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A cafeína quando absorvida atravessa a placenta livremente e estudos em humanos demonstram que imediatamente após a ingesta de 200mg de cafeína, o fluxo sanguíneo placentário é reduzido em 25%. Além disso, o principal mecanismo de metabolismo da cafeína (Citocromo P450 1A2) é ausente tanto na placenta como no feto.
Já temos evidências que o consumo de cafeína na gravidez aumenta o risco de aborto espontâneo e de gerar recém-nascidos de baixo peso, especialmente em doses maiores que 200mg/dia. Alguns estudos demonstraram que o excesso de café também pode reduzir a fertilidade feminina. Um novo estudo publicado esta semana no British Medical Journal sugere que ao invés de maneirar no café durante a gravidez, o melhor mesmo é evitá-lo.
Quase três mil mulheres com gravidez de baixo risco foram acompanhadas durante a gravidez com rígida monitorização do consumo de cafeína, álcool e cigarro, além de terem sido avaliadas quanto ao perfil individual de rapidez no metabolismo da cafeína. Confirmou-se a associação entre o consumo de cafeína na gravidez e menor peso dos recém-nascidos, e quanto maior a dose diária de cafeína, maior o efeito. IMPORTANTE: não houve dose baixa de cafeína que pudesse ser considerada segura no sentido de não influenciar o peso dos bebês. Além disso, o impacto do consumo de cafeína sobre o peso dos bebês foi semelhante ao do consumo de álcool no grupo estudado.
Não custa lembrar que a cafeína não está só no café e na coca-cola. Sua principal fonte de consumo entre essas mulheres estudadas foi o chá (60%), enquanto só 14% era por consumo de café. Tanto nos EUA como na Inglaterra, as agências federais de saúde recomendam que na gravidez não se deva usar mais que 300mg de cafeína por dia. Esse novo estudo certamente mudará a atual recomendação para que se evite cafeína de qualquer origem durante a gravidez. Para as mulheres que estão querendo engravidar, é bom reduzir o consumo também.
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Em diversos países, o Ecstasy é a segunda droga ilegal mais utilizada, perdendo só para a maconha. Já dispomos de uma série de estudos experimentais que evidenciam que o Ecstasy é tóxico aos neurônios, especialmente às ramificações de neurônios que produzem serotonina, neurotransmissor fortemente vinculado à regulação de funções como a memória e o humor. Pesquisas que avaliaram a associação do uso do Ecstasy com alterações cerebrais deixam dúvida se as alterações encontradas são conseqüências da droga ou se são elas que fazem com que o indivíduo tenha mais predisposição a usá-la. Ovo ou galinha? Um novo estudo divulgado ontem pela revista inglesa Brain traz novidades bastante esclarecedoras.
Pesquisadores holandeses selecionaram cerca de 190 indivíduos entre 18 e 35 anos de idade que nunca tinham usado Ecstasy e que eram considerados como potenciais usuários em futuro próximo: ou porque declararam tal intenção ou porque tinham um ou mais amigos que usavam a droga. Diversas técnicas de neuroimagem foram inicialmente realizadas, e após 12 meses de seguimento os voluntários voltavam a ser submetidos a novas imagens cerebrais até três anos de seguimento. Ao longo do acompanhamento, 59 pessoas haviam usado a droga (média de 6 unidades, variando de 0.5 a 80), e esses foram comparados a outros 56 do grupo original que não experimentaram a droga. Os grupos não foram diferentes quanto à idade, uso de álcool, maconha, anfetamina e cocaína.
Foi identificada uma série de anormalidades cerebrais no grupo de indivíduos que usaram Ecstasy: alterações na perfusão sanguínea, na estrutura da substância branca e maturação cerebral. O importante é que essas alterações realmente foram adquiridas após o início do estudo, quando os voluntários ainda não apresentavam essas alterações. Um estudo anterior já havia demonstrado leve redução da capacidade de memória verbal em usuários leves da droga. Ainda não se pode concluir se essas alterações são irreversíveis, mas esses resultados são fortemente indicativos que o uso de Ecstasy pode ser neurotóxico, mesmo em baixas doses.





