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O periódico Nature Neuroscience publicou na última semana um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade John Hopkins que mostrou o poder positivo da cafeína sobre a memória.

 

Voluntários que não tinham o hábito de consumir alimentos ou bebidas cafeinadas foram apresentados a uma série de imagens. Após a análise das imagens eles recebiam uma pílula com 200mg de cafeína ou uma pílula placebo. No dia seguinte os participantes eram testados para avaliar novas imagens, como se fosse um jogo de sete erros. Eles precisavam dizer se a imagem era igual à do dia anterior, só parecida ou igual com algumas modificações. Quem tomou a pílula de cafeína teve mais sucesso no teste.

 

Estudos anteriores já tinham avaliado o potencial benefício da cafeína sobre a memória, mas a cafeína sempre era administrada antes da tarefa. Isso deixava sempre a duvida se os benefícios à memória eram decorrentes da melhora da atenção. Dessa vez não. Os voluntários tomaram a pílula depois do teste. Não foi o componente de atenção que fez a diferença.

 

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Pessoas que têm maior concentração de omega-3 no sangue têm um cérebro maior. Essa é a conclusão de um estudo publicado hoje pelo periódico Neurology, jornal da Academia America de Neurologia.

 

Pesquisadores americanos analisaram a concentração dos ácidos graxos ômega-3 do tipo EPA e DHA nos glóbulos vermelhos de cerca de 1100 mulheres na menopausa. Oito anos depois, quando as mulheres já tinham uma média de idade de 78 anos, o cérebro daquelas que tinham maior concentração de ômega-3 mostrou um maior volume, incluindo o hipocampo, região esta precocemente afetada na doença de Alzheimer. .

 

O efeito de uma boa concentração de ômega-3 sobre a estrutura do cérebro pode ser traduzido em um retardamento de um a dois anos na perda de volume associada à idade.  Os resultados não surpreendem tanto, já que esse tipo de gordura forma boa parte da estrutura do cérebro.

 

O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro  em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

 

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Imagine só pensar que você está comendo um alimento saboroso 33 vezes seguidas. Depois desse exercício esse alimento é oferecido ao vivo e em cores. Você tem a metade do apetite de uma pessoa que fez outro exercício de pensar que colocava moedas repetidas vezes numa máquina de lavar. Isso foi com confeitos M&M, mas o mesmo aconteceu quando os voluntários eram testados com pedacinhos de queijo. Entretanto, o aumento do apetite acontecia para os queijinhos, mas não para o chocolate. A saciedade não era transferível para outro tipo de alimento.

Essas experiências foram publicadas em 2010 pela revista Science e abriram discussões calorosas sobre o poder da mente no controle de peso. Ao invés de livros de dietas para emagrecer, quem sabe livros com fotos de pratos suculentos para serem saboreados na imaginação?

Essa saciedade mental pode ser explicada pelo efeito de habituação. Estímulos repetitivos passam a não ter mais o mesmo impacto depois de um tempo. A primeira mordida costuma ser a mais gostosa. Entretanto, a última mordida também tem seu valor. Se sobrarem dois biscoitos em uma lata, eles serão considerados mais gostosos do que quando a lata está lotada deles.

O banquete mental teve seus efeitos colaterais. A vontade de comer alimentos que combinam com o alimento aumentou. Quem imaginou a degustação de queijinhos comeu menos queijo depois, mas comeu muito mais pão.

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Dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes, laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool. Pesquisas têm revelado que a dieta mediterrânea reduz o risco de doenças cardiovasculares e da Doença de Alzheimer e está associada a uma maior longevidade.

 

Na ultima semana um novo estudo confirmou de forma inequívoca os benefícios da Dieta Mediterrânea sobre nossa memória. Dessa vez a metodologia permitiu isolar vários fatores que poderiam se confundir os resultados. Isso foi feito através da randomização: os pesquisadores não sabiam que dieta cada um dos voluntários recebia.

