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A maconha é a droga ilícita mais consumida no mundo e estima-se que um em cada 25 adultos com idades entre 15 e 64 anos já fez uso da droga. Essa é uma estatística do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes que revelou também que o uso é relativamente maior nos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia seguido pela Europa. Enquanto o consumo está diminuindo em países da Europa Ocidental e Austrália, está aumentando na América Latina e em vários países da África.
Estudos revelam que 20-30% das pessoas que usam pela primeira vez a droga passam a consumi-la pelo menos uma vez por semana, e 10% apresentarão padrão de consumo diário. E aquilo que já foi um tema controverso, há algum tempo não é mais motivo de discussão: o uso regular de maconha aumenta sim o risco do uso de outras drogas ilícitas como a cocaína. E não para por aí. Um estudo publicado este mês apontou que adolescentes com uso esporádico ou frequente têm um risco 26 vezes maior de usarem outras drogas ilícitas, 37 vezes maior de se tornarem tabagistas e três vezes maior de consumirem álcool em quantidades exageradas.
Os efeitos agudos da maconha no cérebro
O tetrahidrocanabinol (THC), componente ativo da maconha, provoca uma leve euforia que dura de 1 a 2 horas, mas pode provocar também outros efeitos como ansiedade, crises de pânico e sintomas psicóticos. A maconha ainda está associada a um risco de acidentes no trânsito duas vezes maior por levar a uma diminuição da coordenação motora e lentificação das reações e do processamento de informações.
Efeitos do uso crônico da maconha
No pulmão, o uso regular da maconha provoca bronquite crônica e sabe-se que a droga contém muitos dos componentes causadores de câncer encontrados no tabaco, sendo que algumas delas em concentrações ainda maiores.
No cérebro, dependendo da quantidade do consumo, podem ser observados diversos graus de dificuldade de aprendizado, memória e atenção, além de alterações estruturais do cérebro associadas ao uso da droga. O consumo no inicio da adolescência está associado a menores QIs na idade adulta. Há ainda estudos que demonstram que usuários de maconha têm chance 40% maior de apresentar sintomas psicóticos no decorrer da vida, e um risco mais de duas vezes maior de desenvolver esquizofrenia entre aqueles que usaram a droga antes dos 18 anos de idade.
Apesar de não haver evidências de relação da maconha com o risco de malformações fetais, o uso da maconha durante a gravidez está associado a uma maior chance de uma mulher ter um bebê com baixo peso ao nascimento.
Para concluir
Existe uma crescente ideia entre os jovens de que o cigarro é “careta”, pois faz mal à saúde, e de que a maconha é bem diferente. O conjunto de evidências que dispomos atualmente demonstra que tanto o cigarro como o álcool trazem muito mais danos à sociedade do que a maconha, mas também revelam que os efeitos negativos da maconha sobre a saúde humana não são nada desprezíveis.

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Sabemos que o estado de abstinência acontece com drogas, mas também pode ocorrer com a internet. Pesquisadores das universidades de Swansea no Reino Unido e Milão na Itália mostraram que, para aqueles que exageram na internet, ficar um período sem navegar é capaz de mexer com parâmetros fisiológicos como a pressão arterial e frequência cardíaca.
O estudo envolveu cerca de 150 voluntários com idades entre 18 e 33 anos antes e depois de uma sessão de internet. Após o término da sessão, aqueles que tinham o hábito de usar a internet muitas horas por dia tinham um quadro de ansiedade acompanhado de aumento de 3 a 4% da pressão arterial e frequência cardíaca. Entre os usuários leves e moderados, nenhum deles teve alterações fisiológicas.
Os participantes usavam a internet numa média de 5 horas por dia, 20% usavam mais de seis horas e 40% consideravam que estavam exagerando. Os principais motivos para o uso foram as redes sociais e compras. Homens e mulheres não se comportaram de forma diferente.
Os mesmos pesquisadores já haviam demonstrado que essa abstinência era capaz de piorar os quadros de depressão e sentimento de solidão e ainda diminuir a resistência a quadros infecciosos. Eles também discutem no artigo que deve haver uma atitude responsável no que diz respeito à publicidade dos telefones celulares e outros aparelhos que permitem a navegação na internet.

