Ricardo Afonso Teixeira*

O aplicativo foi capaz de detectar corretamente uma convulsão em 46 de 47 crises, resultados 90% melhores que outros dispositivos utilizados para detecção de crises.   Esses resultados  foram publicados nesta última semana pela Neurology Open, periódico da Academia Americana de Neurologia.

Após 16000 horas de monitoração, houve apenas 56 falsos alarmes, 0.08 por dia, um a cada 12.4 dias.  Os resultados são bem mais eficazes que modelos de detecção de crises anteriores que exibiram falsos alarmes de 2.52 por dia.  Entre os participantes deste estudo, 87% não tiveram falsos alarmes, 9% apresentam apenas um e 4% dois ou mais. A sensibilidade do método foi de 98% comparado a 76 a 94% de métodos anteriores.

Para quem tem crises epilépticas que não são controladas com medicações, e elas representam 30% das pessoas que sofrem dessa condição neurológica, saber com antecipação o momento de uma nova crise pode fazer toda a diferença, promovendo um estado de maior segurança e autonomia. Saber que uma crise acontecerá em alguns minutos permite que a pessoa que está dirigindo, por exemplo, encoste o carro e evite um acidente. Essa informação também pode fazer com que o indivíduo use uma medicação extra nos períodos imediatamente antes da crise.  

Essa tecnologia abre uma grande porta para o desenvolvimento de novos métodos para controle de crises epilépticas de ação ultrarrápida como estímulos elétricos ou até mesmo medicações. Isso pode trazer mais independência àqueles que sofrem com quadros de epilepsia de difícil controle, reduzindo acidentes e o impacto psicossocial dessa condição neurológica que afeta uma em cada cem pessoas. Epilepsia não escolhe idade, raça, gênero, muito menos status socioeconômico.

*Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília