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Uma personalidade neurótica, assim como um comportamento extrovertido, são dois fatores que têm sido associados ao risco de desenvolver depressão, e ambos são fortemente determinados por fatores genéticos. Indivíduos neuróticos costumam experimentar emoções negativas e instabilidade emocional, enquanto aqueles com um comportamento extrovertido são mais sociais e tem a tendência de vivenciar emoções positivas. Já se sabe também que essas duas dimensões da personalidade guardam estreita relação com a atividade do neurotransmissor serotonina.
Uma pesquisa acaba de ser publicada no periódico Archives of General Psychiatry mostrando que o uso de medicações antidepressivas pode promover mudanças na personalidade de indivíduos com depressão, independente do efeito de melhora dos sintomas depressivos. Os pesquisadores avaliaram os efeitos da paroxetina em 120 indivíduos, antidepressivo que aumenta a disponibilização de serotonina no cérebro. Outros 120 foram estudados como grupo controle, sendo submetidos a psicoterapia ou fazendo uso de placebo.
Todos os participantes do estudo apresentaram melhora dos sintomas depressivos, incluindo aqueles que só foram submetidos a psicoterapia ou placebo. Os que fizeram uso da paroxetina tornaram-se mais extrovertidos e menos neuróticos do que aqueles que não fizeram uso da droga. A psicoterapia também promoveu mudanças nos índices de neuroticismo, mas de forma menos robusta que a medicação. Além disso, quanto maior a mudança no nível de neuroticismo entre aqueles que tomaram a medicação, menor foi a chance de recaída da depressão. Essa vantagem não foi observada no grupo da psicoterapia.
Esses resultados não querem dizer que medicação é melhor que a psicoterapia para tratar depressão, já que esta última ajuda na melhora dos sintomas depressivos de forma extraordinária, com efeitos comparáveis aos dos antidepressivos. O que o estudo acrescenta é que os antidepressivos da classe da paroxetina podem levar a mudanças de personalidade, para melhor, independente da melhora dos sintomas depressivos. É possível que esses efeitos positivos ocorram também em outras condições associadas ao neuroticismo e baixos graus de extroversão, como é o caso dos transtornos de ansiedade e da alimentação.
Crianças com comportamento agressivo já nos primeiros anos de vida apresentam mais risco de problemas comportamentais no futuro, como delinquência juvenil, violência quando adultos e criminalidade. São vários os fatores que podem colaborar para o desenvolvimento da agressividade nas crianças, incluindo o nível de disciplina exigido pelos pais, ambiente e segurança da vizinhança e também a exposição à mídia. Uma pesquisa publicada recentemente pelo periódico Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine confirma essa influência da mídia ao demonstrar que crianças com 3 anos de idade mais expostas à TV têm maior chance de desenvolver comportamento agressivo. E não foi só a exposição direta das crianças à TV. O tempo que a TV fica ligada nos lares também foi um fator associado à agressividade das crianças, independente de assistirem ou não.
A pesquisa entrevistou mais de três mil mulheres americanas quanto ao nível de exposição à TV de seus filhos, já na época do nascimento, no primeiro e no terceiro ano de vida. Uma escala de avaliação de agressividade também foi aplicada aos três anos de idade. Cerca de dois terços das mães relataram que seus filhos de três anos assistiam à TV mais de duas horas por dia, e muitas admitiram que máquina tinha um certo papel de babá em casa. A média de tempo em que a TV ficava ligada nos lares estudados foi de 5.2 horas diárias.
E por que a exposição à TV aumentaria a chance de comportamento agressivo nessa faixa etária? Uma das explicações é que mais tempo de TV cria mais chance das crianças assistirem a conteúdos inapropriados para a idade. Além disso, o tempo em frente à TV, não só das crianças como também dos adultos, concorre com o tempo de outras atividades, como o tempo de interação entre pais e filhos, leitura de histórias, brincadeiras e sono.
No presente estudo, a média de exposição das crianças à TV foi de 3 horas diárias, acima da atual recomendação de que elas não devem ficar mais do que duas horas em frente ao vídeo (TV, computador), e no caso dos menores de dois anos, esses não deveriam ser expostos ao vídeo de forma alguma. Esse estudo é inovador ao revelar que o excesso de TV em casa pode repercutir negativamente na vida da criança mesmo que não seja ela que esteja na frente da telinha.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Journal of Proteome Research demonstra que o chocolate amargo reduz os níveis dos hormônios do estresse (ex: corticóide, adrenalina) em indivíduos que se sentem muito estressados. Os voluntários do estudo consumiram 40g diários de chocolate com teor de cacau de 74% por duas semanas.
E por que o chocolate tem esse poder de reduzir o estresse? O chocolate, especialmente o amargo, tem propriedades que fazem nosso cérebro apaixonar-se facilmente por ele. É um alimento com alto teor de carboidrato e gordura, com grande poder de estimular nossos centros cerebrais relacionados ao prazer e à sensação de nos sentirmos recompensados. Contém ainda farta concentração de substâncias chamadas de aminas biogênicas (ex: teobromina, feniletilamina, cafeína e tiramina), que também têm alto poder de estimular nossos centros de recompensa, assim como a liberação de neurotransmissores, como dopamina, serotonina e endorfina. O chocolate possui outras substâncias que podem estar associadas ao prazer: triptofano que é precursor do neurotransmissor serotonina e a anandamida que se liga aos mesmos receptores em que a maconha exerce seus efeitos no cérebro. O chocolate ainda faz com que a anandamida produzida pelo nosso próprio cérebro tenha efeito mais duradouro.
