É um consenso geral que portadores da Doença de Alzheimer (DA) em suas fases moderada e grave não deveriam mais dirigir. Entretanto, é controversa a situação de indivíduos na fase inicial da doença, ou mesmo entre aqueles sem demência, mas com queixas cognitivas. A princípio, muitos desses mantêm a capacidade de dirigir com segurança por algum tempo ainda, e a proibição de dirigir pode ser muito penosa já que influencia de maneira significativa a autonomia dos idosos. Um estudo publicado recentemente na revista americana Neurology revelou preciosas informações sobre o tema. A performance no volante de pacientes com a forma leve da DA foi comparada à de indivíduos sem problemas cognitivos (grupo controle) ao logo de três anos. Já na avaliação inicial, os portadores de DA apresentavam menor pontuação no teste de direção e já haviam apresentado mais acidentes do que o grupo controle. Entretanto, cerca de 80% dos pacientes era capaz de passar no teste de direção. Ao longo dos anos, tanto os portadores de DA como o grupo controle pioravam o desempenho no teste de direção, mas na DA as perdas eram mais robustas. Conclui-se com esse estudo que pacientes nas fases iniciais da DA não devem ser desencorajados a dirigir de forma arbitrária. A recomendação para se interromper a condução de veículos deve ser baseada no desempenho de cada indivíduo em testes de direção, e estes devem ser realizados de forma mais freqüente que o habitual, como por exemplo, a cada seis meses.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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