Sir William Osler, pai da medicina moderna, ensinava a seus alunos, ainda no século XIX, o conceito de imperturbalidade do médico. Esse termo pode ser entendido como o sangue frio que o médico deve ter para tomar a melhor decisão para o paciente, evitando que as emoções dificultem um diagnóstico e tratamento corretos. Osler ainda chamava a atenção pára o fato de que a demonstração de muita emoção pelo médico pode abalar a confiança que o paciente nele deposita. Por outro lado, empatia, gentileza e simpatia são atributos que todo mundo espera de um médico. Como é que esses atributos podem se misturar com a imperturbalidade?  

 

Empatia nesse contexto é a capacidade do médico em se colocar no lugar do seu paciente, o que não significa ter que chorar e rezar juntos.  Empatia não é fácil de ensinar e pode-se argumentar que ela pode, em algumas circunstâncias, até atrapalhar a relação médico-paciente. Esse é um dos argumentos que fazem com que os médicos sejam orientados a não tratar o próprio filho ou outras pessoas com forte vínculo na vida pessoal. Já a gentileza é outra coisa, e esta não costuma concorrer com a imparcialidade necessária para tomar decisões.

 

O paraninfo de minha turma de medicina, Prof. Soares, me dizia uma coisa que carrego ainda hoje: “A maior demonstração de empatia que você pode dar ao seu paciente é buscar compreender ao máximo o problema dele”. Esse comprometimento, no meu entender, é pura empatia que não ameaça a tal imperturbalidade. Isso não é muito diferente desse pensamento do Arnaldo Jabor: “Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida”.  

 

** O Centro de Evidências do grupo British Medical Journal anunciou esta semana uma parceria com o Ministério da Saúde do Brasil que disponibilizará seu conteúdo aos 350 mil médicos brasileiros. O contrato foi firmado em conjunto com a CAPES, braço do Ministério da Educação responsável pelo ensino superior, e a distribuidora Dotlib, e a experiência brasileira será a primeira da América Latina.

 

Esse é um dos mais preciosos bancos de dados de medicina baseada em evidências científicas e tem um formato ideal para apoiar as decisões clínicas do dia a dia de um médico.  Assim, a relação médico-paciente nos consultórios brasileiros tem muito mais chance de ser cheia de empatia.

 

 

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E seu tivesse feito isto? E se eu tivesse escolhido aquilo? Uma pesquisa recentemente publicada pelo prestigiado periódico Science demonstrou que esse tipo de pensamento não faz muito a cabeça dos idosos.

 

Pesquisadores da Universidade de Hamburgo na Alemanha estudaram a resposta cerebral de jovens e idosos saudáveis frente a um jogo que exercitava a experiência de arrependimento.  Os voluntários foram submetidos a exames de ressonância magnética funcional entre os rounds do jogo e os resultados apontaram que, em situações de perda, os idosos apresentavam uma menor ativação da área do cérebro geralmente envolvida na experiência de arrependimento (estriado ventral).

 

Esses resultados foram comparados às respostas de outro grupo de idosos com depressão de início tardio na vida, e os saudáveis tinham menor ativação que os deprimidos. Por outro lado, o cíngulo anterior, região que pode ser comparada a uma central do controle de emoções, uma interace entre emoção e cognição, tinha uma maior ativação entre os idosos saudáveis. Como interpretar esses resultados?

 

Os idosos têm uma tendência a apresentar cada vez menos sentimentos negativos e uma das formas de explicar esse fenômeno é que uma maior consciência da finitude da vida pode levar a um melhor estado mental e de bem estar. Este mecanismo compensatório pode fazer com que os mais velhos tenham menos sentimentos de arrependimento, pois ao contrário dos jovens, há menos tempo para mudar o rumo das coisas e talvez a melhor estratégia seja um certo descomprometimento – “let it be”. Estudos epidemiológicos realmente revelam que os idosos se consideram mais felizes e com maior bem estar emocional que os jovens. 

  

O presente estudo mostrou que, diante de uma experiência negativa, os idosos saudáveis têm o centro de regulação das emoções mais ativado e a região associada ao arrependimento menos ativada que os jovens e também idosos deprimidos. Isso sugere que os cabelos brancos nos ensinam a olhar para uma oportunidade perdida de uma forma menos emocional.  Esse mecanismo adaptativo quando não é bem desenvolvido pode representar um risco aumentado para depressão nessa fase mais tardia da vida. 

 

 

 

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Mais da metade das mulheres apresentam queixas de memória na fase de transição para a menopausa e temos algumas evidências de que, nessa fase da vida, elas realmente apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.

 

Uma forma de explicar essa lenhificação do pensamento na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio podem dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.  

 

Nada de pessimismo! A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltam a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham antes da menopausa após ultrapassarem a transição. Além disso, as mulheres que recebem reposição hormonal antes do término da menstruação são beneficiadas do ponto de vista cognitivo, o que não acontece com aquelas que começam esse tipo de tratamento após o término da menstruação. Essa é mais uma evidência de que reposição hormonal deve ser utilizada pelo menor tempo necessário.

