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Um estudo recém-publicado pelo American Journal of Epidemiology confirma pesquisas anteriores de que a terapia de reposição hormonal, apesar de poder reduzir os sintomas de menopausa, não traz vantagens à saúde da mulher. Já são muitas evidências de que o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama.
Ainda pairava no ar a suspeita de que se a terapia de reposição hormonal fosse iniciada em fases mais precoces na transição para a menopausa, os benefícios seriam maiores. Entretanto o presente estudo deu um certo banho de água fria nessa hipótese. Quando se comparou as mulheres que iniciaram a terapia de reposição hormonal mais tardiamente com as que iniciaram precocemente, não houve diferença na incidência de doença coronariana, derrame cerebral ou trombose venosa. Além disso, houve até mesmo uma leve tendência ao aumento de câncer de mama entre as mulheres que iniciaram a terapia mais precocemente.
Esses são resultados do desdobramento do mesmo estudo que, ainda em 2002, fez com que as indicações de terapia de reposição hormonal diminuíssem drasticamente após a demonstração de seus riscos numa população de milhares de mulheres. Veja abaixo que essas indicações estão cada vez mais restritas, posição atualmente consensual nos quatro cantos do mundo.
RECOMENDAÇÕES PARA O USO DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL (TRH)
1- A TRH só deve ser indicada se os sintomas de menopausa forem moderados a severos;
2- As mulheres devem avaliar cuidadosamente os potenciais riscos e benefícios da TRH;
3- Os hormônios devem ser usados na mínima dose e pelo menor tempo possível;
4- A TRH não deve ser utilizada para a prevenção de doenças cardiovasculares ou demência;
5- A mulher em uso de TRH deve ser clinicamente reavaliada a cada 3-6 meses ou pelo menos anualmente.
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O periódico britânico The Lancet acaba de publicar uma série de pesquisas que demonstra que o consumo de álcool é responsável por 4% das mortes ao redor do mundo, apesar de mais da metade da população ser abstêmia (45% dos homens e 66% das mulheres). Um dos estudos foi conduzido na Rússia e demonstra que, nesse país, o álcool é responsável por uma em cada duas mortes prematuras em adultos.
Dentre as mais de 200 doenças associadas ao álcool, as pesquisas demonstram que os acidentes, o câncer, as doenças cardiovasculares e a cirrose hepática são as que mais matam. Há alguns anos a ciência têm-nos mostrado alguns efeitos protetores do álcool em doses moderadas, especialmente no risco de doenças cardiovasculares e Doença de Alzheimer. Entretanto, atualmente reconhece-se que não existe dose livre de risco, e isso foi demonstrado em recente estudo envolvendo um milhão de mulheres: até mesmo uma dose diária de álcool aumenta o risco de alguns tipos de câncer.
A previsão é que o “problema álcool” venha a se agravar ao longo dos próximos anos, e o poder da indústria do álcool e suas ações de marketing agressivas têm uma significativa parcela de responsabilidade nesse cenário. Várias ações já foram comprovadas eficazes para redução do impacto do álcool sobre a saúde em países desenvolvidos: aumento do preço das bebidas alcoólicas, rigidez na penalidade para quem dirigir e beber, e limitação da publicidade e do número de locais de comercialização de bebidas. No Brasil, essas ações para a redução do consumo de álcool não são implantadas com facilidade pelo poder público, e um dos gargalos é o frequente financiamento de campanhas eleitorais de políticos brasileiros pela indústria de bebidas alcoólicas.
As evidências de que cigarro causa câncer já existiam desde a década de 1950, mas a indústria do tabaco conseguiu manter a publicidade do cigarro por muitas décadas a “plenos pulmões”. Também não faz muito tempo que o cigarro ainda era permitido nos ambientes de trabalho. Agora é a vez de lutar pela regulação do consumo de álcool em nosso meio, pois os números do custo do álcool à sociedade não são muito diferentes dos do cigarro. Vale conscientizar a população que o álcool não é problema só de quem bebe. Seu custo social é tão grande que nem se consegue medi-lo direito.
CLIQUE AQUI e leia matéria do Correio Braziliense sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira
O British Medical Journal acaba de publicar uma pesquisa que demonstra que alguns grupos de alimentos da dieta mediterrânea são mais poderosos que outros para a promoção de saúde. Vale recordar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, e baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool. Pesquisas têm revelado que a dieta mediterrânea reduz o risco de doenças cardiovasculares e da Doença de Alzheimer e está associada a uma maior longevidade.
