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Rafael Nadal is the Academy's 2013 Male Athlete of the Year.

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A maturidade traz algumas compensações, mas aos 24 anos alcançamos nosso pico de desempenho cognitivo-motor. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta última semana no prestigiado periódico PLoS ONE.

 

Pesquisadores da Universidade de Burnaby no Canada analisaram os dados de desempenho de mais de três mil jovens com idades entre 16 e 44 anos num jogo de computador chamado StarCraft 2. O jogo tem a mesma lógica de um xadrez e os dados analisados representam milhares de horas de quão rápido os voluntários reagiram aos seus oponentes no jogo e as estratégias que eles usaram no desafio. Jogadores mais velhos, apesar de mais lentos, compensam a desvantagem de velocidade com estratégias mais eficientes no jogo.

 

A maioria dos estudos que investiga o declínio motor e cognitivo com a idade analisa o efeito em populações de idosos. Dessa vez não. Os pesquisadores mostraram que a rapidez cognitivo-motora já começa a diminuir na segunda década de vida, mas são compensadas por estratégias mais eficientes. E dessa vez a evidência não veio de testes de laboratório, mas de um modelo da vida real, o que torna possível a demonstração a compensação com o passar dos anos.        

 

Mas não é em toda atividade que essa compensação acontece. Simuladores de vôo e performance no piano são dois exemplos. Por outro lado, em muitos esportes, o maior equilíbrio mental da maturidade pode ser até mais importante que a velocidade.

 

 

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Pedalar por belas paisagens. Correr num parque com muito verde. Isso pode ser melhor para a saúde do que malhar entre quatro paredes. Isso é o que sugere um estudo publicado esta última semana por pesquisadores da Universidade de Coventry na Inglaterra.

Eles avaliaram uma série de crianças com idades entre nove e dez anos numa sala com paredes brancas fazendo uma prova de 15 minutos na bicicleta ergométrica. No outro dia, as crianças fizeram a mesma atividade, mas desta vez olhando para um filme de uma bicicleta atravessando uma floresta. A monitoração da pressão arterial mostrou valores significativamente menores após a pedalada no “meio da floresta” quando comparado à atividade na sala branca. Esse efeito hipotensor do verde já tinha sido descrito há cerca de dez anos entre adultos.

A atividade física na natureza tem sido chamada de “Exercício Verde” e sua prática tem sido estimulada para os adultos por seus efeitos potencialmente superiores ao exercício sem a natureza. Cinco minutos de contemplação já são capazes de trazer efeitos positivos sobre o ritmo do coração. Já foi demonstrado que a simples contemplação de imagens da natureza tem efeito protetor contra o estresse, além de melhorar o humor e a atenção. O pessoal da corrida de aventura, mountain bike, surf, etc, têm muito a nos dizer.

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Happy youths training outdoors

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Uma pesquisa publicada esta ultima semana pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia aponta que o jovem pode chegar com o cérebro mais esperto aos 40-50 anos se praticar exercícios aeróbicos desde cedo. Estamos falando de corrida, natação, ciclismo, e outras atividades que fazem o coração suar a camisa.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Minneapolis nos EUA que recrutaram quase três mil voluntários com uma média de idade de 25 anos. Foram realizadas avaliações da capacidade cardiorrespiratória e perfil cognitivo no início do estudo e 25 anos depois. Aqueles que tinham um melhor desempenho cardiorrespiratório no início do estudo apresentavam também melhores notas nos testes cognitivos. Além disso, aqueles com menor declínio da capacidade cardiorrespiratória ao longo dos 25 anos eram os que tinham o melhor desempenho cognitivo. Esse efeito certamente deve fazer diferença no risco de uma pessoa desenvolver um quadro de demência.

O ineditismo da pesquisa está no fato de que desta vez foi demonstrado o efeito positivo do condicionamento físico sobre o cérebro mesmo entre os jovens. Pesquisas anteriores já haviam apontado esse efeito nos idosos.

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Uma hora é bom. Duas é melhor ainda. Duas horas por dia de atividade física é o ideal quando se pensa no bem estar de um adolescente. Mais do que isso estraga.  Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta última semana no periódico Archives of Disease in Childhood.

Duas horas de atividade física por dia é o dobro do recomendado, mas parece que esse é o ritmo que promove mais bem estar entre os adolescentes. E bem estar é um fator que prediz o estado de saúde além de estar associado a menor comportamento de risco.

A atual pesquisa aplicou uma escala de avaliação de bem estar físico e mental em 1200 adolescentes suíços com uma média de idade 18 anos. Essa é uma escala da Organização Mundial da Saúde que tem uma pontuação de zero a 25, sendo que abaixo de 13 é considerado nível de bem estar baixo. A participação em atividades físicas na semana foi classificada como baixa (0 a 3.5 horas), mediana (3.6 – 10.5 horas), alta (10.6-17.5 horas) e muito alta (mais de 17.5 horas).

Tanto os voluntários com nível de atividade física baixo como os de nível muito alto tinham duas vezes mais chance de ter uma pontuação menor que 13 na escala de

bem estar. Aqueles do grupo de alta participação (10.6-17.5 horas) tinham maior pontuação de bem estar que os de participação mediana (3.6 – 10.5 horas). Aqueles com duas horas diárias de atividade física eram os que tinham maior pontuação de bem estar.

Exercícios regulares tem reconhecido efeito positivo no estado físico e psíquico, promove a autoestima e reduz o estresse e transtornos de ansiedade e depressão. O exagero, como mostra a presente pesquisa, não traz bem estar. Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o excesso de atividade física está associado a perda da capacidade concentração, irritabilidade, ansiedade e depressão. Além disso, aumenta a produção de substâncias pró-inflamatórias no corpo.

