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Os arquitetos precisam saber disso. Uma pesquisa publicada recentemente pela Universidade de Northwestern nos EUA aponta que trabalhar em um ambiente com luz natural melhor para a saúde que a luz artificial. O estudo mostrou que janelas na sala de trabalho permitem uma exposição à luz 173% maior do que ambientes só com luz artificial. Além disso, quem trabalha em ambientes com luz natural dorme à noite quase uma hora a mais e também praticam mais atividade física.

 

Os efeitos positivos da luz podem ser mediados por melhora dos estados de humor e de vigília e do metabolismo. Ambientes mais escuros estimulam a produção de melatonina, que tem seu pico à noite. A produção desse hormônio à noite pode ficar prejudicada se durante o dia ficamos sem ver a luz do dia. Imagine então o efeito de estímulos à noite de telas de TV, computador e tablet.

 

O estudo foi publicado em junho pelo Journal of Clinical Sleep Medicine.

 

 

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Uma pesquisa com primatas ainda na década de 1950 criou o que se conhece hoje por “mito do estresse do executivo”. Um grupo de macacos era submetido a choques elétricos a cada 20 segundos em turnos de seis horas. Outro grupo, chamado de “macacos executivos”, passava pelos mesmos choques, mas tinha a chance de evitá-los acionando uma alavanca. Os macacos executivos aprenderam o truque sem dificuldade, mas começaram a morrer com úlceras no estômago. Isso quer dizer que os executivos que tinham o privilégio de controlar a situação foram os que mais se estressaram?

Os resultados dessa pesquisa caíram em descrédito após uma análise da metodologia que mostrou que os “macacos executivos” foram assim classificados de forma inapropriada. Vários outros estudos que avaliaram a relação entre estresse, saúde e poder demonstraram o oposto dessa pesquisa.  Entre os primatas, aqueles com posições inferiores na hierarquia social têm maiores níveis do hormônio do estresse cortisol e maior freqüência de doenças associadas ao estresse.

Entre os humanos, a evidência mais direta que o estresse é menor entre os líderes foi demonstrada recentemente por uma pesquisa conduzida pelas Universidades de Harvard, Stanford e Califórnia.  Os pesquisadores dividiram um grupo de voluntários que trabalhavam tempo integral em dois grupos: líderes e não líderes.  Foram classificados como líderes os que comandavam outras pessoas no trabalho e foram eles apresentavam menores níveis de estresse medidos por escalas de ansiedade e concentração do hormônio cortisol. Funcionários do governo britânico comportam-se da mesma forma. Um grande estudo em andamento desde a década de 1960 confirma que é menor o nível de estresse a cada degrau que se sobe na hierarquia.

Parece mesmo que as responsabilidades da chefia trazem menos estresse que a falta de desafios no trabalho e de poder de decisão. O poder de dizer não, escolher quando e como decidir alguma coisa, esses são confortos de ser chefe. Por outro lado, já é conhecido que as pessoas sem controle sobre as decisões que influenciam a própria vida podem ter um enfraquecimento do sistema imunológico, pressão arterial elevada e ainda desenvolver doenças associadas ao estresse.

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É difícil contestar a idéia de que a realização profissional seja um dos pilares para o bem estar psíquico e isso inclui um trabalho motivador, remuneração adequada assim como um bom ambiente de trabalho que inclui boa relação com os colegas e com as lideranças.

 

Algumas pesquisas chegaram a demonstrar que quando se pergunta a funcionários de uma empresa o que eles colocam em primeiro lugar, um bom ambiente de trabalho ou um salário um pouco maior, o ambiente de trabalho ganha do salário em importância. O fato é que esse clima no trabalho influencia sobremaneira a produtividade de uma empresa assim como a saúde de quem nela trabalha.

 

O estresse no trabalho pode até engordar  

Falta de desafios no trabalho, falta de poder de decisão e dificuldade em equacionar o trabalho com a vida familiar. Esses são diferentes domínios do estresse no trabalho que têm sido associados a ganho ponderal.

 

Experimentos com primatas revelam que quando submetidos à subordinação social, os animais têm aumento dos níveis do hormônio cortisol, que por sua vez está associado à obesidade abdominal. Em contraste, outros experimentos mostram que primatas em posição de liderança comem menos que os que estão em posição de subordinação. Em humanos, já foi demonstrado que o estresse no trabalho está associado a um estilo de vida sedentário.

 

E provoca muito mais do que ganho de peso

Já é bem reconhecido que o estresse psicossocial está associado a um maior risco de diversas doenças como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e câncer.  A enxaqueca, o diabetes, que estavam bem controlados, ficam descompensados. Indivíduos que julgam viver em melhores ambientes de trabalho apresentam menos comportamentos de risco à saúde: tabagismo, obesidade, sedentarismo e abuso de álcool. Vale lembrar que esses são os quatro fatores de risco mais associados a doenças e à mortalidade em países industrializados.

 

Pode chegar ao ponto do esgotamento

O trabalho exaustivo chega a fazer com que nosso cérebro funcione de forma menos eficiente. O excesso de trabalho está associado a reações do sistema endocrinológico e imunológico, alteração no padrão do sono, fadiga, depressão, hábitos de vida deletérios à saúde e aumento do risco de doenças cardiovasculares.

 

A síndrome de esgotamento profissional, descrita na língua inglesa como síndrome de “Burnout”, é caracterizada pela exaustão emocional e perda de entusiasmo pelo trabalho além da redução da empatia com as pessoas com uma tendência de tratá-las como objetos, fenômeno chamado de despersonalização. Estudos demonstram que um em cada três médicos sofre da síndrome de esgotamento em algum período da sua vida profissional, e a situação parece não ser muito diferente entre os PROFESSORES. Esses foram os profissionais mais estudados.