Mais de 23 mil indivíduos na Grécia foram acompanhados por uma média de 8 anos, e numa escala de nove pontos em que cada ponto era atribuído ao consumo regular de uma classe de alimento da dieta mediterrânea, o aumento em dois pontos nessa escala conferiu uma redução de mortalidade em 14%. Em outras palavras, a pesquisa conseguiu demonstrar de forma inédita que o efeito positivo das diferentes classes de alimentos teve um efeito cumulativo.
Os hábitos alimentares mais associados a uma maior longevidade foram: consumo moderado de álcool, baixo consumo de carnes, e alto consumo de verduras, frutas, legumes, castanhas e azeite. Na ausência desses componentes, os benefícios da dieta mediterrânea eram significativamente reduzidos. Por outro lado, o padrão de consumo de laticínios, cereais, peixes e frutos do mar não fez muita diferença na longevidade dos participantes. Isso não quer dizer que se deva passar a exagerar no consumo de laticínios ou retirar do cardápio os peixes e cereais integrais, pois essas seriam atitudes nada inteligentes.
Um estudo conduzido na Finlândia e recém-publicado no periódico Occupational and Environmental Medicine revela que indivíduos que julgam viver em melhores ambientes de trabalho apresentam menos comportamentos de risco à saúde: tabagismo, obesidade, sedentarismo e abuso de álcool. Vale lembrar que esses são os quatro fatores de risco mais associados a doenças e à mortalidade em países industrializados.
A pesquisa analisou mais de 30 mil servidores públicos finlandeses e confirmou que fatores psicosociais associados ao trabalho são capazes de contribuir para que as pessoas adquiram comportamentos de risco. Outras pesquisas já haviam revelado que condições psicológicas adversas no trabalho aumentam o risco de obesidade e excesso de álcool. Também já havia sido demonstrado que indivíduos que não têm confiança na instituição em que trabalham têm maior dificuldade em abandonar o vício do cigarro.
O mundo corporativo já está bem convencido de que investir na saúde dos trabalhadores traz grande retorno econômico. O presente estudo demonstra que o clima organizacional pode ser um forte aliado para a promoção da saúde.
O seu ambiente de trabalho é satisfatório?
- Os funcionários têm a atitude de trabalharem unidos?
- Seus colegas sentem-se comprendidos e aceitos?
- Vocês podem confiar no chefe?
- O chefe trata os funcionários com gentileza e consideração?
- O chefe apresenta preocupação com os direitos dos empregados?
- Cada funcionário mantem os outros informados sobre o que fazem na empresa?
- Os funcionários apresentam sugestões para alcançarem o melhor desempenho?
- Todos os funcionários colaboram entre si para desenvolverem e aplicarem novas idéias?
** Se você respondeu sim a todas essas questões, que bom! Mas se respondeu não a muitas dessas perguntas, seu trabalho pode não estar jogando a favor de sua saúde.
Pesquisadores de Joinville acabam de ter dois de seus estudos publicados no prestigiado periódico britânico Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry mostrando que, num intervalo de dez anos, houve uma redução relativa de um terço na incidência e mortalidade por derrame cerebral e na sua taxa de fatalidade na cidade de Joinville-SC.
Os estudos liderados pelo professor Norberto Cabral receberam um editorial especial do periódico que literalmente aplaudiu os resultados e a metodologia empregada. O primeiro aplauso é por conta de terem demonstrado que intervenções para redução do “problema derrame cerebral” em países em desenvolvimento podem alcançar sucesso num período de tempo relativamente curto. Os estudos ganham ainda mais relevância pelo fato do derrame cerebral ser a principal causa de morte em nosso país e por serem raríssimos os estudos que tenham analisado a epidemiologia da doença em países em desenvolvimento.
Um segundo aplauso vai para o sistema de saúde de Joinville. A redução da incidência de derrame cerebral sugere que a população recebeu mais assistência primária e melhores ações preventivas: controle de pressão alta, diabetes colesterol, redução do tabagismo, etc. A redução da incidência na mortalidade reflete, em parte, um melhor atendimento em nível hospitalar. E nesse quesito, o sistema de saúde de Joinville é uma das referências nacionais no tratamento do derrame cerebral.
Os indicadores demonstrados por Joinville, cidade que detém o 13º maior índice de desenvolvimento humano do Brasil, são comparáveis aos de países de primeiro mundo. Que Joinville sirva de inspiração para tantos municípios brasileiros que poderiam estar fazendo muito mais pela saúde da população.