Mas os efeitos vão muito além do prazer e da redução do estresse. Sabemos hoje que o consumo de chocolate amargo promove uma série de outros efeitos benéficos ao nosso corpo pelo seu alto teor de flavonóides, as mesmas substâncias que fazem a boa fama dos chás, frutas e verduras. Entre os inúmeros bons efeitos já descritos temos: 1) aumento dos níveis de óxido nítrico, considerado um dos principais combustíveis para a saúde dos nossos vasos sanguíneos; 2) redução da agregação das plaquetas, ação que é igual à da aspirina; 3) aumento dos níveis do HDL – nosso colesterol bom – entre outras ações antioxidantes; 4) redução de marcadores de inflamação – lembrando que aterosclerose é igual a inflamação; 5) redução da resistência à insulina, facilitando sua ação nas células; 6) aumento do fluxo sanguíneo periférico (nos membros) e nas artérias do coração; 7) redução da pressão arterial; 8) aumento do fluxo sanguíneo cerebral e/ou atividade neuronal durante uma tarefa cognitiva. E os efeitos chegam até à pele, com aumento de sua microcirculação sanguínea e maior nível de fotoproteção.
Vale lembrar que não é fácil adaptar 50-100g de chocolate diários em nosso cardápio devido ao seu alto valor calórico. A boa notícia é que muitos estudos revelaram efeitos positivos do chocolate amargo mesmo em baixas doses, como um a dois quadradinhos por dia.
O “barato” do atleta é comum entre aqueles que fazem atividades prolongadas, como é o caso dos corredores de longa distância, e é descrito como uma sensação de euforia, bem estar, e alteração da percepção do tempo e espaço. Essas sensações não costumam ser descritas entre os atletas de atividades de curta duração como os velocistas e em esportes que exigem frequente mudança da demanda de força e ritmo da atividade, como é o caso do futebol, basquete, tênis, etc. Curiosamente, não há descrição na literatura desse “barato” entre nadadores, apesar da natação ser um esporte com ritmo regular e repetitivo como a corrida. Já existem evidências apontando que a corrida é especialmente associada a essa sensação de prazer, em parte por causa dos repetidos traumas na pele que promovem a liberação de substâncias que agem tanto no sistema nervoso central como no periférico.
Até a década de 60, acreditava-se que o “barato” do atleta era decorrente do aumento dos níveis de catecolaminas, substâncias da linha da adrenalina. Com a descoberta da endorfina, que é como se fosse um tipo de morfina produzida pelo próprio corpo, passou-se a acreditar que todo o “barato” do atleta podia ser explicado pelo aumento dos níveis de endorfina no sangue, criando-se então um mito popular sem comprovações científicas.
No ano de 2003, foi demonstrado que o exercício físico é capaz de ativar o sistema endocanabinóide e isso transformou radicalmente o entendimento do “barato” do atleta. Esse sistema é composto de receptores chamados de canabnóides, e estão distribuídos não só no cérebro e nervos periféricos, mas também no pulmão, na pele e nos músculos. No cérebro, seu efeito maior é o de inibição da atividade dos neurônios, e a anandamida é o neurotransmissor que se liga aos receptores canabnóides do cérebro mais estudado. São nesses receptores que age o princípio ativo da maconha (tetrahidrocanabinol), e os efeitos são bem semelhantes aos da anandamida.
Já é bem reconhecido que a ativação do sistema endocanabinóide estimula o sistema de recompensa cerebral, que é ativado toda vez que fazemos algo que dá prazer e sinaliza ao cérebro que vale a pena repetir a experiência quando esta é prazerosa. A relação entre esses dois sistemas sugere que os endocanabinóides são fortes candidatos para explicar o vício em exercício físico que algumas pessoas desenvolvem. Nesse contexto, vício significa que ficar alguns dias sem atividade física pode levar a sintomas como ansiedade e alterações de humor, e isso pode acontecer mesmo entre as pessoas que praticam atividade física sem exageros, sem compulsão. Nos casos de comportamento compulsivo, o vício na atividade física passa a ser algo negativo, pois começa a comprometer outras dimensões da vida, como por exemplo, o convívio com a família. Felizmente, na grande maioria das vezes, esse vício é um grande aliado da saúde física e mental.
** CLIQUE AQUI PARA OUVIR um bate-papo na rádio CBN (13 de novembro de 2009) em que discuto com Estevão Damásio e Weimar Pettengill os efeitos que a atividade física exerce sobre o cérebro. Será exagero dizer que dá barato e até vicia?
Leia também um outro texto sobre os efeitos da atividade física no cérebro: Quer turbinar o cérebro? Exercite o corpo.