Uma série de pesquisas aponta que não. Uma pessoa tem mais chance de escolher um(a) companheiro(a) quando essa outra pessoa tem o DNA parecido.
A tal história que os opostos se atraem realmente parece ser um mito. As pessoas costumam se casar com outras com nível educacional / socioeconômico parecido, com crenças religiosas e políticas semelhantes e que têm mais interesses em comum. E a bagagem que carregamos no nosso código genético influencia também a escolha do nosso parceiro.
Não faz muito tempo, o periódico Proceedings of the National Academy of Sciences publicou uma pesquisa mostrando que o uma pessoa tem o código genético mais parecido do seu parceiro ou parceira quando comparado ao DNA de outras pessoas com mesmo nível socioeconômico, etnia e origem de nascimento.
A ideia de semelhança do código genético dos casais foge um pouco do senso comum. Evitamos casar com nossos parentes e estudos mostram que mulheres se sentem mais atraídas pelo cheiro de homens que tem genes do sistema imunológico diferentes dos delas. Isso parece uma contradição, mas esses genes imunológicos podem ter comportamento diferente dos demais. Esse estudo foi o primeiro a analisar as semelhanças do código genético entre membros de um casal utilizando todo o genoma.
Em janeiro de 2017, outra pesquisa publicada pela revista Nature Human Behavior confirma a tese que DNAs parecidos se atraem. Pesquisadores australianos estudaram os genes de milhares de casais e mostraram uma inequívoca associação entre os genes vinculados a peso e altura de um indivíduo com o peso e altura do(a) parceiro(a). Do ponto de vista evolutivo, isso garante uma maior chance de perpetuação das características fenotípicas à prole.
Resumo da ópera. Pessoas com mais semelhanças que diferenças têm mais chance de se atrair para construírem uma relação de longo prazo. Entretanto, vale sempre a pena lembrar que respeitar e incentivar as diferenças pode ser uma das melhores receitas para que essa relação se sustente.

Por Dr. Ricardo Teixeira*
Nesta última semana tivemos a demonstração de que os cachorros são ótimos para o equilíbrio psíquico das crianças em situações estressantes.
Pesquisadores da Universidade da Florida submeteram crianças de 7 a 12 anos a uma prova de estresse no laboratório em que podiam contar com a presença do cão de estimação, de um dos pais ou sem nenhuma companhia. Os resultados mostraram que aqueles em companhia dos cães foram os que relataram menor estresse com o teste. Além disso, a menor concentração do hormônio do estresse cortisol na saliva ocorreu entre as crianças que tiveram mais interação com os cães.
Entre os adultos, sabemos que aqueles que têm um animal de estimação em casa costumam ser mais integrados à comunidade. Quanto mais participam do cuidado com o bicho de estimação, mais atitudes altruísticas eles têm na comunidade e entre amigos e familiares. Quanto maior a conexão com os bichos, maior a empatia com as outras pessoas e autoconfiança.
Pesquisas mostram também que os animais de estimação, especialmente os cães, conferem um efeito protetor ao coração. Pesquisadores de Nova Iorque demonstraram que pacientes que têm cães sobrevivem mais após passado um ano de um infarto do coração. Nos últimos anos, diferentes grupos de pesquisadores evidenciaram que os indivíduos que têm cães apresentam um menor nível de alterações cardíacas provocadas pelo estresse.
E os efeitos positivos dos animais de estimação não param por aí. Há evidências de que a presença do animal está associada a uma menor procura por consultas médicas pelos indivíduos idosos e menor incidência de depressão.
Não estou advogando pela substituição dos amigos pelos animais. Entretanto, é razoável hoje em dia recomendar a uma pessoa com poucos contatos sociais, e que goste de animais, que não deixe de experimentar viver com um animal de estimação, pois ele pode fazer muito bem à nossa saúde do corpo e da mente.
* Dr. Ricardo Teixeira é médico neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

Quando se administra a homens doses do hormônio testosterona, eles passam a tomar decisões mais por instinto, com menos reflexão. Essa é a conclusão de uma pesquisa que será publicada em breve no periódico Psychological Science.
Pesquisadores americanos estudaram 243 homens após a administração de testosterona em gel ou placebo e aplicaram, após quatro horas, testes cognitivos que refletiam a capacidade de reflexão numa dada tarefa. Exemplo: uma bola e um taco custam juntos $1.10 e o taco custa $1.00 a mais que a bola; quanto custa a bola? A resposta intuitiva é $0,10, mas a resposta certa é $0.95.
Após a administração de testosterona, os homens respondiam mais rapidamente, mas erravam 20% a mais do que quando recebiam o placebo. Os resultados evidenciam uma relação inequívoca entre os níveis do hormônio sobre a capacidade de tomas de decisões. Temos evidências que o hormônio reduz a atividade do córtex pré-frontal que é uma região importante na modulação da impulsividade. A testosterona tem seu papel na autoconfiança, mas algumas tarefas exigem mais reflexão do que ˜coragem˜. O estudo coloca em discussão um efeito pouco discutido pela indústria da reposição hormonal masculina.



