ”Coca-cola contém calorias sim, tem conteúdo ácido sim, mas é de responsabilidade do consumidor regular o seu consumo”. Ainda nesse ano, moradores da Califórnia nos EUA moveram uma ação contra a mesma Coca-Cola após anúncios de sua água “vitaminada” (vitaminwater) prometendo que ela seria capaz de melhorar a força física por contribuir com a integridade estrutural do sistema músculo-esquelético.
Se a indústria de alimentos quiser manter a confiança dos consumidores, muitas ações poderiam estar sendo implantadas, a começar pela eliminação de campanhas publicitárias enganosas. Deveria também evitar publicidade dirigida às crianças de alimentos sem vantagens nutricionais e informar nos rótulos dos alimentos o conteúdo nutricional de forma mais clara possível. Milhões de mortes poderiam ter sido evitadas se a indústria tabagista tivesse sido honesta já na década de 50 e espera-se que a tragédia sirva de aprendizado para que a sociedade civil e os órgãos regulatórios do governo sejam mais ágeis em cobrar transparência e integridade da indústria alimentícia.
Parar de fumar é o maior investimento em saúde que um fumante pode fazer, atitude que pode lhe render cerca de dez anos a mais de vida. O fato é que grande parte deles quer largar o vício, mas poucos conseguem. Apoio psicológico e medicamentoso são as principais ferramentas que podem aumentar a chance de um indivíduo parar de fumar.
Alguns estudos chegaram a demonstrar que a combinação dessas ferramentas pode ser mais eficaz do que cada uma delas separadamente. Um estudo conduzido nos EUA e recém-publicado pela revista Annals of Internal Medicine confirma que realmente quando o negócio é parar de fumar, vale a pena apostar todas as fichas. Mais de 700 fumantes foram incluídos na pesquisa e aqueles que, além de medicamentos de distribuição gratuita, receberam também material educacional e suporte psicológico por telefone foram os que tiveram mais sucesso em parar de fumar. Após 2 anos de acompanhamento, a taxa de sucesso em largar o cigarro foi de 23% para aqueles que usaram apenas medicações comparado a 28% entre aqueles que receberam apoio psicológico intensivo.
Essas taxas de sucesso são bem superiores às taxas anuais de 5-7% habitualmente descritas. Uma possível explicação para esses resultados superiores é a distribuição gratuita dos medicamentos. Esses resultados devem servir de forte inspiração para programas governamentais anti-tabagistas.
Uma pesquisa recém-publicada pela revista Neuroscience revela que o tempo que se gasta com educação física na escola influencia de maneira positiva o desempenho acadêmico dos alunos. Crianças de 9 anos de idade foram submetidos a uma série de testes cognitivos especialmente elaborados para se testar a capacidade de atenção após 20 minutos de repouso. Em um outro dia, as crianças passaram pelos mesmos testes após uma sessão de 20 minutos de caminhada na esteira. O desempenho cognitivo dos alunos foi significativamente melhor quando testados após o exercício físico, acompanhado também por melhores medidas neurofisiológicas que refletem a capacidade de atenção (potencial evocado P3).
Os pesquisadores ainda foram além. Realizaram testes do conteúdo aprendido em sala de aula, com foco em matemática, escrita e interpretação de texto. Mais uma vez, os acertos foram maiores após a atividade física, especialmente no teste de interpretação de texto. Na verdade, os resultados poderiam ter sido ainda melhores se a atividade física realizada fosse mais interessante para as crianças do que caminhar na esteira. Um dos autores do estudo, Darla Castelli da Universidade de Illinois, recomenda que estudantes do ensino fundamental realizem pelo menos 150 minutos de atividade física durante a semana e 225 minutos no caso de estudantes do ensino médio. A pesquisadora recomenda ainda que os professores criem formas de integrar atividade física e conteúdo programático até mesmo dentro da sala de aula.
A crescente preocupação com a competitividade que as crianças enfrentarão no futuro já faz com que algumas escolas estimulem a competitividade desde cedo. Mudanças curriculares têm sido propostas, com redução e até extinção de atividades de educação física e educação artística. A ciência tem ajudado a fazer com que esses tipos de atitude sejam repensadas. Já foi comprovado que o tempo dispendido com educação física na escola traz mais sucesso acadêmico do que se esse tempo fosse investido na sala de aula. Isso sem falar nas dimensões humanísticas, de equilíbrio psíquico e de prevenção de doenças que a educação física é capaz de oferecer.
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Onze de abril é o dia internacional da Doença de Parkinson, doença que afeta preferencialmente os idosos, acometendo por ano cerca de 20 indivíduos a cada 100 mil. É uma das mais comuns doenças neurológicas e o número de pessoas acometidas pela doença deve aumentar ainda mais com o atual processo de envelhecimento da população.