O sedentarismo é reconhecido como um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, estimando-se que seja responsável por 20% dos casos de doença do coração e 10% dos casos de derrame cerebral. Alguns estudos têm sugerido que um estilo de vida sedentário pode estar associado ao tipo de trabalho que o indivíduo exerce no dia-a-dia, especialmente trabalhos considerados passivos, com pouca autonomia e baixa demanda de dimensões psíquicas e sociais.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Occupational and Environmental Medicine mostra pela primeira vez que a exposição ao longo dos anos a trabalhos com características passivas aumenta a chance de levar uma vida sedentária. A pesquisa acompanhou mais de seis mil ingleses com idades entre 35 e 55 anos em três diferentes momentos e por um período de cinco anos. Os participantes do estudo eram funcionários públicos que exerciam atividades de escritório e foram submetidos a uma escala que classifica o grau de passividade no trabalho.
A relação entre trabalho passivo e sedentarismo foi demonstrada entre os homens, mas não entre as mulheres e esse resultado é consistente com estudos prévios que apontam que a saúde dos homens é mais vulnerável do que a das mulheres a condições de trabalho insatisfatórias. Entretanto, existem também evidências que uma baixa realização no trabalho afeta também a saúde das mulheres. Os resultados da atual pesquisa confirmam que a saúde é mais uma de tantas razões para que se faça o trabalho ser estimulante e desafiador.
Um estudo que acaba de ser publicado pelo periódico Archives of General Psychiatry revela que as pessoas que seguem a dieta mediterânea têm menos risco de desenvolver depressão. Vale lembrar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.
A pesquisa avaliou os hábitos dietéticos de mais de 10 mil espanhóis e calculou a aderência à dieta mediterrânea baseada numa pontuação que incluía 9 itens da dieta. Após um acompanhamento de 4.4 anos em média, 480 novos casos de depressão foram identificados (156 homens e 324 mulheres). Os indivíduos que tinham uma boa aderência à dieta mediterrânea apresentaram um risco de depressão 30% menor quando comparado àqueles que apresentavam baixa aderência.
Existem evidências de que são menores os índices de depressão em países mediterrâneos do que em países do norte da Europa e a dieta é uma forte candidata para explicar essa diferença. Estudos prévios sugerem que a gordura insaturada proveniente do azeite, alimento abundantemente usado na dieta mediterrânea, pode ser um dos componentes da dieta com grande poder de prevenir a depressão. Entretanto, o atual corpo de conhecimento não nos permite dizer que existe um determinado alimento da dieta mediterrânea que seja superior a outro na prevenção da depressão. A combinação sinergística dos diversos componentes parece ser a maior responsável pelo poder da dieta mediterrânea em prevenir a depressão e tantas outras doenças graves como a doença de Alzheimer e as doenças cardiovasculares, além de ser uma das melhores dietas para o controle o do peso corporal.
A síndrome de esgotamento profissional, descrita na língua inglesa como síndrome de “Burnout”, é caracterizada pela exaustão emocional e perda de entusiasmo pelo trabalho além da redução da empatia com as pessoas com uma tendência de tratá-las como objetos, fenômeno chamado de despersonalização. Estudos demonstram que um em cada três médicos sofre da síndrome de esgotamento em algum período da sua vida profissional, e apesar de ser um transtorno tão prevalente e relevante, são poucas as pesquisas que estudaram intervenções que possam ajudar. Mais raras ainda são as evidências de intervenções organizacionais, pois a maioria dos estudos foi realizada com pequeno número de participantes.
Pesquisadores da Universidade de Rochester nos Estados Unidos demonstraram de forma inédita que um programa de 52 horas distribuídas no período de um ano com o objetivo de melhorar o bem-estar do médico foi capaz de reduzir o risco da síndrome de esgotamento profissional e de transtornos do humor, além de melhora do grau de empatia com os pacientes. O programa foi oferecido a 70 médicos e incluía a prática de meditação para estimular a capacidade de estar mentalmente presente e com atenção nas atividades do dia-dia, além de uma dinâmica em grupo de troca de experiências com outros médicos. A pesquisa acaba de ser publicada pelo Journal of the American Medical Association.
Já é bem reconhecido que a síndrome de esgotamento profissional no médico está associada a uma piora da qualidade do atendimento oferecido aos pacientes e abandono da carreira, mas também a inúmeras repercussões pessoais como maior risco de acidentes, abuso de substâncias psicoativas, idéias de suicídio, doenças físicas relacionadas ao estresse e dificuldade nas relações familiares. O presente estudo abre caminhos para intervenções preventivas para um sério problema de saúde e de grandes custos sociais que não é restrito ao médico, mas afeta diversas classes profissionais.
Um estudo recém-publicado pelo British Medical Journal revela que o uso de antidepressivos na gravidez aumenta o risco de defeitos no coração no bebê. O estudo analisou 400 mil crianças dinamarquesas nascidas entre 1996 e 2003 e a relação entre a prevalência de malformações congênitas e o uso pela mãe de inibidores seletivos de recaptação de serotonina durante a gravidez. Os antidepressivos citalopram e sertralina na gravidez aumentaram a chance de defeitos no septo cardíaco, parede que separa o lado direito do lado esquerdo do coração. Esse efeito não foi observado entre outros antidepressivos da mesma classe como a fluoxetina e a paroxetina.
O risco desse tipo de malformação entre as crianças que não foram expostas à medicação foi de 0.5% comparado à chance de 0.9% das que foram expostas à medicação e de 2.2% no caso de exposição a mais de um tipo de antidepressivo. Pode-se dizer que uma em cada 246 crianças apresentará defeitos no septo cardíaco quando a mãe faz uso de antidepressivo na gravidez. Esse risco é quatro vezes maior quando o uso foi de mais de um tipo de antidepressivo: uma em cada 62 crianças é acometida.