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Adolescentes que praticam exercícios físicos moderados e vigorosos têm melhores notas no colégio e os efeitos são mantidos no longo prazo. Essa é conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico British Journal of Sports Medicine.

Os resultados são baseados na análise de quase 5000 crianças inglesas quando tinham inicialmente 11 anos de idade e reavaliados aos 13 e depois aos 15-16 anos. O nível de atividade física foi medido por um aparelho chamado de acelerômetro que fica acoplado a um cinto elástico.

O acelerômetro mostrou que aos 11 anos de idade os meninos tinham 29 minutos por dia de atividade moderada ou vigorosa, enquanto as meninas tinham 18, tempos bem menores que a recomendação de 60 minutos. O desempenho acadêmico em inglês, matemática e ciências foi medido pelas notas de exames e os resultados foram impressionantes: quanto mais atividade física melhor o desempenho nas três matérias nos três períodos avaliados. As meninas foram relativamente mais beneficiadas em ciências. Os autores especulam que os efeitos podem ser maiores ainda entre adolescents com uma atividade media de 60 minutos por dia.

A crescente preocupação com a competitividade que as crianças enfrentarão no futuro faz com que algumas escolas reduzam e até extingam atividades de educação física e educação artística. A presente pesquisa ajuda a repensar esses tipos de atitude.

A associação Americana para o Esporte e Educação Física publicou um relatório ainda no ano de 2002 com as recomendações de atividade física para as crianças pré-escolares. É desejável que elas tenham pelo menos uma hora de atividade física livre, através de brincadeiras, e uma hora de atividade estruturada sob a orientação do adulto, como é o caso da educação física na escola. Entre as crianças maiores, pelo menos uma hora de atividade física moderada ou vigorosa por dia é o mais recomendado.

Mas por que as notas escola são melhores entre aqueles que se exercitam mais?  Um cérebro turbinado parece ser uma das melhores explicações. Os efeitos positivos da atividade física sobre o cérebro já foram demonstrados através de variáveis fisiológicas que vão desde o aumento da perfusão sanguínea, metabolismo e tamanho do cérebro em determinadas regiões, até a modulação de sua própria atividade elétrica. O exercício físico promove ainda a secreção de diversas substâncias no cérebro como endorfina, endocanabinóides e fator neurotrófico derivado do cérebro, que têm efeito positivo no seu funcionamento, incluindo um melhor equilíbrio psíquico.

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Pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha, junto a outros grupos de pesquisa, demonstraram que a música ajuda na hora de fazer um esforço físico não simplesmente por distrair a atenção do sofrimento do corpo. A música realmente é capaz de reduzir o esforço na hora de executar uma tarefa.

Para chegar a essa conclusão os cientistas realizaram experimentos em que voluntários tinham que se exercitar em um aparelho de musculação ora ouvindo uma música de forma passiva, ora ouvindo a música, mas podendo interferir na sua estrutura de acordo com o ritmo que imprimiam no aparelho.  Eles ainda eram monitorados quanto ao consumo de oxigênio e a experiência subjetiva do esforço físico.

Quando eles “produziam” a música, a percepção do esforço era menor e os músculos realmente eram mais eficientes: faziam o corpo consumir menos energia. Dá para entender melhor as raízes do coro de trabalhadores.

O estudo foi publicado esta semana no respeitado periódico Proceedings of the National Academy of Science.

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Há poucos anos as evidências da participação do cérebro no mecanismo da exaustão muscular ainda eram apenas indiretas. Os estudos usavam truques psicológicos que enganam os voluntários de que suas medidas fisiológicas ainda estão dentro da normalidade, criavam adversários virtuais com um desempenho melhor do que o esperado numa competição, etc.

 

Em 2011, pesquisadores da Universidade de Zurique realizaram um estudo que provocava a exaustão de ciclistas monitorizados por eletrencefalograma. Eles conseguiram demonstrar que pouquíssimo tempo antes da exaustão existia um aumento da comunicação elétrica entre duas regiões do cérebro. Essas duas regiões eram o córtex motor que planeja e controla o movimento e o córtex da ínsula, região que poderia ser considerada como um grande entroncamento de vias, incluindo as vias emocionais.  Podemos dizer que a ínsula dá um sinal para a região motora parar logo, já que o limite foi ultrapassado.

 

Prof. Alexandre Okano, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e colaboradores de outras instituições (Unicamp, Universidades Estaduais do Rio de Janeiro e de Londrina, Universidade de Cape Town – África do Sul, City College of New York – EUA) conduziram um experimento extraordinário que estava faltando para dar seguimento à evolução desse conhecimento. Os resultados indicaram que o cérebro parece mandar mais que o músculo quando atingimos a fadiga. O músculo até continuaria um pouco mais, mas o cérebro acaba com a festa.

 

Eles resolveram mudar a excitabilidade da ínsula e regiões vizinhas através de uma pequena estimulação elétrica não invasiva e ver o quanto isso poderia influenciar o desempenho de atletas. Essa estimulação poderia fazer com que a ínsula passasse a mandar menos recados ao sistema motor de que já estava na hora de descansar, deixando os músculos trabalharem mais. Dito e feito.

