
Ricardo Afonso Teixeira*
Pesquisa de 43 anos de duração acaba de ser publicada pelo JAMA mostrando que o consumo diário de café ou chá cafeinados promove um melhor desempenho cognitivo ao longo do tempo e reduz o risco de demência em 18%, mesmo entre pessoas geneticamente mais predispostas a apresentarem esse diagnóstico. A Universidade de Harvard acompanhou mais de 130 mil voluntários.
Estudos anteriores já haviam demonstrado esse efeito protetor, mas com resultados conflitantes. A presente pesquisa é muito robusta, por muitos fatores, entre eles a duração de seguimento, e traz uma forte confirmação dos efeitos benéficos dessas bebidas sobre o cérebro. Os resultados da pesquisa não evidenciaram benefícios cognitivos com uso de café descafeinado, sugerindo que a cafeína pode ser o fator chave.
A cafeína se liga a receptores do cérebro chamados de adenosina que promovem uma inibição da atividade cerebral. A cafeína tem uma ação inibitória nesses receptores fazendo uma inibição de um sistema que é inibitório. Por isso o efeito final é estimulante. Quando reduzimos o efeito do freio de mão, o carro anda mais. Esta é a cafeína.
Modelos animais da Doença de Parkinson apontam que a inibição do receptor adenosina pela cafeína reduz a perda de células dos sistemas comumente envolvidos na doença. No caso da Doença de Alzheimer, o consumo de café ao longo da vida pode reduzir o risco da doença. Pesquisas em animais revelam que a cafeína tem o poder de reduzir as alterações patológicas encontradas no cérebro de quem sofre dessa doença.
E vale lembrar que a cafeína deve ser evitada entre pessoas em situações de risco de fratura óssea e na gravidez.
Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília




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