 

Mais de 500 voluntários (média de idade 74 anos) participaram do estudo conduzido pela Universidade de Navarra e outros centros de pesquisa na Espanha. Metade deles recebeu orientação de seguir o padrão da Dieta Mediterrânea além de suplemento alimentar rico em gorduras insaturadas – 1 litro por semana de suplemento alimentar líquido rico em azeite extravirgem ou 30 gramas por dia de uma mistura de castanhas. A outra metade fez uma dieta pobre em gorduras, tanto saturadas como insaturadas. Todos eram monitorizados ao longo do estudo por um nutricionista.

 

Após seis anos e meio, o grupo que recebeu a dieta caprichada nas gorduras insaturadas estava com o cérebro mais afiado. Esse resultado foi independente de fatores como atividade física, consumo de álcool, tabagismo, perfil genético para Doença de Alzheimer, índice de massa corporal, entre outros.

 

O estudo foi publicado no periódico Journal of Neurology e Neurosurgery a Psychiatry

 

 

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Duas xícaras de chocolate quente por dia são capazes de deixar o cérebro mais afiado. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta última semana pelo Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.

Sessenta voluntários com uma média de idade de 73 anos beberam por 30 dias duas xícaras diárias de chocolate quente e foram submetidos a uma série de testes de memória e de outras funções cognitivas. Além disso, eles tiveram o fluxo de sangue cerebral medidos durante os testes cognitivos pela técnica de doppler transcraniano.

Após o consumo de chocolate os voluntários passaram a apresentar um melhor desempenho nos testes cognitivos e também um aumento do fluxo sanguíneo cerebral durante os testes. Metade deles recebeu chocolate rico em flavanols (chocolate amargo) e outra metade chocolate menos rico nessas substâncias. Os resultados não foram diferentes entre os grupos. Ambos tiveram melhora nos indicadores.

Os resultados sugerem que os flavanols não devem ser vistos como únicos candidatos que explicam os efeitos benéficos do chocolate sobre o cérebro. Além disso, pode ser que o cérebro seja tão sensível aos efeitos dos flavanols que baixas concentrações já fazem a diferença.

A prestigiada revista Nature publicou recentemente uma enquete entre ganhadores do Prêmio Nobel que revelou que quase metade dos entrevistados consumia chocolate mais de duas vezes por semana. Alguns deles declararam que o hábito deu um bom empurrãozinho para os seus feitos. A Fundação Nobel pelo jeito leva o chocolate a sério, pois além da medalha, do diploma e do cheque poderoso, os vencedores levam para casa réplicas de chocolate da medalha.

 

Pesquisadores americanos da Universidade de Minnesota demonstraram esta semana que os pais que falam sobre controle de peso com seus filhos podem até piorar os hábitos alimentares dos jovens. Conversar sobre alimentação saudável parece ser a melhor tática independente de o adolescente estar ou não acima do peso.

 

A pesquisa envolveu cerca de 3500 pais e 2500 adolescentes com uma média de idade de 14 anos. Os resultados mostraram que 66% das mães e 62% dos pais de adolescentes sem sobrepeso tinham conversas sobre controle de peso ou dieta saudável com seus filhos comparados a 80% e 77% no caso de adolescentes com sobrepeso.

 

Quando se fala em conversas sobre controle de peso estamos falando em discutir o peso e aparência do adolescente e/ou a importância de mudar o padrão alimentar para perder peso. A pesquisa mostrou que esse tipo de conversa só fez aumentar a chance de comportamentos pouco salutares como a compulsão alimentar e esse efeito teve um impacto ainda maior entre os adolescentes com sobrepeso.  

 

Como o estudo não foi prospectivo, não é possível garantir que exista uma relação causa e efeito entre o comportamento alimentar e o tipo de abordagem dos pais. Entretanto, os resultados corroboram pesquisas anteriores que mostram que os pais devem ser educados a evitar conversas sobre controle de peso com seus filhos, especialmente quando já estão acima do peso.

 

O estudo foi publicado esta semana pelo JAMA Pediatrics, periódico da Associação Americana de Medicina.

