Uma pesquisa publicada na última edição do Headache, periódico oficial da Academia Americana de Cefaléia, aponta que metade dos americanos que apresenta enxaqueca, ou outros tipos de dor de cabeça intensa, faz uso da Medicina Complementar e Alternativa (MCA), sendo que a metade destes não discutem a indicação com o médico de referência. 

 

Essa cifra foi significativamente maior entre os enxaquecosos, quando comparados à população geral (49.5% X 33.9%), e a maioria deles procuravam a MCA por sintomas de ansiedade, dores no corpo, para melhorar o estado de bem estar e prevenir doenças. Em apenas 4.9% dos casos, a razão da procura era para tratar especificamente as dores de cabeça. Os resultados também mostraram que terapias “Mente e Corpo” são as mais utilizadas, e aqui podem ser incluídas ioga, meditação e técnicas de relaxamento.  A pesquisa envolveu 23 mil voluntários com uma boa representação nacional.

 

O tratamento convencional da enxaqueca tem dois alvos principais. O primeiro é o controle da crise de dor com medicações sintomáticas e o outro é o tratamento profilático com medicações que trabalharão a química cerebral para reduzir a freqüência e intensidade das crises no futuro próximo.

 

Uma boa parte das pessoas que sofre de enxaqueca dá preferência a tratamentos não farmacológicos, muitas vezes por serem mais congruentes com seus valores, crenças e orientações filosóficas. Além disso, podem representar uma ótima opção em situações específicas como na gravidez ou em casos de intolerância, contra-indicação ou ausência de resposta aos medicamentos habituais. Alguns estudos avaliaram a combinação da medicação profilática com intervenções não medicamentosas e o resultado foi melhor do que o tratamento apenas com a medicação. Entre os tratamentos ditos não convencionais, os que tiveram melhores resultados em pesquisas científicas foram alguns fitoterápicos, acupuntura e as terapias “MENTE-CORPO”.

 

O processo de provocar a manifestação do paciente quanto às suas expectativas no tratamento, crenças e preferências, faz com que a relação médico-paciente tome um corpo mais forte. Muitas dessas terapias têm forte comprovação científica, como é o caso da acupuntura, e o médico deve sim transmitir esses detalhes ao paciente. Medicina alternativa/complementar com evidências científicas pode andar de mãos dadas com a medicina convencional, e a essa abordagem mais plural foi dado o nome de Medicina Integrativa. Então essa é a medicina do futuro? Não. Essa é melhor medicina de qualquer tempo: do passado, do presente e do futuro.

 

 

 

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