 

Dez ciclistas de competição participaram de um teste em que pedalavam “no limite”. Metade deles recebeu antes da prova a estimulação elétrica por 20 minutos sobre o córtex da ínsula à esquerda enquanto a outra foi submetida a um procedimento de mentira, placebo.  Aqueles que receberam a estimulação tiveram um desempenho de força 4% maior, menor percepção de cansaço e menor elevação da freqüência cardíaca.  

 

A modulação das conexões entre a ínsula e o sistema motor tem vários caminhos. Já é conhecido que a estimulação da ínsula promove modulação do sistema nervoso autônomo e também tem estreita relação com experiências prazerosas. Ativação da ínsula esquerda já foi demonstrada quando uma mãe vê fotos de seus filhos, quando uma pessoa sorri ou mesmo vê alguém sorrindo e ao ouvir músicas agradáveis. Por outro lado, a ínsula direita está mais associada às experiências negativas e desagradáveis, como é o caso da dor. 

 

Uau! Isso não é pouca coisa quando se pensa em atletas de elite e certamente é um achado que vai levantar muitos dilemas éticos. Ainda não existe como provar se o atleta foi estimulado ou não antes de uma competição… Os resultados da pesquisa foram publicados no Jornal Britânico de Medicina do Esporte.

 

 

 

 

Até há pouco tempo, competições esportivas como maratonas liberavam o uso de aparelhinhos de música com fones de ouvido, mas hoje em dia isso não é permitido. São duas as justificativas: pela segurança do atleta e para não criar desvantagens para aquele que não compete com o aparelho. 

 

Nos últimos dez anos muito se avançou no entendimento desse binômio música / atividade física. Já em 1911, o pesquisador Leonard Ayres observou que os ciclistas pedalavam mais rápido quando tinha uma banda de música na rua do que quando não tinha. Música diminui a percepção da dor, da fadiga e do esforço despendido, melhora o estado de humor e aumenta a resistência. A música melhora o desempenho em atividades como corrida e natação, sem que a pessoa nem tenha consciência disso.

 

Qual é a melhor música?

A maioria das pessoas tem um instinto para sincronizar os movimentos e expressões com o ritmo da música. As conexões diretas entre o sistema auditivo e motor são os pilares desse instinto.

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O ritmo de dois batimentos por segundo parece ser a preferência inata da maioria das pessoas. Um estudo avaliou mais de 70 mil músicas pop e mostrou que o pulso mais comum era o de dois por segundo – 120 por minuto. Quando as pessoas são solicitadas a batucar os dedos ou caminhar, esse é o ritmo mais comumente observado.

 

A sincronia com o ritmo musica promove o uso de energia de forma mais eficiente, com menos ajustes para a coordenação. A relação entre a música e o movimento no cérebro é íntima. Ao ouvirmos uma música agradável, há um aumento da atividade elétrica de várias regiões do cérebro responsáveis pelos movimentos. Uma pesquisa demonstrou que o consumo de oxigênio é 7% menor quando se pedala sincronizado com a música.

 

Ritmo acelerado não é tudo. As memórias e emoções evocadas pela música fazem muita diferença. Distração é outra forma de explicar o poder da música durante a atividade física. A música nos distrai dos alarmes do corpo de que já chegamos no limite. Essa distração também pode facilitar acidentes e por isso devemos ficar bem atentos e ter consciência de que em algumas situações a música é incompatível com segurança.

 

** Já existem até aplicativos que selecionam as músicas de acordo com a freqüência cardíaca do corredor.

 

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O periódico especializado British Journal of Sports Medicine publicou nesta última semana uma pesquisa que demonstra que a atividade física moderada ou intensa, mesmo que de curta duração, tem o poder de nos deixar mais centrados, com melhor controle das emoções.

 

Pesquisadores holandeses avaliaram os principais estudos que investigaram o impacto do exercício físico sobre funções cerebrais superiores como memória, concentração, planejamento e tomada de decisões. A análise foi feita em três diferentes faixas etárias: 6-12 anos, 13-17 anos e 18-35 anos. Foram incluídos 24 estudos que envolveram quase mil voluntários.

 

Os resultados apontaram que exercícios moderados ou intensos de curta duração (10 a 40 minutos) promovem aumento do autocontrole psíquico nas três faixas etárias estudadas, especialmente sobre a capacidade de inibir a impulsividade. O aumento do aporte de sangue e oxigênio para as regiões mais frontais do cérebro (córtex pré-frontal) pode explicar esse efeito. Outros estudos também têm mostrado que o exercício melhora o desempenho cognitivo dos idosos.

 

A atividade física dispara imediatamente uma série de substâncias no sangue que estimulam a secreção de neurotransmissores no cérebro. Entre essas substâncias estão a endorfina, vasopressina, hormônio corticotrófico e catecolaminas.  No longo prazo, a prática regular de exercícios estimula a produção de fatores neurotróficos que favorecem a criação de novos vasos sanguíneos e neurônios, além de mudanças estruturais nas sinapses e ramificações dos neurônios. E mais: esses efeitos plásticos chegam a promover o aumento de áreas cerebrais que vão além daquelas responsáveis pelo movimento, mudanças que podem estar associadas aos efeitos positivos da atividade física sobre a cognição.

 

 

 

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Pesquisadores ingleses da Universidade de Oxford avaliaram 431 peças publicitárias de 104 diferentes produtos voltados ao esporte nos melhores magazines de esporte da Inglaterra e dos EUA. Os resultados apontaram que menos de 3% delas tinham respaldo científico. Além de uma constatação de informações duvidosas, o estudo dá uma espetada na autoridade de segurança alimentar européia, correspondente à ANVISA aqui no Brasil, órgão que regula esse tipo de publicidade. Os resultados da pesquisa foram publicados no British Medical Journal esta semana e esse também foi o conteúdo de um programa veiculado ontem pela BBC com o título “A Verdade dos Produtos Esportivos”. 