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Um estudo recém-publicado por pesquisadores da Universidade da Florida no periódico Frontiers in Psychology mostrou mais uma vez que meninas são tão boas em matemática quanto os meninos. A novidade é que eles se auto-avaliam melhor. Os meninos acreditam que têm mais habilidade, 27% a mais do que as meninas. Efeito cultural? Sabemos que as mulheres têm mais tendência ao perfeccionismo enquanto os homens são incitados desde cedo a enfrentar desafios.
Os alunos estudados nessa pesquisa estavam no fim do ensino médio, época decisiva na escolha do curso superior. Essa menor confiança das meninas pode explicar em parte o menor numero de mulheres em profissões como engenharia, ciência e tecnologia.
Em 2015, outra pesquisa publicada pela revista Science avaliou 1800 pesquisadores e estudantes de graduação, de 30 diferentes disciplinas. Entre outras perguntas, eles tinham que responder quais qualidades julgavam importantes para alcançar o sucesso em seus ramos. As áreas em que os entrevistados julgavam que o brilhantismo era fundamental foram também as menos representadas por mulheres. Essa crença leva as mulheres a inconscientemente se afastar desses campos do conhecimento. Pode também levar à discriminação em exames de seleção.
É bom lembrar que não há qualquer evidência científica de que os homens são mais brilhantes que as mulheres. Testes de inteligência têm mostrado que as pessoas têm apresentado melhor desempenho de geração em geração, fenômeno intrigante conhecido por efeito Flynn. Nosso QI tem mais chance de ser maior que dos nossos pais enquanto o dos nossos filhos será maior que os nossos. James Flynn, o pesquisador que inspirou o termo por ter sido o primeiro a demonstrá-lo na década de 1980, revelou recentemente que sua última pesquisaapontou pela primeira vez que as mulheres não deixam nada a dever aos homens nos escores de QI. A amostragem da pesquisa envolveu voluntários da Austrália, Nova Zelândia, Estônia, África do Sul e Argentina.
De acordo com Flynn, o resultado pode ser explicado pelo maior acesso das mulheres a educação e trabalho, entre outras oportunidades de estímulo cognitivo do mundo moderno. Será que elas vão ultrapassar os homens nas próximas décadas?

Uma recente pesquisa conduzida nos EUA (Common Sense Media) mostrou que adultos de diversos estratos socioeconômicos ficam uma média de nove horas e 22 minutos na frente das telas, incluindo smartphone, tablet, TV e computador. Ah, mas a maioria desse tempo deve ser trabalhando! Negativo. Oito horas são dedicadas a questões pessoais. Fala-se muito dos limites de tempo que as crianças devem respeitar, mas elas precisam de exemplo.
Outro resultado impressionante dessa pesquisa foi o fato de 78% dos voluntários acreditarem que eles são bons modelos de como seus filhos deveriam usar a tecnologia digital. Com os pais tão plugados as crianças podem se sentir ignoradas e além disso vão querer imitar o hábito dos pais. E essa história não acaba bem. Sabemos que o excesso de telinhas na vida das crianças e adolescentes está associada a um menor desempenho em funções cognitivas como a atenção, menor rendimento escolar, menos atividade física, mais obesidade… No caso dos nenéns de pais superconectados, já é descrito um atraso no aprendizado de reconhecimento de sinais não verbais na comunicação. Sofrem do fenômeno de ˜faces congeladas” – pais inanimados na frente das telas.
Que tal começar retirando as telinhas da mesa de refeições?



