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O exame das artérias da retina representa uma extraordinária oportunidade para se entender o que se passa nas artérias do cérebro. Não é difícil se convencer de que há uma associação entre o estado das artérias da retina e do cérebro quando pensamos no fato de que os olhos e o cérebro eram uma só estrutura nas primeiras semanas de um embrião. Quando estudamos as artérias de ambos os órgãos podemos perceber que elas são muito parecidas em vários aspectos.  Tanto o cérebro quanto a retina apresentam células especializadas em fazer sua interface com o sangue, e que funciona como um eficiente filtro daquilo que pode ou não entrar em contato com esses órgãos. Além disso, as pequenas artérias do cérebro e da retina são muito parecidas tanto em diâmetro como também por não terem pontes entre si, como se fossem vias sem sem saídas os lados.

 

E o que podemos observar no mundo real é que quando doenças como a hipertensão arterial e o diabetes chegam a alterar as artérias da retina, elas também já estão fazendo mal às pequenas artérias do cérebro. Essas alterações no cérebro são conhecidas como Doença de Pequenos Vasos Cerebrais, e representa uma das principais causas de perda do desempenho cerebral em idades mais avançadas. Essa é uma doença que vai silenciosamente enchendo o cérebro de pequenas cicatrizes ou buraquinhos, na maioria das vezes de forma silenciosa, mas facilmente detectadas pela Ressonância Magnética. Uma ou duas pequenas cicatrizes realmente não costumam provocar sintomas, mas o cérebro de um indivíduo que apresenta inúmeras dessas cicatrizes ou buraquinhos, esse sim começa a funcionar de forma ineficiente.

 

O que fazer para proteger nosso cérebro dessas lesões?  São as mesmas atitudes que boa parte das pessoas sabe que são eficazes para reduzir o risco de um infarto do coração ou derrame cerebral: 1) não fumar; 2) praticar atividade física; 3) reduzir o estresse; 4) bebidas alcoólicas só se for com moderação; 5) dieta saudável e controle do peso; 6) para quem tem doença do coração, alterações do colesterol, diabetes ou hipertensão arterial, tratar essas condições com preciosismo.

 

Invista nas suas artérias. Seu corpo todo vai agradecer.

 

 

 

CLIQUE AQUI PARA LER O POST “PREVIDÊNCIA VASCULAR”.

 

 

 

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Um estudo publicado na última edição do Journal of Nutrition, jornal oficial da Sociedade Americana de Nutrição, revelou mais benefícios do consumo regular de chocolate amargo.
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Onze mil moradores da região de Molise no sul da Itália com mais de 35 anos de idade foram avaliados, e cerca de cinco mil indivíduos sem doenças crônicas e que não faziam qualquer tipo de dieta especial foram selecionados. Desses cinco mil, identificou-se um subgrupo de 1317 pessoas que não faziam uso de qualquer tipo de chocolate e outro subgrupo de 824 pessoas que comiam chocolate amargo regularmente. ESSE GRUPO DE PESSOAS QUE CONSUMIA CHOCOLATE AMARGO REGULARMENTE APRESENTAVA UM ÍNDICE 17% MAIS BAIXO DO MARCADOR DE INFLAMAÇÃO PROTEÍNA C-REATIVA DE ALTA SENSIBILIDADE. Índices altos desse marcador estão associados a um maior nível de aterosclerose, maior risco de infarto no coração e derrame cerebral. Além disso, pesquisas revelam que a redução dos níveis de Proteína C-Reativa de um grau moderado para um grau leve está associada a uma redução relativa do risco de eventos vasculares em cerca de 30%. Os efeitos positivos dos componentes do chocolate em reduzir marcadores de inflamação já haviam sido demonstrados em “tubo de ensaio”, mas é a primeira vez que esse efeito é demonstrado em uma grande amostra populacional.

Apesar do maior nível de ingesta calórica no grupo que consumia chocolate, não houve diferença no índice de massa corporal entre os grupos, ou seja, quem consumia chocolate não era mais gordo. Outro ponto importante revelado pela pesquisa foi que a dose de uma porção de chocolate (20g) a cada três dias (até 6.7g por dia), foi associado aos menores níveis de inflamação. Acima dessa dose, os efeitos foram mais discretos (ver gráfico).

 

 

 

Mais uma vez o chocolate amargo mostra-se um poderoso aliado de nossa saúde. Meia barra de 100 gramas por semana parece ser uma dose inteligente.

 

Se você precisar escolher entre um prêmio de 4 mil reais com 80% de chance de ganhá-lo ou um prêmio de 3 mil reais com 100% de chance de ganhá-lo, talvez você siga a tendência humana que é a de fazer a segunda escolha. Essa mesma tendência foi demonstrada entre roedores e diversas outras espécies animais, fenômeno conhecido pela ciência como Efeito Certeza.