Nos últimos anos, a ciência tem entendido como nunca que a Doença de Parkinson vai muito além dos conhecidos sintomas motores classicamente associados à doença, como o tremor, rigidez e lentidão dos movimentos e instabilidade postural. Quando um indivíduo chega a apresentar esses sintomas motores, o cérebro na verdade já apresenta um estado avançado de alterações neuropatológicas. Alguns sintomas têm sido identificados vários anos antes dessa fase motora: redução do olfato, constipação e sintomas gástricos, urgência urinária, disfunção sexual, transtornos do sono, depressão e outros transtornos neuropsiquiátricos.
Já podemos contar com medicações que são capazes de melhorar os sintomas e a qualidade de vida de portadores de doenças degenerativas do cérebro, como é o caso da Doença de Parkinson. Entretanto, essas doenças são progressivas e infelizmente ainda não existem terapias capazes de mudar o curso natural do processo degenerativo. Muito tem se investido para o desenvolvimento de diagnósticos cada vez mais precoces para que quando dispusermos de terapias que efetivamente consigam frear a evolução da doença, possamos atuar antes que muitos neurônios já tenham sido perdidos. Enquanto isso não acontece, diagnóstico precoce significa tratamento precoce e melhor qualidade de vida para quem sofre da doença.
Calcula-se que já na próxima década, um quarto das mortes e casos de incapacidade nos países industrializados será causado por doenças neurológicas. Iniciativas de educação à comunidade leiga de como reconhecer essas doenças e de quando vale a pena procurar o médico são muito importantes. E sensibilizar a sociedade no dia internacional de uma doença é uma grande oportunidade para ajudar a reduzir seu custo social.
O cigarro é uma das principais causas de morte prematura no mundo e o fato é que grande parte dos tabagistas gostaria de parar de fumar, tenta parar de fumar, mas a cada ano apenas 2-3% dos fumantes tem êxito em se livrar do tabagismo. Uma das razões para esse baixo sucesso na interrupção do tabagismo é que boa parte dos fumantes ainda não se sente preparada para largar o cigarro de um dia para o outro. Alguns estudos têm revelado que o tratamento com reposição de nicotina pode aumentar a chance de sucesso em parar de fumar ao facilitar a redução do consumo para só depois o indivíduo parar de uma vez.
Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal confirma que a terapia de reposição de nicotina é realmente eficaz nessa estratégia de reduzir o consumo para depois parar. A análise das principais pesquisas realizadas sobre o tema, envolvendo quase 3 mil indivíduos, evidenciou que, após 6-18 meses de terapia, o sucesso em parar de fumar é duas vezes maior quando comparado ao placebo. Além disso, a terapia não desencadeou efeitos adversos sérios. Só foram incluídos nessa análise os estudos em que os voluntários declaravam não ter intenção de parar de fumar a curto prazo.
É fortemente recomendado que, ao decidir parar de fumar, o fumante escolha uma data para largar o vício e que também se beneficie de apoio psicoterápico e das terapias medicamentosas atualmente disponíveis, incluindo a terapia de reposição de nicotina. Entretanto, mesmo os fumantes que não têm a intenção de marcar essa data, mas que gostariam de parar com o cigarro, estes também podem se beneficiar do uso da terapia de reposição de nicotina.
Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal revela que o hábito de consumir chá em altas temperaturas aumenta o risco de câncer de esôfago, doença mais comum entre os homens e cujos principais fatores de risco são o etilismo e o tabagismo.
A província do Golestão no Irâ tem uma das maiores incidências de câncer de esôfago do mundo, apesar do baixo consumo de álcool e cigarro. Além disso, o risco das mulheres é comparável ao dos homens. Isso levantou a hipótese de que o alto consumo de chá por esta população e o risco de injúria térmica associado seja um forte candidato para explicar essas peculiaridades. E foi exatamente isso o que a atual pesquisa confirmou.
Os pesquisadores investigaram o padrão de consumo de chá em pacientes com diagnóstico de câncer de esôfago e num grupo de indivíduos sem a doença nessa província do Irâ. Comparado ao consumo de chá morno (≤ 65oC), o risco de câncer de esôfago foi duas vezes maior entre aqueles que consumiam chá quente (65-69 oC) e oito vezes mais comum entre aqueles que consumiam chá muito quente (>70 oC). Da mesma forma, o consumo de chá 2 minutos depois de servido esteve associado a um risco 5 vezes maior de câncer de esôfago do que se este fosse consumido 4 minutos depois de servido. A média de consumo de chá entre os participantes do estudo foi de mais de 1 litro por dia, mas não houve relação entre a quantidade de chá consumido e o risco de câncer.
Esses resultados não devem gerar alarme para aqueles que apreciam as bebidas quentes como o chá e o café. Entretanto, deve-se ter em mente que o consumo dessas bebidas em temperaturas moderadas, além de realçar o sabor, pode reduzir o risco de câncer de esôfago.