 

E suplementos de soja podem ajudar? A soja é a principal fonte de isoflavonas da dieta, micronutrientes estes que se ligam aos receptores de estrogênio do cérebro. Uma série de pesquisas tem procurado demonstrar seus efeitos na menopausa e os resultados, apesar de conflitantes, não têm sido muito animadores. Os estudos mais robustos até chegaram a evidenciar uma melhora na capacidade de memória visual (ex: reconhecimento de rostos), mas sem impacto relevante em outras funções cognitivas. Vale ressaltar que essas pesquisas envolveram mulheres já na menopausa e por isso a discussão está longe de ser encerrada. O efeito da soja na transição da menopausa pode ser diferente.  

 

 

 

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Existem muitas abordagens engraçadinhas sobre diferenças de gênero como homens são de um planeta e as mulheres de outro, homens não perguntam o caminho enquanto as mulheres não perguntam o preço, etc. Tenho pensado ultimamente numa outra provocação: mulheres são bilíngües, homens monolíngües. Vou explicar.

 

Existem algumas diferenças no comportamento e nas habilidades cerebrais entre homens e mulheres já bem estudadas e reconhecidas. Essas são diferenças que estarei pinçando em futuros posts, mas hoje trago a visão geral da ciência de que a maior parte dessas diferenças é decorrente do ESTÍMULO AMBIENTAL e não dos genes herdados.

 

As mulheres podem ter mais talento nisso e homens naquilo, mas na verdade eles foram criados numa cultura que impulsiona essas diferenças. As meninas começam a falar mais precocemente, lêem e escrevem melhor, e as brincadeiras de boneca e de casinha estimulam essas capacidades. Já os meninos são mais ativos fisicamente e chegam à idade adulta com uma melhor capacidade de orientação visuoespacial. Por serem mais ativos, foram mais estimulados por atividades esportivas que alimentam essa aptidão.   

 

Não há dúvida que, no desenvolvimento da identidade sexual das crianças, as simbologias de masculino e feminino são fundamentais. Entretanto, as meninas brincam cada vez mais com o que em outras décadas era coisa só de menino. Os meninos, por sua vez, não têm tido a mesma chance. São poucos os adultos, ou mesmo amiguinhos, que aprovam ou estimulam brincadeiras de casinha e boneca entre os meninos.

 

Não estou sugerindo que os meninos troquem o futebol pelo balé, ou o carrinho pela Barbie. Penso que eles poderiam ser mais estimulados a brincar com atividades que exercitem a fantasia e a criatividade que costumam ser mais explorados pelas meninas. Esse universo feminino pode favorecer a criação de circuitos neurais que permitirão os machinhos chegarem à idade adulta com muito mais talentos, falando outras línguas. 

 

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O derrame cerebral, principal causa de morte em nosso país, é mais comum entre os idosos, mas tem acometido cada vez mais os jovens. Uma pesquisa realizada em Porto Alegre e Salvador revelou que 7.5% dos pacientes internados pela doença têm menos de 45 anos. Outro estudo, publicado na última semana pelo periódico da Academia Americana de Neurologia, aponta que nos EUA o derrame cerebral tem acometido cada vez mais os jovens, já chegando a contabilizar uma fatia de quase 20% de todos os casos.   

 

Não podemos dizer de forma inequívoca que as mulheres jovens sejam mais susceptíveis, já que os estudos que examinaram essa questão são conflitantes. Entretanto, elas têm alguns fatores de risco para derrame cerebral que os homens não têm e outros que elas apresentam de forma bem mais freqüente.  

 

Pílula anticoncepcional.

Já é bem reconhecido que o risco de derrame é maior entre mulheres que fazem uso de pílula anticoncepcional e esse risco é proporcional à concentração dos hormônios, especialmente o estradiol. O efeito da pílula sobre a chance de derrame também é maior entre mulheres com mais de 35 anos e naquelas com outros fatores de risco vascular como hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade, tabagismo, enxaqueca com aura e algumas condições genéticas.

 

Gravidez.  O terceiro trimestre da gravidez e o puerpério são períodos em que a mulher tem mais chance de apresentar eventos vasculares, incluindo o derrame cerebral. As mudanças hormonais, na circulação e coagulação sanguínea podem responder por esse maior risco.

 

Enxaqueca com aura. Cerca de 25% das pessoas que sofrem de enxaqueca também apresentam sintomas que precedem as crises de dor de cabeça como por exemplo flashes visuais e formigamento de um lado do corpo. A esses sintomas dá-se o nome de aura e há inúmeras evidências de que a enxaqueca com aura aumenta a chance de derrame e o risco é ainda maior quando outros fatores de risco estão presentes. Vale lembrar que as mulheres têm três vezes mais enxaqueca que os homens.