 

Anúncios de distribuidores não foram incluídos, mas apenas os de fabricantes de produtos, como isotônicos, suplementos alimentares e acessórios esportivos. As empresas foram questionadas por email quanto às referências científicas que justificavam os anúncios de melhora de desempenho ou prevenção de condições clínicas com o produto.

 

Muitas empresas não tinham mesmo qualquer tipo de referência para apresentar, outras apresentavam, mas com evidências que não justificavam os anúncios, e apenas uma minoria de 2.7% tinha embasamento científico satisfatório de acordo com critérios objetivos baseados no Centro de Medicina Baseada em Evidências. Os resultados ainda mostraram que a maior parte das pesquisas que investigavam a eficácia desses produtos era patrocinada pelas próprias empresas interessadas.

 

Elenco abaixo alguns pontos que foram alvo de críticas por uma série de experts em medicina do esporte e publicados em outros sete artigos na última edição do British Medical Journal :

 

* promessas dos isotônicos – para o atleta de elite, esses produtos podem fazer a diferença, especialmente em provas de longa duração. Entretanto, para maioria dos que praticam atividade física de forma amadora, água é o suficiente e é bom lembrar que muitos dos isotônicos estão cheios de calorias. Existe um apelo de que os isotônicos têm menor risco de queda dos níveis de sódio, mas o que temos de evidências é de que qualquer líquido em excesso pode provocar essa condição clínica chamada de hiponatremia. Além disso, não custa lembrar que o corpo saudável tem um mecanismo preciso de controle dos níveis de eletrólitos no sangue e não é qualquer corridinha que é capaz de driblá-lo;   

 

* outros “movimentos isotônicos” – a bebida oficial da Olimpíada de 2012 é o isotônico Powerade da Coca-Cola com a chamada “Ajuda a manter a resistência”. A gigante GlaxoSmithKline tem um programa de pesquisa com voluntários de 11 a 14 anos de idade para avaliar as vantagens de isotônicos sobre a água;

 

* hidratar muito antes mesmo de sentir sede – o excesso de hidratação tem suas repercussões negativas, assim como a desidratação. Beber à medida que se tem sede pode ser a melhor opção já que a sede é o melhor alarme que o corpo está precisando de hidratação;   

 

* tênis especiais para cada tipo de pisada – o que faz mesmo diferença na incidência de lesões é a intensidade e tempo de treino/prova assim como o intervalo de recuperação. O tipo de tênis tem um valor irrisório, é o que aponta recente e maior pesquisa realizada sobre o tema;

 

* shakes de proteína – forma cara de tomar um copo de leite;

 

 

Por enquanto, o que a ciência endossa é que devemos nos exercitar regularmente, e se for com o pé no chão, que seja com um tênis confortável.  Garantir também uma dieta balanceada e hidratação com água. 

 

 

 

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Atividade física diária previne a doença de Alzheimer mesmo entre aqueles com mais de 80 anos. Essa á conclusão de um estudo publicado esta semana pela versão online do periódico da Academia Americana de Neurologia.

 

Durante quatro anos, mais de 700 idosos, com uma média de idade de 82 anos, foram acompanhados com testes anuais de memória e outras funções cognitivas. Eles foram também monitorados em suas atividades físicas através de um questionário e por um dispositivo chamado actígrafo, tipo um relógio de pulso, que registra a movimentação de uma pessoa ao longo do dia.

 

Nesse período, 10% dos voluntários receberam o diagnóstico de doença de Alzheimer. Aqueles que tinham registro de maior atividade foram os que tiveram menos chance de desenvolver a doença. Os 10% com menos atividade tiveram um risco três vezes maior quando comparados aos de maior atividade.  Esse efeito protetor foi demonstrado não só com os exercícios físicos formais, mas também com atividades do cotidiano como limpeza da casa, cozinhar e lavar louças. O benefício da atividade física mostrou-se independente das atividades cognitivas e sociais que ajudam na prevenção da doença. 

 

A pesquisa confirma, com metodologia bastante refinada, que a atividade física, é uma aliada na luta contra a doença de Alzheimer, mesmo em idades avançadas. Sabemos que o exercício estimula a liberação de uma série de combustíveis para os neurônios e vasos e melhora o aproveitamento da glicose pelo cérebro. 

 

** No dia a dia do consultório, as pessoas perguntam muito qual é o tipo de atividade física mais recomendada para o cérebro. Nesta semana, outro estudo publicado pelo Archives of Internal Medicine revelou que atividade física do tipo musculação duas vezes por semana durante seis meses promoveu a melhora cognitiva de mulheres idosas com queixas subjetivas de memória. Além disso, durante uma tarefa tipo jogo de memória, esse programa de atividade trouxe maior ativação de uma série de áreas cerebrais.

 

 

 

 

 

 

Ouço às vezes no consultório jovens dizendo coisas como: “Já fiz check up com o cardio, com o gastro, agora só falta o neuro”.  Mas afinal, que tipo de check up as pessoas realmente devem fazer?

 

Para quem não tem sintomas, ou qualquer doença conhecida, exames como PSA (antígeno prostático), tomografia das artérias coronárias, raio-x ou tomografia de pulmão têm sido colocados em xeque. Mamografia a partir dos 40 ou 50 anos? Testes genéticos que podem demonstrar uma maior chance de desenvolver doença de Alzheimer no futuro? Todo mundo poderia fazer exame para descartar aneurisma cerebral? Qual é o custo benefício?

