
Ricardo Afonso Teixeira*
Pesquisadores da Universidade da Califórnia alertam para uma revisão crítica dos níveis de vitamina B12 considerados normais e que os atuais valores podem ser subótimos, especialmente entre os idosos. Após estudo, envolvendo idosos saudáveis, sem demência ou transtorno cognitivo leve, foi demonstrado que era pior o desempenho cerebral entre aqueles com menores taxas, mesmo que estivessem dentro da faixa da normalidade. Leia-se por menos desempenho cerebral um pensamento e processamento visual mais lento. Além disso, menores índices nessa faixa de normalidade esteve associado a um maior contingente de lesões na substância branca do cérebro. A pesquisa foi publicada no periódico Annals of Neurology.
Os autores do estudo sugerem que idosos com sintomas neurológicos devem receber suplemento de vitamina B12, mesmo que os índices estejam dentro dos parâmetros da normalidade e que outras pesquisas precisam ser feitas para avaliação do custo-benefício dessa ação. Por outro lado, já temos um robusto corpo de evidências mostrando que a suplementação de B12 para a população geral sem queixas neurológicas, ou deficiência desse micronutriente, não traz benefícios.
O valor mínimo considerado normal corresponde, na verdade, a três desvios padrão abaixo da média da população sem, entretanto, levar em conta o contexto clínico. A Associação Americana de Nutrição já criticava essa faixa de normalidade no ano de 2010 argumentando que mais de 5% dos pacientes com quadro clínico compatível com deficiência de vitamina B12, e que respondem à sua suplementação, têm níveis de B12 considerados normais.
*Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília




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