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Um estudo publicado ontem no respeitado periódico New England Journal of Medicine aponta que a primeira semana do horário de verão aumenta o risco de infarto do coração. O efeito é ainda mais significativo entre indivíduos com menos de 65 anos e entre as mulheres. Os pesquisadores avaliaram a incidência de infarto do coração na Suécia entre 1987 a 2006.
A melhor explicação para esses resultados é o conhecido efeito da privação do sono no sistema cardiovascular. Pesquisas demonstram que a privação do sono é capaz de aumentar marcadores de inflamação (ex: citocinas), aumenta o nível de atividade do sistema nervoso autônomo simpático, podendo gerar alterações metabólicas significativas. Será que não seria justo oferecer à população uma transição mais flexível na implantação do horário de verão, como por exemplo, poder começar o trabalho uma hora mais tarde nos primeiros dias? Isso poderia ser especialmente relevante na segunda-feira e para aqueles que têm reconhecido risco vascular, pois já sabemos que é na segunda-feira que ocorre o maior número de casos de infarto do coração e derrame cerebral. Esse efeito pode ser explicado pelo estresse de ter que voltar ao trabalho e até mesmo pelos excessos do fim de semana.
É de se esperar que as autoridades estejam repensando o custo-benefício do horário de verão ou uma maior flexibilização do horário na primeira semana de implantação. Na hora de refazer as contas, é importante considerar que pesquisas tanto no Canadá quanto nos EUA mostram que na primeira semana da implantação do horário os acidentes de trânsito aumentam cerca de 8%.
A ciência tem dado importantes saltos nos últimos anos no desenvolvimento de testes genéticos que possam detectar precocemente a Doença de Alzheimer. Alguns testes atualmente disponíveis podem até nos informar que um determinado indivíduo tem uma chance “X” vezes maior de vir a ter a doença. Entretanto, qual a vantagem que um indivíduo tem em ser submetido a esse tipo de teste, se não há nenhum tratamento disponível para que ele diminua sua chance de vir a desenvolver a doença? Pode sim, gerar um nível de preocupação desnecessária e desproporcional à realidade. As medicações atualmente aprovadas para o tratamento da doença de Alzheimer, na verdade, não mudam o curso natural da doença. As medicações fazem com que os portadores da doença possam melhorar seu desempenho cognitivo, mas a progressão da doença continua. No dia em que tivermos disponíveis estratégias que realmente tratem a doença no sentido de evitar sua progressão, será fundamental definir o diagnóstico da forma mais precoce possível. Aí então, certamente os testes genéticos serão indicados em larga escala.
Apesar de ainda ter muita água para passar por debaixo dessa ponte, já podemos ver alguns movimentos apressados e até oportunistas. Vemos médicos nos consultórios solicitando testes porque o “paciente” ouviu falar e quer fazer. Mesmo que tivesse indicação, e não tem até o momento, qualquer tipo de teste genético dessa natureza necessita de uma equipe multidisciplinar, incluindo um geneticista clínico, que possa traduzir ao indivíduo o que significa aquele resultado em termos práticos na sua vida. Recentemente uma empresa nos EUA lançou um teste genético chamado de “Alzheimer Mirror” que só durou oito meses no mercado, pois foi fortemente combatido por questões de propriedade intelectual. O teste foi desenvolvido e patenteado pela Duke University e a licença de uso era restrita a pacientes portadores da Doença de Alzheimer. O diretor de alianças corporativas da Duke University, Alan Herosian, declarou recentemente que “o teste não foi desenvolvido para o screening de pessoas saudáveis”.
O sono é uma de nossas necessidades mais básicas e há um bom tempo que ele não deve ser visto como um estado de descanso do cérebro, já que durante o sono ele está “trabalhando” pra valer, especialmente para cristalizar o aprendizado do dia. Podemos até prescindir de algumas noites de sono sem grandes prejuízos à saúde. Já a privação crônica de sono pode trazer efeitos negativos não só sobre nossas capacidades cognitivas, mas também pode alterar funções metabólicas que podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares. E quantas horas de sono por dia é o mais recomendável? Essa é uma discussão bastante interessante.
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Texto em inglês, National Sleep Foundation, How much sleep do we really need?
A Síndrome de Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) é caracterizada por recorrente obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores durante o sono associada a roncos, resultando em episódios de paradas respiratórias, redução da oxigenação do sangue, freqüentes despertares durante a noite e conseqüente sonolência diurna. É bom saber que todo mundo que tem SAOS ronca, mas nem todo mundo que ronca tem apnéia.