 

As pesquisas mostram que quando os animais são submetidos a repetidos testes, eles insistem em escolher a opção que traz mais certeza de retorno, mesmo que o retorno na média seja menor.  Já entre os humanos, quando repetidos testes são realizados, o comportamento passa a ser diferente, influenciado pela experiência prévia de decisões semelhantes. O aprendizado então faz com que a tendência de escolha se inverta, ou seja, as pessoas passam a optar por um prêmio mais graúdo, mesmo que corram o pequeno risco de ficarem sem nada, fenômeno chamado de Efeito Certeza Reverso.

 

Uma pesquisa publicada recentemente pela revista Nature [2008:453(12)] nos mostra que tanto os animais quanto os homens podem escolher pela certeza ou pelo risco, e a escolha parece ser dependente do grau de informação perceptível sobre os prêmios. Testes com humanos mostraram o Efeito Certeza Reverso, ou seja, um maior prêmio “na maioria das vezes”, quando eles eram capazes de discernir que um prêmio era maior que outro pelo claro valor numérico do prêmio. Entretanto, quando a informação sobre o prêmio era através de um gráfico de pontinhos, uma forma menos clara de se avaliar o valor do prêmio, as pessoas passam a se comportar optando pela opção Certeza. 

 

 

 

 


Quando a percepção da diferença entre os prêmios é fácil, como é o caso de valores numéricos, as pessoas fazem a opção pelo maior valor, mesmo que tenham um pequeno risco de não ganharem nada. Quando essa percepção não é tão clara, como no exemplo dos pontinhos, as pessoas tendem a ser conservadoras: fazem a escolha pela segurança.

 

Os pesquisadores foram além. Reproduziram experimento semelhante com abelhas sendo que os prêmios eram soluções com diferentes concentrações de açúcar. Quando a diferença entre as concentrações de açúcar era de fácil percepção pelas abelhas, elas adotavam “comportamento de risco”, dando preferência ao maior prêmio, mesmo que incerto. Quando a diferença de concentração de açúcar era mais sutil, menos perceptível pelas abelhas, elas se comportavam de forma conservadora. Os resultados sugerem que o comportamento de escolhas, tanto nos animais como no homem, está associado à clareza em que se percebe a diferença entre o potencial ganho de cada escolha.

 

Podemos voar alto pensando nas aplicações desse tipo de comportamento no mundo real. Na verdade, esse jogo de escolhas tem sido estudado há décadas, e hoje compreende um forte ramo do conhecimento chamado de Teoria dos Jogos.  A Teoria dos Jogos passou a ser muito mais popular após a década de 90 quando o americano John Nash recebeu o Nobel de Economia pelos seus estudos matemáticos para o melhor entendimento do equilíbrio da economia, conhecido como equilíbrio de Nash (o filme Mentes Brilhantes é a sua biografia).  Um outro Nobel foi concedido ao israelense Daniel Kahnemann por sua Teoria de Perspectivas, um desdobramento da Teoria dos Jogos e que iluminou o entendimento de como as pessoas fazem escolhas, como escolhem entre o risco e a segurança. Atualmente, a Teoria dos Jogos e seus filhotes têm sido discussão obrigatória em diversos ramos do conhecimento que vão além da matemática e das ciências econômicas, mas também em áreas como a psicologia, o marketing, a administração e qualquer área do conhecimento que se interessa por estratégia e cooperação.  

 

 

 

 

Há tempos já sabemos que enxaqueca não é só dor de cabeça. Quem tem enxaqueca tem mais chance de sofrer de depressão, ansiedade, sintomas do labirinto e maior risco de derrame cerebral. Nos últimos anos, alguns estudos têm revelado que a enxaqueca também está associada a um maior risco de infarto do coração. A razão para esse maior risco de doenças cardiovasculares ainda não é bem conhecida, e são vários os candidatos: 1) aterosclerose?; 2) sangue com maior tendência à trombose?; 3) espasmo dos vasos sanguíneos?; 4) alterações cardíacas associadas?.

 

Um estudo publicado na última edição da revista Neurology (Academia Americana de Neurologia) ajuda-nos a entender melhor a relação entre a enxaqueca e eventos cardiovasculares, sugerindo que o primeiro suspeito da lista, a aterosclerose, não parece ter chance de ser o culpado.