Cerca de um quinto das mulheres apresenta depressão durante a gravidez e a decisão de tratamento com medicações deve ser pautada pelos potencias riscos de malformações no feto. Até o ano de 2005, uma série de estudos indicava que o uso de antidepressivos inibidores seletivos de recaptação de serotonina durante a gravidez não trazia riscos ao bebê. Entretanto, novos estudos têm demonstrado um discreto aumento da prevalência de malformações congênitas, sendo que o atual estudo revelou que esse risco só é aumentado no caso de defeitos do septo cardíaco. O risco absoluto é considerado baixo, mas deve ser visto como um importante fator na decisão do tratamento antidepressivo das mulheres grávidas. Devem também ser consideradas as conseqüências à mãe e ao feto de uma depressão não tratada.
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neuropsiquiátrica que acomete 3-5% das crianças e que frequentemente persiste até a idade adulta, podendo ser considerado um dos mais comuns transtornos neuropsiquiátricos. Os principais sintomas são a dificuldade em manter a atenção, o comportamento hiperativo e de impulsividade.
Já existe um bom corpo de evidências indicando que circuitos cerebrais baseados no neurotransmissor dopamina não funcionam tão bem nos indivíduos com TDAH. Um importante estudo acaba de ser publicado pelo periódico Journal of the American Medical Association revelando que quem sofre desse problema apresenta menor atividade em duas das principais regiões relacionadas ao processo de recompensa cerebral, o mesoaccumbens e mesencéfalo, regiões fortemente vinculadas ao neurotransmissor dopamina. Essa menor atividade foi demonstrada pela redução de receptores da dopamina D2 e D3 e de proteína de transporte da dopamina através de tomografia por emissão de pósitrons.
A dopamina é o principal componente do nosso sistema cerebral de recompensa, sistema ativado toda vez que fazemos algo que dá prazer e sinaliza ao cérebro que vale a pena repetir a experiência, já que é prazerosa. A redução dessa atividade do sistema de recompensa está associada a alguns dos comportamentos característicos do TDAH como dificuldade em postergar uma gratificação e resposta preferencial a pequenas e imediatas recompensas do que a recompensas mais robustas e que demoram mais para chegar. Além disso, esses circuitos cerebrais estão associados à motivação do aprendizado, e não é à toa que quem sofre de TDAH tem mais dificuldade em manter a atenção em atividades repetitivas e desinteressantes.
Os achados desse estudo reforçam a importância do uso de intervenções motivacionais que consigam aumentar a atratividade das tarefas da escola e do trabalho, especialmente entre os portadores de TDAH. A demonstração de redução de atividade no sistema de recompensa cerebral nesses pacientes também sugere que esse é um importante mecanismo que explica a maior vulnerabilidade ao abuso de substâncias psicoativas e abre uma nova perspectiva para o tratamento da doença.
Um estudo recém-publicado pelo periódico American Journal of Epidemiology (vol 170, 2) revela que quanto maior o nível de estresse no trabalho maior a chance do indivíduo em ganhar peso. Mais de 1300 americanos foram acompanhados por nove anos, e nesse período, diferentes domínios do estresse no trabalho estiveram associados a um ganho ponderal entre aqueles que já se apresentavam acima do peso no início do estudo. Entre os homens, a falta de desafios no trabalho, falta de poder de decisão e dificuldade em pagar as contas foram os fatores relevantes para o ganho de peso. Entre as mulheres, dificuldades em equacionar o trabalho com a vida pessoal, além da dificuldade em pagar as contas, foram os fatores mais importantes.
Já é bem reconhecido que o estresse psicosocial está associado a um maior risco de hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e câncer, enquanto as evidências da relação com a obesidade são menos robustas. O atual estudo traz mais evidências de que o estresse pode dificultar o controle de peso, especialmente quando já se está acima do peso. Experimentos com primatas revelam que quando submetidos a subordinação social, os animais têm aumento dos níveis do hormônio cortisol, que por sua vez está associado à obesidade abdominal. Em contraste, outros experimentos também mostram que primatas em posição de liderança comem menos que os que estão em posição de subordinação.
O atual estudo vem se juntar a um corpo de evidências que indica que o estresse está associado a ganho de peso. Desta vez, o acompanhamento dos participantes foi mais prolongado e os resultados ainda sugerem que o estresse do trabalho que engorda os homens é diferente do que engorda as mulheres. Esse conhecimento é precioso para a estruturação de programas de promoção à saúde no trabalho.
Um estudo recém-publicado pelo periódico Journal of Pediatrics avaliou a segurança do uso da medicação estimulante metilfenidato, também conhecida por ritalina, entre mais de 100 adolescentes com diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). O estudo revelou que a medicação pode provocar um discreto aumento da frequência cardíaca e pressão arterial, especialmente nos primeiros seis meses do tratamento, sem alterações significativas ao eletrocardiograma.
Dentre os inúmeros efeitos colaterais que uma medicação pode causar, os efeitos sobre o coração estão entre os mais temidos. Esse estudo nos traz ainda mais segurança no uso do metilfenidato, já que não foram observados eventos cardíacos sérios, mesmo em doses altas. Entretanto, os resultados chamam a atenção para que a medicação seja usada com cuidado redobrado em pacientes hipertensos, ou naqueles com condições clínicas em que o aumento da pressão arterial ou da freqüência cardíaca sejam indesejáveis.