 

A síndrome de esgotamento profissional no médico está associada a uma piora da qualidade do atendimento oferecido aos pacientes e abandono da carreira, mas também a inúmeras repercussões pessoais como maior risco de acidentes, abuso de substâncias psicoativas, idéias de suicídio, doenças físicas relacionadas ao estresse e dificuldade nas relações familiares.

PARA REFLETIR SE O SEU AMBIENTE DE TRABALHO É SATISFATÓRIO

1. Os funcionários têm a atitude de trabalharem unidos? 2. Seus colegas sentem-se compreendidos e aceitos? 3. Vocês podem confiar no chefe? 4. O chefe trata os funcionários com gentileza e consideração? 5. O chefe apresenta preocupação com os direitos dos empregados? 6. Cada funcionário mantém os outros informados sobre o que fazem na empresa? 7. Os funcionários apresentam sugestões para alcançarem o melhor desempenho? 8. Todos os funcionários colaboram entre si para desenvolverem e aplicarem novas idéias?

** Se você respondeu sim a todas essas questões, que bom! Mas se respondeu não a muitas dessas perguntas, seu trabalho pode não estar jogando a favor de sua saúde.

 

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Ganhamos dois anos de vida ao limitarmos o tempo em que ficamos sentados em no máximo três horas por dia. Além disso, tem um extra de 1.4 anos se assistirmos TV por menos de duas horas diárias. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo British Medical Journal.

 

Os pesquisadores analisaram os dados de uma enquete de grande representatividade nacional conduzida nos EUA que avaliava, entre outras questões, o tempo médio diário que as pessoas passam sentadas ou em frente da TV. Esses resultados foram analisados em conjunto com os de outras pesquisas relevantes sobre o tema que incluíram cerca de 170 mil adultos.  

 

O sedentarismo vai muito além da ausência de exercícios físicos regulares.  O termo sedentário tem origem em SEDERE do Latim que significa SENTAR e já existem argumentos coerentes que dariam suporte à mudança do termo “comportamento sedentário” por “comportamento de inatividade muscular”. As pesquisas têm mostrado que o hábito de permanecer longos períodos do dia sem movimentação aumenta o risco de obesidade, diabetes, síndrome metabólica, doenças do coração, câncer, e também está associado a uma menor longevidade. Tudo isso é independente da presença de exercícios moderados a vigorosos. É previsível que essas horas de inatividade muscular sejam ainda mais prejudiciais para quem faz poucos exercícios físicos.  Perdemos dois anos com o sedentarismo e vale lembrar que se estima que perdemos até 2.8 anos com o tabagismo e 1.3 anos com o sobrepeso / obesidade. 

 

Recentemente, outra pesquisa demonstrou que aparelhos que permitem que uma pessoa pedale em sua mesa de trabalho podem ser uma saída viável para reduzir o sedentarismo de quem trabalha sentado por períodos prolongados. O aparelho foi oferecido por 20 dias de trabalho consecutivos e ao final do estudo, um questionário foi aplicado para avaliar a aceitação do aparelho e a maioria dos voluntários respondeu que usaria o aparelho caso fosse oferecido pelo empregador e que ele não atrapalhou o desempenho do trabalho. O aparelho também não devia atrapalhar o desempenho dos colegas, já que o ruído do aparelho é muito discreto.

Você usaria uma bicicleta dessas debaixo da sua mesa de trabalho?

 

Pelo corpo de evidências que temos até o momento, as recomendações médicas poderiam incluir não só os exercícios físicos regulares, mas também o hábito de se movimentar de forma intermitente durante o dia. Paradas de alguns minutos no trabalho a cada hora para se movimentar, evitar o automóvel quando possível, usar as escadas no lugar do elevador, todas essas são atitudes que podem ter mais influência sobre nossa saúde do que podemos imaginar. Campanhas que estimulem as pessoas a viverem menos sentadas podem ter um grande impacto na saúde pública do nosso país que já tem metade dos seus adultos com excesso de peso.

 

 

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Uma pesquisa recém-publicada pela Health Psychology, periódico da Associação Americana de Psicologia, apontou que os idosos que fazem atividades voluntárias apresentam, em média, uma longevidade quatro anos maior. Mais instigante ainda foi o fato de que esse efeito positivo só foi demonstrado entre aqueles que se engajaram no voluntariado com a intenção de ajudar os outros, especialmente quando as atividades eram frequentes. Aqueles com motivações que poderiam ser classificadas como mais egoístas (ex: aprender uma nova atividade, ocupar o tempo) tiveram a mesma sobrevida dos não voluntários.

 

Estudos anteriores já haviam demonstrado que as pessoas que se dedicam a trabalhos voluntários têm a percepção de terem um melhor estado físico e psicológico, apresentam menor risco de depressão, além de uma menor mortalidade.  Será que esses efeitos do voluntariado são decorrentes apenas das interações sociais associadas às atividades? Os resultados do presente estudo sugerem que o fator social é só um dos possíveis mecanismos.

 

O voluntariado é capaz de aumentar a motivação e promover uma sensação mais profunda de sentido na vida. Quando a motivação é para ajudar o outro, essa sensação pode ser ainda mais forte, pelo sentimento de dedicação a algo maior do que a si próprio. Anteriormente à presente pesquisa, já tínhamos evidências de que quando o voluntário é orientado pelo altruísmo, este têm maior chance de apresentar um melhor equilíbrio psicossocial.

