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Uma pesquisa recém-publicada pela revista Neuroscience revela que o tempo que se gasta com educação física na escola influencia de maneira positiva o desempenho acadêmico dos alunos. Crianças de 9 anos de idade foram submetidos a uma série de testes cognitivos especialmente elaborados para se testar a capacidade de atenção após 20 minutos de repouso. Em um outro dia, as crianças passaram pelos mesmos testes após uma sessão de 20 minutos de caminhada na esteira. O desempenho cognitivo dos alunos foi significativamente melhor quando testados após o exercício físico, acompanhado também por melhores medidas neurofisiológicas que refletem a capacidade de atenção (potencial evocado P3).
Os pesquisadores ainda foram além. Realizaram testes do conteúdo aprendido em sala de aula, com foco em matemática, escrita e interpretação de texto. Mais uma vez, os acertos foram maiores após a atividade física, especialmente no teste de interpretação de texto. Na verdade, os resultados poderiam ter sido ainda melhores se a atividade física realizada fosse mais interessante para as crianças do que caminhar na esteira. Um dos autores do estudo, Darla Castelli da Universidade de Illinois, recomenda que estudantes do ensino fundamental realizem pelo menos 150 minutos de atividade física durante a semana e 225 minutos no caso de estudantes do ensino médio. A pesquisadora recomenda ainda que os professores criem formas de integrar atividade física e conteúdo programático até mesmo dentro da sala de aula.
A crescente preocupação com a competitividade que as crianças enfrentarão no futuro já faz com que algumas escolas estimulem a competitividade desde cedo. Mudanças curriculares têm sido propostas, com redução e até extinção de atividades de educação física e educação artística. A ciência tem ajudado a fazer com que esses tipos de atitude sejam repensadas. Já foi comprovado que o tempo dispendido com educação física na escola traz mais sucesso acadêmico do que se esse tempo fosse investido na sala de aula. Isso sem falar nas dimensões humanísticas, de equilíbrio psíquico e de prevenção de doenças que a educação física é capaz de oferecer.
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Desde 1999, a Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças com menos de dois anos de idade devem ficar longe da TV. Mesmo assim, pesquisas apontam que em cerca de 70% dos lares as crianças nessa faixa etária costumam assistir 1 a 2 horas de TV por dia e que boa parte dos pais acredita que a TV , e especialmente os videos educativos, podem auxiliar no desenvolvimento da criança.
Um estudo recém publicado pela revista Pediatrics revela que a TV e videos não trazem nenhum tipo de benefício cognitivo às crianças de 0 a 2 anos de idade, mas também não prejudica. Quase 900 crianças foram acompanhadas e a média diária de tempo em frente à TV foi de 1.2 h. Aos 3 anos de idade, medidas de vocabulário e habilidades visuomotoras não foram influenciadas pelo hábito de assistir TV e videos. Entretanto, estudos anteriores já haviam demonstrado que a TV pode ter impacto negativo nos bebês a depender do conteúdo assistido. Conteúdos violentos antes dos 3 anos de idade dobra a chance das crianças apresentarem problemas de atenção na infância.
O estudo reforça resultados de estudos anteriores de que a TV e videos não melhoram o desempenho cognitivo dos bebês. Isso já foi testado até mesmo com os famosos videos educativos Baby Einstein, e gerou até processo da produtora Disney sobre a Universidade de Washington que conduziu o estudo. Nesse caso específico, o estudo mostrou que bebês que assistiam aos vídeos até tiveram piores scores cognitivos.
É bom lembrar que o desenvolvimento cognitivo não é a única medida para se avaliar os efeitos da TV sobre as crianças. Já existem evidências que limitar o uso da TV pelas crianças colabora para que elas tenham hábitos alimentares mais saudáveis, reduz o risco de sobrepeso e obesidade e ainda é capaz de melhorar a qualidade do sono.
Temos uma série de evidências de que crianças que aprendem a tocar um instrumento musical na infância têm ganhos significativos em habilidades motoras e auditivas e que também são utilizadas em diversas outras situações do dia-a-dia. Além disso, pesquisas já demonstraram que o aprendizado musical na infância pode aumentar o desempenho em outras dimensões cognitivas como habilidades espaciais, matemáticas, de linguagem verbal, e até mesmo uma associação com maior QI e desempenho acadêmico na idade adulta.
Um novo estudo publicado esta semana no periódico PloS ONE confirma parte desses achados ao mostrar que crianças que tiveram aprendizado musical por pelo menos três anos apresentam melhor desempenho motor e auditivo como também uma melhor habilidade verbal e de raciocínio não verbal. Uma das formas de explicar os resultados é o próprio efeito estimulante do estudo da música sobre o cérebro. Por outro lado, as crianças que recebem educação musical podem na verdade terem pais mais dedicados ao processo educacional dos filhos como um todo. Além disso, crianças que passam anos no processo de educação musical podem ser genuinamente mais persistentes e motivadas do que aquelas que começam e desistem logo em seguida. E se são mais persistentes para a música, têm chance de serem mais persistentes também nas tarefas da escola.
Essa nova pesquisa é a divulgação de resultados parciais de um grande estudo longitudinal conduzido por pesquisadores de Harvard e que devem num futuro próximo nos trazer respostas mais precisas de quais desses mecanismos são os mais relevantes para explicar a relação entre a música e o sucesso cerebral das crianças.