 

Resultados falso-positivos levam à ansiedade, novos exames que não raramente são invasivos e, por vezes, até cirurgias desnecessárias. A isso se dá o nome de iatrogenia que é a contra-mão do que o pai da medicina Hipócrates deixou como princípio ético – primum non nocere (em primeiro lugar, não fazer mal). Check ups para pessoas assintomáticas só devem ser realizados quando existem evidências de que os benefícios são maiores que os danos. Isso não quer dizer que as pessoas devem deixar de ir ao médico ou ao dentista pelo menos uma vez ao ano, especialmente após os 40 anos.

 

 

Nos tempo de hoje, os médicos já não precisam cuidar só dos doentes, mas também das pessoas saudáveis. Estamos sempre vulneráveis a sermos rotulados como portadores de alguma disfunção ou transtorno.  

 

Veja abaixo algumas diretrizes de check up de diferentes sistemas do nosso corpo:

MAMA (mulheres) Auto-exame mensal.Após os 40 anos: exame clínico da mama e mamografia anualmente. Mulheres com alto risco (>20% de chance de desenvolver a doença ao longo da vida), podem discutir o custo-benefício da ressonância magnética e ultrasonografia.
COLON E RETO Após os 50 anos: sangue oculto nas fezes anualmente e retossigmoidoscopia a cada 5 anos ou colonoscopia a cada 10 anos. Se houver história de câncer de cólon na família, o sreening deve iniciar após os 40 anos (colonoscopia e testes genéticos).
COLO UTERINO (mulheres) Papanicolau anualmente (discutir custo-benefício do teste DNA HPV)
ATEROSCLEROSE Score de Frahmingham anualmente. Score intermediário (> 10%) : indicado teste de esforço.

Após 55 anos se apresentar qualquer fator de risco (hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, dislipidemia, história familiar, síndrome metabólica):  Ecodoppler de carótidas com espessura íntima média ou Score de Cálcio Coronariano pela tomografia computadorizada a cada 5 anos. Avaliação oftalmológica (retina) e US para descartar aneurisma de aorta abdominal  após 60 anos.

Cavidade oral:Visita ao dentista semestralmente.Olhos:Avaliação periódica com oftalmologista – anual a partir dos 45 anos de idade.Ossos:Densitometria óssea a partir dos 65  e a partir dos 60 anos se houver fatores de risco para osteoporose (ex: uso de corticóide, tabagismo).Pele:Avaliação dermatológica ao aparecer manchas, pintas, feridas inéditas.Estômago – Esôfago:Endoscopia digestiva alta  em caso de dificuldade para engolir ou dispepsia sustentada ou associada a outros sintomas / sinais (ex: perda de peso, anorexia, anemia).Tiróide: US de tiróide é recomendado para pacientes de alto risco (história familiar de câncer de tiróide ou de irradiação) e quando há nódulo palpável, bócio ou linfonodos suspeitos. (AACE 2006).Pulmão: Mesmo com história de tabagismo, a ACCP (2007) não recomenda screening.

Abdome, linfonodos: PET/CT de corpo inteiro não é recomendado como screening (SNM 2007). US de abdome pode ser realizado para avaliação periódica do fígado, vesícula, pâncreas, e rins.  

Sistema genito-urinário: Exame de urina anualmente. US de pelve via abdominal pode ser realizado  para avalaiação periódica de ovários, útero e bexiga. A realização de US transvaginal e CA 125 anual para screening de câncer de ovário é controverso, mesmo em mulheres com história familiar da doença.

PROTEJA SEU CÉREBRO E MANTENHA-O BEM AFIADO

- Durma bem

- Pratique exercícios físicos moderados pelo menos 30 minutos 5 vezes por semana. Evite a exposição solar entre as 10:00h e 16:00h.

- Controle os fatores de risco vascular (ex: tabagismo, pressão alta, diabetes, colesterol, etc)

- Mantenha seu peso ideal

- Equilibre o trabalho com o lazer

- Adote a Dieta Mediterânea na sua vida:  coma pelo menos 5 porções diárias de frutas / vegetais, dê preferência aos grãos integrais, evitando os refinados, e dê preferência às gorduras insaturadas (azeite). Limite o consumo de carnes vermelhas ou processadas (ex: defumados), e o uso de álcool a uma dose por dia. (dê preferência ao vinho tinto). Inclua o peixe na sua dieta pelo menos 2 vezes na semana, especialmente o atum, sardinha e salmão.

ESSAS SÃO ATITUDES QUE, ALÉM DE FAZEREM  BEM AO SEU CÉREBRO,PREVINEM A ATEROSCLEROSE E O CÂNCER

 

 

 

 

 

Viver em estado de bem estar é uma das maiores aspirações de qualquer sociedade. Os benefícios desse bem estar vão além do prazer no momento presente.  Um estudo publicado esta semana pelo periódico Archives of Internal Medicine demonstra que as pessoas que julgam que curtem bem a vida têm melhor saúde e maior longevidade.

 

Mais de onze mil ingleses com mais de 50 anos de idade foram acompanhados por uma média de sete anos. Os voluntários foram submetidos a um questionário bem validado que avalia o quanto uma pessoa aproveita a vida, o que inclui perguntas sobre auto-realização, autonomia e prazer em viver.  Os resultados apontaram que aqueles que apresentavam maiores índices nessa escala foram as que apresentavam menos doenças, fumavam menos, faziam mais atividade física e tinham maior longevidade. Além disso, eram mais freqüentemente casados e com trabalho remunerado.