 

Moradores do norte da Itália foram submetidos a acompanhamento médico por 5 anos incluindo exames seriados das artérias femorais e carótidas que medem o grau de aterosclerose de um indivíduo. Na população estudada, as pessoas que sofriam de enxaqueca tinham até mesmo um grau de aterosclerose menor do que aqueles sem enxaqueca. Em contraste, a população que apresentava enxaqueca apresentou maior risco de trombose nas veias, tanto nas pernas como no pulmão. A freqüência de trombose venosa entre as pessoas com enxaqueca foi de 18,9% comparada a 7,6% nas pessoas sem enxaqueca.

 

Esses resultados além de indicarem que a aterosclerose não deva ser o maior responsável pelas complicações vasculares dos pacientes com enxaqueca, sugerem que o segundo suspeito, sangue com maior tendência a trombose, possa realmente ter mais culpa no cartório do que se imaginava até então. O maior risco de trombose nas veias encontrado na pesquisa apóia essa hipótese, já que a coagulação do sangue é vista como o principal fator causal nesse tipo de trombose. Os indivíduos com enxaqueca desse estudo ainda apresentaram mais fatores da coagulação do sangue que predispõem à trombose (Mutação do fator V Leiden), especialmente no caso da enxaqueca com aura.

  

Essa maior tendência à trombose pode também estar associada ao conhecido fato de que há uma ativação da coagulação sanguínea no momento de uma crise de enxaqueca e que perdura por alguns dias. Apóia também essa hipótese o fato da pesquisa ter revelado que o risco de trombose foi maior nas pessoas que tinham mais anos de história de enxaqueca. Estudos anteriores já haviam mostrado que crises freqüentes de enxaqueca aumentam o risco de lesões cerebrais por trombose nas artérias.

 

Hoje em dia podemos falar de boca cheia que a decisão de se iniciar um tratamento para enxaqueca pra redução da freqüência e intensidade das crises tem a intenção não só de melhorar a qualidade de vida. O tratamento visa também proteger as pessoas de virem a desenvolver tromboses no cérebro, e provavelmente também em outras partes do corpo.

 

** Para melhor entender o que é a aterosclerose e trombose, leia o Post PREVIDÊNCIA VASCULAR. COMEÇE JÁ A SUA.

 

 

 

É estimado que entre 30 a 70% das pessoas que usam antidepressivos apresenta algum grau de disfunção sexual secundária à medicação, como por exemplo, a dificuldade de atingir o orgasmo. Esse é um dos importantes fatores que fazem com que os pacientes abandonem precocemente o tratamento.    

 

Alguns estudos já haviam demonstrado o sucesso do uso de medicações similares ao Viagra (SILDENAFIL) em pacientes homens com esse problema. O fato é que depressão é pelo menos duas vezes mais comum entre as mulheres do que nos homens e alguns pequenos estudos já até mostraram que o SIDENAFIL pode ajudar as mulheres com disfunção sexual associada ao uso de  antidepressivos. Teoricamente, o SILDENAFIL realmente tem o potencial de ajudar também as mulheres, já que  os receptores em que a droga atua são encontrados tanto no órgão sexual masculino como também na genitália feminina.

 

Recentemente, um estudo bem mais robusto confirmou os achados preliminares, tendo sido publicado no Jornal da Associação Médica Americana [JAMA 2008; 300(4)]. Mulheres em tratamento para depressão que passaram a apresentar retardo do orgasmo ou redução da lubrificação vaginal após uso de antidepressivos apresentaram significativa melhora dos sintomas com o SILDENAFIL quando comparado ao placebo. Algumas pacientes queixaram-se de dor de cabeça, rubor facial e incômodo no estômago com o SIDENAFIL, mas não houve queixas sérias que as fizessem parar de usar a medicação.

 

Os resultados não devem ser extrapolados para outras situações de disfunção sexual em mulheres. Inclusive, o órgão regulador de medicamentos e alimentos dos EUA (FDA) ainda não aprova o uso do SILDENAFIL para mulheres. Entretanto, isso não quer dizer que inexistam evidências de efeitos positivos do SILDENAFIL na função sexual feminina, e o corpo de estudos disponíveis até o momento é encorajador.  

 

 

 

 

 

 

 

 

Um estudo publicado ontem no British Medical Journal nos mostra de forma inequívoca que mulheres que adotam um estilo de vida saudável vivem mais. Pesquisas anteriores já haviam mostrado resultados semelhantes, mas dessa vez os resultados são mais contundentes ainda, já que o estudo envolveu quase 80 mil mulheres com idades entre 34 e 59 anos e que foram acompanhadas por 24 anos. Cinco marcadores de saúde foram avaliados pela pesquisa:

 

  • tabagismo
  • sobrepeso
  • inatividade física
  • dieta pouco saudável
  • o não consumo moderado de álcool (moderado = até uma dose diária)

 