 

Toda forma de voluntariado é legítima, mas quando a razão é focada em interesses próprios, a chance de estresse associada às atividades são maiores. Dessa forma, o trabalho voluntário pode deixar de trazer benefícios à saúde.

 

 

Resultados do estudo inglês Whitehall II foram publicados neste fim de semana pelo Annals of Neurology e apontaram que indivíduos com mais ocupação e maior nível educacional têm um melhor desempenho cognitivo, alcançaram uma maior reserva cerebral, mas nem por isso deixaram de apresentar perdas com o envelhecimento.

 

Cerca de 7500 ingleses, com uma média de idade de 56 anos no início do estudo, foram submetidos a testes seriados de desempenho cerebral por um período de dez anos. Três componentes que já têm demonstrada associação com o risco de demência – altura, educação e nível de ocupação – foram analisados em conjunto com os resultados dos testes cognitivos. Diferente de alguns estudos anteriores sobre o assunto, a presente pesquisa identificou a influência desses fatores numa fase um pouco mais precoce da vida. 

 

 

Todos esses três componentes confirmaram seu valor como marcadores de reserva cerebral: os mais altos (altura mesmo!), com maior nível educacional e com o cérebro mais ocupado foram os que tinham melhores escores nos testes cognitivos. O nível de ocupação foi o que apresentou a associação mais forte e altura foi o mais fraco. Após 10 anos de acompanhamento, com exceção do vocabulário, houve piora significativa de todas as outras capacidades pesquisadas: fluência verbal e fonêmica, raciocínio, e memória. 

 

O resultado mais importante da pesquisa foi que a velocidade de perda cognitiva não foi influenciada pelo nível de reserva cerebral do indivíduo. Entretanto, quanto maior o estímulo, maior a reserva, e mesmo que uma pessoa tenha a tendência genética a desenvolver a Doença de Alzheimer, com essa reserva mais avantajada, ela viveria mais anos sem apresentar sintomas. Análises dos cérebros de idosos que morreram sem qualquer suspeita clínica da doença de Alzheimer mostram que esses cérebros apresentam quase o mesmo contingente de alterações daqueles que têm o diagnóstico da doença. Essa é uma das bases da teoria de reserva cerebral.

 

Moral da história? Vamos encher os cérebros de reservas. Isso deve começar cedo, já na barriga da mãe: pré-natal e boa nutrição. Educação não pode faltar. Ocupar o cérebro é fundamental e um país com menos desemprego ajuda muito. Para os aposentados, o lazer inteligente faz a diferença. Aliás, o lazer é uma rica fonte de reserva cerebral em qualquer idade.

 

 

 

 

 

 

 

Minha grande amiga Dani, que nasceu e viveu em Brasília por 40 anos, agora está morando em outra capital e está impressionada com o tanto que os moradores de lá buzinam. Ela ficou se perguntando se esse excesso de ruído nas ruas não teria influência sobre a saúde das pessoas.

 

As pesquisas realizadas sobre esse assunto mostram resultados conflitantes, e por isso uma análise em conjunto dos oito principais estudos foi realizada por pesquisadores alemães e publicada na última edição do periódico especializado Noise & Health. Mais de 20 mil indivíduos fizeram parte desse estudo e a conclusão foi a de que a sensação subjetiva de incômodo causado pelo barulho das ruas mexe sim com a saúde das pessoas, aumentando de forma significativa o risco de hipertensão arterial e de forma quase significativa o risco de infarto do coração.

 

Já sabemos também que o risco de doenças do coração é duas vezes maior em quem trabalha em um ambiente com alto nível de ruído. A exposição a um exagero de barulho pode ser um fator estressante comparável ao estresse psicológico, podendo levar a alterações no sistema nervoso autônomo e endócrino que promovem a redução de calibre de pequenas artérias, aumentando a pressão arterial e o risco de angina e infarto do coração. 

 

É importante frisar que o nível de incômodo ao barulho varia muito de pessoa para pessoa e essa experiência é, a princípio, o fator mais relevante. Entretanto, há estudos que apontam maior risco de hipertensão arterial mesmo entre aqueles que se dizem não incomodados com o barulho, sugerindo que ruído em excesso mexe com o corpo e a mente mesmo que de forma inconsciente. Mais um exemplo disso é o fato de que uma noite de sono barulhenta aumenta a pressão arterial e a freqüência cardíaca. Além disso, as crianças, que podem parecer não se incomodarem tanto com o barulho, também são susceptíveis ao aumento da pressão arterial com ruídos em excesso.  Na verdade, as pesquisas revelam que as crianças se sentem incomodadas sim com o barulho.

 

Não é difícil imaginar que muito barulho também atrapalhe o desempenho cognitivo.  Entre adultos, há evidências de piora da memória e de funções executivas durante a exposição ao barulho e mesmo um pouco depois de sua suspensão. As crianças são ainda mais vulneráveis, já que estão em franco processo de desenvolvimento cognitivo e os estudos apontam que múltiplas dimensões da cognição são afetadas por um ambiente cronicamente barulhento, como é o caso da atenção, motivação, memória e linguagem, chegando ao ponto de entenderem menos aquilo que lêem.   

 

Essa alta exposição a ruídos pode levar a um comportamento mais agressivo, reduzindo a capacidade de cooperação, o que pode se refletir no trânsito como um círculo vicioso. Mais ruído, mais intolerância, mais buzina, mais intolerância, mais acidentes… Vale lembrar que as ruas mais barulhentas são aquelas com maior emissão de poluentes, que além de afetarem o sistema respiratório, também estão associados à exacerbação da aterosclerose e conseqüente aumento de doenças vasculares como o infarto do coração e o derrame cerebral.

