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Hoje conversei com uma moça que estava tomando uma fórmula que continha uma mistura de colágeno, barbatana de tubarão, etc. A prescrição havia sido feita por um médico e perguntei a ela qual era a indicação. Ela disse que era para equilibrar sua saúde. Foi-lhe prescrito também o famoso Gingko biloba, e dessa vez a proposta do médico foi um casamento com a erva para o resto da vida, para equilibrar seu cérebro.

Essa história mexe um pouco com minha cabeça, pois hoje mesmo foi publicado mais um estudo mostrando que não faz sentido usar Ginkgo biloba para melhorar ou prevenir dificuldades de memória ou outras funções do nosso cérebro (Neurology, 6 de maio de 2008). Nesse último estudo, a novidade foi que as pessoas que usaram Ginkgo biloba tiveram mais derrames cerebrais ao longo dos anos do que aqueles que não usaram a erva. O velho ditado “canja de galinha não faz mal a niguém” parece não se aplicar no caso de medicações, incluindo os fitoterápicos, pois apesar de naturais, são drogas também.

Atendo diariamente pessoas que tomam medicações sem saber o porquê, e muitas delas sem ter por que. Felizmente, hoje em dia a assimetria de informações entre médico e paciente é cada vez menor e a internet á maior reponsável por isso. Hoje é comum um paciente começar a consulta colocando em cima da mesa um bolinho de páginas impressas da internet sobre seu problema.       

E essa é a missão do Blog ConsCiência no dia-a-dia: reduzir a distância entre as ciências da saúde e o dia-a-dia das pessoas, com enfoque naquilo que diz respeito à mente e ao cérebro.

Discuta, pesquise, peça outras opiniões quando necessário. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Alguns estudos já haviam chamado a atenção para o fato de que alimentos com aditivos artificiais podem piorar os sintomas entre crianças com o diagnóstico de TDAH. Em 2004, um estudo populacional evidenciou que aditivos artificiais comumente encontrados em alimentos consumidos por crianças poderiam aumentar a chance de sintomas de hiperatividade entre crianças em idade pré-ecolar, não portadoras de TDAH. Recentemente, o mesmo grupo publicou uma extensão do estudo no periódico The Lancet, desta vez mostrando que o efeito existe não só entre pré-escolares com também em crianças entre 8 e 9 anos de idade. O resultado mais importante desse estudo é o de que os sintomas de hiperatividade, inatenção e impulsividade passavam a ser mais freqüentes com o uso de aditivos artificiais em crianças da população geral, e não somente em crianças com diagnóstico de TDAH.

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

A poluição do ar tem sido crescentemente implicada no aumento do risco de doenças vasculares através da exacerbação da aterosclerose e conseqüente aumento do risco de infarto do coração e derrame cerebral. Os estudos que demonstraram essa associação documentaram o grau de poluição com partículas poluentes relativamente grandes (diâmetro < 10 mM). Reconhece-se atualmente que são as partículas menores (diâmetro < 0.18 mM) que representam maior risco às nossas artérias, e de longe, são as mais abundantes em um ambiente urbano, pois têm emissão fundamentalmente ligada à queima de combustível.

 

Uma pesquisa publicada há cerca de um mês na revista Circulation Research comprova em ratinhos que a exposição a essas pequenas partículas poluentes tem o poder de promover placas de aterosclerose nas artérias de forma muito mais potente que as partículas maiores.

 

Futuros estudos epidemiológicos deverão levar em conta a dosagem dessas partículas menores para reavaliação do impacto da poluição sobre as doenças vasculares e não será surpresa se for ainda maior do que foi demonstrado até o momento. Precisamos estar cada vez mais cientes da evolução desse problema e cobrar das autoridades do governo ações que evitem um novo tipo de “apagão aéreo”. Mas não é só cobrar. Devemos também assumir nossa parcela de responsabilidade e começar a ter atitudes em prol de um ar mais limpo. Se o seu trabalho fica próximo ao do seu vizinho, que tal um dar carona para o outro ?

  

 

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O altruísmo é uma especial característica da espécie humana já que estende os benefícios de nossas boas ações a indivíduos que não fazem parte do núcleo familiar. Atualmente há uma forte linha de pesquisas que busca explicar as raízes de nossas ações altruísticas através da idéia de que elas podem gerar ganhos do ponto de vista de reputação, colocando o altruísmo como uma possível vantagem evolutiva, ou seja, indivíduos com comportamento altruísta teriam maior chance de sucesso em gerar descendentes. Essa discussão incomoda um pouco alguns dogmas religiosos que não aceitam a teoria da evolução e entendem que o homem foi criado já pronto e que a criação o fez bom e generoso. Entretanto, algumas diretrizes religiosas são até concordantes com o conceito de altruísmo gerando reputação, só que a recompensa viria após a morte.