Cada um desses cinco fatores esteve associado ao risco de morrer durante o período do estudo de forma independente. Quando se comparou mulheres que não apresentavam nenhum dos cinco fatores de risco com mulheres que apresentavam os cinco fatores, as mulheres com os cinco marcadores de risco apresentavam um risco maior de mortalidade nas seguintes proporções:

 

  • risco relativo de mortalidade geral  4.3 vezes maior
  • risco relativo de mortalidade por câncer 3.2 vezes maior
  • risco relativo de mortalidade por doenças cardiovasculares  8.2 vezes maior

 

A pesquisa mostrou também que 28% das mortes durante o período do estudo poderiam ter sido evitadas se as mulheres não fumassem, e 55% das mortes poderiam ter sido evitadas se as mulheres não apresentassem a combinação dos quatro primeiros fatores. O quinto fator, ausência de consumo moderado de álcool, não foi tão relevante como os outros quatro.

 

Trocando em miúdos:

VIVE MAIS A MULHER MAGRA E QUE NÃO FUMA, QUE FAZ ATIVIDADE FÍSICA E QUE TEM UMA DIETA SAUDÁVEL.

 

 

 

 

Estudos recentes realizados aqui mesmo no Brasil mostram que cerca de 70-80% das mulheres queixa-se de dor de cabeça no período próximo à menstruação e a enxaqueca é responsável por boa parte dessas dores de cabeça. É bom lembrar que quase 20% da população feminina tem enxaqueca.

 

As flutuações dos hormônios sexuais da mulher não só explicam o porquê da mulher ter cerca de três vezes mais enxaqueca do que o homem, mas também explica a íntima associação entre a enxaqueca e o período da menstruação. Até 70% das mulheres com enxaqueca percebem essa associação, seja pelo fato de só ter crises de enxaqueca no período da menstruação, seja porque nesse período as crises costumam ser mais fortes.

 

Existem várias estratégias de tratamento para a enxaqueca associada à menstruação, e um estudo publicado na última semana pela revista britânica Cephalalgia, confirmou que o tratamento hormonal (estrogênio) pode ser uma ferramenta valiosa nessas situações. O que a pesquisa nos trouxe de novidade é que o uso de terapias hormonais tem a chance de reduzir a freqüência de crises de enxaqueca não só no período perimenstrual, mas também ao longo de todo o mês. O tratamento hormonal também permitiu uma extraordinária redução na quantidade de medicações que as mulheres usavam para dor de cabeça.

 

A terapia com hormônios à base de estrogênio na enxaqueca tem outras peculiaridades que devem ser consideradas também. Algumas mulheres até têm suas crises intensificadas por conta do uso de estrogênio. No caso da enxaqueca com aura,  o uso de estrogênio deve ser discutido ainda com mais cautela, pois pode aumentar os riscos de isquemia cerebral.  Clique aqui e leia o post que discute essa questão.

 

A enxaqueca é coisa séria. Para se ter uma idéia, ela ocupa o oitavo lugar entre os problemas de saúde de maior impacto no dia-a-dia de uma mulher.  Não faz sentido viver reclamando de enxaqueca sendo que o problema tem diversas formas de solução.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

São tantos resultados de pesquisa sobre os efeitos de dietas inteligentes sobre nossa saúde que às vezes fica difícil saber em que pé as coisas estão. Essa é uma situação que uma metanálise pode ajudar muito. Ela nada mais é do que uma avaliação sistemática dos estudos significativos realizados até então sobre o assunto e com isso amplifica-se a força dos estudos, cria-se uma MEGA PESQUISA.

 

Pesquisadores italianos publicaram ontem no respeitado British Medical Journal uma importante metanálise sobre os efeitos da Dieta Mediterrânea sobre nossa saúde. Foram incluídos 12 estudos prospectivos com um total de mais de 1,5 milhão de indivíduos.

 

Efeitos da Dieta Mediterrânea:

 

– reduz a mortalidade geral em 9%

– reduz a mortalidade por doenças cardiovasculares em 9%

– reduz a mortalidade por câncer em 6%

– reduz a incidência de Doença de Parkinson em 13%

– reduz a incidência de Doença de Alzheimer em 13%

 

O recado é claro. Devemos regular o consumo de carnes e laticínios e encorpar nossa dieta com cereais integrais, verduras, legumes, frutas, peixes, azeite, e até mesmo um vinhozinho tinto com moderação.

 

 

Ver também post   PREVIDENCIA VASCULAR. COMEÇE JÁ A SUA.