 

A saúde do homem não deve ser medida só por sua genética, pelo quanto ele se movimenta e dorme e por aquilo que entra pela boca/nariz, mas também pelas experiências sensoriais. No que diz respeito àquilo que entra pelos ouvidos, penso não só em ruídos, mas também no conteúdo das interações sociais, na música e demais artes que se comunicam com som. A busca do equilíbrio dessas sonoridades merece todo o nosso empenho.

 

 

 

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Pesquisadores canadenses demonstraram que os vencedores do Oscar de melhor ator ou atriz, principal ou coadjuvante, têm uma vida mais longa do que aqueles que nunca receberam o prêmio.

 

A história começa no ano de 2001 quando os pesquisadores Redelmeier e Singh analisaram a longevidade de mais de 700 atores / atrizes que haviam atuado em filmes e que tenham recebido indicação ao Oscar.  Para cada ator / atriz indicado ao Oscar, eles identificaram um outro ator / atriz do mesmo sexo, com semelhante faixa etária e que havia participado do mesmo filme, mas que não havia sido indicado ao Oscar. 

 

Todas as indicações de Oscar foram analisadas desde a criação da Academia até o ano 2000. Três grupos foram criados: 1) Vencedores: os que levaram a estatueta para casa; 2) Indicados: os que foram indicados, mas não ganharam; 3) Controles: nunca indicados e que nunca ganharam. Exemplos: Jack Nicholson foi classificado como Vencedor, pois já havia sido premiado três vezes na época; Richard Burton foi classificado como Indicado, pois já havia recebido sete indicações, mas nunca ganhou; Lorne Green era do grupo Controle, nunca indicado, e claro nunca ganhou.

 

De um total de 1649 artistas incluídos no estudo, 772 já haviam morrido. As principais causas de morte foram a doença isquêmica do coração, derrame cerebral e câncer, e não foi diferente entre os três grupos. O nível educacional também não era diferente entre os grupos. Os Vencedores viveram cerca de 4 anos a mais que o grupo Indicados e o grupo Controles  (Vencedores: 79.7 anos; Indicados: 76,1 anos; Controles: 75.8 anos). Do ponto de vista estatístico, os Indicados apresentaram a mesma longevidade dos Controles. Entre os Vencedores, quanto mais jovens ao receber o Oscar, ou o primeiro Oscar, maior a longevidade. Os resultados não foram diferentes entre Vencedores de papel principal ou coadjuvante. Entretanto, os Vencedores de mais de um Oscar viveram 6 anos a mais que os controles: sorte do Jack Nicholson.

 

E como explicar esses resultados ? A longevidade dos seres humanos tem sido consistentemente associada ao status sócio-econômico. Os ricos vivem mais que os pobres. Aqueles que receberam maior contingente de educação formal também vivem mais. E por que será que o sucesso por si só também poderia nos trazer mais anos de vida ? Vamos às hipóteses.

 

Pessoas de sucesso como os “Vencedores” são personalidades de grande visibilidade pelo público e buscariam andar na linha para não arranhar suas imagens. Muitas vezes, os próprios contratos com a indústria do cinema os obrigam a ter bons padrões de comportamento. Além disso, são cercados de assessoria para manter a forma física, boa alimentação, entre outros hábitos salutares. Conhecemos inúmeras histórias de celebridades que contrariam totalmente esse argumento, mas talvez não seja a regra. Nesse estudo, mesmo o grupo Controles apresentou maior longevidade que a média da população americana no mesmo período.

 

No ano de 2006 a mesma revista científica publicou uma crítica muito bem estruturada sobre o método de análise estatística do artigo publicado em 2001, sugerindo que o grupo Vencedor foi privilegiado, colocando em cheque os resultados de forma bastante contundente. Foi um balde de água fria, mas o assunto ainda não está encerrado. Ainda se discute que “Vencedores” podem até viver mais, mas não como conseqüência do sucesso. Ao invés disso, o sucesso seria o resultado do perfil de indivíduos com maior capital de saúde, e que também viveriam mais. Esse efeito foi sugerido em 2003 após análise da longevidade dos membros da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, comparando vencedores do Prêmio Nobel com não vencedores. Os vencedores do Prêmio Nobel viveram mais! Talvez essas celebridades tenham uma genética privilegiada não só do ponto de vista cerebral.

 

Redelmeier e Singh, os autores do estudo dos “vencedores”, analisaram também a longevidade de roteiristas de cinema e publicaram os resultados no British Medical Journal, um dos mais respeitados periódicos científicos do mundo. A hipótese era de que o fato dos roteiristas gozarem de menos glória e sucesso que os atores, o efeito Oscar seria menos pronunciado. Resultado: aqueles que venceram o Oscar viveram três anos e meio a menos que aqueles que foram só indicados (Indicados: 77.7; Vencedores 74.1). Os roteiristas vencedores de Oscar que trabalhavam mais intensamente (maior média de filmes por ano) viviam menos ainda. Mesmo entre os roteiristas não agraciados com o Oscar, aqueles que escreviam mais filmes por ano também viviam menos. Discute-se que hábitos saudáveis talvez não sejam tão cobrados de roteiristas, pois muitos mantém-se em relativo anonimato quando comparados a atores / atrizes. Estudos anteriores já haviam evidenciado menor longevidade entre escritores, e uma das explicações é o estilo de vida menos saudável (ex: inatividade física, sono irregular). Questões até mesmo existenciais são contempladas, especialmente no caso dos poetas.