 

A relação entre a enxaqueca e o derrame cerebral envolve uma complexa interação de particularidades do cérebro, vasos sanguíneos, coagulação, e até mesmo do coração de que tem enxaqueca.  Os derrames costumam ocorrer mais nas regiões posteriores do cérebro e nos enxaquecosos com crises mais freqüentes. O risco é ainda maior quando existem outros fatores como uso de pílula anticoncepcional, dislipidemia, hipertensão arterial e obesidade.

 

 

 

 

 

 

Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia aponta que o sonambulismo entre adultos é bem mais comum do que se imaginava.  

 

Os pesquisadores estudaram uma amostra bem representativa da população americana, incluindo mais de 15 mil voluntários de 15 diferentes estados. Uma história de sonambulismo foi relatada por 30% dos entrevistados, e 3.6% deles apresentaram pelo menos um episódio no último ano. O estudo ainda mostrou que a chance de sonambulismo é maior entre aqueles com história familiar dessa mesma condição e naqueles que têm quadros psiquiátricos como ansiedade, depressão e transtorno obsessivo-compulsivo.

 

Um episódio de sonambulismo geralmente dura menos de 15 minutos, mas pode chegar a mais de uma hora. Qualquer evento que influencie o estado de equilíbrio do cérebro pode desencadear o fenômeno naqueles que têm predisposição. Podemos listar privação de sono, álcool, medicações, estresse, febre, gravidez, entre outros.

 

O sonâmbulo mantém os olhos abertos, não responde aos estímulos do meio e, muitas vezes, realiza tarefas complexas como se vestir, arrumar a cozinha e até sair de carro. No outro dia, o paciente não se recorda do que fez e, quando acordado no meio do episódio, mostra-se confuso.

 

Há algum tempo ainda se acreditava que isso era um fenômeno de sonhar acordado, mas não é bem isso que acontece. O sonambulismo inicia-se na fase do sono não associada aos sonhos. É uma forma de estar acordado pela metade. A parte do cérebro responsável pelo movimento está acordada, mas aquela associada à consciência e processos cognitivos ainda dorme.

 

Adaptar a casa para evitar esses acidentes é muito importante e o tratamento é indicado especialmente para as pessoas que têm maior risco de acidentes.  

 

Em qual dos três rapazinhos abaixo você confiaria seu precioso dinheiro?  Uma pesquisa publicada pela PLoS ONE esta semana  apontou que o rapaz com cara de bonzinho era o mais escolhido, mesmo quando os voluntários recebiam informações de que esse rapaz tem má reputação.
 
 
 
 
 

 

 

O cérebro da maioria das pessoas precisa de sete a oito horas de sono por dia para acordar com disposição e enfrentar o dia. Nossa vida moderna não tem dado muita bola para essas necessidades básicas e as demandas sociais, voluntárias ou involuntárias, são frequentemente discrepantes daquelas do cérebro. Esse conflito entre o relógio biológico e o relógio social tem recebido o nome de Jet Lag Social e as evidências têm apontado que esse é um fenômeno que tem a ver com o controle do peso.

 

Esta semana, foi publicado um estudo realizado pela internet com 65 mil europeus apontando que quanto maior o Jet Lag Social, calculado como a diferença entre o tempo de sono em dias de folga e nos dias de trabalho, maior a chance de sobrepeso (Current Biology). Os resultados também sugeriram que não só a duração do sono, mas também o horário em que se vai para a cama, tem relação com o controle de peso.  Trocar o dia pela noite não parece ser bom negócio.

 

Uma forma de entender esse efeito “Fuso Horário Social” é supor uma rotina em que viajamos toda sexta-feira depois do expediente para em direção oeste para a Ilha de Páscoa e voltamos para casa na segunda-feira. Quando voltamos, teremos o desafio de trabalhar num horário que já estaríamos nos preparando para dormir na ilha.  

 

Temos ainda evidências de que a privação de sono entre indivíduos com sobrepeso e submetidos a uma dieta de restrição calórica, além de provocar mais fome, induz à perda de mais massa magra do que gordura, o inverso do recomendável nesse tipo de dieta. Essa maior perda de massa magra sugere que há um aumento de conversão de proteína em glicose para manter os diferentes órgãos do corpo.

 

A ciência tem nos mostrado de forma inequívoca que, para quem quer manter o peso em dia, e também para quem precisa perder alguns quilos, dormir bem é fundamental. Vale lembrar que quanto mais tempo ficamos acordados, maior a chance de consumirmos calorias. Além disso, uma noite de pouco sono pode diminuir a disposição para a realização de exercícios físicos no outro dia.

 

 

 

 

 

Mensagens de texto pelo celular podem ajudar aqueles que sofrem de doenças crônicas a seguirem melhor as recomendações médicas. Essa é a conclusão de uma revisão sobre o tema publicada recentemente pelo periódico da Associação Americana de Informática Médica.