É bem reconhecido que as estatinas são as medicações mais eficazes para reduzir os níveis de colesterol. Entretanto, até 10% das pessoas que usam essa classe de medicamentos pode apresentar fraqueza e dor muscular ao ponto de não suportar a continuidade de seu uso.
Arroz do fermento vermelho é o produto da levedura Monascus purpureus que cresce no arroz e é servido na culinária de alguns países asiáticos. Seu uso na China já havia sido registrado desde o ano 800 DC e era utilizado com fins terapêuticos, especialmente para problemas digestivos como diarréia e indigestão, problemas circulatórios, e para melhorar a saúde do estômago e do baço. Desde a década de 1970 já contamos com evidências de sua ação na redução dos níveis de colesterol e poderia ser uma saída para as pessoas que precisam baixar o colesterol, mas que não toleraram os efeitos colaterais das estatinas. Os princípios ativos responsáveis por sua ação terapêutica são formas naturais de estatinas (monacolinas), e teoricamente poderiam causar as mesmas dores musculares que seus equivalentes sintéticos.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Annals of Internal Medicine não só confirmou que o fitoterápico é capaz de reduzir os níveis de colesterol, mas que ele também é bem aceito por indivíduos que precisaram parar o uso de estatinas devido a dores musculares. Foram estudados sessenta e dois pacientes que interromperam o uso de estatinas por causa de dores musculares. Todos foram submetidos a um programa de educação alimentar e atividade física. Metade deles usou três cápsulas diárias de 600 mg de fermento de arroz vermelho por 24 semanas e a outra metade recebeu cápsulas de placebo. Aqueles que usaram o fitoterápico não apresentaram mais efeitos colaterais que o placebo e tiveram uma redução tanto nos níveis de colesterol total com também do LDL, o colesterol ruim.
Os resultados da pesquisa, apesar de não serem definitivos, são muito promissores. Os elevados níveis de colesterol são responsáveis por boa parte dos casos de infarto do coração e derrame cerebral e o arroz do fermento vermelho parece ser uma boa alternativa para quem que não tolera os efeitos colaterais das estatinas.
A habitual recomendação de segurança para as crianças dentro do carro é a de que até um ano de idade de idade, ou 9-13 kg, elas devem andar em cadeirinhas voltadas para o vidro traseiro, e a partir de um ano de idade as cadeirinhas já podem ser voltadas para o vidro dianteiro. Entretanto, há várias evidências de que as crianças ficam mais protegidas dentro do carro em cadeirinhas voltadas para o vidro traseiro até pelo menos os quatro anos de idade. Um documento recém-publicado pelo British Medical Journal chama a atenção para a necessidade imediata de mudança das atuais recomendações.
A cabeça dos bebês e crianças pré-escolares é relativamente maior que a do adulto quando se leva em conta a proporção para o peso corporal. Esse fator, associado à imaturidade das estruturas da coluna cervical, fazem com que essas crianças sejam mais vulneráveis a lesões da medula espinhal caso sofram um acidente, especialmente se estiverem voltadas para o vidro dianteiro. As evidências de maior segurança das cadeirinhas em que a criança olha para o vidro traseiro, mesmo após um ano de idade, vão desde estudos experimentais até estatísticas de acidentes com crianças nos EUA e na Europa.
E isso tudo é novidade? Na Suécia, 75% das crianças com menos de três anos de idade andam de carro olhando para o vidro traseiro. A Academia Americana de Pediatria recomenda desde o ano de 2002 que as crianças só devem abandonar cadeiras voltadas pra o vidro traseiro quando ultrapassarem o limite de peso recomendado ou quando a altura da cabeça ultrapassar a altura do banco dianteiro.
A conscientização dos pais é uma das peças-chave para mudanças de atitude e nesse processo, os médicos têm muito a ajudar. É comum os pais terem a percepção de que voltar a cadeira para a frente do carro é um sinal de progresso no desenvolvimento dos filhos. É importante também que os fabricantes das cadeiras infantis façam sua parte disponibilizando no mercado cadeiras apropriadas e instruções de instalação precisas. Não faz muito tempo que o Inmetro avaliou seis diferentes cadeiras disponíveis no mercado brasileiro e todas as seis tinham alguma inconformidade, seja por não serem aprovadas no teste mais crítico de todos que é o ensaio de impacto (capacidade da cadeira reter a criança em caso de freada violenta), seja por não atenderem às normas mínimas de instrução de instalação e utilização
Quanto à legislação, o Código de Trânsito Brasileiro só exigia que as crianças andassem no banco de trás (Artigo 64), e não fazia menção ao uso de cadeiras infantis. Em 2008, foi publicada a resolução 277 do Contran que insere a obrigatoriedade da cadeira infantil, mas quem desrespeitar a regra só será multado após o ano de 2010. Entretanto, a resolução orienta o uso da cadeirinha voltada para a frente. Já é bem reconhecido, que em caso de acidente, as cadeiras reduzem o risco de lesão moderada ou grave em 78% quando voltadas para a frente do carro e 93% quando voltadas para trás. Espera-se que a legislação seja mais coerente com esses dados.