 

Ao fazermos um balanço geral dessas informações à luz do conhecimento atual, é bem razoável pensar que indivíduos com perfil genético vantajoso viverão mais e terão também mais chances de atingirem o sucesso (vantagens cerebrais). A vida de celebridade realmente pode ser um fator modulador positivo dos hábitos de vida, e isso precisa ser melhor investigado. No caso dos roteiristas, precisamos ser cautelosos e não sairmos dizendo por aí que trabalho faz mal à saúde, pois sabemos que faz bem quando é realizador e bem dosado. Melhor ainda quando associado a outros hábitos saudáveis. Certamente muitos cinéfilos argumentarão que vincular talento e sucesso no universo do cinema à estatueta é no mínimo discutível. Na pesquisa dos roteiristas de cinema, o Oscar mais uma vez foi a medida do sucesso.  No grupo daqueles que foram só indicados, mas nunca venceram, podemos encontrar nada mais, nada menos que Stanley Kubrick, Ingmar Bergman e Frederico Fellini. Não deve ter sido a falta de sucesso e talento que fez Bergman viver 91 anos.

 

** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN no dia 25 de fevereiro 2011

 

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Uma pesquisa publicada na edição de setembro do periódico Journal of Sleep Research aponta que sono e trabalho influenciam um ao outro num círculo vicioso: o excesso de trabalho está associado a privação de sono e que por sua vez reduz a produtividade. 

 

Os pesquisadores entrevistaram mil americanos que trabalhavam pelo menos 30 horas semanais sobre as suas condições de trabalho e produtividade, assim como a qualidade do sono. Os resultados mostraram que longas jornadas de trabalho estavam associadas a um sono mais curto que vinha acompanhado de um trabalho de pior qualidade, que incluía menos concentração e organização, e falta de paciência com os colegas. Foi demonstrado também que 37% por cento dos voluntários foram classificados como pessoas de risco para ter algum transtorno do sono e apresentavam piores indicadores no trabalho. Cerca de 30% relataram extrema sonolência no trabalho e 20% assumiram que esse era um fator que afetava sobremaneira a produtividade.  Presenteísmo é o termo que melhor define essa condição: o indivíduo vai ao trabalho, mas não rende.

 

 

O presente estudo confirma resultados anteriores que já mostravam que quanto mais horas o indivíduo se dedica ao trabalho, menos tempo ele dorme. E esse tempo trabalhando tem crescido lado a lado ao avanço tecnológico, que permite cada vez mais que o trabalho seja complementado em casa. Por fim, o estudo encorpa ainda mais as evidências de que a saúde de uma empresa e de seus colaboradores podem se beneficiar sobremaneira com uma maior consciência sobre os efeitos deletérios de um excesso de horas de trabalho e a necessidade de um sono de qualidade.

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A última edição do periódico Pediatrics publicou os resultados de uma experiência da multinacional IBM que oferecia 150 dólares a funcionários da empresa com filhos para que participassem de um programa de apoio a hábitos de vida saudáveis, que envolve não só o empregado, mas toda a sua família. O programa foi aplicado em mais de onze mil funcionários, durava 12 semanas e eram incentivados três principais comportamentos que influenciam o controle de peso: alimentação equilibrada, atividade física e limite de tempo dedicado em frente às mídias eletrônicas.

 

Os resultados foram bem positivos: atividade física em família pelo menos três vezes por semana aumentou em 17%, de 23.2 para 40.3% dos voluntários; jantares saudáveis em família pelo menos cinco vezes por semana aumentaram em 11.8%, de 74.9% para 86.7%; limite de uma hora diária de exposição às mídias eletrônicas aumentou 8.3% entre as crianças (de 24 para 30.7%) e 6.1% nos adultos (de 18.1 para 24.2%). De acordo com cálculos da IBM, o custo com a saúde de uma criança obesa é duas vezes maior que a de uma não obesa. No caso de crianças obesas com diabetes, o custo é 6.5 vezes maior.

 

Uma outra experiência de sucesso nesse sentido foi a da General Eletric (GE). A GE recentemente implantou um programa de recompensa de 750 dólares caso um empregado da empresa conseguisse ficar sem o cigarro por seis meses. Após 9-12 meses, a chance de parar de fumar foi três vezes maior quando comparada à de um grupo de tabagistas que não receberam recompensa. A GE calcula que a empresa economiza 3700 dólares por ano quando um empregado para de fumar, especialmente por redução do absenteísmo e incidência de doenças. Pelos resultados obtidos, a empresa precisaria investir em 7 indivíduos para conseguir um caso de sucesso, e desse ponto de vista, a estratégia é promissora.

 

Esses resultados chamam a atenção para o importante papel dos empregadores na promoção de saúde de seus funcionários e no quanto isso pode repercutir na saúde financeira de uma empresa. Bom para a empresa e melhor ainda para seus funcionários.

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O risco de doenças do coração é duas vezes maior em quem trabalha em um ambiente com alto nível de ruído. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico Occupational and Environmental Medicine.

 

Mais de 6000 trabalhadores americanos com mais de 20 anos de idade foram estudados através de uma entrevista que abordava hábitos de vida e saúde ocupacional, exame clínico e testes laboratoriais. Os participantes da pesquisa foram classificados como expostos a alto nível de ruído quando tinham histórico de trabalho por pelo menos três meses em ambiente em que não era possível conversar com o volume normal da voz.