 

 

 

 

 

 

Estudos recentes com indivíduos saudáveis mostraram que o campo eletromagnético de um telefone celular é capaz de provocar discretas e transitórias mudanças em padrões neurofisiológicos como a excitabilidade cerebral e seu fluxo sanguíneo.  Além disso, algumas pessoas queixam-se de dor de cabeça quando usam o celular e pesquisas então foram desenvolvidas para avaliar se o uso do celular realmente causa dor de cabeça. Indivíduos com queixa de dor de cabeça ao usar o celular foram estudados, sendo que uma parte deles foi exposta a um aparelho normal e outro grupo a um aparelho que filtrava o campo eletromagnético, ou seja, um modelo experimental que pode ser chamado de placebo. Ambos os tipos de aparelho provocaram o mesmo nível de desconforto nos participantes. A melhor explicação para a dor de cabeça associada ao uso de celular é o efeito nocebo.

 

A origem do termo placebo é o verbo placere do latim que significa AGRADAREI.  A simples expectativa positiva de que um tratamento pode nos fazer bem já é capaz de provocar mudanças fisiológicas em nosso corpo, e esse é o chamado efeito placebo. E será que a expectativa negativa diante de alguma ação ou tratamento também é capaz de provocar mudanças fisiológicas e sintomas?

 

A visão pessimista de que alguma coisa pode nos fazer mal também pode provocar efeitos negativos que também têm seu nome: efeito NOCEBO, também do latim e significa PREJUDICAREI. Essa expectativa negativa é a provável explicação para alguns dos efeitos adversos de medicações e outras formas de tratamento. Apesar do efeito nocebo ser muito menos explorado em pesquisas científicas do que o placebo, especialmente por questões éticas,  o corpo de evidências da sua existência em diferentes situações médicas não é pequena. Já foi demonstrado que o efeito nocebo é capaz de desencadear crises de asma, alergia cutânea, diversos tipos de dor, impotência sexual, disfunções gastro-intestinais, entre outros sintomas.

 

O efeito nocebo merece especial atenção dos profissionais da saúde, já que uma expectativa negativa por parte do paciente pode ter origem no próprio terapeuta, seja por sua dificuldade de comunicação, seja por uma aparência física que não inspira cuidados de higiene, seja por um modo extravagante de se comportar. Até mesmo as instalações físicas do local de atendimento têm importância.

 

É claro que alguns pacientes são psicologicamente mais propensos a apresentar o efeito nocebo, o que é condizente com o pensamento popular de quem pensa muito em doença acaba ficando doente. Um estudo populacional (Framingham) chegou a demonstrar que mulheres que acreditavam que iriam adoecer do coração tinham quatro vezes mais chance de morrer do que aquelas que não tinham essa expectativa negativa, mesmo com o mesmo nível de fatores de risco para doença do coração entre os dois grupos. Pensamento positivo no momento de iniciar um tratamento pode não só reduzir as chances do efeito nocebo, mas aumenta em muito a chance de chamar para perto de si seu irmão bonzinho e poderoso: o placebo. É claro que tudo fica mais fácil se o terapeuta também faz sua parte. 

 

Outras questões que não dependem nem do terapeuta, nem do paciente, parecem influenciar também. Alguns estudos nos mostram que até a cor das pílulas tem influência sobre o resultado de um tratamento: pílulas com cores quentes são mais estimulantes, pílulas com cores frias mais calmantes.  De acordo com o antropólogo americano Daniel Moerman, um dos maiores pesquisadores nessa área, algumas respostas são peculiares a uma determinada cultura. Na Itália, pílulas placebo azuis induzem bem o sono nas mulheres, mas entre homens têm tendência a efeito oposto. Qual a explicação? Moerman faz uma provocação interrogando se esse efeito não teria relaçao com o fato da camisa da seleção italiana ser azul…

 

Ver também os POSTS  

COMO FUNCIONA O EFEITO PLACEBO?  

EFEITO PLACEBO NÃO É SÓ PÍLULA DE FARINHA

 

 

 

 

A epilepsia é a condição neurológica crônica mais comum em todo o mundo e pode acontecer em qualquer idade, raça e classe social. Estima-se que no Brasil existam três milhões de pessoas com a doença e a cada dia 300 novos casos são diagnosticados.

 

Apesar de ser um problema de saúde pública, são realmente poucas as pessoas que realmente sabem o que é a epilepsia. Na própria etimologia, a epilepsia foi premiada com um caráter místico, misterioso, religioso e mágico (epi=de cima e lepsem=abater) – ALGO QUE VEM DE CIMA E ABATE AS PESSOAS. Há muito tempo que não faz sentido pensar a epilepsia como um problema vindo “de cima” já que o nível de compreensão que temos hoje dos mecanismos biológicos associados à epilepsia só pode ser visto em poucas outras doenças neurológicas. Para entender o que é epilepsia, precisamos entender um pouquinho como é o que o cérebro funciona.