No tratamento de doenças crônicas, um dos maiores desafios do médico é fazer com que o paciente use de forma correta o esquema medicamentoso proposto. Uma das principais causas de um baixo grau de aderência ao tratamento é o fato de que os pacientes simplesmente esquecem-se de tomar a medicação.

 

Alguns estudos têm procurado avaliar a eficácia de lembretes através de dispositivos eletrônicos para contornar falhas no uso de medicações, como é o caso de mensagens pelo celular. No presente estudo, pesquisadores holandeses avaliaram os resultados de 13 diferentes pesquisas que investigaram essa questão entre pacientes em tratamento para diferentes condições clínicas como AIDS, hipertensão arterial, asma, glaucoma e uso de anticoncepcional oral.

 

A maioria das pesquisas demonstrou o benefício dos lembretes eletrônicos no curto prazo, mas esses resultados devem ser vistos com cautela, já que no longo prazo esse benefício pode se perder.  Dos três estudos que avaliaram a aderência por mais de seis meses, apenas um deles evidenciou resultados positivos.

 

O avanço da tecnologia promoverá o desenvolvimento de novas ferramentas de comunicação e os benefícios podem ser ainda maiores. Aplicativos de smartphones com essa finalidade parecem ser bem promissores.

 

 

A enxaqueca, também conhecida como migrânea, é uma disfunção cerebral com reconhecido componente genético. Indivíduos que têm familiares com enxaqueca têm mais chance de apresentá-la, mas nem sempre. As crises de enxaqueca podem se iniciar já na infância, mas é mais freqüente entre os 25 e 55 anos, a fase de vida economicamente mais produtiva do indivíduo.

 

A enxaqueca afeta cerca de 20% das mulheres e é três vezes mais comum que nos homens. A dor de cabeça costuma ser forte, unilateral, de caráter latejante, com piora às atividades rotineiras, freqüentemente associada a náuseas, intolerância à luz, som e odores. As crises habitualmente duram entre 4 e 72 horas.

 

Menstruação. Cerca de 50-60% das mulheres com enxaqueca apresentam crises durante a menstruação e isso está associado ao súbito declínio dos níveis do hormônio estrogênio nessa fase do ciclo menstrual. Além disso, até 20% das mulheres com enxaqueca tem crises somente no período perimenstrual. O primeiro dia antes da menstruação é o dia em que a mulher tem mais chance de ter uma crise. Um pouco mais de 15% das mulheres com enxaqueca tem sua primeira crise na época da sua primeira menstruação.

 

Pílula anticoncepcional. O uso de contraceptivos orais pode dificultar o controle das crises, e pílulas com menor concentração de estrogênio podem favorecer o controle, inclusive no caso da enxaqueca menstrual.

 

A mulher deve evitar o uso de pílula anticoncepcional com conteúdo de estrogênio, especialmente se tiver mais de 35 anos de idade, se for portadora de fatores de risco vascular (tabagismo, hipertensão arterial) ou se tiver história pessoal ou familiar de eventos vasculares (trombose). A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece a enxaqueca com aura como categoria 4 na indicação do uso de pílula anticoncepcional com conteúdo de estrogênio, o que quer dizer que é uma condição de saúde em que os riscos do uso da pílula são inaceitáveis. Riscos, nesse caso, são os relacionados ao derrame cerebral.

 

O conceito de AURA é o de um aviso, um sinal de que uma crise de enxaqueca está por começar, mas também pode ocorrer já na fase da dor de cabeça. Entre 15 e 30% das pessoas que sofrem de enxaqueca podem experimentar o fenômeno, habitualmente como sintomas visuais (pontos luminosos, flashes em ziguezague, falhas no campo visual), geralmente durando menos de uma hora. A AURA pode se apresentar como formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar e raramente como perda de força de um lado do corpo. Algumas pessoas experimentam aura sem apresentar dor de cabeça.

 

Gravidez. Durante a gravidez, as crises costumam melhorar em 60-80% das mulheres. Deve-se evitar tratamentos profiláticos medicamentosos devido a potenciais conseqüências ao feto. Algumas medicações sintomáticas são contra-indicadas na gravidez.

 

Uma série de estudos demonstra que mulheres com enxaqueca apresentam maior risco de apresentar hipertensão arterial na gravidez (pré-eclâmpsia) e bebês com baixo peso. Além disso, também é maior o risco de eventos vasculares nesse período entre as enxaquecosas, e aí podemos incluir derrame cerebral, infarto do coração e tromboembolismo pulmonar.

 

Lactação. Após o parto, as crises voltam a piorar em até 50% das mulheres no primeiro mês. Há evidências de que a amamentação confere proteção às crises nessa fase.

 

Menopausa.  Até 80% das mulheres apresentam melhora das crises de enxaqueca após a menopausa espontânea. Entretanto, por volta de 20% das mulheres começam a ter crises após os 50 anos, e raramente após os 60 anos. No caso da menopausa cirúrgica, há uma tendência de piora das crises de enxaqueca em dois terços das mulheres.