O metilfenidato é uma medicação frequentemente usada no tratamento do TDAH, mas tem sido utilizada também para outros transtornos neuropsiquiátricos, e até mesmo por pessoas sem problemas de saúde e que só querem “turbinar o cérebro”, ou seja, para aumentar o desempenho cognitivo. Ainda não se conhece bem ao certo os riscos e benefícios dessa medicação quando usadas por pessoas sem o diagnóstico de TDAH e o presente estudo serve de alerta para os aventureiros que ainda usam medicações sem indicação médica. Serve também para tranqüilizar aqueles que realmente precisam usar a medicação.
A enxaqueca está entre as doenças neurológicas mais comuns e que mais negativamente influenciam a qualidade de vida. É bem reconhecido que o tamanho do problema é muito maior que as dores de cabeça, já que a enxaqueca está associada a uma série de outras condições clínicas, também chamadas de comorbidades (ex: ansiedade, depressão, doença cerebrovascular).
A busca por um sono regular é uma recomendação a todo indivíduo com diagnóstico de enxaqueca, sendo que tanto a privação de sono como o excesso de horas de sono, ambos podem desencadear crises de enxaqueca. A relação entre sono e enxaqueca não pára por aí. Cerca de dois terços das crises de enxaqueca já começam ao despertar pela manhã. Entretanto, uma pergunta que ainda em aberto é se a enxaqueca está associada a uma pior qualidade de sono, e um novo estudo recém-publicado no periódico especializado inglês Cephalalgia ajuda a responder essa questão.
Pesquisadores austríacos avaliaram cerca de 500 pessoas com o diagnóstico de enxaqueca e sem a doença (grupo controle) aplicando escalas que avaliam qualidade de sono, nível de fadiga e sonolência diurna, e grau de ansiedade e depressão. Os resultados demonstraram uma pior qualidade de sono no grupo com diagnóstico de enxaqueca, pior ainda entre aqueles com maior freqüência de crises e independente do grau de ansiedade ou depressão. Com isso, aumenta a lista dos problemas que são mais comuns entre indivíduos com enxaqueca do que na população geral.
A enxaqueca é um transtorno neurológico geneticamente definido que chega a acometer até um quarto das mulheres em idade fértil e uma proporção três vezes menor de homens. Hoje sabemos que a enxaqueca vai muito além das famosas e terríveis dores de cabeça. Está associada a maior risco de uma série de outros problemas de saúde, entre eles ansiedade e depressão. Alguns estudos já identificaram um maior risco de suicídio entre jovens com enxaqueca, mas ainda não está bem definido se o risco é maior devido à maior freqüência de depressão nessa população. Uma pesquisa recém-publicada pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, revela que adolescentes com enxaqueca apresentam mais ideação suicida do que seus colegas sem enxaqueca, e parte desse risco foi independente da presença de depressão.
Mais de quatro mil estudantes de Taiwan com idades entre 13 e 15 anos preencheram um questionário em sala de aula e 8.5% deles referiram ter pensado em suicídio no mês anterior. Idéia de suicídio foi menos comum entre aqueles que viviam com ambos os pais biológicos, e mais comum entre as meninas, entre os que referiram outros sintomas de depressão e naqueles que se queixavam de dor de cabeça. Entre aqueles que tinham 7 a 14 crises de dor de cabeça por mês, 18% apresentavam ideação suicida e foi ainda maior (28,6%) quando a freqüência de dor era superior a 15 por mês.
Ao se avaliar o impacto das dores de cabeça nas atividades de vida diária através de uma escala, aqueles com baixa pontuação na escala tinham o mesmo nível de ideação suicida que o grupo como um todo. Entretanto, aqueles que apresentaram forte impacto das dores de cabeça nas atividades cotidianas (alta pontuação na escala), esses chegavam a apresentar uma freqüência de 44,4% de pensamentos suicidas. Além disso, o risco de ideação suicida foi maior entre aqueles com enxaqueca do que em outros tipos de dor de cabeça. No caso da enxaqueca com aura, que é quando além da dor de cabeça o indivíduo tem sintomas visuais (ex: estrelinhas) entre outros sintomas neurológicos, o risco de apresentar pensamentos suicidas chegou a ser 4.6 vezes maior do que entre os adolescentes sem história de dor de cabeça.
Futuros estudos deverão definir se o tratamento da enxaqueca é capaz de reduzir a freqüência de pensamentos suicidas entre adolescentes. Não se sabe também o quanto que idéias suicidas nessa população podem culminar em tentativas de suicídio. Os resultados dessa pesquisa precisam ser confirmados em populações de outras etnias, mas já nos alertam o quanto é importante a avaliação da dimensão psicológica de adolescentes com enxaqueca.
O filósofo alemão Arthur Schopenhauer dizia que sentir inveja é humano, gozar do infortúnio dos outros é diabólico. Pesquisas recentes têm-nos provocado novas reflexões sobre o quanto esses sentimentos devem ser vistos como patológicos ou não.