 

Não dá para dizer em relação causa e efeito, mas parece que existe aí um círculo virtuoso.

 

 

Image: Back to School, active children

 

Uma revisão sistemática foi publicada esta semana pelo periódico de pediatria da Associação Americana de Medicina trazendo a conclusão que já existem evidências suficientes de uma associação positiva entre atividade física e desempenho escolar.

 

Pesquisadores holandeses avaliaram os 14 estudos mais importantes sobre o tema envolvendo crianças e adolescentes com idades entre 6 e 18 anos.  A maioria das pesquisas havia sido conduzida nos EUA, uma no Canadá e outra na África do Sul, e algumas delas incluiu mais de 10 mil voluntários.  

 

Mas por que as notas escola são melhores entre aqueles que se exercitam mais?  Um cérebro turbinado parece ser uma das melhores explicações. Os efeitos positivos da atividade física sobre o cérebro já foram demonstrados através de variáveis fisiológicas que vão desde o aumento da perfusão sanguínea, metabolismo e tamanho do cérebro em determinadas regiões, até a modulação de sua própria atividade elétrica. O exercício físico promove ainda a secreção de diversas substâncias no cérebro como endorfina, endocanabinóides e fator neurotrófico derivado do cérebro, que têm efeito positivo no seu funcionamento, incluindo um melhor equilíbrio psíquico.

 

A crescente preocupação com a competitividade que as crianças enfrentarão no futuro faz com que algumas escolas estimulem a competitividade desde cedo. Mudanças curriculares têm sido propostas, com redução e até extinção de atividades de educação física e educação artística. A presente pesquisa ajuda a repensar esses tipos de atitude.

 

 

Obs: a Associação Americana para o Esporte e Educação Física publicou um relatório ainda no ano de 2002 com as recomendações de atividade física para as crianças pré-escolares. É desejável que elas tenham pelo menos uma hora de atividade física livre, através de brincadeiras, e uma hora de atividade estruturada sob a orientação do adulto, como é o caso da educação física na escola. Entre as crianças maiores, pelo menos uma hora de atividade física moderada ou vigorosa por dia é o mais recomendado.

 

 

 

 

Resultados do estudo inglês Whitehall II foram publicados neste fim de semana pelo Annals of Neurology e apontaram que indivíduos com mais ocupação e maior nível educacional têm um melhor desempenho cognitivo, alcançaram uma maior reserva cerebral, mas nem por isso deixaram de apresentar perdas com o envelhecimento.

 

Cerca de 7500 ingleses, com uma média de idade de 56 anos no início do estudo, foram submetidos a testes seriados de desempenho cerebral por um período de dez anos. Três componentes que já têm demonstrada associação com o risco de demência – altura, educação e nível de ocupação – foram analisados em conjunto com os resultados dos testes cognitivos. Diferente de alguns estudos anteriores sobre o assunto, a presente pesquisa identificou a influência desses fatores numa fase um pouco mais precoce da vida. 

 

 

Todos esses três componentes confirmaram seu valor como marcadores de reserva cerebral: os mais altos (altura mesmo!), com maior nível educacional e com o cérebro mais ocupado foram os que tinham melhores escores nos testes cognitivos. O nível de ocupação foi o que apresentou a associação mais forte e altura foi o mais fraco. Após 10 anos de acompanhamento, com exceção do vocabulário, houve piora significativa de todas as outras capacidades pesquisadas: fluência verbal e fonêmica, raciocínio, e memória. 

 

O resultado mais importante da pesquisa foi que a velocidade de perda cognitiva não foi influenciada pelo nível de reserva cerebral do indivíduo. Entretanto, quanto maior o estímulo, maior a reserva, e mesmo que uma pessoa tenha a tendência genética a desenvolver a Doença de Alzheimer, com essa reserva mais avantajada, ela viveria mais anos sem apresentar sintomas. Análises dos cérebros de idosos que morreram sem qualquer suspeita clínica da doença de Alzheimer mostram que esses cérebros apresentam quase o mesmo contingente de alterações daqueles que têm o diagnóstico da doença. Essa é uma das bases da teoria de reserva cerebral.

 

Moral da história? Vamos encher os cérebros de reservas. Isso deve começar cedo, já na barriga da mãe: pré-natal e boa nutrição. Educação não pode faltar. Ocupar o cérebro é fundamental e um país com menos desemprego ajuda muito. Para os aposentados, o lazer inteligente faz a diferença. Aliás, o lazer é uma rica fonte de reserva cerebral em qualquer idade.

 

 

Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico britânico Journal of Epidemiology and Community Health aponta que as pessoas envolvidas com atividades culturais apresentam melhores indicadores de saúde física e mental.

 

O estudo foi realizado com uma população de mais de 50 mil noruegueses com mais de 20 anos de idade (64% tinham entre 40 e 69 anos) que responderam a dois questionários distintos. O primeiro avaliava a auto-percepção de saúde física e mental, hábitos de vida como tabagismo, consumo de álcool e atividade física, além de escalas para identificação de sintomas de ansiedade e depressão. O segundo questionário abordava a freqüência com que os voluntários participavam de atividades culturais, seja de forma criativa, como tocar um instrumento musical, seja de forma receptiva como assistir a um show de música.