 

Já é consenso que a indicação de terapia de reposição hormonal [TRH] para a melhora de sinais e sintomas da menopausa deve ser restrita a mulheres com sintomas moderados a severos e utilizada pelo menor tempo e com mínimas doses possíveis. Essas recomendações são decorrentes do fato de que a TRH prolongada eleva o risco de câncer de mama, trombose nas veias e derrame cerebral. No caso da enxaqueca, mesmo a com aura, a TRH com doses baixas de estradiol pode ser considerada.

 

 

 

Atividade física diária previne a doença de Alzheimer mesmo entre aqueles com mais de 80 anos. Essa á conclusão de um estudo publicado esta semana pela versão online do periódico da Academia Americana de Neurologia.

 

Durante quatro anos, mais de 700 idosos, com uma média de idade de 82 anos, foram acompanhados com testes anuais de memória e outras funções cognitivas. Eles foram também monitorados em suas atividades físicas através de um questionário e por um dispositivo chamado actígrafo, tipo um relógio de pulso, que registra a movimentação de uma pessoa ao longo do dia.

 

Nesse período, 10% dos voluntários receberam o diagnóstico de doença de Alzheimer. Aqueles que tinham registro de maior atividade foram os que tiveram menos chance de desenvolver a doença. Os 10% com menos atividade tiveram um risco três vezes maior quando comparados aos de maior atividade.  Esse efeito protetor foi demonstrado não só com os exercícios físicos formais, mas também com atividades do cotidiano como limpeza da casa, cozinhar e lavar louças. O benefício da atividade física mostrou-se independente das atividades cognitivas e sociais que ajudam na prevenção da doença. 

 

A pesquisa confirma, com metodologia bastante refinada, que a atividade física, é uma aliada na luta contra a doença de Alzheimer, mesmo em idades avançadas. Sabemos que o exercício estimula a liberação de uma série de combustíveis para os neurônios e vasos e melhora o aproveitamento da glicose pelo cérebro. 

 

** No dia a dia do consultório, as pessoas perguntam muito qual é o tipo de atividade física mais recomendada para o cérebro. Nesta semana, outro estudo publicado pelo Archives of Internal Medicine revelou que atividade física do tipo musculação duas vezes por semana durante seis meses promoveu a melhora cognitiva de mulheres idosas com queixas subjetivas de memória. Além disso, durante uma tarefa tipo jogo de memória, esse programa de atividade trouxe maior ativação de uma série de áreas cerebrais.

 

 

 

 

 

 

Ouço às vezes no consultório jovens dizendo coisas como: “Já fiz check up com o cardio, com o gastro, agora só falta o neuro”.  Mas afinal, que tipo de check up as pessoas realmente devem fazer?

 

Para quem não tem sintomas, ou qualquer doença conhecida, exames como PSA (antígeno prostático), tomografia das artérias coronárias, raio-x ou tomografia de pulmão têm sido colocados em xeque. Mamografia a partir dos 40 ou 50 anos? Testes genéticos que podem demonstrar uma maior chance de desenvolver doença de Alzheimer no futuro? Todo mundo poderia fazer exame para descartar aneurisma cerebral? Qual é o custo benefício?

 

Resultados falso-positivos levam à ansiedade, novos exames que não raramente são invasivos e, por vezes, até cirurgias desnecessárias. A isso se dá o nome de iatrogenia que é a contra-mão do que o pai da medicina Hipócrates deixou como princípio ético – primum non nocere (em primeiro lugar, não fazer mal). Check ups para pessoas assintomáticas só devem ser realizados quando existem evidências de que os benefícios são maiores que os danos. Isso não quer dizer que as pessoas devem deixar de ir ao médico ou ao dentista pelo menos uma vez ao ano, especialmente após os 40 anos.

 

 

Nos tempo de hoje, os médicos já não precisam cuidar só dos doentes, mas também das pessoas saudáveis. Estamos sempre vulneráveis a sermos rotulados como portadores de alguma disfunção ou transtorno.  

 

Veja abaixo algumas diretrizes de check up de diferentes sistemas do nosso corpo:

MAMA (mulheres) Auto-exame mensal.Após os 40 anos: exame clínico da mama e mamografia anualmente. Mulheres com alto risco (>20% de chance de desenvolver a doença ao longo da vida), podem discutir o custo-benefício da ressonância magnética e ultrasonografia.
COLON E RETO Após os 50 anos: sangue oculto nas fezes anualmente e retossigmoidoscopia a cada 5 anos ou colonoscopia a cada 10 anos. Se houver história de câncer de cólon na família, o sreening deve iniciar após os 40 anos (colonoscopia e testes genéticos).
COLO UTERINO (mulheres) Papanicolau anualmente (discutir custo-benefício do teste DNA HPV)
ATEROSCLEROSE Score de Frahmingham anualmente. Score intermediário (> 10%) : indicado teste de esforço.