Um novo teste cognitivo para detectar a Doença de Alzheimer mostrou-se mais rápido e mais preciso do que outros testes já existentes, revela estudo recém-publicado pelo British Medical Journal.
Calcula-se que 24 milhões de pessoas no mundo tenham o diagnóstico de demência e esse número tende a aumentar com o crescente envelhecimento da população. O diagnóstico precoce da doença é importantíssimo, já que os tratamentos atualmente disponíveis são mais eficazes nas fases precoces da doença. Além disso, os tratamentos do futuro visam a intervenção em fases cada vez mais precoces. Existem inúmeros testes que permitem dizer se a pessoa tem problemas de desempenho de memória ou outras dimensões cognitivas. Alguns testes são bem sofisticados e sensíveis, mas por serem complexos, demandam muito tempo para sua aplicação e são pouco disponíveis devido ao alto custo e pela limitação de poucos profissionais habilitados para realizar tais testes. Por outro lado, existem testes de fácil e rápida aplicação, mas que não são sensíveis ao diagnóstico precoce de demência.
Pesquisadores ingleses desenvolveram um novo teste chamado TYM (“test your memory” – teste sua memória) que concentra a facilidade e rapidez de aplicação com uma boa sensibilidade para detecção de déficit cognitivo. O teste inclui dez tarefas que avaliam diversas funções cognitivas e não precisa ser aplicado por profissional especializado. O teste foi aplicado a 540 pessoas saudáveis e sem queixas de memória com idades entre 18 e 95 anos, durando uma média de 5 minutos. Foram ainda testados 139 pacientes com diagnóstico da Doença de Alzheimer e com Transtorno Cognitivo Leve, diagnóstico intermediário entre a normalidade e a demência. Os indivíduos saudáveis tiveram uma pontuação média de 47 pontos de um score máximo de 50, com leve redução de desempenho apenas após os 70 anos de idade.
Outros dois testes foram realizados a título de comparação com o novo teste, entre eles o Mini-Exame do Estado Mental que é o mais utilizado teste para o diagnóstico de demência. O Mini-Exame do Estado Mental foi capaz de detectar apenas 52% dos pacientes com a doença de Alzheimer, enquanto o novo teste detectou 93% dos pacientes quando a nota de corte utilizada foi menor ou igual a 42 pontos – a média de pontuação dos pacientes foi de 33 pontos de um total de 50. O novo teste, além de examinar mais dimensões cognitvas do que o Mini-Exame, também foi mais rápido.
Os resultados com os ingleses são excelentes, mas ainda não podem ser extrapolados para outras etnias e por isso não faz sentido simplesmente traduzir o teste e aplicá-los em nosso meio. O teste só deverá ser aplicado após validação científica de uma versão traduzida para nossa língua, adaptada para nossa cultura e testada em brasileiros. E isso não deve demorar.
Em vários países, a metoclopramida (Plasil) é considerada a droga de escolha para combater os vômitos entre mulheres grávidas. Nos EUA, há uma certa restrição ao seu uso. No Brasil, a bula do medicamento traz a informação de que estudos em pacientes grávidas não indicaram má formação fetal ou toxicidade neonatal durante o primeiro trimestre da gravidez e que uma quantidade limitada de informações em mulheres grávidas indicou não haver toxicidade neonatal nos outros trimestres. A bula ainda conclui que, se necessário, o uso da droga pode ser considerado durante a gravidez.
Realmente ainda existem evidências limitadas quanto à segurança da metoclopramida durante a gravidez, mas um estudo recém-publicado pelo periódico The New England Journal of Medicine vem reforçar o conceito de que a droga não traz riscos ao bebê. Os pesquisadores analisaram o registro de mais de 80 mil bebês de um distrito na região sul de Israel, sendo que 4.2% deles haviam sido expostos à metoclopramida no primeiro trimestre de gravidez. Quando se comparou bebês expostos à droga com bebês não expostos, não houve diferença no risco de malformações congênitas, tampouco no risco de baixo peso ao nascimento, prematuridade ou morte perinatal.