 

 

 

 

Solanaceae é uma família de plantas ricas em nicotina que têm um efeito protetor contra a Doença de Parkinson. Essa foi a conclusão de um estudo publicado esta última semana pelo periódico oficial da Associação Americana de Neurologia.

 

Já tínhamos boas evidências de que o tabaco, também da família Solanaceae, tem o poder de prevenir a Doença de Parkinson. Esse efeito parece que se dá pela nicotina e pode ser que outras plantas que contêm essa substância, como pimenta, tomate, beringela e batata, tenham efeito semelhante.

 

Foi exatamente o que pesquisadores da Universidade de Washington – EUA conseguiram demonstrar. Eles estudaram cerca de 500 pacientes com diagnóstico recente da Doença de Parkinson e mais de 600 indivíduos sem qualquer doença neurológica que serviram de grupo controle. Foram aplicados questionários que avaliavam a história de uso de tabaco ao longo da vida e hábitos alimentares.

 

O consumo de vegetais de forma geral não tinha associação com menor risco da doença, mas alimentos com conteúdo de nicotina faziam a diferença, especialmente a pimenta. Esse foi o primeiro estudo que investigou essa associação entre teor de nicotina na dieta e risco da Doença de Parkinson e abre novas perspectivas na prevenção da doença. Novas pesquisas deverão ser feitas para confirmar esses resultados. Já está sendo testado o efeito de adesivos de nicotina em pacientes com a Doença de Parkinson Será que eles vão amenizar a progressão da doença?

 

 

 

  

 

Um estudo publicado esta última semana pela revista Stroke, periódico da Americam Heart Association, aponta que o consumo de café reduz o risco de derrame cerebral.

 

Mais de 80 mil japoneses foram acompanhados por um período médio de 13 anos. O efeito protetor do café foi significativo quando o consumo diário era ³ 3 vezes por semana. O café também diminuiu o risco de diabetes mellitus, mas já no caso de proteção contra doença isquêmica do coração, ele não conferiu efeito protetor, confirmando estudos anteriores.

 

E não pára por aqui. O café é um grande amigo do cérebro também por protegê-lo da depressão e das doenças de Alzheimer e Parkinson. Isso sem falar no poder que ele tem de aumentar nosso nível de alerta, energia e sociabilidade.

 

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Comer até um ovo por dia não aumenta o risco de infarto do coração ou de derrame cerebral. Essa é a conclusão de uma metanálise publicada esta semana pelo British Medical Journal.  Maior cautela deve ser tomada por aqueles que tem diabetes.

 

Mais uma vez o lenga-lenga de ovo faz mal  / não faz mal. Vai dar para acreditar dessa vez? Atualmente, entende-se que os estudos anteriores que evidenciaram que o ovo não era muito nosso amigo não tinham metodologia adequada para ponderar outros fatores que vêm associados ao hábito de comer ovos regularmente, por exemplo, maior  consumo de carne vermelha. A maioria das pesquisas realmente tem apontado que um ovo por dia não faz mal aos vasos do coração e do cérebro.

 

Agora, cinco ovos por dia é outra história.

 

Uma pesquisa inédita envolvendo mais de 250 mil voluntários apontou que o risco de depressão é maior entre as pessoas que tomam muito refrigerante, especialmente os do tipo light e diet.

Já o café, este apresentou efeito protetor contra a depressão.

O estudo será discutido esta semana no 65º encontro da Academia Americana de Neurologia.

 

Sardinha, atum e salmão. Comer um desses bichinhos pelo menos duas vezes por semana é uma forma eficaz de prevenir a doença isquêmica do coração. Esta semana, uma pesquisa publicada no British Medical Journal confirmou que o efeito se estende também à prevenção de derrame cerebral.