 

O aumento da reputação poderia gerar vantagens ao altruísta de duas maneiras, e vários estudos experimentais têm confirmado essas posições. A primeira é a chamada reputação recíproca indireta, que é a tendência de membros até mesmo não beneficiados recompensarem o altruísta, de forma também altruística. A segunda maneira seria a sinalização por parte do altruísta de uma imagem favorável a relações sociais, alianças e parcerias (sexuais ou não). Nesse caso, ambas as partes se beneficiam no processo, pois os observadores lucram em ter sinalizações de qualidade na potencial relação. 

 

Esse efeito reputação é ainda mais reforçado por resultados de pesquisas que evidenciam que ações altruísticas são maiores quando há platéia. Além dos potencias ganhos sociais, há um outro nível de recompensa, já que nosso sistema cerebral de recompensa e prazer é ativado quando nos doamos para outras pessoas. Tudo isso não é simples ceticismo. O corpo atual de evidências nos faz pensar que nosso cérebro evoluiu para se sentir bem fazendo bem aos outros e que isso permitiu que aumentássemos nosso potencial de relações e procriação.

 

O comportamento humano frente a situações injustas reforça ainda mais o papel da reputação como base do altruísmo. Experimentos nos mostram que indivíduos que assistem a uma situação de injustiça, que não os afeta pessoalmente, ganham em reputação quando assumem um comportamento de punição à injustiça. Esse comportamento também ativa os centros cerebrais de recompensa. Talvez isso tenha alguma coisa a ver com a fábrica de CPIs no congresso com seus “justiceiros” recebendo uma audiência significativa. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alguns estudos já haviam demonstrado que trabalhar em turno invertido representa um fator estressante do ponto de vista social e aumenta o risco de tabagismo, obesidade e diabetes. Uma pesquisa conduzida na Alemanha e em processo de publicação na revista Atherosclerosis revelou que indivíduos com história pregressa de trabalho em turno invertido apresentam maior risco de infarto do coração e de aterosclerose, demonstrada através da medida de espessura da camada interna das artérias carótidas. Esse risco aumentado foi independente de outros fatores de risco vascular como o tabagismo ou diabetes, e foi maior entre os indivíduos com mais anos de trabalho noturno. A pesquisa chama a atenção para a necessidade de programas especiais de prevenção de doenças vasculares para os trabalhadores corujões.  

  

 
 

 

 

 

 

 

 

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O British Medical Journal publicou recentemente um estudo bastante polêmico com cerca de 1500 mulheres em menopausa da Nova Zelândia com metade delas tendo sido submetida a suplementação de cálcio. O objetivo primário do estudo era o de avaliar a densidade óssea ao longo de cinco anos, mas também tinha o objetivo secundário de testar se a suplementação do cálcio reduziria o risco de infarto do coração, derrame cerebral e morte súbita. Surpreendentemente, o grupo de mulheres que recebeu a suplementação de cálcio apresentou maior incidência de infartos do coração. Já a incidência de derrames cerebrais não foi aumentada pelo cálcio. A possível explicação para esse achado é que o cálcio extra poderia se depositar nas coronárias, aumentando o risco de eventos vasculares, especialmente em indivíduos de idade mais avançada (média de idade das mulheres do estudo = 74 anos). O estudo contradiz resultados de trabalhos anteriores e por isso ainda não se pode concluir se a suplementação de cálcio previne ou provoca infarto do coração ou derrame cerebral. Por isso, nada de alardes.

  

 

 

 

 

 

O curso de medicina da UFBA em Salvador é a  escola de medicina mais antiga do Brasil e nesta semana recebeu uma má avaliação pelo MEC. Isso por si só já é muito triste, mas o coordenador do curso de medicina  resolveu piorar ainda mais a situação.  Chega a ser até difícil comentar uma declaração como essa, mas vamos lá

O coordenador do curso disse que as baixas notas dos alunos na avaliação têm como causa o baixo QI dos baianos. Chegou a dizer que ” O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais de uma corda não conseguiria “, ” O berimbau é o tipo de instrumento para o indivíduo que tem poucos neurônios”. Claro que o coordenador já está sendo afastado pela reitoria por suas declarações.

O fato é que redução de performance cognitiva realmente existe em populações carentes e desnutridas. Não deve ser este o caso de alunos que passaram pelo severo funil de um vestibular de uma Universidade Federal da capital do estado

 

 

 

 

 

 

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