 

Os resultados mostraram que cerca de 20% dos participantes estavam sendo expostos a altos níveis de ruído por uma média de nove meses. A maioria desses trabalhadores eram homens com uma media de idade de 40 anos, e apresentavam mais excesso de peso e hábito de fumar do que os que trabalhavam em ambientes mais silenciosos. A exposição persistente ao ruído estava associada a um risco duas a três vezes maior de doença isquêmica do coração. Naqueles com idade inferior a 50 anos, o risco chegava a ser até quatro vezes maior. 

 

Os testes laboratoriais desse grupo exposto ao excesso de ruído não se mostraram mais alterados, como é o caso dos testes de colesterol e de inflamação no sangue. Entretanto, a pressão diastólica, também conhecida por mínima, era mais frequentemente elevada nesse grupo, caracterizando uma condição clínica conhecida por Hipertensão Diastólica Isolada, que por sua vez é reconhecida como um fator de risco independente para eventos cardiovasculares.

 

A exposição a um exagero de barulho pode ser um fator estressante comparável ao estresse psicológico, podendo levar a alterações no sistema nervoso autônomo e endócrino que promovem a redução de calibre de pequenas artérias, aumentando a pressão arterial e o risco de angina e infarto do coração.

 

O presente estudo confirma os resultados de pesquisas anteriores realizadas em diferentes países e indicam que o nível de ruído no trabalho é um ponto da saúde do trabalho que merece toda a atenção. 

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** CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasilia e veiculado no dia 08 de outubro 2010

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A última edição do periódico Occupational and Environmental Medicine traz uma pesquisa inédita demonstrando que mulheres que trabalham sob grande pressão psicológica têm mais risco de apresentarem doença isquêmica do coração. Estudos anteriores já haviam demonstrado esse efeito nocivo do trabalho estressante sobre o coração, mas apontavam que entre as mulheres esse efeito era menos significativo.

 

O atual estudo foi realizado com mais de doze mil enfermeiras dinamarquesas, com uma média de idade de 51 anos e que foram acompanhadas por quinze anos. No início do estudo, foi aplicado um questionário que media o nível de estresse no trabalho, assim como o grau de influência que essas mulheres tinham sobre as decisões no dia-a-dia do trabalho.

 

As mulheres que relataram ter um trabalho com estresse levemente alto apresentaram um risco de doença isquêmica do coração 25% maior quando comparadas àquelas com um nível de estresse fácil de administrar. Já as mulheres com um nível de estresse muito alto, estas tiveram um risco 50% maior, e mesmo levando em conta outros fatores de risco cardiovascular, como o tabagismo, a chance de doença do coração ainda persistiu 35% maior. As mulheres com maior risco foram aquelas com menos de 51 anos. O nível de controle sobre as decisões do trabalho não teve associação com a doença do coração.

 

O presente estudo dá mais um passo nas evidências de que o estresse no trabalho não combina com saúde, e é um dos raros estudos que demonstra esse efeito entre mulheres. Medidas de redução desse estresse devem ser pensadas como uma das medidas para a prevenção de doença isquêmica do coração, que é uma das principais causas de mortalidade em nosso meio, e que afeta igualmente homens e mulheres.

 

 

O sistema Cochrane de revisões científicas em saúde acaba de publicar uma análise de dez pesquisas que envolveram mais de 16 mil indivíduos e que avaliaram o impacto sobre a saúde de um esquema de trabalho com flexibilidade de horário. A análise concluiu que essa flexibilidade influencia positivamente inúmeros indicadores de saúde, como é o caso do sono, equilíbrio psíquico e dos níveis de pressão arterial.

 

Flexibilidade de horário não é trabalhar menos. É otimizar o horário de trabalho, conciliando-o com a vida pessoal. Em países escandinavos, a oportunidade de trabalhar em horários que melhor se adaptam à vida familiar já é habitual, especialmente entre as pessoas que têm filhos. Em 2009, a Inglaterra passou a garantir um horário de trabalho flexível para aqueles que têm filhos menores de 16 anos. No Brasil, esse benefício já começa a ser oferecido em algumas empresas públicas e privadas, mas é geralmente restrito para aqueles que têm um status profissional elevado. Espera-se que um dia o benefício se estenda até a base da pirâmide social.

 

CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo sobre o assunto na Rádio Eldorado- SP com o Dr. Ricardo Teixeira

 

 

Apesar da maioria das pessoas que sofre de enxaqueca costumar ter uma ou duas crises de dor de cabeça por mês, a cada ano, cerca de 15% delas passam a apresentar crises quase diárias. Quando as crises ultrapassam a marca de mais de 15 crises mensais por três meses consecutivos, a enxaqueca deixa de ser classificada como enxaqueca episódica e passa a ser chamada de enxaqueca crônica. Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry reforça o conceito já bem reconhecido pela literatura médica de que a enxaqueca crônica é um problema que vai muito além das dores de cabeça.

Foram estudados mais de 12 mil americanos com o diagnóstico de enxaqueca, cerca de 80% do sexo feminino. Os indivíduos com enxaqueca crônica apresentaram indicadores de saúde piores do que aqueles com a forma episódica: tinham mais depressão, ansiedade, dor crônica, bronquite e asma, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, e maior risco de doença coronariana e derrame cerebral. Além disso, os portadores de enxaqueca crônica apresentavam mais problemas no trabalho como o absenteísmo, uma maior chance de estarem desempregados e ainda uma menor renda familiar. Estudos anteriores já haviam evidenciado que os portadores de enxaqueca crônica têm menor produtividade no trabalho e menor qualidade de vida em família.