 

O estudo é uma análise de 38 diferentes pesquisas sobre o tema envolvendo cerca de 800 mil voluntários de 15 diferentes países.  Os resultados mostraram que o consumo regular de peixes ricos em  òmega 3 realmente reduzem o risco de derrame cerebral e quanto mais melhor.  Já o consumo de pílulas de ômega 3 não  proporcionou o mesmo efeito protetor. A interação do ômega 3 com vitaminas e aminoácidos essenciais encontrados no peixe in natura pode fazer a diferença.  Além disso, o hábito de comer peixe costuma estar associado a hábitos mais saudáveis como restrição de carne vermelha.

 

* Esta semana, pesquisadores da Universidade de Montreal demonstraram também que UMA ÚNICA refeição cheia de gorduras saturadas, as gorduras “do mal”, já é capaz de mexer com as nossas artérias. Logo após um sanduíche “daqueles”, já se pode perceber uma redução da função do endotélio. Endotélio é a camada mais interna das artérias e é bem reconhecido que qualquer fator que atrapalhe sua integridade funcional aumenta também o risco de eventos vasculares como o infarto do miocárdio e o derrame cerebral.

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Flavonóides, substâncias abundantes em alguns tipos de vegetais, têm sido apontados como bons combustíveis para o funcionamento cerebral, promovendo a melhora de funções cognitivas e até a redução do risco de demência entre os idosos. Esses efeitos parecem ser ainda mais pronunciados no caso de um subtipo de flavonóides chamado flavanol, muito presente no cacau, vinho tinto, chá verde e algumas frutas. É bem reconhecido que os flavanols têm o poder de melhorar a função dos vasos sanguíneos, e pode ser que essa seja apenas uma das formas de como essas substâncias ajudam o cérebro.

 

O prestigiado periódico New England Journal of Medicine publicou esta semana uma pesquisa bem provocativa que procurou demonstrar se o consumo de chocolate, um dos principais alimentos ricos em flavanol, pode trazer vantagens cognitivas quando se pensa em nível populacional. Para isso, foi analisada a possível associação entre o número de Prêmios Nobel per capita de um determinado país e o nível de consumo de chocolate. Os resultados mostraram uma forte associação entre esses dois indicadores em diversos países – quanto maior o consumo de chocolate de um país, maior o número de ganhadores do Prêmios Nobel.

 

E então? É fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? Um maior consumo de chocolate faz com que um determinado país tenha mais estrelas intelectuais? Ou será que um país com maior nível educacional e econômico consome mais chocolate por ter mais dinheiro para gastar ou até mesmo mais consciência dos seus benefícios à saúde? Os resultados da pesquisa são legítimos, mas provavelmente só refletem uma associação entre uma cultura de se comer mais chocolate onde também existe uma forte cultura científica, sem qualquer relação causa e efeito.

 

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Uma pesquisa publicada esta semana na revista Neurology, periódico oficial da Academia americana de Neurologia, confirma que o consumo de chocolate diminui o risco de derrame cerebral. O estudo incluiu trinta e sete mil homens suecos que foram acompanhados de forma prospectiva por um período médio de 10 anos.

 

Os pesquisadores avaliaram esses resultados em conjunto com os de estudos anteriores e concluíram que o efeito positivo do chocolate na prevenção de derrame cerebral estende-se também às mulheres. E de onde vem esse poder do chocolate? Alguns componentes do cacau têm ações antioxidantes, antiinflamatórias, reduzem os níveis da pressão arterial e aumentam os do bom colesterol, inibem a coagulação sanguínea e ainda melhoram a função do endotélio, camada mais interna dos vasos. 

 

Não devemos ir com muita sede ao pote, já que o alto valor teor calórico do chocolate pode colocar em xeque todos esses potenciais benefícios se desequilibrar a balança. Aliás, esses benefícios são do cacau e, por isso, os chocolates com altas concentrações do fruto são as grandes estrelas.

 

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Pesquisadores canadenses publicaram esta semana no periódico Atherosclerosis os resultados de um estudo que demonstra que o consumo de gema de ovo é quase tão ruim quanto o cigarro quando se pensa na progressão da aterosclerose.