Após 55 anos se apresentar qualquer fator de risco (hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, dislipidemia, história familiar, síndrome metabólica):  Ecodoppler de carótidas com espessura íntima média ou Score de Cálcio Coronariano pela tomografia computadorizada a cada 5 anos. Avaliação oftalmológica (retina) e US para descartar aneurisma de aorta abdominal  após 60 anos.

Cavidade oral:Visita ao dentista semestralmente.Olhos:Avaliação periódica com oftalmologista – anual a partir dos 45 anos de idade.Ossos:Densitometria óssea a partir dos 65  e a partir dos 60 anos se houver fatores de risco para osteoporose (ex: uso de corticóide, tabagismo).Pele:Avaliação dermatológica ao aparecer manchas, pintas, feridas inéditas.Estômago – Esôfago:Endoscopia digestiva alta  em caso de dificuldade para engolir ou dispepsia sustentada ou associada a outros sintomas / sinais (ex: perda de peso, anorexia, anemia).Tiróide: US de tiróide é recomendado para pacientes de alto risco (história familiar de câncer de tiróide ou de irradiação) e quando há nódulo palpável, bócio ou linfonodos suspeitos. (AACE 2006).Pulmão: Mesmo com história de tabagismo, a ACCP (2007) não recomenda screening.

Abdome, linfonodos: PET/CT de corpo inteiro não é recomendado como screening (SNM 2007). US de abdome pode ser realizado para avaliação periódica do fígado, vesícula, pâncreas, e rins.  

Sistema genito-urinário: Exame de urina anualmente. US de pelve via abdominal pode ser realizado  para avalaiação periódica de ovários, útero e bexiga. A realização de US transvaginal e CA 125 anual para screening de câncer de ovário é controverso, mesmo em mulheres com história familiar da doença.

PROTEJA SEU CÉREBRO E MANTENHA-O BEM AFIADO

– Durma bem

– Pratique exercícios físicos moderados pelo menos 30 minutos 5 vezes por semana. Evite a exposição solar entre as 10:00h e 16:00h.

– Controle os fatores de risco vascular (ex: tabagismo, pressão alta, diabetes, colesterol, etc)

– Mantenha seu peso ideal

– Equilibre o trabalho com o lazer

– Adote a Dieta Mediterânea na sua vida:  coma pelo menos 5 porções diárias de frutas / vegetais, dê preferência aos grãos integrais, evitando os refinados, e dê preferência às gorduras insaturadas (azeite). Limite o consumo de carnes vermelhas ou processadas (ex: defumados), e o uso de álcool a uma dose por dia. (dê preferência ao vinho tinto). Inclua o peixe na sua dieta pelo menos 2 vezes na semana, especialmente o atum, sardinha e salmão.

ESSAS SÃO ATITUDES QUE, ALÉM DE FAZEREM  BEM AO SEU CÉREBRO,PREVINEM A ATEROSCLEROSE E O CÂNCER

 

 

 

 

 

A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

 

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.

Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.

 

 

Esta semana, um estudo inédito conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia demonstrou que as pessoas que consomem chocolate de forma frequente têm um menor índice de massa corporal. Parece bem paradoxal, hein? Fica mais magro quem come mais chocolate?

 

Participaram da pesquisa mais de mil voluntários com idades entre 20 e 85 anos (média de 57 anos) que responderam a questionários para avaliação do estado de humor, padrão de atividade física e dieta, incluindo o consumo de chocolate.

 

Os resultados mostraram um consumo médio de chocolate nessa população de duas vezes por semana e atividade física vigorosa numa média de três vezes por semana. A ingestão calórica foi maior entre aqueles que comiam mais chocolate, mas mesmo assim eles se mostraram mais magros. Essa associação não pôde ser explicada por diferenças no padrão de atividade física. Além disso, quanto maior o consumo de chocolate, maiores as pontuações na escala de depressão, fato que já havia sido demonstrado numa publicação anterior.

 

Já tínhamos boas evidências de que o consumo de chocolate, especialmente aqueles com alta concentração de cacau, traz alguns benefícios à saúde, como um melhor controle da pressão arterial e dos níveis de colesterol, assim como a promoção de uma melhor sensibilidade à insulina, o que potencialmente reduz o risco de diabetes. Um estudo chegou a mostrar uma maior longevidade associada ao consumo de chocolate.

 

O cacau é muito rico em flavonóides, substâncias fartamente encontradas nos vegetais e que promovem o bom funcionamento dos vasos sanguíneos e do nosso metabolismo. Essas substâncias são as mesmas que fazem a boa fama dos chás verde e preto e da casca das frutas vermelhas. Pesquisas recentes em modelos animais têm apontado efeitos positivos desses flavonóides, especificamente a epicatequina, sobre o volume e desempenho muscular, além de redução do peso mesmo sem qualquer mudança no padrão da atividade física ou da ingesta calórica.     