A Organização Mundial da Saúde classifica a enxaqueca como a 19ª doença que mais leva à incapacidade funcional. No caso da mulher, ela fica em 12º lugar. Apesar do enorme impacto que a doença tem sobre a vida da população, apenas uma minoria é diagnosticada corretamente e recebe tratamento apropriado. Um amplo trabalho de conscientização dessa importante condição clínica voltado tanto aos pacientes como aos médicos é fundamental para mudar esse cenário.

 

 

 

A recomendação de pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou intensa por semana é unânime quando o assunto em questão é promoção de saúde. Esses 150 minutos divididos em cinco dias por semana dariam meia hora diária de atividade física, o que poderia ser considerado como o mínimo para usufruirmos dos seus inúmeros benefícios à saúde. Entretanto, alguns estudos têm revelado que além dessa meia hora diária, evitar ficar muito tempo parado durante o dia pode ser um bom investimento à saúde.  

 

Pesquisadores suecos publicaram um artigo esta semana no periódico British Journal of Sports Medicine fazendo uma provocação de que o termo comportamento sedentário, que indica falta de exercícios físicos, deveria ser substituído por comportamento de “inatividade muscular”. As pesquisas têm mostrado que o hábito de permanecer longos períodos do dia sem movimentação aumenta o risco de obesidade, diabetes, doenças do coração, câncer, e também está associada a uma menor longevidade. Tudo isso independente da presença de exercícios moderados a vigorosos.

 

Um recente estudo australiano demonstrou que o risco de síndrome metabólica, que é um precursor de diabetes e doenças cardiovasculares, é 28% menor entre mulheres que fazem 30 minutos diários de atividade física regular. Por outro lado, o estudo também rvelou que cada hora adicional que uma mulher passa em frente à TV aumenta em 26% seu risco de apresentar síndrome metabólica, independente dos exercícios moderados que  realiza. É previsível que essas horas de “inatividade muscular” sejam ainda mais prejudiciais para quem faz poucos exercícios físicos.

 

Pelo corpo de evidências que temos até o momento, as recomendações médicas poderiam incluir não só os exercícios físicos regulares, mas também o hábito de se movimentar de forma intermitente durante o dia. Paradas de alguns minutos no trabalho que permitam um pouco de movimento, evitar o automóvel quando possível, usar as escadas no lugar do elevador, todas são atitudes que podem ter mais influência em nossa saúde do que costumamos imaginar. 

 

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O sedentarismo é reconhecido como um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, estimando-se que seja responsável por 20% dos casos de doença do coração e 10% dos casos de derrame cerebral. Alguns estudos têm sugerido que um estilo de vida sedentário pode estar associado ao tipo de trabalho que o indivíduo exerce no dia-a-dia, especialmente trabalhos considerados passivos, com pouca autonomia e baixa demanda de dimensões psíquicas e sociais.

 

Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Occupational and Environmental Medicine mostra pela primeira vez que a exposição ao longo dos anos a trabalhos com características passivas aumenta a chance de levar uma vida sedentária. A pesquisa acompanhou mais de seis mil ingleses com idades entre 35 e 55 anos em três diferentes momentos e por um período de cinco anos. Os participantes do estudo eram funcionários públicos que exerciam atividades de escritório e foram submetidos a uma escala que classifica o grau de passividade no trabalho.

 

A relação entre trabalho passivo e sedentarismo foi demonstrada entre os homens, mas não entre as mulheres e esse resultado é consistente com estudos prévios que apontam que a saúde dos homens é mais vulnerável do que a das mulheres a condições de trabalho insatisfatórias. Entretanto, existem também evidências que uma baixa realização no trabalho afeta também a saúde das mulheres. Os resultados da atual pesquisa confirmam que a saúde é mais uma de tantas razões para que se faça o trabalho ser estimulante e desafiador.

 

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A síndrome de esgotamento profissional, descrita na língua inglesa como síndrome de “Burnout”, é caracterizada pela exaustão emocional e perda de entusiasmo pelo trabalho além da redução da empatia com as pessoas com uma tendência de tratá-las como objetos, fenômeno chamado de despersonalização. Estudos demonstram que um em cada três médicos sofre da síndrome de esgotamento em algum período da sua vida profissional, e apesar de ser um transtorno tão prevalente e relevante, são poucas as pesquisas que estudaram intervenções que possam ajudar. Mais raras ainda são as evidências de intervenções organizacionais, pois a maioria dos estudos foi realizada com pequeno número de participantes. 

 

Pesquisadores da Universidade de Rochester nos Estados Unidos demonstraram de forma inédita que um programa de 52 horas distribuídas no período de um ano com o objetivo de melhorar o bem-estar do médico foi capaz de reduzir o risco da síndrome de esgotamento profissional e de transtornos do humor, além de melhora do grau de empatia com os pacientes. O programa foi oferecido a 70 médicos e incluía a prática de meditação para estimular a capacidade de estar mentalmente presente e com atenção nas atividades do dia-dia, além de uma dinâmica em grupo de troca de experiências com outros médicos.  A pesquisa acaba de ser publicada pelo Journal of the American Medical Association.

 

Já é bem reconhecido que a síndrome de esgotamento profissional no médico está associada a uma piora da qualidade do atendimento oferecido aos pacientes e abandono da carreira, mas também a inúmeras repercussões pessoais como maior risco de acidentes, abuso de substâncias psicoativas, idéias de suicídio, doenças físicas relacionadas ao estresse e dificuldade nas relações familiares. O presente estudo abre caminhos para intervenções preventivas para um sério problema de saúde e de grandes custos sociais que não é restrito ao médico, mas afeta diversas classes profissionais.