Situações competitivas podem gerar sentimentos positivos de identificação com outros membros do grupo capazes de gerar alianças, mas podem também estimular sentimentos como a inveja e até mesmo satisfação com o infortúnio dos outros. A inveja pode ser definida como o desejo de possuir aquilo que é do outro (ex: sucesso, bens materiais) e/ou o desejo que o outro não possua aquilo que é invejado. A língua alemã usa a palavra schadenfreude, sem equivalente em português, para descrever algo diferente da inveja, mas que costuma andar lado a lado com ela: um sentimento de alegria ou prazer pelo sofrimento ou infelicidade do outro.
Já foi demonstrado que algumas regiões cerebrais são fortemente envolvidas no processamento desses sentimentos. Um recente estudo conduzido por pesquisadores israelenses da Universidade de Haifa revelou que indivíduos que apresentam lesões cerebrais nas regiões frontal e parietal têm reduzida capacidade de perceber inveja ou prazer com o infortúnio alheio em testes psicológicos que simulam esses sentimentos. Aqueles com lesão cerebral do lado direito do cérebro tiveram mais dificuldade em perceber situações com contexto de inveja enquanto aqueles com lesões do lado esquerdo entendiam com mais dificuldade situações em que havia prazer com o infortúnio alheio. Teoricamente, na vida real, esses mesmos indivíduos teriam mais dificuldade em modular seus próprios sentimentos de injeja e prazer no infortúnio alheio. Lesões cerebrais nas mesmas regiões frontais já foram associadas a comportamento social inapropriado, menor desempenho executivo, menor capacidade de arrependimento, ciúme patológico, e até mesmo a sociopatia.
A revista Science publicou recentemente um estudo em que pesquisadores japoneses demosntraram que as mesmas áreas cerebrais ativadas no processo de dor física são ativadas também em testes psicológicos que envolvem a “dor” de assistir o sucesso do outro – a inveja. Demonstraram ainda que testes psicológicos que envolvem a percepção do infortúnio alheio ativa o mesmo circuito de recompensa cerebral que é ativado quando experimentamos situações prazerosas como comer uma barra de chocolate. Isso deve explicar o o sucesso dos programas tipo “video-cassetadas” e também o porquê dos meios de comuicação de massa venderem tão bem notícias de tropeços e escândalos de celebridades.
O comportamento animal é recheado de atributos competitivos como a disputa por território, parceiros sexuais e alimentos. A neurociência têm-nos mostrado que não somos tão diferentes assim e cada um de nós carrega diferentes graus desses instintos arcaicos. Desde que bem dosados, ciúme, interesse pela vida alheia, inveja e prazer com o infortúnio dos outros, não devem ser vistos como sentimentos que devem ser reprimidos a todo custo. Todos eles fazem parte de um grande repertório que colaborou sobremaneira para o sucesso da espécie, e ainda deve colaborar em certo grau.
É difícil pensar em alguém que não se sinta bem após uma sessão de gargalhadas. Mas será que além do bem estar que o riso provoca, ele realmente faz bem à saúde? O velho ditado de que rir é o melhor remédio tem algum fundamento? O riso é uma função exclusiva da espécie humana, tem sua razão de existir do ponto de vista evolutivo e existem até áreas cerebrais que quando estimuladas são capazes de produzir uma gargalhada.
As principais pesquisas dos efeitos do riso sobre a saúde concentram-se nos sistemas cardiovascular, imunológico e na percepção de dor. Os resultados até o momento são convidativos para passarmos os dias dando risada.
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Nos últimos 20 anos, várias medicações antidepressivas foram introduzidas no mercado, muitas delas com mecanismos de ação similares e composições químicas muito parecidas. Algumas dessas novas drogas são até chamadas de me-too, termo pejorativo para se referir a uma medicação quimicamente similar a outra que está para perder a patente. O fato é que ainda não está bem claro quais as reais diferenças entre os diferentes tipos de antidepressivos do ponto de vista de eficácia e efeitos colaterais.
Uma pesquisa recém-publicada pela revista científica The Lancet avaliou os resultados de 117 estudos de 12 diferentes tipos de antidepressivos de nova geração (incluindo 26 mil indivíduos), o que permitiu comparar a eficácia e tolerabilidade entre eles. Medicações incluídas na análise: bupropriona, citalopram, duloxetina, escitalopram, fluoxetina, fluvoxamina, milnacipran, mirtazapina, paroxetina, reboxetina, sertralina e venlafaxina.
Sertralina, escitalopram, mirtazapina e venlafaxina foram os antidepressivos que se mostraram mais eficazes. Dentre esses quatro, a sertralina e o escitalopram foram os mais bem aceitos pelos pacientes. Quando se analisou em conjunto o custo da medicação, sua eficácia e aceitabilidade, a sertralina ganha a disputa como a medicação de escolha para se iniciar o tratamento de um quadro de depressão moderada a grave.
O estudo deve encorajar os médicos a tentarem o uso da sertralina antes do escitalopram, já que esse último é cerca de sete vezes mais caro que a sertralina.
O hábito de colecionar coisas, mesmo que não tenham qualquer utilidade à primeira vista, é um hábito comum entre crianças e adultos, tanto em sociedades modernas como primitivas. Tal hábito também é descrito em outras espécies. O hábito de estocar comida é descrito em pelo menos 12 famílias de pássaros, 21 famílias de mamíferos e vários tipos de insetos. E o hábito de colecionar não é restrito à comida. Alguns tipos de pássaros costumam juntar objetos metálicos e coloridos e hamsters preferem juntar contas de vidro a juntar comida.
