Cerca de 25% das pessoas que sofre de enxaqueca apresenta também o fenômeno da aura, que é um aviso que de que a dor está por começar, mas que também pode acontecer já na fase da dor de cabeça. O fenômeno comumente se apresenta como sintomas visuais (ex: visão de pontinhos luminosos, flashes em zigue zague, falha no campo visual). Menos comumente, a aura pode se apresentar como formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar, e mais raramente como perda da força de um lado do corpo. Durante a aura o cérebro é acometido por uma onda de redução de fluxo sanguíneo.
O entendimento da relação entre enxaqueca e risco de derrame cerebral tem sido perseguido por décadas, e hoje sabemos que esse risco é maior entre indivíduos que apresentam a enxaqueca com aura. Sabemos também que o risco é maior ainda em mulheres jovens, que além da enxaqueca com aura, ainda fumam e/ou usam pílula anticoncepcional e entre aquelas com crises freqüentes. Mais recentemente, pesquisas têm-nos revelado que o risco de eventos vasculares é elevado como um todo, incluindo doença isquêmica do coração. As explicações incluem alteração da microcirculação, alterações da coagulação sanguínea durante ou fora da crise e até mesmo efeito adverso de medicações usadas para as crises. No caso de lesões cerebrais, algumas alterações congênitas do coração podem estar implicadas, por serem mais comuns nos indivíduos com enxaqueca.
Um estudo publicado esta semana pela revista Neurology nos traz um entendimento melhor ainda entre a relação entre o uso da pílula anticoncepcional, enxaqueca com aura, e risco de derrame cerebral. Vinte e cinco mil mulheres foram acompanhadas por 12 anos, e aquelas que apresentavam enxaqueca com aura tiveram duas vezes mais risco de apresentar eventos vasculares, incluindo não só derrame cerebral como também infarto do coração. Os pesquisadores também demonstraram que as mulheres que além da enxaqueca com aura ainda apresentavam uma variante do gene MTHFR, já bastante estudado como fator de risco para eventos vasculares, essas apresentaram um risco quatro vezes maior de desenvolver derrame cerebral.
Além do poder de aumentar o risco de eventos vasculares em mulheres com enxaqueca com aura, o uso de contraceptivos orais pode dificultar o controle das crises, e pílulas com menor concentração de estrogênio podem favorecer o controle. E é bom lembrar que o mesmo cuidado com as pílulas vale para reposição hormonal entre mulheres na menopausa que apresentam enxaqueca com aura.


10 comments
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15 Setembro, 2008 às 3:31 pm
Enxaqueca do período menstrual. Hormônios podem ajudar. «
[...] Obs: no caso da enxaqueca com aura, a discussão do uso de estrogênio deve ser muito bem discutida pois pode aumentar os riscos de isquemia cerebral. Clique aqui e leia o post que discute essa questão. [...]
26 Maio, 2009 às 2:32 pm
Carla Moreira Ferreira
Em Setembro de 2008 voltei a ter crise de enxaqueca. Esta foi a pior, onde foram mais de 3 meses com dores todos os dias e muito forte.
Fui a vários neurologistas, que de início me informavam que era uma enxaqueca. Isto eu já sabia, o que eu precisava saber era como acabar com ela.
Relatava tudo, para todos:
Aos 18 anos fui diagnosticada como eplética e fiz tratamento com medicamentos e exames periódicos durante 5 anos, quando no último exame o médico resolveu tirar os medicamentos aos poucos.
Após muito tempo comecei ater enxaqueca (muito forte). A veia em minha cabeça latejava forte, às vezes ficava com parte da cabeça dormente e com sensações que estava entortando o rosto.
Fui a vários especialistas: neurologistas, otorrinos (uma vez que também tinha tonturas e pressão no ouvido, chegando algumas vezes ficar sem escutar direito)
Enfim, esta última crise, fiquei afastada do trabalho por aproximadamente 4 meses. Fui diagnosticada com enxaqueca tensional crônica, nevralgia do trigêmio, enxaqueca com aura.
Comecei a tomar novamente outros remédios: Depacote ER, amptrilina e Rivotril.