 

 

 

Principal recado da pesquisa.

Não só a quantidade, mas também a QUALIDADE das calorias podem fazer a diferença no controle do peso.

 

 

Referência: Arch Intern Med. 2012;172(6):519-521

 

 

 

O hábito de colecionar coisas, mesmo que não tenham qualquer utilidade à primeira vista, é um hábito comum entre crianças e adultos, tanto em sociedades modernas como primitivas. Tal hábito também é descrito em outras espécies. O hábito de estocar comida é descrito em pelo menos 12 famílias de pássaros, 21 famílias de mamíferos e vários tipos de insetos. E o hábito de colecionar não é restrito à comida. Alguns tipos de pássaros costumam juntar objetos metálicos e coloridos e hamsters preferem juntar contas de vidro a juntar comida.

 

A estocagem de alimento faz todo sentido do ponto de vista de adaptação das espécies como forma de preparação para tempos de vacas magras. Entre os humanos, o comportamento de colecionador pode representar esse mesmo instinto arcaico, e é difícil pensar em alguém que nunca tenha colecionado nada durante a vida. As coleções podem ser justificadas pelo valor estético e emocional dos objetos, e até mesmo pelo valor material mesmo, como é o caso de obras de arte.

 

O fato é que em algumas situações o comportamento de colecionador não traz nenhuma dessas justificativas anteriores e pode representar um sintoma patológico. Nessa situação o indivíduo coleciona exageradamente, de forma indiscriminada, e tem muita dificuldade de se desfazer das “quinquilharias”. Nesses casos, é mais comum a coleção de objetos que podem ser facilmente obtidos, e após a aquisição eles são deixados de lado. O interesse pelos objetos volta a acontecer quando outra pessoa ameaça dar um fim na coleção. O ato de colecionar é um fim em si mesmo, comportamento semelhante ao dos roedores, que acumulam por acumular, independentemente se suas reservas estão em alta ou em baixa. 

 

Várias doenças neuro-psiquiátricas podem estar associadas a um comportamento de colecionador patológico, como é o caso do transtorno obsessivo-compulsivo, autismo, esquizofrenia, síndrome de Tourette e diferentes tipos de demência. Estudos recentes têm demonstrado que lesões ou alterações no funcionamento de regiões frontais do cérebro, especialmente do lado direito, estão associadas ao comportamento de colecionador patológico. É como se essa região do cérebro funcionasse como freio para o instinto arcaico de acumular por acumular, que tem origem em outras regiões do cérebro como o sistema límbico, um dos maestros de nosso comportamento. Talvez as crianças ainda não tenham esse freio bem desenvolvido, pois se dependesse delas, elas teriam todos os modelos de brinquedos disponíveis no mercado. Consumismo pode não ser o melhor nome para isso.    

  

Num extremo podemos imaginar o colecionador comum e “saudável” que tem toda a obra de seu escritor predileto, e já leu boa parte dos livros que comprou. No outro extremo está o indivíduo que começa a guardar em casa quilos e quilos de objetos sem utilidade que deveriam estar num ferro velho. Entre os dois extremos, estariam aquelas pessoas que lêem ou consultam apenas uma mísera parte dos livros que compra, mulheres que têm um quarto em casa só para guardar a coleção de centenas de sapatos, pessoas que já têm uma respeitável “coleção” de dinheiro suficiente para sustentar três gerações, mas continuam a trabalhar 18 horas por dia pelo prazer de ver sua coleção aumentando… 

 

 

 

Esta semana, um estudo envolvendo mais de 120 mil voluntários seguidos por até 28 anos foi publicado pelo Archives of Internal Medicine (Associação Americana de Medicina) e demonstrou de forma contundente que o consumo de carne vermelha está associado a uma menor longevidade e maior risco de doenças cardiovasculares e câncer. Já tínhamos boas evidências de que carne vermelha não faz bem à saúde, mas esse estudo, além de ser o mais robusto até então, demonstrou de forma inédita que a substituição da carne vermelha por outras fontes de proteína fez as pessoas viverem mais.

 

Calcula-se que 11-16 % das mortes poderiam ser evitadas se as pessoas comessem menos carne vermelha, e a redução do risco de mortalidade por doenças cardiovasculares poderia chegar a 21%. As carnes vermelhas contêm grande quantidade de gordura saturada que por sua vez está associada ao aumento dos níveis de colesterol, da pressão arterial e do risco de câncer. As carnes vermelhas ainda possuem reconhecidos compostos carcinogênicos, que podem ser ainda mais concentrados nas carnes processadas.  Na presente pesquisa, os riscos do consumo das carnes processadas (ex: salsicha, lingüiça) foi ainda maior. 

 

Não é o caso de radicalizar e recomendar que todo mundo adote a dieta vegetariana. Limitar o consumo de carnes vermelhas e processadas a menos de 10% das calorias diárias já é o suficiente. Nesse sentido, dietas com altos teores de carne vermelha como fonte de proteína (ex: dieta do “Dr. Atkins”) não garantem bons resultados à saúde quando se pensa no longo prazo.

