Ricardo Afonso Teixeira*

A análise do envelhecimento de 23 diferentes órgãos do corpo aponta que ele é menor entre indivíduos que dormem entre 6.4 e 7.8 horas por noite. Menos ou mais sono do que essa quantidade de sono está associado a um envelhecimento mais rápido do cérebro, coração, pulmões, sistema imunológico, entre outros órgãos, além de uma série de doenças. Esses são resultados de uma pesquisa conduzida pela Universidade de Columbia nos EUA, envolvendo cerca de meio milhão de indivíduos, e publicada recentemente pela prestigiada revista Nature.

O padrão de envelhecimento foi feito através de marcadores, como proteínas e outras moléculas menores associadas a determinados órgãos, além da estrutura desses órgãos por imagens médicas. Os pesquisadores alertam para que esses achados não sejam interpretados como se dormir menos de seis ou mais de oito horas fosse provocar um envelhecimento mais rápido, mas é provável que dormir fora dessa faixa ótima pode ser um sinal de uma má condição de saúde do corpo como um todo.  

Vale lembrar que o número ideal de horas de sono é aquele que faz com que a pessoa no outro dia sinta que dormiu o suficiente. Um percentual pequeno de pessoas sente-se bem com menos de sete horas, e estes são chamados de dormidores curtos. Há também os dormidores longos, aqueles que precisam de mais de oito horas de sono e que também representam uma minoria. Porém, a maior parte da população dorme entre sete e oito horas por noite.  

Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília