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Uma alta concentração da proteína beta-amilóide no cérebro influencia o desempenho cognitivo até mesmo de adultos de meia-idade saudáveis. Esse é o principal resultado de uma pesquisa que acaba de ser publicada pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia. Já é bem reconhecido que a Doença de Alzheimer é caracterizada por um depósito expressivo dessas proteínas no cérebro.

 

A pesquisa avaliou 137 adultos com idades entre 30 e 89 anos, com alto nível educacional e sem problemas cognitivos. Todos os voluntários foram submetidos a exame de imagem PET scan do cérebro que permite estimar o contingente de depósitos da proteína beta-amilóide. Além disso, teste genético para o gene da apolipoproteína E também foi realizado. A presença do alelo 4 neste exame está associado a uma maior concentração cerebral da proteína beta-amilóide e maior risco da Doença de Alzheimer.

 

Os resultados mostraram que os indivíduos mais velhos apresentaram uma concentração maior de beta-amilóide e que 20% daqueles com mais de 60 anos apresentavam alta concentração da proteína no cérebro. Essas altas concentrações estavam associadas a um menor desempenho nos testes de memória de trabalho, raciocínio lógico e velocidade de processamento de informação. Esse grupo com alto grau de beta-amilóide apresentava mais freqüentemente o alelo de risco para doença de Alzheimer do que aqueles com pouco depósito de beta-amilóide (38% x 15%).

 

Novos estudos poderão concluir se esses depósitos de proteínas em cérebros na meia-idade representam um maior risco de desenvolver a Doença de Alzheimer.   Por enquanto, podemos começar ou continuar a fazer aquilo que já sabemos que ajuda a prevenir a doença: atividade física regular, manter o cérebro ocupado e o peso em dia, comer peixe, se possível duas vezes por semana,  e evitar substâncias tóxicas ao cérebro como o cigarro e o excesso de álcool. 

 

 

 

 

 

 

A última edição do periódico da Academia Americana de Neurologia traz uma publicação inédita em que pesquisadores americanos demonstraram que adesivos de nicotina promoveram a melhora do desempenho cognitivo de idosos com problemas de memória.  

 

Alguns pequenos estudos já haviam mostrado que o uso desses adesivos poderiam ser promissores para melhorar a memória e atenção de pacientes com a Doença de Alzheimer.  O presente estudo avaliou o efeito entre idosos com problemas de memória menos severos e que recebem o diagnóstico de transtorno cognitivo leve. Esse é um problema que pode ser considerado uma condição intermediária entre o envelhecimento cerebral normal e a demência.

 

Setenta e quatro voluntários não fumantes, e com média de idade de 76 anos, foram divididos em dois grupos. A metade recebeu diariamente adesivos de nicotina de 15mg por seis meses, enquanto a outra metade recebeu adesivos do tipo placebo. Testes cognitivos foram aplicados no início do estudo e após três e seis meses.

 

Ao final dos seis meses, a memória daqueles que usaram nicotina melhorou, enquanto aqueles que usaram placebo tiveram uma piora. Além da memória, a nicotina incrementou a atenção e a velocidade psicomotora. Os adesivos não provocaram efeitos colaterais sérios – a média de perda de peso foi de 2.5 kg, mas a pesquisa não pôde responder se os efeitos positivos da nicotina permanecem no longo prazo. Devemos lembrar que o uso dos adesivos de nicotina só deve ser feito sob indicação de um médico. Começar a fumar então, não precisa nem falar.

 

A nicotina estimula receptores nicotínicos do neurotransmissor acetilcolina no cérebro. Esses mesmos receptores são cada vez mais deficientes à medida que a Doença de Alzheimer progride.

 

 

 

Pesquisa publicada esta semana aponta que nossas capacidades cognitivas já começam a declinar por volta dos 45 anos. Os resultados foram publicados esta semana no prestigiado periódico British Medical Journal.

 

O estudo acompanhou de forma prospectiva cerca de sete mil londrinos com idades entre 45 e 70 anos. Cada voluntário foi submetido a exames seriados de memória, raciocínio, linguagem, incluindo testes de vocabulário e fluência semântica e fonêmica. Para análise dos resultados, eles foram divididos pela idade em cinco grupos: 45-49 anos, 50-54 anos, 55-59 anos, 60-64 anos e 65-70 anos.

 

Todos os testes cognitivos, exceto o de vocabulário, apresentaram declínio com o passar dos anos em todas as faixas etárias, e de forma mais intensa nos indivíduos mais velhos. O achado mais importante da pesquisa foi que nem mesmo o grupo de 45-49 anos foi poupado da redução da capacidade cognitiva. Estudos anteriores apontavam que essa perda não acontecia antes da sexta década de vida.

 

Não devemos ficar pessimistas com esses resultados, já que temos muita coisa a fazer para minimizar os efeitos do envelhecimento cerebral. Elenco a seguir cinco atitudes que podem fazer a diferença: 1) manter o cérebro sempre ativo; 2) atividade física regular; 3) alimentação saudável, não deixando de incluir na dieta peixes ricos em ômega 3; 4) evitar substâncias neurotóxicas como o cigarro e o excesso de álcool; 5) manter a mente equilibrada e longe da depressão.

 

 

 

 

Fatores psicológicos como fatalismo podem fazer a diferença no risco de uma pessoa vir a desenvolver um derrame cerebral. Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado pelo periódico Stroke da Associação Americana de Cardiologia.

 

Cerca de 700 americanos internados por terem sido acometidos por derrame cerebral foram submetidos a uma entrevista com escalas que avaliam o estado psicológico antes do derrame cerebral, com ênfase no grau de otimismo, fatalismo, espiritualidade e sintomas depressivos.

 

Os resultados apontaram que um maior componente de fatalismo esteve associado ao risco de morte e à chance de um novo derrame cerebral. A escala que avalia o fatalismo aborda três diferentes dimensões: 1) pré-determinismo – percepção de que a saúde é uma questão de destino e que não há o que fazer para mudar; 2) sorte – tendência a vincular o estado de saúde à sorte; 3) pessimismo – expectativas negativas quanto ao futuro. A mesma associação com mortalidade e chance de recorrência do derrame cerebral foi demonstrada no caso de sintomas depressivos. Além disso, a influência do fatalismo sobre a mortalidade foi maior entre os pacientes que não apresentavam sintomas depressivos.

 

Esse é o primeiro estudo a associar o componente de fatalismo com o prognóstico de um derrame cerebral. O impacto negativo do fatalismo já havia sido demonstrado em condições como o câncer, doenças cardiovasculares, diabetes e comportamentos de risco. A hipótese que melhor explica essa relação é uma pior aderência a tratamentos propostos e maior dificuldade em assumir hábitos de vida saudáveis.

 

 

 

 

A exposição a solventes pode colaborar para o desenvolvimento da Doença de Parkinson (DP) muitos anos depois. Essa é a conclusão de uma pesquisa divulgada esta semana pelo periódico da Associação Americana de Neurologia – Annals of Neurology. Essas substâncias estão presentes em produtos como tintas, colas, produtos de limpeza, combustíveis e lubrificantes, e chegam a contaminar até mesmo os lençóis freáticos.

 

O estudo avaliou 99 pares de gêmeos americanos em que apenas um dos irmãos apresentava o diagnóstico de DP. O tipo de ocupação profissional e hobbies desses voluntários foram analisados através de questionários já bem validados.  Os resultados mostraram que o grau de exposição ao solvente tricloroetileno (TCE) foi associado a uma maior chance de apresentar a doença. Outros solventes tiveram impacto menor, porém nada desprezíveis.

 

Já tínhamos evidências menos robustas da associação entre a exposição ao TCE e a DP. Um modelo experimental de DP em camundongos já havia apontado que o TCE é capaz de provocar alterações cerebrais semelhantes às encontradas entre os portadores da doença.  Além disso, casos clínicos isolados também foram relatados descrevendo a ocorrência doença entre indivíduos com altos níveis de exposição ao TCE.

 

A DP ocorre em uma a cada cem pessoas com mais de 65 anos, e em 90% dos casos, não existe uma história familiar da doença. Reconhece-se que tanto um componente genético, como fatores ambientais estão associados à doença.

 

Outras substâncias tóxicas ao cérebro podem provocar a DP, como é o caso do MPTP, substância que é parente próxima da heroína, e de alguns agrotóxicos, como o paraquat. Nos últimos anos, temos colecionado evidências de novos candidatos que podem ser deflagradores da DP:

 

- Foram descritos no ano de 2009 dois novos agrotóxicos (ácido 2,4-dichlorophenoxyacetic, permethrin) que aumentam em três vezes o risco da DP;

 

- Foi demonstrado que um metabólito da bactéria Streptomyces venezuelae reduz a função do Sistema Proteolítico Ubiquitina – Proteassoma  (UPS) em modelo animal. A redução da função desse sistema tem sido implicada na patogênese da DP esporádica;

 

- Inoculação intranasal do vírus da gripe aviária (H5N1) em ratos provocou alterações cerebrais semelhantes às encontradas na DP:  inflamação, agregados de a-sinucleína e degeneração de neurônios produtores de dopamina;

 

* Maiores níveis de colesterol aumentam risco da DP independente do índice de massa corporal. O cérebro é o órgão mais rico em colesterol e uma alteração de sua homeostase pode provocar alterações em suas conexões e membranas celulares.

 

Esses estudos nos estimulam a pensar a Doença de Parkinson como pensamos várias outras doenças como a hipertensão arterial, o diabetes e a Doença de Alzheimer. Todas são doenças que têm seu componente genético, mas fatores ambientais pode ser o empurrãozinho que faltava para o desenvolvimento da doença.

 

 

 

14 de novembro. Dia mundial do Diabetes. O diabetes mata uma pessoa a cada 8 segundos e não discrimina. Ele acomete mulheres e homens, jovens e adultos, ricos e pobres. Em muitos casos, o cérebro também perde desempenho.

 

O impacto do diabetes sobre a função cerebral é maior em duas fases da vida: durante o desenvolvimento cerebral na infância assim como na velhice, quando o cérebro passa por alterações degenerativas. O diabetes é um dos reconhecidos fatores de risco para o transtorno cognitivo leve dos idosos, assim como para a demência vascular e a Doença de Alzheimer. Fora desses períodos chamados críticos, os efeitos da doença costumam ocorrer preferencialmente entre aqueles que apresentam complicações vasculares como, por exemplo, a retinopatia, doença coronariana e complicações renais. 

 

A influência do diabetes sobre o funcionamento cerebral vai além do comprometimento dos vasos sanguíneos, pois há evidências de que a doença pode promover alterações cerebrais semelhantes às encontradas entre indivíduos com a Doença de Alzheimer, possivelmente decorrente do distúrbio de homeostase da insulina. Já sabemos que a insulina otimiza o consumo de glicose pelos neurônios e colabora para a formação de novas sinapses e para a modulação das mesmas. Na Doença de Alzheimer, a concentração e atividade desse hormônio no cérebro são reduzidas e já existem resultados bastante promissores do seu uso por via intranasal para o tratamento dessa patologia.

 

Para um desenvolvimento e envelhecimento cerebral saudável, devemos a todo custo evitar o desenvolvimento do diabetes. Atividade física regular e a manutenção do peso em dia é o dever de casa básico. Para quem tem história familiar da doença, o recado deve ser levado ainda mais a sério, pois o risco é duas a quatro vezes maior que na população geral. E para aqueles que já têm o diagnóstico, o dever de casa é o mesmo, acrescido de um controle rigoroso da doença.

 

 

 

Uma das principais queixas de saúde dos idosos é a memória que já não funciona como na juventude. Realmente, após os 60 anos de idade, pode-se identificar, através de testes psicométricos, um menor desempenho de algumas funções cognitivas, dentro de um universo que chamamos de envelhecimento cerebral normal. O melhor entendimento de como se dá esse declínio é de extrema importância para o desenvolvimento de intervenções clínicas que possam amenizar esse fenômeno. Pesquisadores chineses deram recentemente um grande salto nesse conhecimento e publicaram seus resultados na prestigiada revista Nature.

 

O estudo teve como objetivo a compreensão do funcionamento da memória de trabalho e o possível incremento de seus mecanismos. A memória de trabalho é aquela responsável pela retenção de informações recentemente adquiridas ou resgatadas pela memória de longo-prazo, mas que já não estão mais disponíveis no ambiente externo. É uma ferramenta crítica para uma série de funções cognitivas como a linguagem, planejamento e raciocínio lógico. É ela que nos permite resolver um problema do tipo: somar só com a cabeça os resultados de 2+2, 3+3, 4+4 e 5+5.

 

Já é bem reconhecido que a base neural da memória de trabalho é a atividade neuronal persistente em áreas críticas como o córtex pré-frontal. Os pesquisadores chineses estudaram macacos de diferentes idades e demonstraram que as descargas neuronais no córtex pré-frontal entre os macacos mais velhos eram menores que nos jovens.  A principal razão para esse menor nível de atividade com o envelhecimento é a redução das ramificações dos neurônios e alterações químicas que dificultam a atividade neuronal persistente. Os cérebros desses macacos foram então submetidos à aplicação de uma antiga droga para hipertensão arterial (guanfacina) e que teoricamente poderia resgatar o equilíbrio químico e incrementar a atividade neuronal. O resultado foi magnífico.  A intensidade dos disparos neuronais entre os macacos idosos passou então a ser comparável ao dos jovens.

 

Esses resultados abrem uma grande janela para novos tratamentos para melhorar o desempenho cerebral de idosos e já existe até um estudo clínico em andamento testando a eficácia da guanfacina para a melhoria de funções executivas nessa população. Já temos evidências também de que o treinamento cognitivo pode ajudar e ainda resta saber também se a abordagem farmacológica pode ter uma ação sinérgica com esse tipo de treinamento. 

 

 

 

 

 

 

Uma pesquisa recém-publicada pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, demonstra que o risco de demência é maior entre as pessoas que classificam a própria saúde como ruim. Essa associação foi mais forte ainda entre as pessoas que nem apresentavam queixas de memória.

Mais de oito mil franceses com idade superior a 65 anos foram acompanhados por uma média de sete anos. Os voluntários responderam à seguinte pergunta: Como você considera sua saúde no momento atual? As respostas possíveis eram: muito ruim, ruim, mediana, boa, excelente. 

Nesse período, 618 deles desenvolveram um diagnóstico de demência e a chance de ter o problema foi 70% maior naqueles que classificaram seus estados de saúde como ruins, quando comparados aos que se julgavam bem de saúde.  Uma das formas de explicar esses resultados é a redução da interação social que uma pessoa que se julga pouco saudável pode apresentar, o que pode acelerar o processo de demência. 

As pessoas que têm a impressão de que a saúde está boa costumam apresentar um estado funcional preservado, o que significa uma boa memória, visão e audição, além de ausência de dor, dificuldades de locomoção ou respiração. Essa percepção reúne informações do funcionamento do corpo que, em última instância, podem refletir o tempo de vida que resta a um indivíduo. E isso tem sido demonstrado nas pesquisas que associam esse indicador à mortalidade geral.

 

 

Resultados do estudo inglês Whitehall II foram publicados neste fim de semana pelo Annals of Neurology e apontaram que indivíduos com mais ocupação e maior nível educacional têm um melhor desempenho cognitivo, alcançaram uma maior reserva cerebral, mas nem por isso deixaram de apresentar perdas com o envelhecimento.

 

Cerca de 7500 ingleses, com uma média de idade de 56 anos no início do estudo, foram submetidos a testes seriados de desempenho cerebral por um período de dez anos. Três componentes que já têm demonstrada associação com o risco de demência – altura, educação e nível de ocupação – foram analisados em conjunto com os resultados dos testes cognitivos. Diferente de alguns estudos anteriores sobre o assunto, a presente pesquisa identificou a influência desses fatores numa fase um pouco mais precoce da vida. 

 

 

Todos esses três componentes confirmaram seu valor como marcadores de reserva cerebral: os mais altos (altura mesmo!), com maior nível educacional e com o cérebro mais ocupado foram os que tinham melhores escores nos testes cognitivos. O nível de ocupação foi o que apresentou a associação mais forte e altura foi o mais fraco. Após 10 anos de acompanhamento, com exceção do vocabulário, houve piora significativa de todas as outras capacidades pesquisadas: fluência verbal e fonêmica, raciocínio, e memória. 

 

O resultado mais importante da pesquisa foi que a velocidade de perda cognitiva não foi influenciada pelo nível de reserva cerebral do indivíduo. Entretanto, quanto maior o estímulo, maior a reserva, e mesmo que uma pessoa tenha a tendência genética a desenvolver a Doença de Alzheimer, com essa reserva mais avantajada, ela viveria mais anos sem apresentar sintomas. Análises dos cérebros de idosos que morreram sem qualquer suspeita clínica da doença de Alzheimer mostram que esses cérebros apresentam quase o mesmo contingente de alterações daqueles que têm o diagnóstico da doença. Essa é uma das bases da teoria de reserva cerebral.

 

Moral da história? Vamos encher os cérebros de reservas. Isso deve começar cedo, já na barriga da mãe: pré-natal e boa nutrição. Educação não pode faltar. Ocupar o cérebro é fundamental e um país com menos desemprego ajuda muito. Para os aposentados, o lazer inteligente faz a diferença. Aliás, o lazer é uma rica fonte de reserva cerebral em qualquer idade.

 

 

 

É bastante comum vermos pessoas com mais de 60 anos de idade colocando a culpa de suas queixas de memória no cérebro que não é mais jovem. Na verdade, o envelhecimento cerebral normal provoca apenas discretas mudanças no desempenho cognitivo após os 50-60 anos de idade, muitas vezes só detectáveis através de testes rigorosos. Na maioria das vezes, porém, as queixas de memória têm mais relação com quadros de ansiedade, depressão, transtornos do sono e o estresse do dia a dia do que com doenças cerebrais propriamente ditas.

 

Infelizmente, algumas pessoas à medida que envelhecem começam a ter queixas de memória de forma mais intensa, podendo evoluir para quadros de demência. A definição de demência é o acometimento de diversas dimensões do pensamento que chega a comprometer a capacidade de um indivíduo em realizar suas atividades habituais. Entre o envelhecimento cerebral normal e a demência, podemos encontrar pessoas que estão no meio do caminho, e essa é uma condição chamada de transtorno cognitivo leve.

 

Idosos com transtorno cognitivo leve costumam apresentar dificuldades significativas de memória com outras funções cognitivas preservadas, sem que isso atrapalhe de forma expressiva suas atividades diárias. Outros apresentam uma variante em que a memória é preservada enquanto outras funções estão acometidas. Nem todas as pessoas que apresentam transtorno cognitivo leve apresentarão demência no futuro, mas a maioria apresentará sim. A cada ano, cerca de 10-15% de idosos com diagnóstico de transtorno cognitivo leve  receberá o diagnóstico de demência, comparado a 1-2% para idosos sem o problema.

 

Um estudo envolvendo 4 mil idosos revelou que, após 3 anos de acompanhamento, aqueles que desenvolveram uma síndrome demencial apresentavam uma pontuação média significativamente maior  (4.4 pontos) numa escala de auto-avaliação de memória do que os idosos que não desenvolveram a doença (2.5 pontos).  Não há um número mágico nesta escala que permita dizer que um determinado indivíduo tenha mais chance de vir apresentar demência, mas é razoável pedir a opinião de um médico no caso de uma pontuação acima de 2 pontos. Veja abaixo a escala.

 

E nada de pânico, já que dificuldades de memória na maior parte das vezes não são sinais de doenças degenerativas.

 

 

Escala de Queixas Subjetivas de Memória – 10 ítens

Adaptado de Schmand et al., Neurology 2006

Pontuação itens 1 a 3 0=não 1= sim, mas não traz problemas 2= sim, e traz problemas 3= sim, e traz problemas sérios
1-Você tem queixas quanto à sua memória?        
2- Você já esqueceu nomes de amigos ou parentes?        
3- Você costuma esquecer onde coloca as coisas?        
Pontuação itens 4 e 5 0=não 1= sim, às vezes 2= sim, frequentemente  
4- As outras pessoas acham que você é esquecido(a)?        
5- Você costuma anotar as coisas para não esquecê-las?        
Pontuação itens 6 e 7 0=não 1=sim    
6- Você já teve dificuldades em se lembrar de determinadas palavras?        
7- Você já se perdeu na vizinhança?        
Pontuação itens 8 a 10 0=não 1=sim 2= sim, e traz problemas sérios  
8- Você tem hoje o pensamento mais lento do que antes?        
9- Você já teve momentos de confusão mental?        
10- Você tem problemas para se concentrar?        
 PONTUAÇÃO TOTAL   

 

 

 

 

Um estudo divulgado esta semana na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer (Paris) e publicado pelo periódico Lancet Neurology aponta que metade dos casos de Doença de Alzheimer no mundo pode ser atribuída a sete diferentes fatores de risco: 1) tabagismo; 2) sedentarismo; 3) baixo estímulo cognitivo; 4) hipertensão arterial; 5) diabetes; 6) obesidade; 7) Depressão. A pesquisa ainda demonstrou que o fator que tem maior associação com a doença é o baixo estímulo cognitivo ao longo da vida seguido pelo tabagismo e sedentarismo.  

 

Calcula-se que 15% da população mundial nunca freqüentaram a escola e outros 25% não passaram do ensino fundamental. No Brasil, o analfabetismo está na ordem de 10%, mas na região nordeste esse índice chega a quase 20%.  É bom lembrar que um baixo estímulo cognitivo anda de mãos dadas com a pobreza e afetam o cérebro de forma bem precoce.

 

A pobreza é reconhecida como um dos principais fatores que contribuem para o número de pessoas com retardo mental ao redor o mundo. Em países desenvolvidos, a prevalência de retardo mental situa-se em torno de 3-5 / 1000 indivíduos, enquanto em países pobres encontramos uma prevalência que chega a ser cinco vezes maior. Estima-se que cerca de 200 milhões de crianças menores de cinco anos em países subdesenvolvidos não atingem seu pleno potencial de desenvolvimento cognitivo devido a condições associadas à pobreza que por sua vez está por trás de dois dos principais fatores de risco para o retardo mental: deficiência nutricional e de estímulo cerebral. Uma revisão sobre o assunto publicada pela Academia Americana de Neurologia em agosto de 2008 intitula o problema como UMA EPIDEMIA NEUROLÓGICA ESCONDIDA. Do ponto de vista de saúde pública, a pobreza tem um impacto sobre o estado neurológico muito maior que a grande maioria das doenças neurológicas com suas organizadas sociedades médicas e associações de pacientes, e com seus medicamentos que movem o business da saúde.

Atacar de frente a pobreza vai além da questão de humanismo, de direitos humanos. O Banco Mundial reconhece que dentre todas as intervenções em saúde, o controle da desnutrição pode ser considerada a que apresenta melhor custo-benefício. E os primeiros anos de vida de uma criança são os mais vulneráveis para o cérebro, começando a contar desde o primeiro dia da concepção, na barriga da mãe. A mãe precisa comer bem! Todo mundo tem que comer bem. E uma coisa puxa a outra. Crianças desnutridas têm menor chance de chegar à escola, e quando chegam têm maior chance de evasão.

 

 

 

 

 

 

Quando as pessoas pensam em derrame cerebral, uma imagem que comumente vem à cabeça é a de uma pessoa com seqüelas motoras. Entretanto, nem sempre as lesões vasculares cerebrais são tão graves assim, muitas delas acontecem sem chamar a atenção de ninguém e costumam ser chamadas de doença dos pequenos vasos cerebrais.

Quando se fala em lesões dos pequenos vasos que chegam a provocar um buraquinho no cérebro, também chamadas de lacunas, estudos com ressonância magnética revelam que cerca de 20% dos idosos apresentam tais lesões sem nunca ter apresentado sintomas. Quando se fala em lesões que só fazem pequenas cicatrizes no cérebro, essas estão presentes em até 90% dos idosos. MUITO FREQÜENTES, MUITO PEQUENAS, MAS NEM TÃO INOCENTES ASSIM.

Um estudo publicado esta semana pela revista Neurology, periódico oficial da Associação Americana de Neurologia, aponta que essas pequenas lesões reduzem SIM o desempenho cerebral dos idosos.

Cerca de 400 idosos de onze diferentes centros europeus, independentes funcionalmente e com algum grau de doença dos pequenos vasos cerebrais à ressonância magnética, foram acompanhados por três anos. Durante esse período, 18% dos voluntários apresentaram uma ou mais lesões cerebrais novas do tipo lacuna, que é quando há uma pequena cavitação. Esse grupo de indivíduos passou a apresentar menor velocidade e controle dos movimentos, assim como piora das funções executivas que incluem pensamento abstrato, capacidade de planejamento e na tomada de decisões. O volume total do conjunto de lacunas e de lesões sem cavitação foi inversamente relacionado à performance das funções executivas.    

O raciocínio habitual quando se fala em doença dos pequenos vasos cerebrais é o de que uma ou duas lesões realmente não costumam provocar sintomas, a não ser quando se localizam em algumas regiões muito específicas, também chamadas de áreas eloquentes. O presente estudo contraria esta idéia geral, ao mostrar que pequenas lesões podem fazer diferença independente da localização. Confirma, por outro lado, a noção de que quanto mais lesão, pior a função cerebral.

O cérebro que apresenta inúmeras dessas cicatrizes ou buraquinhos, esse sim começa a funcionar de forma bem ineficiente. Algumas pessoas chegam a apresentar dificuldades graves do pensamento e da marcha, e hoje em dia reconhece-se que essa seja a principal causa de déficit cognitivo entre os idosos. Existem fatores genéticos que determinam o quanto de lesões terá um cérebro que envelhece. Entretanto, é bem sabido que os conhecidos fatores de risco para aterosclerose (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, etc.) aumentam significativamente a chance de uma pessoa colecionar mais dessas lesões ao longo dos anos.

O que fazer para proteger nosso cérebro dessas lesões?  São as mesmas coisas que boa parte das pessoas sabe que são eficazes para reduzir o risco de um infarto do coração ou derrame cerebral: 1) não fumar; 2) praticar atividade física; 3) reduzir o estresse; 4) para quem tem doença do coração, alterações do colesterol, diabetes ou hipertensão arterial, tratar essas condições com preciosismo; 5) bebidas alcoólicas só se for com moderação; 6) dieta saudável e controle do peso. E no quesito dieta saudável, os peixes oleosos estão com a bola toda.

 

 

 

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O consumo de café tem-se mostrado eficaz na prevenção de doenças neurodegenerativas como a Doença de Parkinson e Alzheimer. A grande responsável por esse efeito é a cafeína mesmo.

 

A cafeína se liga a receptores do cérebro chamados de adenosina que promovem uma inibição da atividade cerebral. A cafeína tem uma ação inibitória nesses receptores fazendo uma inibição de um sistema que é inibitório. Por isso o efeito final é estimulante.  Quando reduzimos o efeito do freio de mão, o carro anda mais. Esta é a cafeína.

 

Modelos animais da Doença de Parkinson apontam que a inibição do receptor adenosina pela cafeína reduz a perda de células dos sistemas comumente envolvidos na doença.  No caso do da Doença de Alzheimer, um estudo epidemiológico também demonstrou que o consumo de café ao longo da vida pode reduzir o risco da doença. Pesquisas em animais revelam que a cafeína tem o poder de reduzir as alterações patológicas encontradas no cérebro de quem sofre da doença.   

 

 

A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

 

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

 

Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.

 

Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.

 

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Nesta última semana, duas irmãs me procuraram acompanhando o pai que sofre de um tipo de demência chamada de afasia progressiva primária. Essa é uma doença degenerativa em que o paciente vai perdendo gradualmente a função da linguagem, além da redução de outras funções cognitivas. As medicações usadas para o tratamento da doença de Alzheimer não são eficazes para essa patologia.

 

A conversa com as irmãs começou com a demanda de um pedido médico para um tratamento de oxigenioterapia hiperbárica para o seu pai, caso eu julgasse que realmente tivesse indicação. Esse é um tratamento em que o paciente é submetido a sessões de inalação de oxigênio 100% dentro de um equipamento parecido com um submarino com uma pressão superior à pressão atmosférica. Essa maior pressão faz com o oxigênio circule no sangue com maior intensidade e supostamente pode facilitar o tratamento de algumas condições clínicas.