 

Os resultados mostraram que aqueles que tinham uma maior participação em atividades culturais, tanto criativas como receptivas, revelaram-se mais satisfeitos com a vida, demonstraram melhores indicadores de saúde e menos sintomas de ansiedade e depressão. Fazia diferença não só a freqüência, mas também o número de diferentes atividades vivenciadas.  Os indivíduos que mais praticavam atividade física foram também os que tinham uma vida cultural mais intensa. No caso dos homens, o lazer receptivo, como é o caso de assistir a um evento esportivo, foi o que mais teve associação com os indicadores de saúde.  Já entre as mulheres, o lazer criativo foi o que teve ligação mais forte com esses indicadores.

 

É fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? Esta é uma pergunta importante que essa pesquisa não pôde responder. As pessoas são mais saudáveis por terem uma vida cultural ativa ou elas têm essa vida cultural porque são saudáveis? Estudos prospectivos futuros deverão ajudar a responder essa questão.

 

 

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Nesta última semana, um rapaz de seus 20 e poucos anos me procurou para ter uma opinião sobre a continuação ou não de uma medicação que já usava desde o início da adolescência.

 

Rodolfo, assim vou chamá-lo, teve algumas crises de dor de barriga quando tinha seus 16-17  anos, fez um eletrencefalograma que revelou alguma anormalidade. Nessa época, Rodolfo começou a usar medicação para controlar epilepsia, como se esse fosse o seu diagnóstico inequívoco.

 

Muitas vezes é difícil raciocinar olhando apenas pelo retrospecto, mas conversando com Rodolfo, as evidências de um diagnóstico de epilepsia não eram significativas.  Crises de dor de barriga podem até ter a ver com epilepsia, mas depois de vários anos de acompanhamento, seria esperado que a pessoa apresentasse também crises de arresponsividade ao meio tipo ausência ou convulsão.

 

Vamos ao ponto principal de nossa história. Além de iniciar uma medicação de uso questionável no seu caso, Rodolfo foi orientado a parar com suas atividades esportivas. A situação para ele foi especialmente dramática, já que Rodolfo já era nessa época um atleta de competição de Taekwondo. Precisou suspender seus sonhos de atleta, mas por quê?

 

Mesmo que Rodolfo tivesse realmente o diagnóstico de epilepsia, não faria nenhum sentido ter restrições absolutas às atividades esportivas. É importante orientar um portador de epilepsia que evite nadar sozinho, que faça natação sempre com a monitorização de um profissional habilitado, pois no caso de uma crise, ele seria resgatado da água com segurança. Já entre os esportes fora da água, são poucos aqueles que demandam grandes preocupações. Claro que isso depende muito da freqüência de crises. É muito diferente um indivíduo que teve sua última crise há cinco anos daquele que tem crises diárias.

 

Na verdade, a relação entre atividade física e epilepsia fala muito mais na direção de benefícios. As pesquisas demonstram que exercício físico regular melhora o controle de crises epilépticas e uma das formas de explicar esse efeito é o estímulo de sistemas de neurotransmissores inibitórios e hormônios que modulam a excitação do cérebro. Além disso, a atividade física pode reduzir sintomas de ansiedade e depressão, comorbidades freqüentes entre pacientes com epilepsia, e minimizar o estigma e preconceito fortemente associados a essa condição.

 

E será que a atividade física pode fazer mal para algum tipo de transtorno neurológico? A princípio não. Enxaqueca, insônia, Doença de Parkinson e esclerose múltipla são condições mais facilmente controladas com atividade física. O exercício reduz o risco de derrame cerebral, Doença de Alzheimer e depressão. Isso sem falar no poder de reabilitação da atividade física naqueles que apresentam doenças neuromusculares ou que sofreram seqüelas de trauma cranioencefálico, derrame cerebral e tantos outros insultos neurológicos.

 

Rodolfo pode voltar sim para o Taekwondo. Inclusive, depois de atualizar seus exames, devemos pensar se já vale a pena retirar sua medicação anti-epiléptica.  As expectativas são boas, já que ao analisar seu antigo eletrencefalograma, não é possível identificar qualquer anormalidade.

 

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Será que os pais concordariam se as escolas assumissem cadeiras que estimulam as crianças a ficarem mais em pe?

Pesquisadores do Texas acabam de mostrar que isso aumenta o gasto calórico de forma significativa e com um grande potencial de combater a obesidade entre as crianças.  http://bit.ly/gp5aEX

Será que ficar em pé na sala de aula prejudica o rendimento escolar?  Tomara que não.

 

 

 

Neste carnaval, com quatro dias e meio de folga, e para alguns até mais, a cabeça faz uma lista de possíveis candidatos para ocupar o tempo com LAZER. E por que não ter essa lista na mente durante o resto do ano?

 

O tempo dedicado ao lazer muitas vezes está associado à atividade física. Nesses casos podemos desfrutar de um grande pacote de benefícios à saúde que incluem maior longevidade, melhor desempenho cerebral, melhor saúde psíquica e menor risco de doenças vasculares, degenerativas e neoplásicas. Entretanto, conhece-se bem menos sobre o impacto do lazer em nossa saúde independente da atividade física, como é o caso da leitura, cinema, música, etc. Alguns estudos, entretanto, têm revelado efeitos positivos interessantes.

 

Pesquisadores suecos demonstraram na década de 90 uma maior longevidade entre pessoas que freqüentavam eventos culturais. O mesmo grupo realizou um outro estudo que analisou a relação entre a participação em eventos culturais e o status geral de saúde. Duas entrevistas com intervalo de oito anos entre elas foram aplicadas a 3800 voluntários. Os indivíduos que apresentaram altos escores de participação em atividades culturais apresentavam 65% mais chance de se julgarem saudáveis quando comparados àqueles com baixos escores. Ainda mais importante foi o fato de que aqueles que partiram de um status de baixa atividade cultural na primeira entrevista e passaram a ter uma maior participação na segunda entrevista, atingiram uma auto-percepção de saúde semelhante àqueles que apresentavam altos scores em ambas as entrevistas.