 

Quando nosso cérebro dá a ordem para nossa mão mexer, ele está disparando um impulso nervoso que nada mais é do que um impulso elétrico de baixíssima intensidade. Até chegar à mão, esse impulso viaja pelas ramificações dos neurônios e passará também por estações em que os impulsos dependem de transporte químico (sinapses) para que a informação chegue enfim aos músculos da mão. Tudo isso acontece quando resolvemos mexer a mão voluntariamente. Imagine agora um grupo de neurônios que resolve disparar esses mesmos impulsos “sem a nossa autorização”, provocando movimentos involuntários da nossa mão. E esses neurônios não ficam disparando o tempo todo de forma anormal. Pode ser uma vez ao mês, uma vez ao ano, todo dia, e quando disparam provocam o que conhecemos como crise epiléptica.

 

É muito comum a comparação de uma crise epiléptica com um curto circuito, um fio desencapado no cérebro. Qualquer lesão cerebral, independente do tamanho, é capaz de provocar esse curto circuito. Uma pessoa que come uma alface mal lavada com um ovinho de solitária escondido pode ter esse ovinho alojado numa região do cérebro que causará uma lesão do tamanho de uma semente de maçã. Esse pequeno corpo estranho no cérebro pode ser capaz de provocar uma crise epiléptica. Da mesma forma, uma criança que tem uma lesão cerebral extensa em ambos os hemisférios cerebrais, pois nasceu com uma doença genética associada a grave retardo mental, também pode vir a apresentar crises epilépticas. Essa é uma informação importante para a redução do estigma da epilepsia, pois muita gente associa a epilepsia a cérebros gravemente alterados.

 

E não é só uma lesão cerebral que pode provocar uma crise. Existem situações médicas que podem provocar severo desequilíbrio bioquímico do corpo, como grandes alterações nas concentrações de sódio e cálcio, situações que podem provocar um curto circuito difuso no cérebro. O mesmo pode ocorrer quando uma pessoa faz uso de uma substância neurotóxica, como é o caso da cocaína. Além disso, existem algumas condições genéticas em que o indivíduo tem uma tendência a apresentar crises epilépticas após certa idade, geralmente na infância e adolescência, e essas são situações em que o cérebro funciona normalmente, não apresenta lesões, mas os neurônios têm algumas peculiaridades  que podem gerar curtos circuitos episódicos.  

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               que  

Podemos dizer que uma pessoa tem epilepsia quando já apresentou mais de uma crise epiléptica não provocada. Crises não provocadas são as crises que acontecem espontaneamente, sem a presença de um desequilíbrio agudo e transitório do cérebro (ex: redução na concentração de sódio). Mais recentemente reconhece-se que mesmo que a pessoa tenha apresentado uma única crise, mas na presença de alteração cerebral que pode vir a causar outras crises, essa pessoa já pode ser considerada como portadora de epilepsia.

 

Uma questão importante que faz com que a epilepsia seja sub-diagnosticada, é o fato da maioria das pessoas acharem que crise epiléptica é igual a convulsão, ou seja, crise em que a pessoa perde a consciência, fica toda dura, roxa e se debatendo, os olhos ficam revirados, pode babar e urinar ou defecar na roupa.  A convulsão é o tipo mais dramático de crise, e significa que o cérebro passa por um curto circuito difuso. Porém, existem crises epilépticas muito mais discretas, e essas geralmente são reflexo de disparos anormais em apenas uma região do cérebro, não se espalhando para o cérebro todo, como é o caso da convulsão. Se o curto circuito acontece somente na região onde estão os neurônios que controlam o movimento da mão esquerda, a crise se manifestará como movimentos repetidos e involuntários dessa mão. Seguindo o mesmo raciocínio, uma crise pode se apresentar como uma sensação psíquica, diminuição da responsividade ao meio (“ausência”), formigamento de um lado do corpo, alucinações visuais, etc. O fato é que crises que inicialmente envolvem só uma região do cérebro podem em seguida ser propagadas para o cérebro como um todo, causando uma convulsão.

 

Já estamos no século 21 e ainda existe muita ignorância sobre o real significado da epilepsia. A falta de informação é a principal causa do enorme estigma e preconceito que sofrem os portadores de epilepsia, o que dificulta sobremaneira a inclusão social dessas pessoas. Em 1997 foi criada uma campanha mundial para reduzir o impacto do estigma da epilepsia, assim como para melhorar o diagnóstico e o manejo dos pacientes (Campanha Global – Epilepsia fora das sombras). Desde 2002 o Brasil é um dos países que mais tem trabalhado para a campanha graças ao trabalho do projeto ASPE (Assistência à Saúde de Pacientes com Epilepsia – www.aspebrasil.org) que vem efetivamente tirando a epilepsia das sombras em nosso país. Em algumas áreas do conhecimento científico o Brasil está à frente de muitos países desenvolvidos, e a epilepsia é um bom exemplo disso.  Realmente, poucos países do mundo têm o nível de desenvolvimento científico que tem a epilepsia no Brasil. 