A estocagem de alimento faz todo sentido do ponto de vista de adaptação das espécies como forma de preparação para tempos de vacas magras. Entre os humanos, o comportamento de colecionador pode representar esse mesmo instinto arcaico, e é difícil pensar em alguém que nunca tenha colecionado nada durante a vida. As coleções podem ser justificadas pelo valor estético e emocional dos objetos, e até mesmo pelo valor material mesmo, como é o caso de obras de arte.
O fato é que em algumas situações o comportamento de colecionador não traz nenhuma dessas justificativas anteriores e pode representar um sintoma patológico. Nessa situação o indivíduo coleciona exageradamente, de forma indiscriminada, e tem muita dificuldade de se desfazer das “quinquilharias”. Nesses casos, é mais comum a coleção de objetos que podem ser facilmente obtidos, e após a aquisição eles são deixados de lado. O interesse pelos objetos volta a acontecer quando outra pessoa ameaça dar um fim na coleção. O ato de colecionar é um fim em si mesmo, comportamento semelhante ao dos roedores, que acumulam por acumular, independentemente se suas reservas estão em alta ou em baixa.
Várias doenças neuro-psiquiátricas podem estar associadas a um comportamento de colecionador patológico, como é o caso do transtorno obsessivo-compulsivo, autismo, esquizofrenia, síndrome de Tourette e diferentes tipos de demência. Estudos recentes têm demonstrado que lesões ou alterações no funcionamento de regiões frontais do cérebro, especialmente do lado direito, estão associadas ao comportamento de colecionador patológico. É como se essa região do cérebro funcionasse como freio para o instinto arcaico de acumular por acumular, que tem origem em outras regiões do cérebro como o sistema límbico, um dos maestros de nosso comportamento. Talvez as crianças ainda não tenham esse freio bem desenvolvido, pois se dependesse delas, elas teriam todos os modelos de brinquedos disponíveis no mercado. Consumismo pode não ser o melhor nome para isso.
Num extremo podemos imaginar o colecionador comum e “saudável” que tem toda a obra de seu escritor predileto, e já leu boa parte dos livros que comprou. No outro extremo está o indivíduo que começa a guardar em casa quilos e quilos de objetos sem utilidade que deveriam estar num ferro velho. Entre os dois extremos, estariam aquelas pessoas que lêem ou consultam apenas uma mísera parte dos livros que compra, mulheres que têm um quarto em casa só para guardar a coleção de centenas de sapatos, pessoas que já têm uma respeitável “coleção” de dinheiro suficiente para sustentar três gerações, mas continuam a trabalhar 18 horas por dia pelo prazer de ver sua coleção aumentando…
Podemos entender a atividade física e a sexualidade como um círculo virtuoso, onde há influências positivas nos dois sentidos. Indivíduos sexualmente ativos preocupam-se mais em estar com o corpo em forma, podendo assim aumentar a capacidade de atrair o(a) parceiro(a). A atividade física melhora o estado de saúde como um todo e ainda tem o poder de elevar a auto-estima, ambos trazendo benefícios à sexualidade. A atividade sexual regular, por sua vez, traz inúmeros benefícios à saúde, até mesmo por ser também uma atividade física.
Os dados mais precisos sobre o consumo de energia durante uma relação sexual são de estudos que avaliam o que se chama de equivalente metabólico (MET). Calcula-se que o MET relacionado à atividade sexual seja de 2 a 3, ou seja, metabolismo 2 a 3 vezes maior que no repouso. Durante o orgasmo o MET é maior: de 3 a 4. Uma caminhada tem o MET de 2 a 3, dependendo da velocidade. Uma corrida já apresenta um MET de 6 a 7. A atividade sexual é considerada como uma atividade física muito leve, por estar associado a um MET baixo. Uma caminhada leve ou atividade sexual “habitual” queima cerca de 200 calorias em 1 hora. Não devemos pensar que a atividade sexual é o suficiente do ponto de vista de atividade física, mas é melhor do que a combinação do sedentarismo e o celibato.
Do ponto de vista neuroquímico, a atividade física promove a liberação de uma série de substâncias no cérebro como a endorfina, dopamina e os endocanabinóides, que além dos efeitos imediatos de euforia e analgesia, são capazes de promover uma modulação do funcionamento cerebral de forma mais sustentada. Isso pode resultar em maior equilíbrio mental, menos sintomas de ansiedade e depressão, tudo isso colaborando para o equilíbrio da sexualidade de um indivíduo.
Nas academias de ginástica o cérebro pode ir mais além. O “clima de paquera” de uma academia pode até mesmo servir de “aquecimento” para a atividade física. Entre os mamíferos, o cortejo com o potencial parceiro sexual provoca uma série de mudanças comportamentais, que incluem maior atenção e disposição física. Entre os humanos, sabemos que o homem é bem mais responsivo aos estímulos visuais de beleza e juventude. Já as mulheres respondem mais a estímulos que envolvam sinais de poder e riqueza. Darwin explica.