Já é bem conhecido que as formas moderada e grave da SAOS estão associadas ao aumento de risco cardiovascular, e o tratamento visa não só melhorar a qualidade de vida do indivíduo, mas também reduzir seu risco cardiovascular. Um novo estudo publicado na última edição da revista American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine nos mostra que mesmo portadores da forma leve de SAOS também apresentam maior risco cardiovascular. Medidas que refletem a saúde das artérias mostraram-se reduzidas entre pacientes com a forma leve de SAOS quando comparado ao grupo controle. Esses resultados fizeram com que os pesquisadores dessem início a um novo estudo que irá avaliar se o tradicional tratamento com o aparelho com máscara de ar sob pressão durante a noite, o CPAP, não seria indicado também a pacientes com SAOS leve e com mínimos sintomas. Atualmente a indicação mais ortodoxa do CPAP é nos casos moderados e severos de SAOS.
O combate à obesidade é um dos maiores desafios do mundo contemporâneo, já que aumenta o risco de dois dos problemas de saúde mais sérios da humanidade: as doenças cardiovasculares e o câncer. Alguns estudos têm revelado que o problema do sobrepeso não está associado só a quanto se come e o que se come, mas também a como se come.
Uma pesquisa conduzida no Japão com mais de três mil pessoas e publicada na última edição do British Medical Journal aponta que tanto o hábito de comer rápido como também o de comer até se sentir cheio está associado a um maior peso corporal. Esse efeito é independente da quantidade de calorias ingeridas, ou seja, “X” calorias diárias ingeridas de forma fracionada e sem pressa tem menos chance de engordar do que as mesmas “X” calorias diárias ingeridas na correria e de forma menos distribuída ao longo do dia. Estudos anteriores já haviam mostrado que comer rápido engorda mais, e o que essa pesquisa acrescenta é que comer até ficar cheio também engorda.
Já faz uma década que pesquisadores têm procurado definir se o campo magnético dos telefones celulares está associado a um maior risco de tumores cerebrais. O tema sempre foi tratado como controverso e a partir do ano de 2007 alguns estudos têm mostrado o que o negócio da telefona móvel não gostaria de ouvir.
Pesquisadores suecos demonstraram que o uso de celular por mais de dez anos está associado ao risco de tumores cerebrais do mesmo lado do cérebro em que o aparelho é usado, especificamente gliomas e neurinoma do nervo da audição. Por outro lado, há uma série de pesquisas que não conseguiram demonstrar essa relação. Em abril de 2008 foi publicada uma metanálise, um tipo de balanço geral de todos os estudos realizados até então, e que evidenciou haver associação entre o uso de celular a longo prazo e tumores cerebrais (Hardell et al., Int J Oncol 2008).
Este ano uma série de neurocirurgiões de grande renome mundial tem se manifestado no sentido de que a tarefa de provar definitivamente que o celular causa tumor cerebral é só uma questão de tempo, já que uma lesão dessa natureza precisa de pelo menos dez anos para se desenvolver. Já existem estudos mostrando que a incidência de tumores cerebrais tem aumentado, e uma das explicações seria o diagnóstico por imagem cada vez mais desenvolvido, com uma crescente disponibilidade de aparelhos de tomografia computadorizada e ressonância magnética. A última edição da revista Surgical Neurology, jornal oficial da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia em nível internacional em conjunto com outras sociedades, traz um editorial conclamando a cooperação da sociedade científica com os órgãos governamentais para tirar essa história a limpo, devido à potencial gravidade da situação.
Tanto se reconhece a dúvida do risco dos celulares que o governo francês a partir desse ano passou a recomendar que as crianças devem evitá-los, e tanto o governo alemão quanto a Agência Ambiental Européia recomendam restrições ao uso de celular. Hoje em dia há cerca de três bilhões de usuários ao redor do mundo. Em Brasília há mais de um celular por habitante. Quem viver verá o resultado dessa polêmica.
O aneurisma cerebral é uma dilatação de um segmento de uma artéria do cérebro fazendo com que sua parede fique frágil e com maior chance de se romper. Quando rompe, o sangue extravasa dentro da cabeça e o risco de morte é de cerca de 40%.