 

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Um estudo recém-publicado pelo periódico American Journal of Epidemiology (vol 170, 2) revela que quanto maior o nível de estresse no trabalho maior a chance do indivíduo em ganhar peso.  Mais de 1300 americanos foram acompanhados por nove anos, e nesse período, diferentes domínios do estresse no trabalho estiveram associados a um ganho ponderal entre aqueles que já se apresentavam acima do peso no início do estudo. Entre os homens, a falta de desafios no trabalho, falta de poder de decisão e dificuldade em pagar as contas foram os fatores relevantes para o ganho de peso. Entre as mulheres, dificuldades em equacionar o trabalho com a vida pessoal, além da dificuldade em pagar as contas, foram os fatores mais importantes.

 

Já é bem reconhecido que o estresse psicosocial está associado a um maior risco de hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e câncer, enquanto as evidências da relação com a obesidade são menos robustas. O atual estudo traz mais evidências de que o estresse pode dificultar o controle de peso, especialmente quando já se está acima do peso. Experimentos com primatas revelam que quando submetidos a subordinação social, os animais têm aumento dos níveis do hormônio cortisol, que por sua vez está associado à obesidade abdominal. Em contraste, outros experimentos também mostram que primatas em posição de liderança comem menos que os que estão em posição de subordinação.

 

O atual estudo vem se juntar a um corpo de evidências que indica que o estresse está associado a ganho de peso. Desta vez, o acompanhamento dos participantes foi mais prolongado e os resultados ainda sugerem que o estresse do trabalho que engorda os homens é diferente do que engorda as mulheres. Esse conhecimento é precioso para a estruturação de programas de promoção à saúde no trabalho. 

 

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Um estudo conduzido na Finlândia e recém-publicado no periódico Occupational and Environmental Medicine revela que indivíduos que julgam viver em melhores ambientes de trabalho apresentam menos comportamentos de risco à saúde: tabagismo, obesidade, sedentarismo e abuso de álcool. Vale lembrar que esses são os quatro fatores de risco mais associados a doenças e à mortalidade em países industrializados.

 

A pesquisa analisou mais de 30 mil servidores públicos finlandeses e confirmou que fatores psicosociais associados ao trabalho são capazes de contribuir para que as pessoas adquiram comportamentos de risco. Outras pesquisas já haviam revelado que condições psicológicas adversas no trabalho aumentam o risco de obesidade e excesso de álcool. Também já havia sido demonstrado que indivíduos que não têm confiança na instituição em que trabalham têm maior dificuldade em abandonar o vício do cigarro.

 

O mundo corporativo já está bem convencido de que investir na saúde dos trabalhadores traz grande retorno econômico. O presente estudo demonstra que o clima organizacional pode ser um forte aliado para a promoção da saúde.

 

O seu ambiente de trabalho é satisfatório?

  1. Os funcionários têm a atitude de trabalharem unidos?
  2. Seus colegas sentem-se comprendidos e aceitos?
  3. Vocês podem confiar no chefe?
  4.  O chefe trata os funcionários com gentileza e consideração?
  5. O chefe apresenta preocupação com os direitos dos empregados?
  6. Cada funcionário mantem os outros informados sobre o que fazem na empresa?
  7. Os funcionários apresentam sugestões para alcançarem o melhor desempenho?
  8. Todos os funcionários colaboram entre si para desenvolverem e aplicarem novas idéias?

 

** Se você respondeu sim a todas essas questões, que bom! Mas se respondeu não a muitas dessas perguntas, seu trabalho pode não estar jogando a favor de sua saúde. 

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Sabemos que o tabagismo reduz a expectativa de vida em cerca de dez anos e é a principal causa de morte prematura evitável em boa parte dos países. O fato é que grande parte dos tabagistas assume que gostaria de parar com o vício, mas anualmente apenas 2-3% consegue vencer o desafio.  

 

Alguns estudos já haviam testado incentivo em dinheiro para que a pessoa pare de fumar e os resultados foram inconsistentes a longo prazo, talvez devido ao fato do incentivo e o número de voluntários não terem sido robustos o suficiente. Um novo estudo recém-publicado pelo periódico New England Journal of Medicine reavaliou o efeito dessa recompensa em dinheiro, desta vez com quase 900 participantes e uma recompensa de 750 dólares caso o indivíduo conseguisse ficar sem o cigarro por seis meses. Todos os participantes receberam informação sobre programas disponíveis para auxiliá-los a largar o cigarro e só metade deles receberam a proposta de recompensa em dinheiro.

 

Após 9-12 meses, aqueles que receberam a recompensa em dinheiro tiveram três vezes mais sucesso em ficar sem fumar (14.7%) do que aqueles que não receberam (5%) e após 15-18 meses o sucesso também foi três vezes maior. A recompensa em dinheiro aumentou também em três vezes a procura por um programa de apoio anti-tabagista.

 

Os resultados dessa pesquisa provocam importantes reflexões. A primeira delas é o quanto uma empresa ou um país pode economizar com políticas como essa. O presente estudo foi realizado com empregados da multinacional General Eletric. Calcula-se que uma empresa economiza 3700 dólares por ano quando um funcionário para de fumar, especialmente por redução do absenteísmo e incidência de doenças. Pelos resultados obtidos, a empresa precisaria investir em 7 indivíduos para conseguir um caso de sucesso, e desse ponto de vista, a estratégia é promissora. Outra questão é se as operadoras de saúde poderiam começar a oferecer descontos àqueles que parassem de fumar. Uma das fortes limitações desse tipo de estratégia é que pode haver incentivo para que não fumantes comecem a fumar para receberem o benefício.

 

 

 

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