 

Mais de 1200 voluntários com uma média de idade de 61 anos foram submetidos a ultrassonografia das artérias carótidas para medição de placas de aterosclerose, além de um questionário sobre hábitos de vida. Essas placas mostraram-se maiores entre os tabagistas e naqueles que consumiam mais gema de ovo, sendo que o efeito da gema foi aproximadamente uns dois terços do efeito do cigarro.

 

A gema de ovo tem um alto teor de colesterol e já é bem reconhecido que uma dieta rica nesse componente aumenta o risco vascular, especialmente em indivíduos de risco. Entre diabéticos, pesquisas mostram que o consumo de um ovo por dia aumenta esse risco em duas a cinco vezes. Também há evidências recentes de que o consumo de ovo aumenta o risco de desenvolver diabetes.

 

Por que tanta polêmica com o ovo? Pesquisas sobre a associação entre o consumo de ovo e risco de eventos vasculares são inconsistentes, alguns com resultados positivos, outros negativos. Além disso, existem estudos que não demonstraram que seu consumo aumenta os níveis de colesterol na corrente sanguínea. Entretanto, uma recente meta-análise mostrou que a redução diária do colesterol da dieta proporcional ao conteúdo de um ovo é suficiente para reduzir os níveis do colesterol ruim.

 

O que fazer por enquanto? A gema de ovo e outras fontes ricas em colesterol não devem ser consumidas regularmente por indivíduos com maior risco vascular como os portadores de diabetes. Isso não há muita dúvida. Para aqueles que não se encaixam no perfil de maior risco vascular, vale lembrar que a Dieta Mediterrânea, até o momento, representa a síntese daquilo que é bom para o coração e para o cérebro – dieta rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados. Cadê o ovo nesta lista?

 

Em tempo: um ovinho aqui outro ali é uma coisa. O ovo todo dia no café da manhã é bem diferente.

 

 

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Ouço às vezes no consultório jovens dizendo coisas como: “Já fiz check up com o cardio, com o gastro, agora só falta o neuro”.  Mas afinal, que tipo de check up as pessoas realmente devem fazer?

 

Para quem não tem sintomas, ou qualquer doença conhecida, exames como PSA (antígeno prostático), tomografia das artérias coronárias, raio-x ou tomografia de pulmão têm sido colocados em xeque. Mamografia a partir dos 40 ou 50 anos? Testes genéticos que podem demonstrar uma maior chance de desenvolver doença de Alzheimer no futuro? Todo mundo poderia fazer exame para descartar aneurisma cerebral? Qual é o custo benefício?

 

Resultados falso-positivos levam à ansiedade, novos exames que não raramente são invasivos e, por vezes, até cirurgias desnecessárias. A isso se dá o nome de iatrogenia que é a contra-mão do que o pai da medicina Hipócrates deixou como princípio ético – primum non nocere (em primeiro lugar, não fazer mal). Check ups para pessoas assintomáticas só devem ser realizados quando existem evidências de que os benefícios são maiores que os danos. Isso não quer dizer que as pessoas devem deixar de ir ao médico ou ao dentista pelo menos uma vez ao ano, especialmente após os 40 anos.

 

 

Nos tempo de hoje, os médicos já não precisam cuidar só dos doentes, mas também das pessoas saudáveis. Estamos sempre vulneráveis a sermos rotulados como portadores de alguma disfunção ou transtorno.  

 

Veja abaixo algumas diretrizes de check up de diferentes sistemas do nosso corpo:

MAMA (mulheres) Auto-exame mensal.Após os 40 anos: exame clínico da mama e mamografia anualmente. Mulheres com alto risco (>20% de chance de desenvolver a doença ao longo da vida), podem discutir o custo-benefício da ressonância magnética e ultrasonografia.
COLON E RETO Após os 50 anos: sangue oculto nas fezes anualmente e retossigmoidoscopia a cada 5 anos ou colonoscopia a cada 10 anos. Se houver história de câncer de cólon na família, o sreening deve iniciar após os 40 anos (colonoscopia e testes genéticos).
COLO UTERINO (mulheres) Papanicolau anualmente (discutir custo-benefício do teste DNA HPV)
ATEROSCLEROSE Score de Frahmingham anualmente. Score intermediário (> 10%) : indicado teste de esforço.