É comum as pessoas terem medo de ser portadoras de aneurisma cerebral e muitas vezes perguntam a si mesmas e aos médicos se não valeria a pena fazer exames para detectá-los “a tempo”. Atualmente recomenda-se que indivíduos com dois ou mais parentes de primeiro grau que apresentam aneurismas cerebrais confirmados devam ser investigados, pois são esses que apresentam um risco significativamente aumentado.
Leia também:
Mais informação e menos medo de aneurisma cerebral.
Um importante avanço no entendimento dos aneurismas cerebrais
Não é incomum encontrarmos pessoas com fatores de risco vascular como diabetes e hipertensão arterial usando aspirina para prevenir eventos cardiovasculares (infarto do coração e o derrame cerebral). A aspirina é muito bem indicada para quem já apresentou um desses eventos cardiovasculares, e é o que se chama de prevenção secundária. Quanto à prevenção primária, ou seja, prevenir um primeiro evento cardiovascular, essa sim é uma questão ainda muito polêmica.
Um importante estudo foi publicado esta semana pelo British Medical Journal mostrando que o uso da aspirina com ou sem suplementos antioxidantes não colabora para a prevenção primária de eventos cardiovasculares, mesmo em pacientes com maior risco de eventos, como é o caso dos diabéticos.
Cerca de 1300 pacientes diabéticos na Escócia com mais de 40 de anos de idade, e sem história de infarto do coração ou derrame cerebral, foram acompanhados por quase sete anos, e o risco de eventos cardiovasculares ou óbito não foi diferente entre os pacientes que usaram aspirina ou suplementos antioxidantes, ou ambos, comparado àqueles que usaram placebo. Os resultados são muito importantes, já que a aspirina é considerada uma das dez medicações que mais causam efeitos adversos, especialmente gastrintestinais.
A enxaqueca é um transtorno neurológico que chega a acometer quase 20% das mulheres e é mais freqüente justamente nas fases de vida mais produtivas: entre 25 e 55 anos. Alguns estudos têm demonstrado que pessoas com enxaqueca perdem de 1 a 4 dias de trabalho por ano devido ao problema. Nos EUA, estima-se que o absenteísmo secundário à enxaqueca leva a um prejuízo de 8 bilhões de dólares ao ano.
A maioria das pesquisas que avaliou a relação entre enxaqueca e absenteísmo não oferece a possibilidade de comparação dos dias de trabalho perdidos com a população geral. Os poucos estudos que disponibilizaram essa comparação geraram resultados conflituosos, alguns deles com amostras populacionais pequenas.
Um novo estudo publicado este mês na revista Cephalalgia demonstrou que mulheres com enxaqueca realmente faltam mais ao trabalho por razões médicas do que a média da população. O estudo acompanhou por três anos mais de 27 mil mulheres do serviço público finlandês e revelou que 24% dessa amostra apresentava diagnóstico de enxaqueca realizado por médico. Mulheres com enxaqueca apresentaram cinco dias a mais de absenteísmo por ano quando comparado às mulheres sem enxaqueca, enquanto depressão e problemas respiratórios causavam 14 e 6 dias a mais de absenteísmo por ano respectivamente.
Do ponto de vista econômico, o absenteísmo é apenas uma parte do prejuízo causado pela enxaqueca, já que mesmo que o profissional não tire licença por conta de crises, sabe-se que seu desempenho no trabalho é prejudicado. A realização de campanhas educativas para um maior reconhecimento e diagnóstico do problema, podendo assim proporcionar tratamento adequado a mais pessoas, é uma importante estratégia para melhorar a qualidade de vida e a capacidade de trabalho de uma parcela bem significativa da sociedade.
** O mesmo grupo de pesquisadores publicou no início do ano uma pesquisa que mostrou que mulheres realizadas profissionalmente têm menos enxaqueca.
Clique aqui e confira o post relacionado a esse estudo.
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Temos acompanhado nos últimos anos uma série de estudos que demonstra que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. Além disso, é bem reconhecido que a relação entre álcool e doenças cardiovasculares tem um comportamento estatístico conhecido como curva J. Quanto mais alta a posição na curva J, maior o risco. Isso significa que a ausência de consumo de álcool, que está na ponta inferior do J, está associada a um risco maior de doenças cardiovasculares do que o consumo moderado que se encontra na “barriga” do J. Quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que quem não bebe. Por outro lado, o consumo exagerado de álcool, que se encontra na ponta superior do J, reflete um maior risco de doenças cardiovasculares.
Alguns estudos epidemiológicos têm demonstrado que o álcool também tem um comportamento semelhante à curva J quando o assunto é declínio das capacidades cognitivas com o envelhecimento, sendo que o consumo moderado está associado a um menor risco de demência, e o consumo excessivo a um maior risco (ponta superior do J). Temos ainda resultados de pesquisas nos mostrando que o excesso de álcool está associado à redução do volume do cérebro. Na verdade, já a partir dos 15 anos de idade nosso cérebro já tem seu peso reduzido em 1.5-1.19% por década, e essa redução não significa que há perdas funcionais. E será que o consumo moderado de álcool reduz esse ritmo de perda de volume cerebral? Na tentativa de responder a essa pergunta, uma população significativa de americanos sem história de derrame cerebral ou demência (grupo Frahmingham Offspring) foi avaliada quanto ao histórico de consumo de álcool e submetida à ressonância magnética do crânio. Os resultados foram publicados na última edição da revista Archives of Neurology. Confirmaram-se resultados anteriores de que o consumo excessivo de álcool está associado a um maior risco de redução do volume cerebral, e esse efeito foi mais forte nas mulheres do que nos homens. Além disso, não foi possível demonstrar que o uso moderado de álcool tenha efeito protetor sobre a redução do volume cerebral.
Já existe realmente um bom corpo de pesquisas mostrando o efeito protetor do álcool em doses moderadas. Além disso, o efeito protetor do vinho tinto parece ser superior ao de outras bebidas, pois além do álcool, ele possui outras substâncias nobres antioxidantes (ex: polifenóis). Do ponto de vista de saúde pública, não se deve fazer campanhas convidando a população a começar a beber. A recomendação é de que quem já bebe não precisa parar, desde que consiga beber dentro dos limites considerados seguros (duas doses diárias para homens e uma dose para mulheres). Quem não bebe não deveria começar a beber, já que hábitos como uma dieta inteligente e atividade física regular podem ser mais interessantes à saúde que os potenciais efeitos positivos do álcool.
CLIQUE AQUI e confira matéria do jornal Correio Braziliense sobre o tema com o Dr. Ricardo Teixeira
Uma em cada cinco pessoas ao redor do mundo fuma e já sabemos que o cigarro diminui a expectativa de vida em 7 a 10 anos e também representa a principal causa de morte evitável em muitos países. Um estudo publicado hoje na revista Archives of Internal Medicine confirma que indivíduos que nunca fumaram vivem 10 anos a mais que fumantes que consomem mais que 20 cigarros por dia. A pesquisa acompanhou por 26 anos homens finlandeses saudáveis com idade de 47 anos em média. O mais interessante desse estudo é que os não fumantes além de viverem uma década a mais, vivem esses anos “extras” com nível de qualidade de vida maior do que os fumantes. Esses resultados são extremamente relevantes para futuras campanhas anti-tabagismo, já que existe uma parcela significativa de fumantes que mantém o vício com a idéia de que perder “alguns” anos da velhice não seria tanto prejuízo assim… A importância dessa pesquisa é o fato de nos mostrar que o fumante não está só perdendo uma década de vida, mas seus anos vividos também têm uma qualidade inferior. A conta do prejuízo deve ser refeita.
Um estudo publicado na última edição da revista Neuron demonstrou que indivíduos dependentes de cocaína apresentam regiões do córtex cerebral menos volumosas do que em indivíduos controles, especialmente em regiões associadas a funções executivas e aos sistemas de atenção e recompensa cerebral. O mesmo grupo de pesquisadores já havia demonstrado um menor volume da amígdala entre dependentes de cocaína, estrutura cerebral mais profunda que tem uma série de relações com os processos cerebrais de abuso e dependência da droga. Algumas dessas alterações estruturais encontradas podem ser secundárias ao efeito neurotóxico da droga, porém, os resultados também podem refletir uma predisposição cerebral ao abuso e dependência, antes mesmo do início do uso da droga.
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo e ate 60% delas continuarão a apresentar os sintomas durante a adolescência e idade adulta. Já é bem reconhecido que crianças com o diagnostico de TDAH tem um maior risco de no futuro usarem drogas, incluindo abuso e dependência de álcool e drogas ilícitas, assim como tabagismo. Além disso, há um forte corpo de evidências que aponta que esse risco é menor entre adolescentes que receberam tratamento com medicações estimulantes como o metilfenidato durante a infância. Estudos com modelos animais de TDAH revelam que o uso dessas medicações reduz o interesse por drogas como a cocaína. O fator psicossocial também pode ser relevante, e poderíamos hipotetizar que crianças tratadas na infância receberam mais atenção por parte dos pais.