  

As possíveis explicações para os benefícios do lazer sobre nossa saúde incluem desde dimensões psicossociais até mesmo biológicas. As atividades de lazer podem aumentar nossa rede de relacionamentos, nossas conexões sociais. Esse é um fator que está associado a uma menor concentração de hormônios do estresse e já foi demonstrado que com isso há redução dos riscos de doença isquêmica do coração (os animais de estimação também exercem esse efeito). Além disso, o lazer pode aumentar os níveis do hormônio ocitocina e do neurotransmissor serotonina, ambos associados ao bem estar psíquico. Uma simples aula de canto é capaz de aumentar os níveis do hormônio ocitocina, hormônio que pode ser considerado como modulador do estresse.

 

O lazer também promove a estimulação de nossos centros cerebrais de recompensa associados ao prazer. Essas são as mesmas regiões do cérebro estimuladas quando nos deliciamos com um saboroso alimento, quando experimentamos a paixão, quando compramos algo novo e muito desejado, quando temos atitudes altruístas ou quando solucionamos um problema. A ativação desses centros leva à liberação de uma série de neurotransmissores como dopamina, serotonina, endorfina, e que estão associados à sensação de prazer. O lazer é uma das maiores oportunidades para fugirmos da rotina, da repetição. Assim nosso cérebro vivencia o novo e o inesperado, que são fatores críticos para a estimulação de nossos centros de recompensa, com boas repercussões sobre a saúde psíquica e o estado imunológico.

 

Um meio rico em estímulos promove ainda uma maior saúde de regiões cerebrais tais como o hipocampo, que está relacionado a uma maior atividade cognitiva e menor risco de depressão. Há uma forte linha de pesquisa mostrando-nos que os idosos que mantêm ativas suas atividades de lazer têm menos risco de desenvolver a Doença de Alzheimer.

 

Diferentes modalidades de lazer também têm sido demonstradas como ferramentas preciosas para o tratamento de pessoas doentes: música, literatura, teatro e pintura. A música, por exemplo, aumenta a velocidade de recuperação de pacientes na fase aguda de um derrame cerebral, reduz a agitação de adultos em unidades de terapia intensiva e melhora o comportamento de crianças internadas com transtornos psiquiátricos.

 

O lazer tem sido levado cada vez mais a sério, e não devemos achar que sua importância seja restrita a sociedades super-desenvolvidas como o Estado de bem-estar social sueco. No Brasil ainda temos que suar muito a camisa para alcançarmos padrões mínimos desejáveis de desenvolvimento social, e estamos melhorando. O lazer associado ou não ao esporte pode ajudar a alavancar ainda mais esse desenvolvimento. Do ponto de vista de política pública, o lazer é um investimento relativamente barato que pode trazer benefícios em várias dimensões do desenvolvimento humano. Saúde é só uma delas.

 

** Confira a coluna semanal do Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília – sextas-feiras às 10:35h. No dia 04 de março 2011 ele discutiu com Estevão Damasio os potenciais benefícios do lazer à nossa saúde . CLIQUE AQUI  para ouvir o audio.

 

 

Subir e descer escadas, comer e vestir-se sozinho. Essas são atividades da vida diária que algumas pessoas deixam de conseguir fazer sem ajuda quando atingem idades mais avançadas. Como evitar essas dificuldades? Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Journal of Gerontology: Medical Sciences aponta que uma vida social ativa pode ajudar bastante. 

 

A pesquisa envolveu quase mil idosos americanos com uma média de idade de 82 anos e que não apresentavam qualquer forma de dependência no início do acompanhamento que durou cinco anos em média. Um questionário foi aplicado para medir a presença e freqüência de atividades sociais dos idosos, como ir a um restaurante e cinema, viagens, trabalhos voluntários, visitas a amigos e parentes, entre outras. Os idosos também eram questionados quanto ao nível de independência para realizar seis diferentes atividades da vida diária: alimentar-se, vestir-se, tomar banho, usar o vaso sanitário, levantar-se da cama e andar por curtas distâncias. O questionário também investigava a capacidade do idoso em realizar três outras atividades que dependem de força e mobilidade: 1) subir e descer escadas; 2) caminhar 800 metros; 3) realizar o trabalho doméstico mais pesado. Por fim, atividades instrumentais também eram questionadas, como uso do telefone, preparo de refeições e manejo de medicações.

 

Os resultados mostraram que os idosos que relatavam uma alta frequência de atividades sociais tinham duas vezes mais chance de se manterem independentes nas suas atividades de vida diária e 1.5 vezes maior de continuarem com bom desempenho nas atividades instrumentais e naquelas que demandam força e mobilidade. 

 

Uma vida social ativa pode fortalecer o sistema músculo-esquelético e circuitos cerebrais que são os pilares da independência funcional.  Componentes psicológicos estão envolvidos, como manutenção da auto-estima e sensação de pertencer a uma rede social, mas não há como negar que a atividade física associada às atividades sociais tem o seu papel também. Novos estudos deverão avaliar se a introdução de atividades sociais na vida de um idoso pode ajudar a reduzir ou retardar o aparecimento de dependência funcional. É difícil imaginar que intervenções desta natureza não tragam resultados positivos.

 

 

 

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