 

 

Para terminar, vale a pena lembrar que a limitação do consumo de carne vermelha tem o potencial de conter o desflorestamento e a emissão de gás metano. Geralmente é assim. O que faz bem ao homem, também faz bem ao planeta. A ameaça das mudanças climáticas não está batendo à nossa porta. Já entrou e sentou-se à mesa com nossos filhos e netos. Se não tomarmos medidas efetivas para combater o problema, chegaremos a uma situação de injustiça intergeracional, ou seja, as novas gerações pagarão caro por aquilo que não tiveram qualquer responsabilidade.

 

 

 

Pesquisa publicada na última edição do periódico da Academia Brasileira de Neurologia aponta que os cuidadores de pacientes idosos com demência fazem mais uso de medicações psicotrópicas do que aqueles que cuidam de idosos com outros problemas.

 

O estudo foi conduzido no Distrito Federal, sob a liderança do geriatra Einstein Camargos da Universidade de Brasília, e avaliou por dois meses cuidadores de idosos que eram acompanhados em quatro diferentes unidades de atendimento geriátrico de Brasília: Hospital Universitário de Brasília, Hospital Regional da Asa Norte, Hospital Regional do Guará e Hospital Regional de Taguatinga.

 

Questionários estruturados foram aplicados a 331 cuidadores de idosos, sendo que 63% destes eram cuidadores de pacientes com demência e os outros 37% formados por cuidadores de pacientes sem demência. O uso de psicotrópicos, incluindo benzodiazepínicos e antidepressivos, foi mais comum entre os que cuidavam de pacientes com demência quando comparado ao outro grupo (18.4% X 7%). Medicações para induzir o sono passaram a ser usadas após o início da função de cuidador mais frequentemente entre aqueles que cuidavam de pacientes com demência do que no outro grupo (11.4% X 4.3%). A maioria dos cuidadores era formada por filhos dos pacientes sem ocupação profissional, mulheres em 80% dos casos.

 

Pacientes com demência apresentam agitação durante a noite e habitualmente influenciam o sono da casa como um todo. A carga emocional de cuidar de um ente querido e até mesmo a restrição das atividades sociais também contribuem para esse maior uso de psicotrópicos. Estudos demonstram que os cuidadores de pacientes com demência têm hormônios do estresse mais elevados, respostas imunológicas a infecções menos eficientes, apresentam uma maior freqüência de transtornos psiquiátricos como a depressão e piores qualidade de vida e estado de saúde geral. 

 

A atual pesquisa provoca uma reflexão para que os médicos que assistem a pacientes com demência dêem atenção aos cuidadores e os orientem a ter apoio psicoterápico quando indicado.

 

 

 Stickman Tired Clip Art

 

 

A missão do projeto ConsCiência no Dia-a-Dia é a de ampliar a consciência pública das ciências em saúde e tem como objetivo principal a difusão das mais recentes publicações científicas em saúde que tenham impacto direto no dia-a-dia das pessoas, com linguagem acessível e forte enfoque na saúde preventiva.

 

Apesar de ser uma atividade MUITO PRAZEROSA para mim, infelizmente tive que tomar a decisão de não mais responder a posts que solicitam opiniões sobre problemas médicos pessoais, pelo simples fato de não mais conseguir manter o projeto e ainda responder a todas essas demandas. Questões pessoais de saúde devem ser discutidas pessoalmente com o médico, e espero que o ConsCiência no Dia-a-Dia possa incrementar seu repertório para tirar o melhor proveito desse encontro.

 

 

Uma pesquisa publicada esta semana pelo BMJ Open revela que o consumo freqüente de medicações para induzir o sono está associado a um maior risco de câncer e morte, mesmo entre as pessoas que as usam pouco mais do que uma vez por mês.

 

Foram acompanhados mais de 10 mil americanos com uma média de idade de 54 anos e que usavam esse tipo de medicação por um período 2.5 anos em média. As condições de saúde e expectativa de vida desses voluntários foram comparadas às de outro grupo com características semelhantes de saúde, idade e sexo, mas que não usava hipnóticos. 

 

É importante ressaltar que os resultados não implicam numa relação causa e efeito. Seria coerente pensar que as pessoas que usam os hipnóticos já têm um pior estado de saúde, mas a pesquisa não pôde demonstrar esse fato.

 

Apesar de não podermos afirmar que esses remédios sejam deletérios à saúde de forma inequívoca, o estudo provoca uma reflexão sobre a importância de se encorajar alternativas para os hipnóticos no tratamento da insônia. Estamos falando de psicoterapia, meditação, atividade física, etc.

 

Esses resultados merecem toda nossa atenção, já que o Brasil é um dos maiores consumidores desse tipo de medicação. O campeão clonazepam vende cerca de 20 milhões de caixinhas por ano.

 

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