Um novo estudo publicado na última edição da revista Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine confirma o efeito protetor do tratamento medicamentoso em crianças sobre o risco das mesmas usarem drogas no futuro, efeito até então mais estudado entre os meninos. A pesquisa acrescenta um importante dado à literatura: o efeito protetor do tratamento é tão importante nas meninas como nos meninos.
O crescimento do consumo de bebidas energéticas cafeinadas nos últimos anos é exponencial e cerca de 500 diferentes produtos já podem ser encontrados ao redor do mundo. O conteúdo de cafeína desses produtos é bem variado, variando de 50mg até 500mg por latinha ou garrafinha (uma xícara de café expresso tem cerca de 100mg de cafeína). Além da cafeína, essas bebidas contêm outras substâncias como vitaminas, aminoácidos, e algumas delas também contêm extratos de ervas tais como Gingko biloba e Ginseng. É bom ter consciência sobre os potenciais riscos do consumo dessas bebidas em exagero e/ou em combinação com o álcool.
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A psicoterapia é uma das mais importantes ferramentas que dispomos para ajudar as pessoas que passam por problemas emocionais e do comportamento. Mas qual é a linha de psicoterapia mais acertada para cada tipo de problema? Uma das discussões mais inflamadas sobre o tema é a disputa entre a eficácia de terapias de longo prazo como a psicanálise e de terapias breves como, por exemplo, a terapia cognitivo-comportamental.
A terapia psicodinâmica (ou psicanalítica) de longo prazo é freqüentemente questionada sobre sua real eficácia, especialmente por ter sido construída através da experiência clínica, apoiada por um corpo teórico invejável, mas não acompanhada desde sua origem pelo clássico método científico que define tantas intervenções terapêuticas como “cientificamente corretas”. Um estudo publicado esta semana no JAMA (Journal of the American Medical Association) dá um passo muito importante na demonstração científica da eficácia da psicoterapia psicodinâmica de logo prazo.
Pesquisadores alemães conduziram uma metanálise dos estudos publicados desde a década de 60 até 2008 e selecionaram 23 estudos que testaram a eficácia da terapia psicodinâmica com duração de pelo menos um ano de seguimento e com o mínimo de 50 sessões. A análise dos estudos evidenciou que a terapia psicodinâmica a longo prazo foi mais eficaz que métodos terapêuticos de curto prazo em diversas situações como transtornos de personalidade, múltiplos transtornos mentais e transtornos mentais crônicos.
Em 1982, num artigo que passou a ser um clássico da psiquiatria, Parloff chamou a atenção para o potencial equívoco em se querer começar a definir se um método de psicoterapia tem credibilidade se esse faz parte de uma lista de terapias que foram aprovadas através de rigorosos ensaios científicos. Um dos maiores propulsores para o crescimento dessa Psicoterapia Baseada em Evidências, nos mesmos moldes da Medicina Baseada em Evidências, é a pressão por parte do sistema de saúde no sentido de apenas reembolsar procedimentos terapêuticos que passaram por comprovação científica – e terapias de longo prazo são mais caras. Parloff em seu artigo original comparou esse movimento à personagem Godzilla (demanda por demonstração científica) ameaçando todo o corpo teórico, experiência clínica e a arte envolvida nas psicoterapias ainda “cientificamente incorretas” (Bambi). A inspiração vem de “Quando Bambi encontra Godzilla”, clássico do desenho animado do final da década de 60, reconhecido como um dos 50 desenhos animados mais importantes da história.
Mais de duas décadas depois do artigo de Parloff, Bambi tem suas forças revitalizadas e Godzilla nem é tão ameaçador assim. Freud deve estar gostando disso.
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Muita gente tem enxaqueca, mas nem todo mundo precisa de tratamento. É importante conhecer quais são os critérios que fazem com que um tratamento profilático seja indicado. Além disso, é importante saber que além das medicações clássicas usadas no tratamento profilático, existe uma série de outras abordagens farmacológicas e não farmacológicas de comprovado sucesso no tratamento da enxaqueca. Estamos falando de terapias Mente-Corpo (Ioga, Meditação), fitoterápicos, etc.
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