 

 

CLIQUE AQUI e ouça matéria no Correio Braziliense sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira

 

 

 

 

 

 

Podemos dizer que um chimpanzé só olha para o próprio umbigo.  Por um lado ele não tem a mínima tendência em oferecer alimento a parceiros do mesmo grupo, mesmo que a atitude não custe nada a ele. Por outro lado, ele também não costuma impedir que outro tenha acesso a alimento.

 

Dividir com os outros, pelo menos com os membros do próprio grupo social, é uma característica única do ser humano. Um estudo publicado esta semana pela revista Nature mostra que nosso lado altruísta não nasce pronto, mas vai se desenvolvendo durante a primeira década de vida. Pesquisadores suíços demonstraram que crianças entre 7 e 8 anos de idade já são capazes de dividir seu alimento de forma igualitária com parceiros do mesmo grupo social (coleguinhas de escola), mesmo quando têm a chance de ficar com a maior parte. Nesse estudo, as crianças ainda apresentaram aversão a situações em que a divisão era feita com desigualdade. A metodologia usada permitiu inferir que os resultados observados são independentes do efeito reputação, ou seja, a atitude altruísta das crianças foi considerada independente do fato de se “fazer o bem” porque tem gente olhando e que por isso a ação poderia trazer benefícios futuros. No caso de adultos, é mais difícil isolar o efeito reputação, já que mesmo instruídos de que as respostas serão mantidas em sigilo, o comportamento pode ser influenciado pela sensação de que sempre alguém pode estar olhando.

 

Em contraste, no mesmo estudo crianças ente 3 e 4 anos não tinham muita tendência em dividir com seu grupo. É sabido que crianças até com menos de dois anos de idade são capazes de colaborar com outras na realização de tarefas motoras, fenômeno chamado de altruísmo instrumental, e essa é uma condição também observada entre nossos ancestrais chimpanzés. Porém, dar uma forcinha para abrir uma porta é uma coisa. Já dividir o alimento é outra bem diferente.

 

O estudo demonstra que o altruísmo humano já existe entre as crianças e mais uma vez nos revela que a cooperação é mais forte entre indivíduos do mesmo grupo social, também conhecida pela ciência como cooperação paroquial. E essa é uma das mais marcantes habilidades do ser humano e que não é encontrada em outras espécies: a capacidade de criar e manter laços de cooperação com indivíduos que não são de seu mesmo núcleo familiar.

 

 

 

 

 

 

São inúmeras as razões pelas quais um casal pode enfrentar problemas no relacionamento e pesquisadores suecos encontraram mais uma. Eles identificaram uma associação entre a maneira que homens se relacionam com suas parceiras e seu repertório genético em uma amostra de mais de 500 casais.

 

O estudo foi publicado esta semana na respeitada revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) e mostrou que uma variante de um gene que codifica o receptor do hormônio cerebral vasopressina guarda relação com o quanto um homem reconhece como sendo forte sua relação com sua parceira.  Essa mesma variação genética também foi associada à forma com que a parceira avalia a relação conjugal e também à história de ter apresentado crise conjugal no ano anterior do momento da entrevista.  A grande pista para que os cientistas dessem início ao estudo foi a prévia demonstração em roedores que esse mesmo gene tem relação com o comportamento monogâmico dos animais.  

 

Os resultados da pesquisa não devem ser interpretados como a descoberta do gene da infidelidade.  Abrem-se sim importantes janelas para o melhor entendimento de transtornos em que o “cérebro social” não tem desempenho adequado, como é o caso do autismo e da fobia social.  

 

 

Um dispositivo que utiliza correntes elétricas de alta freqüência para modular impulsos nervosos que ligam o cérebro ao estômago e ao pâncreas através do nervo vago parece ser útil no tratamento da obesidade. A modulação da função do nervo vago pode interferir não só na função motora do sistema digestivo (ex: reduzindo o tempo de esvaziamento gástrico), mas também na liberação de hormônios que interferem no apetite (ex: ghrelin). A nova terapia, chamada de Bloqueio Vagal Intra-abdominal, é uma técnica minimante invasiva, não interfere na anatomia do sistema digestivo ou neurológico e é reversível.

