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É senso comum que para a promoção de um desenvolvimento sexual saudável durante a adolescência a participação ativa dos pais é muito valorosa. Estudos recentes têm revelado que filhos que discutem com seus pais a questão da sexualidade tendem a iniciar a vida sexual mais tardiamente, usam métodos contraceptivos com maior freqüência e tem menos parceiros sexuais. Os pais, sem dúvida alguma, são grandes protagonistas para o sucesso do desenvolvimento sexual dos filhos. Infelizmente, muitos pais pouco se comunicam com os filhos sobre o tema e tratam o assunto com desconforto e insegurança. Programas que promovam uma melhor comunicação entre pais e filhos podem ser extremamente valorosos, mas muitos desses programas não vão muito para frente devido às dificuldades de disponibilidade de tempo por parte dos pais. E se a montanha não vai até Maomé, que tal se Maomé for até à montanha.
A edição de hoje do British Medical Journal nos traz a experiência do programa PAIS QUE CONVERSAM, ADOLESCENTES SAUDÁVEIS liderado por Mark Schuster do Children´s Hospital de Boston – EUA. O programa foi desenvolvido para aumentar a competência dos pais em conversar com seus filhos sobre sexualidade. A inovação é que nesse programa os filhos vão até o trabalho de seus pais na hora do almoço. São oito encontros em grupos de cerca de 15 famílias, uma vez por semana com duração de uma hora onde pais e filhos participam de trabalhos em que treinam a capacidade de prestar atenção ao outro (escuta ativa), fazem uso de jogos, vídeos, realizam discussões e levam tarefas para casa (pais e filhos juntos), tudo focado para incrementar a capacidade de comunicação entre pais e filhos sobre o tema sexualidade.
Mais de 500 famílias com adolescentes em idades entre 11 e 16 anos participaram do estudo. Após o programa de oito semanas, os adolescentes e pais eram interrogados através de questionário sobre sobre comunicação de questões relacionadas à sexualidade. Quando comparados ao grupo controle, o grupo que participou do programa evidenciou que os pais mais freqüentemente deram instruções aos filhos de como usar o preservativo, conversaram mais sobre tópicos associados à sexualidade, e tanto pais como filhos, evidenciaram uma maior competência em discutir sobre o assunto. Esses resultados foram consistentes mesmo após nove meses de seguimento, e em alguns fatores pesquisados, os resultados melhoraram ainda mais com o passar do tempo.
O objetivo do estudo era de medir o impacto do programa sobre questões relacionadas à sexualidade. Poucos devem duvidar que os benefícios tendem a se estender a diversas outras dimensões da vida dos adolescentes.
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Algumas doenças podem ter um efeito devastador na vida de um paciente e suas famílias, especialmente no caso do câncer e de doenças degenerativas e progressivas como a Doença de Alzheimer. Perguntas comuns nessas situações como Por que comigo?, Por que logo com meu filho?, Por que isso tudo? nos dão uma pista de que além dos cuidados físicos e emocionais, uma janela preciosa na relação entre a equipe de saúde e o paciente e seus familiares pode estar se abrindo: a dimensão espiritual.
Estudos revelam que mais de 90% dos médicos acreditam que as crenças espirituais dos pacientes devem ser consideradas. Entretanto, apenas 30% dos médicos acreditam que essas crenças devam efetivamente ser abordadas, e só 10% adotam essa prática, mesmo entre pacientes terminais. Por outro lado, sabemos também serem bastante ruins os indicadores que medem a satisfação de pacientes quanto ao cuidado dispensado pela equipe de saúde aos seus aspectos emocionais e espirituais, evidenciando uma fraqueza dos serviços de saúde que precisa ser trabalhada.
Já temos um razoável corpo de evidências que indivíduos com uma maior vivência religiosa / espiritual têm uma melhor relação com a doença: maior cooperação no tratamento, maior capacidade de lidar com o estresse emocional, melhora mais rápida de sintomas depressivos. Além disso, o envolvimento com uma comunidade religiosa está associado a uma maior rede social, e há tempos sabemos que pessoas socialmente integradas têm menos chance de adoecer, e quando doentes, a rede social é uma das principais fontes de apoio. Entretanto, as crenças religiosas nem sempre estão a favor da saúde do paciente, já que podem em alguns casos dificultar a aderência ao tratamento com idéias do tipo: esse é o desejo de Deus; Deus me abandonou; esse é o meu destino; esse é o meu castigo; etc. Em situações como essas, é importante que a equipe de saúde esteja minimamente preparada para abordar as dimensões religiosas / espirituais do paciente com a intenção de aumentar a aderência e sucesso do tratamento, além de poder contribuir para um maior senso de controle e significado do problema. Tal abordagem pode ainda identificar crenças que podem ser relevantes em determinadas decisões médicas.
Alguns podem pensar que uma conversa dessa natureza pode ser percebida pelo doente como uma intromissão na sua intimidade. Claro que se no início dessa conversa o paciente já demonstra que religiosidade / espiritualidade são dimensões que não são questões importantes na sua vida, então a conversa já deve parar por aí. Ninguém deve também “prescrever” religião aos pacientes, convencê-los que um tipo de crença ou prática seja interessante ou entrar em polêmicos embates sobre religião. A idéia de um melhor entendimento da religiosidade / espiritualidade dos pacientes também não tem como objetivo o médico ou outro profissional de saúde ficar dando conselhos espirituais ao paciente.
Enquanto percebemos uma medicina cada vez mais comercial, em que os pacientes passam mais tempo nas máquinas de exames do que com o médico, há espaço sobrando para a discussão e aprofundamento de questões associadas às questões religiosas / espirituais dos doentes, e isso já está começando a tomar forma. Cresce o investimento em pesquisas que analisam o impacto da inserção de aspectos espirituais na relação médico-paciente, inclusão do assunto no currículo de graduação médica, e bem recentemente, a Comissão de Acreditação de Organizações de Saúde nos Estados Unidos incluiu em seu manual de acreditação para hospitais a recomendação de que os profissionais de saúde abordem sim os valores espirituais dos pacientes. Talvez a busca por “medalhas de qualidade” impulsione a tão esperada reumanização da saúde.