Atenção é o que você quer? Uma dose de chocolate pode ser um bom negócio e você ainda pode ganhar um bocado de motivação e melhorar os graus de ansiedade e fadiga. Melhor ainda se o chocolate tiver uma dose extra de cafeína. Essas são as conclusões de um estudo recém-publicado por pesquisadores das universidades de Clarkson e Georgia nos EUA.
Já sabíamos que o cacau é capaz de aumentar o fluxo sanguíneo cerebral e também a memória e atenção. O que o atual estudo acrescenta é que o chocolate pode até melhorar o estado de ansiedade, algo que a cafeína pura sem o cacau pode piorar. Esses resultados foram demonstrados após 30 e até 120 minutos do consumo de chocolate com 30 ou 70 mg de cafeína. O chocolate com maior conteúdo de cafeína promoveu um melhor desempenho cerebral.
Além da cafeína, outros compostos presentes no cacau podem colaborar para esse empurrãozinho no desempenho cognitivo. Outro estudo publicado em 2013 pela revista Neurology mostrou que, após o consumo de chocolate, os benefícios não foram diferentes entre voluntários que comiam chocolate rico em flavanols (chocolate amargo) e aqueles que recebiam chocolate menos rico nessas substâncias. Ambos os tipos de chocolate promoveram melhora nos indicadores cognitivos, sugerindo que os flavanols não devem ser vistos como os únicos candidatos para os efeitos benéficos sobre o cérebro. Além disso, pode ser que o cérebro seja tão sensível aos efeitos dos flavanols que, até em baixas concentrações, esses compostos já podem fazer a diferença.

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Nas últimas décadas houve um declínio evidente na proporção de pessoas casadas. Já tivemos cifras em torno de 70% na década de 1970 e chegamos em 2014, no Brasil, com 38,6% das pessoas acima de 15 anos casadas e 49,2% solteiras. A região norte tem a maior proporção de solteiros (60,5%), seguida pelas regiões nordeste (56,7%), centro-oeste (48,6%), sudeste (44,3%) e a região sul (44,2%). Quando falamos de união conjugal, independente de papel no cartório, a média nacional é de 56.7%.
Muitos enxergam o casamento como uma decisão que concorrerá com a liberdade e isso ocorre especialmente entre os homens jovens. Entretanto, poucos têm consciência dos benefícios que uma parceria estável traz ao individuo. Pesquisas revelam que um projeto de vida a dois tem repercussões positivas em várias dimensões da vida e a seguir elenco alguns números entre os homens casados:
– melhores salários e mais estabilidade no emprego;
– vida sexual mais satisfatória. Um estudo americano mostrou que 51% dos homens casados dizem estar extremamente satisfeitos com suas vidas sexuais, comparados a 36% no caso dos solteiros;
– melhor saúde física e mental. Nos EUA, homens casados vivem em média 10 anos a mais que os solteiros e, quando se fala em felicidade, 43% reportam que estão muito felizes, enquanto apenas 24% dos que moram juntos dizem o mesmo.
Apesar desses números, quase metade dos casamentos acaba em divórcio, e na maioria das vezes, a mulher é quem toma a decisão. No Brasil os casamentos duram em média 15 anos e a maior taxa de divórcio é a do Distrito Federal (DF). A menor, três vezes menor que no DF, é a do Amapá.