Após 55 anos se apresentar qualquer fator de risco (hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, dislipidemia, história familiar, síndrome metabólica):  Ecodoppler de carótidas com espessura íntima média ou Score de Cálcio Coronariano pela tomografia computadorizada a cada 5 anos. Avaliação oftalmológica (retina) e US para descartar aneurisma de aorta abdominal  após 60 anos.

Cavidade oral:Visita ao dentista semestralmente.Olhos:Avaliação periódica com oftalmologista – anual a partir dos 45 anos de idade.Ossos:Densitometria óssea a partir dos 65  e a partir dos 60 anos se houver fatores de risco para osteoporose (ex: uso de corticóide, tabagismo).Pele:Avaliação dermatológica ao aparecer manchas, pintas, feridas inéditas.Estômago – Esôfago:Endoscopia digestiva alta  em caso de dificuldade para engolir ou dispepsia sustentada ou associada a outros sintomas / sinais (ex: perda de peso, anorexia, anemia).Tiróide: US de tiróide é recomendado para pacientes de alto risco (história familiar de câncer de tiróide ou de irradiação) e quando há nódulo palpável, bócio ou linfonodos suspeitos. (AACE 2006).Pulmão: Mesmo com história de tabagismo, a ACCP (2007) não recomenda screening.

Abdome, linfonodos: PET/CT de corpo inteiro não é recomendado como screening (SNM 2007). US de abdome pode ser realizado para avaliação periódica do fígado, vesícula, pâncreas, e rins.  

Sistema genito-urinário: Exame de urina anualmente. US de pelve via abdominal pode ser realizado  para avalaiação periódica de ovários, útero e bexiga. A realização de US transvaginal e CA 125 anual para screening de câncer de ovário é controverso, mesmo em mulheres com história familiar da doença.

PROTEJA SEU CÉREBRO E MANTENHA-O BEM AFIADO

- Durma bem

- Pratique exercícios físicos moderados pelo menos 30 minutos 5 vezes por semana. Evite a exposição solar entre as 10:00h e 16:00h.

- Controle os fatores de risco vascular (ex: tabagismo, pressão alta, diabetes, colesterol, etc)

- Mantenha seu peso ideal

- Equilibre o trabalho com o lazer

- Adote a Dieta Mediterânea na sua vida:  coma pelo menos 5 porções diárias de frutas / vegetais, dê preferência aos grãos integrais, evitando os refinados, e dê preferência às gorduras insaturadas (azeite). Limite o consumo de carnes vermelhas ou processadas (ex: defumados), e o uso de álcool a uma dose por dia. (dê preferência ao vinho tinto). Inclua o peixe na sua dieta pelo menos 2 vezes na semana, especialmente o atum, sardinha e salmão.

ESSAS SÃO ATITUDES QUE, ALÉM DE FAZEREM  BEM AO SEU CÉREBRO,PREVINEM A ATEROSCLEROSE E O CÂNCER

 

 

 

 

 

A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

 

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.

Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.

 

 

Esta semana, um estudo inédito conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia demonstrou que as pessoas que consomem chocolate de forma frequente têm um menor índice de massa corporal. Parece bem paradoxal, hein? Fica mais magro quem come mais chocolate?

 

Participaram da pesquisa mais de mil voluntários com idades entre 20 e 85 anos (média de 57 anos) que responderam a questionários para avaliação do estado de humor, padrão de atividade física e dieta, incluindo o consumo de chocolate.