 

Um estudo envolvendo três centros de pesquisa na Noruega, Austrália e México e publicado recentemente na revista Surgery (2008;43) mostrou pela primeira vez a potencial aplicabilidade do Bloqueio Vagal no tratamento da obesidade. O dispositivo foi implantado através de laparoscopia (pequena incisão no abdome) em 31 pacientes obesos (IMC 35-50 kg/m2) que ainda foram acompanhados por seis meses após o procedimento. Nenhum paciente foi orientado a seguir qualquer tipo de dieta ou mudança de hábitos de vida no período do estudo. Foi observada perda ponderal média de 15% do excesso de peso, sendo que um quarto dos pacientes perdeu cerca de 25% do excesso de peso. Os pacientes apresentaram redução da ingesta calórica, saciedade mais precoce durante as refeições e menos fome entre as refeições.

 

O procedimento mostrou-se seguro sem complicações significativas.  Esses resultados foram os primeiros a serem apresentados e já permitiram o desenho de um estudo ainda mais robusto para validar a indicação do Bloqueio Vagal no tratamento da obesidade.

 

 

 

 

Um estudo publicado esta semana pelo British Medical Journal revela que o consumo de drogas antipsicóticas aumenta o risco do indivíduo em apresentar um derrame cerebral, e esse risco é ainda duas vezes maior entre indivíduos com quadro de demência e maior no caso dos antipsicóticos modernos, chamados de atípicos. 

 

A associação entre derrame cerebral e antipsicóticos atípicos (ex: olanzapina, risperidona)  já havia sido demonstrada, mas desta vez mostrou-se que mesmo os antipsicóticos de primeira geração (ex: haloperidol) também aumentam o risco de derrame.

 

Com esses resultados devemos pensar no uso de antipsicóticos cada vez com mais  critério, e no caso de indivíduos com quadros demenciais, essas medicações deveriam ser evitadas sempre que possível. Os antipsicóticos são freqüentemente usados nesse grupo de pacientes para a modulação de transtornos do comportamento que são muito freqüentes nos quadros demenciais. Esses resultados devem servir de estímulo para a incorporação de outras ferramentas que possam modular o comportamento dos idosos com quadros demenciais, e aí não estamos falando só de medicações,  mas também de atividade física, lazer e convívio social. 

 

 

 

 

 

 

 

Cuidar da saúde de outra pessoa envolve uma complexa interação entre o terapeuta e aquele que procura seus cuidados. Essa interação pode trazer benefícios que vão além dos efeitos da medicação ou de outro tipo de tratamento escolhido, e é a isto que chamamos de efeito placebo. Como isso funciona ainda é uma pergunta bastante intrigante.   

 

Um estudo publicado no ano de 2001 pela revista Science deu uma balançada naquilo que a comunidade científica até então entendia como efeito placebo. Pacientes portadores da Doença de Parkinson receberam medicação específica para a doença (levodopa) ou pílulas placebo e o surpreendente foi que tanto os pacientes que receberam a medicação como aqueles que receberam placebo, e que tiveram boa resposta clínica, demonstraram aumento das concentrações de dopamina no cérebro.

 

Na última edição da revista Neurology, pesquisadores de Luxemburgo explicam-nos um pouco melhor como o uso de placebo pode influenciar o cérebro em situações como a Doença de Parkinson, depressão e síndromes dolorosas. O efeito placebo positivo pode ser observado em até 50% dos pacientes com essas condições clínicas, e costuma ser mais pronunciado quando associado a procedimentos invasivos (ex: injeção) ou doenças em fases avançadas. No caso da Doença de Parkinson, confirma-se os resultados iniciais de que pacientes que apresentam boa resposta ao placebo apresentam aumento de dopamina no cérebro em regiões que são comuns ao efeito cerebral de recompensa. Isso sugere que o fator “expectativa positiva”  pode ter um importante papel no efeito placebo nessa condição.

 

Em quadros de dor, também há evidências de que o placebo muda quimicamente o cérebro, dessa vez através da liberação de opióides endógenos, efeito que pode ser desfeito através de medicações que bloqueiam o efeito de medicações opióides. As mudanças químicas também ocorrem em quadros depressivos, sendo que o placebo apresenta efeito muito semelhante às drogas que aumentam a concentração de serotonina (ex: fluoxetina). Nessas duas condições, a “expectativa positiva” também parece ser a forma como o cérebro faz com que o efeito placebo funcione.   E essa parece ser a explicação do porquê de algumas pessoas responderem positivamente ao placebo e outras não. Há evidências de que bons respondedores apresentam expectativa de receber maiores recompensas, e têm maior ativação do sistema de recompensa cerebral, não só na situação de tratamento, mas também em situações de jogos que envolvem recompensa em dinheiro.  

 

 

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