
Ricardo Afonso Teixeira*
Um estudo publicado esta semana pela Neurology, periódico da Academia Americana de Neurologia, aponta que a terapia de reposição hormonal com estrogênio está ligada a um menor contingente de depósitos proteicos associados à doença de Alzheimer e menor chance de declínio cognitivo e de desenvolver um quadro demencial entre mulheres com mais de 50 anos, mas que iniciaram o tratamento em média após os 70 anos de idade.
Contrário a esses resultados estão pesquisas bem robustas conduzidas em 2003 e 2004 que não evidenciou efeitos neuroprotetores do tratamento de reposição hormonal, tanto com estrogênio puro, como com formulas conjugadas, em mulheres submetidas a esses tratamentos após os 65 anos de idade (Women’s Health Initiative Memory Study). Estudos menores vêm apresentando resultados promissores quando a reposição hormonal é feita em uma fase mais precoce, criando o conceito de uma janela crítica para que se tenha benefícios neuroprotetores desses tratamentos. Entretanto, esse conceito de janela crítica ainda está por ser confirmada, já que outros estudos não a apoiam.
Já quando o assunto é derrame cerebral, há evidências de que a reposição de estrogênio traz proteção com o uso até os 60 anos de idade ou dentro de um período de dez anos após a menopausa. Após esse tempo, a resposta é indiferente ou o risco pode até aumentar.
Concluindo, o conjunto de evidências ainda não é suficiente para defendermos a terapia de reposição hormonal como método de prevenção de demência, mas o atual estudo lança uma luz para que se estude detalhadamente quais mulheres têm mais chance de se beneficiarem. Qual a melhor fórmula? Momento ideal para o início do tratamento?
Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília




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