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Não só o povo brasileiro, mas toda a raça humana é otimista. Essa é a conclusão de uma série de pesquisas que aponta que cerca de 80% das pessoas superestimam as chances de eventos positivos quando têm que predizer o futuro. Esse é um fenômeno inerente da natureza humana e é observado independente do gênero, da raça, idade e nacionalidade. Mesmo os experts são otimistas quando analisam prognósticos em suas áreas.
Pensamos que vamos viver acima da expectativa de vida do brasileiro, que teremos muito sucesso na carreira quando completamos um curso de formação e que nossos filhos serão brilhantes. Também costumamos subestimar as chances de eventos negativos, pois achamos que essas coisas só acontecem com os outros – divórcio, acidentes de carro, doenças graves. Temos a tendência de incorporar ao nosso repertório as notícias que são ainda melhores que a nossa expectativa inicial. O contrário não acontece. Quando temos contato com previsões piores que nossa ideia inicial, não damos muita bola. A posição otimista é resistente a mudanças.
Pesquisas também mostram que as pessoas com quadros depressivos são as únicas que não apresentam essa expectativa otimista superestimada do futuro. Aqueles com um quadro de depressão leve não apresentam expectativas desviadas nem para o lado positivo, nem para o negativo. Já aqueles com depressão grave enxergam o futuro de uma forma negativa exagerada.
Os cientistas já localizaram as regiões do cérebro que orquestram esse otimismo. Quanto mais otimista for uma pessoa, menos importância seu lobo frontal direito (giro frontal inferior) dará para expectativas ruins. É como se a censura ficasse adormecida. Quando a previsão é ainda melhor do que o esperado, os lobos pré-frontais são ativados de forma similar, tanto nos pouco como nos muito otimistas. Além disso, quando pensamos no futuro com otimismo, duas regiões envolvidas no controle das emoções são ativadas (amígdala e giro do cíngulo anterior rostral), as mesmas regiões disfuncionais em indivíduos deprimidos.
Mas afinal, esse otimismo é um aliado de nossa saúde? Na maior parte das vezes sim. Os otimistas têm maior longevidade e melhores marcadores de saúde. Apresentam menores índices de doença cardiovascular, doenças infecciosas, ansiedade e depressão, e vivem mais quando acometidos por doenças como câncer e AIDS. Além disso, já foi demonstrado que pessoas mais otimistas têm maior tendência a assumir hábitos de vida saudáveis. Por outro lado, aqueles com excesso de otimismo podem ter uma saúde mais vulnerável, pois tem maior tendência em assumir comportamentos de risco.
E por que o ser humano é tão otimista? Uma explicação bem interessante é a de que, ao adquirirmos a consciência sobre o futuro, passamos a conviver de forma mais intensa com a idéia de nossa finitude e nossas fragilidades. Ilusões otimistas criam um equilíbrio para que toda nossa consciência não atrapalhe a dinâmica da vida.

A jornalista Emily Esfahani Smith publicou recentemente o livro Power of a Meaning, Editora Crown, New York, a partir de onze dólares na Amazon. Ela oferece um guia de como esculpir nossas vidas para que elas façam a diferença.
Ser feliz? Todo mundo quer, mas será que a missão de encontrar a felicidade, fortemente estimulada pela indústria da autoajuda, não tem deixado as pessoas mais vazias, infelizes? Ela propõe que desviemos o foco da felicidade para uma vida cheia de sentido, vida dedicada a algo maior do que o eu. Um dos passos fundamentais para a publicação do livro foi seu artigo escrito em 2013 na revista americana The Atlantic : Há muito mais para a vida do que ser feliz. Esfahani provoca a reflexão de que a empreitada de encontrar a felicidade traz consigo um modelo de retirada. Isso é diferente no caso da busca por uma vida que faça sentido em que o pilar mais forte é a doação, o altruísmo.
Existem falsos substitutos para esse sentido, criando uma sociedade com um vácuo existencial. A tecnologia nos ajuda e ajudará muito mais, mas ela também tem seu lado negro. Para termos uma vida com sentido precisamos ser conscientes e presentes. Difícil imaginar isso com um headphone no ouvido e nutrindo a mente e o cérebro com estímulos a conta-gotas que prevalecem nas plataformas das redes sociais.
A felicidade é uma condição fluida, efêmera. A percepção de sentido na vida é duradoura.

Os adolescentes e pré-adolescentes acham que entrar na sala de aula às sete da manhã é muito cedo. Eles não são preguiçosos. O sono deles é diferente mesmo. Eles têm uma tendência fisiológica em ir para a cama mais tarde e acordar mais tarde também e, após o início da puberdade, esse horário avança em até duas horas, com o pico aos 17-18 anos.
Uma menor produção e um pico de concentração atrasado do hormônio melatonina nessa faixa etária explica em parte essas mudanças. A exposição às telas dos computadores, TVs, tablets e smartphones contribuem também para empurrar o horário de dormir para horários mais avançados. A luz no período noturno inibe ainda mais a produção de melatonina.
Os resultados de experiências de algumas escolas em retardar o inicio das aulas têm sido bastante positivos. Atrasar o início da aula em uma hora ou mais tem resultado em melhor desempenho acadêmico, maior freqüência escolar, menos depressão e menos acidentes de carro. Esta semana tivemos os resultados de um estudo conduzido pela Universidade McGill no Canadá. A pesquisa mostrou que entre os mais 30 mil estudantes estudados, aqueles que começavam as aulas mais tarde, nove e meia da manhã, dormiam melhor e sentiam-se menos cansados durante o dia do que aqueles que entravam na sala de aula às oito.
Depois de tantas evidências, a Academia Americana de Pediatria publicou um documento recomendando que as aulas para essa faixa etária devem começar depois da 8:30h. E a quantidade de sono faz diferença. Adolescentes que dormem oito ou nove horas têm melhor desempenho que aqueles que dormem menos.
E se atrasar o início das aulas vai sobrar tempo paras as atividades extra-escolares? As pesquisas também mostram que começar a escola mais tarde não atrapalha outras atividades como trabalhar meio período ou praticar esportes.