 

Os resultados mostraram um consumo médio de chocolate nessa população de duas vezes por semana e atividade física vigorosa numa média de três vezes por semana. A ingestão calórica foi maior entre aqueles que comiam mais chocolate, mas mesmo assim eles se mostraram mais magros. Essa associação não pôde ser explicada por diferenças no padrão de atividade física. Além disso, quanto maior o consumo de chocolate, maiores as pontuações na escala de depressão, fato que já havia sido demonstrado numa publicação anterior.

 

Já tínhamos boas evidências de que o consumo de chocolate, especialmente aqueles com alta concentração de cacau, traz alguns benefícios à saúde, como um melhor controle da pressão arterial e dos níveis de colesterol, assim como a promoção de uma melhor sensibilidade à insulina, o que potencialmente reduz o risco de diabetes. Um estudo chegou a mostrar uma maior longevidade associada ao consumo de chocolate.

 

O cacau é muito rico em flavonóides, substâncias fartamente encontradas nos vegetais e que promovem o bom funcionamento dos vasos sanguíneos e do nosso metabolismo. Essas substâncias são as mesmas que fazem a boa fama dos chás verde e preto e da casca das frutas vermelhas. Pesquisas recentes em modelos animais têm apontado efeitos positivos desses flavonóides, especificamente a epicatequina, sobre o volume e desempenho muscular, além de redução do peso mesmo sem qualquer mudança no padrão da atividade física ou da ingesta calórica.     

 

 

 

Principal recado da pesquisa.

Não só a quantidade, mas também a QUALIDADE das calorias podem fazer a diferença no controle do peso.

 

 

Referência: Arch Intern Med. 2012;172(6):519-521

 

 

 

Esta semana, um estudo envolvendo mais de 120 mil voluntários seguidos por até 28 anos foi publicado pelo Archives of Internal Medicine (Associação Americana de Medicina) e demonstrou de forma contundente que o consumo de carne vermelha está associado a uma menor longevidade e maior risco de doenças cardiovasculares e câncer. Já tínhamos boas evidências de que carne vermelha não faz bem à saúde, mas esse estudo, além de ser o mais robusto até então, demonstrou de forma inédita que a substituição da carne vermelha por outras fontes de proteína fez as pessoas viverem mais.

 

Calcula-se que 11-16 % das mortes poderiam ser evitadas se as pessoas comessem menos carne vermelha, e a redução do risco de mortalidade por doenças cardiovasculares poderia chegar a 21%. As carnes vermelhas contêm grande quantidade de gordura saturada que por sua vez está associada ao aumento dos níveis de colesterol, da pressão arterial e do risco de câncer. As carnes vermelhas ainda possuem reconhecidos compostos carcinogênicos, que podem ser ainda mais concentrados nas carnes processadas.  Na presente pesquisa, os riscos do consumo das carnes processadas (ex: salsicha, lingüiça) foi ainda maior. 

 

Não é o caso de radicalizar e recomendar que todo mundo adote a dieta vegetariana. Limitar o consumo de carnes vermelhas e processadas a menos de 10% das calorias diárias já é o suficiente. Nesse sentido, dietas com altos teores de carne vermelha como fonte de proteína (ex: dieta do “Dr. Atkins”) não garantem bons resultados à saúde quando se pensa no longo prazo.

 

 

Para terminar, vale a pena lembrar que a limitação do consumo de carne vermelha tem o potencial de conter o desflorestamento e a emissão de gás metano. Geralmente é assim. O que faz bem ao homem, também faz bem ao planeta. A ameaça das mudanças climáticas não está batendo à nossa porta. Já entrou e sentou-se à mesa com nossos filhos e netos. Se não tomarmos medidas efetivas para combater o problema, chegaremos a uma situação de injustiça intergeracional, ou seja, as novas gerações pagarão caro por aquilo que não tiveram qualquer responsabilidade.

 

 

Há cerca de um mês, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) decidiu pela proibição da comercialização de mamadeiras de plástico que contenham o componente tóxico bisfenol A. Já existe um grande corpo de evidências científicas dos riscos à saúde dessa substância, e parece que o problema já começa na barriga da mãe.