 

 

O fato é que essa é uma modalidade terapêutica que não se mostrou eficaz para uma série de transtornos neurológicos, incluindo o derrame cerebral e doenças neurodegenerativas como a esclerose múltipla e doença de Alzheimer. Atualmente, não há nenhuma evidência de que esse tipo de tratamento possa auxiliar no tratamento da afasia progressiva primária.

 

Mas de onde surgiu toda essa expectativa? Dr. Google, claro. As irmãs sofrem muito com a experiência de ver o pai cada vez com menos interação com o meio e buscam com muita esperança um tratamento que pelo menos coloque um freio na doença. Talvez a percepção da situação tivesse sido diferente desde o momento do diagnóstico se elas não tivessem ouvido do médico que “não existe tratamento para esse tipo de doença”.

 

A inexistência de um tratamento farmacológico ou cirúrgico que possa mudar a história natural de uma doença definitivamente não significa que essa doença seja intratável. Tratar é cuidar. No caso em questão, fonoaudiologia e terapia ocupacional estão indicados e podem melhorar a interação do paciente com as outras pessoas. Se falar e escrever já não são atividades fáceis, o estímulo de outras modalidades de comunicação pode fazer a diferença, como é o caso de cartões com mensagens habituais do dia a dia. Isso é tratamento SIM.

 

 

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Subir e descer escadas, comer e vestir-se sozinho. Essas são atividades da vida diária que algumas pessoas deixam de conseguir fazer sem ajuda quando atingem idades mais avançadas. Como evitar essas dificuldades? Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Journal of Gerontology: Medical Sciences aponta que uma vida social ativa pode ajudar bastante. 

 

A pesquisa envolveu quase mil idosos americanos com uma média de idade de 82 anos e que não apresentavam qualquer forma de dependência no início do acompanhamento que durou cinco anos em média. Um questionário foi aplicado para medir a presença e freqüência de atividades sociais dos idosos, como ir a um restaurante e cinema, viagens, trabalhos voluntários, visitas a amigos e parentes, entre outras. Os idosos também eram questionados quanto ao nível de independência para realizar seis diferentes atividades da vida diária: alimentar-se, vestir-se, tomar banho, usar o vaso sanitário, levantar-se da cama e andar por curtas distâncias. O questionário também investigava a capacidade do idoso em realizar três outras atividades que dependem de força e mobilidade: 1) subir e descer escadas; 2) caminhar 800 metros; 3) realizar o trabalho doméstico mais pesado. Por fim, atividades instrumentais também eram questionadas, como uso do telefone, preparo de refeições e manejo de medicações.

 

Os resultados mostraram que os idosos que relatavam uma alta frequência de atividades sociais tinham duas vezes mais chance de se manterem independentes nas suas atividades de vida diária e 1.5 vezes maior de continuarem com bom desempenho nas atividades instrumentais e naquelas que demandam força e mobilidade. 

 

Uma vida social ativa pode fortalecer o sistema músculo-esquelético e circuitos cerebrais que são os pilares da independência funcional.  Componentes psicológicos estão envolvidos, como manutenção da auto-estima e sensação de pertencer a uma rede social, mas não há como negar que a atividade física associada às atividades sociais tem o seu papel também. Novos estudos deverão avaliar se a introdução de atividades sociais na vida de um idoso pode ajudar a reduzir ou retardar o aparecimento de dependência funcional. É difícil imaginar que intervenções desta natureza não tragam resultados positivos.

 

 

 

 

Não há como prevenir o derrame cerebral.

Mito. Quando uma pessoa está tendo um derrame cerebral, um vaso sangüíneo do cérebro esta sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída. O derrame cerebral é mais comum entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e naqueles sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!

 

O derrame cerebral está se tornando menos comum.

Verdade, mas só nos países ricos. Nas últimas quatro décadas (1970-2008), a incidência de derrame cerebral diminuiu em 42% em países ricos e aumentou mais de 100% em países de baixa e média renda, sendo que o Brasil se encaixa nesse último caso. Na última década, a incidência de derrame cerebral em países de baixa e média renda ultrapassou pela primeira vez a dos países ricos (20% maior).

 

A cidade de Joinville-SC não acompanha essa tendência dos países de baixa e média renda. Num intervalo de dez anos (1995-2006) houve uma redução relativa de um terço na incidência e mortalidade por derrame cerebral e na sua taxa de fatalidade. A redução da incidência de derrame cerebral sugere que a população recebeu mais assistência primária e melhores ações preventivas: controle de pressão alta, diabetes, colesterol, redução do tabagismo, etc. A redução da incidência na mortalidade reflete, em parte, um melhor atendimento em nível hospitalar. Os indicadores demonstrados são comparáveis aos de países ricos.

 

Derrame cerebral é coisa só de gente velha.

Mito.

O problema é mais comum entre os idosos, mas acontece também entre os jovens, muitas vezes por malfomações congênitas dos vasos sanguíneos do cérebro, problemas da coagulação, doenças do coração e por consumo de sustâncias como cigarro, cocaína e crack.

 

Todo tipo de pílula anticoncepcional ou reposição hormonal aumenta risco de derrame cerebral entre as mulheres?

Mito.  No caso da pílula anticoncepcional, as pílulas sem hormônio estradiol podem ser vistas como seguras mesmo para as mulheres que já têm uma predisposição para eventos vasculares, como é o caso da enxaqueca com aura, enxaqueca em que a dor é precedida ou acompanhada de sintomas neurológicos como flashes na visão ou alteração da sensibilidade de um lado do corpo. Já a reposição hormonal para alívio dos sintomas da menopausa, o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama. Há evidências também de que não há aumento do risco de derrame cerebral quando a dose do hormônio estradiol é baixa e quando usado sob a forma de adesivos na pele.