Os resultados trazem ainda mais segurança às grávidas que precisam usar metoclopramida para aliviar sintomas de náuseas e vômitos tão comuns no primeiro trimestre da gravidez.
Apesar de 60% das mulheres apresentarem queixas de memória na fase de transição para a menopausa, poucas pesquisas foram feitas para entender o que realmente ocorre com o cérebro das mulheres nessa fase da vida. Um estudo recém-publicado pelo periódico científico Neurology revela que mulheres na fase de transição para a menopausa apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.
O estudo acompanhou mais de duas mil mulheres com idades entre 49 e 61 anos e com exames seriados ao longo de quatro anos. A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltaram a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham no período pré-menopausa após ultrapassarem o período de transição. Além disso, as mulheres que receberam reposição hormonal antes do término da menstruação foram beneficiadas do ponto de vista cognitivo. Em contraste, a reposição hormonal iniciada após o término da menstruação promoveu piora nos testes cognitivos.
Uma forma de explicar as freqüentes queixas de memória na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio podem dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.
O presente estudo sugere que a reposição de estrogênio pode ser benéfica ao desempenho cerebral na fase de transição da menopausa e que esse efeito positivo parece não ser sustentado após o período de transição. Essa é mais uma evidência de que os benefícios do uso prolongado de reposição hormonal não consegue superar os riscos.
Já é bem reconhecido que o excesso de exposição à mídia eletrônica está associado a alguns problemas de saúde entre as crianças e adolescentes quando passam a concorrer com as horas de sono, aumentando o risco de obesidade, transtornos do humor (ex: depressão), processos alérgicos e exacerbação de crises de asma. Mas isso é só uma parte do problema. Quando partimos para a questão da qualidade do material a que os jovens são expostos, a influência negativa pode ir muito além.
Crianças e adolescentes costumam passar mais de seis horas por dia nos diferentes tipos de mídia, mais do que o tempo em que ficam na escola. A presença de TVs, videogames e computadores dentro dos quartos favorece sobremaneira essa megaexposição à mídia, já que por mais que os pais acreditem que deva haver limites, dentro do quarto tudo é mais difícil controlar. Todos devem ter consciência do quanto o consumo de material inapropriado na mídia pode afetar o desenvolvimento da garotada e a ciência já demonstrou esse efeito em diversos aspectos:
Violência. As atitudes são aprendidas em idade muito precoce, e depois de aprendidas, é difícil modificá-las. Estima-se que a violência veiculada pela mídia colabore com 10% da violência no mundo real. Os games de conteúdo violento também estão na lista dos “colaboradores”.
Sexualidade. Inúmeros estudos têm demonstrado a associação entre exposição a conteúdo sexual na mídia ao início precoce da vida sexual. Por outro lado, uma série de pesquisas revela que a distribuição de camisinhas a adolescentes não tem esse efeito de estimular o início da vida sexual.
Drogas. Filmes com cenas de cigarro são considerados como um dos fatores mais associados ao início do hábito de fumar entre os jovens. O mesmo pode-se dizer sobre propagandas de álcool e cigarro.
Obesidade. O tempo gasto com games, TV e internet, concorre com o tempo que o jovem poderia estar praticando uma atividade física. É fato também que se come mais quando se está na frente da TV. Além disso, há um bombardeio de publicidade de alimentos “calóricos” que contribui para que a mídia seja implicada no avanço da pandemia de obesidade.
Transtornos alimentares. A mídia é considerada como a maior referência para a formação da imagem que um adolescente tem do seu próprio corpo. Estudos têm revelado que a mídia realmente tem influencia no desenvolvimento de transtornos como bulimia e anorexia.
Professores, pais, médicos, todos devem ter consciência dos potencias efeitos negativos da mídia sobre o desenvolvimento dos jovens. Essa conscientização poderia passar a ser assunto obrigatório nas escolas. Os pais deveriam limitar o uso de TV / Internet a no máximo duas horas por dia (recomendação da Academia Americana de Pediatria), e sempre quando possível, assistir aos programas de TV junto aos jovens. Deveriam também evitar a presença do computador e da TV no quarto dos filhos, deveriam desligar a TV na hora das refeições, e no caso de crianças menores de dois anos de idade, evitar a TV de uma forma geral. Os médicos, especialmente os pediatras, precisam estar mais atentos a essa questão e abordar ativamente as famílias, pois têm nas mãos uma oportunidade preciosa de orientar os pais desavisados.