E malhar em grupos de ambos os sexos também pode ter suas vantagens. Além dos estímulos visuais, até o cheiro de suor do sexo oposto pode influenciar o estado de disposição de quem está malhando, já que pode potencializar a percepção dos feromônios, com mudanças nos níveis hormonais de quem sente o cheiro. Na maioria dos mamíferos, os níveis hormonais são influenciados por sinais químicos externos, que são os chamados feromônios. Uma das pistas de que esse sistema também atua na espécie humana é a de que a convivência entre mulheres está associada a uma sincronia de seus ciclos menstruais, fato observado também em roedores. Ainda existe muito debate se esse é um sistema relevante para a espécie humana, e recentes estudos têm confirmado que nossos níveis hormonais podem ser influenciados pelos odores das pessoas ao nosso redor. O candidato a feromônio humano mais estudado até o momento é o hormônio androstadienona presente na saliva, sêmen e suor dos homens. A androstadienona é capaz de influenciar o humor, nível de alerta, e atividade cerebral tanto nas mulheres, como entre homens com orientação homossexual. Uma recente pesquisa revelou que mulheres que cheiravam a androstadienona pura tiveram seus níveis de hormônio corticóide elevados após 15 minutos e com duração de até 60 minutos. Pode-se até hipotetizar que esse aumento nos níveis de corticóide poderia dar mais energia para o exercício físico, mas isso ainda é só especulação.
Outra vantagem da atividade física em grupo é a de que a sensação de pertencer a um “time” promove um importante fenômeno que a ciência chama de “apoio social”, que faz bem à saúde independentemente da atividade física, ao reduzir, por exemplo, o risco de doenças cardiovasculares e depressão. O isolamento social não faz bem à saúde, e os efeitos negativos começam pela química cerebral mesmo. Esse apoio social tem sido repetidamente demonstrado como uma importante estratégia de incentivo à realização de atividade física, com melhora de indicadores de saúde. É a velha história de que é mais fácil alguém ter ânimo para caminhar pela manhã se for em boa companhia.
Muitas dessas questões podem explicar em parte o grande sucesso das academias de ginástica. Talvez explique também o fôlego de maratonista dos foliões no carnaval.
Na antiguidade, a vida em abstinência sexual foi vista como uma forma de evitar problemas de saúde. Apesar de ainda hoje podermos encontrar esse tipo de pensamento em algumas culturas, nas últimas décadas, estudos científicos rigorosos não só desmontaram de uma vez por todas o mito de que a atividade sexual pode ser deletéria à saúde, desde que devidamente protegida contra doenças sexualmente transmissíveis, mas também têm revelado que o sexo traz inúmeros benefícios à saúde:
– maior longevidade
– menor risco de doenças cardiovasculares
– maior auto-estima, menos sintomas de ansiedade e depressão e menos queixas de dor e insônia;
– etc, etc, etc.
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Cerca de 13% das mulheres apresenta depressão no primeiro ano após o parto, e em países desenvolvidos como a Inglaterra, a depressão pós-parto é considerada a principal causa de mortalidade materna. Além disso, a depressão pós-parto pode ter sérias conseqüências para a família como um todo, especialmente as crianças, já que a doença pode reduzir a interação mãe-bebê, diminuindo assim as chances de um adequado desenvolvimento cognitivo e psicossocial.
O problema é pouco diagnosticado e tratado, freqüentemente por causa de dificuldade em reconhecer os sintomas, falta de informação das opções terapêuticas e ainda pelo receio das mães em passar a serem estigmatizadas. Além disso, apesar do tratamento com medicações antidepressivas ser eficaz, muitas mulheres são relutantes em usá-lo, especialmente pelo fato de estarem amamentando. A última edição do British Medical Journal traz duas importantes evidências de que a prevenção e a intervenção psicológica podem ser ferramentas fundamentais para reduzir o impacto da depressão pós-parto.
Um dos estudos demonstrou que a intervenção psicológica semanal domiciliar reduziu o risco de depressão pós-parto em 40% entre mulheres inglesas. Nesse caso, as mulheres recebiam a visita semanal de agentes de saúde treinados para identificar a depressão pós-parto através de escala objetiva e também eram treinados a oferecer dois tipos de intervenção psicológica: sessões baseadas em psicoterapia cognitivo-comportamental ou centradas na pessoa. Ambas as abordagens foram igualmente eficazes na redução do desenvolvimento de depressão pós-parto e com resultados bem superiores ao do grupo controle que recebeu as visitas habituais de profissionais de saúde.
O outro estudo, realizado no Canadá, mostrou que suporte psicológico por telefone oferecido a mulheres com alto risco de depressão pós-parto reduziu pela metade o risco em desenvolver a doença. Esse suporte telefônico era oferecido por mulheres que sofreram de depressão pós-parto e que receberam treinamento para tal abordagem. As mulheres foram muito receptivas à intervenção e se mostraram satisfeitas com a experiência e mais de 80% delas recomendariam esse tipo de suporte a uma amiga.
O apoio psicológico individualizado, mesmo que por um leigo, é capaz de oferecer a sensação de pertencer a uma rede social podendo melhorar a auto-estima e o estado mental como um todo. Esse tipo de apoio por telefone assim como comunidades virtuais de ajuda mútua pela internet são estratégias de prevenção e apoio terapêutico que rompem barreiras geográficas e de dificuldades socioeconômicas e acessibilidade, e deverão ser cada vez mais fortalecidas como genuínas ações de promoção à saúde.
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