 

Medicações para controlar o colesterol diminuem o risco de derrame cerebral mesmo para quem tem o colesterol normal?

Em parte é verdade. O atual corpo de evidências aponta que indivíduos que apresentam fatores de risco vascular como o diabetes e a hipertensão arterial podem se beneficiar do uso das estatinas como prevenção de derrame cerebral, especialmente aqueles com mais de 65 anos de idade. E esse benefício existe mesmo que o indivíduo não tenha problemas com seus níveis de colesterol.

 

A erva Ginkgo biloba ajuda a prevenir o derrame cerebral.

Mito.

São mais de duas décadas de estudos clínicos com resultados que não justificam o uso do Ginkgo biloba para prevenção de derrame cerebral ou da Doença de Alzheimer. Há estudos em que o uso da erva já foi até associado a um maior risco de derrame cerebral.

 

Ter uma visão otimista da vida protege-nos do derrame cerebral.

Verdade. Uma expectativa negativa do futuro pode influenciar a saúde através de mudanças nos hábitos de vida, mas também por fatores biológicos, como alterações na atividade do sistema nervoso autônomo.

 

Comer peixe ajuda a prevenir o derrame cerebral.

Verdade. Consumo de peixe reduz sim o risco de derrame cerebral. O importante é que esse efeito protetor deixa de existir quando o peixe é frito.

 

O consumo de café faz mal à saúde e pode até aumentar o risco de derrame cerebral?

Mito. O consumo de café está associado a menores índices de mortalidade, especialmente pela redução de infarto do coração e derrame cerebral. Quatro a cinco xícaras por dia traz mais benefícios que consumos menores. 

 

Comer frutas e verduras todos os dias reduz o risco de derrame cerebral.

Verdade. O hábito de comer cinco porções de frutas e verduras por dia traz benefícios inequívocos à saúde dos vasos sanguíneos, com redução expressiva dos riscos de infarto do coração e derrame cerebral. Essa é a atual recomendação da Associação Americana do Coração.

 

Uma dose de álcool por dia reduz o risco de derrame cerebral.

Verdade. Nos últimos anos, uma série de estudos tem demonstrado que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Isso significa que quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que aqueles que não bebem. Entretanto, o consumo exagerado traz mais risco. Devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. As pesquisas ainda apontam que esse efeito protetor do consumo diário e moderado deixa de existir quando a pessoa exagera na dose mesmo que seja por apenas um dia no mês.

 

Mesmo com essas evidências, não é recomendável que indivíduos que não bebem comecem a beber. Entretanto, entre aqueles que já têm o hábito de beber, estes devem beber moderadamente e de preferência vinho tinto.

 

 

Praticar exercícios físicos e manter o peso em dia são atitudes que nos protegem das doenças do coração, mas não do derrame cerebral.

Mito.

Atividade física regular associada ao hábito de não fumar e uma dieta inteligente é capaz de reduzir pela metade o risco de derrame cerebral. Não é pouca coisa não.

 

 

 

 

 

A velocidade com que um idoso consegue caminhar pode ser um marcador de sua longevidade. Esta foi a hipótese de um estudo publicado nesta semana pelo Journal of the American Medical Association e com resultados positivos: idosos mais rápidos têm uma tendência a viver mais.

 

Pesquisadores de vários centros de pesquisa dos Estados Unidos e Europa avaliaram os resultados de nove estudos que incluíam cerca de 35 mil indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos e com seguimento de 6 a 21 anos.  A média de idade era de 73.5 anos e a média de velocidade da marcha era 0.92 m/s. A taxa de sobrevida em 5 e 10 anos era 84.8% e 59.7% respectivamente. Uma maior velocidade de marcha estava associada a maior longevidade em todos os nove estudos e, quando maior que 0.8 m/s, predizia uma vida mais longeva do que a média dos indivíduos pesquisados.

 

E por que a velocidade da marcha de um idoso tem essa relação com sua longevidade? Caminhar exige um bom funcionamento de uma série de sistemas do corpo que inclui os músculos e os sistemas cardio-respiratório e neurológico. Uma marcha mais lenta reflete um custo maior de energia para realização do movimento por disfunção desses sistemas. Além disso, o baixo desempenho físico influencia a saúde num círculo vicioso, pois limita a realização de exercícios físicos.

 

Há pelo menos três décadas já dispomos de fortes evidências de que o desempenho físico é um importante indicador de saúde entre os idosos. Entretanto, esse tipo de avaliação não é rotineiramente realizado no dia a dia dos consultórios médicos. O presente estudo deu um passo importante ao padronizar o teste de marcha e sua interpretação, facilitando sua aplicação na prática clínica. O indivíduo é orientado a caminhar quatro metros no seu ritmo habitual, como se estivesse andando na rua, sem qualquer mensagem que o encoraje a andar rápido. É um teste sem custo e de fácil execução, e que tem mais relevância entre idosos que não têm limitações funcionais, ou seja, naqueles em que uma marcha mais lenta pode significar um sinal precoce de uma condição clínica que ainda não se manifestou.

 

A medida da velocidade da marcha pode ter inúmeras aplicações clínicas. Pode ajudar a definir a reserva fisiológica e a chance de sobrevida de um idoso nos próximos 5 ou 10 anos. Pode identificar um idoso com mal estado de saúde, quando, por exemplo, este tem uma velocidade de marcha menor que 0.5 m/s. Ajuda a separar aqueles que são velhos do ponto de vista biológico daqueles velhos apenas pelo fator cronológico, por acúmulo de anos de vida. É uma ferramenta que também pode ser usada para monitorização do estado de saúde e até para auxiliar na identificação de indivíduos com maior risco para procedimentos médicos, como cirurgias e quimioterapia.

