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O prestigiado periódico Proceedings of the National Academy of Sciences USA publicou recentemente um estudo que mostrou que o nível de incômodo com o cheiro dos outros depende de quanto os consideramos parte do nosso grupo social.

Pesquisadores escoceses da Universidade de St Andrews fizeram um estudo com 135 universitários de ambos os sexos em que eles tinham que segurar e cheirar uma camiseta suada. Eles eram orientados a dar uma nota de 1 a 7 do quanto o cheiro era desagradável. Os voluntários eram despistados do real motivo do estudo com informações como “a intenção é medir a capacidade de se identificar feromônios”. Os resultados mostraram que os estudantes toleravam mais o cheiro das camisas que tinham a logomarca de suas universidades. Além de darem notas piores às camisetas dos rivais, os estudantes andavam com mais rapidez até o local de lavar as mãos após o experimento e também usavam mais sabão.

A explicação para essa diferença passa por questões evolutivas. A experiência de desgosto com o cheiro é um instinto que promove proteção contra exposição a patógenos. Cheiros de pessoas que não são do “mesmo time” teriam mais chance de estar associados a germes desconhecidos. O estudo confirma resultados anteriores de que somos mais tolerantes a cheiros desagradáveis de pessoas que julgamos serem do nosso universo. Mesmo experiências básicas como o olfato são reguladas por fatores sociais, mesmo inconscientemente. Os pais não costumam ter nojo, ou pelo menos muito nojo, ao trocar a fralda dos filhos.

 

 

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