Close-up Photo of a Woman Listening to Music
Por Dr. Ricardo Teixeira*
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Nossa escolhas musicais são influenciadas por diversos fatores, como onde vivemos, períodos do dia e do ano, idade e gênero. Essa é conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Cornell nos EUA e publicado recentemente no periódico Nature Human Behaviour.
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Uma das principais questões que a pesquisa ajuda a responder é se nosso estado emocional ajuda a definir a música que escutamos ou se a música também é capaz de modificar nossas emoções. Os pesquisadores de Cornell apontam que ambas as situações são verdadeiras. Indivíduos que têm tendência a dormir tarde ouvem músicas menos vigorosas, mas no decorrer do dia, as músicas vão ficando mais intensas, mesmo no meio da tarde, quando as pessoas estão mais “devagar”. Isso indica que a música pode ser uma ferramenta para que essas pessoas se mantenham alertas durante o dia. A música reflete como a pessoa está se sentindo, mas também como ela gostaria de estar se sentido.
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A pesquisa foi feita através dos registros de streaming de 765 milhões de músicas da plataforma Spotfy entre 1 milhão de pessoas em 51 diferentes países. Nas diversas culturas estudadas, as pessoas ouvem músicas mais relaxantes à noite e mais intensas no horário comercial. Além disso, pessoas mais velhas dão preferência a músicas mais relaxantes.
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Pessoas que vivem no ocidente ouvem músicas mais intensas quando comparadas às do oriente.  Mulheres ouvem música menos intensas, especialmente à noite, mas aquelas do hemisfério sul ouvem músicas mais vigorosas que os homens. A estação do ano fez diferença também. As músicas eram mais relaxantes em temperaturas mais frias. Em culturas próximas ao equador, onde a duração dos dias e noites é mais equilibrado, a música era mais intensa, e esse foi o melhor fator preditivo para a intensidade das músicas.
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Os resultados do estudo são concordantes com outras pesquisas que apontaram que a música que se ouve varia de acordo com o estado emocional e mostram o retrato dos ritmos emocionais do comportamento humano.
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* Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília
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