 

** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Radio CBN Brasilia no dia 07 de janeiro de 2011. 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma pesquisa publicada nesta semana pelo periódico Archives of Internal Medicine demonstrou que um programa de atividade física para idosos baseado em ritmo musical melhora a marcha, o equilíbrio e ainda reduz o risco de quedas.

 

Os pesquisadores estudaram cerca de 130 idosos suíços com mais de 65 anos e algum grau de risco de queda definido pelo exame clínico ou por história pregressa de queda. Metade dos voluntários foi submetida a um programa de atividade física que consistia em sessões semanais de uma hora ao ritmo de improvisação ao piano com exercícios que promoviam ações cognitivas e de movimento simultâneas, com desafios do equilíbrio e manipulação de objetos como bolas e instrumentos musicais de percussão.

 

 

O programa tinha a duração de seis meses e, após esse período, os voluntários eram orientados a voltar às suas atividades habituais. Um segundo grupo de voluntários iniciava o mesmo programa após o encerramento das atividades do primeiro grupo. Ambos os grupos eram avaliados no início do estudo e após 6 e 12 meses. Os resultados revelaram que o programa promoveu a melhora do desempenho da marcha e do equilíbrio e ainda reduziam o risco de queda em 54%, efeitos que persistiram por seis meses após sua interrupção.

 

O treinamento utilizado no presente estudo também é conhecido por Eurritmia de Jacques-Dalcroze, método de educação ritmo-musical musical do corpo desenvolvido ainda no início do século 20 pelo músico suíço de mesmo nome e que é praticado em várias partes do mundo em atividades que vão da música, dança e teatro até terapia. Resultados um pouco mais modestos que os do presente estudo já foram descritos com a prática de Tai Chi e outros métodos que estimulam o equilíbrio. Entretanto, não é possível traçar comparações, pois as metodologias e populações estudadas foram bem distintas.

 

Queda da própria altura é um dos problemas mais sérios da medicina geriátrica. Aos 60 anos de idade, 85% dos idosos apresentam uma capacidade de caminhar normal e aos 80 anos apenas cerca de 20% caminham sem dificuldades. Além disso, anualmente, um terço dos idosos com mais de 65 anos sofrem uma queda e metade desses cai de forme recorrente, 30% das vezes levando a alguma injúria e em 6% dos casos resultando em fratura. Com o crescente envelhecimento da população, esse é um problema que se torna cada dia mais sério.

 

A atual pesquisa chama a atenção para o fato de que qualquer leve melhora no desempenho cerebral e muscular de um idoso pode fazer a diferença na redução do seu risco de queda. O interessante da estratégia utilizada é que ela estimula funções motoras e cognitivas de forma integrada.

 

** Vale lembrar que há boas evidências de que o uso de vitamina D em altas doses é capaz de aumentar a força muscular e o equilíbrio entre os idosos e reduzir em 20% o risco de quedas.

 

** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira e o jornalista Estevão Damasio no dia 26 de novembro 2010 na Rádio CBN Brasília.

 

 

A revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, publicou esta semana um estudo que demonstra que mulheres idosas com dietas ricas em vitamina D têm desempenho cognitivo melhor do que aquelas com ingesta insuficiente da vitamina.

 

Evidências recentes têm demonstrado que uma baixa concentração de vitamina D no sangue está associada a cérebros menos afiados, não só entre idosos e mulheres, mas também entre adultos de meia idade. A atual pesquisa acrescenta um dado inédito ao mostrar que a fonte dietética de vitamina D pode fazer diferença. Esse é um passo fundamental antes de se partir para um estudo de suplementação de cápsulas de vitamina D entre idosos com déficit cognitivo e baixos índices da vitamina.

 

Não se levava muito em consideração o impacto da dieta sobre o nível de vitamina D em nosso organismo, já que 90% são dependentes de sua síntese na pele por exposição ao sol. A dieta contribui com os outros 10% especialmente através de alimentos enriquecidos com a vitamina, óleo de fígado de bacalhau, peixes, e de forma menos importante, gema de ovo e fígado. Os vegetais contêm concentrações de vitamina D mínimas.

 

A deficiência de vitamina D sempre foi muito associada a problemas ósseos nas crianças e também nos adultos, mas nos últimos anos, começou-se a entender que sua deficiência também poderia estar associada a alterações do funcionamento cerebral. A vitamina D também atua no cérebro e sabe-se que ela está associada à expressão de diferentes proteínas e células essenciais para sua função e estudos experimentais sugerem que sua deficiência pode estar associada a disfunções cerebrais inflamatórias e vasculares que podem culminar em processos degenerativos.

 

Os próximos passos a serem dados serão estudos que consigam definir se uma dieta rica em vitamina D ou mesmo suplementos de vitamina D são capazes de prevenir, ou mesmo reverter déficits cognitivos. Enquanto isso, os médicos devem estar conscientes da alta freqüência de déficit da vitamina na população idosa.

 

Podemos dizer também que encontramos mais uma razão para consumir peixes regularmente. Os peixes ricos em vitamina D são praticamente os mesmos ricos em ômega 3 (ex: salmão, atum, sardinha), sendo este último componente nutricional de reconhecida eficácia na melhora do desempenho cerebral e também na capacidade de evitar doenças como o derrame cerebral e a Doença de Alzheimer. Mais uma razão também para não deixar de tomar um solzinho.

 

Clique aqui e confira um bate-papo com o Dr. Ricardo Teixeira e a jornalista Maria Honda no dia 19 de novembro de 2010 na Rádio CBN Brasília. Eles discutem o impacto da Vitamina D sobre o cérebro e as melhores estratégias para se conseguir boas concentrações da substância em nosso corpo.

 

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