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Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Lancet mostrou que quem mora perto de áreas com grande circulação de automóveis tem um risco maior de desenvolver um quadro de demência. O estudo foi realizado na cidade de Ontário no Canadá com duração de dez anos.
Há evidencias em roedores que a poluição do ar promove estados de inflamação no cérebro, assim como o fenômeno de degeneração. Já foi demonstrado também que o ar poluído aumenta o grau de aterosclerose que por sua vez pode levar ao aumento da incidência de lesões vasculares no cérebro.
Vale lembrar que as lesões vasculares representam a segunda causa mais comum de demência na maioria das populações, perdendo para a Doença de Alzheimer. Em algumas populações, a demência por lesões vasculares é até mais freqüente que a Doença de Alzheimer.
E tem também a poluição sonora
A exposição a um exagero de barulho pode ser um fator estressante comparável ao estresse psicológico, podendo levar a alterações no sistema nervoso autônomo e endócrino que promovem a redução de calibre de pequenas artérias, aumentando o risco de lesões vasculares, não só no coração, mas também no cérebro.
Ruído em excesso mexe com o corpo e a mente mesmo que de forma inconsciente. Não é difícil imaginar que muito barulho também atrapalha o desempenho cognitivo. Entre adultos, há evidências de piora da memória e de funções executivas durante a exposição ao barulho e mesmo um pouco depois de sua suspensão. As crianças são ainda mais vulneráveis, já que estão em franco processo de desenvolvimento cognitivo e os estudos apontam que múltiplas dimensões da cognição são afetadas por um ambiente cronicamente barulhento, como é o caso da atenção, motivação, memória e linguagem, chegando ao ponto de entenderem menos aquilo que lêem.
Essa alta exposição a ruídos pode levar a um comportamento mais agressivo, reduzindo a capacidade de cooperação, o que pode se refletir no trânsito como um círculo vicioso. Mais ruído, mais intolerância, mais buzina, mais intolerância, mais acidentes…
E nem falamos da poluição visual. Mas isso fica para uma próxima vez.
Estima-se que 2/3 dos casos de doença de Alzheimer ocorram entre as mulheres
As mulheres vivem mais, mas parece que existem outros fatores biológicos que ajudam a explicar essa diferença. Muitos candidatos estão na fila, mas sem resultados conclusivos até o momento. Um deles é a redução dos níveis de estrogênio com a menopausa. Isso pode potencializar o risco de uma mulher que já é geneticamente predisposta a apresentar a doença.
Outra possível explicação é o efeito protetor da educação formal. Apesar das diferenças educacionais entre os gêneros terem diminuído fortemente nos últimos anos, elas ainda existem em muitas regiões do mundo, especialmente em populações mais idosas.
Uma diferente resposta ao estresse e a maior prevalência de ansiedade e depressão entre as mulheres podem fazer a diferença. Eventos desgastantes como doenças, divórcios e problemas no trabalho parecem aumentar o risco de demência entre as mulheres, mas o mesmo não acontece com os homens. O estado de ansiedade de uma mulher aumenta as chances dela desenvolver a doença e essa associação não foi demonstrada entre os homens.
A doença é mais agressiva no caso delas
As pesquisas mostram que, após o diagnóstico de Alzheimer, os homens têm um melhor desempenho em diferentes domínios cognitivos como memória, habilidades visuoespaciais e até mesmo linguagem, função esta que as mulheres levam vantagem sobre os homens quando se pensa em indivíduos saudáveis.
A chance de apresentarmos um quadro de demência chega a 25% após os 80 anos, 50% após os 90, sendo que a causa mais comum é a Doença de Alzheimer. Ela é mais freqüente entre as mulheres e as evidências apontam que as lesões cerebrais associadas à doença têm maior repercussão clínica entre elas. Essas pesquisas solidificam o conceito de que a doença nas mulheres é mais agressiva.