 

Mais uma pesquisa sobre o assunto foi publicada hoje pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, Pediatrics. Cerca de 250 mães americanas e seus filhos foram acompanhados de forma prospectiva desde o início da gestação. A concentração de bisfenol A foi medida na urina das mães durante a gestação e nos primeiros três anos dos filhos. As crianças também foram submetidas a testes de avaliação de comportamento e funções cognitivas. 

 

O bisfenol A estava presente na urina de 97% das gestantes e das crianças, sendo que a concentração era maior entre os pequenos. Quanto maior a concentração da substância nas mães durante a gestação, maiores eram os índices de ansiedade, hiperatividade e sintomas depressivos nas crianças, e de uma forma bem mais expressiva nas meninas. Essa mesma associação não pôde ser demonstrada com a concentração do bisfenol A das crianças.

 

Mas por que o efeito nas meninas é diferente? O bisfenol A tem ação similar ao hormônio estrogênio e pode influenciar os neurotransmissores e o sistema endócrino, o que pode alterar a diferenciação sexual do cérebro e o comportamento de uma forma diferenciada de acordo com o gênero.

 

Evitar a exposição ao bisfenol A é uma boa recomendação para todos nós, independente de gênero e idade. Uma gestante tem boas razões para ter mais cuidados ainda. Uma dica fácil é evitar alimentos e bebidas em lata e utensílios de cozinha plásticos que contenham a substância e que podem ser reconhecidos pelos números 3 ou 7 no símbolo de reciclagem do plástico.

 

 

 

 

 

Mesmo sabendo que uma dieta equilibrada fornece uma quantidade suficiente de vitaminas e sais minerais, uma boa parcela da população lança mão de suplementos alimentares com a intenção de promover o bem-estar e prevenir doenças. Em alguns países desenvolvidos, como é o caso dos Estados Unidos, esse consumo faz parte da vida de até mais da metade da população. Entretanto, as evidências científicas dos benefícios à saúde desses suplementos estão longe de serem conclusivas.

 

Nesta última semana, o Archives of Internal Medicine, periódico da Academia Americana de Medicina, publicou mais um estudo apontando que, quando o assunto é vitaminas e sais minerais, MAIS pode ser MENOS. Cerca de 40 mil mulheres americanas com uma média de idade de 61 anos foram acompanhadas por quase 20 anos. Aquelas que faziam uso de suplementos de vitaminas e sais minerais apresentaram uma maior chance de morrer do que as que não usavam. Os que se mostraram mais na contramão da saúde foram os complexos multivitamínicos, vitamina B6, ácido fólico, magnésio, cobre, zinco e ferro. Muitos outros microelementos não demonstraram qualquer associação com a longevidade, nem para o mal, muito menos para o bem.

 

O uso dos suplementos era comparável entre as mulheres com ou sem doenças no início do estudo, mais especificamente câncer, diabetes e doenças cardiovasculares. Além disso, no decorrer do estudo, as mulheres que tiveram esses diagnósticos não passaram a usar mais suplementos, sugerindo que não faz muito sentido o argumento de que as mulheres que usavam suplementos morreram mais precocemente porque eram mais doentes.

 

Esses resultados não estão isolados. Nesta mesma semana o periódico JAMA publica outro estudo evidenciando maior risco de câncer de próstata entre homens que fazem uso de suplementos de vitamina E. Essas pesquisas somam-se a um grande corpo de evidências que coloca em xeque o valor da prática de prevenção de doenças através das cápsulas de vitaminas. 

 

A conclusão dos autores do presente estudo é aquilo que nosso Conselho Federal de Medicina (CFM) preconiza: os suplementos de vitaminas e sais minerais só devem ser utilizados em situações de comprovada deficiência nutricional. O CFM ainda acrescenta na sua última resolução sobre o assunto do ano de 2010: medidas higiênicas, dietéticas e de estilo de vida não podem ser substituídas por qualquer tratamento medicamentoso, suplementos de vitaminas, de sais minerais, de ácidos graxos ou aminoácidos. 

 

 

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