Não tive mais as crises de enxaqueca, porém ainda persistem alguns sintomas que me preocupam principalmente depois de ler este artigo.
Eu ainda tenho desequílibros (tonturas), a memória também falha algumas vezes, tenho dormência em metade da cabeça e a noite eu também tenho durante muitos anos falta de ar (ou seja o ar me falta por alguns segundos). Também já fiz o exabe de apnéia o que foi constatado o grau pequeno e que não necessitaria de cuidados.
Não uso mais o contraceptivos, porém não consegui parar de fumar.
Também já tive hipertensão, depois ela baixou e também com recomendações médicas não utiliza mais remédio para pressão.
Com tudo isso que relato gostaria de receber um retorno para saber se o que tenho está sendo tratado de forma correta.
26 Maio, 2009 às 5:33 pm
Ricardo Teixeira
Pelo seu relato, eu arriscaria dizer que você tem um quadro de enxaqueca associada a outros problemas, ao que se chama de comorbidades. É impossível para um médico dizer se as medicações e outros métodos terapêuticos escolhidas estão certos ou errados sem uma cuidadosa entrevista.
15 Setembro, 2009 às 2:35 pm
Gisele Vieira
Caro Dr.
Após passar por “n” médicos, “n” exames e tomar “n” remédios”, devido a dificuldade no diagnóstico, já que haviam diversos sintomas envolvidos: tonturas, distorção visual, enjôo, nó na garganta, taquicardia, respiração curta e pesada, fadiga, dores de cabeça (região dos olhos e têmporas), dor de estômago, sensação de desmaio, ansiedade e garganta sêca.
Hoje trato enxaqueca com aura e transtorno de ansiedade com Amato 50 mg (3/4 de 1 comprimido) e já apresento boa melhora, a dor de cabeça em si já não se apresenta mais, no entanto na TPM, a tontura, distorção visual e ansiedade se intensificam, mesmo com a medicação.
O neurologista orientou a consultar com minha ginecologista, sendo que a mesma sugere a interrupção da menstruação, mas tenho receio, após ter lido alguns artigos à respeito.
Qual a sua opinião à respeito?
Agradeço sua atenção.
17 Setembro, 2009 às 12:58 am
Ricardo Teixeira
Oi Gisele,
O que há de inequívoco é que mulheres com enxaqueca com aura devem evitar o uso do estrogênio devido ao leve aumento de riscos vasculares.
24 Setembro, 2009 às 1:47 pm
Ivana
Bom dia ! Tenho 50 anos, mas ainda menstruo, não tomo hormônios e não tomo pílulas. Mas tenho enxaqueca perimenstrual todos os meses.
O meu neurologista indicou Naramig e Sumax. Vou intercalando os 2.
Mas não em um remédio que possa evitar ou rarear as crises ?
Muito obrigada,
Ivana
26 Setembro, 2009 às 11:40 pm
Ricardo Teixeira
Olá Ivana,
A decisão terapêutica depende muito do seu calendário de crises. Se a dor for só perimenstrual a indicação é uma. Já se as crises acontecem também fora da época perimenstrual, aí então a indicação terapêutica pode ser diferente. O que posso lhe indicar é que começe desde já a fazer seu calendário de crises e de mestruação. Mostre a seu médico para vocês fazerem a melhor escolha.
30 Setembro, 2009 às 3:00 pm
Michelle
Então o ideal para mulheres com enxaqueca seriam as pílulas à base de progesterona apenas? Qual a eficácia dessas pílulas no combate à acne em comparação às que contêm estrogênio?
Obrigada!
30 Setembro, 2009 às 3:11 pm
Ricardo Teixeira
Oi Michelle
Repondemos sua pergunta com o post do dia 17 agosto
http://consciencianodiaadia.com/2009/08/17/pilulas-anticoncepcionais-e-risco-de-trombose-as-mulheres-precisam-entender-mais-sobre-esse-assunto/
1 Outubro, 2009 às 1:16 pm
Michelle
Li o post e também fui ler direitinho a bula do Cerazette (desogestrel – progesterona). Mas um dos efeitos adversos dele é justamente o aparecimento de acne…
http://www.medicinanet.com.br/bula/1308/cerazette.htm