Por outro lado, a mídia pode ser um forte aliado no desenvolvimento dos jovens, tanto em casa, na escola como na rua. A questão principal é que ela seja de boa qualidade e que não sacrifique as outras atividades, como por exemplo, a atividade física. Quando se percebe que crianças e adolescentes passam mais tempo na mídia eletrônica do que na escola ou em qualquer outro tipo de atividade de lazer, alguma atitude precisa ser tomada.
Um estudo recém-publicado pelo periódico especializado Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, revela que os adolescentes que passam mais tempo ligados às mídias eletrônicas estão dormindo menos à noite, estão tendo mais sonolência diurna, além de estarem consumindo mais cafeína.
Pesquisadores americanos estudaram 100 adolescentes com idades entre 12 e 18 anos quanto ao consumo de bebidas cafeinadas, hábitos de uso de mídia eletrônica durante a noite (ex: TV, internet) e padrão de sono. No grupo estudado, 66% tinha TV e 30% um computador dentro do quarto, 90% tinha telefone celular e 79% um aparelho de MP3. Após as 9h da noite, 82% dos adolescentes assistia à TV, 34% escrevia mensagens de texto, 44% falava ao telefone, 55% estava conectado à internet, 24% jogava games no computador, 36% assistia a filmes e 42% ouvia música nos MP3 portáteis. Uma média de 1-2 horas era usada em cada uma dessas atividades.
A pesquisa ainda revelou que 80% dos adolescentes estudados dormia menos de 8 horas por noite, abaixo do número de horas recomendado para a idade que é de 8 a 10 horas. Além da privação voluntária do sono, outros fatores podem contribuir para o sono mais curto desses adolescentes. O excesso de exposição noturna à luz da TV e/ou do monitor do computador pode levar a uma redução da produção de melatonina, que por sua vez pode dificultar o sono. Além disso, a relação entre a privação de sono e consumo de cafeína é um ciclo vicioso. Ao dormir menos, o adolescente usa mais cafeína para combater a sonolência diurna, substância que sabidamente pode provocar insônia.
Pesquisas robustas já haviam demonstrado que os adolescentes têm dormido cada vez menos ao longo das últimas décadas. Além da exposição à mídia eletrônica e cafeína, os adolescentes ainda são expostos a outros fatores de estresse que podem estar contribuindo para que eles durmam menos, como por exemplo, a pressão por um brilhante desempenho acadêmico. O presente estudo também mostrou que essa privação de sono aumenta o nível de cochilos na escola, mas os efeitos vão muito além disso. Sabe-se que crianças e adolescentes que dormem pouco têm maior risco de depressão, obesidade, alergias e exacerbação de crises de asma.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, revela que os adolescentes estão usando seus aparelhos de MP3 de forma nada segura. Cerca de 1400 adolescentes holandeses com idades entre 12 e 19 anos, e de 15 diferentes escolas, responderam a um questionário sobre seus hábitos de uso de MP3 portátil. Os resultados evidenciaram que 90% deles tinha o hábito de ouvir música com esses tipos de aparelho, 33% com uso freqüente (> 1 hora por dia), 48% com volume alto, e apenas 7% usava funções do aparelho para limitação de volume. O tempo de uso por si só não representa problema ao aparelho auditivo, mas o estudo mostrou que aqueles que usavam o MP3 com maior freqüência tinham uma chance 4 vezes maior de usá-lo com volume alto.
Várias pesquisas têm revelado o crescente número de adolescentes com problemas auditivos, e o hábito de ouvir música alta é de longe o maior responsável por isso. A grande febre dos MP3 portáteis aumentou drasticamente a exposição dos jovens a ruídos de alta intensidade, especialmente porque os aparelhos modernos são capazes de oferecer som de alta intensidade sem distorção. É sabido também que além de limitar o tempo de uso e volume do som, campanhas de conscientização dos riscos associados ao uso desses aparelhinhos podem prevenir o risco de danos no aparelho auditivo.
No presente estudo, apenas 18% dos adolescentes respondeu ter recebido informações de forma frequente sobre os riscos de se ouvir música alta. À medida que os MP3 portáteis chegam cada vez mais cedo às mãos e ouvidos das crianças, é recomendável que campanhas de conscientização já sejam implantadas enquanto elas ainda estão no ensino fundamental. Pais, professores, profissionais da saúde, todos têm importante papel nesse desafio.
















